(navigation image)
Home American Libraries | Canadian Libraries | Universal Library | Community Texts | Project Gutenberg | Children's Library | Biodiversity Heritage Library | Additional Collections
Search: Advanced Search
Anonymous User (login or join us)
Upload
See other formats

Full text of "Portugal antigo e moderno; diccionario ... de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias"

Google 



This is a digital copy of a book that was prcscrvod for gcncrations on library shclvcs bcforc it was carcfully scannod by Google as part of a projcct 

to make the world's books discoverablc online. 

It has survived long enough for the copyright to expire and the book to enter the public domain. A public domain book is one that was never subject 

to copyright or whose legal copyright term has expired. Whether a book is in the public domain may vary country to country. Public domain books 

are our gateways to the past, representing a wealth of history, cultuie and knowledge that's often difficult to discover. 

Marks, notations and other maiginalia present in the original volume will appear in this file - a reminder of this book's long journcy from the 

publisher to a library and finally to you. 

Usage guidelines 

Google is proud to partner with libraries to digitize public domain materiais and make them widely accessible. Public domain books belong to the 
public and we are merely their custodians. Nevertheless, this work is expensive, so in order to keep providing this resource, we have taken steps to 
prcvcnt abuse by commercial parties, including placing lechnical restrictions on automated querying. 
We also ask that you: 

+ Make non-commercial use of the files We designed Google Book Search for use by individuais, and we request that you use these files for 
personal, non-commercial purposes. 

+ Refrainfivm automated querying Do nol send automated queries of any sort to Google's system: If you are conducting research on machinc 
translation, optical character recognition or other áreas where access to a laige amount of text is helpful, please contact us. We encouragc the 
use of public domain materiais for these purposes and may be able to help. 

+ Maintain attributionTht GoogXt "watermark" you see on each file is essential for informingpcoplcabout this projcct and hclping them find 
additional materiais through Google Book Search. Please do not remove it. 

+ Keep it legal Whatever your use, remember that you are lesponsible for ensuring that what you are doing is legal. Do not assume that just 
because we believe a book is in the public domain for users in the United States, that the work is also in the public domain for users in other 
countiies. Whether a book is still in copyright varies from country to country, and we can'l offer guidance on whether any specific use of 
any specific book is allowed. Please do not assume that a book's appearance in Google Book Search mcans it can bc used in any manner 
anywhere in the world. Copyright infringement liabili^ can be quite severe. 

About Google Book Search 

Googlc's mission is to organize the world's information and to make it univcrsally accessible and uscful. Google Book Search hclps rcadcrs 
discover the world's books while hclping authors and publishers rcach ncw audicnccs. You can search through the full icxi of this book on the web 

at |http: //books. google .com/l 



Google 



Esta é uma cópia digital de um livro que foi preservado por gerações em prateleiras de bibliotecas até ser cuidadosamente digitalizado 

pelo Google, como parte de um projeto que visa disponibilizar livros do mundo todo na Internet. 

O livro sobreviveu tempo suficiente para que os direitos autorais expirassem e ele se tornasse então parte do domínio público. Um livro 

de domínio público é aquele que nunca esteve sujeito a direitos autorais ou cujos direitos autorais expiraram. A condição de domínio 

público de um livro pode variar de país para país. Os livros de domínio público são as nossas portas de acesso ao passado e representam 

uma grande riqueza histórica, cultural e de conhecimentos, normalmente difíceis de serem descobertos. 

As marcas, observações e outras notas nas margens do volume original aparecerão neste arquivo um reflexo da longa jornada pela qual 

o livro passou: do editor à biblioteca, e finalmente até você. 



Diretrizes de uso 

O Google se orgulha de realizar parcerias com bibliotecas para digitalizar materiais de domínio púbUco e torná-los amplamente acessíveis. 
Os livros de domínio público pertencem ao público, e nós meramente os preservamos. No entanto, esse trabalho é dispendioso; sendo 
assim, para continuar a oferecer este recurso, formulamos algumas etapas visando evitar o abuso por partes comerciais, incluindo o 
estabelecimento de restrições técnicas nas consultas automatizadas. 
Pedimos que você: 

• Faça somente uso não comercial dos arquivos. 

A Pesquisa de Livros do Google foi projetada p;ira o uso individuíil, e nós solicitamos que você use estes arquivos para fins 
pessoais e não comerciais. 

• Evite consultas automatizadas. 

Não envie consultas automatizadas de qualquer espécie ao sistema do Google. Se você estiver realizando pesquisas sobre tradução 
automática, reconhecimento ótico de caracteres ou outras áreas para as quEus o acesso a uma grande quantidade de texto for útil, 
entre em contato conosco. Incentivamos o uso de materiais de domínio público para esses fins e talvez possamos ajudar. 

• Mantenha a atribuição. 

A "marca dágua" que você vê em cada um dos arquivos 6 essencial para informar aa pessoas sobre este projoto c ajudá-las a 
encontrar outros materiais através da Pesquisa de Livros do Google. Não a remova. 

• Mantenha os padrões legais. 

Independentemente do que você usar, tenha em mente que é responsável por garantir que o que está fazendo esteja dentro da lei. 
Não presuma que, só porque acreditamos que um livro é de domínio público para os usuários dos Estados Unidos, a obra será de 
domínio público para usuários de outros países. A condição dos direitos autorais de um livro varia de país para pais, e nós não 
podemos oferecer orientação sobre a permissão ou não de determinado uso de um livro em específico. Lembramos que o fato de 
o livro aparecer na Pesquisa de Livros do Google não significa que ele pode ser usado de qualquer maneira em qualquer lugar do 
mundo. As consequências pela violação de direitos autorais podem ser graves. 

Sobre a Pesquisa de Livros do Google 

A missão do Google é organizar as informações de todo o mundo c torná-las úteis e acessíveis. A Pesquisa de Livros do Google ajuda 
os leitores a descobrir livros do mundo todo ao m esmo tempo em que ajuda os autores e editores a alcançar novos públicos. Você pode 
pesquisar o texto integral deste livro na web, em |http : //books . google . com/| 



PORTUGAL 



ANTIGO E MODERNO 



OITAVO VOLUME 



PORTUGAL 

ANTIG O E MO DERNO 
DICCIONARIO 

Geos^apliloo, Xíetatlstloo* Clioroffi-aplilooi Heraldloo* 

Ài*cbeolos:Í<!o, 

Hlstorloo, Stoifraphioo e Kitynkolofei<so 

m TODAS AS CIDADE!;, VILLAS E FREilUEZIAS DE PORIIICAL 

DE GRANDE NUMERO DE ALDEIAS 

Ss estas são nota-vein, por serem pátria de bomens celebres, 
por batalhas ou outros factos, importantes quo ii'ella8 Uveram logar. 
por aerem eolaree da lamllias nobres, 
s de qualquer natureza, alli oxlsteutas 



MTICIt DC IPIT» CIOtDIS E tDTIIIt POfUCBES tk ÚltniRIII 

m m APENAS mm mmm m sóienti a trâoicai 

ingsslo Soirca de AicTedo Barbosa de Piobs Leal 



■LISBOA 

LlVRAHU EDirOBA DK MATTOS HORBIRA & C(»IFA1IHIA 

S7 — Praga de D. Fedro — 67 
1878 



J 



HARVARD COILESC UBRARY 

COUNT OF 8ANTA EULAUX 

COLLECTIOII 

8IFT0F 

JOHN 1. STITIMH IK 

MAY 28 1924 



A propriedade doeste DIGGIONÂRIO, pertence a Henrique de Araoja 
Godinho Tavares, sobdfto brazileiro. 



5IS-T7P. Kditort, Bmío, C7-I878 



.1 



t\. 



\ ' 



'\'. 



t «• 



POliTDfiill MOill lODIlO 



M 



Q. 



f • 



Q^^Hsomo loti^ã nimieral, V«Ka'knff(;attiètttir 
900!; è tom nni til, vftlia 800^. 

QÉBBÇá— portQgnez antigi»— cabeço, cdI- 
tina, eOcidy ntionte isolado, mibré nma serra 
ov^nipvoa. ' 

ftàHÊfá^portapiet àotígo— (umbem se 
escrevia quampaa^ qwtmpwn, qúampOj è 
fUampàá)-^eAmpkíÈÈ9 sioeta, eampafoha. - 

fPSk oa 6á— 'portdgQez antígo^pofqiie. 

OÍFâMA— fretfoezía, Traz-os Montes,* na 
comarca e concelbo de Viobaes, S5 kifòme- 
tros de Miranda, 4fl0 ao N. de Lisboa, W 
íogos^ em 1787 ttnba fl. 

Orago S. Pedro. 

Bispado e districto administrathro^e Bra-' 

gança. V *"' " 

O reitor de Santo Andrê'de'fiòíélÍo (oa 
Toizéllu) apresentava o cara,-qae ^Inbá Mis 
8^000 de congma e o pé d^aitàr. 

Esta fivgQPZia está, ba mnltos annos, nnf- 
da á drt Tiozôllo, no metimo concelbo. 

QBâtMRAR— ponngttez antigo--pertencer, 
connp»*tir. 

QUADRAtOS— vide Begaço. 

QITAIHIAZABS — fregnezia. Beira BâMca, 
pfoxirtia do rio Côa e da raia bespanbola, 
na comarca e concelbo do Sabugal, 120 kl- 
lometros ao SE. de Lamf^go, 300 ao E. de 
Lisboa, 380 fogos, ^ 1787 tioba 190. 

Orago Mossa Seahora d^ASiaoipção. 

Foi antigamente do bispado de Lamego, 

VoLmB vm 



, 



e boje é do de Plnbel, districto admlnistra- 
tivi> Úá âoarda. 

O papa e o biSpo apresentavaiA alternati- 
vamente o abbade, qne tinba I8OIO0O réis 
de rendimento, além do pé d*altai*. 
. Os qwiãraiênhús sâo muito tnrlmlentos, e 
^ási todos vivem de contrabandear; acon- 
tecendo maltas vezes resistirem aos malsins^ 
dáfido-lbetfògo, matando-os oa ferindo-os; ; 
ê até mesmo â tropa de liúba qae vae enl 
foéfeohx) dos empregados da alfia^ndega. 

O sea clima é excessivo,' por Isso poaál'* 

(erm: 

QVADlttUA — portngaez antigo — era' 
ama sec^o oa qaadrittiade M bomens, 
lesthiados a qnalqaer serviço, lambem sé ' 
ihii vintena. 

; Dizia-se aquadrenart o ado de pdr eni'^ 
formas oa qaaàrellas de 20, tanto com res- 
peito a pessoas como a coasas.' 

Támbem se dava o nome de quáSiretta ao 
ça^ oa coorelta. ' 

(Joadrella da mordida e/à a porção desi- 
gnada para ser vigiatfà e defendida por pes- 
soas dè ama determinada localidade, em oc- 
essfSo de guerra. ' 

QUAkR— pbrtngiiez amfgo^-cal^ir, Incóf- 
rer etti qaalqáef péns, ficar èespoasavet" 
Epi^nomqaíLeT nas peias e nas niatálf^éúê.^ 
(Doe. do mosteiro d'Aipendarada, de ISM)^ 

KtfAfltES— antigo nomef èa actoU fregne^ * 

i 



6 



QUA 



zia de Caíres, no coneelho d' Amares. (Yol. 
2.% pag. 35). 

QUAlfANHO — portugaez antigo — qual, 
quanto, qaão grande. Foi termo muitolnaa- 
do até ao secnlo XIY. Vem do latim quam 
magnus, que (^ poi^tuguezes pipnu^ç iavam 
qtuím mânhos^ . ^ • . . j 

li BOI 



QUA 

tregando a regência a seu cunhado, o car- 
deal D. Henrique, em 1562. Foi pois o rei 
D. Sebastião que deu isto aos jesuítas, em 
1570, como fica dito quando tratei d'esta fre- 
guesia, sob o nome de Cárquere. 
\ : Q(^PV> AO ^apedmtnU) da^iimagem de 
TÍowí ^nhor^rde. Cárquere, .^escrevé-o, 



da província do Douro, no concelho de Fel- 
gueiras (entre Amarante e Pombeiro) e na 
freguezia hoje chamada CaramôSy que é uma 
variante de QuadramoUos, e corrupção de 
Cara ao$ tnauros. (Vide Caramôl e Caramâif 



QUADRAH0LL0S-^6êtèlre»mui notavisl %bik ftiMs vim de veiMade, o^p^re-mestre. 



frei Agostinho da Costa, religioso eremita 
de Santo Agostinho (graciamo) lente de mo- 
ral no seu mosteiro de Lamego, pela forma 
seguinte : 
Muitos annos depois de expulsos osmou- 



a pag. iOO do 2.*» volume). i«» d'estes sitios, andando uns rapazes a ati- 

QUAREIRA— portuguez antigo— carreirai r» pedras a alguns castanheiros, parafaze- 

caminho onde não cabe mais do que um. 'mm cahir as castanhas, um d*e8tes, que era 



muito velho, bojudo e ôco, quando as pe- 
dras lhe cabiam na coiujavidade, dava som 
como de sino. Forani dizer isto aos pães, que 

car o ca9Ciçi^AfK|ia,i^ef;|iKa, df^ daM(9r 
btífm n'.^^ JUlgXBk ^bi^^iv. 4^cb)k{i9r«m 
éfÍi^xm.^im4o jftl|ço4§ 7,w.8 wutaií» 
(que depois serviu para a egreja)^j|j9[iarW^. 



carro. 

QUARQUERE ou Ç4R0UERE— -Já a pag. 
116, col. !.*, do 2.<» volmM, tratei d'esU fre- 
guezia; jp^^ comp d^pojs d*fa8Q;pK4e,obf§r 
mais informações coin respeito |a,^li% fii^fi^ 
quites nfp q^erp,pjívfMr.os^.Wifqrea,;^oí».A8 
n>steiagai:. » ,.,. ,i,^^ . . .j., . 

Segundo p jSa<^. .Mar,, ^mo 3^% JWKt.^7 
e9eguint«9l»ia,(igr^deqii>9tei]^de Q^rjip^ 

(coinoai^ij^amentés6esjci;f^vij^ep)ajj^^if^ fa, uç;^ miif d^|^rj^^vi:a4a»,d9,l"i33 d§ 
h^e eserevem),íorampirÍPf^p^^^.i^)^' j alturayt^gijifj.^âpo^ serviu. p^a..ii:w,MOr 
qOando D. 4%.nso Henriq^s.tj^i^^jfUKMftl eis^^^r.UJO^.iÇM^ camr^íqaiK) ^ ^^n^ 
dlidad^ ,qu^ X/}f,;qu«^ndo ,a:Se^Qiir^,fe];t.o I L^q, d^ & BfU,:^ ^ fiufJÇí» saq^tod^ 
milagre, Dj^z, ò auctor doeste, ii^ro. .q|i^^, ia- . sep^fa^^s ;iuna3 d«4'X)atf a3| ; cQm.,aa indica- 
fa^te náscêvi pm 109^; mas ^nganarse: eUe ^^ çomp^entes^ ^ f^alipente, j^chaurasfi 
nasceu em Guimarães, a 25 de julho de lipp^. um pergaminho que docU^raica-^^f ^fffs ^- 
ei^e tin^i||^^no3 qniuii^ ^efi^B^ftf^jff^ liquias tinham sido alli escondidiis,^ j|x^ip 
á 9b|;ai^fQi^*1114;p(u%qfi|)acecemai3^pro-i eia ^eiQSffvxiirqsiuv^a^irafa estai ivr^ 
v^vel teÇ: 3||ip fcuidado o piosleirq.por D. Aí- ; O povo edificou logo uma capella pai:a a 
fonso Henriques, pelos annos de ii29«.cpmo Senhoifa^a efja;iiaag6Qi entr^logo a ooa- 



i^^nt^j}e yeráv^ 



> \ 



^ e^eja /jLq o^o^teifo ípi.elev^ a matriz . Como D. Affons({. Ijienriquç^ nascei;a fdei- 



da freguezia, e osj^^ligiosps, passados algui», 
aijAO^Kab^^onajçam o cpavenío, não^a^sa 



qual, diz ^^a.ò a^ctor,do.^^l^.ikfa}*lbjano, 
o deu D. Joáo III, em i5bi, ^o.qQllegjp'^9^ 

J<^ III Mepeu em Lisboa^ a il de \^ahi^ 

^a\^/>\ÍÍí^ ^P^^f ^^^ gov^i;iiava (f^ içtÂ- 
iio#^ra a.^f içha vjijlv^^^^ Catbarina, ^ me- 
nonddde ^^iSenjoeto, omD.Seba^iioiiuir 



sagrar uiqa grande devoção..!; 



tosy EgasMoniz.o levou ao altar 4a ^n^ra. 



be porque motivo, passando^ ^ois a ço^-. , colloi^ando-o sobre.eUe,,emquant9.uaf(pa||f^ 

mepdjit^oil^^endi) o jfpmeifo e nltúwo^.p. dizia missa, finda a qual o menino se achou 

Ambiros^o, bispq,df Laq)ep;o^pD]r morte do. são e escorreito. P^pç^s die^reí^e^leqAbraáo 

I <;i:. --«j. 1 ^_ n_ . ,. * do.4|nei ^evifk 2^ No^. Senhora, fundou a 

egrçja ,ei n^^oste^o de cruziç9, de Cjárquere, 
lázeadq^ p prior ^eUe dqns^f^no da yJlla^ e 



1 Seguttlo ooUrós '«scrf^tares, a imagem 
fòi levate psra;ttouk/cap«Mproiiina,daia-* 
voç,ação de ^n(a . Crpz. 



QtJA 

dsiido fto c(mTeiito oÉnit» renAls e priti" 
leglos. 1. ' 

Os frades Vietiam povòtr o ttosteiró, so 
dia 24 de fev6i'0!ro de 1Í31, recebeildò ò ha- 
bito^ D. Tello, com 12 companheiro^ das 
mãos do bispo de Coimbra, D. Bernardo, 
(qae tivesse tempo governava também os 
bispados de LsfmegO e Viseu). 

Já em 1700 nlo havia do edifieio do mos- 
teiro senio <y claustro, bastante arraimido, 
e a casa do capitulo, qae era de abobada de 
pedra, ébra mosaica, e dentro d'eUaQma òa- 
pirilinha dos senhores (depois condes) de 
Bézende, qne tt'ella mandavam diser nma 
missa qaotidiana. 

A egreja matriz de Cárqnere, de archité- 
ctara gothica, está collocada em nm sítio 
lánito áprazivrt/è mostra grande antiguida- 
de. Junto á egrèja ainda existe um hospício 
que foi dos jesuítas. 

I^ò dia da festa da SeMiora (4.* domingo 
de maio) vem aqui 14 proeissOés de dfffe- 
rentes freguezias^ e grande concurso de po- 
vo, formando um formoso arraial, onde as 
làvradeiras ostentam as suas galas pitío- 
rescas. 

'Aqui tae outra versão, que, a algunÉ res- 
peitos, varia completamente das àutecedeh- 
tes. A senhora que a apresenta é d'e8tes si- 
tios e supponho-a bem informada; e o que 
diz é verosioiil. 

A sr.* D. Maria do Pilar Bandeira Montei**' 
ro^ Osório» die no seu romance LagriúMê e 
sanáades, pag. 99, que «á egreja de Gar- 
«quere é tão antiga que sé lhe ignora a data 
ida fundado: apenas se sabe, peks inseri- 
tpçdes gravadas nas paredes, e que hoje itíal 
«se podem éetlfnr, pelo muito que estilo 
«eortoidás e gastas, c pela tra^Kçao, que foi 
«temido de IHana, no tempo dos romuios^e 
«mesquita durante á dominação sarracena: 
«depois^ convento de monges negros, òn de 
«6. Bento, e por troca feita com os Jesuítas^ 
«estabeleceram estes alli um hospido, do 
«qual curavam a freguezia, recebendo alli 
«multas rendas, que tinham por aquelies 
«sities. 

«Quando a companhia de Jesus foi extis- 
«eta, passou a egreja, com os foros não re- 
«fflidos, para a universidade,* que desde eu* 



QIÍA 



r> 



.i 



tão fieou ifpresenmndo- o párocho, a qtiètti* 
dava alguns benesses^ e fazendo as deq^ezas 
do' •culto. ' 

' «A egreja é de construção solida e pesa- 
da, e 08 sebs dourados e lavores em ma** ' 
deira, são ricos. 
«Da parte do Evangelho, tem um altar, * 
de arohiteetura gothica, e'n'elle a sèpidlu- 
ra de um- bispo, cujo corpo se vé esculpi- 
do sobre a pedra que iserve de meza ao al- 
frtar. Estobispo e o altar, eram da casa da 
BebinhA, cujo appellido era Galvds. 
' «Do mesmo lado ica o claustro, e «o lado 
doeste, a capella chamada das AlmiraníèSt 
que pertence liss condes de Réíende. N*eê- 
ta capella, que ha muitos annos está des** 
moronada, véem-se quatro túmulos de pe- 
dra tosca, inteiriQOS, e inteiriças sãoten- 
bèm sA tampas que os cobrem. Na parede 
fronteira a eKes, estão os epitaphibe, que^ - 
por gastos, difficHmente se lêem. '- 
«Do outro lado da egr^a, está a easa Cha- 
mada da Akmasa. É Oma easa térrea, que 
servia de deposito aos finados da Alamosãi ^ 
que eram alli enterrados; porque, ainda 
que aquella povoa^ (hoje flregtíeísfa) es- 
tava a mais de 10 lej^as de distancia ta 
egri^a de Garquere, era freguezia 4'Ma 
dgreja, e os seus mortos alli recebiam se- 
pultura.» YiáeUéiímie, 
Q9ARTSIItA--->áldeia, Algarve, perteuoen- 
do parte d^sHa á freg^raaia de Loulé, dtede 
dista i kilometres ao O., e onura parte i de 
Boliqueime, cuja egreja ma^iz flea a 3 kl* 
lometros de 4iei8ncia, comarca, e eoneelho 
de Loulé. Bicado do Algarve, disiríeto ad- 
tninistrativo de Faro. 

Está situada na coela, tf é na sua quasi 
totalidade composta de pescadores.- 

Foi antigamente uma povoação ti^^ortaa- 
tissima, pelo seu grande commércio^ mari- 
nhas de sal, e pescarias: e até muitos escri- 
ptores asseveram que foi aqui a famosa ci- 
dade de Cartfia ^ fundada pelos annos do 

^ Aliás Lamosa, no concelho de Btnian- 
célhe (ou Gernaneélhe), comarca de Moi^ 
menta da Beira. 

* Estou 'convencido, em vista de tantas 
Carteias e Citanias, que vejo mencionadas 
pelos antigos geogrq^s e hiatoriadoresi, 



8t 



QJDA 



manéo 3900 (80i antes de Jesus Chriso) 
pelos lúrdulos oa pelos cUiieos. 

Eitta Carteia foi invadida pelo mar» que 
actoalfiiente oecapa a maior parte do terre- 
no t*m que estava fkmdada. O terremoto do 
i.* de novembro de 1755, acabou de destruir 
o resto; e os seus habitantes, qae escaparam 
a este m^^donho catadysnio, foram constroir 
as soas pobres cabanas de junco, a nns 300 
metros do castiullo velbo. 

D»*p<*is foram se edificando algumas cs^fsas 
de pt*dra ; e, além da magnifica casa dos 
morgado» da Qmírteira (Lonlés) já temt al- 
guns edifieíos sofíriveiei, e os banhistas que 
aqui euttf orrem no tempo próprio, teem fsito 
prosperar bastante esta povoação. 

Junto da praia, mas dentro do mar» ha 
vestígios de antiguidades; sao construeçdes 
feitas. com. a celebre argamassa de que (alia 
Plínio (HiH, Na$., liv. 30, capk 14) e t^lve» 
qu<) a torre buje chamada da Fh^ seja a 
funosa torre que defendia a ve|ba cidade. 

O Oceano» nu dia 1 * de novembro de 1755, 
entrou pehi terra denu^o 3 iulomeu^os^ ma- 
tando 52 pt-ssojis de amboft os sexos. 

Corre por aqui a HMra da Onartâira^^ 
forvnada P^^los ribeiros de Tôr^ Saiir, Qm- 
rmiça,. àkrcês e outros, o que faz a terra fer- 
tilis«ifflH.*É atravciisada por uma boa ponta 
de P' dra, na estrada de AUbnfeira para Fa- 
ro. Ê de antiquissíma construc<{^ Em uma 
daa^^uas p^redt^s está uma figueira» também 
muiio aoiiga. que dá figos especialiísimos.. 

P4iU(*o abaixo d*esia ponte, no sitio da 
JwKíaL nascem trez olhus d*agua, de grande 
proftiodidade^ chamados Mexugmra^ Ulmo 
e Robttllo. 

Diz^se.que o gado que cae em qualquer 
d'esies olhos, se affoga immedlatamente. 

O dtoiocto medico, o sr. Augnaia Velo 
Soares de Azevedo, natural de Coimbra, e 

que se dava n*e^8 tempos remotos o nome 
genérico' d*' Carteia, à prtyoaçao ou fortaleza 
situada no litoral; e â*^ Citama, á que estava 
no init^rior. (Vide vol. 1% pag. 13^ col. l.« 
no prín Mpivi). 

^ O rio Quarteira nasce na serra do Cal- 
deirão, e m* rre no mar, formando- na sua 
embocadura o pequeno Porto da Quardifa, 
poufo distante de Silves. Vide BerlengaSt 
Carteia, aumia e PmUdu. 



(SOk 

residente em Lagos, pediu, em junho de 
1876, licença ao governo, para explorar as 
ostreiras naturaes qoe existem entre a Quar- 
teira e o Cabo de Santa liaria. 

A Quarteira tinha foral velho, dado pelo 
rei D. Diniz, em Alcobaça, a 15 de novem- 
bro de 1297. (Lwro IV de Doaçjíes do rei 
D. Dtnúr, fl. 6^ v., coL 1.% in fine). 

Onaa vinonlada da Quarteira 

O rei D. Diniz deu os terrenos que con- 
stituem o actual morgado da Quarteira, em 
15 de novembro de 1297, e por aforamento 
(é o foral) a M artim Marchao (ou M erchio), 
eom a obrigação de os povoar com cincoenta 
moradores.. 

Estas terras sao fertilissimae, e os melSoa 
e melancias d^aqui» sao de qualidade espe- 
cial. 

D. Joio I, mandou fazer n'eatas tenras os 
primeiros ensaios da plantação dj^ canna de 
assacar. 

Esta vastíssima propriedade fica a 3 kUo- 
metros ao O. da povoação. 

D. Affonso V deu a Nuno Barreto, mor- 
gado da Quarteira» por alvará de 3 de feve- 
reiro de 1460^ os direitos reaes do Porto da 
Qaairteira* 

No tempo das almaàravae^ se lançou n*eâ- 
te sitio, uma do atum, que deu grande re- 
suludo. 

D. Nuno Joaó Severo de Mendonça Rolim 
de Moura Barreto, foi U" duque e l"" mv- 
quez de Loulé, 9.* conde de Valle de Rei% 
24w« sttibíMr da Azambuja, 12.* senhor da Pó- 
voa e Meadas, e 14.» senhor do morgado da 
Quarteira. (Vide Loulé e Páooa e Meadof)* 

Cada cabana que se construo na Quan^- 
ra, paga de foro ao morgado, 120 réis; e ae 
fòr casa de pedra, paga 800 réis. 

O sr. Augusto Pedro de Mendonça Rolim 
de Moura Barreto, feito conde da Azambuja 
(de juro e herdade) em 3 de abril de iS&à, 
é o 25.'' senhor da Azambiqa^ e 15." senhor 
do Quarteira. 

(Vide 7.<> volume, pag. 497, col. 2.«— Po- 
iocto do Ferreirinha). 

A propriedade da Quarteira» que Já era 
orna das melhores da casa LouÚ^ tem eqie- 



rimentado grandes m^oraoMiitos desde qae 
está em poder do actual possuidor; o qual, 
eom a sr.* condessa ^ vao aili passar alga- 
mas temporadas, no verio, conquistando pe- 
las sQás óptimas qualidades, o amor dos sens 
nimierosos caseiros, e o respeito e sympa- 
Ihia de todas as outras pessoas que sSo ad- 
lUittidas á sua presença. 

No sitio chamado VaIU de J^iáío, próximo 
da Quarteira, está, em uma bonita veiga, 
PQToada de figueiras, amendoeiras e alfkr- 
robeiras, a capella da Nossa Senhora do Bom 
Successo» construída em 1693, por iniciati- 
▼a do beneficiado e thesoureíro da egreja 
matriz de S. Clemente, da villa de Loulé, o 
padre Diogo Fernandes Rasquinho. 

A Senhora do Bom Suecesso é objecto de 
grande devoção dos povos d'estes sitios. 

QUARTÉIS MILITARES— vide 4.» volu- 
me, pag. 485, eol !• 

QUARTO DE CRUZADO— moeda de ouro, 
do tamanho de um vintém em prata, e com 
o valor de 100 réis. Foi mandada cunhar 
pelo rei D. Manuel, e trazia sempre na bol- 
sa grande quantidade d*estes quartos, para 
dar esmolas aos pobres. 

QUASA— portuguez antigo— casa. E des 
hy asusOf eomosêvayááquasadaVinboha^ 
e comoko vay áá carreira do Sabugal. (Doe. 
do mosteiro de Tarouca, de iS78). 

QUASAL— portugnez antigo— casal. (Doe. 
de Tarouca, de 14Si). 

QUATRO IRMÃOS— logar muito agradá- 
vel e pittoresco, Minho, nas faldas da serra 
da Falpérra, na estrada de Guimarães para 
Braga. 

Deu-se e nome de Quatro irmãos^ a qua- 
tro penedos que parecem tampas de sepul- 
tura. Segundo a tradição, quatro irmãos, 
d*estes sitios, filhos de Maria do Canto, ama- 
vam uma formosa menina, sobrinha do ab- 
bade da freguezia. Ardendo em amor e ciu- 
mOy os quatro irmãos repiaram-se para n*»- 

1 A sr.* condessa da Azambuja, é filha do 
fallecido António Bernardo Ferreira (o Fer- 
f^Mmha da Réguájie da sr.« D. Antónia Ade- 
laide Ferreira, hoje casada eom o sr. Torres; 
e irman do sr. António Bernardo Ferreira (o 
ferreirinha) residente no Porto. 



QOE 



9 



te logar decidirem á paulada, qut^m havia 
de casar com a rapariga. Trez ficaram logo 
mortos no campo, e o quarto, que ainda vi- 
veu algumas horas, é que contou tudo ao 
abbade, que os mandou enterrar no sitio da 
contenda, que se ficou denominando os Qua* 
iro irmãos. 

QUATRO VINTÉNS— moeda de prata que 
fez cunhar D. João III, e, depois, D.PhilippelI, 
com o valor de 80 réis. D. António, prior do 
Grato, acciamado pelo povo rei de Portu- 
gal, fez também cunhar d'estas moedas, e de 
cobre, do mesmo valor. As de prats, porém» 
eram mais pequenas do que as anteceden- 
tes. 

QUEBRADA— portuguez antigo— en<eada, 
pequeno golfo de abrigo para embarcações 
miúdas. «Nom possam sser tomados em to- 
dolos portos e abras e quebradas e sncora- 
çooens de cada huum dos ditos R gnos e 
Senhorios.» (Cortes de Lisboa, de 1380.- 
Doe. da camará do' Porto). 

Também se dava antigamente o norhe de 
quebrada^ â terra de pouco vator, ou a um 
casal insignificante. É por isso que ainda ha 
pelo reino bastantes aldeias com o nome de 
Quebrada.^ 

Á soldada que se pagava em pão, e que 
constava de dois pães por dia, se dava tam- 
bém o nome de que(n'ada. ' 

QUEBRAR — portuguez antigo— cobrar, 
alcançar, adquirir, receber, reivindicar, ete. 

QUEBRAR MOEDA ou APAOAR MOEDA 
— cunhar moeda do mesmo nome e valor^ 
mas de menos pezo. "^de Uoeda. 

QUEBRANTOES— aldeia e monte, Doutx), 
na freguezia de S. Christovão de Mafamude» 
concelho de Gaia, comarca do Porto. 



1 Mas só tinha o nome de quebrada, a 
propriedade de muito declive e pendurada 
sobre profundos valles, sobro rios, ou sobre 
o mar, e que era invadida pelas aguas.— 
Afmsa quebrada, (fue trouve Ghurgo (Ji>rge) 
Velho. ...que atnoredes fer vossas pessoas^ 
que fumegue (que a habiteis, cosinhand*» n'6l« 
la):— Htitim maravidipor dous congros que o 
dito.Moesteiro ania de aoer da dita queti^adã. 
(Doe. do mosteiro d'Alpendurada, de Í4IB) 
— E que pofúia po dito casal e quebrada, hua 
mea duzea de huliveiras. (Doe. do convento 
de Bttstéllo, próximo a Penafiel, de 1482.) 



10 



QUE 



BUpa4o 6 diMrlcio atoiíiifltratiTO 4o 
Porto. 

O primeiro some d'e&te mooCa foi o de 
& Nicolau, depois, de Qoebrantoefl, e lioje 
se chama Serra do Pilar. (Vide GaiOf Pilar, 
e 7.* TolQme, pag. 308, col. 3.% ao fim, e pag. 
414, col. !•). 

É em Qaebrantõea a quinta qae foi de An- 
tónio Teixeira Cabral, capitão- mór de Yiila 
Real de Traz-oa-Montes, descendente de ama 
das mai» nobres (ámilias da provinda, e tqI- 
garmente António Teixeira^deMonirõeij^r 
ter n*esia íregoezía uma grande casa. (Vide 
Mondrões). • 

Foi casado com D. Carlota Canavarro, fi- 
Iba do tenente general Philippé de Sousa 
Canavarro. 

António Teixeira e toda a soa família per« 
teaceram sempre ao partido legitknista, po- 
rém sua irman, D. Marianna Teixeira, cagou 
com o íDfeliz desembargador da casa da 
Supplicaçao, Francisco Manuel Gravito da 
Veiga Lima, que^ em 7 de maio de i829 
mjorreu tmforcado no patibub da Praça No- 
va, por libers^l, com mais nove companhei- 
ros. (VidH 1^ volume, pag. 328, coL 1«). 
Teve gf ração. 

É boj*' possuidora das casas de Mondrões 
e Quf brantões, uma filha de António Teixei- 
ra, casada com o herdeiro da nobilíssima fa- 
mília dos Cirnes, do Poço das Patas, no 
Porto, e senhores da honra de Guminhães. 

No 7.* volume, pag. 308, col. 2.\ no fim, 
trattfí rÂpidameate da capeHa do Senhor 
4^,Akm, reservando-me para n'estelogar dar 
sobre a matéria mais amplas informações. 

Hifuve ao monte de Quebrantoes, um mos^* 
teir/D de freiras da ordem de Santo Agosti- 
nho (graclanas) denominado de S. Nicolau 
das Dimoã, fundado pelo bispo do Porto, D. 
Pedro R<»baldes (ou Rabaldis) em il40. 

No a III) do monte de QuebrantOes havia 
lima ermida dedicada a S. Nicolau, no logar 
onde depi^is. se construiu o mosteiro da Ser- 
ro áo PiiaTy de cónegos regrantes de Santo 
Agobtinhif (cruzios). Vide Qrijó. 

Junto dVsta ermida, sè achou, no dito ai^- 
DO ^ il4(V um erueifixo^ ^ue foi levado 



para A ermida epitecàpíoB a ter logo 
esta santa imagem, grande devoção o paw 
d'estes sítios. 

D. Pedro Rabaldes, quiz aqui* fundar ova 
mosteiro de fireiras^ e como eMe tinha úão 
frade cmzio, do convento de Grqó, quix qae 
o convento fosse de agostinhas. 

Tratou logo de fazer o mosteiro de inelu» 
$0$ (emparedadas) que ainda existia em 
1300, extinguiado-se depois — não se sabe 
quando— e das suas rendas se fez um be- 
neficio simples, que ainda existia em 1552, 
com o padroado da eapella de S. Nicolao. 

Quando os frades de Grijó fundaram o 
nM)steiro da sua ordem (cruzios) da Serra 
do Pilar, taparam todo o monte de Quebraa- 
tões ou & Nicolau, e, para aio ficar deolro 
da cerca a eapella d'este santo, obtiveram 
licença do bispo do Porto, D. frei Baithazar 
Limpo, para a mudarem para a raiz do mon- 
te, á beira do rio Douro. Esta licença Ibes 
foi concedida em á7 de junho de i539. 

Trataram logo os frades de fazer a capai- 
la, e em 24 de agosto de 1540 foram para 
eUa mudadas as imagens do Senhor Cruoí- 
ficado, de S. Nicolau e de 8. Bartholomeo. 

A eapella continuou a ter ainda por mnilo 
tempo a invocação de S. Nicolau, mas foi 
per4endo-A pouco e peuco, para tomar a de 
Senhor d* Alem. 

Teve muitos annos uma rica contraria, e 
se lhe fazia uma sumptuosa festa a 24 de 
agosto. 

Antigamente, quando havia falta de chu- 
va, levavam o Senhor d' Além para a Sé, eu 
para a egreja matriz de S. Nicolau, e ahi 
estava até chover, fazendo-lhe preces, e, de- 
pois de chover, uma grande festa. 

Próximo a Quebrantoes é a quinta de Ma- 
ramdi ou do Marevidi ^ da qual é actuai 
possuidor, o sr. João Correia Pacheco Pe- 

^ Pareee-me mais apropriado o nome de 
Marevide, do latino maré vidi (vede o mar) 
porque efiectivamente d'aqai se vé o mar. 

Es^i quinta fica entre as ruas da Bandei- 
ra e o logar da Barrosa, na (reguezia ád 
Gaia; mas uma boa parte d'ella, é na fregne- 
zia de Mafamude. A rua da Bandeira e.fo- 
reira a esta quinta, que foi de João Pacheco 
Pereira (o celebre mouco 4^ Oaia) veread^ 



refra de IttagaMes (volorfie 7\ pa^f. Hi, 
cot Ia e 515, col.» !•). , 

Na capella â'esta qtiinta fo) sepattado' o 
bravíssimo brigadeiro Praneisco Peixoto, 
que foi mortafdaente ferido, á, frente dò re- 
gimento de caçadores da Beira Baixa (n.'8) 
quando atacava a fortaleza da Serra dó Pi- 
lar, em i4 de omnlro de iS32. Fallecen 
d'ahi a dois dias, em ca^ de Jo3o"Rodl'i- 
gaes da Cruz (o Suzano) ná rua ái Bandei- 
ra, onde estava dé qaartel, é qne é próxima 
da qainta» a qual pertence ao sr. ioSo Cor- 
reia, pdr succeàsao de seus abtepassádos, 00 
Corfeias CraesbèJcs. 

A familia Graesbek é oriunda día Allema- 
nba. Pedro Graesbek, urà dos principaes ca- 
valheiros dos Estados de BraObante, retirou- 
se para Portugal ern 1560, fugido à perse- 
gui^ do feroz principê de Orange. 

As armas dos Graesbeks, são— em campo 
azul, uma estrella de ouro; de seis pootaid, 
e sobre eHa um crescente dé pr^ta, com as 
pontas para cima; elmo de aço aberto, e por 



ôtóÈ 



li 



'\ 



no P(M>, e ]uiz almotacé, bidàvtf do actual 
possuidor. 

O oificío de otoiotaetf é mâito 
antigo em Porta '^ pois ^ 
existia no reinado de D. pi- 
niz. 
' « Ab suas- obrigações e pre* 

«nineneias se acham apomá* 
das nas Ord. do Rçin(k Iiv. i/, 
tit. 18 e 67, §14. 

Gompetia-ibe prover de to- 
dos OB manttoeõtos neeéssá* 
ríosj oa logaties onde âStivesse 
a eôrte; e cuidar da conserva- 
ção e reparos das pontes, cal- 
' çadas e caminhos, que ficasseni 
' a cinco léguas deAslihieia do 
seu districto. {GeographMtBià*' 
fon^. de I4ma^, tí)m. t-, pag. 
óto e 52». ^ , 

' Dm Hlhb do Manàò de Gaia, pòr Uomé Áh- 
Milo Correia Pacheco Pereira, sentiu ptaçSl 
ducadete^^ ntoraeu caintão degratiaddirM^ 
do %• rcjáimenta d^ iafanteris^ do Porto<(^- 
pois n.<» l8) e fez a campanha de 17o2, feita 
peia Idg Aterra e Portugal conirà a Hespa- 
nha 6 a França, pMrcaosa^dOí celebre pêdò 
dfxfumilia, Eita gHarra terDOlnoa pi^o ira- 
tadio de paz ex^re aa quatro ivtçõea, feito em 
w de fevereiro dê I76S. António uureia foi 
imrmililar muMò distincto. '< ^ ' ' 



, r 

íUnbre, uma éstrella de ouro como, a das 
armas. ' ' " 

Pedro Graesbek, fundou em Lisboa a ce- 
lebre officma typographica craesbekiana^ 
cujos utenciiiòs, á custa de grandes cabe- 
daes, mandara vir da Allemanha, e que prin- 
cipiju a fUnccionar em 1590, send^ a m^ís 
afamada do seu tempo,, e que durou n*esta 
familia até ao principio do século XVlIT. 

Faria e Sousa na 3.* parte da sua Europa 
Portugueza^ f/ edição,' pag. 3Sl, faz um 
grande élogiò a esta typographl^, mas nem 
todos os exemplares o trazem; porque, ten- 
do D. João da Silva, iuarquèz de Gouveia, 
certa queixa contra António Graesbek de 
Méliò; neto de Pedro Graesbek, em desforra, 
fez tirar dós últimos Lvros o tal elogio. 

Foi Pedro Graesbek proprietário da tm- 
pii*eiíia teal portugvieza, e D. Philippe II lhe 
dohcedeu a honra de cavallelrp da casa real, 
com ^s mesmas honrai e privilégios que o 
rei D.Manufil tinha coi^cedido a iacob Grom- 
berger, que, por sua ordem tinha vindo da 
Allemanha; e isto por uma carta de privilé- 
gio é fidalguia, passada a 25 de setembro 
delá*7. 

Casou Pedro Graesbek èm Lisboa, com 
p. Súzana 6oiningues dé Beja, filha de João 
éomiilguès d^ Beja, e ^é D« Gatharina Go- 
xnbs P^eco; e d*este casamento hascei^am 
além' de outros—Loúreúço Graesbek e Paulo 
Graesbek. O primeiro casou epa Verríde, còhi 
D. Maria de (jeiça, filha do doutor António 
de Geiça, corregedor de Torres Vedras, e^da 
». Mkrik de Ariilío. ' . '\ 

PaiUò jdrae^bék ^uccedeu na typogr^phíí, 
e casou com D. tearia Torres Velloso, irmaii 
do padre João Yieira t^lo^ instituidor, do 
morgado da Patameirá, e d'éstc! mátrímoiiio 
nascerá ^ -• ^ 

' Pdi^a CraéTsft^, èapttio dô ihàr é guerra^ 
casadd com' D. Mana Garcez, da cidade dò 
Porto, e tiveram: " 

t). Marianna Garcez .6ráesBekr4tie casou 
èih lisbbá,''com Manuel da^rra, familiar 
do Santo Oifitsi^, é natbèal da tri^eÀk áè 
Navio, Ào concelliiidé í^onte de Lima;'^que 
instituiu um morgado iSa terl^ja dè seus bens, 
o quaí herdou seu filho, o doutbr Francisco 
XÀvler (Ja^rraGratèsbek; ' ^ 



I : 




António Craeâbdí de Mello, fflbo de Piiilp 
Cnesbek e de siu segunda molher, p.,Ce- 
eilia Soares^ e cavalleíro de S. TlUag9^ anc- 
cedeo na typographia e casa de sen pae. 

Diogo Soares Craesbeck, ultimo filho de 
Panlo Craesbeck e da referida sua segunda 
mulher, casou no Porto, com D. Tbereza de 
8ousa Ferreira, e foi procurador da camará 
d*esta cidade, em 1686, e escrivão da mes- 
ma em 1700 e 170i. 

Entre outros filhos doeste casamento, hoi^- 
ve D. Joanna Maria Craesbeck de Mello, que 
casou em S. Pedro do Sul, com Luiz Cor- 
reia de Abreu, senhor do morgado e «asa 
de Anciães, e filho do capitão«mór da dita 
Tília, José Correia d* Abreu s de sua mulher 
D. Catharina de Vasconcellos. Foi sua undé- 
cima filha ** 

D. Rosa Francisca Craesbeck de Mello, qoe 
casou com João Correia Pacheco Pereira (o 
Manco de Gaia) familiar do Santo Officio^ 
vereador da camará do Porto, em 1724 e 
1725, deputado do subsidio militar e guarda 
mór da saúde. Exerceu todos estes cargçs 
copa o maior desinteresse e r^tidão, sendo 
até severo em demasia, para os transgresso- 
res das leis, ou dos. accordaos ^da camará, 
jpelo que o seu nome se tomou proverbial, 
e ainda hoje se. diz no Porto e Villa Nova d^ , 
Gaia — A justiça do Manco de Gaia te caia 
em casa! — (Era maqco des4e muitp novo, 
em consequência de quebrar uipa perna ca^ 
hindo abaixo de um cavallo bravo). Morav^t 
no cães de Villa Nova de Gaia, em um pa- 
lacete seu, que foi devoradp por um incên- 
dio, em 1857, e está hoje redi]^zido a aripa- 
Uòm de vinhos^ do grande exportador, o sr. 
António Ferreira Menores, que comprou a» 
r)iínas e as reedificou. . , . ., 

Foi filho do Manco de Gaia, outro João 
Correia Pacheco Pereira, que sentou praça 
no 2." regimento do Porto, em l^dejaiieiro 
de 1756, e foi reformado em tenente coronel 
de iDfan(eria» a 13 de março de Í8Q6.JPáÍle- 
çeu epa 5 de ^osto do mesmo anno,coin Z6 
annps de idade, sef^^ sepultado, i^ egr^ft 
do mosteiro de Yali^ ds Piedade, boje redii* 
zida a armazém de vinhos. .^ ' 

Foi seohpr da casa e quinta de Miirevi4^ 
Casou em Villa do CoAde^.ccp D. Çlar^% 



9 A. ' i -é 




seCa Maiianda de Noronha e SOia» Alta da 
Manuel Alberto da Silva, familiar. do5anto 
OiBcio, cavalleíro professo na ordeoi* de 
Christoi, sargento^mór da mesma viila» . 

D'este .casamento houve muitos filhos e 
entre elles,. Manuel Correia Pacheco Pereira, 
senhor da quinta de Marevidi, e de muitos 
outros, bens de seu pae. Sentou praça na ar- 
tilbería do forte de Nossa Senhora das Ne- 
ves, de Leça da Palmeira (qu Mattoeinhos) 
em 16 de julho de 1792, e» sendo cadete, pe- 
diu e obteve, baixa» em 1806. 

Casou a 8 de. maio de 1810» com D. Maria 
B^edicta de Moura Teixeira de Magalhães 
e Andrade, filha de Balthazar Luiz de Moura 
Magalhães, e de D. Tbereza Angélica Tei- 
xeira Fal(ão de Andrade, da casa de Fundo 
de Villa de Vides» na freguezia de Pedraça, 
concelho de Cabaceiras de Basto. Era sobri- 
nha materna de Bernardo Teixeira Falcão 
de Andrade,, capitão-mór de Basto, e de D. 
frei Paulo Teixeira, ultimo abbade geral da 
convento de bernardos de Alcobaça, e esmo- 
ler-mór de el-rei. Falleceu em 1833. 

Manuel Correia Pacheco Pereira e sua mu- 
Ih^ p. Maria Benedicta» tiveram, os AUms 
seguintes: 

D* VrwÊríiea Felicidade Correia Pacheco 
Piíjreirã de Magalhães^ nascida a 23 de ja- 
neUro de 1815, e que casou com seu primo^ 
o .«r. doutor Bernardo Teixeira de Moura 
Coátiiiho, commendador da ordem de Nossa 
Senhora da Conceição de Villa Viçosa, fi- 
dalgo cavaUeiro da casa ^eal, com exercício 
no paçc^ distincto advogado no Porto, e se- 
nhor das easas de seus maiores, de Fundo 
de Vllla de Vides, Ossella, Telhado, Portella, 
Paços» e Abelheiro, ;ia freguezia de Santa 
Maria de Canédo, concelho de Celorico de 
BastOi ' 

D. ÈmieUnda Engracia Correia Pacheco 
Pefeira de Magalhães, nascida a .17 de^al^ríl 
de 1818, pesada com o^ sr. doutor Aidriaeo 
de Magalhães Barbosa de Pinho, esdartdeldo 
al^ògado na cidade dé Pôáafiél, dos quaes 
é filho o distinção doutor, o sr«. Acácio de 
Magalhães iCpcreia Barbosa. . 

D. Bmitta Epkigenia Cêrreia PathêooPiÊ^ 
rèira defíagaXhães, naaiilda em 16 deseteip- 
bro de 1819, que casou comosr.Beijkto Ji»aé 



de Câstpo, da casa de Afreita, fri^foexia de 
^Neyogl^ley DO cooeelho d** Loasada, e d*este 
casamento existem da»s filhas, as sr.** D. Ma- 
ria Máxima de Castro €urraa, senhora da 
casa de seu^ pães, e D. Bernarda BortoUna 
de Casttro Correia. 

D. Rita Adelaide Correia Pacheco Pereira 
de Magalhães, nascida em 2 dt» junho de 
1829, « que vive na cidade do Porto, com 
sua irmã, D Praocisfa Ff licidad»", empregan- 
do o seu tempo em actos de piedade e cari- 
dade, sem ostentação, segundo os preceitos 
do Evangelho. 

O. Maria AUxandrína Correia Pacheco 
Pereira de Magalhãei, nascida em 29 de ja- 
neiro de 1827, e vive na sua casa do Valii- 
nho^ fregaezia de Boire, concelho de Pare- 
des. 

£ os senhores 

José Correia Pacheco Pereira de Maga» 
Ihães^ que nasceu a 5 de março de 1822 
Fallei*«u quando frequentava o quinto anno 
de direito. 

João Correia Pacheco Pereira de Maga- 
lhães, que é o .primog^^nito, e actualmente, 
por Buccessão, h^^rdt^iro e senhor da refr-r ida 
quinta de Marevidi, próximo a Qat-brantÕes, 
em cuja capella (da invocação de S. João 
B^^ptista) elle e todos os seus irmãos foram 
baptizados, e onde, comn já di:»se, foi sepul- 
tado 0^ valente e leal brigadeiro Francisco 
Peixoto. 

Nasceu a 27 de setembro de 1811. Foi ca- 
pitão da 4.* companhia do regimento de mi- 
lícias da Fe.ira (do qual era coçon**! o hon- 
ra4ii«AÍmo fidalgo, Álvaro L«eite P^^reira de 
MelJo e Alvim, senhor dos «morgados de 
Campo Bello, Atães^ S* João Novo, do Porto, 
Qn braniões e Gaia Pequena). 

Durante a guerra fratricida de \832 a 
1839^, fez toda a campanha no seu regimen- 
to até abril de 1834, passando então para a 
i.* cofi^anhia ^a granadeiro!', do regimento 
da infanteria n,^ 11, a qual oommaudou na 
batalha ^la Asseiceira, em 16 de maio doesse 
anno; recebendo {n^Io seu exemplar com- 
l^rumenio n'esta acção, os elogios do seu 
coronel, J»fão António Apparicio, 

Sempre fiei ao juramento que havia pres- 
tado^ acompanhou as soas bandeiras até 



^m 



^ 



Évora» sendo um dos ccmvencionados de 
Évora Monte. 

Depois d'esta isuerra, gerahnente desas- 
trosa, seguiu os estudos superiores, em 
Coimbra, formando-se em direito. 

Foi juiz ordinário do julgado de Paredes» 
por espaço de cinco annos, pois para a sua 
casa do Barreiro, da freguezia da Magdale- 
na, do concelho de Paredes, se haviam reti- 
rado seus pães e toda a sua família, 15 dias 
antes do desembarque dos liberaes (em 8 de 
julho de 1832) e na casa do barreiro reside 
desde então. 

Até esse tempo residiam na quinta de Ma- 
revide. 

Foi administrador do concelho de Pare- 
des, desãe 28 de julho de 1851, até ao l."» de 
de setembro de 1863; sendo exonerado, a 
seu pedido, por não querer ser juiz com taes 
mordomos. . . 

Não 6 preciso dizer que em todos estes 
cargos, foi sempre um magistrado exemplar 
e imparcialissimo, administrando justiça re- 
cta, tanto a gregos como a troyanos. 

Dedicou-se então á advocacia, e sempre o 
seu escriptorio tem sido um dos jnais con- 
corridos de consultantes. 



Casou em 21 de maio de 1854» com a se- 
nhora D. liaria Adelaide da Cunha Teixeira 
Vaseoncellos Porto-Carreiro» nascida na ca- 
sa de Coura, freguezia de Bitarães, em Pa- 
redes, a 12 de jiinho de 1837, e é virtuosís- 
sima filha do nosso esclarecido académico e 
conselheiro, o sr. doutor António Augusto 
Teixeira de Vaseoncellos. (Vide vol. 7.*, pag. 
511 e 525). 

D'este fdli^ consorcio ha actualpaente dez 
filhos» todos nascidos na inferida casa do 
Barreiro, e são, as senhoras : 

1.*— Ã Maria Correia de Porto-Camiro 
Craesbeck Pacheco Pereira^ nascida em 14 
de abril de 1867, e está a educar-se no con- 
vento de Jesus, de Aveiro, o qual, desde o 
fallecimento da ultima freira, se conservou 
habitado pelas seculares e educandas, que, 
secundadas pelos príncipaes cavalheiros de 
Ayeiro, e pelos jornaep da ioeaUdade» requa^ 
reram e obtiveram a conservação do mosteí- 



14 



QOE 



ro e pequena cérea, transformado hoje em 
eoUegio de educagâo de meninas internas. 

Como o governo apenas lhes 
deu o ediftdo e a oérea (e isso 
sabe Deus. o qae custeai . . .) 
aquellas virtuosas senhoras, 
que allt tinham vivido desde 
a infância, não tinham^outros 
meios de subsistência, senão o 
pouco que podiam adquirir 
com o seu trabalho ; por isso 
estabeleceram um coilegio, em 
1876, que é hoje um dos me* 
Ihores^senlo o melhor— do 
reino ; pois que a directora (a 
sr.* D. Leonor Angélica Car- 
doso de Lemos) que alU foi 
educada por uma sua tia frei- 
ra, e alli vive ha mais de 30 
annos, é uma perceptora sol- 
licita, virtuosíssima e de gran- 
de inteingencia e instrucçãô. 
t.*— D. Antónia Craesbeck de Porto-Car- 
retro Correia Pacheco Pereira, nascida em 
ii de março de 18(^9, e que está a educar 
no mesmo coUegio de Jesus. 

3.*— D. Olinda Craesbedc Correia de Por- 
UhCarreiro Pacheco Pereira, que nasceu a 
28 de outubro de i875. 
B 08 senhores : 

ktJ^^Utmael Correia de Porto-Carreiro 
Teixeira de Va^concellos, nascido em li de 
setembro de 1655. Frequenta os' estudos de 
engenheria civil, na escola polytechnica. 

ti^-^oié Correia Pacheco Pereira Craes- 
bedc de Porto Carreiro^ nascido em 12 de 
maio de 1857, e frequenta a uiiiversidade 
de Coimbra, na faculdade de direito. 

6.*— Anlont^ Correia Porto-Carreiro Tei- 
xeira de VascoHceUof, que se destina á vida 
militar, e frequenta, para isso, a escola poly- 
technica de Usboa. Nasceu em 10 de novem- 
bro de 18SB. 

T.**— AW Correia Pacheco Pereira, nasci- 
do em 15 de julho de 1860. £ inhabil para 
as lettras. 

B.^^^Luiz Correia Craesbeck Pacheco Pe- 
reira de Porto-Carreiro, nascido em 91 de 
novembro de 1861, e flreqaenta os prepara- 
tórios para estudos superiores. 



9*-^Francisco êorreia Craesbeck Pacheco 
Pereira de Porto-Carreiro, nascido em 3i 
de março de 1863; e frequenta os mesmos 
estudos de seu irmão Luiz. 

10.*— ilfUanto Craesbeck Correia PachHo 
Pereira, nascido em 7 de dezetnbro de 1872. 
(Dão também a este menino o nome de An- 
tónio da Trindade, por ser afilbado do bis- 
po de Lamego, o sr. D. António da Trinda- 
de e Yasconeellos Pereira de Mello). 

Terminarei este artigo com um rasgo da 
mais acrisolada franqueza e lealdade, do sr. 
Joio Correia Pacheco Pereira de Magalhães, 
é o seguinte : 

Quando foi nomeado administrador do 
concelho de Paredes, disse ao sr. D. Pedro 
da Costa Macedo, então governador civil do 
Porto — «É preciso que v. ex.« saiba quem 
sou e d^onde venho, para se não enganar 
comigo: eu sou umoflScial doexenreito legi- 
timista, convencionado em Bvora Montp, e 
por nenhum motivo deixarei as convicções 
que mamei com o leite materno.^ — O gover- 
nador civil, que é umbeih um cavalheiro 
honradíssimo, respondeu-lbe:^ — < Agrada-me 
a sua declaração, que ó um testemunho de 
lealdade e cavalheirismo; meu pae tam- 
bém foi realista e convencionado de Évora- 
Monte, e eu nem por isso deixo de cumprir 
rigorosamente os ftieus deveres; como ma- 
gistrado superior do distrícto.» 

Mesmo assim, o sr. João Correia soffirea 
alguns desgostos durante o tempo da sua 
administração, por ser trahido por alguns 
liberaes fdribundos; porém os liberaes hon- 
rados e imparciaes fizeram*lhé sempre, e 
ainda fSazem, a devida justiça. 

Uanael Correia Pacheco Pereira fpa^de 
todos estes filhos e atd d'éstes dez neios) 
foi um dos mais perfeitos cavalheiros do 
seu tempo; austero no cumpritoetfio dos 
seus deveres de cidadão e de pae de fa*» 
milia, antepunha a tudb as leis -da honra 
é da probidade. Catholfto puro, foi sem* 
pre um legitimísta de antes quebrar que tòr* 
cer, e honrando^se de o aer, tanto eih parti* 
cular como em publico; era inímrfgo declara- 
do de todos 08 Ímpios, maçSes^ demagogi- 



ODE 

oosp com os qnaaa» por nenhiiin r9«peilo tran- 
sigia; mâs sendo lo memo tempo tolerante 
para com os inimigos do sen partido, se 
eram homens honrados e catholicos. Deu a 
todos os sens filhos nma educação esmera- 
dlssimsy íncutindo-lhes nos coraçdes oi pu- 
ros sentimentos qoe n'elie tanto resplande- 
dam, nao só com a palavra, mas, e ainda 
mais^ com o exemplo ; achando em sua es- 
posa um modelo de todas as virtudes reli- 
giosas e domesticas, o que muito contribuiu 
para que seus filhos e filhas sejam respeita- 
dos e admirados cpmo dignos descendentes 
de tão .virtuosos progenitores. 

QUEIJADA— ireguezía, Minho, comarca e 
concelho de Ponte do Lima, 18 kilometros 
ao O. de Braga, 375 ao N. de Lisboa, 150 
fogos (incluindo os da annexa). 

Tinha em 1757, a freguezia da Queijada, 
45 fogos, e a annexa 56— ambas — 101. 

Orago, S. João Baptista. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo, de Yianna do Castello. 

O antigo nome d*esta fregneaia era Quei- 
xaiQf que vem a ser o mesmo que Queija- 
da, porque os nossos avós diziam queixo em 
vez de queijo. 

A mitra primacial apresentava o ahbade, 
que tinha 250j|000 róis de rendimento. 

Tem annexa aantíga freguesia de Boulhosa* 

(Vol. 1.% pag. 427, col. l.«, no fim). 

Estas duas freguezias formavam antiga- 
mente um couto da ordem de Malta, do qual 
era senhor o commendador de Chavão, com 
jorlsdiçao no eivei. 

No crime pertencia ao julgado de Alber- 
garia. Denominava se couto de Queijada e 
Jknúkoêa. 

£' terra muito fértil, e atravessada pelo 
rio Ave e alguns ribeiros ancínymos. 

QUEIMADA — Areguezia, Beira Alta, co- 
marca e concelho de Armamar, 12 kilome- 
troe de Lamego, 335 ao N. de Lisboa. 

160 fogos. 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tho de Viseu. 

Esta* freguezia é muito antiga, pois já 
existia em 1663 (vide Cambres) porém o 
Portugal sacro e profano não a traz. ; 



QCIE 



Í5 



A t kilenelrot doesta povoação, nas fad- 
das do Monte Raxo, e no sitio denominado 
Santo Thyrso, Am março de 1876, andando 
uns operaricts a ibrir uma valia, em tem 
do sr. José Antuóes da Silva, propfrietario, 
da freguezia de Queimadella, para a passa- 
gem de uma agua pertencente ao mesmo e 
ao sr. padre Maouei Alves dos Anjos, paro- 
cho da firegupzia de S. Romão de Armamar; 
appaveceram, a mais de um metro de pro- 
fãndídade^ uma mó de moinho de mão, nma 
porção de madeira lavrada, e algum carvão, 
denotando tndti isto muita antiguidade. 

Na sArra d<» S. Domiogos da Queimada (ou 
São Domingos de Pontélio) e mesmo junto ^ 
capella do sanu» que dá o nome á serra, tem 
appareeido mnittis medalhas romanas^com os 
bustos e ioscripções de vários imperadores. 

Ha tiVftta s^rra grande abundância de gra- 
nito, de qualidade superior para cantaria, o 
qual se expurta psra Lamego, Régua e ou- 
tras pi>vo;içÕ^8 ainda mais distantes. 

Na Régua não ha outro granito, senão o 
que v»^ d*aqni; porque no território d*esta 
villa só se^^nroiitra schiste e quartzo. 

Entre a Qu^^imada e a serra de S. Domin- 
gos, e»là a íorniOAa Veiga de Naçarões (que 
os. antigos denomlnsvam de Kazaremy deri- 
vado do arabn — na$ram) e n^esta veiga e 
nas freguezias d«i Queimada e Queimsdelia— 
a seguinfe^-é quA se diz ter existido a pri- 
mitiva cidade de Lamego^ iocendiada e ar- 
razada pelas 14 legiões romanas; e que d'es- 
te farto provémonomede Queimada e Quei- 
madella. 

Para evitarmos repetições, vide o primei- 
ro Fontêlto e Lamego. ^ 

A Vfiga é uma espécie de plató,'e, ainda 
que o solo é frio. é de um lindo aspecto, e 
de prodn4*ç9es variadíssimas, por eetar muito 
bem cultivado. Vide Naçarões, 

1 Segundo algnus escriptores, Queimada 
éuma povoaçãi» toda construída de Dovo com 
o renio d'»!« materíaes da antiga Lamego; e 
Qoeimadella que lhe fica ao S.O.,'foi r^edi- 
fltrada na p^rtH destruída,' mas haviam es- 
capado algumas canas ao incêndio, por isso 
a e:4U ^e ('hamou assim, por nao ter ardido 
tot-^lmenle. 

E^tft distinf*çao etymoloffica tem seu tanto 
oa qoantu de eoiUo de velha. 



ifi 



QUE 



Sappõe-S6 que a antiga Lam^o («jauma , 
cidade que Ptolomeu menciona na 2.«Táboa 
da Europa, no cap 8.% e á qual dá o nome 
de Idma, e a assenta entre os povos veto- 
fM9; ou então outra qúe denomina Laeth 
fimurgtm, também no paiz dos vetones. 

Diz-se ter sido uma das grandes povoa- 
ções da Peninsula. 

QUBDIADELLA — freguesia, Beira Alta, 
comarca e concelho de Armamar, 6 kilome- 
tros de Lamego, 330 ao N. de Lisboa, 150 
fogo.i. 

£m 1757 tinba 103 fogos. 

Oragti Nossa Senhora da Pi<»dade. 

Bispado de Lamego, distrieto admhiistra- 
tivo de Viseu. 

O abbade da Figueira apr*'S«*ntava o cura, 
que tinha 80^000 e o pé d*altar. 

E\ como a antecedente. fk'eguezii muito 
autiga, e já existia antes da m(»nari*hia por- 
tngueza; mas o documento mais antigo que 
d*ella encontrei, foi um testamento de mão 
cornaram, feito entre Lourenço Pires e sua 
mulher, Marinh*Annes, uo anno de 13U. ' 

O marido dizi— ifanío o meu pelote (capa 
de pelles) e a minha capa (cap» d^ panno, 
ou capote) a João Joaames^ de QuftimadeUa. 
— A mulher diz «-ilf ando o mm pelote a 
quem cante missas por mandado do capei* 
Ião. (Doe. de Lamego). 

Para tudo o mais, vide Quemaia, 

QUEIMADELLA — freguezia, Minho, co- 
marca e concelho de Fafe (foi do m^^smo 
concelho, mas da comarca de Brag^) 24 ki 
lometros ao E. N. E. de Braga (a cujo arce- 
bispado e distrieto administrativo pertence) 
e 380 ao N. de Lisboa, 250 fogos. 

Em 1757 tinha 149 fogos. 

Drago, S. Pedro, apostolo. 

A mitra primacial apresentava o abbade, 
que tinha 140#000 réis de rendimento, além 
do pé de altar. 

E* povoação muito antiga, provavehnente 
anterior á fundação da nossa monarchía. 

Nas Inquirias reaes, mandadas faz^^r em 
1310 pelo rei D. Diniz (era eutão esta fre- 
guezia dp julgado da Maial) se mandou fi- 
car como estava, a Ferraria, * que traziam 

1 A palavra Fm-orta, aqui, não aigniiea 



QBE 

por Honrra, ioda, os gafes ieAlfèna,for 
que tinha sido de D. João Peres da Maia, 

Vide Al/êna. 

E* terra muito fertii» como são iodas 
as d'este9 sitios. 

QUEmAN— freguf^zia. Beira Alts, comar- 
ca e ctiBcelbo de Vou^ella, bispado, distrieto 
adminisiraiivo, e IS kilometros anN.de Vi- 
z^ u, 280 ao N. de Li:«b«ia, 430 fogos. 

Em 1757 tinha 300 fogos. 

Orago. S. Miguel Ar^banjo. 

Era commeudd da casa das rainhas, as 
quae^ apresentavam o abbade, que tinha réis 
300#000 de rendimeuio annual. 

E* frfguezia muito antiga, pois nas In- 
quíriçSes de D. Affouso ill (1250) se meu- 
cii>na a fr^guezia de S. Mtguf i <le Queiran 
como já existente em 1134. 

N^e^-sas luquiriçÕHS >e <iiz que o togar de 
Niiumam oíi Loumam á'^fíta pann^hii (&ra 
dado por D. Affonso HenriqufS u*e9se anno 
de 1134 a Peiagio Yeziâz. 

Em 1290, nas inquirições do r I D. Diniz 
se ach «u que alli moravam duzn hom^n.^ /b- 
ramontõos, cujos casaes eram coutados. (Si' 
de Foramontãôs). 

A dtiís kilon etros da egreja matriz, está o 
lugar df. Iirarei, onde h» uma eitpeila dedi- 
cada a Nossa Senhora das Neves. 

Segundo a lenda, a imagem d*csta Senho- 

forja, ou qualquer oíBcina de ferreiro; mas 
^im um campo que da herva (prado ou la- 
m*iro). 

V' m de 'Ferran, ceno p»sto v- rde para 
gadi». cuja semente pr(»C''iie quasi >>'mpre 
das lífnpaduras do trigo, ceoteio e cevada^ 
por isto é que se dá o nume de forragem á 
mi^ura de cousas heterogéneas, amotHoadas 
Srm ordem alguma. 

Em 1142, Simão Paes. deão á» Sé de Vi- 
zeu, emprazou as suas bei da*tes de (vouveia 
(enião termo de Pinht^l) na Betra Baixai, com 
o foro da s<^xta parte de tintos o* fru'!*»"* (o 
qu^ se chamava ' dar de sesmatia} exeeplto 
versas (hortaliças) e porros (..ihos^ e frugtas 
das arvores. Além d'isto, uma Ochava (oita- 
vo, meia quarta) de trí^ocouira d centeio, 
e que cada um dos moradoren nu e Mphiteu- 
tas podessem fazer a sua ferrão de huma 
Ochava. e não mais. Suam ferraginem de 
singulis Ochavis, et non plus. (Doe. da Sé de 
Vizeu, de 1142.) 

Vide Firragial. 



ra ^pareeea em um monte próximo^ aonde 
lioja f xirtt«* uma rm, para mesiiiria, e por 
iaM9 se cluimol] o in«>Dte de Saota Croi. 

IHjB-SH «lUf , depois, a aif sma imagem appa- 
reoéra juuio ã estraua real, e perto de Iga* 
reL 

O povo construiD l<igo D*aqa<'lle sitio una 
eimitla, toda de cantaria laviada» com 81 
palmos do comprimi^oto e 31 de lai^o^ eom 
UD só altar, que éo áà Senhora. 

Esta imagem ó furmada de pedra fina e 
de excelif ote escuiptara. 

Festeja-se no dia d«« S. Lourenço eom o 
evangelbo das Ne?es» bindo aSenbora em pro- 
cissão á cgreja matriz. 

Ha mesma capeiiase festeja a imagem de 
Santo Aiitáo, e tanto em uma como em ou- 
tra festividade», recebe a Seobora varias offer- 
tas» quc^ sào appHcadas para o cullo divina 
e rep^<is da eapelía« 

Os ptivifs qu<4 f oucorrem para a íésta, são 
os drt Igarei, Qaei'am, Quintéiiai e ainda 
iMstaiit s devotos das povoações visinbas e 
da cidade de Viaeo. * 

PlMnoneao 

Nos archivos do governo civil de Vism 
eneontra-se o seguinte curioso documento: 

Bx."* sr/*-^Bu indo a Vaeconha coaduair 
â s*'pultura o ph«noffleno da natunsa, ob^ 
servei uísefHunte: 

S* monstro da naturf^za bumaoa, tinha a 
cabeça de homem, da grandeza de uma bola 
de j*»gar, o craneo cob«^rto de cabello boni- 
to, còr de castanha madura, o mso coronar 
um hó, bem fomiado o rosto redoodO| por 
baixo du 4liio o<so tinha dois narizes buni- 
tos 6 bem formados, no meio dos narizes ti- 
nha um olho com doat (a que se chamam) 
menims pat a a parte de fora dç nariz di- 
reito, e do esquerdo tmha seu olho^ bem fur- 
mados, com pesiaoas e sobrancelhas; por 
baixo dos narizes tinha doas ft)oe«aSy bem 
íormadaa; tintia um só queixo maxilar com; 
uma só barba, duas orelhas no logar natu- 
ral; bem parecido do rosto e só di^fiirme pe« 
loa d6iti narizes, duas boccas e três olhos; 



QDE 



17 



dois para a fjrenie, cada um com duas ca^ 
nas, e cada mão com quatni dedos; tinha 
ama só envimia no mei*» do utro; até' aos 
quadriz é um só corpo; di^ rada um saem 
duas pernas duas do quadril direito, e duaa 
do esquerdo; entre cada duas pernas tem 
um anos e uma parte pudenda feminina; as 
pernas cada uma tem du^siibias ósseas, ca- 
da uma perna com seu pé, cada um f om 
quatro dedos. — Nasceu vivo, durou quasl 
duas horas, abriu todos os olhos como as 
iMiCcas, foi baptisado— m pericolo^^T Ma- 
nuel Duart**. 

£* o que pude colUgir; hojA o mando en- 
terrar, tendo esperado até agora a ver se al- 
guém o queteria remetier ao museu.— Deus 
guarde V. ex.\ i^idencia de Queira, 11 de 
abril de 1867.— £x ■* sr administrador do 
concelho de Vouzella— Abbade José da ^va 
e Punseca. 

A esta íkvgnezia se dava antigamente o 
nomA de Queiram^ e no fiiral qoe ih^ deu D. 
Affonso lil^ em Sania''em, no 1.* de dezem- 
bro de 1272 se lhe da o nome de Prado de 
Qnrã dê Lafden (Liv. !.• ó» doaçdes de D. 
AffooHO III. fl. 117 V., cx)l. l.« no fim). 

QUEIRAS 00 QUIRAZ— freguezia, MInlie, 
eomarea e concelho de Barcellos, 12 kilo- 
metros ao O. de Braga, 360 ao N. de Lis- 
boa, 16a fogos. . 

Em 1757 tinha 44 fogos. 

O#ago. o S4lvador. 

Arcebispado e districto administrativo da 
Braga. 

O abbade de Sanu Maria de Gall^gos 
apiMentava o vigário, que tinha 401000 réis 
dert-ndimento, além do pé d*aitar. 

Esta fregUfzia es<à aniKXa á de Roriz, no 
mesmo coneelho de B^reellOB. 

E*' terra fertU. 

QDEIRAZ nu Q1I1BAS-- freguezis, Tlraz- 
os-MoQtes« comarea e ronrelho de Vinbaes, 
85 kilom^tros de Miranda, 465 ao N. deLls- 
boa, 120 fiigos. 
^ Em 1757 tinha 31 íbgM. 

Orago. S. P dm apoaloio. 

Bispado e disiricm administrativo de Bra- 



y^oço bem feito; de cada hombro saiam ' Kança. 

dois braços, dois virados para as costas e I O pa^a e a mitra apreeentavam allsivatí- 



& 



QUE; 



(m 



yamente o abbade, qne tinHa €00M9O réÍ9 
úB véiidiíneiito. 

Esta fregaezia eslá aimexa á de Yillari* 
nho, e por isso se chama offleiahnente^^^e* 
gaeria de Qniraz e Yiliarinfao. 

Antigamente pertenceu ao concelhe de 
Santalha (boje extincto) e â comarca deBra^ 
gança. 

QUEIRIGâ— freguesia, Beira Alta, oemse» 
lho de Fráguas, comarca de Castro Daire, 18 
kilometros ao N. de Viseu, 300 ao N. de Us* 
boa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 99 fogos. 

Drago, S. Sebastião, mariyr. 

Bispado e districto administrativo de Vi- 
ses. 

O abbade de Cotta apresentaTa o enra, 
que tinha 6#000 réis de côngrua e o pede 
altar. 

QUEIRIZ— freguezia, Beira Baixa, eonce- 
Iho de Fomos d'AIgodres, comarca de Celo- 
rico da Beira, 43 kilometros ao SE. de Vi- 
seu, 300 a E. de Lisboa, 190 fogos. 

Em 1757 tinha 89 fogos. 

' Orago, Santa Águeda. 

Bispado de Yiaeu districto administratifo 
da Guarda. 

QUEIXOt-^portuguez antigo— K]néi}d. 

(Doe. do Mosteiro de Alpendurada de 
1312). 

QUELFES ou QUELFEZ — freguesia, Al- 
garve. 

Já está em Gnelfez. (3.^ yoL, pag. 345, 
col. 1."). 

Agora accrescento mais o seguinte: 

'Ooe^fes é o plural do adjectivo árabe qud- 
/^^--signifioa maihaiú, Deriva-se do veri» 
cálefa, ter a eòr negra, misturada com man- 
chas amarelias. 

Ha n*esta freguezia a capella de Nossa 
Senhora do Rosário, construída pelos annos 
de 1700^ muito conéonida de romeiros no 
dia da sua festividade, 1.* domingo de ou- 
tubro. 

QUELHA DE GONTA— monte. Beira Alta, 
na freguezia de Riba-Feita, concelho de S. 
Pedro do Sul, comarca áe Vouzella. 

Bispado e districto admiiustrativo4e Vi- 
seu. 

Este monte, ou cabeço, fica a cavalieiro 



da aldeia de Lustòsa, da mesma freguesia, e 
n'elle se construiu, em 1875, uma elegante 
e formosa eapélla, dedicada ao S.8. Nome 
de Jesus, por devoção e á custa do sr. Ma- 
nuel Rodrigues de Carvalho Magalhies, do 
referido lugar de Lustosa. 

Do sitio onde está edificada a eapélla, se 
avista uma grande extenslo de território, e 
os ediíleíos mais sdtos da cidade de Viseu. 

Qimta, é nome fM'oprio de homem. 

No Uvro de Mumadona se diz, que D. 
Flâmula vendeu ao abbade Gonta^ em 923, 
a sua aldeia de Quintanella, na comarca de 
Braga. 

(Doe. do cartório do arcebispado dis Bra- 
ga.) 

QUfiLUS— aldeia, Estremadura, na fregue- 
zia de Barearena, ooneelho d*Oeiras, eouiaff- 
ca, districto administrativo, patriarehado é 
14 kiiometroB ao N.O. de Lisboa. Tem (a al- 
deia) S30 fogos. 

B' situada em logar baixo, cer<»da de vá- 
rios outeiros de pouca llevaçlo, mas em si- 
tio ameno, fértil e saudável. 

D. Chrystovlo de lloura (tristemente ce- 
lebre por ser traidor á pátria, e por isso 
feito conde de Gastello-Rodrigo, por Phillppe 
II, em 1590, e depois marquez do mesmo ti- 
tulo e grande dêHespanhã, por PhflIppelII) 
tinha aqui uma grande quinta CGfm sitm- 
ptuosa casa de residência, o 4ue tudo foi 
sequestrado por ordem de D. João IV, em 
1610. 

(Vide Castello Rodrigo, Guarda, Lisboa— 
palácio 4e Corte Beal-— a pag. 125, e Mou- 
ra), t. 

Além d'esta quinta, o mais, até á data da 
restauração, era apenas uma aldeia insigni- 
ficante. 

fim 1654, D. Joio IV fundou com a quin- 
ta dos Corte-Reaes e tudo mais que que el- 
les possuíam n*este reino, bem como coín 
os bens de todos os fidalgos que s^ tinham 
bandeado com os castelhanos, a casa do m- 
fantado, por alvará de 11 de agosto do mes* 

1 Q sequestra foi feito ao 2.<> marquez de 
Castello Rodrigo, D. Manuel de Moura Corte- 
R^âl, filho do 1.® marquez, e que^ como seu 
I pae, em partidário dos Philippes. 



mQ.aomo ^ 1W&, tim favor áoMOfoi.? des 
nossos rei9, ,.afim de estabelecer, e formar 
um^ seguiidla linha de saece^sao. 

O filho segundo de. D. João lY foi p ii^- 
fa^t^ D. Theodosio^ quç fallec^u deJ7 aa- 
nós. d§ jdade^ anfen da ÍU^daçao da casa do 
infantado, pelo^que, ^a^soa esta ao 3.*" filho, 
o infante D. Pe^ro, depois rei, í'' do pome, 
e que foi o i.« senhor da Qasa do Infantado, 
a qoal foi depois miiilo aagmentada em ren- 
dimentosy honras ,e . privilégios pelo fanda* 
dor e, seus sueoessores. . 

O infante D. Pedrou em 1667, foi habitar 
o palácio de Qnéliiiz, o alli urdiu a conspira- 
ção .palaciana, que deu em resultado a fhgi- 
da da rainha, D. Maria Francisca Isabel de 
Sabóia, a 2 de novembro do mesmo anno, 
par^a.Q convento da Esperança, de Lisbof^ 
e a abdií^çao forçada de D. Affonso VJ, logo 
a.33dQ, mesmo mes.. 

D. Pedro, emguan(o iofantç^ e mesmo de- 
pois de rei, poucos melhoramientos fez no 
palato de .Queluz.. 

Succeden na casa do infantado §ea filho 
seg^indiv ojiifante D. Francisco^ <pie gpsta- 
va.fQu|^,do^lac)p de Queluz, ^ ^'êjlle re- 
zidía to^os os aunç^s^pçla estação calmosa; 
ma^. pa habitantes da. povoação gostavam 
poiqíçp da residepçjla do infante em Queluz, 
poç(|jD6 ejçam freq^^ntes as suas trayessuras 
alli, travessuras que mwtas vezes se trans- 
formavaw em crueldades. 

Falleceu em f 742, e o povo. acreditou que 
a alma dp» inkudte vagueava todas as noites 
em .tprno da qufDt^>.^ castigo dos,seòs 
pecçados, e que eista' punição só terminou ^ 
cem.aanos depois da sua morte— isto é— em 
184Í. . ' 

O iofan(e D. Franeiscp, foi penhor do pa- 
lácio e quinta de Queluz, por espaço de 35 

aunos. e bastastes melhoramentos fez n'esta 

.1 • ' 

propriedade. 

Morreu solteiro, mas deixou um filho na- 
tural, reconhecido, que se chamou o senhor 
D. João da Bemposta. 

.Por mprtede D. Francisco, houve deman- 
da entre o infante D. António, 3.<* filho de 
D. Pedro II, e o infante D. Pedro, seu sobri- 
nho (4epoi.<^ rei, ^.'' de nome) por causa da 
successão na, casa do infantado, senteneian- 



m 



a» 



do os juizes ^.favor de D. Pedro, que depois 
casou com sua sobrinha^ a rainha D. Ma- 
ria I. 

Foi D. Podro, tanto no tempo de infante 
como depois de rei, que. elevou o palácio e 
quinta de Queluz ao graude sumptuosidade 
em que hoje se acham, adquirindo, por eop^- 
pra, varias propriedades contigiias, para p 
alargainiento da quinta, e encarregando o ar- 
ehitecto Matheus Vicente de Oliveira, e o 
escuiptdr frajxpez João Baftista Robilleypí, do 
risco e eiecução de um novo palácio e da 
planta e ornatos dos jardins e quinta. 

JPrincipiaram os trabalhos em junho de 
1775, e progrediram até 25 de maio de, 1786, 
dia em que blleoeu D. Pedro III. Pararam 
os trabalhos, alé que em .1794 D. Marij^ l . 
mandou construir um novo corpo do palácio, 
onde rezidttt. 

Tal era» a maguificencia doestas obras, que , 
todos os. graudes rendimentos da casa do 
infantado, apenas chegaram para se concluí- 
rem os jardins, sendo preciso que a rainha 
ínandasse dar um grande subsidio, tirado 
do thesouro publico, paca a continuação do 
palácio, que, mesmo assim, flcpu incopi-, 
^leto. 

Davam-se ao^i, noa dias de S. João Baptis- 
la e S. Pedrô/e,iios aaniversarios natalícios 
4a família real, as mais pomposas festas d^ 
ioasa corte, nos tempos modernos. 
' Sob a direcção do architecto Ignacio de 
Oliveira Bernardes, se construiu um theatrô, 
fuja abertura teve logar na noite de 17 de 
dezembro de 1778, e serviu para solemni- 
éar o anniversario natalieio de D« Maria I. < 

Em razão do incêndio, que destruiu uma 
grande parte do palaeío velhOfda Ajuda, foi 
a família real habitar o palácio de Queluz, 
desde os fins do século pasmado até 29 de 
novembro de 1807, dia em que afamilia real 
fc^u para o Brazil; e no seu regresso (3 de 
julho de 1821) tornou a habitar o palácio 
de Queluz. Pouco tempo depois, foi o rei com 
seus filhos e filhas mais velhas, habitar o pa- 
lácio da Bemposta, em Lisboa, ficando em 
Queluz somente a rainha D. Carlota Joaqui- 

t Tinha nascido a 17 de dezembro de 
1734. 



s^ 



QVk 



QCt 



■ 

na, com a soa filha mais nova, a iotoita 
D. Anna de Jesus Uaría, depois dnqneza de 
Loulé. 

N'este palado naseeram vários filhos de 
D. João VI ó da mperatriz-rainha D. Car- 
lota Joaquina; mencioDarei os seguintes : 

D. Pedro, primeiro imperador do Brazíl^ 
a IS de outubro de 1798. (Falleeeu hb mes- 
mo quarto onde havia nascido, a S4 de se- 
tehibro de 1834). 

D. Miguel I, a 26 de outubro de 1802. 
(Palleceu em Bromback, ÂÍlemanha, a 14 de 
novembro de 1865). 

1). Maria Thereza^ prínceza da Beira, da 
qual adiante trato. 

A infanta D. Izabel Maria, a 4 de julho de 
1801, e falledda no seu palado dè Bemfiea, 
a 22 de abril de 1876. 

Foi em. uma das capellas d'e8te palácio, 
que, em 1827, se recebeu a infanta D. Anua 
dé Jesus Maria com o marquez (depois du- 
que) de Loulé, em presença da imperatriz- 
raii^a, mae da noiva. 

Aqui Meceu, a 7 de janeiro de 1830, a 
in^peratriz-rainha, D. Carlota Joaquina de 
Bourbon e Bragança. 

O sr. D. Miguel I gostava muito d'este pa- 
lácio, e n'e]le residiu a maior parte do tem- 
po, durante o penedo do seu reinado, com 
suas irmãs solteiras, D. Izabel Maria e D. Ma- 
ria. d*As8umpção (que falleeeu em Santarém 
a 6 de janeiro de 1834). 

O senhor D. Miguel, hia todas as quintas 
feiras de Queluz a Lisboa, dar audiência a 
todos os que a exigiam, no palácio das rai 
nhãs, também chamado da Bemposta, junto 
ad campo de Sant'Anna. 

Com a sabida do senhor D. MSguel, com 
suas duas irmãs solteiras, para as provin 
das do norte, em 16 de outubro de 1832, 
ficou o palácio de Queluz apenas* occupado 
por algumas açafatas e creados antigos da 
casa real : só em 1834, para alli quiz s^r 
conduzido, já quasi moribundo, o senhor 
D. Pedro de Bragança, que falleeeu no dia 
acima mencionado. 

Desde então, a familia dos nossos reis, só 
rara^ vezes, e por muito pouco tempo, t<*m 
residido no palácio de Queluz, apesar de ser at . 
mais bella das habitações reaes de Portugal. I 



Ifos últimos tempos, como a sehhorã DC ' 
Maria Pia gosta muito d'e:»ta poética viven- 
da, tem p^ra aqui vindo passar parte dos 
verãos a familia re;«l portugu^-za. 

O palado' é composto de vsiríns corpo^ 
differentes nas altunis, uns recuados outros 
resalundo, cada um á*^ diversa arrhit**etora, 
mas formaodo no todo uma agradável e pic- 
toresca perspectiva. 

As i<u»s salas 9ão vastas, primorosamente 
adornadas, e deliciosamente situadas, cer- 
cadas de formes(»s jardms, e beHos laranjaès 
ajatdínadus, fafirtas e pomares ameníssimos. 

A sua architectura é» em quasi todas as 
partes, de um gosto primoroso, e as decora- 
ções dos aposentos, todas díff rentes, são de 
muito bom gu^to e lindo éft*nio. 

Treze salas são revestidas de máguifiéos 
espelhos, cum riquíssimos caixilhos dn talhi 
dourada, e os seus pavimentos, ^, uns de 
mármore de cores, em formoso xadrez, ca- 
iros de varias madeiras, tambiem, de côres, 
C(>n) formosos embutidos, variando de íórma 

em cada sala. 

» 

As maiores salas, em vastidão e riqueza, 
são a sala das talhas e a das shreluUas, De- ' 
nomina-se assim a primMra doestas salas, 
em razão das magnificas talhas do Japão qt» 
a adornam. Tem no topo dois thronos, com 
seU4 dóceis susteutados por columnas ofta- 
vndas, guarnecidas de espelhos e dourados. 
&)m espalhos do mesmo modo emoldurados, 
esião as portas e as paredes. O pavimento é 
de mármore azul e branco, em xadrez. 

No tecto vé-se uma pintura, representan- 
do um grande concerto, no qual figura o rei 
D. José e a rainha D. Marianna Victoria; o 
famoso mestre de musica, David Peres, to* 
cando cravo, ao lado do rei ; a princeza D. 
Marii (dt^pois raioba, primeira do nome) e 
as infantas D. Maria Prandsca Benedicta 
(depois prínceza do Brazil) D. Marianna Jo- 
sefa e D. Maria Dorothea, com papeis de 
mosica nas mãos, em acção de cantarem; o 
infante D. Pedro (depois rei, terceiro do no- 
me) regendo o concerto; e mtlitos fidalgos 
pormguezes. 

Foi esta a sala destinada para os concer- 
tos da edrte, e n*ella se deram alguns esplen* 
dorosos; mas depois se transformou em sala 



QXê 

46 b^iiaiidos, e iMura dar aiijdtoicias sotom- 
1104 ao» embaixadores estrangeiros. 

FicoQ desde eotão servindo para sala dos 
eooeertos, a, por isso, denominada das H" 
r0nata$^ que é muito mais vasta e sumptuosa 
que a i»'ecedente. Todas as suas paredes e 
portas são revestidas, de alto a baixo, de 
magníficos espelhos, com molduras ricamen- 
te esculpidas e douradas. 

Da sala das talbas segue para a direita 
uma galeria com varias salas mais peque- 
nas^ mas egualmente ricas, tendo o pavi- 
mento de lindos e variados mosaicos, de ma- 
deira de differentes cores, e nas paredes, for- 
mosos relevos dourados ou prateados, e 
grandes e^elhos, tendo na extremidade in- 
ferior, formosas paizagens e varias figuras, 
primorosamente pintadas no vidro. ^ 

No fim d'esta galeria, está o pavilhão on- 
de nasceu e morreu o primeiro imperador 
do Brasil. Veem-se n'elle trez painéis, pin- 
tados a óleo, com os retratos, do priheipe 
D. António (filho primogénito de D. João VI, 
e fallecido em creança), do príncipe D. Car- 
los (Irmão de Fernando YII, e avô de Car- 
los YII) e da primeira mulher do mesmo 
príncipe e sua sobrínha, a infanta D. Mana 
Francisca, filha de D. João VI. 

O palácio de Queluz é, exteriormente, todo 
«construído de mármore^ adornado de gran- 
ado numero de columnas e pilastras, de or- 
•dem jónica e dórica; de balaustradas, esta- 
tuas, vazos e outros ornatos. No tympano, 
«obre a grande janella do centro, do referi- 
-lo pavilhão, está um bello baixo-relevo, re- 
presentando uma festa de Baeho. 

A principii capella do paUcio, fica do la- 
do opposto dos jardins, com porta para a 
roa. É vasta e luxuosa. O oratorío particu- 
lar contém algumas obras d*arte, de muHo 
valor, sendo as prineipaes, vários painéis de 
primorosa pintura e uma formosa colunma 
de agatha, sustentando uma estatua de S. 
Pedro, de prata, cinzelada com grande cor- 
ree^ e belleza. (Foi presente, dado por 
Pio VII a D. Joã9 VI). 

A q^int^ pela eua vastidão e magnifícen- 

^ Ttreze salas doeste palaeto, teem as pa- 
redes revestidas de magnificos espelhos. 

YoLuiiivm 



QUÉ 



21 



cia, corresponde á riqueza do palácio, e é, 
sem contradicção, a mais bella e luxuosa, e 
uma das maiores de Portugal. 

Os jardins são em grande numero, mas ca 
prineipaes estendem-se diante das differ«i« 
tes fachadas do palácio, e são adornados de 
grande copia de estatuas e vazos de maimo* 
re; e de lagos de todos os tamanhos e feitio», 
com repuchos de formosa apparencia. Quem 
doestes jardins sáe para o parque, vé.dois 
allos pedestaes^ servindo de baze a duas et" 
tatuas equestres^ representando a Fama. ^ú> 
de mármore, e foram esculpidas por Manuel 
Alves, e Silvestre de Faria Lobo, pelo dese* 
nho do arcbitecto francez Robillou, de que» 
já fallei. 

A quinta é no gosto italiano, cruzando^ 
em todas as direcções, largas e compridas 
ruas, orladas de frondoso arvoredo ; tendo 
também jardins, estatuas, lagos, viveiros, 
pomares de tangerineiras, ajardinados, cor- 
tados de bellos lagos, de mármore, imítan-* 
do canaes; uma bella cascata; um jogo da 
bola, assombrado por arvores gigantescas; 
um jardim botânico (hoje muito descurado) 
com suas estufas; e, finalmente, o rio que 
atravessa a quinta, encanado, e guarnecido 
de assentos de pedra, de vazos e urnas, n 
sendo atravessados (os canaes) por duas for- 
mosas pontes, com suas cmos ás regalo; e 
tudo isto orlado de copado arvoredo. 

Ao parque segue-se a tapada, separada 
d*elle por uma cerca de muros. Tem bastoa 
arvoredos, muitas e largas ruas, e é abun- 
dante em caça miúda. 

Em uma das cineoenta salas do palácio^ 
está cuidadosamente conservado, debaixo da 
um docel, e «icerrado em cortinas de da* 
masco encarnado, o retrato, em corpo intei- 
ro, do sr. D. Miguel I. Este retraio foi tira- 
do em Vienna d* Áustria, na oecasião do ma« 
logrado casamento d*aquelle priocipe, coaa 
sua sobrínha, a sr.* D. Máfia da Gloría» da* 
pois rainha, segunda do nome ; casamento 
que, se se effeetuasse, eviíaría o (ieirama- 
mento de muito sangue purtnguez, e tantas 
e tão grandes desgraças a qu^ d^ ram causa 
os maus conselheiros do sr. D. Mi^ueL 

^Nos vastos jardins que ^ircumdam o pa-» 
lacio, ha formosíssimas flores, di^tiogainda* 



22 



QCÉ 



QUÊ 



iôCakú^ 6 



Of maravilliotof • ínaiúm e tm Jo§õ$ if dyw^ 

^utreiíU anaot da abaadono, transfonM* 
iMDen TeffOBliottft roiíiaf eiuiicapro* 
príedade, a naif bclli do rdoo. > 

Foi lambem ii'eite palado que Baseen, a 
9» de aiNil de i793, D. Maria Thmxa^pria- 
«eza da Beira, ftllia primi^eniu de D. João VI 
« dê D. Cariou Joaqnisa, fSUieeida em Trieste 
<]||yría). 

Catoa em primeiras nopeias^ eom leo pri- 
mo, o inísDCe de Hespanlia^ D. Pedro Carlos, 
almirante da marinlia portogneia, fUlecido 
ao Rio de Janeiro. D*este easamento naseeo 
um ílllio tuieOy o isfiuite de Hespanba, 
D. Sebastião, também Já Cilleeido, ao qual 
D. João VI eoDÍéria as bonraa de ioluite de 
Portugal. 

D. Maria Tbereza, teodo ficado viova de 
seo primeiro marido, easoa passados mnitos 
aoflOf , com sen tio e cuihado, Carlos V, de 
Hespaoha, tíqto da iníáiita portogneza, D. 
Franeisea. 



Qaélaz tem estaçlo telegrapiilca com ser- 
viço permaneote, em quanto alli está a fa- 
mília real, e limitado, quando nao reside 
aqui; e Tae ter (inlho de 1878) iltominação 
« petróleo, piga pela eamara de Cintra, sen- 
^0 os eaodieiros comprados pelos morado- 
res da poToaçSo. 

Entre as varias easas de eampo e formo- 
jas quintas de Qoélnz, se distingue a resi- 
dência dos srs. marqueses do Pombal, eon- 
atmida pelos annos 1800, pelo segando mar- 
^)oez, Henrique José de Carvalho e Mello, 
gentlNhomem da camará da rainha. 

A casa é pequena, e nao se chegou a con- 
cluir, por causa da invasio de Junot, em 
4807. É de regular arcbitectura, e bem or- 
namentada, com bonitas salas, decoradas 
tom ricos estuques. Bqtá situada quasl em 
frente do palácio real, próxima á povoação 
« á alameda que do lado do sul conduz ao 
jnesmo palácio real. Em volta da casa ha 

t Nos últimos tempos, teem se feito nos 
«diflcios alguns reparos; mas ainda falta 
inuito a faz^r. 



▼aHa pbaieie; 
arvoredos» o qns a tona BMinóiOBa. O ftiii«* 
dador te ncionav a pkBlal-of, nas a fogiá^r 
para o Braãl, ialerrompea icdoe ea trabai- 
Ibos. Hoje acha se também abandonada est» 
vivenda • ameaçando próxima mina noa es- 
taquei 6 madeirame&tus^ mas nào nas pa- 
redes, qoe aio de óptima cantaria. 

Ha também em QuéJoz ama ezeellente- 
hospedaria, denominada Hofef 



Em 25 de abril de 18Í8, o senhor D. Pe- 
dro^ dnqoe de Bragança, fez i.* barão á»^ 
Qo^oz, ao doutor António BartholomeaPi* 
res^ eirargiio da real eamara, cavalleiro à»s- 
ordens, da Corda de ferro, na Itália; da Le- 
gião de bonra, em França; e do Leão de* 
Zeringe, na Baviera. 

O barão tinha nascido a 3 de fevereiro de 
1795, e em filho de António Barthoiomea* 
Pnres^ e de sua mulher D. Maríanna Joa^ 
quina. 

Teve doas irmans, D. Luiza Isabel e Dw> 
Maria Isabel 

O senhor D. Miguel I também deu o ti* 
tulo de visconde de Queluz, ao seu medico,, 
e offlcial^mór da sua casa. 

O visconde de Queluz, acompanhou sem- 
pre o senhor D. Miguel, desde 9 de maio de- 
1824, dia em que sahiu a barra de Lisboa,, 
ná sua estada em Vienna d'Austria, e até á.- 
sua chegada a Lisboa, em 22 de fevereiro- 
dé 1828. 

Depois, dosappareceu, e os liberaes inven- 
taram que o senhor D. Miguel o tinlia assas- 
sinado, ou mandado assassinar; mas, emi' 
i834, quando o rei sahiu de Portugal, o vis- 
conde de Queluz se lhe foi juntar em Roma;* 
e este facto, fez aniquilar mais uma calumnia» 

Di9seram-me que o pae do visconde, era 
um rico padeiro, do Campo de SanfAuna^ 
em Lisboa. 

O aprazível sitio de Queluz está actuaN 
mente sendo muito concorrido, não só pelas^ 
muitas distracções que alli se encontram» 
como pelo notável aceio do hotel União. 

Quando a família real não está em Que- 
luz, a quinta, matta e jardins são franquea- 
dos ao publico. 



QUE 

QUERENÇA-- fregnezia, Algarve, na co- 
marca e concelho de Loalé^ iS kilomelros 
de Faro, 235 ao S. de Lisboa, 238 fogos. 

Em 1757 tinha 253 fogos. 

Orago Nossa Senhora d^Assampção. 

Bispado do Algarve, districto administra- 
tivo de Faro. 

A mitra apresentava o prior, qae tinha de 
renda dez moios de pio. 

Esta freguezia é espalhada por casaes^ e 
em terreno áspero e barrocal. 

Próximo da egreja parochial, está a aldeia 
de Tór, e n'ella a capella de SanU Rita de 
Cássia. 

É terra mnito abundante de frncta, prin- 
cipalmente de ameixas reinóeSy com as quaes 
sustentam os porcos. Produz também muito 
linho e azeite. 

Perto da serra do sen nome, ha uma mi- 
na de cobre, com vestígios de ter sido la- 
vrada. 

Pela freguezia correm duas ribeiras, pelo 
S. a das Mercês; e pelo O. a de Benemola, 
qne, depois de unidas, tomam o nome de 
ribeira de 7oV, a qual no inverno é cauda- 
losiflslma, alagando as várzeas, arrancando 
e arrastando as arvores, na sua corrente im- 
petuosa, e causando outros prejuízos. Tem 
uma grandiosa ponte de cantaria, muito an- 
tiga, de cinco arcos. Depois se junta a esta 
ribeira, a do Âlgibre \ passa sob a ponte da 
Quarteira e desagua no mar, junto á povoa- 
ção d'este nome. 

Na margem da ribeira Benemola, ha uma 
fonte (com vestígios de ser construida com 
magpiflcencia) que nasce debaixo de uma 
rocha gigantesca, com tamanha porção de 
agua e com tal violência, que corta a ribei- 
ra (que ]à alli é bastante larga e de muita 
agua) e vae buscar a margem opposta. No 
verão, quando sécca a ribeira, só a agua da 
tal fonte dá para mover as mós de varias 
azenhas. Diz-se que esta agua tem a virtude 

de fazer expellir as sanguesugas que o gado 
bebe em outras fontes, pois a agua d'esta 
não as cria. 

^ Provavelmente corrupção da palavra 
árabe Algezira, que signiâca Ilha. Ha na 
Heitpanba, sobre o Mediterrâneo, e perto de 
Gibraltar^ uma cidade assim chamada. 



QUE 



23 



Em março de 1754, morreu n*esta fre- 
guezia, um lavrador chamado Simão Gon- 
çalves, morador no sitio da Bascinha, com 
116 annos de idade, pois tinha nascido em 
1638. Enviuvou aos 109 annos, ao âm de 50 
annos de casado. Casou segunda vez, logo 
no mesmo anno, e no seguinte teve uma fi- 
lha. Nunca se sangrou, nem tomou remédio 
algum de botica, e jamais consultou medico 
ou cirurgião. Pouco tempo antes de morrer, 
hia, a p^ ouvir missa á egreja, que é a dis- 
tancia de 6 kilometros. Era muito trabalha- 
dor, óptimo atirador, e de muita bondade e 
caridade. O seu sustento ordinário era pão 
com mel, legumes, coelhos e perdizes. 

O território da freguezia é fértil em todas 
as producções agrícolas do nosso clima, me- 
nos em trigo e cevada. 

No arredondamento de 1836^ se juntaram 
a esta freguezia mais as aldeias do Barran- 
co do Velho, e do Serro Alto, que até então 
eram da freguezia de Salir. 

Querença, no antigo portuguez, significa- 
va l)em querer, amor, boa vontade, etc. Tam- 
bém diziam querencia. 

QUERIMONIA ou QUERIMA— portuguez 
antigo— queixa ou querella que do juiz in- 
ferior se interpõe para o superior, ou para 
o soberano. Depois se deu a isto o nome de 
aggravo. 

QUERQUENAE ou AQUAE QUERQUENAE 
— Vide Querquenos. 

QUERQUENOS— povos da Lusitânia, de 
cuja comarca era cabeça, a cidade de AqwjB 
Querquenoe, a 70 kilometros de Braga, para 
a parte da serra do Gerez. O nome d*esta ci- 
dade suppõe-se ser derivado do latino quer» 
cus, que significa o carvalho, por haver por 
estes sitios grandes mattas d*esta8 arvores. 

Ignora-se o local onda existiu esta cida- 
de, da qual faliam Plinio, Ptolomeu e Pom- 
ponio Mella. É provável que fosse destruída 
pelos suevos, no século v, e que fosse em 
algum dos sitios onde ainda se vêem varias 
ruínas, sobre as margens da famosa Geira. 
Vide esta palavra. 

QUÊS— portugu«*z antigo — queres. Ainda 
boje, na Terra da Feira, os rústicos dizem 
quês, por queres^alfés, por alferes-^palmás, 
por palmares, etc. 



24 



ÔUI 



QTJINAL— portnguez antígo—SS almudes. 
Vide PuçaL 

QUINDENIO — portaguez antigo — certa 
quantia de dinheiro que de 15 em 15 annos 
se pagava á cúria romana, das egrejaa an- 
ne^cas aos conventos dos religiosos. A uni- 
versidade de Coimbra também pagava a Ro- 
ma o qnindenio, pelas rendas que os pontí- 
fices Ibe annexaram. 

QUINHENTOS RÉIS— antiga moeda d'este 
nome e valor. Parece ser a moeda de ouro 
de cinco testões, ou o Meio Vicente, do rei 
D. Sebastião, ou de D. João III. 

QUIÂIOS — freguezia, Douro, comarca e 
concelho da Figueira da Foz (foi da mesma 
comarca, mas do concelho de Maiorca, sup- 
primido) 40 kilometros ao ONO. de Coim- 
bra, 210 ao N. de Lisboa, 950 fogos. 

Em 1757 tinha 300 fogos. 

Orago S. Mamede. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

O prior de Santa Cruz de Coimbra apre- 
sentava o vigário, que tinha 200|i000 réis 
de rendimento. 

É povoação muito antiga e foi couto, ao 
qual o rei D. Manuel deu foral, em Lisboa, 
a 23 de agosto de 1514. (Livro dos foraes 
novos da Exfremadura, fl. 95, v., coL 1."). 

É terra muito fértil em todos os géneros 
agrícolas do nosso paiz. É n'esta fireguezia 
a celebre lagoa do Bom Successo. 

QUINCHiXS — freguezia^ Minho, na co- 
marca e concelho de Fafe (foi do mesmo 
concelho mas da comarca de Guimarães] 30 
kilometros a NE. de Braga, 360 ao N. de 
Lisboa, 280 fogos. 

Em 1757 tinha 200 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

A mitra primacial apresentava o abbade, 
que tinha 600^000 réis de rendimento. 

QUINCHOSO— portuguez antigo— (ainda 
usado nas províncias do norte com a mes- 
ma significação). Vide Chousa e ChcusaL 

QUINGOSTA— Vide Congôsta. 

QUINTA— antiga freguezia, Traz-os-Mon- 
tes, ha muitos annos supprimida, a qual, 
com a de Aldeia Nova, também supprimida^ 



oui 

estão unidas á fireguezia da cidade de Mi- 
randa do Douro. 

QUINTA DA AMOREIRA — grande pro- 
priedade, Âlemtejo, que foi dos antigos con* 
des de Santa Cruz, junto à villa de Monte- 
Mór-novo, e pertencente á freguezia de Nos- 
sa Senhora do Bispo, da mesma vilIa (e d'e8- 
ta eram alcaides-móres os referidos condes). 
É uma propriedade muito antiga, pois já 
existia no reinado de D. João I. Tem gran- 
des pomares e muito arvoredo. 

Havia n'esta quinta uma antiquíssima ca- 
pella, em ruínas, não se sabendo a quem lia- 
vía sido dedicada. 

Pelos annos de 1687, estando os condes 
n'esta quinta, a condessa, D. Thereza Mos- 
coso Osório Mendonça Espinosa Gusmão 
Sandoval e Roxas (filha do marquez de AI- 
moçan, primogénito da nobilíssima casa de 
Altamira, em Hespanha) resolveu reedificar 
a capella, desde os fundamentos, mandando 
collocar no altar, a imagem de Nossa Senho- 
ra da Penha de França, que ficou sendo a 
padroeira da capella, e á qual se fazia uma 
grande festa, no dia da Assumpção (15 de 
agosto). 

Antigamente havia aqui missa, em todos 
os domingos e dias sanctificados, paga pelos 
lavradores das immediaç5es. 

QUINTA DA BOA VISTA — grande pro- 
priedade, Extremadura, na freguezia de Nos- 
sa Senhora das Candeias (Purificação) de 
Alguber, concelho do Cadaval, comarca de 
Alemquer. 

Patriarchado e districto adm. de Lisboa. 

Esta quinta é o solar de um dos ramos da 
nobre família dos Mellos, cujo morgado, n'es- 
ta quinta, foi instituído pelos annos de 1590» 
por Gião Fialho, capitãomór de Ceuta, e 
commendador da ordem de Christo, e ó boje 
seu representante, o sr. José de Mello Cor- 
reia Fialho Lobo da Silveira, cavalheiro mxd- 
to bem quisto n^estes sítios, pela sua affabt- 
lídade e exemplar comportamento. (Vide 
volume l.«, pag. 130, col. 1.*). 

QUINTA (ou BANHOS) DÁ CAVACA— 
Beira Baixa, no.concelho de Aguiar da Bei- 
ra, comarca de Trancoso. 

Bispado de Viseu, districto administrati- 
vo da Guarda. 



QUI 

Esta quinta foi de Diogo de Lemos, de 
Pena-Yerde, fallecido em 1873, e tio do sr. 
José de Nápoles Lemos Manuel, da illustre 
casa de Sarzédo, e um dos mais ricos e es- 
elareeidos proprietários d*este3 sitios. 

Ha n'esta propriedade uma abundante 
nascente de agaa mineral, que ainda (que 
me conste) nlo foi devidamente analysada, 
mas à qual já concorrem muitas pessoas que 
padecem de rheumatismo ou de moléstias 
cutâneas, e que com os banhos da Cavaca 
teem obtido curas maravilhosas. 

O sitio dos banhos é pittoresco e ameno, 
e a 3 kilometros passa a nova estrada de 
Castendo, a qual villa fica a 10 kilometros 
dos banhos, e onde já ha char-à-bancs para 
Yisen e outros pontos da Beira. 

QUINTA DA FOZ— Extremadura (mas ao 
S. do Tejo) na freguezia e 3 kilometros da 
tilla de Benavente, e junto á valia que des- 
emboca no Tejo, está esta grande proprie- 
dade, que é muito antiga, e pertenceu aos 
condes da Castanheira. Ha n*ellauma ermi- 
da, também muito antiga, que foi primeira- 
mente dedicada ao martyr S. Sebastião, e no 
tempo de D. João III se lhe mudou o pa- 
droeiro para Nossa Senhoira da Esperança, 
on Nossa Senhora das Preces, e vulgarmen- 
te Nossa Senhora da Foz. Tem trez altares. 

Esta ermida foi reediQcada por João do 
Quental, e a deixou por sua morte, bem co- 
mo a casa e quinta da Foz, ao rei D. João HI^ 
que a deu a D. António de Athaide, l.** con- 
de da Castanheira, que ficou, e seus descen- 
dentes, padroeiros da ermida, nomeando-lhe 
capellão, cuja côngrua era paga pela real 
fazenda. 

A festa da Senhora fazia-se na 2." oitava 
do Espirito Santo, e era concorridissima. 

A quinta da Foz, passou depois para a 
casa dos marquezes de Cascaes. Tinha annos 
que dava ao dizimo 100 moios de pão ! 

(Vide volume !.•, pag. 383, col. 2."). 

QinNTA BAS A6UIA8— Beira Baixa, na 
fireguezia de Sernache (ou Cernache) do 
Bom- Jardim. (Volume 2.*, pag. 247, col. 2.*). 

No irtigo pertencente á villa da Certan 
(OQ Sertan) a pag. 252, col. 1.* do 2.« vola- 
xhe, dbse que a Quinta das Águias de hoje» 
é o que foi mosteiro de capuchos de Santo 



QUI 



25 



António. Não ó. O mosteiro de capuchos de 
Santo António da Certan, é hoje propriedade 
da camará, e estão n*elle diversas reparti- 
ções publicas. 

O mosteiro da mesma ordem a que hoje 
se dá o nome de Quinta das Águias ^ é ou- 
tro, e fica a uns 7 kilometros do anteceden- 
te, e na freguezia de Cernache (como disse 
no logar citado do 2.^' volume). 

Um individuo da Roda, de Santa Apoló- 
nia, que enriqueceu no Pará, comprou o 
edifício do mosteiro e a sua cerca, transfor- 
mando isto em uma formosa vivenda, que 
hoje possuem seus herdeiros, porque o bra- 
zileiro é jà fallecido. 

Ao sr. Ivo Pedroso Barata dos Reis, illus- 
trado cavalheiro e rico proprietário, da villa 
da Certan, primo dos srs. conde do Casal 
Ribeiro, e Carlos José Caldeira, devo o ob- 
sequio d'esta rectificação. 

sr. Barata publicou em 1874 uma Des* 
cripção topographica da villa da Sertan, 
ofTerecendo-me um exemply, o que cordial- 
mente lhe agradeço. 

QUINTA DAS GANNAS— Douro, subúr- 
bios da cidade de Coimbra. É uma bella 
propriedade, e piítorescamente situada. 

Ê d*esta propriedade que tomou o titulo 
o seu actual possuidor, o sr. D. José Maria 
de Vasconcelos Azevedo Silva e Carvajal, 
feito visconde da Quinta das Cannas, em 25 
de abril de 1865; e conde do mesmo titulo, 
em 14 de junho de 1870. 

£' pertença doesta quinta a famosa Lapa 
dos Esteios. (Vide 5.<^ volume, pag. 392, col. 
l.*, no principio). 

QUINTA DAS LARÂNGEIRAS— Vide La- 
rangeiras. (4.« volume, pag. 53, col. 2.*). 

QUINTA DE LAMPAS AS ou LAMPAZES^ 
— Traz os-Montes, na freguezia deBouçoães 
(volume 1.% pag. 426, col. 1.*). 

N'esta quinta está o templo de Nossa Se- 
nhora da Ribeira (ou da Assumpção) que é 

1 Chama-se quinta das Águias, pelas duas 
que tem sobre as hombreiras da porta prin- 
cipal. 

2 Parece-me que se devia escrever Lam- 

Íaso^ que é synonimo de verbasco^ planta, 
'ambem pôde vir de Lampas, que significa 
fructas novas, ou temporans. 



26 



QUI 



I egreja matriz da fregaezia, e de constrnc- 
çào muit") antiga. A festa da padroeira é a 
15 de agosto, e a ella concorrem os povos 
de Villartão, e de outros muitos logarescir- 
cumíerentes. 

QUINTA DO CASTELLO— antiga e peque- 
na fregnezia, Traz*os-Montes. Foi siipprimi- 
da ha muitos annos, e está encorporada na 
fregui^zia da Alfandega da Fé. 

QUINTA DO GOVÊLLO— grande proprie- 
dade, Beira Alta, na freguezia de France. 
(Volume 3.«, pag. 2H6, col. 2.*). 

Fica esta quinta 12 J^ilometros ao E. de 
Viseu, e no àro da mesma cidade. É a pro- 
priedade muito vasta e rendosa, povoada de 
muitos pomares e arvores silvestres» vastas 
terras de lavoura, com abundância de agua, 
o que faz o sítio fértil e agradável. 

Tem um bom chafariz e alguns tanques, 
e uma espaçosa casa de habitação, com abe- 
goarias e mais offlcioas. Tudo isto eàtá bas- 
tante descurado, por ter andado ha muitos 
annos em poder de caseiros. A casa, sobre- 
tudo, está em grande ruina. A capella tam- 
bém carece de reparos» e ha mais de 30 an- 
nos que n*ella se não diz missa, por falta de 
paramentos, mas não está profanada. 

São aciuaes donos d'esta quinta, os filhos 
de Miguel Pinto Serpe ; mas a maior parte 
pertence aos srs. doutor Valeriano e a seu 
irmão Francisco : aos outros irmãos peque- 
na parte da quinta coube nas partilhas. 

Quando a possuíam Valeriano Coelho de 
Sousa e sua mulher, D. Helena de Sá, edifi- 
caram n*esta quinta, em 1630, uma ermida, 
dedicada a Nossa Senhora da Expectação^ 
com sua tribuna, para d'ella ouvirem mis- 
sa os senhores da casa. Esta ermida está 
unida e vinculada às casas da quinta, cujos 
rendimentos e os de outras propriedades fi- 
caram a seus successores, com a obrigação 
de terem um capellão que em todos os sab- 
bados, domingos e dias sanctificados, dis- 
sesse missa ao povo; e também com obri- 
gação dos reparos da capella, e de fazerem 
á senhora uma boa festa a 18 de dezembro 
de cada anno. 

O primeiro successor de Valeriano Coe- 
lho, fo| seu sobrinho, Francisco Serpe de 
Sousa, que annexou à casa da Senhora, ou* 



QUI 

tras fazendas, para que na capella se diSMs* 
sem também missas em todas as sextas feiras 
do anno, ficando esta capella erecta em ca* 
beça do vinculo. 

É a ermida de muito boa fabrica, cora 
uma linda capelia-mór^ com seu formoso al- 
tar, onde está a imagem da padroeira, d^ 
1",32 de alto. Tem mais as imagens de Nos- 
sa Senhora da Piedade e de S. João Evange- 
lista; a de S. Valeriano, martyr, e a de San- 
ta Helena, mãe do imperador Constantino 
Magno. 



Em frente d*esta quinta (que também 88 
chama dos Serpes, por pertencer aos fidal- 
gos doeste appellido^) está um alto e alcan* 
tilado monte, e no sen cume existiu uma 
ermida, dedicada a Nossa Senhora da Pena^ 
ou da Penha. Era tão antiga esta ermida» 
que se Ignorava a data da sua fundação. 

Estando em ruínas, pelos annos de 1700» 
se mudou para a planície ao fundo do mon- 
te^ mas encostada aos rochedos. É fabricada 
pelos moradores do logar do Covétlo, que 
com esta s<'inta imagem teem particular de* 
voçào. 

Esta ermida é de fabrica muito modesta» 
e está sujeita á administração da Junta de 
parochia respectiva. A festa da Senhora» se 
faz todos os annos, a 3 de maio, com arraial 
muito concorrido. Não tem outras rendas 
senão as offertas e esmolas dos fieis. 

O campanário do sino está assente sobre 
umas rochas, nas quaes se Vé gravada uma 
inscripção em caracteres desconhecidos. 

QUINTA DO INFERNO— Extremadura, na 
ribeira de Alcântara, subúrbios de Lisboa. 

N*esta quinta se estabeleceu uma excd* 
lente fabrica de estamparia e tinturaria de 
algodões, propriedade dos srs. Fonseca & C.^ 

Principiou a funccionar em uma segunda 

^ Serpe, foi um appellido nobre em Por- 
tugal, que deixou de usar-se, não sei por 
que. Descendem dos antigos Serpes, o sr. 
barão de Proença-Velha, general de brigada» 
e sen irmão o sr. doutor Rodrigo Pitta de 
Menezes e Castro, de Caminha, conselheira 
do íjQpremo tribunal de justiça e par do 
reino. 



QUI 

M de agosto 4e 1S74 K Os trabalhos 
ípram dirigidos pelo mestre e gerente que 
foi da antiga fabriea da Cabrita, o sr JoSo 
Pedro Freire da Fonseca» e peto sr. Mairael 
4e Sá Pimentel Leão. 

O motor» bomba e carte das machinas» 
^oram feitos na fabrica dos srs. Philíppe 
Xinder & C.% de Lisboa» e o resto veio de 
Inglaterra. 

Tem abundância d*agQa, pelo que, dnran* 
^e a estação inveraosa, Ibo serve de motor» 
uma roda bydraulíca. 

Em 3 de agosto de i877» foram despacha- 
^das na alfandega de Lisboa» para esta fabrí- 
<Af quatro caixas com machioas» cojos di- 
reitos importaram em 910^(000 réis. 

Diz-se que esta propriedade se chamou 
antigamente Quinta das Ci^uzet^ e que» an- 
dando um dia por estes sítios á caça, o rei 
D. João VI» viu muitas crnzes» e perguntou 
aos que o acompanhavam : Isto é algum ce* 
mtftfrtof—responden um d'elle8— iVio» real 
•senhor, é a Quinta das Cruzis.-^O rei, ai- 
ludindo á escabrosidade do terreno, disse 
— Quinta do Inferno, lhe chanuirei tf«.— £ o 
nome Ibe ficou até á actualidade. 

Hoje não diria o rei similhanie cousa» pois 
ba alli uma magnifica estrada decírcomva- 
laçao. 

Ha mais logares em Portugal com o nome 



^ Parece que simiihante dia foi escolhido 
, |>elos proprietários, para a abertura da fa- 
bricai Sendo ella na Quinta do Inferno, de- 
via principiar a trabalhar no dia em que o 
•diabo anda à solta. 

< O primeiro nome doesta propriedade, 
foi Quinta da Ribeira. Quando em 25 de 
a^osio de i580, o duque d'Âlba veio sobre 
lisboa, com um exercito de 22:000 caste- 
lhanos, D. António, prior do Grato, com 4:000 
homens fieis e decidido»» porém mal arma- 
dos e indisciplinados, o veio esperar á pon- 
te de Alcântara; mas foi facilmente derrota- 
-do» e teve de fugir. Os castelhanos fizeram 
uma horrivel matança nos portugnezes, sen- 
4q muitos dos mortos» eaierrados n*esta 
quinta, a qual, das muitas eruzes que alií se 
collocaram então, tomou o nome de Quinta 
das Cruzes, que lhe durou por uns 240 an- 
nofl^ vindoo a perder pelo motivo que se de- 
clara no texto. 



Qin 



27 



de laleno; o maia notável, é na fregoerfa 
de Fornos» concelho do Castello de Paiva» ^ 
situado sobre a margem esquerda do Doa* 
ro» em hraute do jMmfo denominado Pedrag 
da Rua. 

N'esta aldeia do Inferno» também chama* 
da Castello de Baixo» ha um dolmen» de coo* 
strucçao diíTerente de todos os outros da Pe« 
ninsiila, e o mais moderno de todos, pois 
pertence á idade do ferro. Vide CasteUo de 
Paiva. 

QUINTA DO MORANGAL— Douro, na fre* 
guezia de Espinhei, comarca e concelho de 
Águeda, bispado e distrieto administrativo 
de Aveiro. 

É uma boa propriedade» instituída em 
morgado» por Francisco Pinto d' Almeida e 
sua mulher D. Leonor, em 1580. Para cabe- 
ça do vinculo» mandaram construir, pelo 
mesmo tempo, uma formosa capelia» de bem 
lavrada cantaria» que dedicaram a Nossa Se* 
nhora da Esperança. 

Passados annos» D. Ghristovam de Santa 
maria» cónego regrante de Santo Agostinho^ 
do convento de Santa Cruz de Coimbra, 6 
filho dos instituidores» adornou a capelia 
com a máxima perfeiçío e sumptuosidaêe. 

Os administradores d'este vhiculo, tinham» 
pela instimiçao d*etle, obrigação, não só de 
repararem a capelia, mas também de n*eUa 
mandarem dizer quatro missas cada anno» 
peias almas dòs instituidores. Depois» o re- 
ferido D. Ghristovam lhe impoz mais outra 
missa annnal» por sua alma. 

A missa prineipal era no dia de Nossa 
Senhora da Expectação (18 de desembro). 
Era cantada, e esse dia era consagrado á 
festa da Senhora. 

QUINTA DO OUTEIRO— era o antigo no- 
me da actual villa e Creguezia de S. Miguel 
do Outeiro» na comarca e concelho de Toa* 
delia. Vide Miffuel do Outeiro (S.) e Outeifú 
{$. Miguel do). 

Snpponho que esta freguezla teve princi- 
pio em uma quinta» que foi de Alexandra 
Falcão de Bulhões» e na qual ha uma ca- 
pelia dedicada a Nossa Senhora das Neves. 

O território d'esta freguezia é muito abun- 
dante de aguas» mas excessivamente frio no 
inverno; todavia é clima muito saudável» e 



n 



26 



QUI 



tem aqui falleddo mxátu pessoas te miôs 
4e cem annos de edade. 

QUINTA DOS GASG08 ou DOS CASCOS > 
-— Alemtejo, na fregaezía de Nossa Senhora 
da Natividade de Macbéde, comarca, conce- 
Ibo e 12 kilometros a E. d'£vora. 

Arcebispado e distrieto administratiyo de 
Évora. 

Pelos anãos 733, morrea o rei D. Affon- 
fo I, de Leão, o Calholico 2,f snocedendo-lhe 
seu fílbo, D. Fraela I. 

Logo no principio do reinado d*este nlti* 
mo monarcba, Abd*el-Rhaman, l^aliía de 
€k)rdoya, invadia e assolou a nossa provin* 
cia do Alemtejo, matando ou captivando 
gramde numero de portngnezes, praticando 
toda a sorte de atrocidades, e tomando-nos 
Lisboa, Évora, Beja, Santarém, e todo o ter- 
ritório desde o Tejo até ao cabo de S. Vi- 
cente. 

Havia por esse tempo, na Lusitânia, uma 
familia de nobres cavalleiros, appeliidados 
Gúscoit ou por serem naturaes da Gascunha 
(França), ou, o que é mais provável, por te- 
rem fugido para aquelia província, naante- 
i^edente invasão dos sarracenos, e d'onde 
4epois regressaram á Lusitânia, no reinado 
Tictoríoso de* D. AfEonso, o Catholico^ o qual 
com seu irmão, D. Frucia, resgatou muitas 
cidades do poder dos mouros. ' 

Os Gascos acompanharam o rei D. Fruel- 
la I na guerra contra Ornar, filho de Abd- 
el*Rhaman, que se havia rebellado contra 
seu pae. Os cbristãos o derrotaram, assim 
como a AU-Ben-Tanf, que se lhe oppoz, 
jurozimo a SetuJuL 

^ Também alguns lhe dão o nome de Qwn" 
ta do Casco. 

2 Cunhado e successor de D. Favilla, que 
morreu despedaçado por um urso, quando 
andava à caça. D. Affonso era filho de D. Pe- 
dro, duque de Biscaia e Navarra, e descen- 
dente do saato rei Ricaredo. 

* Segundo outros escriptojres» eram Cm- 
,cos, e não Gascos, os cavalleiros de que aqui 
trato, e eram uns fidalgos da cidade de Évo- 
ra, que foram morgados da Quinia dos Cos- 
€05, a qual depois, por corrupção, se chamou 
doi Gascos, 

£ certo que em Évora houve uma nobre 
liimilia, appellidada os Cascos, que foram (e 
ainda hoje são, os seus herdeiros) senhores 
4'esta quinta, como adiante se verá. 



QtJI 

A três kllometrès da Venda das Bmstei* 
raSf e no actual distrieto da freguesia da 
Nossa Senhora da Natividade de Macbóde 
(que j& então existia, pois foi creada em 
672) t havia umas taes ou quaes obras de 
deíeza, das quaes, afaida em 1750^ se Tiam 
alguns restos, e uma torre arruinada. Ai|«i 
se fizeram fortes os cbristãos, e derrotarão^ 
os mouros. 

Pareoe que os Gascos, ou Cascos^ se dia» 
tíngniram nas guerras d'aquelle tempo, pela 
que D. Fruella lhes deu o senhorio da qain- 
ta que d'elle8 tomou o nome. 

Em 1360, era senhor d'esta quioia. Gik 
Rodrigues de Yasconcellos, que, por provi- 
são de D. Pedro I, a erigiu em morgado. 
Como não tivesse filhos legítimos, sueoedeo 
no vínculo, seu sobrinho^ Gonçalo (^asco> 
rioo-homem no tempo de D. João L De Gon- 
çalo Casco, foi filho João Casco; d*este, Dio- 
go Casco; e d'este, António Casco. Este foi 
pae de Diogo Casco de Yasconcellos, pae d» 
Roy Mendes de VasconceUos, que suceedea 
no morgado de Machéde. Ruy Mendes casoa 
com D. Anua Manuel, filha de Gonçalves 
Gomes de Mello, e d*elles nasceu D. Agosti- 
nho Manuel de VasconceUos, que morreu» 
por traidor á pátria, degolado na praça do 
Rocio, de Lisboa, no dia 29 de agosto de 
i642^ juntamente com o duque de Caminha» 
seu pae (o marquez de Yilla Real) e o conde 
de Armamar. 

Gil Rodrigues de Yasconcellos, instituidor 
doeste morgado, é que, também em 1360» 
mandou edificar, para cabeça do vinculo, 
uma capella da invocação de Nossa Senho- 
ra dos Remédios, junto ás casas da quinta, 
e encostada às minas da antiquíssima torre 
de que acima íalleí. (Outros pretendem que 
esta capella já existia desde o seoulo vii, e 
que, esundo arruinada, por velha, Gil Ro- 
drigues somente a reedificou). 

Esta quinta está encravada na herdade 

1 Esta ftieguezia e a actual de S. Miguel 
de Maehède, formaram uma só parochia, 
erigida no tal anuo de 673, e que durou até 
i200, em c^|o anno se desmembrou a de 
S. Miguel, formando freguesia índependeMs. 
(Vide vol. 5.% pag. 14, col. 1.*) 



m 

4o Paço iá Quinta, e é sen actual possui- 
ior, e tihimo morgado, o sr. Francisco de 
^ Brito Gásco Solys. Tem a quinta dos Gas- 
tos um grande lago. As casas estão desman- 
teladas. 

Na eapella de Nossa Senhora dos Reme- 
dioá, ainda se diz missa ; mas a sadiristia e 
o eôro estão em ruinas. 

O dono 4'estas herdades (sao trez) man- 
eou fazer varias obras n'e11aSy ainda ha pou- 
cos annos, nas quaes gastou mais de dois 
contos de réis; mas nio curou da cai^Na. 

O actual rendeiro da quinta, o sr. Manuel 
^Perdigão Gallego, e mais outros devotos^ é 
quer em alguns annos, mandam, àsua cuàta, 
fezer uma festa à Senhora. 

Bstes sttios foram povoados desde os tem- 
pos pre-historicos, pois que no Monte do 
OuJteirOy da freguezia de S. Miguei de Ma- 
diéde, ainda existe um dolmen, e os res- 
tos de mais trez, nas immediaç9es d*esle 
nonte. 

O nosso distíncto e estudioso archeologo, 
o sr. Gabriel Pereira, achou, no fim do an- 
no de 1877, no monte do Outeiro (serra 
d^Ossa) três dolmens, situados nas herdades 
da Candinray das ThesouraSy e das VHiguei- 
tas. O primeiro está no meio do caminího 
que yae da villa do Redondo para o mostei- 
ro de S. Paulo, a 200 metros á direita da 
estrada. O segundo fica no caminho da ser- 
ra e campo da Palkêla, e no caminho de S. 
Miguel de Machéde. O terceiro está na pa^te 
murada da herdade das Vidigwfiras. 

Estào todos bastante arruinados. 

O mais notável é o dolmen furado da Can- 
dleira. Está entre um olival e um pinhal, a 
300 metros da estrada; e é formado por seis 
^ndes iages de schísto (que é a formação 
geológica d*estes sitios) tendo dois metros 
^6 altura. A lage do íúndo^ lem, a pouco 
mais de meia altura, uma abertura circular, 
feita com regularidade, e visivelmente aiti- 
fleial. 

É o primeiro monumento raegalitbko que 
em Portugal se conhece com esta particula- 
ridade ; e ignora-se o mistel* d*este buraco; 
todavia é de muita importância para os es- 
tados areheologicos. 

QUINTA ROTA— Vide Samouco. 



QDI 



90 



N. B. As mais quintas vão 
nas freguezias onde são si- 
tuadas. 

QtUNTAN— fireguezia, Traz-os-Montes, co- 
marca e concelho de Yilla Real (foi da mes- 
ma comarca^ mas do extincto concelho de 
ErméUo), 65 kilometros ao NE. de Braga, 
360 ao N. de Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 25 fogos. 

Orago S. Bartholomeu, apostolo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Villa Real. 

A causa do grande augmen- 
to de população, é porque está 
unida a esta, a extiobta fre- 
guezia de Villa Cova. 

O vigário de S. Miguel dá Pena e o reitor 
de Torguéda apresentavam alternativamente 
o cura, que tinfia lOi^OOO réis de cohgrua e 
o pé d*altar. 

Qmntan, Quintana e Quintãa, no antiga 
portuguez significava quinta, 

QUINTAN e TOCHA (ou ATOCHA}— fre- 
guezia, Douro, na comarca^ concelho e pró- 
ximo a Cantanhede, 24 kilometros ao N. de 
Buarcos, 6 a E. do Oceano, 24 ao O. de 
Coimbra, e 210 ao N. de Lisboa, 600 fogos. 

Orago S. João Baptista. ^ 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

Poi do supprimido concelho de Cadima. 

O mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, 
apresentava o parocho, que tinha 150^000 
réis de rendimento. 

Esta freguezia é offlcialmente conhecida 
pelo nome de Tocha, corrupção de Atocha; 
mas foram duas freguezias independentes, 
ambas dos cruzios de Coimbra : a da Quin- 
tan é muito mais antiga, pois que a da To- 
cha foi d^ella desmembrada no principio do 
século xvni, ficando parochia independente. 
Hoje formam, outra vez, ambas, uma só fre- 
guezia. Nenhuma ã'ellas vem no Portugal 
Sacro e Profano, provavelmente, poresque- 
cimeifto, pois já existiam havia muitos an- 
nos antes da publicação d*este livro. 



1 S. João Baptista é o orago da freguezia 
da Qnintan, e Nossa Senhora d'Atocha, o 
da freguezia da Tocha. 



M 



QUI 



É terra maito fértil em todos os géneros 
4^grícolas do nosso paiz. 

Quinian, Quinião, e QuMana é porlugaez 
antigo, o mesmo qud Quifúa. Quéiiianilha é 
o seu diminaiivo» isto é» pequena quintaj 
■qnintinka. 

OzigQm do nome de AtoQha 

A imagem de Nossa Senhora da Atocha, 
é copia fiel da qae o apostolo S. Pedro man- 
dou de Aotiochia para Madrid, e está na 
egreja do mosteiro de S. Domingos da mes- 
ma capital. 

Um^dalgo gallego, chamado Joio Garcia 
Bacellar, natural de Ponte-Vedra, residia na 
corte de Hespanha, era casa de upa seu tio 
^cooego, pelos 'annos de 158o. Era muito de- 
voto da Senhora da Atocha, de Madrid, e, 
vendo-se certo dia em perigo immiQeote, 
prometteu à mesma Senhora, se o livrasse 
d*e]le, de ihe mandar construir um templo, 
«m logar ermo. A senhora ouviu os seus 
rogos; mas, como João Garcia tinha então 
apenas dez anno% adiou o cumprimento do 
aeu voto. 

Morto o tio cónego, foi Garcia para caaa 
de um ouiro seu tio, homem riquíssimo, que 
vivia em Portugal, na villa de Buarcos, ca- 
sado, mas sem filhos. Tinha a mulher uma 
sobrinha, chamada Maria da Silveira Cardo- 
so, que casou com Garcia» doando lhes os 
tios todos os seus haveres. 

Pelos anãos de 1610, vindo os noivos de 
Aveiro para Buarcos, passaram por uma di- 
latada planície de campos e charnecas, cha- 
madas então Gandaroêf onde havia uma 
quinta dos cruzios, de Coimbra, denominada 
da Fonte Quente (em razão de haver n'ella 
uma nascente de aguas mineraes, tépidas) e 
Junto á quinta, a casa de um lavrador,, que 
foi o primeiro que reduziu parte d'esta pla- 
nície á cultura, por aforamento ao mosteiro 
de Santa Cruz, que era senhor d'estes ter- 
renos, e onde hoje se estende a fjçeguezia da 
Tocha. 

João Garcia Bacellar, na intenção de cum- 
prir a sua promessa, propoz ao lavrador o 
dar- lhe um casal que tinha na C^dí,^, ^e 
muito roais valor, por f sta propriedade das 



m 

Gandaras, o que o lavrador acoeUon, d^ieis 
de obtida a devida Uomça, dos cónegos ée 
Santa Cruz, aos quaes Joio Garcia aforoa 
mais terrenos contíguos. ^ 

Fez logo aqui uma ermida, dedicada a 
Nossa Senhora d*Atodia, mandando fazer» 
em Madrid, a imagem, imitando a de lá. 

Principiaram logo os povos d*esta8 redon- 
dezas a ter uma grande devoção a esta Se- 
nhora, pelo que era a soa ermida concorri* 
discirna. 

geral de Santa Cruz e os padres da soa 
congregação, também se tornaram muito de- 
votos da Senhora d'Atocha, e resolvera» 
transformar a ermida era um vasto e sum- 
ptuoso templo, o que levaram a effeito, lan- 
çando-lhe a primeira pedra, o geral, D. José» 
em 1661. 

Construído o templo, quizeram os religio- 
sos trazer para elle a imagem da capella, ao 
que se oppoz Maria da Silveira Cardoso, |á 
então viuva de Garcia; e para que os cm- 
zios lh*a não roubassem, se poz de guarda, 
com todos os seus creados e ereadas^ á ca* 
peUa. 

Sendo geral de Santa Cruz, D. Luiz da Sil- 
veira, tio do conde d'Oriola e barão d* Alvi- 
to, offereceu á viuva, para que consentisse 
na mudança da Senhora, dois dotes de Areí- 
ra, para duas suas filhas ; mas nem assia 
elU cedeu. 

Passados tempos, casou uma das filbM» 
com Manuel Ribeiro da SUvelr», natural de 
Aveiro, e que tinha em Santa Crua de Coim- 
bra muitos parentes, e um, a quem muito 
estimava, chamado D. Bernardo de. Santa 
Marta, que depois foi bispo de S. Thomé e 
Principeg e outro que era seu cunhado. ^ 

Todos os padres se empenharam cora o 
genro da viuva, para eila ceder, oque eUe 
conseguiu, em 1670, indo a santa imagem 
em grande triumpho para a sua nova egre- 
ja, fazendo se-lhe n'esse acto uma lesta so- 

1 Este vasto território, foi dado ao mos- 
teiro de Santa Gmz de Coimbra, por D. Af- 
fonso Henriques, pelos aonos de 1140. 

O mòsieir^ de Saota Cpuz de Coimbra, foi 
principiado por ordem do mesmo roonareha» 
em 1136;! em memoria da gratid^ victoria 
obtida pelos portuguezes, em 1434^ eoi 
Al-Bucaram» rei de Badajt^ 



QOI 

denmissima, à qual concorreram, além de to- 
-àos os padres do mosteiro de Santa Groz» 
-com a sua capella de musica, os povos de 
«Quitas léguas em redor, em numero de mais 
Hie 20:000 pessoas. 

A festa principal é a 2 de julho (dia da 
Visitação de Nossa Senhora) por ser o dia 
da dedicação do novo templo; havendo en- 
tão antigamente aqui uma grande ecooeor- 
4*idissima feira. 

Vinham aqui muitos círios e grande nu- 
«mero de bandeiras^ de diversas freguesias 
e havia cavalhadas, corridas de touros, e ou- 
tros divertimentos próprios da época. 

£ste sitio, que, ha pouco mais de dois se- 
<m1os, não era senão uma vasta charneca e 
matagaes, está hoje transformado em bellos 
•« férteis campos, hortas e pomares, povoado 
de varias aldeias, e clima muito saudável. 
Também é abundante de peixe do mar, que, 
^mo já disse, fica apenas a 6 kiiometros de 
4istancia. 

No dia da festa, recebiam-se muitas e avul- 
4adas esmolas, em dinheiro, cora, gado e ou- 
tros géneros^ que os cruzios appUcavam pa- 
ra melhoramentos do templo. 

A capella-mór, de forma circular, é ma- 
jestosa e sustentada sobre oito columnas de 
mármore. Foi feita à imitação de uma que 
«stá no claustro de Santa Cruz. 

No centro da capella mór, está o altar 
principal, e n'elle a imagem da Senhora, em 
JOLm throno quadrado, e sobre uma charola, 
de quatro columnas, de talha dourada, de 
modo que se vé a santa imagem de todos 
-os lados da capella-mór. 

A historia d*esta Senhora da Atocha, e da 
.sua ermida e egreja, com todos os seus pro* 
menores, foi escripta pelas madres soror 
Isabel dos Seraphins, e .soror Antónia de 
S. Francisco, filhas de João Garcia Baceliar 
^ de Maria da Silveira Cardoso, as quaes o 
«nosteiro de Santa Cruz dotou (em cumpri- 
mento da sua promessa, como fica dito) pa- 
ra entrarem no mosteiro de Tentiigal; e foi 
publicada pelo padre D. Matheus de S. Thia- 
go, cónego de Santa Cruz, sobrinho das re« 
feridas religiosas^ e neto dos fandadores da 
^reja. 



ÔUI 



31 



A quinta que foi dos cruzios, doou-a o oo» 
nego, D. Francisco Cardoso da Silveira, ir- 
mão das duas religiosas, e filho de João Gar» 
cia e mulher, a seu sobrinho (neto do dito 
João Garcia) Eusébio Ribeiro da Silveira 
que a transmittiu aos seus successores. 

QUINTAN DE PÊRO MARTINS— fregaezia, 
Beira Baixa, concelho de Figueira de Gas- 
tello Rodrigo, comarca de Pinhel (foi do 
mesmo concelho e da comarca de Trancoso)» 
7^ kiiometros ao SE* de Lamego, e 360 ao 
E. de Lisboa, 1)0 fogos. 

Em 1757 tinha 93 fogos. 

Orago, o Espiritç Santo. 

Foi do bispado de Lamego, e quando 86 
creott o de Pinhel, ficou pertencendo a este. 

Districto administrativo da Guarda. 

reitor de Penha d'Águia apresentava o 

eara» oonfiroMdo, que tinha 50jt000 réis 4e 

côngrua e o pé de altar. 

E' terra fértil em centeio, castanhas e 11* 
nho; do mais^ pouco. 

Cria bastante gado, de toda a qualidade» a 
é abundante em caça. 

QUINTANELLA — portoguez antigo -r 
Quintanella e Quintanilha, é diminutivo de 
Quintan, ou Quinta. 

Na camará de Braga havia antigamente 
muitas villa$ (casas de campo) e aldeias 
d*este nome. 

D. Flâmula vendeu ao abbade Gonta, ena 
923, ^ o seu logar de Quintanella. (Uvro dê 
Mumadona, no cartório da mitra de Bra* 

QUINTANILHA— freguesia. Traz osMoii- 
tes, comarca, concelho, districto administra* 
tivo e bispado de Bragança (foi do extinetd 
concelho do Outeiro) 35 kiiometros ao N, de 

1 A psg« 457 do vol. 6.% coL !• d'esta 
obra, tratando de Parada de Ganiu, disse 
que se nâo sabia com certeza a etymologia 
aa palavra Gonta. 

Nio sabe. 

Pôde ser corrapçSo Gontra (contracção 4e 
Gontraide — Gertrudes) mas, como se vé do 
lÂvro de Mumadona^ pôde também ser— e é 
o mais verosimit— nome próprio dliomem. 
Talvez que algum Gonta, hind^^ASse esta Pa» 
rada, ou fosse senhor d*elia^ b lhe impozea* 
se o seu nome. 



9» 



ôia 



Uiranda do Douro, 475 ao N. de Lisboa, 45 
fogos. 

Em 1757 tinha 26 fogos. 

Orago, S. Thomé, apostolo. 

O augmento apparente da popolaçSo, nao 
é porqae ella tenha crescido, mas sim por- 
que se lhe annexoa a pequena Tregaezia das 
Veigas, que tinha em 1757, 18 foges. 

O cabido da Sé de Bragança apresentara 
o cura, que tinha QifOOO réis de côngrua e 
o pé d'altar. 

A fregnezia das Veigas, tinha por orago, 
S. Vicente, martyr. 

Era da mesma apresentação, e curato, 
com o mesmo rendimento do de Quintani- 
lha. 

Tanto uma como outra d*estas duas pe- 
quenas frguezías, sao muito antigas. 

Em um documento que existe no cartório 
da mitra de Bragança, do tempo de D. Af- 
fonso IV (1340) se diz que o tnampastor (vi- 
ile Mempastor) que o mosteiro de Moreirol- 
la punha nas aldeias de MorUezinhos^ e 
Quintanilha, conhecia também das causas 
crimes, juntamente com os juizes de Bra- 
gança. 

Para o seu foral, e outras curiosidades, é 
preciso ver Outeiro, vida, Traz-os-Montes, 
no 6.* vol, pag. 358, cot. 1.* e'seguintes. 

£' na freguezia de Quintanilha, o sanctua- 
rio de Nossa Senhora da Ribeira, que ]à fi- 
ca descripto na referida villa do Outeiro. 

QUINTAKS— aldeia, Douro, parte na fre- 
guezia e concelho dTlhavo, e parte na fre- 
guezia de Oliveirinha, concelho d'Aveiro; 
ambas na comarca, districto administrativo 
e bispado d* Aveiro. (Vide Ílhavo e Oliveiri- 
nha, 

Os diversos governos dos nossos dias teip 
feito vários arredondamentos, mas, como 
tf estas operações só actuam os interesses do 
campanário, tem-se feito annexações e se- 
parações mais despropositadas do que as 
antigas; e as que havia de outros tempos, 
m condições impossíveis, deixaram se con- 
tinuar. 1 



* Vide Entre Ambos os Rios (o l*)— e 
Lourêdo, a pag. 451, coL 2.% do 4.* vo- 
lume. 



O povo d*est6 logar tem por varias vezes 
requerido ao governo, para pertencer a uma 
só fíreguezia, do mesmo concelho. 

Em 12 de septembro de i855, a junta ge- 
ral do districto, por proposta do governador 
civil d*entao (o sr. Anthero Albano da SUr 
veira Pinto) reprezentou ao governo n*esta 
sentido, mas foi o mesmo que nada. 

Ha n'esta aldeia uma formosa capella de- 
dicada ao apostolo S. Bartholomeu, construi- 
da em 1863. 

Em 19 de maio de 1835, no sitio da Praça 
da Palha, se deu um facto, cuja recordado 
ainda boje horrorisa os povos doestes sitios 
— é o seguinte: 

O capitão de ordenanças, Manuel António 
Freire Craveiro, acompanhou o exercito rea- 
lista até Évora. Fiado no estipulado na con- 
venção d^Evora Monte (27 de maio de 1831) 
regressou a sua casa; mas, avisado de que 
o queriam prender, escondeu-se com seus 
filhos, em casa de seu compadre, Bento Fra- 
goso. Este, violando as leis sagradas da hos- 
pitalidade, e esquecendose dos favores que 
havia recebido de seu compadre, foi dennn- 
cial-o a Aveiro. 

Marchou logo d*alli uma força que, cer^ 
cando a casa de Fragoso, prendeu o capitão 
e seus cinco filhos, e chegando ao sitio da 
Praça da Palha, assassinaram a todos eom a 
mais cobarde e ignóbil barbaridade t 

Mas a divina providencia nem sempre 
guarda o castigo dos crimes para o outro 
mundo. 

Um anno depois da traição, foi Fragoso 
também assassinado a tiro. Talis vita, finis 
ita, 

QUINTANS— freguezia. Beira Baixa, bis- 
pado, districto administrativo, comarca e 
concelho de Gastello-Branco. 

Esta parochia foi ha muitos annos supri- 
mida, e está annexa á do Salgueiro, no mes- 
mo concelho, comarca, districto administra- 
tivo e bispado. 

QUINTAS — freguezia, Beira Baixa, co- 
marca e concelho do Sabugal, bispado, dis- 
tricto administrativo e 24 kilometros ao S.O. 
da Guarda, 315 ao E. de Lisboa, 120 fo- 
gos. 

Sm 1757, tinha 101 fogos. 



QUI 

Orago, S. Bartholomen, apostolo. 

O antigo nome d*6Sts íregaezia é-^Quinías 
dê São Bartholomeu. 

O vigário da villa de Touro^ apresentava 
o cura, que tinba 6iW00 réis de coogma e o 
pó d^altar. 

O sen clima é excessivo^ e por isso poa- 
€0 fértil. 

Muito gado 6 caça, e peixe do Côa. 

QUINTAS— antiga freguesia, Traz-os«MoQ- 
tes» comarca e concelho de Mirandell^, 60 
kilometros de Miranda, 420 ao N. de Lisboa, 
15 fogos. 

Em 1767, tinha 16 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
gança. 

A mitra apresentava o cura, qae tinha 
94000 róis de congraa e o pé d*altar. * 

Esta fireguezia foi sapprimida ha mattos 
aânos, e unida á de Mirandella. 

QUINTELLA — português antigo**dimi- 
nmivo de quinta. Significa, pe^iuena quMày 
quifUinha. 

QUINTELLA (Torre de)— Está esta muito 
antiga e nobre torre solarenga, na fregaezia 
deSao Romio de Nogneira, na comarca dos 
Arcos de Valle de Vez, concelho da Barca. 

Foi o solar de nm ramo dos Araujos. 

E* hoje representante doesta nobre (ami- 
lia, e dona da torre de Qninlella, o sr. Anto« 
nio Pereira da Costa Lacerda. 

Tide a l.« Nogueira, de pag. 104, coL í.% 
do 6.'' volume — e Ponte do JJma. 

Quintêlla é nm appelHdo nobre d*este rei- 
no, tomado da aldeia d'este noipe. 

O i.^ barão de Quintella, tirou brazao d'ar- 
mas, em 12 dê outubro de 1806— e ó— -em 
campo de púrpura, duas bandas d' escaques 
â*ouro, d*uma só ordem: elmo d'açOy aber- 
to. Não tem timbre. 

O iJ* barão de quintella, foi Joaquim Pe- 
dro Quintella, senhor da villa do Prétímo^ 
akaide mór de Sortelha, do conselho da rai- 
nha, D. Maria I, conselheiro honorário da 
reAl fazenda, commendador da ordem de S. 
Thiago, eavalleiro da ordem de Christo, in- 
stituidor do morgado do Farrôbo (voL 3.% 
pag. 151, coL 1.% no fim) no valor de réis 



QUI 



33 



4M:3i746S7 (!) ao qual ainda depois unia 
a terça. 

Em março de 1782, succedeu na casa, a 
seu tio materno, o desembargador Luiz Re- 
belio Quintella; e também herdou a casada 
seus pães, Valente José Duarte Pereira, e D. 
Anna Joaquina Quintella. 

0. 1.* barão de Quintella, nasceu a 20 do 
agosto de 1748, e faileceu no 1.* de outubn» 
de 1817. 

Tinha casado, a 19 de novembro de 1801, 
com D. Maria Joaquina Xavier de Saldanha^ 
filha de Joa(^m Lobato d'ArauJo e GostJt 
(da casa de Juste, em Braga) e de D. Maria 
Leonor Xavier de Saldanha. 

Tiveram um filho e uma filha: 

Joaquim Pedro, que foi o 2.<* barão de 
Quintella, e l.<* conde de Farrôbo. . 

D. Maria Gertrudes, nascida a 28 de maio 
de 1797. Foi condessa da Cunha^ levando 
por dote, 240 contos de réis, que foram vin- 
culados, por decreto de 8 de setembro da 
1824. 

O barão teve uma filha natural (D. Joa- 
quina Rosa) que nasceu a 8 de novembro da 
1793, 6 foi legitimada em julho de 1812. 

Faileceu a 28 de julho de 1823. 

Tinha casado, em 15 de setembro de 1816^ 
com Luiz da Silva Athaide, fidalgo da casa 
real, coronel do regimento de milícias da 
Leiria, filho de Miguel Luiz da Silva d'Athai- 
de e de D. Vicloria Manoel Carneiro da Ga- 
nha Porto-Carreiro. (Vide Pombalinho.) 

Esta senhora, quando casou, teve escri<» 
ptura dotal, do 1.* d'agosto de 1816, pela 
qual levou um vinculo no valor de 48 cou- 
tos de réis. 

Seu marido faileceu a 90 de dezembro da 
1823, pouco mais de 4 mezes depois de ana 
mulher. 

O morgado de Quintella foj mstituido a 
23 de junho de 1801. 

O senhorio da villa de Préstimo^ foi-Iha 
dado a 13 de dezembro de. 1802. 

O baronato de Quintella, a 17 de agosta 
de 1805. 

O coBdado de Farrôbo (isto é— o titula 
de oond^ de Farrôbo) a 4 de abril de 1^3. 



34 



Qm 



o 2.* bário de Qaiatella, e {.• conde do 
Farrobo» foi Joaquim Pedro Qointella do 
Farrobo. 

Foi também o ã."" senbor da villa do Prés- 
timo, aloaide-mór de Sortelha, par do reino, 
giao-cras da ordem de Nossa Senhora da 
Conceição de Yilía Viçosa^ commendador de 
S. Tbiago^ eavalieiro da de Cbristo, coronel 
de roilicias (de cavallaria), inspector geral 
dos theatroSi vice-presidente do conservató- 
rio real de Lisboa. 

Nasceu em 11 de dezembro de 1801; sac- 
eedeu a seu pae, no 1.* deontnbro de 1817; 
easott a 19 de maio de 1819, com D. Marim- 
na Carlota Lodi, dama da ordem de Santa 
Isabel, nascida a 3 de dezembro de 1798, e 
Mlecida a 32 de Julho de 1867. 

D'e8te casamento houve 7 filhos. 

l.« (por ordem de edades), D. Maria Joa- 
quina, que nasceu a SO de outubro de 
1819. 

2.^ D. Maria Carlota, nascida no 1.* de 
janeiro de 1821. 

3.% D, Maria Magdalena, nascida a 18 de 
abril de 1822. 

4.S Joaquim Pedro Quintelhi do Farrobo 
(actual, e 2.^ conde do Farrobo, feito em 18 
de maio de 1848) nascido a 18 de maio de 
1823. 

^.\ D. Marianna Hortênsia, nascida a 3 
de maio de 1825. 

6.% D. Maria Palmira, nascida a 9 de 
julho de 1826. 

' 7.*, Francisco Jayme Quintella, nascido a 
SS de setembro de 1827. 



01.* conde do Farrobo, casou em segun- 
das núpcias, com mademoiselle Pinault (da 
qual já tinha filhos) em Lisboa, na fregue- 
zia da Encarnação, a 7 de fevereiro de 1869, 
6 ainda vive esta senhora. 

Eile falleceu, em Lisboa, a 24 de septem- 
bro de 1869. 



FoivO 1.* conde do Farrobo um dos fldal* 
gos que maiores serviços prestou á causa 
da liberdade, salvando-a, especialmente uma 
TeZ| quando as guarnições da esquadra cons- 



QUI 

tituciooal se amotinaram por falta de paga- 
mento das suas soldadas. ^ 

Foi também um dos indnstriaes mais ac- 
tivos^ animando a creação de muitas fabri- 
cas, que boje prosperam e que devem a su» 
fundação à iniciativa do iilustre íioado. 

O 1.* conde do Farrobo era conhecido 
egualmente como um dos homens de maior^ 
gosto pelas bellas artes, com as quaes con- 
sumiu grosso cabedal. Os bons artistas en- 
contraram sempre no conde 'do Farrobo unr 
prot(»ctor incansável e dedicado. 

QUINTELLA— freguezia, Traz-es^ Montes, 
comarca e coocelbo de Vinhaes, 70 kilome- 
tros de Miranda, 480 ao N. de Lisboa. 

^ O premio que tirou dos enormes sacri- 
ficios que fez aos liberaes, foi dar cabo dsr 
sua casa, uma das maiores (senão a maior) 
do reiDo, e deixar seus filhos na pobreza. 

Ha poucos dias, e passados 45 annos do^ 
reclamações e requerimentos (t) deram aos 
filhos, como por esmola, uma insignificanter 
pensão! 

O 1.* conde do Farrobo era em 1828 um* 
grande realista; mas quando o governo da 
sr. D. Miguel publicou em 12 e 18 de no- 
vembro de 1831» o decreto do empréstimo 
forçado^ em cumprimeato do qual se pediar 
ao enião barão de Qaintella 20 contos de: 
réis, a juro de 2 e meio por cento ao aano;. 
ao que elle se negou, e pelo que foi exauto- 
rado de todas os suas honras e privilégios^ 
se declarou liberal. 

Quem lucrou com isto, foi o partido do^ 
sr. O. Pedro. 

Se o barão de Quintella não mudasse de 
eplnião, seria infalível a perda dos liberaes^ 
pois não tinham dinheiro» nem quem Ih'^ 
emprestasse, e o futuro conde do Farrobo 
lhes adiantou (pelo exclusivo do tabaco, por 
tempo de 12 annos) 2:500 contos de réis», 
em 10 de novembro de 1832. 

Em abril de 1833» fez-lhes segundo em- 
préstimo, de outros 2:500 confos. (Para evi- 
tarmos repetições, veja-se o que disse no- 
7.'' volume, pag. 357, col. 1.% e sua nota.) 

Os liberaes nem lhe deram o exclusivo do* 
contracto do tabaco, nem lhe pagaram, nem- 
aeeeítaram a auctoria na celebre e diutur- 
na causa que ao conde prepoz a sociedadCK 
LÍDO \ Pimenta; e foi dVste modo que ba- 
queou a enorme casa Farrobo. 

O conde, em vista de tão negra ingrati- 
dão, entregou ao sr. D. Luiz I todos os ti- 
tules e condecorações que havia recebido» 
dos liberaes, em 1867, e dosde ebtao proles* 
tou assignar-se simplesmente ^arôfo de Omn-^ 
tella, oomo seu pae. 



QUI 

Em 1757, iinhft 4a fogos. 

Orago, Santa Mariaba. 

Bispado 6 distrieto admiDistratrati?o da 
Bragança. 

O reitor de Santa Marinha, apresentava o 
cara, qne tinha 6^500 réis de eoDgrua e o 
pé d'alur. 

Esta fregneiia está ha mnito tempo nni- 
da á de S. Julião de Paço, no mesmo con- 
celho. 

QUniTBLLA— aldeia, Traz*os-llontes, na 
íregnezia de Yilla-Marim, eomarea, eonee- 
lho, distrieto administrativo e próximo a Yilla 
Real. 

Existe aqui nma torre antiquíssima, bas- 
Unte arrninada. 

Em um desenho da mesma torre, que se 
té em um tombo, também multo antigo, se 
lé por baixo do desenho, esta decima: 

Jimto a Viila-Real 
' 8e vé uma torre antiga, 
Qne contra a hoste inimiga 
Fez nm conde, Portugal 
Com mil foros; para a qual 
Diu torre de (>nintella, 
Afnda hoje toda aqnelia 
VisíDhança reconhece 
Dos foros o tombo a este. 
E d'esta maneira ella. 

Os dois ctltimos versos nem por isso se en* 
tendem là muito bem. 

Talves haja erro de cópia. 

QVnmLL A D*AZURARA— freguesa. Bei* 
ra Alta, comarca e concelho de Mangualde, 
18 kilometros de Viseu, 300 ao N. de Lis* 
boa, 120 fogos. 

Em 1757, tinha 104 fogos. 

Orago, S. João Baptista. 

Bispado e distrieto administrativo de Vi* 
xeo. • 

A mitra apresentava o abbade, que tinha- 
2004^000 réis de rendimento. 

E* terra pouco fértil, mas. ha abundância 
de gado e caça. 

QOIMTBLLA 0E C£A--aldela, Beira Baf* 
xã, na fregnetia, comarca e concelho de Céa, 
bispado de Coimbra, distrieto admin^sirafi* 
TO da Guarda. 



QDI 



3& 



Ha n'esta povoação idsportantissimas fa* 
bricas de lanificios. 

Em detembro de 1874, foram despacha- 
das na alfandega de Lisboa, 20 caixas com* 
machinismo, para a fabrica da sr.* viuva 
Montelano e Filhos, nó valor de l:700M0O< 
réis. 

A 5 de janeiro de 1875, foi despachada na 
mesma alfandega, uma machina completa* 
para cardar e manufacturar lan, para a fá- 
brica, também de laniflcios, dos srs. António 
Simões Pereira &. C' 

QUDfTELLA DE LAMPAÇA8 — freguesia, 
Tras-os- Montes, comarca, concelho, distrieto 
administrativo e bispado de Bragança^ 60* 
Iciiometros ao N. de Miranda, 455 ao N. de 
Lisboa, 120 fogos. 

Em 1757, tinha 101 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Assumpção. 

A casa de Bragança apresentava o abbade^ 
que tmba 250J(000 réis de rendimento. 

E' povoaçlo muito antiga, e gosava dos 
grandes privilégios concedidos aos foreiros 
da casa de Bragança, donatária doesta fre* 
guezia. 

D. AíToBso 3.<> lhe deu foral, em Constan- 
tim dePanoyas^ a 9 de julho de 1252. 

(L.« d.» dê Doações de D. Affonso III, fl. 
50 V., e Li* deforaes antigos de leitura nova, 
fl. 118 V., col. 1.*) 

QUDITBLLA DA LAFA-freguezia, Beira 
Alta, concelho de Cemancélhe, comarca de< 
Moimenta da Beira (foi da mesma comarca, 
mas do concelho, suppriroido, de Caria e- 
Rna) 35 kilometros ao 8.E. de Lamego, 30O 
ao N.' de Lisboa, 150 fogos. 

Em 1757, tinha 140 fogos. 

Or^go^ Kossa Senhora da Assumpção. 

Bispado de Lamego, distrieto administra^ 
tivo de Viseu. 

O reitor -da vílta de Rua, apresentava o 
cura, que tinha 6011000 réis de rendimento^ 
e o pé d^altar. (Vide Lapa, vílla). 

N*esUK fireguezia tem o seu nascimento o* 
rio Vongá (o Vaeea dos antigos.) Vide o 1.** 
Pêcsguetro. 

Esta freiíatòia está situada em parte da» 
penbascosa e deénbrida Serra da Lapa, d^ 
oftde lhe vem o nome. 

B* povãaçSo antiqnissimai pois já existia 



^ 



m 



em 1181, guando os dez filhos de D. Ifoyor 
Soares, doaram a sua mãe e a suas trez 0- 
lhas, Dordía, Tbereza, e Mayor, varias pro- 
priedades que tinham no bispado de Lame- 
go, sendo incluídas n'estas» dois casaes na 
QliiQtella da L2^a. 

Para evitarmos repetições, ver Ferreira 
d^Áoe$, vol. 3.% a pag. 172, eoL S.% e pag. 
173. 

Nossa Senhora da Lapa 

I 

Está este famoso sanctuario edificado na 
serra do seu nome, e nos limites d'esta (re- 
guezia, e próximo ao logar de Quintella. 

Foi um dos mais celebres e concorridos 
pelos nossos avós, tanto que d*eUe tratam 
muitos escriptores destjnctos, e entre elles, 
Jorge Gardozo {Agiologio Lmitana^ tom. 1«% 
pag. 474); Frei Bernardo de Brito {Monarek. 
Lus., parte 2.% cap. 23); Frei Luiz dos An- 
jos {Jardim de Pariugal^ pag. 130); António 
Leite (Hist. de Nossa Senhora da Lapa^ livro 
1,% cap. 3); Frei Agostinho de Santa Bfaria 
{Sant. Mar,, tomo 3.% pag. 155, e tomo 7.% 
pag. 382 ) 

Resumindo o mais que me foi possível, o 
qne escreveram estes antiquários» e deixan- 
do de mencionar differentes factos, maravi- 
lhosos, tratarei apenas do templo e da soa. 
padroeira, e dos factos que com isto tenham 
relação. 

D. Ramiro ÍII, de Leão, foi acdamdo rei, 
por fallecimento de seu pae (D. Ordenho IV, 
qne apenas reinou um anno, porque morreu 
em uma batalha contra os mouros, lonto a 
Córdova) foi acclamado rei, reipito, quando 
tinha apenas cinco annos de edade (967) e 
sua mãe tomou conta da regência, durante 
a menoridade do filho. 
, Chegado á edade legal, D. Ramiro^ tomou 
conta do governo dos seus estados, mas em 
breve teve contendas, que degeneraram em 
guerras, com seu primo, D. Bermndo (filho 
de D. Ordpnho III) de Portugal e Galliza (de- 
pois, Bermudo II, cognominado o Goíoêfi^ e 
com 08 condes d'estes dois reinas. 

Para poder ço.m mais v^tagem combater 
os seus inimigos christãos, f^z tréguas coi% 
o kalifa de Córdova, o grande capitão At- 



QUÍ 

Ifançor, mas, como as não fez eom o tA 

mouro de Sevilha, este invadiu a Lusitânia 
(que já então se principiava a chamar Por- 
tugal) e assolou muitas povoações, não retl« 
rando para Andaluzia, senão quando as suas 
tropas foram atacadas por uma grande pesla 
que as disimava (980). 

As discórdias continuaram com os portn- 
guezes e gallegos, e Al-Mançor, em vista 
disto, quebrando as tréguas, invadiu Portu- 
gal (981) saqueando e assolando muitas po- 
voações, sendo as principaes Coimbra, Por- 
to, Braga, Vianna^ e Britonia do Lima. Pas- 
sou para o sul do rio Douro, e tomou Lame- 
go, Viseu, e outras muitas povoações ecap- 
tellos da província da Beira, destruindo os 
templos e mais casas de oração, e marlyn- 
sando quantos frades e freiras poderam ha- 
ver ás mãos. 

(Vide Seixas^ do concelho de Yilla Nova 
de Foz Côa.) 

Depois de destruir todas as terras d*estea 
sities, tomou o caminho de Trancoso, peio 
alto da serra de Pira, atravessando o logar 
onde hoje se vé a villa de Aguiar da Beira* 
Deu em um mosteiro de freiras, fundada 
junto ao logar de Sermillo (ou DecermiUo} 
no sitio onde ainda existe a capella de Noa* 
sa Senhora do Mosteiro, assassinando ou ea- 
ptivando todas as religiosas, e suas crea* 
das. 

Segundo a tradição, alguns capitães e al- 
caides christãos, fizeram cara aos mouros 
em uma planície^ a que hoje se dá o nooM 
de Campo do Desbarate ou da Matança^ pró- 
ximo ao logar do SoíUo, termo de villa do 
Aguiar, e, apezar da desigualdade do nume- 
ro, e á custa de muitas vidas, foram os moa- 
ros derrotados, fugindo Al Hançor, 0091 qa 
que poderam escapar, para o mente ou ca- 
beço chamado de Al-Mançor. 

Entretanto, a guerra continuava entre D. 
Ramiro e D. Ordenho, tendo os condes e se- 
nhores acclamado este ultimo, como rei de 
Portugal e Galliza. 

N'esta desastrosa guerra morreu, tanto de 
um como de outro partido, a flor doa^goef • 
reirqs chrip^t|M>s; e no ultimo oonibateb fôi 
morto p. B^amiro ^I (985) o que pòz tçynpia 
á guerra. 



QUI 

Em 998, alada o feroz Al- 1 
MaDçor tornou a invadir a 
Galliza, mas o perigo commnm 
fez unir os principaea chris- 
tãos, e D. Bermndo II, com 
os condes D. Foijaz Vermaiz, 
e D. Garcia Fernandes, e ou- 
tros senhores» offereceram ba- 
talha a Âl-Mançor, nas plani- 
cies de AlcaíUa$iaçar (janto a 
Osooa). Al-Mançor ficou mor- 
talmente ferido, e o seu exer- 
cito foi completamente anní- 
quilado. 
Segando os escriptores citados, e a tra- 
dição popular, algumas pessoas que pode- 
ram fagir a tempo, do mosteiro de Sermil- 
lo, levaram comsigo uma imagem da SS. 
Virgem, com qaem tinham particular devo- 
ção, e a esconderam na serra, depois cha- 
mada da lapa, entre quatro penedos, em 
ferma de gruta, onde esteve por espaço de 
515 aonos (desde 983 até 1498.) 

Uma menina, muda de nascimento, por 
nome Joanoa, nstural do logar de Quintella, 
andando na serra^ a guardar o gado de seus 
pães, fei achar na tal gruta a imagem da 
Virgem (1498) e a metteu na cesta onde 
cardava as maçarocas e o pão— porque a 
imagem tem apenas 0",55 de altura. 

Persuadia-se a creança que aquillo era 
uma boneca, e a despia e vestia muitas ve- 
zes ao dia, com as roupas que podia haver 
<a imagem é de roca) e a enfeitava com flo- 
res, tanto no monte como em casa, no que 
empregava todo o seu tempo. 

A mãe, zangada por isto, tirou a imagem 
das mãos da filba, e hia deital-a ao fogo; mas 
foi tal a afOição da filha, que cobrou a falia, 
e em altos brados disse claramente — t Tá ^ 
não faça issol^ 

A mãe fíeou com os braços séccos e para- 
liticos, e aos seus gritos e da filha, accudiu 
a Tisinhança, que, sabendo do caso, conduzi- 
ram a santa imagem para a lapa onde ap- 
parecéra, cpara onde a menina guiou aquel- 
la gente. 

í Tá, portuguez antigo — significa— ítií- 
penda! Tenha mãot 

VOLUVS vui 



QUI 



37 



Logo que a Senhora foi coUocada no sitio 
onde tinha sido descoberta, recobrou a mãe 
de Joanna a saúde. 

Trataram logo os povos d'estes legares, de 
construir um altar á Senhora, dentro da 
mesma lapa, e lhe consagraram a mais fer* 
vorosa devoção. 

Em breve a fama dos milagres de Nossa 
Senhora da Lapa (que assim se ficou deno- 
minando) attrahiu ao sitio, não só os povos 
da Beira, mas ainda os de todo o reino, e até 
da Gastella- Velha, que é a província hespa- 
nhola que fica mais perto; tendo logar as 
continuas romarias, desde a Paschoa do Es* 
pirito Santo, até outubro de cada anno. 

Com o producto das avultadas offeren^as 
á Senhora, se lhe construiu um magestoso 
templo, conservande-se a lapa^ no mesmo 
estado em que se viu em 1498, e fica na ca- 
pella-mór, do lado da Epistola. 

O altar do devotíssimo Menino Jesus da 
Lapa, fica também encostado ás pedras que 
formam a capella da Senhora. 

Em poucos annos se tomou o Sanctuario 
de Nossa Senhora da Lapa, não só o mais 
formoso da Beira, mas ainda de todo o 
reino. 

Santo Ignacio de Loyola^ instituiu a fa* 
mosa Companhia de Jesus, em 1534, no rei- 
nado de D. João III, e este monarcha em bre- 
ve admittiu esta ordem em Portugal, esta- 
belecendo-lhe muitas rendas, para sustento 
da congregação, e para construcção das sua& 
egrejas e collegios. 

Como eram grandes os rendimentos do 
Sanctuario de Nossa Senhora da Lapa, os 
deu o rei aos jesuítas, com a obrigação de 
darem metade á universidade de Coimbra. 
Pelos annos de 1700, deram os padres da 
Companhia^ junto ao Sanctuario, principio 
a um grande collegio, que não se chegou a 
concluir. 

Pela extincção dos jesuítas (1759) ficaram 
todas as rendas para a universidade! 

Entre os quadros e mais objectos, memo- 
rando os milagres da Senhora^ se vé, pen- 
durada de uma das traves de ferro da egre- 
ja, a pelle de um crocodilo, que um devoto« 
natural doestes sítios, matou na índia e ofiTe-» 
receu á Senhora. 

3 



38 



m 



A descrença dos nossos dias, tém feito 
deeabir muito a concorrência de devotos 
ao templo de Nossa Senhora da Lapa, mas, 
se nao é nem metade do que era ha am sé- 
culo, ainda esta egreja é ama das mais fre- 
quentadas da Beira. 

QBINTIiES ou QUINTiES — fregaezia, 
Minho, comarca e concelho de Barcellos, 24 
kilometros ao O. de Braga, 360 ao N. de Lis- 
boa, 120 fogos. 

Em 1757, tinha i04 fogos. 

Orago, Santa Maria (Nossa Senhora do O*). 

Arcebispado e districto administrativo de 
, Braga. 

O D. abbade benedictino do convento de 
Carvoeiro, apresentava o vigário, que tinha 
de rendimento lOOiffOOO réis, e o pé de al- 
tar. 

E' n*6sta fregueiia a casa e torre solaren- 
ga de Aborim, na qual viveu Lourenço Go- 
mes de Aborim, e que depois passou aos 
Barbosas. 

Em 19 de maio de 1638^ morreu na Ba- 
bia, o valoroso capitão, Sebastião do Souto, 
natural d'esta freguezia, e que no Brasil foi 
o terror dos hollandezes. Morreu em um 
combate contra elles, ferido mortalmente, 
com uma bala no peito, na noite que pre- 
cedeu o referido dia ; mas deixou bem vin- 
gada a sua morte, pois que n'esse e n'outros 
combates, assaltos e batalhas, havia morto ou 
' aprisionado grande numero de inimigos. 

É terra fértil^ e cria muito gado de toda 
a qualidade. (Vide Bans). 

QUINTIiO — aldeia, Beira Alta, na fre- 
guezia de Cambres, comarca, concelho e 3 
kilometros ao NO. de Lamego. 

É povoação mais antiga do que amonar- 
chia portugueza, e tinha aqui varias pro- 
priedades Pedro Viegas, que, por consenti- 
mento de D. Affonso I, vendeu, em 1163, a 
D. Thereza AfTouso. (Vide Cambres, a pag. 
S3 do 2.® volame, e Magueijat a pag. 34 do 
Tolame 5.*) 

Esta povoação está situada em terreno 
aprazível, feriii e saudável, entre a antiga 
estrada de Lamego â Varosa (em frente da 
Bégua) e a nova, ultimamente construída, 
como complemento da de Trancoso á Bégua, 
pela margem esquerda do rio Varosa* 



QIJI 

É n'esta aldeia a excellênte casa e boa 
quinta, que foi do conselheiro António Josó^ 
da Costa, rico proprietário e capitalista. 

QUINTINO (São)— freguezia^ Estremadu- 
ra (Biba-Tojo) comarca de ^Ila Franca da^ 
Xura, concelho de Arruda dos Vinhos (foi 
do extincto concelho de Sobral de Monte 
Agraço, comarca de Alemquér), 30 kíiome* 
tros ao ENE. de Lisboa, 640 fogos. 

Em 1757 tinha 420 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Piedade e S. Quin-^ 
tino. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

A mitra patriarchal apresentava o vigário,. 
coUado, que tinha 150M00 réis. 

Esta freguezia é de clima saudável, pof 
estar em um alto, e muito fértil. 

A egreja matriz é um bom templo, aiaiir 
dado construir pelo rei D. Manuel, em 15M: 

Ainda ha quatro ou cinco annos, aqui vi- 
via (e não sei se ainda vive) Maria Joannat 
que nascera em 1759. É avó da mulher do 
sr. Manuel Dias dos Beis, proprietário e ne» 
gociante na villa da Alhandra. 

QUINTOS— freguezia, Alemtejo, concelho^ 
comarca e próximo de Beja, 70 kilometros 
ao O. d'Evora (a cujo arcebispado perten» 
ceu), 185 ao S. de Lisboa, 240 fogos. 

Em 1757 tinha 203. 

Orago SAnta Catharina, virgem e martyr. 

Bispado e districto administrativo de Beja. 

A mitra apresentava o cura, que tinha 
540 alqueires de trigo, de renda annual. 

É terra muito fértil em toda a qualidade 
de frnctos do nosso paiz, cria muito gado ds 
toda a qualidade, e é abundante de caça. 

Ê aqui a 24.* estação dos caminhos do 
ferro do sul e sueste, contando da esta^ 
do Barreiro, e comprehendendo as estaçileg 
do ramal de Setúbal. 

Fica esta freguezia 6 kilometros ao O* do 
Guadiana, e 35 ao O. do rio Chança, que di- 
vide, n'estes sitios, Portugal da HespanlUL 
Antigamente eram os QmiUoz a nltima po» 
voação de Portugal por este lado (hoje é Fé 
calho, ou Villa Verde de Ficalho) e por isao^ 
quando os nossos pães se zangavam com a^ 
guem e o não queriam mandar para a in- 
ferno, diziam : Vae para os Quintos. ÁiaiUí 



MB 

hoje nas proviDcias do norte se roga esta 
praga. 

QUIRAZ— Vide Queiroz. 

QUITERU DE MECA (Santa)— Já a pag. 
60, eol. 2.% de d.« volume fiallei d'esta fre- 
guezia, sob a denominação de Espiçandeira 
e Meca. Aqoi accrescento mais o seguinte : 



RAB 



39 



Èm Si de oatobro de 1873, falleceu em 
Santa Quitéria de Meca. Francisco Xavier 
de Lemos Gastelio Branco, filho dos viscon- 
des do Real Agrado, e irmão do elegante 
prosador e mavioso poeta, o sr. João de Le- 
mos Seixas Castello Branco. (Vide Real- 
Agrado.) 



R 



R^como letra numeral, valia antigamen- 
te 800, e com um til por cima, 80:000. Tam- 
bém valeu algum tempo 40. (Em um livro 
da Torre do Tombo, copiado em tempo do 
rei D. Duarte, 1433 a 1438, se vé escrípto— 
Era de urRV annos, por 1345— mas no ori- 
ginal estava— E.MGCCXLY, como nós hoje 
escrevemos. 

RABAçA— rio, Traz-os-Montes, que nasce 
na Galliza, e junto ao Ragua, entra no Túa. 
Vide Ragua. 

Dá-se-lhe este nome, em razão das mui- 
tas rabaças (plantas aquáticas) que cria nas 
«uas margens. 

RABAÇA— freguezia. Beira Baixa, conce- 
lho, comarca e 18 kiiometros da Guarda (foi 
4a mesma comarca, mas do extincto conce- 
Hio de Janiiéllo)^ 324 kiiometros a £. de Lis- 
boa» 37 fogos. 

Em 1757 tinha 44 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Bispado e districto administrativo da 
Guarda. 

Q prior de Santa Maria de Jarméllo, apre- 
sentava o cura» que tinha 100 alqueires de 
eentek), 2 de trigo e 2 almudes de vinho. . 

£sta freguezia foi supprimida ha muitos 
annos, e annexa à'de Jarméllo. 

RABAÇAL— freguezia, Beira Baixa. Foi 
antigamente do concelho supprímido de Ma- 
rialva, comarca da Meda; depois, passou a 
ser do concelho da Meda, comarca de Villa 
Ifova de FoBcôa. Em 24 de outubro de 1855, 
passou para o concelho de Foscôa, e, final- 
mente, em 18 de dezembro de 1872, ficou 
iiertenceqdo ao concelho da Meda, comarca 



de Foscôa, 60 kiiometros ao SE. de Lamego» 
3eO ao NE. de Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 94 fogos. 

Orago S. Paulo (a conversão de S. Paulo). 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo da Guarda. 

O abbade de S. Thiago, de Marialva, apre* 
sentava o cura, que tinha 6^400 réis de con* 
grua e o pé d'altar. 

É terra pouco fértil. Muito gado e caça. 

Todos sabem que rabaçaJ^ significa logar 
onde ha muitas rabaças. Vide Rabaça, rio^, 

RABAÇAL— villa, Douro, no concelho de 
Penella, comarca da Louzan (foi cabeça de 
um concelho, extincto por decreto de 6 de 
março de 1852), ^ 24 kiiometros ao S. de 
Coimbra, 180 ao N. de Lisboa, 150 fogos. 

Em 1757 tinha 35 visinhos. ' 

Orago Santa Maria Magdalena. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

A universidade de Coimbra, por concur* 
so, apresentava o cura, que tinha 30^000 
réis de côngrua e o pé d'altar. 

Ê povoação muito antiga, e já povoada no 

. 1 Na nossa Ilha da Madeira, ha também 
um rio chamado Rabaçal. 

* Quando era cabeça de concelho, perteiH 
cia á comarca de Soure. 

O primeiro nome d'esta viila foi Ladeya, 
ou Ladéra. 

' Estou persuadido que é erro do PortU' 
gal Sacro. Esta villa era mais importante no 
meiado do século passado do que é hoje, pela 
que não me parece provável que ella tenha 
augmentado em população, mais de três 
quartas partes. 



40 



RàB 



RAB 



tempo dos mouros, e ainda a pouca diatan* 
eia da villa ha um logar chamado Alcala' 
mmque, corrupção das palavras árabes al- 
cala (fortaleza ou castello) e mocamo (logar 
santo) e vem pois a significar Castello da 
Mesquita. Todavia, o mais antigo documen- 
to que achei d'esta villa, é de li39. É uma 
doação que D. AíTonso Henriques fez, em 
junho d*esse anuo, ás donas (freiras) de Cel- 
las, a par da ponte de Coimbra^ de uma her- 
dade no sitio da Ladeya^ quae vocatur Ra- 
bazal. 

Quando D. Affonso Henriques foi dar a 
gloriosa batalha do Campo d'Ourique (25 de 
julho de 1139) já Leiria, Ourem, Ega, Redi* 
nha, Soure, Pombal, Zêzere, Cardiga, Castel- 
lo d*Almourol^ Cera, Penella, esta villa do 
Rabaçal, e outras terras ao sul de Coimbra 
eram dominadas pelos portuguezes. 

Em 1111, o conde D. Henrique e sua mu- 
lher, a rainha D. Thereza, deram foral à vil- 
la de Soure, o que prova que já este terri- 
tório tinha sido resgatado do poder dos mou- 
ros; mas, pela doação que a mesma D. The- 
jreza fez, em 1128, da referida villa de Sou- 
re, aos eavalleiros do Templo, lhe dá todas 
ãs terras entre Coinibra e Leiria^ que então 
estavam despovoadas, porém ainda em poder 
Jos mouros. 

D. Affonso Henriques tomou Leiria em 
1135; Ourem em 1136, e em 1137 já deu fo- 
ral á villa de Penella; portanto, é incontes- 
tável que o Rabaçal foi resgatado em 1135. 

O primeiro foral d*e8ta villa, foi lhe dado 
pelos templários, em 2 de maio de 1222. < 



^ Existem bulias dos papas Honório Hl, 
Celestino lY, Alexandre IV e Urbano lY, 
<|ue eximiam da sujeição episcopal as egre- 
jas e castellos de Ega^ Redinha e Pombal, 
qae os templários haviam censtruido. 

Supprimida a ordem do Templo, foi o Ra- 
baçal transformado em uma commenda da 
ordem de Christo, e dada aos condes e se- 
nhores de Tentúgal (hoje duques do Cada- 
val) e era da correição do ouvidor de Ten- 
túgal, no tempo em que a villa possuia o 
magistrado d'esta denominação. Os condes 
de Tentúgal, eram também senhores da Pó- 
toa de Santa Chrístina, onde está o mosteiro 
que foi de franciscanos, fundado pelo leigo, 
frei João de Lamego, e com esmolas do in- 
fante D. Pedro, irmão do rei D. Duarte. 



Está impresso no tomo i.^ das Dissertaçõee 
chronologicas^ a pag. 271. 

O rei D. Manuel lhe deu foral novo, em 
Lisboa, a 18 de julho de 1514. {Livro de fa- 
raes novos da Extremadura^ fl. 72^ v. ool. i.*) 

A villa do Rabaçal está sobre a estrada 
velJuif de Coimbra para Lisboa, estendendo- 
se por uma planide amena e saudável 

Ainda que os seus arrabaldes sejam muito 
pedregosos, são todavia bastante alegres e 
férteis; e, como os terrenos d'esta (Ireguezia 
e immediatas são calcários, produzem gran- 
de colheita de cereaes e bom azeite. Também 
criam muito gado, e ha bastante caça. Ópti- 
mos queijos. 

Quando a villa do Rabaçal era cabeça de 
concelho, pertencia-lhe a villa do Pombali- 
nho, que fica 7 kilometros ao sul, e cujo 
priorado era do padroado dos frades ber- 
nardos do mosteiro de Ceiça, antes de o sw 
da universidade. 

Também aqui tinham muitos foros oscoa- 
des d* Almada, descendentes de D. Antão de 
Almada, um dos heroes de 1610. 

O concelho do Rabaçal era composto de 
cinco freguezias, com 1:200 fogos. Na sua 
snppressão passaram para o concelho de 
Soure, as freguezias de Pombalinho e Degra- 
das, e para o de Condeixa, as d'Alvorge^ 
Rabaçal e Zambujal. Por decreto de 27 de 
julho de 1853, passaram as freguezias de Al- 
vorge e Rabaçal para o concelho de Penella. 

Entre as fireguezias que formaram o aatí- 
go concelho do Rabaçal, está encravada a de 
Tapeus, que era do concelho do Pombal, já 
no districto administrativo de Leiria; e qotí, 
depois de muitas representações, passou pa* 
ra a comarca e concelho de Soure, no diatri- 
cto administrativo de Coimbra. 

Os moradores do Rabaçal, tinham antiga- 
mente o privilegio de não pagarem fintas» e 
seus gados podiam pastar livremente nas 
coutadas» sem serem obrigados a livramen- 
to ou coima, mas só pagavam o damno, ae 
o houvesse. 

RABAL— freguezia, Douro, concelho e oo* 
marca de Bragança, 5& kilometros ao N. de 



RAB 

Miranda do Douro, 500 ao N. de Lisboa^ 86 
fogos. Bm 1757 tinha 91 fogos. 

Orago S. Bartholomea, apostolo. 

A casa de Bragança apresentava o reitor, 
qae tinha 50^000 réis e'o pé â'altar. 

É terra pouco fértil, mas cria bastante 
gado de toda a qualidade, e nos seus mon- 
tes ha bastante caça. 

RABALHA, RABHALVA e RABEHABRA 
—medida antiga, de sólidos e liquides, da 
cidade do Porto. Diz-se que tomou este no- 
me^ da freguezia de Ramalde (subúrbios do 
Porto) onde primeiro foi usada. Acho mais 
provável que se ái^ses&e— medida do arra* 
balde, que simplificando-se e corrompendo- 
se, se chamou rabalha. Além d'isso, vé se 
em documentos do século xiv^ que esta me- 
dida era usada em outras muitas terras do 
reino. 

RABAS ou RABAZ— portuguez antigo — 
ladrão. Lobo rabaz, vem do latino lúpus ra- 
paz. Ainda hoje temos o substantivo rapa- 
cidade, que é da mesma origem. 

RABEL ou RABIL— portuguez antigo— o 
mesmo que arrabil, pequena rebeca, usada 
pelos pastores. Na nossa ilha da Boa- Vista 
(Gabo Verde) ha uma freguezia chamada 
Rabil, fica na costa. 

RABÍLLO — nome que se dá aos barcos 
que navegam no Douro; em razão deterem, 
em vez de leme, uma monstruosa espadella, 
que é uni madeiro em forma de remo, quasi 
fio comprido coino o mesmo barco. ' 

Os lemes ordinários nada fariam contra a 
corrente impetuosa d*este rio; e mesmo as- 
ãim^ nos pontos, 6 preciso que toda a tripu- 
lação (nos barcos maiores 14 e 16 homens) 
yl á espadella^ e nem sempre evitam um nau- 
frágio, pois todos 08 annos se despedaçam 
muitos barcos contra os rochedos que erri- 
çam o Douro. 

A ré d'estes barcos, ha uma espécie de va- 
randa (ima sete ou oito palmos mais alta do 
que o leito do barco) a que elles chamam 
pegada, d'onde sustentam a espadélla e go- 
vernam o barco. 

Da configuração doestes barcos, com a sua 
immensa espadélla, em forma de rabo, lhes 
veio o nome de rabillos, que é como se dis- 
sesse rabudosi 



bâb 



41 



O nome de rabéllos, foi^ com o tempo» 
passando aos tripulantes, e por fim aos ha- 
bitantes do Alto Douro. 

Os barcos rabéllos são os mais frágeis e 
desgraciosos de Portugal; qualquer pancada 
os faz em pedaços. A madeira do forro não 
é lavrada nem pintada, e as tábuas, são apé* 
nas sobrepostas umas ás outras. 

Por maiores que sejam, não teem senão 
uma vella^ mas esta é de proporç5es enor- 
mes. Os maiores barcos podem trazer 80 pi- 
pas cheias. 

Aos barcos do Deuro que não teem pega- 
da (mas todos teem espadélla) dão o nome 
de rodeiros. Estes são mais pequenos, e, or- 
dinariamente, servem para conduzir fructas» 
madeiras, carvão, lenha, carqueja, etc. 

Os barcos do Tejo e do Sado, que nave- 
gam em rios sem pedras, são muito mais só- 
lidos, cintados com grossas chapas de ferre, 
e fortemente encavemados. Ao mesmo tem- 
po são muito elegantes, pintados e aceiados. 
Os barqueiros é que não ficam a dever nada, 
quanto a grosseria^ aos dos barcos rabéllos. 

Em se concluindo o caminho de ferro do 
Douro, ninguém de certo se toma a querer 
arriscar aos perigos de uma viagem pelo 
rio, nem a mandar por elle as suas fazen- 
das, pára baixo ou para cima. 

Vide RebêUo. 

RABUD08 — Os portuguezes chamavam 
aos castelhanos rabudos; e estes, em desfor- 
ra, chamavam-nos judios. ^ 

Dois fundamentos tiveram os portuguezes 
para a alcunha de rabudos que impozeram 
aos hespanhoes : o primeiro foi a baíelhi que 
correu, de que a rainha D. Brites, mulher 
de D. Affonso III, nascera com rabot ^ 

Isto foi tão geralmente acreditado, que o 
nosso rei D. Sebastião, no l.« de agosto de 



1 Os francezes também chamam rabudos 
aos Ingiezes : isto, tomado de uma palavra 
equivocai que tanto pôde significar rabudo, 
como bizarro, guapo, ge^il, etc. 

' D. Brites, descendia, por sua mãe, dâ 
nobilíssima casa de Gusmão; e os hespanhoes 
diziam que muitos membros d'e8ta família, 
nasciam com rabo I Foram pois os nossos vi- 
sinhos que tiveram a culpa de lhe pormos a 
alcunha de rabudos. 



\ 



42 



RÂG 



1569, fez abrir todas as sepultaras dos reis 
qae estão sepultados em Aleobaça, sob pre- 
texto de ver o estado dos seus corpos^ mas, 
na verdade, só para se desenganar se a rai- 
nha D. Brites era rabada. Viu-se que era 
uma grande peta. O segando motivo foi por 
que a tal D. Brites foi que introdaziu em 
Portugal a moda hespanhola das coitas de 
rabo ou caudatas, trajo só usado pelas mulhe- 
res da familía real e pelas grandes senhoras. 
Gomo D. Brites usava dos taes vestidos de 
cauda, e os portuguezes nunca tinham visto 
semelhante cousa, entraram a dizer que a 
Irainha tinha rabo; e assim passou â poster 
ridade o falso testemunho, transformando-se 
o enfeite em defeito natural. Hoje, todas as 
senhoras portuguezas são rabndas; e quan* 
to maior fôr a cauda, mais elegância signi- 
fica. 

Em a4guns documentos antigos também se 
chamava letra rabuda, á gothica. 

RAGO—herdade, assim chamada, no Alem- 
tejo, freguezia do Cercal, comarca e conce- 
lho de Odemira (vol. 2.% pag. 241, col. 1.*). 

A herdade do Raco^ fica a 3 kiiometros da 
egreja do Cercal, e é situada à beira da es- 
trada que da freguezia vae a Odemira. É 
hoje apenas uma granja {monte, como alli 
lhe chamam) de pouca importância; mas, 
segundo a tradiçlo, foi uma colónia impor- 
tante fundada pelos phenicios, e depois ha- 
bitada pelos carthaginezes, e pelos romanos, 
que exploravam aqui abundantes minas d^ 
cobre, ferro e outros metaes; o que se pro- 
va pela grande copla de escorias que se vêem 
n^estas immediaçdes, e demonstra que esses 
metaes eram aqui mesmo fUndidos, para 
facilmente poderem ser transportados a ou- 
tras localidades. 

É um sitio ameho, aprazível e fértil, po- 
voado de frondosas arvores, principalmente 
vetustos e gigantescos castanheiros, alguns, 
talvez, contemporâneos dos romanos. 

Por muitas vezes se teem aqui achado se- 
pulturas, ossos humanos, armas, ferramen- 
tas e outros objectos antiquíssimos, alguns 
cujo uso e utilidade actualmente se ignora, 
e todos grandemente oxidados. 

Pelo grande numero de sepulturas que só 
teem encontrado, com seus vasos laorimatO' 



BÂI 

rios (de barro, de vidro, e até de prata) can* 
deias, amphoras, anneís, tijolos, telhas, bra- 
celetes, machados e ferros de lanças, de co- 
bre e ferro, vé-se qu^ era uma colónia moi* 
to populosa, e que os povos antigos aqui fi- 
zeram uma diuturna residência. 

O virtuoso e esclarecido bispo de Beja, 
D. Frei Manuel do Cenáculo Yillas Boas» 
aqui mandou fazer algumas escavaçoes^com 
bom resultado, e os objectos archeoiogicos 
então encontrados, se acham actualmente no 
museu de Évora. 

Quem percorrer os arrabaldes do Raco^ 
fica assombrado dos immensos trabalhos de 
exploração que se fizeram aqui, principal- 
mente nas serras da Aftno, e do Bosalgar. 
São obras verdadeiramente coUossaes, e cus- 
ta a compreender como homens com tio 
poucos meios dynamicos, e só á força do 
braços, levassem ao cabo, trabalhos tio es- 
tupendos, e que só vendo-se se pôde d'elles 
(Inzer Jdéa. 

Os serros que cercam a herdade do Raco^ 
estão todos minados, em differentes sentidos^ 
assemelhando-se a cidades subterrâneas. 

É provável que os árabes ampliassem as 
obras dos mineiros que os precederam. 

RADAR ou RODAR— (a vinha) portugnai 
antigo — também se dizia redrar e redor. 
Era cavar a vinha segunda vez. 

Hoje na Terra da Feira, em Arouca, Pai-^ 
va e outras terras, dá-se á segunda sacha do 
milho, o nome de arrendar^ evidentemenld 
corrupção de rodar. 

Vem do antigo portuguez rédray que al- 
gnificava defeza (redrar, o mesmo que am- 
parar, ou defender) e como na segunda cava 
se chegue a terra para o pé da videira (oa 
do milho) para o defender do sol, por isso 
se lhe chamou redrar, que se adulterou em 
radar, rodar, redar,e,poT úm, em arrendar^ 

RA6UA— rio, Traz-os-lontes, que nasce 
na Galliza, e entra na direita do Tua {já uni- 
do ao Rabaça, da mesma procedência) abai* 
xo de Yalle de Telhas. Vide Rabaça, rio* 

RAU ONDA ou RETMONDE -- firegn^zia^ 
Douro, comarca de Lousada, (foi da coinar- 
ea de Santo Thyrso), concelho de Paços de 
Ferreira, 25 kiiometros ao NEL do Porto» 
320 ao N. de Lisboa, 160 fogos. 



RAI 

Sm 1757 tioha i60 fog03. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Areebispado de Braga, dislricto a4Biiiii8- 
4ratiY0 do Porto. 

A mitra apresentava o abbade» que tinha 
350^000 réis de rendimento annaal. 

É a mais rica e fértil fregoeâa do oon- 
oelbo. 

Ha aqai nma capelia poblica» dedicada a 
Santo Amaro, e outra particular, da invo- 
cação de Jesus, Maria, José, na casa do Pi- 
nheiro, na aldeia de Parada. 

N'esta aldeia de Parada, nasce um regato 
anonymo, que recebe em Sanguinhaes outro 
regato (que vem de ao pé da capeila de San- 
to Amaro) formando então um ribeiro, que 
«fega e moe,e vaejuntar-se (próximo á quin- 
ta de Yillar, freguezia de Paços de Ferreira, 
abaixo da ponte do Sobrão) a outro que vem 
de Sao Fins de Ferreira. Estes ribeiros reu- 
nidos^ e jontos a outro que vem -da fregue- 
sia de S. Pedro de Ferreira, formam o rio 
Ferreira. 

Raymonda é nome . de mulher (Raymun- 
da); talvez que alguma assim chamada, fosse 
em tempos antigos, senhora d'esta í^goezia, 
e lhe impozesse o seu nome. 

RAIVA— portuguez antigo— infâmia, la- 
béu^ aleive^ nota, etc 

. RAIVA— aldeia. Douro, na freguesia de 
FaríQha Podre, no concelho de Pena Cova, 
leonarea de Coimbra, d*onde esta aldeia dista 
â5 kilometros. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

É situada á beira do Mondego, em logar 
iMistante agradável, 

É o termo ordinário da navegação do 
Mondego, no estio; mas no inverno, em 
quanto ha. abundância de aguas, vao os bur- 
acos até á Foz Dão, e d*aqui, em carros ou 
em cargas se conduzem os ol)jeetos de com- 
laermo, até ao centro da Beira Baixa, ao O. 
e B. da serra da Estrella. 

RAIVA— freguezia. Douro, conoelho a iO 
kilometros ao ONO. de CasteUo de .Paiva 
(villa de Sobrado^ que é a sua osgjiital), co- 
marca e 18 kilometros ao NO. da Arouca, 
35 ao E. do Porto 315 aoN. de Lisboa 370 



Ml 



43 



Em 1757 tinha apenas 79 fogos. 
Orago S. Joáo Baptista. 
Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Aveiro. ^ 

real padroado apresentava o abbade, 
que tinha mais de 6004»(X)0 réis de rendi- 
mento. (Tinha sido primeiro dos marquezea 
de Marialva). 

Está a freguezia situada na margem es- 
querda do Douro, do qual a egreja matris 
dista apenas uns 250 metros. 

É terreno muito aceidentado, com moniee 
de bastante elevação; mas em grande parte^ 
povoados de arvores silvestres, e as suas en- 
costas e valles são muito férteis em todos oa 
fiructos do noaso paiz. O seu clima é sobce- 
mode saudável. 

Tem seis capellas publicas : S. Dommgoi, 
na serra do seu nome; S. Lourenço, na ai* 
deia de Fnlgoso ; Nossa Senhora das Amoras^ 
na aldeia de Oliveira do Arda; uma na ai* 
deia de Seiradéllo, não sei de que santo ; e 
outra na de Gondarem, dedicada a S. Lou- 
renço ; e uma particular, de Nossa Senhonib 
ua casa do sr. Luiz Paulino Pereira Pinto 
d'Almeida, na aldeia de Mid5es. As doas ul- 
timas são muito próximas do Douro. 

A mais celebre ô a da Senhora das Ama- 
ras. (Vide Arda), 

É atravessada por vários ribeiros, e o rio 
Arda a divide» peio O., da freguezia de Pé- 
dorido. 

1 É uma d'aqueUas divisões absurdas e 
disparatadas que se observam em muitas 
terras de Portugal. Como vemos no texto, 
dista apenas 35 kilometros do Porto, viagem 
de três ou quatro horas, pelo Douro, e per- 
tence ao bispado de Lameffo, que lhe fica 60 
kilometros a E., e ao districto d'Aveiro, que 
lhe fica a 75 kilometros ao SC. não tendo 
para nenhuma d'estas duas cidades caminho 
de qualidade aljjpma ; pois os a que se dá 
este nome, não sao mais do qne uma sequen- 
cia de barrancos e precipícios, atravessando 
ribeiros caudalosos (sem pontes) e monta- 
nhas e brejos 1 Além d*i8So não tem esta fre*> 
guezia nem todo o eoneelho e a comarca, 
negócios alguns a tratar em Lamego e Avei- 
ro, senão os a que é obrigada pela sua de- 
pendência civil, administrativa ou ecclesías- 
tica; pois que todo o seu commereio Se faz 
eom a eidade do Porto, eem a qual está em 
simmunicação constante. > 



44 



RáM 



BâM 



IncontesUTelmeiíte é povoaçio muito an- 
tiga, e jà habitada pelos povos pre-histori- 
eos, do que ha claros vestígios, em varias 
mâmoas, no Monte Grandey e próximas ao 
logar de SerradéUo. 

Teem-se aqui aetiado objectos arcbeolo|^- 
^cos» como mós para moer cereaes^ manual- 
mente, colamnas toscas, fomos, ete. 

Também é certo que, de tempos remotis- 
aimos se exploraram por estes sitios varias 
minas de metal, que se nâo esgotaram, pois 
ainda algumas estão em lavra. (Vide Midões, 
aldeia. Douro, n*68ta freguezia). 

Pelo sr. visconde de Freixo foi descoberta 
uma mina de chumbo, nos sitios da Ribeira 
da Lomba e Fontella, em março de 1871, e 
da qual obteve diploma de descobridor legal, 
em maio de 1873. Peio mesmo tempo foi con- 
cedida outra de galena, ao sr. doutor Frede- 
rico Augusto Pereira Cabral de Yasconcel- 
loa, próximo á aldeia de Gondarem. 

Em maio de i877, foram considerados 
descobridores legaes das minas de chumbo 
argentifero do Baltidao e ribeiro da Gardu- 
nha (tudo n'esta freguezia) os srs. Miguel da 
GostaFaria e José Carneiro de Sampaioe Silva. 

Nâ aldeia de Pnigoso, passa a grande zona 
carbonífera de Pijão, que se explora no FôJo 
e am Pódorido. Vide CaUello de Paiva. 

Ha em diíferentes partes d'esta freguezia 
afloramentot metallicos, e muitas jutscentes 
de aguas ferruginosas, nenhuma das quaes 
foi ainda analysada. 

RAMADA —Minho. Na cidade de Braga. 
Diogo Jacome^ distincto fidalgo doeste reino, 
senhor da honra ^e Vimieiro, cavalleiro da 
casa real, etc, veio para Braga, em 1396, 
eom o seu parente, o arcebispo D. Martim 
Affonso Pires da Charneca, que o fez alcaide- 
mór d'£rvédo. Mandou-lhe» além d'isso, con- 
struir umas casas junto ao paço archiepisco- 
pai, as quaes erigiu em honra, sob o titulo 
de honra da Ramada, e que foi o primeiro 
solar dos Avellares. 

O arcebispo, D. Diogo de Sonsa, em 10 de 
abrB de 1009, por escriptura publica d'e8ta 
data, trocou a honra da Ramada, pelo casal 
d^Avellar. D*esta casa é actualmente repre- 
sentante, o sr. Francisca Jacome de Sousa 
Pereira de Yasconeallés. 



RAMADA ou RAMATA— portugnez anti- 
go — pesca qne se fazia com ramos, lanQan* 
do grande copia d*elles nos pegos mais pro- 
íúndos, para que o peixe, subindo das lapas 
e raizes, se acolhesse aos ramos, d'onde eram 
agarrados á mao. 

RAMALDE — freguezia. Douro, concelho 
de Bouças, comarca e 4 kilometros ao N. dí» 
Porto, 318 ao N. de Lisboa, 600 fogos 

Em 1757 tinha 407 fogos. 

Orago o Salvador. 

Bispado e distrícto administrativo d» 
Porto. 

As religiosas franciscanas do mosteiro de 
Santa Clara, do Porto, apresentavam o r^tor, 
que tinha 1804000 réis e o pé d'altar. 

É n'esta freguezia a (arnosa capella da 
Noisa Senhora da Hora ou das Sete Fontes, 
no sitio mesmo chamado Senhora da Horm» 
a cuja imagem se faz uma concorridissima 
romaria, em quinta feira da sua Ascençao. 

Ha sempre comboyos a preços reduzidos^ 
no dia,d'csta romaria, pela companhia dos 
caminhos de ferro da Povoa de Varzim, que 
tem uma estação mesmo no logar da Senho- 
ra da Hora. 

Fica perto do Carvalhido. 

Para se evitarem repetições, vide vol. 7.% 
pag. 411, col. l.« 

Ramalde é uma vasta, formosa, rics, sidia 
e fértil freguezia dos arrabaldes do Porto, • 
que muito tem prosperado n'estes ultioios 
tempos. Os habitantes dá cidade aqui íufíOk 
fjpequentes excursões, principalmente no ve- 
râo. Veem-se aqui muitas casas, de elegan- 
te apparencia; e as raparigas d*aqui (raméã-- 
deiratj sâo justamente tidas como muito for** 
mosas; vestem-se com muita elegância; são, 
em gerai, muito bem feitas, e os seus trajst 
aldeies são dos mais bonitos d'estes sitios. 

Tenho corrido Portugal todo por muitas 
vezes, 6 em parte nenhuma vi aldeanas lio 
gentilmente vestidas como nos arrabaldes do 
Porto, tanto ao sul, como ao norte do Douro. 

Ha também n*esta freguezia a capella de 
No9$a Senhora do Poito, na aldeia de Rls- 
quezende, fSazendo-se á Senhora, uma espleii* 
dida festa, a 15 de agosto de cada anno (dia 
da^sna Assumpçio). 

Em 7 de dezembro de 1836, foi feito haiOe 



BÂM 



RAM 



45 



de Ramalde, o sr. Christiano Nicolau Kopke. 

Tiéd Rabalha. 

RAMALHAL — fregaezía^ Extremadora, 
eomarca e concelho de Torres Vedras, 48 
kilometros ao N. de Lisboa, i60 fogos. 

Em 1757 tinha 106 fogos. 

Orago S. Lonrenço. 

Patriarehado e districto administrativo de 
Lisboa. 

OsT beneQciados da collegiada de S. Mi- 
gael, do Torres Vedras, apresentavam o ca- 
ra, que tinha 100 jOOO réis de rendimento. 

B* terra fértil em cereaes, óptimo vinho é 
algum azeite. 

RAMALHÃO (qainta do) — Extremadora, 
em Cintra. Foi antigamente paço e parque 
real^ construídos, o paço e a quinta, pela 
imperatriz-rainba, D. Carlota Joaquina, mu- 
flier de D. João VL Foi esta propriedade Jul- 
gada hens nacumaes, posta em praça, e ar- 
rematada pelo fallecido par do reino, José 
Isidoro Guedes, depois visconde de Valmor, 
que augmentou o palácio e a quinta, fazen- 
do-lhe grandes melhoramentos. Hoje é da 
-sua viuva. * 

£* um passeio muito frequentado por to- 
dos 08 touristes que visitam Cintra, e que 
keem bom gosto; porque, na verdade, a pro- 
priedade do Ramalhão é uma formosíssima 
vivenda. 

Havia aqtii, em uma capellinha^ um san- 
to, que o povo cria ser de carne e osso, e, 
é certo que^ atravez da vidraça que o guar- 
dava^ se via um formoso mancebo, que pa- 
recia estar dormindo. Diz-se, porém, que s2o 
06 ossos de S. Bento, cobertos de cera. 



congresso havia Jurado a constltui^Oy 

1 A 8r.« D. Amélia Augusta da Silva Li- 
ma, 1.* viscondessa de Valmór. e irman do 
actuai Juiz de direito do Redondo, o sr. Bea- 
to José da Silva Lima, casou em segundas 
núpcias, com o sr. José Joaquim Pmto da 
Silva, da eidade do Porto. 

José Isidoro Guedes, tinha sido feito vis- 
eonde, em doas vidas, em II de marco de 
1867, e como morreu sem filhos legitunos^ 
passou o titulo para seu sobrinho, o sr. 
Fausto de Queiroz Guedes» feito visconde de 
Tahndr, em It de janeir» de 1870. 



em 23 de setembro de 1822, e D. João VI e 
a corte, no l.^" de outubro. 

Convidada a rainha D. Carlota Joaqui- 
na para prestar o mesmo iuramento, em 
22 *de novembro^ recusa-se' obstinada- 
mente. As cortes exaiUoram a rainha, e 
a mandam sahir do reino (4 de dezembro). 
D. João VI saneciona este decreto t Mas a 
rainha^ não quiz obedecer a tão absurda sen- 
tença, allegando que estava doente. Foi en- 
tão desterrada para a sua quinta do Rama- 
lhão, onde seu filho, o senhor D. Miguel, a 
foi buscar, em Junho de 1823^ depois de ter 
facilmente vencido as tropas liberaes, em 
maio, na guerra chamada da poeira. ^ 

Quando a quadrupla nlliança obrigou a 
sahir de Portugal, pela convenção de Évora- 
Monte, o senhor D. Miguel I, tomou este 
príncipe, no estrangeiro, o titulo de conde 
do Ramalhão. 

RAMALHEIRA-Vide E5uro5n*âra. 

RAMALHOSO— Vide Portelta da Gaiva e 
BamalhosOf a pag. 25i, col. 1.* do 7.<' vo^ 
lume. 

RAKAZiO ou RAMAZ AM— Nome das duas 
únicas festas de obrigação, que teem os que 
seguem a religião de Mafoma. São moveis^ e 
no espaço de 33 annos, caem em todos os 
mezes do anuo, porque é lunar o anuo mus- 
sulmano. O primeiro ramazão, tem logar no 
dia primeiro da lua que segue à do ramazão 
—quaresma dos mahometanos. Esta festa» 
chamada bairão, dura trez dias, e asseme- 
Iha-se à paschoa dos judeus, e ao nosso en- 
trudo. Immolam cordeiros ou bois, e por is- 
so lhe chamam também aid el courban (fes- 
ta dos sacrificios). O pequeno bairatn (aid 
saghlr) tem logar no primeiro dia do mez 
de chawal, no fim dos Jejuns do ramazam. 
Vide Vairão. 

RAMELLA ou REMELLA— freguezía, Bei- 
ra Baixa, concelho e comarca da Guarda» 



1 Os portugnezes ainda n'esse tempo se 
não tinham transformado em duas alcateiaa 
de tigres, sedentos de sangue e camagem» 
eomo foram desde 1828 até 1836; pelo que 
na campanha da restauração, não houve 
mortos nem feridos : o aue ambos os partir 
dos fizeram foi muito po, e por isso se cha- 
mou á tal campanha, jnerra da poeira. 



46 



RAN 



d'(Mide dista 12 kiiometros, e 300 ao £. de 
Lisboa, 160 fogos. 

Em 17â7 tínba 73 fogos. 

Orago S. Pedro (Yolgarmente S. P^ro da 
Teixeira). 

Bispado e districto administrativo da 
Gaarda. 

A mitra apresentava o prior, qae tinha 
70f 0(X) réis de rendimento» e o pé d'altar. 

Cereaes, fructas, legumes, gado e caça. 

O nome d'esta fregnezia é árabe, e a pa- 
lavra ramel, que significa areal. (Chronica 
io rei D. Manuel, por Damião de Góes, par- 
Ce IV, cap. 57, pag. 552). 

RAMEZÂL— Vide Midões, aldeia, Dour5, 
na freguezia da Raiva, concelho do Castelio 
de Paiva. 

RAMmAO^Yide Casal-Vasco e Ramrão. 

RâMIRES--fregaezía, Beira Alta, comar- 
ca e concelho de Sinfaes (foi, até 24 de ou- 
tubro de 1855, do concelho de Ferreiros de 
Tendaes, comarca de Rezende), 18 kilome- 
tros ao O. de Lamego, 325 ao N. de Lisboa, 
60 fogos. Em 1757 tinha 45 fogos. 

Orago Santa Marinha. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Viseu. 

O abbade de Miumâes apresentava o cura, 
que tinha 12^000 réis de côngrua e o pé 
d'alur. 

E' povoação muito antiga, e ainda aqui se 
vêem os restos de um castelio, que se diz 
ler sido construído pelos godos. 

Ramires ò nome patronímico, significa, fi- 
lho ou descendente de Ramiro. (Vide, para 
o appellido Ramires, volume 1.% pag. 133, 
eol. l.«). 

E' terra fértil. Bom azeite, e óptimo vi- 
nho verde. 

RANA ou RÂNNA — Vide Domingos de 
Ranna (São). 

RANCORA, RANGOURA ou RANCURA — 
porlctguez antigo^quereila ou queixa, dada 
ao juiz da terra, contra alguém. 

ILàSm-^riáe Milhundos. 

RANOE— fregnezia^ Pouro, oomarcj^ e con- 
celho de Felgueiras (foi da comarca de Loa* 
aada, concelho de Barrosas), 36 kilometros 
ao NE. de Braga, 330 ao N. de Lisboa, 130 
fogos. 



RAN 

Eu i787 tinha 96 fogos. 

Orago S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo do Porto. 

O papa e a mitra, de Braga, apresentavaoa 
alternativamente o abbade, que tinha réis 
27OM0O de rendimento. 

É terra fértil. 

RANHADOS— villa. Beira Baixa, concelho 
da Meda, comarca de Villa Nova da Foz-Gda 
(foi da comarca e concelho da Meda, e em 
tempos mais antigos, foi da comarca de La* 
mego, e em 1810, era da comarca de Pinhel), 
45 kilometros de Lamego, próximo a Pene« 
dono, e 360 ao NE. de Lisboa, 200 fogos. 

Em 1757 tinha 240 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo da Guarda. 

O padroado real apresentava o reitor, qa« 
tinha 160M00 réis de rendimento. 

E' povoação muito antiga, e situada em 
alto. onde existem as ruínas de um vetusto 
castelio, cuja construcçao se attríbue aos 
godos. 

O seu primeiro foral lhe foi dado pelo rei 
D. Diniz, em Coimbra, a 26 de julho de 128& 
(LttTO 2. de Doações do rei D. Diniz, ú. 123; 
V., col. 2.*). 

O rei D. Manuel lhe deu novo foral, em 
Lisboa, a 29 de novembro de 1512. {Livr^ 
de foraes novos da Beira, fl. 31 v., col. 2.*). 

Era terra do infantado. 

Perto da villa, ha as aguas míneraes, a 
que chamam as Caldas. São stUphureas ke* 
patisadas, ou mineralisadas pelo gaz hyiro* 
génio sulphurado, e da mesma composição 
chymica das de Alcafache, S. Gemil e oa- 
uras. Teem (as de Ranhados) o grau de ca- 
lor, de 100 a 103 F., ou 33 Vi & 34 R. 

Applicam-se com bom successo» interna* 
mente, ou em banhos (segando a natureia 
das moléstias) nas paralysias, rfaeumatisinos» 
g6ta^ moléstias cutâneas; e em todos os ca* 
SOS em que sao úteis ais aguas gazosas oa 
salinas. 

E' tem fértil. 

RAMHADOS— villa, Beira Alta, comarca, 
concelho e próximo (ao sul) de Viseu, 28S 
kilometros «q N. de Lisboa, 260 fogos. 



. £m i757 pertencia á freguesia da Sé, de 
Visea. 

Qraga Nossa Senbojra 4a Oavi4a. 

Bispado e drâtríctoiadmimstratiTo de Vi- 
sou. 

m 

Não vem no Portugal Sacro e Profano^ 
porque, quando eala phraíoí j^ublicada, ain<> 
da não existia como parocbia independente. 

No Jogar do Olivai, ba uma 'formosa ca- 
pella» dedicada a Santa Eufemia, 4 qual se 
faz uma grande festa em setembro, qne é 
eoncorridissima, nao só por famílias das al- 
deias Tisioba?, mas, e principalmente pelas 
de Viseu; recebendo a Santa, na véspera e 
no dia da festa, muitas e valiosas offertas. 

No mesmo dia se. faz egual festa á referi- 
da Santa, na egreja dá. freguezia, e como os 
mordomos de uma e outra solemnidade an- 
dam picados^ capricham em ver qual das 
confrarias se dísiingue mais pelo esplendor 
da festa. Regularmente^ a rçin^aria da capei- 
la é mais concorrida. ,.^/ 

£m ambas as partes ba .música e fogo 
preso, na véspera, e no dia;. sermão, missa 
cantada,. procissão, edf.;^ , 

A ermida de Santa Eufemia, fica a uns 
800 metros ao E. da villa de Ranbados, e ó 
bastante antiga, como adiante se verá. 

Nossa Senbora da Ouvida (ou das. Neves^ 
òtt do Rosário^ con^o também a denominam) 
esteve primeiro n^ capèlla de Santa Eufe- 
mia, por tempo de mais de W annos. 

Em 1629^ se instituiu a irmandade de Nos- 
sa Senhora da Ouvida^ a^provada no mesmo 
anuo pelo doutor pròvisor, Manuel Leitão, 
mestre- escola da pathedral de Viseu, e go- 
iwmador do blspado.em seâe vacante^ 

Angmeiítou ^a devoção á Senhora,. è com 
dia o nnmerç^d^.jirmaos; pelo que estes re- 
solveram constiruírlhe casa piV>pria, mesmo 
DO logar de Ranhado^, o que se; Jtovou a-ef- 
feito, em 1656, sendo juj^, o padre Aotoni9 
Rodrigues, natural de Ranhadose mestre de 
gran^matica no seminário diocesano : e logp 
mesmo em 1656, foi transferida, em solem- 



. 1 Também .n!esta Ireguezía se faz;todQf os 
aiUios, a 24 áe juhhó, uma esplieaia^á festa 
a S. João. Baptista, que & sempre ^oncprrir 
díssima. 



|UN 



47 



ne procissão, a Senhora, .para a sua nova 
egreja, hoje matriz da freguezia. 

Este padre António Jlodrígues concorreu 
muito para a obra, não só com avultadas 
esmolas que deu do seu bolso, como das qua 
agenciou pelos seus amigos e conhecidos. 

Também foi o mesmo padre, que á sua 
custa comprou um chão a João de Carvalho^ 
para n*ene se edificar a egreja e suas de- 
pendências. 

A irmandade, constava no principio do sé- 
culo passado de 160 irmãos, e 25 irmana; 
donzellas. ou viuvas honestas. Cada irmão 
solteiro, tinha por seu fallecimento^ 60 mis* 
sas; os casados 40; e as mulheres 20. 

Tinha a irmandade um capelíão-, que era 
obrigado a dizer missa, todos os domingos 
e dias sanctifieados, pelos moradores do lo- 
gar, que eram os que lhe pagavam. 

Xinha mais pito capellães, irmãos, para 
dizerem as missas pelos que morriam, pagas 
pela irmandade. 

Os irmãos fallecidos tinham dois annton** 
sarios, por todos; o primeiro,. na 1.' sexta 
feira da quaresma; e o segundo, na 1.' sexta 
feira de setembro. 

Os irmãos seculares, eram obrigados a re- 
zarem, um rosário por cada irmão que mor- 
ria, e a acompanhal-o á sepultura, sob pena 
de meio tostão de multa. A mesma pena ti- 
nhaiQ, fal^udo no dia da festa, e o dobro, se 
faltassem aos anniversarios. 

Para o governo da irmandade, havia um 
reítorj ou juiz ; um escrivão; um thesourei- 
ro ; um apontador ; um mordomo e quatro 
deputados, de eleição annual. 

Os irmãos davam à entrada, 200 réis eoa 
dinheiro,, e uma vella de cera de meio arra«> 
tel, e annualmente 120 réis. 

No dia 8 de junho de 1876, falteceu ii6 
Rio de Janeiro (Brasil) o sul>dito português 
Francisco Rodrigues Loureiro, natural desta 
freguezis^ baptisado na egreja da Sé de Vh 
seu, e casado com D. Bernardina de Seúna 
jiOUJBeií:o. Deixou uma fortínua superior a 
500 eoatos de róis. 

. Deixou a«eus pães, em quanto vivos, TM 
réis diários, e mais o rendimento de 10 cem» 
tos de réis em apólices, para elles e para soi 



4è 



BAN 



filha Ibría, írman do testador^ e por morte 
dos trezy ficam, as apólices para os filhos do 
mesmo testador. 

Deixou 800^000 réis, em moeda forte, pa- 
ia reparos e melhoramentos da egreja de 
Banhados, e 50^000 réis para esmolas aos 
pohres. 

Deus lhe dará no cen, o premio d'estas 
boas obras. 

Esta TiUa de Ranhados, é muito antiga, 
mas ignora-se a data da sua fundação, e a 
origem ou etymologia do seu nome. 

r^o. Corpo chronologico^ parte 1% maço 
74, documento 48, existe a Inquirição^ e au- 
to, feito no 1.* de abril de 1518, para a in- 
stituição do seu foral, mas este não se che- 
gou a expedir. 

£' terra muito fértil. Gado e caça. 

BANHOADA— portuguez antigo— fressura 
de qualquer animal. 

RANS— Douro. Esta freguesia está ha 
muitos annos unida á de Cannas, e para não 
baverem repetições remelto o leitot para o 
Tolume 2.*, pag. 77, eol. 1.*. Aqui só accres- 
centarei mais : 

Em um manuscrípto, intitulado itfnnorta^ 
ffenealogicas, obra do doutor Manuel da Cu- 
nha Andrade e Sousa, se lé o seguinte : 

«Além de outros legares, deu o rei D. Af- 
lonso III, de Leão i, por motivo de serviços, 

^ D. Affonso III, de Leão, foi com justiça 
cognominado o Grande. Alcançou assignaja* 
das e gloriosas victorias eonira os mouros. 
Desde que subia ao throno, fortificou as pra- 
ças mais importantes dos seus reinos. Em 
Portugal, reedificou os castellos de Braga, 
Chaves e Yiseu; mas, quando os éhristãos, 
estavam occupados na reeonstrueçio doesta 
ultima praça, foram inopinadamente ataca- 
dos pelo kaUfa de Goraova, que a tomou, 
depois de uma heróica resistência; porém 
em breve D. Affonso o Grande entra em Por- 
tugal, resgau Yisetí, e leva as suas annas 
gloriosas até Coimbra. 

Construiu ou reedificou ainda mais cas- 
tellos, deu uma nova e mais regular organi- 
aação ao paiz, edificou ou reconstruiu vários 
templos, entre elles, a famosissima Sé de Se- 
^ittut, essa obra maravilhosa que ainda boje 
admiramos. 

Cançado de guerras e de outros incom- 
modos do seu reinado, dividiu os seus domi- 



BXN 

a seu parente mui pfokimo, D. Hermenegil- 
do, conde do Porto e de Tuy, o logar de 
Bordallo, em qúe está á honra de Barbosa, 
na era de 866. D'esta honra íbram senhores 
seus descendentes até 1420, em cujo anno a 
comprou D. João de Azevedo, bispo do Por- 
to, passando depois aòs Azevedos Atbaides» 
que hoje à conservam. 

O conde i). Hermenigildò teve por filhos, 
D. Guterre Mendes Árias, conde do Henni- 
nio e Gella Nova, e governador do Porto, e 
de todo o território desde esta cidade até â 
da Guarda; isto, pelos annos 924. 

De D. Hermenegildo foram filhos, o ceie* 
bre S. Rozendo, bispo de Dume— D. Affon- 
so Guterres — e D. Nuno Guterres, ambos 
condes de Cella Nova— Santa Adozinda, ab* 
bádessa—e D. Paterna. 

De D. Nuno Guterres foram filhos, D. San- 
cho Nunes de Barbosa, que foi o primeiro 
que se appellidoú de Barbosa — e o conde 
D. Gomes Nunes. 

I>e D. Sancho Nunes de Barbosa foi filho 
D. Pedro Nunes de Barboâa, rico-homem de 
D. Affonso IL E foi filho d'este, D. Hartiol 
Pires de Barbosa, rico-homém de D. Affon- 
so in, e que foi morto no logar de Marran- 
cos, terkno da Porlella das Cabras, próximo 
á raia de Gallíza. (Vide a segunda Portella, 
da col. 1.*, de pag. 244^ no 7.* volume). 

A quinta de Marrancos era 
muito antiga n'esta familia, e 
por sentença do 1.* de abril 
de 1637J ' se julgou ser solar 
d'ella. 

Foi filho de D. Hartim Pire^ e de sua mu- 
lher, D. Mór Ayres, Pedro Fernandes de Bar- 
bosa, vassallo de D. Affonso IV, e seu com- 
panheiro na gloriosa batalha do Sallado (30 
de outubro de 1340). 

Pedro Fernandes de Barbosa^ casou com 
D. Châmoa (ou Chama) Martins, filha de 
Martim Martins de Abonm e de sua mulher 
D. Alda Esteves, senhora do couto de Braa« 
dára, e da casa de Àbortm, onde fizeram sea 
solar. 

nios pelos seus dois fijbos, dando a D. Or* 
donho n, Portugal e Galllza, e a D. Garcia» 
Leão e Castella; terminando seus dias no 
remanso da paz. 



i 



MP 

A caM solarenga d'Áborim, 
é na freguezia de S. Martinho 
â'Aboriin, eniào annexa à de 
Santa Blaria de Qnintí4^s; mas 
hoje independente» e da co- 
marca e concelho de Barcellos. 

D'este matrimonio foi filhp» Gonçalo Fer- 
nandes. de Barbosa, que herdoa a ca^a de 
seus pães. 

Foi um militar distincto peio seu valor e 
patriotismo. Tomou o partido do Mestre de 
Aviz, ao qaal se apresentou com 20 soldados 
de cavallo, armados â soa casta, e com elies 
combateu arrojadamente, na gloriosa bata- 
lha de Aljaharrpta, em uma segunda feira» 
14 de agosto de 1385. . 

Foi seu neto, Álvaro de Barbosa, que com 
sua mulher (d*est«0 D* Maria Gonçalves Ma- 
ciel, instituíram o morgado d*Aboriip, em 
1472, 52 annos depois de vendida a antiga 
honra de Barbqsa, em S. Miguei.de Rans. 

D'esta honra são hoje possuidoras, os her? 
deiros (filhos) de D. Miguel Vaz Guedes de 
Athaide Azevedo Brito Malafaia., Vide Bar^ 
basa, Canas e Rans. 

RAVNA— Vide S. D<mingo8 de Rana^ 

RAP A— fregnezia, Beira Baixa, comarca e 
concelho de Gejipríeo da Beira, 12 kilome- 
tros da Guarda, 315 ao E. de Lisboa, 9.0 
fogos. 

Em 1757 tinha 64 fogos. 

Orago Santo André, apostolo. 

Bispado e districto administrativo da 
Guarda. 

A mitra apresentava o prior, que tinha 
60 jOOO réis e o pé d'altar. 

Muito gado e caça; do mais, pouco. 

RAPA VELHA— um dos pontos do Douro 
(7.** volume, pag* 1^99, col. í.*) K 

Fica a 6 kilomeiros do ^gar de Linhares, 
termo da villa (rapsmontana de Anciães. A 
uns 3 kilometros do dito logar, e a 15 me- 
tros do rio Dourq„.pro^mo do Cachoo. da 
Rapa, está um grande i;<^cbedo,. que se des- 
penha para o rio, ^ sobre o rochedo, um pe- 



1 Nao se coolanda com o ponío da Bapa, 
que é muito mais abaixo, e em flreate do con* 
celho de Rezende. 



RAP 



49 



nedo de 6^60 de alto, e da forma de um 
tonel. 

Tinha uma inscrlpçao antiquíssima, que, 
por gast^, se nao pôde ler. 

Pelos annos de 1720, José Macedo Rosales, 
de S. João da Pesqueira, mandou seu irmão, 
António Rosales de Carvalho, morador no 
logar de Nogarélho, que fica próximo do re* 
ferido penedo, que o fosse examinar. Eis» 
em resumo, o que informou Carvalho. 

Entre o Cachão da Rapa e a Pesqueira do 
Marulho, no termo d' Anciães, comarca da 
Torre de Moncorvo, está um grande penedo» 
próximo da corrente do rio, mas onde não 
chegam as aguas d'elle. 

Segundo a tradição, ao fundo d*este pene- 
do havia uma entrada para uma gruta, cujo 
centro ainda ninguém se atreveu a investi- 
gar. 

Diz-se que, querendo um clérigo de Li- 
nhares examinal-a, sahiu d'ella mudo, nao 
tornando a recobrar a falia, e nem por es- 
cripto disse o que lá dentro viu. 

Já se não vé a tal gruta, mas \^-se o sitio 
onde, pelos annos 1705, entraram uns desco- 
nhecidos, com picões, alavancas e outros in- 
strumentos, e convidando operários do logar 
de Nogaréllo (aos qnaes pagaram generosa- 
mente) para os ajudar, romperam a grutii» 
e consta que levaram uma grande cruz de 
prata e outros ob]ecV)8 de valor. 

Diz-se que no verão mana das fendas does- 
te rochedo um betume, semelhante a pe- 
tróleo. 

Ao ftmdo do penedo, da parte que olha pa- 
ra o DourOy existe um portal, que parece 
obra da natureza, e dá entrada para uma 
grande sala, com assentos em redor» e no 
meio uma grande meza, tudo de pedra. N*eB- 
ta sala ha uma porta, que provavelmente 
conduz a outras interiores, que ninguém 
tem querido examinar. 

Consta que o padre Domin- 
gos Mendes, na manhã de & 
João, do anno de 1678, com so- 
brepeliz e estola, pretendea 
penetrar n*estas concavidsdes^ 
em busca de thesonros encan- 
tados ; mas que, entrando na 
segunda sala» sentia um chei« 



50 



RAP 



ro tâo pestilentê, e teve tal me- 
do, qae fagia tremendo, e fi- 
cou mentecapto o resto de seus 
dias, que foram poucos. Tam» 
bem se diz que pouco depois 
de sahir d*este antro, lhe ca- 
hiram todos os dentes. 

Tudo isto consta de um re* 

latorio que António de Sousa' 

Pinto e o reitor João Pinto de 

Moraes, mandaram á academia 

real das scieneías; mas pare- 

ce-me que isto é outra versão 

da historia do cUrigo de Unha' 

res, contada por António Ro- 

sales de Carvalho. 

A esta penha ainda o povo chama o pene* 

do das letras, ailudindo á mencionada in- 

scripçao. 

RAPOILA ou RAPOULA— freguezia. Bei- 
ra Baixa, (no Riba-C6a), comarca e conce- 
lho do Sabugal, 24 l^ilometros ao SO. da 
Guarda, 300 a E. de Lisboa, 70 fogos. 
Em i757 tinha 69 fogos. 
Orago Santa Maria Magdalena. 
Bispado e distrícto administrativo dá 
Guarda. 

Foi antigaAiente da comarca de Gastello 
Branco, que lhe fica 75 Icilometros ao N. 

Dá' se vulgarmente a esta freguezia a de- 
nominação de RapoU»do Côa. 

O vigário de Santa Maria, da villa do Tou- 
ro, apresentava o cura, que tinha 7il500 réis 
de côngrua e o pé d'altar. 

Ma margem O. do rio Côa, e á raiz do um 
pequeno monte, distante 3 kilometros da po- 
voação, nascem trez manaiíciaes dè aguasul- 
phurea, cujo cheiro se conhece a mais de 60 
metros de distancia. É limpida e transparen- 
te, e de sabor enjoativo e algum tanto amar- 
go. Deposita na sua passagem um lodo ama- 
rellado, que, depois de secco e lançado*no 
fogo, arde com chamma, espalhando um 
cheiro suíTocante a enxofre. I^as nascentes, 
Téem-se estalar na superGcie, muitos bolhões 
de gaz. A temperatura doestas aguas, na nas- 
cente, é de 94 a 100 gr. P., ou 27 V4 a 30 Vs 
de R. 

fi mineralisada pelo gaz hydrogenio sul- 



RAÍ» 

phurado, e contém substaácías salinas^ taes 
como muriatos de soda e caleareo, e algum 
de magnezia. Nao tem ferro, nem outra ai* 
guma substancia metallica. 

Dão a eistas aguas o nome de Caldas da 
Ribeira de Boi. 

' Não ha aqui nenhuma cominodidadepara 
que os doentes possam tomar banhos. Ape* 
nas existe uma pequena pia de pedra, onde 
os pobres se banham, sem o minimo res- 
guardo, pois' nem uma insignificante chou- 
pana alli se vé. 

RAPOZA-- freguezia, Estremadura (ao S. 
do Tejo), concelho de Almeirim, comarca da 
Chamusca^ 95 kilometros ao NB. de^ Lisboa^ 
i8 ao SE. de Santarém, 80 fogos. 

Em 1757 tinha (^ fogos. 

Orago Santo António, de Lisboa. 

Patriarchado de Lisboa, districto adminis- 
trativo de Santarém. 

Os descendentes de Luiz Affònso de Mes- 
quita, apresentavam o vigário, coUado, que 
tinha 1501000 réis de rendihiento. 
' Terra muito fértil em cereaes. Algum vi- 
nho e azeite. 

RAPOSEIRA— fregaezía, Algarve, conce- 
lho e 3 kilometros ao O. da Yílla do Bispo, 
comarca de Lagos, 60 kilometros de Faro> 
215 ao S. de Lisboa, 160 fogos. 

Bm 1757 tinha 62 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Encarnação. 

Bispado do Algarve, diistricto administra- 
tivo de Faro. 

A mitra apresentava o cura, que tinha trez 
moios de trigo de rendimento. 

A esta freguezia está, ha muitos anno^ 
unida a da Carrapateira. (Yol. 2.% pag. 118^ 
col. 1.-). 

Disse alli que o concelho de 
Villa do Bispo batia sido sup- 
primido em 1855, é engano, 
ainda existe. 

E* uma aldeia pequena e pobre. 

Na madhi do dia l."" de novembro de 
1755, tinha 90 fogos, e d'ahi a poucos mo* 
mentos apenas 13 casas ficaram de pé, pois 
que o terramoto d'esse dia, derrubou 77 1 
D'ahí a' dois annos, 49 casas haviam sido 
reconstruídas. 

Esta freguezia está situada em um baixo ^ 



BÂR 



RÂR 



51 



bastante abafado^ e cortado pela ribeira da 
Bapozeira, que morre oo barranco de Bena- 
çaitão. 

BeDaçoitào é corrupção do 
árabe Ben-Zaatamy (nome pró- 
prio de homem) significa des- 
cendente de Zaatam. 

E' terra doentia, em razão das aguas es- 
tagnadas em que abunda. 

Próximo da povoação, ba um antigo e bom 
chafariz, de pedra, onde a agua é em gran- 
de abundância e de boa qualidade. Os seus 
remanescentes regam a horta da Rapozeira. 

A egreja matriz é pequena mas bonita. 

Esta freguezia, a da Carrapateira e a de 
Sagres, estiveram algum tempo imidas á da 
Yilla do Bispo. 

Como ha muitas aguas, o terreno da fre- 
guezia é muito fértil. 

Entre a Bapozeira e a aldeia da Figueira 
está a egreja de Nossa Senhora de Guada- 
lupe, muito antiga, e que consta ter sido dos 
templários. Esta egreja e umas casas que lhe 
ficam próximas, nada soffreram com o refe- 
rido terramoto, o que o povo attribuiu a mi- 
lagre da Senhora. 

RARÁPIA — antiga cidade da Lusitânia. 
E' hoje a pequena villa do Castello, que foi 
capital do antigo concelho de Ferreira de 
Aves, hoje supprimido. 

A pag. 171, col. 2.* do 3.<> volume, traun- 
do de Ferreira d' Aves, disse que era povoa- 
ção antiquíssima, provavelmente do tempo 
dos romanos. Confirmando esta minha as- 
serção, o rev.** sr. Luiz Augusto da Fonse- 
ca Almeida e Campos, digno e illustrado ab- 
bade coUado da freguezia do Castello de Fer- 
reira d*Ave8, teve a bondade de me mandar 
as seguintes informações, que eu cordeal- 
mente lhe agradeço. 

Porque não farão o mesmo, 
todos os senhores parochos, a 
quem tão humilde e encareci- 
damente tenho pedido esclare- 
cimentos sobre as suas paro- 
ehias? 

Pois deviam-o fazer; porque 
esta obra não é de um partido, 
é de todos os portuguezes, e já 



que quasi nenliumas camarás ^ 
se importaram com os Annaes 
dos seus respectivos municí- 
pios^ que o governo tanto lhes 
recommendou, ao mepos, era 
bom que tudo ficasse consi- 
gnado no Portugal Antigo e 
Moderno. 
Diz pois o referido sr. abbade de Ferreira 
d'Aves : 

c Entre os rios Paiva e Vouga está situado 
o antigo concelho de Ferreira d' Aves, hoje 
supprimido, não ficando mais do que o seu 
nome na freguezia de Ferreira d*Aves. 

Era capital do concelho, e o é hoje da fre- 
guezia, a villa do Castello, assim chamada, 
por constar que no tempo do famoso Viria- 
to, o Hermínio, havia n'ella um castello, ca* 
ja pedra serviu, passados séculos, para a 
construcção da actual egreja matriz. Assim 
o afilrma Braz Garcia Mascarenhas, no seu 
Viriato Trágico, canto 5.«. . 

N^essa época, tinha a villa do Castello o 
nome de Rarápia^ com foros de cidade; o 
que o mesmo Braz Garcia assevera, dizendo 
que no ánno de. 145, antes de Jesus Chrísto, 
ganhando Viriato a batalha por elle dada 
contra o pretor romano Cayo^ fora o bravo 
lusitano descançar e receber os parabéns, 
para a sua cidade de Raràpia. 

Este nome (Rarápia) se deriva do latino 
Rara pietas, alludindo à rara piedade, de Vi- 
riato, para com a deusa Vaccuna ', celebra* 
da por Ovidio, no livro 6.<* dos seus Fastos. 
Náo se sabe quando esta antiquissima ci- 
dade perdeu o seu nome de Rarápia, talvez 
fosse no principio áq século viii^ quando oa 
mouros invadiram a Lusitânia. É certo que 

^ Que me conste, só a camará de S. Thia- 
go de Cacem, mandou escrever os seus An** 
naes do Muntcipio, pelo esclarecido sr. padre 
António de Macedo e Silva. 

^ Mascarenhas commette aqui um peque- 
no anachronismo. Viriato venceu o pretor 
Cayo Plaucio, no annò do mundo 3852, que 
corresponde ao de 152 antes de Jesus Chrís- 
to ; e derrotou o pretor Cayo Negidio, no an- 
uo do mundo 3800, ou 144 antes de Jesus 
Chrjsto. 

3 E^ provavelmente, também ao deus dos 
lusitanos Endovelico (Cdpido). 



511 



RÂR 



no anno iSOO de Jesus Christo, já tinha o 
nome de Ferraria (em portugaez, Ferreira) 
.como consta do tombo das religiosas bene- 
dictinaSy de Ferreira. 

O mesmo nome se vé a 11. 46 v., do mes- 
mo ton^bo, onde está copiado o testamento 
do i."* bispo da Guarda, D. Martinho Paes^ 
natural d*esta villa do Gastello de Ferreira 
d'Ayes, e íallecido em Roma, a 12 de novem- 
bro de 1228. N'este testamento se lè^Boves 
quos hebeo tn Ferraria. 

Ainda em 24 de fevereiro de 1284 conser- 
vava o nome de Ferraria, na occasião em 
que se procedeu á divisão das rendas, entre 
o bispo de Viseu, D. Nicolau, e seus cóne- 
gos, ficando estes com a tei^ parte dos dí- 
zimos de Ferraria. 

Plinio àiz—Ferraria didtur a feracUate 
fmi. Eis d'onde vem o nome de Ferreira 
(abundante de minas de ferro). 

Esta freguezia confina ao E., com o con- 
' celho de Aguiar da Beira— ao S. com o de 
Satan (onde hoje pertence esta freguezia)— 
ao SO.^ com o de Viseu— e ao N., com o ex- 
tincto concelho de Caria e Rua (ou Caria e 
Lapa). 

A freguezia de Ferreira d*Aves^ constando 
de varias povoações e quintas, contém 803 
fogos, e 3:363 almas. 

. Foi senhor donatário d'este concelho, D. 
Nuno Caetano Alvares Pereira de Mello, du- 
qc^ do Cadaval, conde de Tentúgal e mar- 
quez de Ferreira; titulo este, que foi dado 
ao seu progenitor, D. Rodrigo de Mello, con- 
de de Tentúgal, por D. João lU, em 1550. 
(Vide Tentúgal). 

Eram os marquezes de Ferreira os pa- 
droeiros da víUa d*este nome. 

O primeiro senhor de Ferreura d*Aves, foi 
Ruy Pires, cujo senhorio lhe deu a rainha 
D. Thereza, viuva do conde D. Henrique, 
pelos annos de 1126. Foi Ruy Pires também 
o primeiro que usou do appellido de Fer- 
reira. 

D. Thereza lhe deu por armas— em cam- 
po Terde, quatro faxas de ouro, e por tim- 
bre um abestruz, com mna ferradura de ou- 
ro no bico. 

Ha em Ferreira dois mosteiros— o de frei- 
ras benedictinas, ainda povoado — e o de 



frades capuchos da Goneeiçio^ soppitafr» > 
do.» 
Até aqui, o sr. abbade de Ferreira. 

A pag. 171, eol. 2.", do 3.* volume, dkoe 
eu que em frrate de Ferreira, na mat^gem 
esquerda do Vouga, ficava VUla Bei. 

O referido sr. abbade, a quem devo as ca* 
riosas noticias de Rarápia, diz-me que nio 
pôde afl&rmar ou negar a existência de tal 
VlUa Rei; mas que lhe parece que naiMa 
existiu alli povoação com tal nome. 

O sr. Francisco Cabral Paes, da vilia da 
Rua, diz-me também terminantemente, qne 
tal povoação de Villa Rei, nunca existiu por 
estes sitios. 

Os meus leitores teem visto a franqoAa 
com que sempre tenho rectificado os eiro^ 
que más informaçdes, ou enganos de esoi- 
ptores antigos, me tem feito commelter; maà» 
n'este ponto, não dou a mao á palmatória tão 
facibnente; porque, o que disse, foi ftmdaite 
na auctoridade do nosso grande investiga- 
dor, frei Joaquim de Santa Rosa de Viterba^ 
e em outros escriptores dignos de credita. 

Os dois cavalheiros a que me refiro, leMi 
razão. Nâo existe actualmente, em frente da 
freguezia de Ferreira d* Aves, povoação al« 
guma com o nome de Villa Rei ; mas islã 
não prova a sua não existência em outrM * 
eras^ ou que não se lhe tenha mudado o no* 
me : o que prova é que nenhum dos contem*, 
poraneos tem noticia de haver na mai^am 
opposta do Vouga uma povoação chamada 
Villa Rei, que, ou deixou de existir, ou foi 
chrisfMda. 

O que é certo, é que, em 1317, Villa Rei 
formava parte do concelho de Ferreira de 
Aves, e que o rei D. Manuel, constituiu dois' 
concelhos independentes, um em Ferreira 
outro em Villa Rei. Já se vé que esta ultima 
villa ainda existia no principio do século xvi. 
' Diz o referido sr. abbade, que talvez seja 
erro de copia, e que chamaram Villa Rei a . 
uma aldeia da freguezia de Ferreira, cha«> 
mada villa da Ribeira, na margem direita 
do Vouga. Mas Viterbo diz positivameota 
que era uma villa (e não aldeia) soln-e amar* 
gem esquerda do Vouga, 

Notemos que Viterbo foi religioso capor 



RAS 



RAS 



53 



€lio, no eonvento âe Ferreira; que aqui vi- 
yeu muitos annos; aqui escreveu o seu Elu- 
cidário (onde falia na tal Yilla Rei) e que^ 
finalmente, aqui falleceu. Custa-me a acre- 
ditar qneumeseriptor tao escrupuloso, e 
sempre tão exacto, faltasse assim á verdade 
«m uma cousa tão sua conhecida. 

Actualmente, na margem esquerda do 
Vouga, em frente de Ferreira d* Aves, são as 
pequenas freguezias de Decermillo (ou Ser- 
o^llo), Romans, ?iHa Louga t, e Mioma, to- 
das do concelho de Satan. 

RASCAM— portuguez antigo^ escudeiro, 
pagem, ereado grave. 

RASGAR— portuguez antigo— dar vozes, 
gritar sobre alguém, ou aqui d^el-rei contra 
F. Vide Cartíêl. 

RASGOA— portuguez antigo— creada gra- 
ve, aia de senhoras. 

RASO— portuguez antigo— humilde, po- 
bre, abatido, desherdado dos bens da fortu- 
na, plebeu. lyaqui vem soldado raso, o pos- 
to mais inferior da milicia. 

RA8TÊLL0— nome antigo do local onde 
depois se construiu o famoso templo dos 
monges de S. Jeronymo, de Beletn, e onde 
agora se admira, junto i egreja, e ao O. 
â*eila, o formosíssimo edifleio da casa pia, 
em eonstrucção, e que, antes de poucos an- 
Dos, será um dos mais bellos de Portugal. 
(Vide Belém tJeronymos,) 

Ao que disse de Belém, a pag. 368, col. 2.', 
do 1.* volume, e na palavra Jeronymos, na 
col. 2.* da pag. 409, do 3.« volume, accres- 
cento mais o seguinte: 

O escKarecido archeologo e engenheiro cl- 
y% o sr. Joaquim Possidonio Narciso da Sil- 
va^ achou em março de i875, oeculto pelos 
d^p^us* do púlpito moderno, e no pilar do 
cruzeiro da egreja de Bêlem, um medalhão 
com o busto de Boutaca, architecto d*este 
dtunptuoso monumento. 
' O sr. Silva afflrma que Boutaca era por- 
tuguez, apesar do seu nome hespanhol, ou 
italiano. Segundo o sr. Silva, este architecto 

< Quem sabe se a actual Villa Longa, se- 
rá a antiga Villa Rsif 

Voi^uiiB vni 



militou na Africa, onde foi armado cavallei* 
ro, em 1471, na praça d'ArziIIa, pelo conde' 
de Borba. Depois, estudou na Itália, e no sen 
regresso a Portugal, é que o rei D. Manuel 
o encarregou de construir a egreja e mos- 
teiro de Belém. Que este monarcha premiou 
Boutaca, em 1505, com o fofo de fidalgo ea- 
valleiro. — 

Fernão Lopes ds Castanheda, natural de 
Santarém, e um dos companheiros de Vasco 
da Gama, priacipia assim a sua Historia do 
descobrimento e conquista da índia, peloã 
portuffuezes: 

«Partimos do Rastello hum sábado, que 
eram oito dias do mezfde Julho, da dita era 
de 1497, nosso caminho, que Deos nosso Se* 
nhor leixe acabar emSseu descanço. Amen.» 

N'este mesmo dia, na ermida de Nossa Se- 
nhora do RastéUo, fundação do immortal in* 
fante D. Henrique, se disse missa e fizeram 
oraç5es, implorando à Santíssima Virgem a 
sua protecção, para a feliz viagem e bom 
successo d*elia, no meio de um concurso- 
enorme de povo, de todas as condições e ge* 
rarchias. 

Animados coin a esperança no patrocínio 
da Virgem dos Navegantes, se partiu o gran* 
de Vasco]da Gama, acompanhado de seu ir- 
mão Paulo da Gama, de Nicolau Coelho, e 
outros intrépidos capitães, e nautas deste- 
midos, no meio das orações, bênçãos e la- 
grimas de muitos milhares de portuguezes 
que assistiam à partida: 

Hiam aquelles novos argonautas empre- 
hender a solução de; um ^importantíssimo 
problema geographico e marítimo, qual, a 
passagem do Cabo das]Tormentas (desde en- 
tão Cabo da Boa Esperança) que o audaz 
navegante Bartholomeu|Dias suppunha im- 
praticável. 

E Deus protegeu Vasco da Gama e os 
seus, que, não só passaram além do temível 
promontório, mas descobriram o caminho 
marítimo para esseJEIdorado que se chama 
índia, e deram depois aolreino^de Portugal, 
por vassallos, trinta e seis soberanos asiáti- 
cos, alguns poderosíssimos. ^ 

Vasco da Gama,*^. dobrou o Cabo da Boa 
Esperança, a 20 de novembro,tfazendo a sua 
entrada nos mares da lAdia. . 



54 



RAS 



A 10 de julho de 1499, cbega a Lbboa a 
notícia da descoberta da índia, e a 29 do 
mesmo mez, entra gloriosamente no Tejo o 
immortal Vasco da Gama, de volta da soa 
expedição^ ama das maiores e mais audazes 
emprezas dos tempos modernos. 

O rei premiou os portentosos serviços de 
Vasco da Gama, com o pronome de Dam^ e 
com o habito de Christo, para elle e seus 
lierdeirosf (Bons tempos eram esses, em 
que o dom e o habito de Christo se julga- 
ram premio sufficiente para tão grandes ía- 
fanhas...) 

A viagem de Vasco da Gama deu também 
cansa á descoberta das índias Occidentaes^ 
como antigamente se denominava a Ameri- 
ca; pois que, mandando o rei D. Uannel a 
Pedro Alvares Cabral, com 13 naus, em de- 
manda da índia, em 1^00, um furioso tem- 
poral o obrigou a correr para O., e assim 
descobriu as costas do Brasil,, a 25 de abril; 
ao mesmo tempo em que úm dos seus capi- 
tães (Gaspar Corte Real) descobre a Terra 
Jfooa. 

TTeste mesmo anno principia a fundação 
do mosteiro de Belém. 

Em vista de tantas prosperidades, D. Ma- 
nuel, em 1501, toma os títulos de Senhor da 
Navegação^ Conquista e Commercio, da Elhio- 
.^to, Arábia, Pérsia e Índia. 

N'es8e mesmo anno de 1501, João dá Nova, 
indo em viagem para a índia, descobre a ilha 
da Ascenção, e derrota a poderosa armada 
do rei de Calecut Foi a primeira victoria 
naval dos portuguezes nos mares asiatícos. 

No anno seguinte^ 1502, D. Vasco da Ga- 
ma, nomeado grSo-almiranie^ toma á índia, 
com uma esquadra de 20 naus. Derrota o 
lei de Quilôa, e faz tributários de Portuga], 
Tarios reis indianos. 

D. Vasco da Gama, chega ao Tejo, de vol- 
ta da sua segunda viagem â índia, no 1.* de 
setembro de 1503, trazendo o primeiro uri- 
Imto que a Portugal pagaram os reis d*e8ta 
parte da Ásia. 

Na sua terceira viagem â índia, o grande 
D. Vasco da Gama fallece em Cochim, em 
1IÍ24; mas não morreu o seu nome glorioso, 
a fama dos seus feitos sobrehumanos. 

J<oi em cumprimento de uma promessa á 



RAT 

Santíssima Vii^em, que o rerD. Manoel fun* 
dou o maravilhoso mosteiro dos Jeronymos^ 
esse sumptuoso monumento que attesta â 
posteridade, o valor, a abnegação e o pátrio-^ 
tismo dos nossos antepassados. 



^ t 



Foi ao real mosteiro de Belém, que o rai 
D. Manuel deu a íámosa Bíblia, em 7 volu- 
mes» manuscripto em pergaminho, com vi'» 
nhetas e allegorlas, primorosamente colori- 
das e douradas, e que é a nossa maior pre- 
ciosidade bibliographica. 

O Ímpio Junot a roubou, em 1807, levan* 
do-a para a França, em setembro de 1808^ 
junta a grande numero de outros ojijactoa 
de grande valor, que havia roubado em Por- 
tugal. Só depois da restauração, é que, em 
1816, se conseguiu que o rei Luiz XVUI» 
mandasse aos herdeiros de Junot entregar 
ao nosso embaixador, a Bíblia (incomplecal) 
pelo resgate de 40:000 francos (7:600^00 
réis) que tívemos de entregar aos possuido- 
res do roubo! 

Havia ainda na livraria d'este mosteiro» 
um riquíssimo Breviário, por onde rezava a 
rainha D. Catharina, mulher de D. João m, 
e umas Horas Canónicas, pelas quaes se dia 
fazia a sua reza o malogrado rei D. Sebaa- 
tião. Vide Belém e Jèron^fmos, 

RATA (ponte da) — Douro^ no concelho» 
comarca, bispado, districto administratívo e 
14 kilometros ao ESE. de Aveiro, está a fko- 
gueça de £írol, sobre a margem esquerda 
do rio Vouga. 

É n*esta freguezía e próximo da confluen- 
te do Águeda com o Vouga, que está a pon- 
te da Eata^ atravessando o primeiro d'estes 
dois rios. 

Principiou a constmir-se esta ponte, equ 
19 de nudo de 1865, e concluiu*se a 18 dft 
outubro de 1866. Custou 4:148ifí500 réis. 

Fez o desenho e superintendeu n'esta^obra» 
o sr. Silvério Augusto Pereira da Silva» e^ 
clarecido director das obras publicas do dis- 
tricto de Aveiro. 

RATES— villa, Minho, comarca, concelho 
e próximo da Póvoa de Varzim (foi do mes* 
mo concelho, mas da comarca de Villa do 
Conde) 6 kilometros ao S. de Barcellos, 2$> 



RAT 



RAT 



55 



ao O. de Braga, 350 ao N. de Lisboa, 290 
Ibgos. 

£m 1757 tinba 190 fogos. 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga^ districto adminis- 
tratiYO do Porfio. 

A mitra apresentava o reitor» que tinha 
150^000 réis e o pé d'alur. 

D. Mannel I lhe deu foral em Lisboa, a 4 
de setembro de 1517. (Iãv, de foraes novos 
da MinhOy fl. 145, ooL l.«. Yeja-se a minuta 
para este foral, na gaveta 20, maço 12, n.* 
16). 

Esta povoação é incontestavelmente de 
ítandaçao antiquíssima, e lia toda a proba* 
bUidade de ser anterior ao tempo dos romã* 
nos. 

Foi muitas veses arrasada e reconstruída 
durante as guerras diuturnas da edade mé- 
dia, e depois, também os gallegos mais de 
uma vez a destruíram. 

Dlz-se que o mar chegava antigamente 
até esta vlúa, por um esteiro ou canal; e é 
certo que d'elle ainda restam alguns ves* 
tiglos. 

E*d*aqul, segundo alguns escriptores, que 
lhe vem o nome de RateSy palavra latina, que 
significa «uft«s, por chegarem aqui as do im- 
pério romano. 

Se dermos credito a todos os antigos es* 
criptores, já antes do anuo 45 de Jesus 
Cbristo, existia aqui uma egreja christan, que 
bavia fundado S. Pedro de Rates, que se diz 
ter sido o primeiro christâo, o primeiro bis- 
po, e primeiro martyr da Europa. 

S. Thiago Maior o converteu ao christia- 
nismo, e o sagrou bispo de Braga. 

S. Pedro, sagrou depois Basílio, l.^" bispo 
do Porto; Epitanio, 1.* bispo de Tuy; e no- 
meou e sagrou ainda, os primeiros bispos 
de Lisboa, Coimbra, Iria-Flavia (hoje Pa<- 
dnio, na Galliza) Amphiloquia (hoje Oren- 
se, província d'este nome) e Emmio (Águe- 
da.) 

S. Pedro era natural de Rates, ^ e para 
aqui Itiglu á perseguição que lhe (áziam e 
a todos os christãos, os legadoe do trucu- 

1 Dizem alguns que S. Pedro de Rates era 
natural de Braga; mas é erro; elle só alli 
161 bispo. 






lento imperador Nero; e já esta povoação 
era de christãos. 

Os romanos aqui o vieram achar, orando 
na sua egreja, onde o martyrisaram^ no re- 
ferido anno de 45, e arrazaram a egreja, fi- 
cando o corpo do Santo martyr sepultado 
sob as suas ruinas. 

São Fellx, primeiro eremita da christan- 
dade, o procurou passados dias, e o enter- 
rou decentemente, até que foi trasladado pa- 
ra a Sé de Braga, onde jaz. 

Consta que S. Pedro de Rates fundou aqui 
um mosteiro de anacoretas, que alada exis- 
tia em 716, sendo n'e3se anno destruído pe- 
los serraeenos. 

O conde D. Henrique o reedificou, pelos 
annos de 1100, pondo n'elle tnonges da Cha-» 
ridade^ que mandou vir de França. ^ 

Em 1152, D. Mafalda, mulher de D. Af- 
fonso Henriques (avó da rainha Santa Ma- 
falda, d'Arouca) mandou construir um sum- 
ptuoso tumulo a São Pedro de Rates; ree- 
dificou a egreja e augmentou o edificio do 
mosteiro, pondo n*elle 12 religiosos cruzios 
com seu prior, D. Pedro Fafez. 

A virtuosa rainha doou a este mosteiro 
muitas e valiosas rendas; e seu marido cou- 
tou a fregnezia, dando-lhe grandes privilé- 
gios. 

(Já então não havia n^este mosteiro frades 
da Chaiidade, pois tinham regressado a 
França.) 

Ainda em 1315, era mosteiro de cónegos 
regrantes de Santo Agosthiho (cruzios) mas 
depois não ha mais noticias d'elle^ senão 
que passou a commendatarios^ e que, em 
1566, foi unido, para sempre, ás commen- 
das de Cbristo. 

L* prior secular, foi João de Souza, fi« 
lho de Pedro de Souza de Seabra^ que tem 
no Minho numerosa descendência. 

A 3 kilometros d'este mosteiro, ficava o 
da JunquetrOj no concelho de Viila do Con- 
de. (Vol. 3.*, pag. 427, col. 2.*— a 3.« /ttn- 
queira,) 

No adro da egreja de Rates, ha muitas se- 
pulturas antiquíssimas; e na egreja estão 

1 Eram monges cluniacenses, do mostei* 
ro da Charíté, em Auxerre (França). 



56 



RAT 



MT 



08 corpos de São Felfx, e de sea sobri- 
nho. 

Também aqni esteve o eorpo de S. Pedro 
de Rates, até qne o arcebispo, D. Frei Bal- 
tbazar Limpo, o fez transferir para a Sé de 
Braga, fieando em Rates, nm dente, nm de- 
do, e parte dos ossos do Santo. 

A trasladação do eorpo de S. Pedro de 
Rates, para a Sé de Braga, foi feita com a 
maior pompa e losímento, e coUocado em 
eapeila própria. 

No sen tomolo se gravoa a seguinte in- 
BcripçSo: 

AQUI JAZ O CORPO DE SÂO PEDRO IfARTIB, 

discípulo DO APOSTOLO SÂO TmAGO: 

TRESLADADO DA EGBBIA DB RATBS, 

POR DOM BALTBBZAR LIMPO, 

ABCBBISPO DE BRAGA, A ESTA 

SEPULTURA, QUE SB LHE FEZ 

POR MAYOR VENERAÇÃO, 

B POR SER O PRIMBIBO PRBLADO 

DKSTA IGBBJA. AOS 17 DB OUTUBRO DE 1551 

Consta que a pOToção de Rates, já no 
tempo dos romanos, éra composta de chrís* 
taos, aos qoaes os gentios chamavam rati- 
fihos. 

No anuo 69 de Jesus Ghristo, Nero man- 
douOtho Sylvio por governador para as Hes* 
panhas, como procônsul. 

Bra homem justiceiro, mas moderado, não 
perseguindo os chrístãos. 

No anno 74, a Nero succedeu Yespaziano, 
nm dos imperadores que mais benefieios fez 
á Lusitânia^ abrindo estradas, e construin- 
do em muitas povoações magnificas obras. 

O povo de Rates, e das outras povoações 
christans, poderam então prestar livre cul- 
to à sua religião. 

Suecedeu-lhe seu filho, Tito, que poz o 
celebre naturalista e geographo Plinio, por 
questor, nas Hespanhas. 

Também n'este tempo, foram felizes os 
christãos; mas não assim durante o império 
do cruel Domiciano, em cujo tempo o san- 
gue dos martyres Inundou o solo da pá- 
tria. 

Felizmente, no anno 100, subiu Trajano 
ao throno do império, e foi amigo e prote- 
ctor dos lusitanos; bem como seu successor. 



Adriano, e depois doeste, Antonino Pio^ e 
Marco Aurélio. 

Foi durante este longo período, que a re- 
ligião catholica se radicou e generaiiioa na 
Lusitânia; mas ainda houve moitoi Buurty* 
res, no tempo dos imperadores GallieM^ 
Glúidio, Aorelíano; e muitos mais no tem- 
po do cruel Diocleciano, qne mandoa go- 
vernar as Hespanhas, o fen» Dadano. 

Chagou finabnenle o ídix tempo do pn« 
meiro imperador chfistio, Constantino Ha* 
gno, e a religíio duristan foi acatada am lo- 
do o império. (906.) 

O 1.* rei godo da Lusitânia, foi Leovegil- 
do, qne era ariano; mas^ fáltocendo, em 686^ 
lhe succedeu sen filho, Flávio Riearedo, tam* 
bem ariano; mas tendo seu pae mandado mir- 
tyrisar Santo Hermenegildo— filho de Loo- 
vegildo e irmão de Flávio Riearedo — este 
se converteu ao catholicismo, a rogos de & 
Leandro, bispo de Sevilha, e, o próprio rei» 
se fez missionário do seu povo. 

Foi n^este reinado, e no anno de 890, qfee 
Santo Estevam foi abbade do mosteiro da 
Rates, e aqui falleceu. 

Assistiu ao 3.« concilio de Toledo, no qual 
os godos alquraram a heresia ariana. 

Diz a lenda, que^ quando morreu o santo 
abbade, se viram muitos anjos a levar^n a 
alma do santo para o céu. 



Próximo a esta, ha a firegnezia de JíacMt- 
ra de Ralet^ no concelho de Barcellos, e da 
qual é orage Santo Adrião. (Vol. 5.«, pag. 
14, col. 2.% a 2.* Madeira,) 

O antigo nome d'esta freguezia, era Sou* 
to Adrião de Uaceira. 

Era aqui o solar dos Maeseirai, appeUidi^ 
antigo e nobre de Portugal, tomado da fula» 
ta da Maceira. 

O 1.* que tomou este appellido, foi Dl 
Lourenço Gomes llaceira (ou da Maeeira) 
valoroso militar, do tempo de D. Aflonso IlL 

Suas armas eram: 

Escudo dividido em palia; na 1.*, de inra* 
ta, duas flores de liz, azues, em palia — oa 
2.*, também de prata, meia águia de púr- 
pura^ armada de negro. 

Êimo d'aQo, aberto; e por timbrci uma 



BAT 

flor de liz, d^onro, estre dois ramog de ma^* 
cieira, Terdes, com maçans de prata» 

£m agosto de 1876, o sr. Manuel Ferrei- 
ra Serra, natural de Rates, e residente no 
Rio de Janeiro, ofiereceu ao governo portu- 
guês um prédio e seu terreno, que tinha 
o^esta freguezia de Rates, para o estabele- 
cimento de uma escola, denominada de Ca- 
mSes, para a qual deixou um sufficiente le- 
gado. António Joaquim Guimarães, também 
.d'aqui natural, e fallécído na cidade de Por- 
to-Alegre (Brasil) mandou que esta es* 
cola fosse destinada ao ensino das línguas 
portuguesa e franceza, e princípios de agri- 
eoàtura. 

Deixou rendas para a sustentação e ves- 
ibario de alguns alumnos internos. 

Rates, vae ter um valioso melhoramento. 

A companhia dos caminhos de ferro, de 
via reduzida, do. Porto à Póvoa de Yariim, 
jà procede activamente aos trabalhos do 
prolongamento da linha, da Póvoa a Yiila 
Nova de Famalicão (e pret^dem leval-a até 
Chaves» em Traz-os*Montes.) 

O l.<* lanço, da Póvoa a Rates, está quasi 
eonduido, e os outros em construcção. 

O terreno d*esta freguezia, é muito fértil 
em todos os géneros do nosso paiz, e o seu 
clima é salnberrimo, como em quasi toda a 
Iffovincia do Minho, à qual, até 1834, esU 
freguezia pertenda (e todas as mais^ até ao 
rio Douro.) 

Terminarei este artigo, declarando qual 
a causa do martyrio de S. Pedro de Ra- 
tes, segundo a tradição e memorias escri- 
ptas. 

Havia por esses tempos, no território bra- 
eharense, um regulo gOkitio (provavelmente 
romano) que tinha uma filha, coberta de le« 
pnu. 

O santo bispo a cura, por meio das suas 
orações, e ellã e sua mãe^ em vista de um 
milagre de tal natureza, se convertem á 
Jéchristan. 

O régulo, enraivecido por isto, e esqueci* 
do do que devia ao santo, o manda assassi- 



MT 



57 



nar, mesmo d*entro do templo, como já fica 
dito. 

Um anachoreta christao, chamado FeUx, 
e um seu sobrinho, também anachoreta, fo- 
ram procurar, o cadáver do santo, debaixo 
do entulho do templo, e o sepultaram em 
logar sagrado, até que, reconstruído o tem- 
plo, para alii se recolheram os ossos de S. 
Pedro de Rates. 

, Ha muito quem negue a vinda do apos- 
tolo S. Thiago Maior, às Hespanhas, pelos 
annos 40 de Jesus Christo, e, por cpnsequen- 
cia, a conversão de S. Pedro de Rates, por 
aquelle santo; mas é esta a tradição imme- 
morial nas Egre]as da Pemnsula Ibérica. ^ 

O padre Rivaux a confirma, no tomo l."" 
da sua Historia Ecelesiastica; e outros es- 
criptores, mesmo estrangeiros, sustentam a 
verdade d'esta peregrinação dò santo apos- 
tolo. 

O que é certo, é que S. Pedro de Rates, ó 
contado como o primeiro prelado da dioce- 
se bracearense, e é n*esse facto que a Egre- 
ja de Rraga fundamenta a sua primazia so- 
bre todas as Egrejas peninsulares. 

RATOEIRA— freguezia, Heira Baixa, co- 
marca, concelho e próximo de Celorico da 
Beira, 18 kilometros da Guarda, 3â5 ao E. 
de Lisboa, 120 fogos. 

Em 17£S7, tinha 105 fogos. 

Orago, S. Sebastião, martyr. 

Bispado e distrícto administrativo da 
Guarda. 

Os priores da coUegiada de Celorico da 
Beira (o prior de Santa Maria, apreseiitava 
dois annos— o de S. Martinho, um -anno) 
apresentavam o cura, que tinha 6M0O réis 
de côngrua e o pé d'altar. 

É annexa a esta freguezia a de Casas do 
Bio. 

(VoL 2.% pag. 145, col. l.«) 

E' terra fértil em cereaes e legumes; ga- 
do e caça. 

RATTON-^appellido nobre em Portugal, 
cuja família veio da cidade de Briançon, no 
Delphinado (França.) 

Passou a Portugal, na pessoa de Jaeqaes 
Ratton, que se estabeleceu em Lisboa, e ta^ 
ve de sua mulher, madame Francisca Rat- 



58 



BAU 



RÂZ 



ton (oasdda Ballon) entro Jaeqnes Ratton, 
o qnal, casando com D. Anna Clamonsse, fi- 
lha de Bernardo Clamonsfle, conani de Fran. 
ça na cidade do Porto, teye por filhos, Dio- 
go Ratton ClamoQsse, e outros. 

Soas armas são: 

Em campo azai, chefe de prata, carrega- 
do de nm rato negro^ andante; oontra-chele 
de ondas, com nm atum negro nadante. 

Timbre^ meio rato. 

Este Diogo Ratton, foi o l.« barão de Al- 
cochete. 

Foi 2."* barão do mesmo titolo, seu filho, 
o sr. Bernardo Danpiás, feito em 26 de maio 
de i836 — e 3.® barão o sr. Jacome Leão 
Danpiás, feito em 17 de Janeiro de 1840. 

Em 18 de fevereiro de 1852, fòi feito vis- 
conde de Alcochete, o 2.'' barão, o sr. Ber- 
nardo Danpiás. 

(Vide Barroca éCAita, a pag. 342, col. 
2.*, no fim, e segointes, do 1.* toL, onde 
trato mais detidamente d'es(a familia. 

RAUSÂDOR— ROUSADOR e ROUÇOM^ 
portngnez antigo — o qne rouba donzellas, 
para abnsar violentamente da sua honesti- 
dade; ou o que violava as mulheres que en« 
contrava em casa (d'ellas ou d'elle8) contra 
sua vontade. 

O foral da villa de Lourinhan, dado em 
1218, por D. Affonso II, diz: 

O rousador seja preso, e justiçado: se fo- 
(fir, pague CCC (dOO) soldos ao Pretor, e ate- 
nha^se com os Pais^ ou parentes da mu- 
lher. 

No foral de Villa Verde dos Francos, no 
concelho de Alemquer, dado no mesmo an- 
no de 1218, se determina que o matador 
pague 1:000 soldos, e, não os tendo, seja en- 
forcado. 

Egual pena impõe ao roxo (rousador.) 

Nas Inquirições reaes, de 1258, se achou 
que a ordem do Hospital, tinha na fregue- 
zia de Santa Cruz, da Maia, seis casaes que 
lhe havia empenhado frei Adrião, o qual foi 
ter a um moinho e forciavU ibi unam mu- 
lierem, e o rico homem que então era se- 
nhor da Maia, mandabat ei Raussum; e pa- 
ra satisfação d'aquelle crime, contrahiu o 
referido empenho. 
O crime de rauso, ou rouco, era antiga- 



mente punido eom tanta severidade, qoe^ o 
que o iiraticasse perdia o direito a qualquer 
doação que tivesse da corâa; não exceptoan- 
do d'esta pena, nem as mais poderosas (v- 
dens de cavalUria; o que eonsta da danna* 
la de muitas d^essas doações. 

D. Pedro I, andando á caça nos arredores 
de Lisboa, ouviu duas mulheres ralhanAo^ 
e uma chamar a outra rouçada. 

Inquerindo a cansa d'este insulto, soube 
qne ellaiiavia sido rouçoéa pelo homem eom 
quem casou. 

Deu logo ordem para que o rausador te- 
se enforcado. 

Debalde a mulher se lançou aos pésdn 
rei, dizendo-lhe que, não só ella havia per- 
doado o crime, mas que alé o crimtnoao o 
havia reparado pelo casamento. Nada Uh 
valeu, e o infeliz foi justiçado. 

Isto não foi um acto dejnstiça, mas croel- 
dade estúpida e inaudita. 

RAVÊNA— antiga cidade da Lusitânia, 
que foi arrazada pelos árabes» no principio 
do 8.<> século, e ciiyo assento hoje se nio 
pôde marcar com exactidão. 

Dizem alguns que estava edificada a Ski- 
lometros de distancia da villa de Almendra, 
na Beúra Baixa, concelho de Villa Nova de 
FozCôa, sobre um monte a que hoje dão o 
nome de Calabre. 

Outros sustentam que a cidade de Ravd- 
na, existiu no monte ainda chamado de jQb- 
vena, sobranceiro á aldeia de Urrâs^Bootm" 
celho de Moncorvo, em Trazos-MontesL 

(Note-se que o monte Calabre, fioa a|ie* 
nas a 5 kilometros do de Ravéna.) 

Para não estarmos com repetições, vida 
Almendra, Caliabria e Urras (do concelho 
de Moncorvo.) 

RATA— portuguez antigo— rainha— Pro- 
nuncia-se raia. 

RAZ— portnguez antigo — cabeça ou eabe- 
ceh*a. 

É a palavra árabe— i?á2:— da qual n6s fi- 
zemos rêz. 

Geralmente, significa cabeça; mas, quan- 
do se reffere a animaes^ designa o nomer» 
singular de qualquer espécie: v.gr.— um 
bôi, ráz bacar—íim carneiro, ráz ganam — 
um cavalio, ráz chail. 



REA 

É por isso qae nós ainda hoje dizemos 
-^ F. tem tantas cabeças de gado; qae ó o 
mesmo qae se disséssemos, tantas rezes. 

RAZA-^formosa povoação, Donro, na fre- 
gaeda e coneelbo de Yilla Nova de Gaia. 

O sen nome vem de que, antigamente, se 
«hamava propriedade de Raza e serrão^ 
aqaella qne só pagava foro em annos alter- 
nados—isto é— nm anno sim, outro não. 

Próximo a esta povoação fica a de Afora- 
da (por eorrapção Furada) cujo nome tal- 
yez tivesse a mesma origem. 

REAL— portugnez antigo— arraial, onde 
está o rei, o general, ou a bandeira real. 

REAL— antiga moeda portugueza. ^ 

Havia reaes de ouro, de prata e de cobre. 

Os reaes d'ouro são do principio da mo- 
narcbia, assim como as mealhas d'ouro. 

O real de prata^ foi cunhado no tempo de 
D. João I, e valia SO reaes de cobre. 

rei D. Manuel mandou lavrar reaes de 
prata, do mesmo valor, porém de menos 
peso; e de valor de 30 réis, que eram do 
peso dos de D. João I. 

Os reaes de prata, de D. João III, valiam 
40 réis. 

No tempo de D. João lY também se lavra- 
ram reaes de prata, do valor de 40 reaes de 
eobre; mas muito inferiores no peso, aos 
antecedentes. 

Estes ainda chegaram aos nossos dias, 
^m o valor de 50 réis (meio tostão.) 

No archivo da camará municipal do Por- 
to, existe uma carta de D. João II, do anno 
de 1489, pela qual manda que o real de 
prata, seja de 20 réis, e o meio real, de 10 
réis; e que, em cada marco de prata, haja 
114 peças dos ditos reaes e 218 dos ditos 
meios reaes; e que fosse o preço do marco 
de prata 2|í280 réis, que éo preço de seis 
cruzados. 

Antes de D. Aironso Y, também havia 
reaes com o valor de 3 V2 libras, das anti- 
gas, que, sendo de 36 réis cada uma, vi- 
nham a valer 126 réis. 

I)'e8tes reaes se falia em uma carta de 
compra do cabido de Lamego, feita em 1454. 

1 (^amava-se real, por ter de um lado o 
escudo real das armas portuguezas. 



REA 



59 



Havia reaes brancos e pretos, de cobre. 

Os brancos foram mandados lavrar pelos 
reis, D. Duarte, e D. Affonso Y. Chamavam-86 
brancos, por terem muita liga de prata. Ga 
que se bateram ai^tes de 1446, valiam 10 
ceitis e trez quartos de ceitil. Foi subindo a 
valor d'estes reaes— sempre com o mesmo 
peso— até que no principio doeste século, já 
valiam 6 ceitis. 

Bra tanta a confusão por causa da altera* 
ção do valor da moeda, que nos contratos sd 
estipulava o valor do real. 

No cartório da freguezia de S. Martinho» 
de Cintra, existe uma escriptura, feita a t 
de dezembro de 1464, pela qual, a coUegia- 
da deu de aforamento um terreno em Rio de 
Mógos, por 1)9200 réis brancos^ de 35 libras 
o real. 

O real preto, assim chamado, por ser ex- 
clusivamente de cobre, foi mandado lavrar 
pelo rei D. Duarte, e 10 d*elles faziam um 
real branco. 

Para evitar tanta confusão, desde D. João n 
até D. João IH, se lavraram reaes pretos de 
6 ceitis. Tinham de uma parte um R coroa* 
do, e da outra, o escudo do reino, com o 
nomo do rei na orla. 

D*esta moeda lavrou também o rei D. Se« 
bastião, com o valor de 3 ceitis. Tinham de 
uma parte, um S coroado (Sebastianus) e da 
outra, um R, entre dois pontos, no alto, e â 
letra SEBASTIANUS Iw . 

Este mesmo soberano mandou lavrar a 
moeda chamada real e meio, que valia 
ceitis. 

REAL — freguezia. Douro, comarca e 18 
kilometros ao NO. de Arouca, concelho e 3 
kilometros ao ONO. da villa de Sobrado, ca- 
pital do concelho de Gastello de Paiva, 50 
kilometros ao O. de Lamego, 75 ao NE. de 
Aveiro, 36 ao E. do Porto, 6 ao S. do rio 
Douro, 315 ao N. de Lisboa; 240 fogos. 

Em 1757 tinha 200 fogos. 

Orago Santa Marinha. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Aveiro. 

A casa dos fidalgos da Boa Yista, da villa 
de Sobrado (Pintos Mirandas Montenegros) 
apresentava o abbade, que tinha 600#000 
réis de rendimento. 



%0 



Mk 



É iii'e8U fregaezia a exUncta viila 4e No- 
iões, (Vide 6.« volume, pag. 108, coL !•). 

É terra muito fértil em todos os géneros 
agrícolas do paiz. ' 

Os Pintos, padroeiros da egrctfa 
de Santa Marinha, de Beal 

Já depois de tratar dos Correias^ da Rua 
Chan, na coL 1." da pag. 526 do T."" volume, 
perdeu esta nobiiissima fámilia o seu chefe, 
6 am dos filhos d'ella. 

Falleceu a 9 de outubro de 1877^ na sua 
casa da Boa Vista, em Paiva, o sr. Bernar- 
do José Pinto de Yasconcelios de Miranda 
Montenegro, fidalgo da casa real^ com exer- 
cício no paço. Tinha sido cadete de cavalla- 
ria^ passando depois a coronel de milícias. 
Era o 12.'' padroeiro da egreja de Real e da 
de Lazarim, no concelho de Tarouca, e am- 
bas no bispado de Lamego. Foi li."» admi- 
nistrador do vinculo da Rua Chan (Porto) ; 
9.« do de Vai Bom (vide Sete Capellas); 8.» 
do da Fervoença, em Siofaes; 8.o do de Tu- 
Uas; ô.*" do de Alvarenga (vide Torre d* Al- 
varenga); 7.<> dò de Santa Cruz; 5.» do de 
Vegíde, ambos na freguezia de Sobrado de 
Paiva. Senhor da quinta da Boa Vista» solar 
d*esta familia. 

£ no dia 29 de julho do mesrilo anno de 
1877, tinha fallecido repentinamente, de uma 
aneurisma, andando a passear nos jardins do 
Palácio de Grystal portuense, e na edade de 
27 annos, o sr. Pedro Augusto Pinto de Vas- 
conceilos de Miranda Montenegro. 

Depois de concluir os estudos preparato- 
riosy no lyceu do Porto, sentou praça em 22 
4e setembro de 1867 (tendo 17 annos de eda- 
de) no regimento de infanteria xl"* 5. Fez 
depois exame de fnadt(r«?a, na universidade 
de Coimbra, logo a 11 de outubro, e no mez 
seguinte, matriculou se na escola do exer- 
cito, sendo declarado primeiro sargento, as- 
pirante a offlcial, por ordem do exercito, de 
iS de novembro do mesmo anno de 1867. 

£m dezembro de 1869, terminou o curso 
de infanteria e cavaUaria, e foi promovido a 
alferes graduado, a 19 de janeiro de 1870. 

Pouco depois, foi escolhido pelo sr. conde 
de Torres JNovas (o general José 4e Vascon- 



cellos Gorrâa, eommandante da 3a divisão 
militar) para seu ajudante de campo; e o 
general o amava como se fosse sen pae^ 

Em 13 de agosto de 1872, foi pr#MOwâa 
a alferes effectivo, c alenimta, em 28 4a 
agosto de 1875. 

Padecendo havia dois annos, da moléstia 
de que falleceo, havia ido, em 1876^ patm a 
Itália, onde se demorou cinco mexes, paM- 
cendo gozar melhor saúde no seu regresso 
a Portugal, mas, passados três mezes^ íáito- 
ceu repentinamente, como já disse; e assim 
perdeu a pátria um militar esclarecido e 
brioso, e os seus parentes, e todos quantos o 
conheciam, um amigo verdadeiro. 

Fallei também no artigo Correias da rum 
Chatíy do sr. Augusto Pinto de Miranda Moa- 
tenegro, irmão do antecedente; aquiaecres- 
cento: 

Este senhor é bacharel, formado em ma- 
thematica, major de engenheiros; condecora- 
do com o habito de S. Bento de AvLz, pelos 
relevantes serviços feitos na província de 
Gabo Verde, como director das obras publi- 
cas; commendador da ordem de Ghristo ; e 
fidalgo da casa real, com exercido no paca 
Tem, até hoje, sido deputado às cortes, em 
duas legislaturas. 

'Tratemos agora dos padroeiros da egreja 
de Santa Marinha, de Real. 

A nobilíssima família dos Pintos, de Real, 
teve principio no conde DomMendo de Saur 
sa, mordomo-mór de D. Sancho I, alcaide- 
mór de Lisboa, em. 1186. 

Casou com D. Maria Rodrigues, iiiha do 
conde D. Rodfigo Martins Osório, senhor de 
Villa-Lobos, Cabreira, e Ribeira, e da oon* 
dessa D. Maria Forjaz, filha de D. Forjaz Ber- 
mudes. Foi seu filho 

2."* — D. Garcia Mendes de Sousa, por al- 
cunha o d'Eixo, que succedeu na jcasa de 
seus pães, por ter failecido, em 23 de feve- 
reiro de 1237, seu irmão primogénito, B. 
Gonçalo Mendes de Sousa, mordomo-mór de 
D. Monso II. D. Garcia casou com D. Elvi- 
ra Gonçalves de Torombo, filha de D. Gon- 
çalo de Torombo, e de sua mulher, D. ^- 
mena Paes. 



> 



. Foram seus fiU^^ D. Geoçala Garcia de 
Swm, alferes-mór de D. Affoaso III, e 

a.*— jp. João Garcia dâ Sousa, o Pmio ^, 
. que foi o ptímeôro doeste appellido. É este o 
4r(H>Pa d'esta íamilia, dos Piatos de Real Foi 
aenlior da vilia d'Alegrete, e casoa com D. 
Unracf^ Feroandes, filba de D. Fernando Pi- 
res Pelegrin, bisneto do famoso D. Egas Mo- 
Bjx, Foi seu alho 

i."» — D. Eivira Annes Pinto, Cffke casoa 
eom D. Gaterre Soares de Meneies, senhor 



1 Pinto, principiou por alcunha; mas elle 
a adoptou como appellido honroso, pois pro- 
cedia de ter sabido salpicado (pinto) de san- 
gue em uma batalha contra os mouros do 
Âlemtejo, na qual se havia distinguido como 
txravissimo militar. Isto, segando Yillas-Boas; 
mas, frei Manuel de Santo António, ultimo 
reformador do cartório da nobreza, diz quo 
procede de Payo Soares Pinto, que viveu no 
lampo do conde D. Henrique, na quinta do 
Paço, da vilia da Febra, e faliecea antes de 
IIS6, em coió anooy «na mulher, D. Mayor 
Mendes, venoeu a mesma (quinta ao mosteiro 
dos cruzios, de Grijó. 

Siipponho ser engano do frade (pois, ató 
ao século xiii, nào vejo nenhum fidalgo de 
appeilido Pinto) e que^ é certo o que diz 
Villas-Boas; mesmo porque concorda com 
os documentos existentes na casa dos Pintos, 
de Real. 

Estes Pnitos trazem por 'arma8--em cam- 
po ú» prata, IS crescentes de púrpura, em 
aspa. Elmo de prata» aberto; e por timbre, 
um leopardo de prata, armado de púrpura, 
com um crescente do escudo, na espádua. 

Antónia Soares d'Alfoergaria, diz (fl. 164^ 
T») que. o primeiro qn» se acha com o ap- 
peliido de Pinto, é Garcia Soares Pinto (a."* 
neto do conde D. Mendo de Sousa) nas In- 
qmriçdes do rei D. Dinlz^ ém cujo tempo, ti* 
nlia ò titulo úevassaU& do rd. 

Os descendentes do conde D. Mendo de 
Çouza, deixaraip as armas dos Sonzas, e os 
quartéis das. Quinas, que alguns ainda tra- 
zem, e Idmáràm por armas (isto, segundo 
Albergaria) em campo de prata, 5 caderUas 
da crescentes de púrpora, em aspa; elmo de 
prata, aberto, e por timbre, um leão de pra- 
ta, lampassado de púrpura. As cadernas de 
crescentes, são as ganhadas por um ascen- 
dente d'esta família, na batalha de Mórtola; 
e o leào ào timbre^ pelo sangue que herda- 
ram do rei p. Ramiro, de Lâo^ seu proge- 
nitor. 

Quanto a ipim, o que ganhou. as t cader- 
nas de crescente,' foi o mesmo D. Xoao Gar* 
«ia de Sonsa .(n.« 3). 



BSA 



«1 



At Sao Felícese-Osa» erico*homem. Foi seu 
filho 

&*— érarcta Soares Pinto, casado com D. 
Maria Gomes d' Abreu, e foi seu íilho 

6.* — Vasco Garcia Pinto, que casou com 
D. Urraca Vasques de Sousa, filha de Ruy 
Vasques de Sousa (o dê Panoyas) neto do 
conde de Souzão. Foi seu filho 

l.^^^ Ayres Vaz Pinto, casado com D. 
Constança Rodrigues Pereira^ filha de Payo 
Rodrigues Pereira, conde da Feira, e foi seu 
filho 

8.*— ihiy Vasques (ou Vaz) Pinto, senhor 
de Ferreiros de Tendaes e suas egrejas, de 
juro e herdade, com mero e mixto império; 
alcaide-mór da villa de Chaves^ por D. Ma- 
noel I; senhor 4a quinta de Covelios; adian- 
tado d*£ntre Douro e M)nho, e regedor áaA 
justiças. Bste Ruy, era da familia dos Pintos 
de Riba Besêança. 

Para evitarmos repetições; 
os que desejarem «saber os 
grandes serviços que fez á pá- 
tria, este Ruy Vasques (ou 
Vaz) Pinto, vejam o que es- 
crevi na 2.* coU de pag. 178, 
do 3.« volume. 

Ruy Vasqoes Pinto^ casou com D. Gatha- 
rina Maria (ou Mecia) de Mello, filha de Mar- 
tim Affonso de Mello, e de D. Rrites de Sou- 
za, que foram o tronco dos Mellos. Foi seu 
filho 

Q."" — Ayres Pinto de Meila^ que, por ser 
um fidalgo muito distincto, os parochianos 
da egriija de Real» lhe 4oaram, volantasia- 
mente, o padroado d'elia. Casou com D. Bran* 
ca Gil 4* Almeida, filha de Lopo d*Ahneidai 
L" conde de Abrantes. (Era irman de D. Jor- 
ge, bispo de Coimbra, e de D. Francisco de 
Almeida, o famoso vice-rei da índia. Foi seu 
filho 

ÍQj^t- Fernão Pinto, fidalgo escDdeiro, e 
armado cavalleiro em Tanger (Africa) para 
ondp tinha ido guerrear os mouros, com 
uma companhia do tavallos, pagos á sua 
eostaf.. Casoa com D. Beatriz Fernandes An* 
dorinho, filha de Lopo Fernandes, fidalgo e 
estribeiro-mór do infante D. Fernando. Foi 
filho 

ii.« — Fernão Lopes Pinto, fidalgo cavai- 



62 



REÂ 



REA 



leiro, qae casoa com D. Maria da Costa de 
Miranda» dama do paço, deseendente dos 
Gostas de Santarém e Thomar; e irman de 
Affonso Lopes da Gosta, governador de Ma* 
laca. Foi sea filho 

i2.* — Gaspar Pinto de Miranda, fidalgo 
da casa' real, e casado com D. Lucrécia de 
Sampaio, da casa de Paços, em Pombeiro, 
filha de Gonçalo de Figueiredo, e de D. Fran- 
cisca de Sampaio. Foi seu filho 

id*— Heitor Pinto dê Miranda^ fidalgo da 
casa real, e veador da casa do infante D. Pe- 
dro. Gason com D. Anna Beliago Gameiro, 
filha de Gonçalo Gameiro Baldaia e dé D. 
Guiomar Beliago. (Este Gonçalo Gameiro 
era lente de Goimbra, e, depois de viuvo, 
tomou ordens, e foi bispo do Porto. Foi filho 
âe Heitor Pinto e sua mulher. 

li.*" — Gaspar Pinto de Miranda, que ca- 
sou com D. Maria Ribeiro, sobrinha de D. 
João Ribeiro, bispo de Malaca, e filha de 
António Gronçalves Ribeiro, e de D. Theo- 
úosia do Yalle e Brito, irman de Manuel de 
Gouros, commendador de Oleiros. Foi seu 
filho 

i^/^^Pantaleão Pinto de Miranda, fidal- 
go da casa real, e casado com sua prima, 
D. Marianna de Souza, filha de Pemao Ri- 
beiro Soares de Miranda, e de D. leronyma 
da Silva. Foi seu filho 

iò •--^Gonçalo Vaz Pinto de Miranda, fi- 
dalgo da casa real, casado com D. Lourença 
Glara da Silva Baldaia, da casa de Ganel- 
las. 

Foi condecorado com o habito de Ghristo, 
pelos serviços prestados contra os castelha- 
nosy na guerra da restauração; e D. Pedro n 
lhe deu um padrão de 6511000 réis, por ter 
sustentado á sua custa, uma companhia de 
soldados, na dita guerra. 

i7. •'^Martinho José Pinto da Silva de Mi- 
randa, fidalgo da casa real, casado com D. 
Iforia Isabel Glara de Menezes Sotto Maior. 
Foi seu filho 

iS.«— Bmiardo José Pinto de Vasconcellas 
de Miranda Montenegro^ MUgo da casa real, 
etc. Foi seu filho 

i9* -- Martinho José Pinto de Vaxcon- 
ceUos de Miranda Montenegro, etc. Foi sen 
filho 



W^—B&nardo José Pinto de VasconeeítoB 
de Miranda Montenegro, etc. > 

Para evitarmos repetiçGes 
escusadas, vide no artigo For- 
to os Correias da Bua Cham 
(na col. 1.* da pag. 5S6 do 7.* 
volume) tudo o que diz res- 
peito a estes quatro idtlmos fi- 
dalgos. 
Foi fiHto de Bernardo José Pinto 
n •—Albino Pinto de Vasconcelloã de Mi- 
randa Montenegro, etc (Vide 7.^ volame^ 
pag. 590, col. S.'). 

Supponho, com bons fundamentos, que o 
nome de Real, dado a esta freguezia, lhe 
provém de ter sido em outros tempos, um 
reguengo. 

É povoação antiquíssima, e que já existia 
no tempo dos romanos, do qae ha claros ves- 
tígios. Até já era habitada qos tempos pre- 
bistoricos, como o provam os monumealos 
megalithicos que ainda por aqui existem. 

Mesmo conu> parochia christan» tem oon 
certeza mais de 600 annos. 

Em 1061, reinando D. Fernando, o Mo^TM^, 
de Gastella, Leào e Portugal, fez o presby- 
tero Fromosindo Romarlguiz, doação, a sea 
filho, o sacerdote Sandila^ de Basetíoas et de 
omnia sua rem: et fait ipsa Fromo9inã» 
Presbítero Fraigetiidl, et Barbadi et ex vene- 
rabilibus parentibns sms, et ganaicit, et com^ 
paraivit ereáUates pro pretio, et serOnras m 
Vtila Ríal, territoriàm Enegia subtns momz 
Serra-Sieca, discorrentem rivuto Sardowrm 
fiumen Dwio. (As egrejas— Bom/ícm— que 
lhe doou foram as de S. Salvador, S. Pedro 
e Santa Ghristina). 

Para se entender melhor esta doação, 6 
preciso ver Ar^a, no volume L^ pag. 238 1» 
col. i.« 

REAL — firegueda, Minho, concelho, co- 
marca e 6 kilometros de Braga, 360 ao N. 
de Lisboa, SSO fogos. 

^ Do sr. Bernardo José Pinto de Vascon- 
cellos de Miranda Montenegro, só restam 
hoje vivos dois filhos legítimos: o sr. doutor 
Albino, que vem a ser o n.* Si, e seu digno 
Irmio, o sr. Marthiho Pinto; dos quaes Já 
f aliei no artigo Porto— Correias da Rua Chem. 



J 



REA 

Em 1757 tinha 208 fogos. 

Orago S. Jeronymo. 

Arcebispado e distríeto admioistrativo de 
Braga. 

A mitra e os monges benedictinos de Tra- 
vanca, apresentavam alternativamente o ab- 
bade, que tinha 600^1000 réis de rendimento. 

É povoação antiquíssima e foi villa (casa 
de campo) de nm patricio romano residente 
em Braga. Dividia o termo de Braga do de 
Dame, no tempo do rei D. AÍTonso YI (o Ma- 
gno) de Castella e Leão, pae da nossa rainha 
D. Thereza, malher do conde D. Henrique. 
Esta divisão foi feita pelos annos de 1080. 

Nas Inquirições do rei D. Diniz (1300) se 
acham duas viUas ou aldeias com o nome 
âe Real^ ambas perto de Braga : ama deno- 
minada fíeal Velho (a que foi vUla romana) 
na antiga fregaezia de S. Fructaoso; outra 
chamada Real Nwo, na freguezía de Semelhe. 

A quinta de Real Velho foi depois morga- 
dia dos descendentes do nosso grande his- 
toriador João de Barros, que eram também 
morgados em Leiria. ^ 

Real Novo pertencia a uma familia nobro 
e antiga, cuja casa está hoje unida à dos se- 
nhores Bandeiras, de Traz da Sé, da cidade 
do Porto. Á quinta do Real Novo se dá hoje 
o nome de quinta do Paço. (Vide Semelhe). 

Houve n*esta freguezia, um mosteiro de 
frades benedictinos, fundado pelos annos 
600 de Jesus Ghristo, por S. Fructuoso (que 
supponho ser o primeiro padroeiro da fre- 
guezia). Na egreja do mosteiro existe a ca- 
pella e sepultura do fundador, cujo cadáver 
«qui existiu por mais de 400 annos; mas, 
nos principies do século xn, o arcebispo de 
S. Thíago de Gompostella, o furtou, levan- 
do-o para a sua Sé, onde está. 



REA 



63 



1 Os morgados de Real Velho e Leiria ti- 
nham uma particukiridade que não me consta 
haver em outro qualquer vinculo de Portu- 

Sal. Se o administrador tinha dois filhos, ca- 
a um herdava um d'estes morgados; mas se 
tinha só um, ficava com ambos, e assim an- 
davam unidos até haver dois filhos, para se 
separarem. Ainda mais: se faltava filho va- 
rão em um dos vincules, herdava-o o admi- 
nistrador do outro, danao-o a sen filho se- 
Íinnáo, se o tinha: e assim seguia sempre a 
inha com estas condições. 



Esta capella foi um dos trez templos que 
08 mouros deixaram aos christãos bracca* 
rensesy para o culto divino, mediante certo 
tributo; porém os monges abandonaram o 
mosteiro^ que ficou deshabitado, e a cerca 
abandonada até ao meiado de secoio xi, em 
que os arcebispos de Braga tomaram conta 
d'isto, e aqui fizeram uma bella casa e quin* 
ta de recreio; até que o arcebispo D. Diogo 
de Souza, deu o antigo mosteiro e suas de« 
pendências, aos frades franciscanos da pro- 
víncia da Piedade, que aqui se estabelece- 
ram, até 1834. 

Expulsos os religiosos, foram o edificio e 
cerca vendidos, e é hoje uma boa propríe* 
dade particular. 

O território d'esta freguezia é muito fer* 
til em todos os géneros agrícolas do paiz. 

REAL— freguezia. Douro, comarca, con« 
celho e próximo d*Amarante, 40 kilometroa 
ao NE. de Braga, !S0 ao NE. do Porto, 360 ao 
N. de Lisboa, 220 fogos. 
Em 1757 tinha 208 fogos. 
Orago o Salvador. 

Arcebispado de Braga, distríeto adminis- 
trativo do Porto. 

A mitra apresentava o abbade, que tinha 
GOOifiOOO réis de rendimento. É terra fertlL 
REAL— freguezia. Beira Alta, no concelho 
de Penalva do Gastello, ftomarca de filan- 
gualde, 20 kilometros de Viseu» 310 ao N. 
de Lisboa, 110 fogos. 
Em 1757 tinha 66 fogos. 
Orago S. Paulo, apostolo. 
Bispado e distríeto administrativo de Vi» 
seu. 

O abbade do Gastello de Penalva, apresen« 
iava o cura, que tinha 6^000 réis de côn- 
grua e o pé d*altar. 

É terra pouco fértil, mas cria bastante ga- 
do e caça. 

REAL — ríbeiro. Douro, na freguezia de 
Laundos, concelho e comarca da Povoa do 
Varzim. Nas margens d'este ribeiro e no si- 
tio da Agua Férrea^ da mesma freguezia, ha 
minas de ferro, manganez e antimonío. O sr. 
Francisco Pereira de Azevedo, do Porto, ma- 
nifestou estas minas, na camará da Povoa» 
em 12 e 22 de novembro de 1873 ; mas es- 
tão abandonadas. 



*z 



64 



REA 



REB 



REAL AIIRADO— no Pezo da Régua, Traz- 
osMootes. Em ii de junho de 180$, o prín- 
cipe regente (depois D. João VI) íez baror 
aeza do Real Agrado, a D. Joanna Rita de 
Lacerda Gastelio Branco; e, em i3 de maio 
de i810, lhe deu o titulo de viscondessa, 
com honras de grande. Era dama da ordem 
de Santa Isabel, açafata de D. Maria I, e da- 
ma da rainha D. Carlota Joaquina. Faliecea 
a 6 de março de 1822. 

Succedeulhe nos titulos, e foi 2.* barão e 
2.« visconde do Real Agrado, Igoacio Xavier 
de Seixas Lemos Castello Branco, fidalgo da 
casa real, commendador da ordem de Ghris- 
lo, cavalleiro da Torre Espada, condecorado 
com a cruz n."" 2, da guerra peuinsolar, e 
coronel do exercito. Nasceu em 2i de setem- 
bro de 1771, e casou em 7 de abril de 1812, 
oom D. Maria do Carmo Vaz Pinto Guedes, 
que havia nascido a 2 de outubro de 1781. 
Era filha e herdeira de José Vaz Pinto Gue- 
des, capitao-mór de Penaguião» e de sua mu- 
lher D. Josefa Cândida da Silva. 

D*6Ste matrimonio nasceram quatro filhos. 

l.*" — Francisco Xavier de Lemos Seixas 
Castello Branco, feito alferes de cavallaria 
n.* 6, do exercito do senhor D. Miguel I, em 
12 de março de 1834. Foi um dos ofiOiciaes 
realistas cujos postos foram garantidos pelos 
liberaes, por acções que durante a lucta me- 
receram esta classificação. Commendador da 
ordem de S. Thiago. Nasceu a 7 de set w- 
bro de 1814. 

l** — Joséy nascido a 30 de dezembro de 
1815. 

3.— /oão de Lemos Seixas Castello Branco^ 
maviosíssimo poeta, bem conhecido, e do 
qual já tratei n'esta obra. Nasceu a. 6 de 
maio de 1819. 

&.*— ^D. Maria Luiza, nascida a 2 de feve- 
reiro de 1821. 

Eram netos de Francisco Xavier de Sei- 
las Lemos Castello Branco, irmão da 1.* ba- 
roneza e i/ viscondessa do Real Agrado. 
Foi fidalgo da casa real, e commendador da 
ordem de S. Thiago. 

Casou com D. Maria Josefa Pereira de Mi* 
randa, filha de Alexandre Pereira de Miran- 
da, senhor da casa de Lourosa, e de D. Ifi- 
chaella Thereza Ferreira de Castro e Uma. 



D'este casamento houve nove filhos : 

L^^—AntoniOf abbade de Sande. 

l""— /oâo, cónego da Sé de Braga. 

3.''— Francisco, abbade de S. Miguel ^e 
Entre ambos os rios. 

4.0 — o monsenhor D. Joaquim. 

S."* — Domingos, beneficiado. 

6.*— D. Lúcia Bernarda, 

l.^^^Ignacio, que foi o 2.'' barão e o 2.^ 
visconde do Real Agrado. 

S.''— D. Maria Jacintha. 

9.*— D. Joanna Rita, que foi açafata de 

D. Maria I, e depois esteve ao serviço da in- 
fanta D. Isabel Maria, filha de D. João YL 

Todos já são faJlecidos. 

REBENTINA ou REBENTINHA— poita- 
guez antigo— ira, furor, raiva, etc. Na His- 
toria da fundação da egreja de S. Miguel^ 
de Penaguião, se lô : «Ouvindo esto D. Go- 
mez, e os que hião com el, creceo-lhe a re* 
bentina, e nom le catarem as Hordens.» Es- 
te documento é de 1191. 

REBOLEIRO— freguezia, Beira Baixa, co- 
marca e concelho de Trancoso, 48 kilometros 
de Viseu, 355 ao N. de Lisboa, 65 fogos. 

Em 1757 tinha 51 fogos. 

Orago Santa CaUiarina, virgem e martyr. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo da Guarda. 

O commendador de Sernancelhe (da or- 
dem de Malta) apresentava o cura, que tinha 
30^000 réis e o pé d'alur. 

É terra pouco fértil. Muita caça. 

Esta freguezia tinha os grandes privilegias 
dos caseiros de Malta. 

REBOLOSA ou ROBELOSA — freguezia» 
Beira Baixa, comarca e concelho do Sabur 
gal, no Riba-^Côa (foi da mesma comarca^ 
mas do extincto concelho de Villar Maior) 
120 kilometros ao SE. de Lamego, e 360 ao 

E. de Lisboa, 80 fogos. 
Em 1757 tinha 57 fogos. 

Orago Santa Gatharina, virgem e martyr. 

Bispado de Pinhel (foi do bispado de La- 
mego), districto administrativo da Guarda», 

O vigário da villa d^Alfaiates, apresenta* 
va o cura, que tinha 35if000 réis e o pé de 
altar. 

Terra fértil em trigo, centeio e gado; da 
mais pouco. 



REB 

RÊBORA, RÓ60RA, RÊYORA e REVORA- 

ÇiO— portagaez antigo-^offerta, mimo, pre- 
sente, etc, que o comprador dava ao vende* 
dor, e o doado ao doador, além do estipula- 
do na escríptara. Também se dava rlòora ao 
soberano, ou ao senhor da propriedade 
Tendida, trocada, ou doada; e por isso se vé 
em qaasi todos os documentos antigos, d'es- 
ta natureza^ a dicção— roòoro et confirma. 

A rébora consistia em cousas de pouco 
valor, com respeito aos bens de que tratava 
a escriptura. Era, um par de esporas, uns 
sapatos, um capote, uma saia, um podengo, 
um par de guantes (luvas), uma vacca, um 
porco, ete. 

Tsumbem se dizia rébora, a maioridade de 
qualquer individuo; mas a idade não era a 
mesma em todos os documentos: em uns 
vé-se marcada a rébora, aos 13 annos^ em 
outros aos 15, e em outros áos 18. 

Quando se nao designavam os annos da 
rébora, entendia-se o termo por puberdade, 
que era, como actualmente— nos homens, a 
idade de 14 annos, e nas mulheres a de 12. 
(Cod. Alf,, livro 4.*, tit. 38, § 4.«, e tit 107, 

§ 11). 

REBORDAINHOS — freguezia. Traz • os - 
Montes, (foi villa) no concelho e comarca de 
Bragança, 84 kílometros ao N. de Miranda, 
465 ao N. dé Lisboa, 95 fogos. 

Em 1757 tinha 76 fogos. 

Orago Santa Maria Magdalena. 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
gança. 

A mitra apresentava o vigário ad wutum, 
que tinha If^OO réis de côngrua e o pé de 
altar. 

É terra pouco fértil e pobre. Gado e caça. 

Foi aldeia da freguezia de Rebordaos. 

REBORDÃOS— serra, Minho e Traz-os- 
Montes. (Vide MedúUo, monte, vol. 5.% pag. 
157, col. l.«). 

REBOROÃOS— Vide EeborãÕes. 

REBORDÃOS— villa, Traz-os-Montes, con- 
celho e comarca de Bragança, 45 kílometros. 
ao N. de Miranda, 465 ao N. dé Lisboa (fica 
próximo à freguezia de Rebordainhos, que 
antigamente pertencia à parocUa d'esta vil- 
la), 135 fogos. 

Em 1757 tinha 115 fogos. 



REB 



65 



Orago Nossa Senhora d'Assompçao. 

A casa de Bragança apresentava o abba* 
de, que tinha 300i^000 réis de rendimento. 

É povoação muito antiga, talvez do tempo 
dos romanos, e, com certeza, do tempo dos 
godos. D. Sancho I lhe deu foral em Goim* 
bra, em novembro de 12Ò8. {Uvro de doações 
de D. Affonso III, ú, 61 v., e Livro de forae$ 
antigos de leitura nova, fl. 25, col. S.«). 

D. Diniz, lhe deu outro foral, confirmando 
o antigo, e augmentando os seus privilégios» 
em Lisboa, a 18 de maio de 1285. (Livro 8.^ 
dos bens próprios d'el-rei, fl. 81 v^). 

Esta freguezia tinha grandes privilégios^ 
por ser da casa de Bragança. 

Junto a esta villa está a serra ou monte 
da Nogueira, de bastante altura, e no seu 
cume eiiste a ermida de Nossa Senhora da 
Serra ou da Natividade, que poucas vezes 
se avista de longe, por estar quasi sempre 
envolta em nevoeiro. É templo de boa con* 
stmcçSo, e antiquíssimo, pois já existia no 
tempo dos godos, e foi reparado no tempo 
do conde D. Henrique. As festas da Senhora 
sao no dia da sua Natividade, e a 5 de agos- 
to, dia de Nossa Senhora das Neves. Esta é 
a principal. 

Teve uma rica irmandade, e tem jubileu, 
por bulias apostólicas. 

É um templo vasto, pois tem 40 metros 
de comprimento, e de trez naves, divididas 
por dez columnas de pedra, chico de cada 
lado. 

Antigamente, recebia a Senhora muitas e 
valiosas offartas, em dinheiro e géneros, o 
muitos devotos se pezavam a trigo^ em eum* 
primento de votos. 

A 5 de agosto, fazia-se também uma grau* 
de feira. 

Teve eremitao, presbytero, apresentado 
pelo abbade de Rebordãos. 

Consta que perto da ermida houve um 
antiquíssimo castello, que, estando arruina- 
do, se aproveitaram os seus materiaes para 
a construcçâo da casa do eremitao. 

REBORD&OS ou SOUTO DE REBORDÃOS 
—Minho. Vide o segundo' D^ordSiei. 

REBORKQHiO— Tide Pedtas Salgadas. 
Antigamente tinha este logar o nome de Be* 
vorêdo-Chão e Beverde-ChãOf e era um c«^ 



66 



REB 



sil» ao qa&l D. Affonso in dea foral, em ja- 
neiro de 1255. {Maço Q."" de faraes antígasj 
IL« 8, fl. 16 V.). 

REBORDÊLLO— aldeia, Douro, na íreirae- 
zia de Ganedo, comarca e concelho da Feira, 
d'onde disU 20 kilometros ao ENE., 30 ao 
SE. do Porto, 5 ao S. do rio Douro, e 300 
ao N. de Lisboa, 16 fogos. 

Era no mcqIo xiy da íjregnezia de Parada 
do Monte. 

É terra muito pobre, pois que os seus mo- 
radores vivem quasi exclusivamente de fa- 
ser molhos de carqueija, que vão vender á 
aldeia de Pé de Moura, sobre a margem es- 
querda do DourOy e é d'aqui conduzida para 
a cidade do Porto. 

Ha aqui uma capelb, pequena, de pouca 
valia, mas muito antiga, dedicada a Santa 
Barbara, virgem e martyr, à qual fazem 
uma festa (á custa de esmolas) na primeira 
oitava da Paschoa. 

Esta aldeia está situada na encosta Occi- 
dental da serra de Lavercos, no sitio deno- 
minado mon/tf da Ossa. 

Corre-lhe ao sopé o rio Iíúul, que a 3 Id- 
lometros de distancia, morre no rio Douro, 
no sitio chamado Foz da InluL 

Vide Mosteiro do Ribeiro, no 5.* volume, 
a pag. 560, col. 2.* 

REBORDÊLLO — freguezia, Traz-os-lf en- 
tes, comarca e concelho de Ymhaes, 70 ki- 
lometros de Miranda, 450 ao N. de Usboa, 
180 fogos. Em 1757 tinha 135 fogos. 

Orago S. Lourenço. 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
gança. 

Está annexa a esta freguezia, a de Yalle 
d'Ameiro. 

O real padroado apresentava o abbade, 
que tinha 300^000 réis de rendimento. 

Ê terra de clima excessivo, mas fértil em 
eereaes, fructas, legumes e hortaliças. Cria 
muito gado, e nos seus montes ha grande 
abundância de caça. 

É povoação muito antiga, e chamava-se 
Bevordêtto. 

BEBORDÊLLO (antigamente Revordêtto) 
— fteguezia. Douro, comarca e concelho de 
Amarante, 48 kilometros ao NE. de Braga, 
370 ao N. de Lisboa, 70 fogos. 



REB 

Em i757 tinha 99 fogos. 

Orago Nossa Senhora das Dores {antiga* 
mente Nossa Senhora das Neves). 

Arcdi)ispado de Braga, districto adminia* 
trativo do Porto. 

O D. abbade benedictinQ, do mosteiro de 
Amoia (S. João do Ermo), apresentaTa o 
cura, que tinha lOMOO réis de congnia e o 
pé d'altar. 

Esta povoação pertenceu ^uitigamente â 
comarca e concelho de Celorico de Basto. 

É terra fértil. Bom vinho verde. Muito 
gado e caça. 

Tinha foral velho, dado por D. Affonso m^ 
em Guimarães, a 16 de maio de 1JS58. (La- 
vro !.• de Doações de D. Afonso III^ 11. 29» 
V., col. 1.% no principio). 

KEBORDOES ou REBORDlOS — fregne* 
zia^ Douro, comarca e concelho da Santo 
Thyrso, (foi da mesma comarca, mas do ex- 
tincto concelho de Negréilos), 24 kilometros 
ao SE. de Braga, 335 ao N. de Usboa, S» 
fogos. 

Em 1757 tinha 123 fogos. 

Orago S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis* 
trativo do Porto. 

O bailio de Leça, a mitra de Braga, e a 
D. abbade benedictino de Santo Thyrso^ 
apresentavam alternativamente o abbade, 
que tinha 400JM)00 réis de rendimento. 

Foi honra e viUa. 

Em 1226, era senhor doesta villa, Gil Mar- 
tins, filho ^ Hartim Fernandes de Sà, e a 
deu n'esse anno aos monges l)entos de Santo 
Thyrso. 

É terra fértil Cria muito gado de toda a 
qualidade. 

REBORBÕES OU BEBORDiOS— fregueiiay 
Minho^ comarca e concelho de Ponte de Li- 
ma, 24 kilometros a O. de Braga, 385 ao N. 
de Lisboa, 120 fogos. 

Em 1757 tinha 105 fagos. 

Orago SanU Maria (Nossa Senhora da Ex* 
pectação). 

Arcebispado de Braga, districto adminia- 
trativo de Yianna. 

O D. abbade benedictino de S. Bomão de 
Neiva, apresentava o vigário, que tinha réis 
70JÍ000 e o pé d*altar. 



BEB 

É tem fertiUssima, sitoada próximo da 
luargam esquerda do poético rio Lima. 

Ma eerra da Nó^ limites d*e8ta fregoezia, 
está o somptuosissimo templo de Nossa Se* 
nbora da Boa Morte» do qual já tratei no vo- 
lume ±% eoL i.% e Yolmae G."", pag. 101, sob 
a pUavra Nó, serra do Uinho. 

Janto, ao templo da Senhora, ha.yestigioa 
de antigos ediâcios : dizem un^, qoe são os 
restos de orna fortaleza romana; outros sus- 
tentam, que sao ruinas de um mosteiro de 
monges bentos. 

Ao monte do Nó, chamavam também ser- 
ra de Bebordões; e D. Ordonho II, rei de 
Oviedo e Leão, e sua mulher, D. Elvira, na 
doação que fizeram da Correlhan^ a S. Thia* 
go de Gompostella (Galliza) em .914, dâo a 
este monte o nome de Monte Nahor, ou 
Mayor. 

Já se vé que é povoação muito antiga. Yi': 
de o Bebordões seguinte. 

REBORDÕES (Souto de) -— antigamente 
SatUode Búbordãas. (É a íreguezia seguinte.) 

Entre os termos da villa de Ponte do Li- 
ma, e freguezia da Correlhan, e extintos 
coutos da Queijada, Cabaços e Feitosa, es- 
tava o coivselho do Souto de Bebordãos, ha 
muitos annos supprimido. 

Era da coroa até ao tempo do rei D. Dl* 
niz. 

Este monarcha o deu, pelos annos de 1310, 
a seu filho bastardo^ D. Monso Sanches» (o 
de YiUa do Conde) e este vendeu o senho- 
rio, a Gil Afionso de Magalhães, senhor da 
casa de Magalhães, Terra da Nóbrega, Mo- 
rilhões, e Font'-Árcada, que tomou o titulo 
de donatário d'este concelhOi e o possuiu e 
os seus descendentes, até que acabaram os 
senhores donatários. 

Rendia este senhorio, aos seus donatários, 
d3j;000 réis annuaes, que a camará do con- 
celho recebia do povo, e entregava ao do- 
natário. 

O concelho era apenas composto de duas 
freguezias <e por isso, muitos lhe dão o ti- 
tulo de Sonto.) 

Eram— S. Salvador do Souto (a seguinte) 
que em 1700 tinha 14a fogos^-e Santa Ma- 
ria de Rebordões (a antecedente) que no 
mesmo anuo de 1700, tinha 100 fogos. 



REB 



67 



Nada menos de 7 íoraes foram dados a 
este pequeno concelho. 

l."" D. Affonso Henriques lhe deu o 1.", 
sem data, que seu neto, D. Affonso II, con- 
firmou em Santarém, a 3 de fevereiro de 
12ia 

%."> Dado por D. Sancho I, em 1196. 

S.*" Dado pelo mesmo soberano, em agos- 
to de 1207. Este é datado de Correlhan. 

4.* Dado por D. Affonso III (quando ain* 
da regente) em março de 1247. 

S.« Dado pelo mesmo monarcha, em Gui- 
marães, a 27 de maio de 1258. 

6.<' Dado pelo mesmo D. Affonso III^ em 
Leiria^ a 8 de março de 1268. 

!.• Dado também por D. Affonso III, em 
Lisboa, a 16 de sèptembro de 1270. 

(Vide Franklím, pag. 287 e 288.) 

Todos os foraes subsequentes, confirma- 
vam os antecedentes, e lhes augmentavam 
os privilégios. 

Vé-se que este concelho, ainda que pe* 
queno, era de grande importância no prin* 
cipio da nossa monarcbia. 

REBORDÕES ou REBORBÃOS antigamen- 
te denominada SÃO SALVADOR DO SOUTO 
DE REBORDÃOS— freguezia, Minho, na co- 
marca e concelho de Ponte de Lima, 18 ki- 
lometros ao O. de Braga, 365 ao N. de Lis* 
bua, 2iO fogos. 

Em 1757 tinha 123 fogos. 

Oragq, o Salvador. 

Arcebispado de Braga, dístricto adminis* 
trativo de Vianna. 

A mitra primacial apresentava o prior, 
qne tinha 2504000 réis de rendimento. 

É terra fertilissima, como todas as das 
margens do Lima, e soas proximidades. 

Muito gadio de toda a ^pialidade^ e peixe 
do rio e do mar. 

Esta fireguezia era a sede do extincto con- 
celho do Souto de Rebordaos. 

Vide o Bebordões antecedente. 

REBORDOSA — freguezia. Douro, na co- 
marca e concelho de Paredes (era do mes^ 
mo concelho, mas da comarca de Praafiel), 
24 kUometros ao N.K do Porto, 340 ao N. 
de Lisboa, 410 fogos. 
. Em 1757, tinha 336 fogos. 

Orago^ S. Miguel, archanjo. 



69 



REB 



Bispado e districto^ admioistratiTO do 
Porto. 

O real padroado apresentava -o abbade, 
que tinha llfOMOO réis de rendimento. 

É uma das maiores e mafs ricas fregae- 
zias do concelbo; ó terra fértil em todos os 
fmctos do nosso clima. 

Cria muito gado de toda a qualidade. ' 

Âq&i foi abbade, até 1834, o distineto 
orador sagrado, Alvito Bnela Pereira de Mi- 
randa. 

Era violentíssimo nos seus sermões, sem- 
pre repletos de paixões politieas; e por isso 
foi, e ainda é, detestado pelos liberaes, que 
lhe votaram um ódio implacável. 

Era do mesmo modo ftiribando nos seas 
escriptos; mas o homem imparcial deve con** 
fessar qae este esclarecido ecelesiastico pro- 
phetison, com a maior exactidlo, o fatmro 
éo catbolicismo, em Portngal. 

Em certa occasiâo (1831) na egrejâ de 
Santo ndefoDso, no Porto, sabia ao palpito, 
e antes de principiar o sermSo, disse— S# 
n'este templo está algum IH^eral, previno^o 
de que o mev^ discurso o hade fazer rnita- 
rello. 

' Isto ouvi ea; e confesso qae é até onde 
pôde chegar o rancor politico do ministro 
de uma religião toda de paz e carídâde. 

De mais — «Não é com vinagre qae se 
apanham moscas,! 

REBORÊD A oa ROBOBfiBO— fregaetíiá flo 
Alto Minho, no concelho e 5 kilometros ao 
E.N.E. de Yilla Nova da Cerveira, coníarca, 
e 14 kilometros ao O. de Valleiça, 60 kilo- 
metros ao O.N.O. de Braga, 415 ao N. de 
Lisboa, 175 fogos. 

Em 1757 tinha 141 fogos. 

Arcebispado de Braga, distrfcto adminis- 
trativo de Yianna. 

Orago, S. João Baptista. 

Tem ha mnitos annos annexa a extinctà 
fregaezia de Gontige. 

O real padroado, o morgado de Santo An- 
tónio (na fregaezia de Santa Martha, termo 
de Yianna) e o morgado da qointa dá Grsi^ 
dosa, termo de Ponte de Lima, ^resenta-^ 
vam alternativamente o abbade, qae tinha 
de rendimento 400^000 réis. 

É ama das maiores, mais ricas • férteis 



B£B 

fregaezias do concelho; e está fomtosstl&eil* 
te estendida em ama vasta planície sobre ar 
margem esqnerda do rio Minho, ficaildo-ilio 
em frente a Gallíza (ao N.) 

É atravessada pela estrada real de f.* 
classe, de Lisboa para o norte, condâida mn 
1866; e também pelo camiiího de ferro da 
Minho, em constrncçao, o qae^ com eertefza, 
aagtnentavá a prosperidade doesta fregaezia* 
e límttrophes. 

Está n'esta fregaezia a torre solarenga 
dos Roborédos oa Roboredas^ constrnida por* 
Gonçalo Annes de Reborédo. 

Foi sea filho, João Gonçalves de Rebore* 
do, qae casoa com D. Sancha Gonçalves de 
Barroso, e foram estes os progenftores dos 
Reboredoside Alcácer do Sal, Aher do Chio, 
Poz-Gda, Setçibal, Torres Novas^ etc. 

Yé-se em papeis antigos, este appellido 60- 
CHpto de quatro modos diversos— A^/Alo, 
Reborédo^ Roborêda, e Roborêdo. 

Nos mannscríptos da casa Palmella, que 
sio os mais exactos em genealogias e ap- 
peltidos, vem sempre escripto Roborêdo. 

Para as saas armas, vide ÂJcàcef do 
Sal. 

O ramo principal d*esta familla, está ho- 
je na Galliza, porqae D. Garcia Ordenhes 
de Roborôdo, casoa n'aqaella provinda, e 
nnnca mais voltoa a Portagal. ^ 

H(^e, esta família, étn Hespanha, é repre- 
sentada por D. Ignacio Pereira de Reboré- 
do, qae foi offleial do exercito de Carlos 
YH. ' • 

Nao se sabe se esta fregaezia tomoa o no- 
me dos Reborédos, oa se estes tomaram o 
appellido da fregaezia onde tinham o sea 
solar; o qae é certo, é qne Reborédo, oa Ao- 
borêdOf é nome próprio de homem. ' 

É também n'esta fregaezia a grande quin- 
ta da Gandarãia, da qnal são actaaes pos- 
suidores, os fithos e herdeiros de Sebastião 
de Castro Lemos, da casa do Covo, eni Oli- 
veira de Azemei9, e de sua^Q^alhor, D. Emí- 
lia Maria Amónia Pamplbna de Souza Hols- 

• 

. 1 con^e D.Pedroy dizqoeoARqboredoa. 

! da Galliza, procedem de Feroam Gonçalve^ 

ícavaneiro da Terra de Souza (hoje Paredeís)' 

e de sua mulher; !>. Oxanea Dias d'Urrô.' 



BEB 



REB 



m 



ima, que era Irman da senhora condessa de 
Rtenide» mãe do sr. conde do mesmo ti* 
tolo. 

A quinta da Gandarélla, taml)em tem nma 
torre deamantellada, e grandes casas, em 
ruínas. 

Era do yincolo institoido por Diogo de 
GaMas Barbosa, abbade de Go^as (ooUateral 
dos .Castros do Covo) o qual vinenlo foi, de- 
poi» de i640, incorporado ao de Yiila Nova 
da Cerdeira; e ó por isso que veio aos Cas- 
tros, do Covo, bem como as casas de Lapel- 
la» Tàias, Ura, e Troporit, qae também 
eram do vinculo do abbade de Covas. 

Tenho a notar aos meus lei- 
tores, qne o que diz respeito 
á torre dos BBborédo$i foi ex- 
trahido do Dkcimario atre- 
9iad0y etc., de José Avelino de 
Almeida, professor official de 
latim e latinidade, da villa de 
Valença do Minho. 

Ba ftii a Reboreda umas 
poucas de vezes, e nao vi lá 
vestígios de outra torre, senão 
a da GandareUa. 

Desconfio que o abbade de 
Covas, comprou o que aqui ti- 
nham os Reborédos, e que a 
sua torre e a dos Castros, é 
uma e mesma cousa. 
Esta freguesia é antiquíssima, e pertenceu, 
até ao I5.« século, ao bispado de Tuy. 

Diz-se até que existiu aqui nma cidade 
gothica» chamada Gontigê; e ó certo que ha 
haittantes vestígios de antigas construc- 
çoes. 
Vide GofUige. 

(Gontige, é corrupção dé GoiUiz, nome 
iiatronimico, que significa, filho, ou da fa- 
mília de Gonta). 

RSBORfiDO ou ROBORÊDO — montanha 
de bastante altura, Traz-os-Montes, próximo 
• da fireguezía e concelho da yilia da Torre 
de Moncorvo^ e, em grande parte, povoada 
de arvores silvestres. 

È abundantíssima de minas de óptimo 
ferro, superior em qualidade, e ainda mais 
em quantidade^ ás mbias de ferro da serra 
dos Monges. 

VOLUKBVm 



Os sítios ende mais abunda o minério, 
constituindo a maior parte do solo, são: 

Fragas dos apriscos^ Alto do Chapéu, Bar^ 
ro Vermelho^ e Sobralhàl; todas nos limites 
da freguezia da Torre de Moncorvo, e a do 
Cabeço da Jlfó^ ]a no districto da freguezia 
de Felgar, do mesmo concelho. 

O sr. AdolpkoLeuschner^sÀleuãú^e enge- 
nheiro de minas, foi reconhecido descobri- 
dor legal das minas de ferro do monte Re- 
borédo, em }unho*âe 1876. 

Pelo ministério das obras publicas e mi- 
nas, haviam sido encarregados os distinctos 
engenheiros de minas, os srs. João Ferreira 
Rraga, e Pedro Victor da Costa Sequeira, 
de examinarem estes jazigos, e, segundo o 
seu relatório, ó necessário um capital de 700 
contos de réis, a qualquer empreza que ten- 
te aproveitar devidamente o minério does- 
te monte. 

Na minha opinião (que pouco vale) ainda 
com 700 contos se não aufeririam todos os 
lucros que estes riquíssimos -jazigos podem 
dar; porque as minas estão em muito más 
condições, a muitos respeitos;-— 1.% parque 
o combustível vegetal doestes sítios (mes- 
mo concedido que os seus donos o quises- 
sem vender) em poucos mezes se esgotaria, 
e para vir de longe, não valia a pena— 1% 
seria precizo tomar navegável o rio Sabor, 
desde Reborédo até ao Douro (ou até ao ca- 
minho de ferro do Douro^ quando se con- 
struir—se construir— n'estas paragens) para 
o que ter-se-bíam de expropriar grande nu- 
mero de mottas, madrías, levadas e açudes, 
o que montaria a muitos contos de réis 
— 3.*, porque, ficando, como ficava, caríssi- 
mo o combustível vegetal,. teria de vir o mi- 
nerio em procura de carvão mineral, das 
minas de Paiva, ou São Pedro da Cova, pa- 
ra a primeira fundição; e, ainda que o mi- 
nério dé (como se calcula) 50 por cento de 
ferro, sempre, seria preciso o dobro da des- 
pesa da conducção, visto ser o dobro do pé- 
S0--4.*, o grande custo de boas estradas, em 
espiraes, ou lacétes, desde a baze, áté ao 
cume da montanha— 6.% finalmente, os gran- 
des perigos de naufrágios no Douro. 

As minas de ferro, carvão, phosphato'de 
cal, e outros míneraes baratos, para que 

5 



70 



REB 



REG 



dêem resulcados animadores, dependem, en- 
tre outras condições, da sna sitnãçao topo- 
graphica, próximo de caminhos de (erro, on 
de rios navegáveis; de modo qae, sem gran- 
des sacriflcios, possam bír procurar as in- 
dustrias, e nào estas procurar o mineral. • 

Em conclusão: só uma companhia pode- 
rosíssima, e coadjuvada pelo governo, pôde 
tirar das minas de ferro de Reborédo, gran- 
des e animadores resultados; e, ao mesmo 
tempo, trazer a riqueza e prosperidade ao 
concelho da Torre de Moncorvo e imme- 
diatos. / 

Vide Beborêto. 

REBORÊTO ou R0B0R£T0— monte. Traz- 
os-Montes, a 18 kilometros ao S. de Mon- 
corvo, Junto ao logar á* Urras, e ao O. da 
egreja de Santo Apolhnario. 

A coroa d'este monte está cercada de for- 
tes muralhas, em minas, e dentro do seu 
âmbito, vestígios de alicerces de muitas ca- 
sas, o que prova ter^iqui existido uma gran- 
de povoação. ** 

Do lado do norte, abaixo das referidas 
muralhas, e ao fundo de uns altos rochedos, 
está uma concavidade subterrânea, chama- 
da Buraco dos mouros, que é uma galeria, 
com sufflciente largura para 5 ou 6 pessoas 
a par. 

Ainda não houve quem se atrevesse a che- 
gar ao âm d*este antro. 

Os que mais n'elie tem avançado, encon- 
travam, de distancia em distancia, uma es- 
pécie de salões, tudo manifestamente obra 
dos homens. 

Suppõe-se, com bons fundamentos, que 
sejam minas esgotadas, que os romanos la- 
vraram no seu tempo. 

Sabemos que o nosso povo attribue aos 
árabes todaà as obras antigas, cuja origem 
desconhece; e é por isso que chamam a esta 
extença galeria, Buraco dos mouros; mas, é 
muito mais provável que seja obra romana; 
não só porque esta província esteve muitos 
annos sob o domínio dos imperadores, co- 
mo pela grandeza que elles costumavam em- 
pregar nas suas construcções: não assim 
os mouros, que construíam tu^o, ou quasi 
tudoy mui tosca e passageiramente; nem el- 
les estiveram n*esta província, tão pacifica- 



mente, e por tanto tempo^ qne podess^nt 
executar obra de tanto dispêndio e tão gran- 
diosa. 

Ao contrario, sabemos qne os romanos 
foram senhores paciQcos da Peninsula his- 
pânica, por espaço de quaâi 500 annos^ e 
que das Astúrias e Galliza (em cuja eir- 
camscripção se oomprehendia a actual pro- 
víncia de Traz-08-Montes) extrahiram gran- 
de cçpia de onro, prata e outros metaes. 

Cré o povo da freguezia de Urrôs^ e das 
immediatas, que as minas que se vêem na 
coroa do monte, como já disse, são os res- 
tos da cidade romana de /{arena, na qval 
foi martyrísado Santo Apolhnario. Vide Ca- 
labria. Batina e Urras. 

BEÇA ou RESSA — portuguez antigo— o 
logar exposto ao sol, soalheiro. 

Julgo que de reça^ é que o nosso povo ièa 
réstia (uma réstia do sol.) 

Na minha opinião, tem a mesma origem 
as palavras rocio (antigamente resaiu) e 
ressaio, ou arressaio; porque nós damos o 
nome de rocio, á planície mais qu menos 
vasta, desprovida de arvoredos que a abri- 
guem dos ardores do sol; e de arressaio, i 
encosta ou monte nas mesmas condições. 

Em frente de Porto 4e Bei, na freguezia 
de Barqueiros, no concelho de Mezão-Frioi, 
comarca de Pezo da Régua, ha um areal, na 
margem direita do Douro, ao qual, pela soa 
exposição aos- raios do sol, se dá o nome 
de Beça, e também o de Passagem (por ler 
alli existido a barca de passagem, chamada 
de Pot-Deus, ou por uma capella dedicada 
ao Senhor da Bôa Passagem, que está em 
uma quinta, logo acima do areal da Réça.) 

Logo acima doeste logar, está a fregoe- 
zia de Frende, na comarca e concelho de 
Baião. 

É em Frende (e não em Trenie como lhe 
chamavam quasi todos os Jornaes, tratando 
do*assassinato de um homem) que se con- 
struía um dos tunnds do caminho de ferro 
do Dottip. 

REGABDO ou REGÃBITO—portugaez an-^ 
tigo— recebimento solemne, de homem oom 
mulher, em face da egreja, segundo os câ- 
nones; porisso, á mulher assim casada se 
dava o nome de recabedada. 



BEG 



REC 



71 



MSÇAGA— pormg^ezaiitigo^rectagiurda 
(de um corpo de exercito.) 

REGÁPITO — portQguez antigo — recado 
que se manda por algum mensageiro, a 
outra pessoa. 

Ainda hoje se usa este termo na Itália^ 
com a mesma signiflcaçao. 

R£GARDÃES--^vina, Douro, comarca, con* 
celho e 1:500 metros ao S.O. d'Àgueday 18 
kilometros a N.B. d^Aveiro, 40 ao N..âe 
Coimbra, 945 ao N. de Lisboa^ 240 fogos. , 

Em 1757 tinba 141 fogos. 

Orago, S.* Miguel, arcbanjo. 

Bispado e distrícto «- administratiTO de 
Ateiro. 

(Foi do bispado de Coimbra.) 

O cabido da Sé apresentava o prior, que 
tinha 300^000 réis de rendimento. 

£ terra fértil, e fica a 1 :500 metros ao S. do 
rio Águeda (margem esquerda) 9 kilome- 
ti^ a N.E. da estação do caminho de ferro 
do norte (Oliveira do Bairro.) 

£ povoaçSo muito antiga, e o seu nome 
signiflca^Ti^rra dos Becáredos, 

O documento mais antigo que se encon- 
tra com respeito a esta villa, é do anno 1016, 
em que (segundo o lAvro Preto da Sé de 
Coimbra) Resemundo Maureliz, doou ao 
mosteiro da Yaccariça (Mealhada) a aldeia 
de Recardães. 

No archivo do mosteiro de F^ifedroso (10 
kilometros ao S. do Porto) existia um inven- 
tario dos behs que tinha adquirido D: Gon- 
çalo e sua mulher, D. Flâmula ^ feito (o Inven- 
tario) no anno de 1050 de Jesus Christo. 

N'e8te inventario se menciona o mosteiro 
de-5a/a, o de S. Julião, metade do de Ceda- 
rim (Cedrim) e metade da egreja de ReCár- 
dles. ' * ' 

Foi cabeça de concelho e da comarca-, com 
jniz ãe fôroy camará, e mais empregados 
dveis e municipaes. 



1 Este D. Gonçalo era filho do conde D. 
M^ndo Luci, ao qual D. Affonso V, de Leão, 
tinha feito governador doestas terras, e ti- 
nha do dito rei, regalamos et cmdaáa, et 
manácmmaa t» rripa AgtUa. 

,D; Affonso V deu estes senhorios ao coa* 
de D. Mendo, quando residia (o rei) em Mon<* 
te-Mór- Velho, sobre o Mondego. 



Metade da freguesia d' Águeda, que fica na 
margem esquerda (S.) do rio d'este nomo 
e á qual, parte, se dà o nome de Sardão^ 
pertencia á comarca de Recardães: a outra 
metade, a villa d'Agueda, propriamente dl* 
ta,. era da comarca d'Aveiro. 

Era no logar do Sardão que x» juiz de fó* 
ra de Recardães fazia as suas audiências; e 
ainda existe a casa da camará, hoje cadeia. 

D. Affonso Henriques deu aos templários 
o senhorio de Recardães, e elles aqui insti* 
tuiram uma commenda. 

Foram também estes cavalleiros què con« 
stmiram a actual egreja, no reinado de D. 
Sancho I. 

Foi commendador e senhor donatário de 
Recardães, D. Fernando (ou Fernão) San- 
ches, 3.* dos filhos naturaes do rei D. Di* 
níz, nascido depois do rei estar casado com 
a rainha Santa Isabel, mas antes d'ella ter fi- 
lhos. 

É porisso que D. Fernando usava por bra* 
zão d'arma8, o escudo real, com a quebra 
de adultéríno. * 

D. Diniz amou muito este filho, e o en- 
cheu de dadivas e beoeficios. 

Em 1290, lhe doou os bens confiscados 
por dividas a Pedro Eannes, almoxarife de 
Lisboa; por carta régia, datada de Santa- 
rém, a S8 de fevereiro d*aquelle anno. 

Sendo ainda muito creança, o entregou 
seu pae aos cuidados de D. João Simão, 
meirinhO'mór da casa do rei, seu valido, e 
um dos nobres e instruídos fidalgos da sua 
côrte^ ao qual nomeou tutor e administra- 
dor geral da casa de D. Fernando. 

Era senhor da egreja de São Pedro de Ta- 
rouca,.a qual deu ao mosteiro de Salzédas 
(por auctorisação paterna) em troca da egre- 
ja de Fonte-Arcada (hoje do concelho de 
Sernancelhe, comarca de Moimepta da Bei- 
ra) por escriptura de 3 de agosto -de 1297. 
<A própria Tainha, Santa Isabel, amava' 
muito a p. Fernando, pelo que o rei, por 
carta de 31 de janeiro de 1298, Ih'o entre- 
gou juntamente com seus dois ontros IlHios' 
bastardos, D. Affonso Sanches^ e D. iPedro 
Affonso, pára serem todos três por ella go- 
vemqdos^ ou dar-lhes tutores e -curadores^ 
çHoes ellet bem fizesse. 



72 



BEG 



REC 



Foi eaneellario de D. Fumando, o abbâde 
de 8. Pedro das Agniii^ D. Joio Eaimes. . 

Foi eale D. Fernando qoe eonelnia as 
obns da egreja de S. Francisco, de Lamé* 
90^ e oonstraiaa soa anUga capella-mór» 
onde se mandoa sepultar, mas isto nao te- 
^ effeito, como adiante se verá. 

Casou com D. Froilhe Anne8*de Briteíros» 
filiia de D. Joio Rodrigues de Briteiros, jrí- 
eo-homera, e de D. Guiomar Gil de Sovero- 
sa» grandes fidalgos d*esse8 tempos. ^ 

EsU D. Guiomar, era fiUu de D. Gil Yas- 
qoes de SoTerosa, rico-homem, que morrea 
Ba batalha de Gouveia, na guerra* cítU, en- 
tre alguns fidalgos portuguezes, a qual te- 
^ logar em 1277, no fim do reinado de D. 
Affonso III. 

Mao bouYe filhos d*este casamento. 

Em 1294, seu pae, D. Diniz, lhe deu o 
senhorio de Reeardaes, e de outras terras 
do Julgado do Vouga. 

Em 1300 lhes deu também a herdade da 
Qrta dê Nomãa, que fora d'Egas Mendes, es- 
cudeiro, sobrinho do bispo de Lamego. 

Em 29 de agosto de 1303, IIm deu as Li- 
2iria$ do$ Portos^ no termo de Santarém. 

Em 1306^ lhe deu o reguengo de OlíToira 
do Conde. 

Foi em extremo liberal, partícularm«ite 
com seus irmãos, e como nao tinha filhos 
fez doa^ de muitas aldeias e rendas, em 
Tarías partes do reino, a seu írmào bastar- 
do^ D. João Afonso, por escriptura feita' no 
mosteiro de S. Domingos das Donas (Sahta-. 
rem) em 31 de janeiro de 1323. 

Pelo mesmo tempo, deu a seu irniao le- 
Silimo, D. Affonso (depois rei, 4."* do nome) 
todas as herdades que possuía no termo de 
Sastarem. > 

1 D. João Rodrigues de Briteiros, era filho 
de Ruy Gomes de Briteiros, ríeo-homem, e 
grande privado de D. Affonso III, e seu 
mordomo-mór: e de D. Elvira Annes, da ca- 
sa de Amaia, filha de D. João Pires de Amaia, 
o que se achou na batalha da Várzea dos 
Cavallelros (hoje eomarea e coooelho dai 
Cwian) em 1246, e matou sete leoneses^ de 
sete lançadas; e de D. Guiomiar Mendes, fi-^ 
lha do conde D. Mendo. 

^ D. Affonso lY deu depois estas pro^He- 
dades, a sua mnlher, a rainba D. BrilM> fi- 



Em 13 deaoTembrode 1327, dooutodr» 
os bens que lhe restavam, ao mesma D. Aí • 
fotiso, já eaiio reL 

Pelos annos de 1329, estando na soa com- 
menda de Recardâcs» aqui falleeeu, no met 
de Julho. 

Foi sepultado na capdla de S. Goane • 
Sw Damãho, da egreja de S. Domiagos^di» 
Donas, em Santarém. 

Instituio capella, com missa quotidima, 
para o qoe deixou muita fazenda, para ser 
administrada pelo convento dominico. 

Eram as propriedades de Cabeça fa^ 
e cinco hastíns < de terra, em VaiMa tfa 
Biba-Tejo^ que os frades dominlcos depois 
trocaram por oqtros, no àisal do Paço A^ 
TMeiro. 

Seu sepulchfo, é uma arca de pedra, de 
obra antiga, e está da parte do Evangdbó, 
embutido na parede, com a sua estatna m 
vulto, feiu da mesma pedra, e o seu braão 
d'armas. 

Teve uma inscripçao, ba muitos aonòi 
illegivel, por gasta: depois se lhe gravou oq* 
tra que diz: 

SKPULTiniA DB D. FSRMÂHDO SANCHES» 
FILHO n'BL-Rn D. Duns. 
TKM MISSA QOOrmiAllA. 

No cartório d'e8te mosteiro, entre mnit» 
breves, .de graças e privilégios, havia m 
que prohibia abrir-se esta sepultura^ um 
ordem 4a congregatâo dos cardeaes. 

D. Dinis, teve só dois filhos legitimo8-4). 
Afkmao IV,. que lhe succedeu na coroa, e D. 
CoDstançi^ que casou com D. Aflfonso lY, ^ 
Gastella. 

Teve 6 filhos bastardos: 

1.% D. Affaím Sanches^ conde d'AUn- 

lha de D. Sancho IV, de Casteila, que as 
deu ás capellas e hospital que institaia na 
Só de Lisboa (jillgo que no edificio hoje ca- 
deia do ÂJfitbe^ junto da egreja cathearal.> 

1 Hastim^ astm ou aetU, era uma medida 
agraria usada no Riba*Tejo. 
. Tinha 25 pa/mos óraveiros de laifo, m 
toda a extensão do canoipo, vinha» prèdfi^ 
monte ou paiU/ . 

No campo de Colittbra, dlz*se atuWimL 



KEG 



BEG 



73 



^i|^rq«6^ e inordoiiio^mór de D. Affonm 
IV. 1 
2.% D. Peèro Affomo, conde de Bareel- 

l08. 

3.% D. Fernando Sand^ês, senhor de Re- 
^ardães. 

4.% D. João Affmuo, alfere8*niór, e proge- 
nitor doe Pooeee, por casar com D. Joanoa 
Ponee. 

5.*, D. Maria Âffonso, que caeon com Joio 
^e' Lacerda. 

6.*, D. Maria Sanches, qne foi freira em 
Odivellas. 

Pela sappressão da ordem do Templo 
<i31i) fiooa esta ooinmenda pertencendo â 
«or6a, até que, em 1319, foi, com indo o 
mais que pertencera aos templanos. para a 
ordgm de Cbristo, que o rei D. Diniz então 
instituirá. 

Eram commendadores os duques d'ATBi- 
ro, que possuíram isto até 17G9, em que, 
eom a Tida, no patíbulo, perderam todos os 
bens para a coroa. 

Os templários deram o i.* foral a Ileear- 
4Se8, pelos annos de USO; mas perdeu*8e 
sem d'elle ficar cópia. 

D. Manuel lhe deu foral 9Qvo, em Lisboa, 
a SO de março de 1516. (lírro dos ferais 
Wioos da Raotremadura^ fl. 218 ▼., col. S.«) 

Este foral serfia também para iOam?onro, 
FeUeira^ lombada, Paradella^ Pévoa^ Say- 
mOf Trociscaly e ViUa Nota. 

Sm 20 de fevereiro de 1876, íoi feítti bh- 
rio de Recardies, o sr. José Gerròira de 
MeUo. . . 

REGAREI -r-íregaeúa, Douro, ^^^narca e 
«Qlieelho de Paredes (fúá do aesno^coiice- 
lho, mas da comarca de PenafieQ 25 kHÒ* 



& D. AimsoL SaneUsa, em filho fle D; AI- 
don^ Rodrigues Telha. . ._ / 

. Casou com D. Thereza Martinl, filha de 
D. João Affonso de Menezes, conde de Rar- 
edloi^ • neu de D. Affonso IV; de Gas- 
teila. 

. D. Affonto Sanches e stu mulher, foram 
flénhores de Yilla do Gondeu eiúndadores 
do mosteiro real de SanU Clara, de IMiriia 
franciscanas d'esta viila, em cojà egnjaes- 
tík) sepultados. 

Vide FiMa do CoiMfe. 



melros ao N.E. do Porto, 320 ao N. de Lia* 
boa, 230 fogos. 

Orago, Nossa Senhora do Rom Despacho. 

Rispado e districto administrativo do 
Porlq. 

Esta freguezia nlo vem no PortugeU Sa* 
cro e ProfanOf nem no Dicàonario Geoffrm* 
phico, do Plavlense. 

E* terra fértil. 

A egreja matriz, estava bastante arruina- 
da, mas em nojrembro de 1876, o governo 
lhe mandou dar 500^000 réis, do dinheiro 
das bulas, para reparos. 

E' n*esta fjreguezia a 4.* estação do cand* 
nho de ferro do Douro (nlo contando a prin- 
cipal) 

Era natural d'esta freguezia, o infelis dou- 
tor, -Manuel Luiz Nogueira, jnix de fora dé 
Aveir<^ enforcado, por liberal, com mala 9 
companheiros, na PraçaNova do Porto^ em 
7 de mafo de 1829. ^ 

Também se disse que era natural de Atf- 
tar; provavelmente, por ser terra maia co- 
nhecida, e próximo a Recarel, que lhe fica 
a.S.O. 

Vide a nota. 

Ainda vivem na casa onde nasceu o dou* 
tor Nogueira, os sobrinhos, filhos de seu ir* 
mao José Luiz Nogueira, fallecido ha pou- 
cos annos. 

Julgo que o nome d'esta freguezia, é cor- 
rupção de Recaredo, nome próprio de ho- 
mem, que antigamente se pronunciava Il9- 
carêdOy e hoje se escreve e pronuncia iK- 
eardo, 

.. RSGEANQA — portnguez antigo — susto» 
medo, receio, temor, etc. 

REGEAO ou REÓiO— aldeia. Douro, na 
freguezia de S. Martinho de Garamôs, cornar» 
ca é concelho de Felgueiras. 

Arcebispado de Rraga, districto adminfa* 
trativo do Porto. 

Houve em Receio, o mosteiro de Santa 
Maria, de freiras (conegas) agostinhaa, quo 



1 A sentença diz que era natural do Por- 
to, e eu assim o disse a pag. 329, col. 1.* 
do 7.* vol.; mas o sr. doutor José Rarbosa 
L«ú>, que é natural d'eates sitios» diz que o 
infeliz Nogueira era de Recarei. 



74 



REC 



fieava a i:im> metros do de S. Martinho de 
Garamôs. 

Foi foodado pelos annos ds li50, e D. 
JkffoDSo Henriqaes o cootoo^ pelo raesmo 
tempo. 

Bm 1172, D. Yaasqiuda, abbadessa d*este 
«osteíro, pos demanda ao prior de Carannds, 
D. Payo Fromarigaes, para este lhe largar 
uma grande herdade, que fora de D. Ara- 
foma Mendes. 

Nio se sabe como, nem quando este mos- 
teiro se extinguia. 

RECSBÃO oa RECIiO — fregaezia, Beira 
Alta, concelho, comarca e próximo (ao S.) 
de Lamego. Tinha 25 fogos. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Vi^o. 

£sla freguesia foi snpprimida ha ohú^s 
anhos, mas é celebre pelo que se segae : 

Houve aqui o mosteiro de S. Lourenço» de 
Ireiras benedictinas, fundado por D. Dordía, 
mulher de D. Soeiro, por carta de testamen- 
to^ feita em 1184, dtotando-o com muitas 
rendas. 

D. Affonso Henriqaes coutou o mosteiro 
no principio do anuo de 1185 1, e o deu a 
Mendo Soares. 

rei D. Diniz, pelos annos de 130(V deu 
a estas freiras o foro de fidalgas da casa real, 
para ellas e successoras ; e D. Pedro, bispo 
4e Lamego^ lhes deu os dízimos da freguezia 
deBec^. 

Quatro versões tenho encontrado'com res- 
peito ás reUgiosas d'este mosteiro. 

1.* — Segundo um documento queiéxiste 
BO archivo episcopal de Lamego,' consta que 
om 1438^ só existiam n*e8te mosteiro, D. 
Clara Fernandes, abbadessa, e mais duas 
Ireiras ; e ellas mesmas pediram ao Mesire 
João^ bispo de Lamego, que as mandasse 
para outro mosteiro da sua ordem, toman- 
do conta d*este o mesmo prelado. Elle as- 
sim o fez, dando o mosteiro e cerca aos có- 
negos de S. Joio Evangelisu (loyos) ci^a 
ordem elle tinha fundado em Portugal. 

2.*— No 1* volume do Panorama, pag.-67, 

1 D. Affonso Henriques morreu em Qoim- 
ínts, a 6 de dezembro de 1185l Tinha nasci- 
do em Guimarães, a 25 de julho de lUW. 



RISG 

col. 2j>, no fim, se diz: — «Qual esta ef% (a 
immoralidade dos frades e freiras) se pôde 
conhecer de nm facto acontecido em Reciio, 
no XV século. Era abbadessa d'este conven- 
to, uma certa Clara Fernandes, havendo no 
mosteiro mais duas freiras. Ligou-se a abba- 
dessa com uma d*eUas, e dlslár Qadas com tra- 
jos de homem, mataram a outra. Clara Fer- 
nandes, passou a Santarém, onde casca; e, 
matando d'ahi a pouco o marido, invoeouo 
seu íôro ecclesiastico, como abbadessa^ e, 
sendo remettida ao bispo de Lamego, em 
cuja diocese ficava Reciao, foi absolvida e 
restituída ao seu cargo.» ^ 

^•— No 7.« volume do Santuário Mariam» 
no, a pag. 365, se lé o que passo a resumir, 
e é: 

Próximo ao rio Varosa, e a pouca distan- 
cia de Lamego (cousa de um kilometro) em 
uma lapa, que estava ao pé de um grande 
carvalho, appareceu uma imagem da San- 
tíssima Virgem, â qiial, nm fidalgo astona* 
no mandou edificar uma ermida, da invoca- 
ção de Nossa Senhora do Amparo^ e vulgar- 
mente, do CarvaU^o. 



1 É certo (Jue, nos tempos antigos, havia 
mais desregramento nas ordens religiosas, 
do que depois do século xvi ; porque os iw 
e oa prelados fizeram todaa as diligencias 
para pôr tudo em regra. Mas o que mais 
desacreditava os mosteiroá do sexo femini- 
no, era o facto de muitos d'eHes oào serem 
de (ireiras professas, mas de beatas que nao 

8 referiam voto algum. Ei^tes eram pa mais 
evassos, salvas honrosas excepções. 
Também não era rigorosamente guardada 
a clausura, e as freiras (mesmo professas) 
sabiam múado queriam, com uma sinoplss 
.licença da respectiva abbadessa. 

Outras freiras não tinham o minimo ren- 
dimento, vivendo do seu trabalhoso que era 
motito de graves inmloralidades. 

No reinado de D. Diniz, requeriam as firai- 
ras, publicamente, ao rei, parafque lhes le- 
gitimasse os filhos, declarando nas petiçSás 
quem eram os^iaes, ainda que estes loasem 
clérigos seculares ou regulares. 
. Nas. cortes d*£vora (as segundas reunidas 
n*esta cidade) de 1391, ás quaes presidn 
D. JoíSo I, os povos pediram ao rei que pit>- 
videaciasse sobre a desordem em que esta- 
vam os mosteiros dè ambos os sexos, em 
Portugal 



BEC 



RSG 



75 



Principiaram os povos â'6ste sitio a ter 
grande devoção com esta Sentiora, e a da- 
rém-Hie maltas esmolas e valiosas ofièrtas, 
nnieo rendimento da ermida. 

Parece que esta eapelia estava em una 
íázenda das freiras de Reeião, e como o sitio 
era alegre e ameno, ellas mudaram paraaqni 
o sea mosteiro; mas, passados poncos annos, 
inadaram de opinião, e se tomaram para o 
sea antigo mosteiro; vindo para o novo, os 
e(Hiegos de S. João Evangelista, qae também 
não gostaram do sitio, e regressaram ao seu 
niostèii^o, de" Santa Graz, em Lamego, pas- 
sado pouco tempo. 

A egreja da Senhora do Amparo, é vasta, 
e n*ella se entelravam os moradores do le- 
gar d'Âlvellos, i\vlè era então ama parochia, 
filial da Sé de Lamego. 

Os bispos appliearam para as obras da 
egreja da Senhora do Amparo, algamas fa- 
zendas e as terças de certas freguezias. 

O fandador da egreja— o tal asturiano — 
havia mandado alli construir algumas casas 
para romeiros e para o eremHão^ dando tam- 
bém a «ste duas cercas^ para que elle dos 
seus rendimentos podesse viver. 

Este templo está sobre nm té80> d'onde se 
vé o rio Yarosa, que Ibe corre ao sopé. 

Snpponho qae esta egreja foi matriz da 
freguezia de Receão^ antes de se annexsur á 
da Sé de Lamego; porqae vejo em documen- 
tos antigos denomfnar-se Santa Maria de 
Beeeão. 

4.*— Vejamos agora o que diz, em resomo, 
frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (re- 
ligioso franciscano do mosteiro de Perreii^a 
d* Aves) no seu Elucidário, a pag. t99, col, 
S.% da segunda edição. 

De um instrumento, datado de 13 de se- 
tembro de 1458, que é do consentimento que 
deu o bispo de Lamego, D. João da Gosta, 
para tomarem os cónegos seculares de S. 
João Evangelista (loyos) a povoar' o mostei- 
ro de Receão, em virtude de uma carta re- 
gia de D. Affonso V, no tal documento^ re- 
pito, se lêem varias repHeas e irêpUeas, pe- 
las quaes consta qae— bavendo o bispo^ D. 
loão da GoBU, dito, que D. J«ao de Chaves^ 
seu antecessor, sem forma alguma dedirei<< 



to, expulsara do seu mosteiro, as Adiras de 
Receão, o que fôrã causa d'êlla$ alnêtarmn 
de seus c&rpas, e causarem gravíssimas des- 
ordens e escândalos; elle, para dar cumpri- 
mento ás ordens do legado á latere, D. Ál- 
varo, bispo de Silves, fizera restituir ao di- 
to mosteiro, a sua abbadessa, D. Clara Fer- 
nandes, etc. 

João ^Arruda e João da Facha, trepli- 
cando, disseram — que, quando o bispo de 
Viseu veio a este mosteiro de Receão, «achou 
trez molheres, nom em habito, trajo, esta* 
do, nem vida de freiras, nem de religiosas, 
mas de seculares, sem regra e ceremonias 
d'ella, a saber— 'uma Glara Fernandes, que 
nunca soube lér, nen rezar^ nem trouve 
habito, cogulla, nem véo preto^ nem fizera 
em algum tempo profissom ; a qual, pelo 
senhor da terra, i e contra sua vontade, foi 
posta em o dito mosteiro, em nome de ab- 
badessa, antes que ella fosse monja, ou to- 
masse^ habito^ e fizesse profissom; mas, as- 
sim como entrou, assim viveo, sempre em 
habito e actos de vida secular, dormindo 
carnalmenie com quem ttie apprazia, noto- 
riamente; espeeialm^te com Álvaro de Al- 
vellos, de quem tinha filhos; e que usava 
com elle tão parceiramente, como se fora 
sua molher. 

«E outra, Maria Rodrigues, que nom me- 
nos o fazia com quem lhe apprazia, espe- 
cialmente com o ahbade de Melcdes,^ de 
quem assim tinha filhos e filhas, e tem hoje 
em dia. 
«E uma velha, irmã de Álvaro Gil, abba- 
de que foi 4e Barcos* á qual, as ditas Gla- 
ra Fernandes e Maria Rodrigues, em trajo 
de homem, huma noite, com uma calça de 
aréa, deram tantas calçadas, de que, segun- 
da fama, morreo. 

<rAs quaes duas molheres, o dito senhor 
bispo, por via de visitaçom^ conselho, nem 
amoettaçam, nunca pôde meter a Regia, 
nem a vida de monjas. B, vendo-as tocor- 
regíveis, mandou- a Maria Rodrigues, ao 

1 Era o conde de Marialva, pae da tal 
Clara Fernandes, e governador da Beira, 
residente em Lamego. 

* Melcões é uma freguezia próxima, h<4e 
annexa a Gepões. - ' 



76 



REG 



REG 



mosteiro de Jacente, da ordem de S. Bento, 
no arcebispado de Braga {h^e Jazenie) on- 
de ainda agora vive: e a dita Clara Fer- 
nandes nom qnizerom receber em mosteiro 
algum da dita ordem, nem de outra algu- 
ma, por sua dissoluçom e má vida: e o dito 
senhor bispo lhe afislgnou certa pensom e 
mantimento, com condíçom que Tivesse re- 
ligiosamente. E ella aceitou a dita Provi- 
som; mas logo, a poucos dias, tomou a usar 
do seu costume, e dormir com quem lhe 
apprazia; e especlahnente com um guar- 
diom de São Francisco, da dita cidade, que 
ehamavom irei Rodrigo Tourinbo (cujo fi- 
lho he um moço que a dita Clara Fernan- 
des ora trás comsigo). 

<E depois se partiu da dita cidade para 
Santarém, e tomou hi marido. E, co viven- 
te, leixou aquelle, e foi caaar com outro a 
Lisboa, chamando-se leiga, e nom freira : 
á qual o primeiro marido demandou e ven- 
ceu por molher, e está em posse dos bens 
patrimoniaes d'ella, como seu marido. 

«E o dito Senhor Bispo, pox suas Cartas 
de fidicto, para reformar o dito mosteiro, 
e nom acudio alguém da dita ordem, ho- 
mem nem molher, nem de outra alguma 
aprovada Religiom, que para a dita casa e 
mosteiro de Reciam quizesse vir morar, 
nem manter ; assí por ser muito pobre e 
dilapidado, como por ser em máo logar, de 
montanhas^ só, entre serras. Pela qual ra- 
zom^ o dito Senhor Bispo, d'acordo e con- 
selho de seu cabido^ reduzío o dito mostei- 
ro , em Igreja secular, sem cura. Em 89 de 
dezembro de 1435 e a3de]aneirode 1436, 
fez doaçom do dito mosteiro, aos cónegos 
seculares de S. Salvador^ de Yillar de Fra- 
des, que hoje dizemos loyos. 

«E depois, foi tudo aprovado, ratificado, 
e confirmado de certa sdenda, por Eugé- 
nio TV, e depds, por Nicolau V. 

«£ nom houve hi mais fireiras, nem mais 
«bairegans, nem outras dissolnçoens, como 
«o dito Senhor Bispo diz, por dinigrar os 
«feitos do Bispo de Viseu, e dar evazom ^ a 



1 Evazom— pcHrtugnez antigo^desculpa, 
eôr, ou pretexto com que se cobre ou pre- 
tende disfarçar um acto máu. 



«seus feitos proprios, que fez, como se Mo 
<o mundo espanta, etc. 

«B protestao que não quwem Cottiffii- 
cse do dito mosteiro, da mio do Senher Bíb- 
«po, mas sim do corregedor, ou outrsni- 
«nistro d*EI-Rei.i 

De tndo isto, e mnito mais que do ito 
instrumento consta, deu fé o notário apoi- 
tolico, Diogo Lourenço, cónego da Séè 
Lamego. (Doe de Receào, que existia lo 
cartório do convento de Santa Cruz, da«i- 
ma cidad^. 

Para que algum ímpio se nio aprofaife 
do que fica dito, para argumento das mi 
diatribes conu^ as religiosas de outros nos- 
leiros, note-se que a casa de ReceSo «ma 
foi mosteiro de freiras professas, dk» úê 
uma espécie de recolhimento, no qual ii 
suas habitadoras nao estavam sujeitas a voto 
ou regra alguma, como claramente se delot 
do que dhs Viterbo. 

Tendo tantas vezes faliado em firei Joi- 
quim de Santa Rosa de Viterbo, n*eauste 
Julgo a propósito dar aqui um resuoM à 
sua vida e obras. 

Primeiramente, reetlfico um erro qnens 
informações me fizeram commetter^ Di»i 
pag. 17S, ooL 1*, do 3.« volum^ que Titt* 
bo nasceu pelos fins do século xvD,on9iii* 
dpio do xvni. Nâo é exacto como vamos iv. 

Na raiz oriental da penhascosa edeialii' 
da serra da Lapa, em sitio ameno^ e abas* 
dante de vinho, cereaes e deliciosas fnM 
está a povoação e freguesia de Gradit, * 
concelho de Aguiar da Beira, etmiaroa* 
Trancoso. 

rresta aldeia, que fica próxima da imr- 
gem esquerda do Távora, nasceu tré k$r 
quim de Santa Rosa de Viterbo^ a 13 ^ 
maio de 1744. 

Professou no convento de menores refor- 
mados, da. provinda da Conceição, de For* 
tugal; a 7 de setembro de 1760. 

Era vnlgann^tte conhecido peie jm** 

Tinha uma memoria rara, e de tal rettf- 
tiva, que bem se podia dizer que a soa et- 
beça era uma livraria. Quasi todo o sen M* 

po passava a ler, ou escrever; pelo qn^ ^ 



me 

.»|Kmca8 matérias scieotifleas era hospede; 

mas, a sua paixão domioante era a historia» 

■e» sobre tudo, as ioscrípQoes e mannscríptos 

.Mtigos, em c^ias ma^rias foi lun mestre 

.flonsummadOy ehegando onde ninguém ha- 

via chegado em Portugal, cooio o attestam 

os seus escriptos; e principalmente o seu 

^Eluciéaho, obra merecidamente estimada 

..pelos sábios nacionaes e estrangeiros. 

Para a composição d'esta obra, viajou frei 

• Joaquim por muitas partes do reino, inda- 
gando e examinando os monumentos romã* 

. nos, gothicos e árabes, e esquadrinhando to- 
.4os 03 manuscriptos antigos e raros; para o 
qúe estava munido de uma ordem regia. 

As copias tiradas por elle, ficaram valen- 
do, como originaes, por uma provisão do 
rei. 

Trabalhou muito na Torre do Tombo, cujo 
. iogar de gnarda-mór lhe foi offerecido. Tam- 
bém se lhe oflereceu um bispado, no ultra- 
. mar; mas nada d*isto acceitou. 

Além de um grandíssimo numero de ma- 
Buseriptos qpjd mandou para a academia 
THl das seiencjas de Lisboa» da qual era 
correspondente, e do que trabalhou na chro- 

• nica da sua província, compoz as obras se- 
guintes: 

Sermões apostólicos originaes. Porto, 1791, 

• ln-8,% um volume. 

ElíÊcidario das palavras, termos e phrases 
que em Portugal antigamente se usaram. 
Lisboa» 1798-4799, in-follo, dois vohunes. 

Dicdonario portátil das palavras, term/os 

. e phrases, que antigamente se usarttm e que 

. hqfe regularmente se ignoram; resmudo^cor- 

recto e addieckmado, etc. Coimbra» 1815, 

••in-4.% um volume* t posthnmo. 

Botica rural, Maauscríplo. 

Tkesouno da misericórdia divma e hunèu- 
na. Manuscripto. 

Apparatus ad Universam theologiam. Ma- 
BUscriplou ^ 

Companheiro tUl, etc Ifamiserípto. 

Om^^endio do dicdonario de Moreri, com 
varias addieçlks e notas, etc. HanuseriptOb 

Beeumo ido vk^ante universal. Hanuscri- 
pto» 

Historia rnsiversal e cknmologica da Egre- 
ja de Fortugal. 



fiEG 



.77 



Deixou ainda varias obras inéditas de me- 
nos importância. 

Nos últimos annos da sua vida (estando 
no mosteiro da Fraga, em Ferreira d' Aves) 
foi accommettido de uma apoplexia, que^ 
privando-o algum tanto do jnizo, o obrigou 
a pôr termo aos seus trabalhos litterarios. 

Falleceu no referido mosteiro da Fraga, 
em 13 de fevereiro de 1822; e foi sepultado 
entre a porta do capitulo e a que dà sabida 
para a portaria. 

REGÊBEDO — portuguez antigo — recibo^ 
resalva» quitação, etc. É do século xni. 

RECEBUIENTO— portuguez antigo— sala, 
quarto, aposento. 

RECENDER— portuguez antigo— descen- 
der. 

RECEZINHOS — freguezia. Douro, na co- 
marca e concelho de Penafiel (foi do couce* 
lho de Santa Cruz de Riba^ Tâmega, comar- 
ca de Amarante), 40 kílometros ao NE. do 
Porto, 346 ao N. de Lisboa, 260 fogos. 

Em 1757 tinha 209 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

É terra fértil. Muito gado. 

A mitra e o D. abbade benedictino, no 
convento de Bostôllo (próximo a Penafiel) 
apreseilavam alternativamente o abbade^ 
que tinha 6004000 réis de rendimento. 

No alto do moQte está a capella de Santa 
Cmz, e Junto d'ella as ruinas de castellos 
antigos. 

É n*esta fregufezia a > casa vinculada dos 
Ferreiras, morgado instituído por D. Mayor 
Lourenço, mulher de Lourenço Annes Re* 
doudo, bóie unido à casa de Cayalleíros. 
(Vide a fireguezia seguinte). . 

Ha também a casa de Lelros^ de Manuel 
it Sonsa da Silva, descendente de Martim 
Gonçalves Alcoforado, ao qual D. João I deu 
o senhorio do concelho de Santa Cruz de 
Riba Tâmega, em 1390. 

RECEZINHOS— freguezia. Douro, comar* 
ca e concelho de Penafiel, (foi do concelho 
de Santa Cruz de Riba Tâmega, comarca de 
Amarante), 48.kilometros ao NE. do Porto^ 
345 ao N. de Lisboa, 150 fogos. 

Em 1757 tinha 315 fogos. . 



78 



REG 



RED 



Orago S. Mamede. 

Bispado e districto administrativo do 
Porio. 

Os morgados da casa de Cavalleirds, apre- 
sentavam o abdade, qae tinha 500|0Ò0 réis 
de rendimento. 

É terra fértil. Muito gado. 

A casa de Cavalleiros, é ama das maisil- 
lastres d*£ntre Donro e Minho. É hoje do 
sr. D. Rodrigo José de Menezes, feito conde 
de Gavalieiros, em 17 de novembro de 1865. 

É nobilíssima a estirpe d'esta itlostre ca- 
aa, de fidalgos distinetos pela antiguidade 
da sua nobreza, e ainda mais pelos seus me- 
recimeotos. 

Martím Ferreira foi um heroe do exercito 
portagaez, nas guerras contra Casteiia. Em 
um recontro, junto a Guimarães, no qual os 
castelhanos foram derrotados, recebeu uma 
cutilada no nariz e na face, pelo que se fi- 
cou cognominando Martim Nurizes. 

Também foram d*e^ta famiHa, frei Gual- 
ter Machado, e frei Martim^Perreira â'£ça, 
cavalleiros do S. João de Jerusalém; fidalgos 
distinctissimos, pelos seus grandes serviços 
á religião e á pátria. 

RECEZINHOS— Vide Castellõei de Rece- 
zinhos, 

RECHAN ou REGHAlfO--ptfrtugliez anti- 
go — pequeno plano, no meio de uma por- 
tella ou viso. Uma espécie de plató. Bechan, 
ainda se usa com a mesma significação^ 

RECIÃO--yide Receao. 

REGLAMABOR— Vide Roque Amador. 

BEÇOAR— portuguez antigo— livrar do 
captiveiro, resgatar, libertar, ete. (Doa das 
fireiras bentas, do Porto, de 1978). 

D'aqui reçaom^ por livramento, resgate, 
etc. É contracção de rêdempçSo, 

Também se dizia reçoar, em vei dé arra- 
zoar, dfecorrer, ete. 

REGONHECENÇA — português antigo^ 
reconhecimento, memoria, lembrança, agf a- 
"deeimento; ete. 

Chamava-se rêconhècençot' i pensão ou 
tributo que se pagava aos bispos e seus ca- 
bidos, d^aqueilas egrejas qj» eiies tinham 
libertado do pagamento da terça pontifical* 
(Vide Saus). 



Em muitas freguezlas do bispado da Por- 
to, se dá o nomBédconhecença (abreviasora 
de reconhecença) ao fôro de um dqneire âe 
milho que paga cada homem casado, e meio 
alqueire cada solteiro, ou viuvo, annuaimeD- 
te, ao seu parocho. Em algumas fregueziat» a 
conhecença é de alqueire e meio para os ca- 
sados e três quartas para solteiros e viavos. 

REGONTAMElfTO — português antigo — 
relação, exposição, relatório, narração, ele, 
elreumstanciada de qualquer facto. (Doe. 4a 
camará de Coimbra, de 1464). 

REGORREIÇAO — portuguez antigo — ^pa- 
rochia ou freguezia. Também se dizia recmr* 
reiçõOy recorrido, collação. 

REGROBAR— portuguez antigo-— plantar, 
cultivar^ aproveitar^ eic. (Prazo de !faroiica, 
de i309). 

Supponho que de recrobar se diz hoje. 
por corrupção, decruar ou deoroar. É a pri- 
meira sacha do milho. 

RECTIDÃO— portuguez antigo— a perten- 
ça ou dependência do uma herdade, quieta, 
ou caiai. VUlaBarrioios..* et omnem-nteam 
rectitudinem de ip$a çutnf^fui: (Doo. do Pa- 
ço de Souza, de 1146 e 1165). 

REGUDAR— portuguez antigo— recusar, 
negar-se á petição de alguém. {MonariAia 
Lusitana, tit. 5.«. liv. 16.*, cap: 06). 

RECUDIR— portuguez antigo— sahir, vir 
a ser para o fbturo. (Doa de Moncorvo, de 
1380). 

RECURIR— portuguez antigo-— tornar a 
aeoddr, olhanr para alguma pane. 
' RECDRÇAO — portuguez antigo— limile» 
termo, "freguezia, território, eirenmscripção. 

REDE— aldeia^ Traz-os-Mootes^ firegoezia 
de Fontellás, comarca e concelho do Peso 
da Régua^ d'onde disu S' ktlometros ao O., 
90 ao E. do Porto, 600 ao Nò. de Lamego» 
335 ao N. de Lisboa, próximo da marfem 
direlia do Douro. 

Fica perto da Rede, a aldeia das Caidag, 
da mesma freguezia de Fonteilas, onde são 
as nascentes d*aguas míneraes, vulgannenle 
chamadas do Mollédo. (Vide Jfo^Mo). 

Pelo melo da aldeia das Caldas, passa a 
estrada real, do Porto á Régua, com diligM- 
da diaria« Também lhe passvperloo cami- 
nho de ferro do Douro, em eonstmeçie. 



B£D 



MB 



n 



De Lamego para o MoUéde, ha ama es- 
trada real, antiga, de^ kilometros de com- 
primento; mas, por ser muito declivosa, foi 
sabstítoida por outra, com dedive muito 
suave, Goneluida em 1873. U)s esta tem 
qoasi 15 kilometros de comprimento, por 
causa das nmitas voltas que dày nos valles 
do rio Varosa. 

No MoMédo ha hoje duas boas hospeda- 
rias; varias lojas de mercearia e de outros 
géneros, bem sortidas; e casas suffieíentes 
para habitação dos banhistas, que fazem aqui 
a sua resideaeía, por ser pequena a aldeia 
das Caldas, e não ha;ver commodos suffieíen- 
tes na Rede. 

Também no MoUédo ha um palacete con- 
struído de novo, do sr.- Francisco José da 
Silva Torres. 

4 * 

A antiga e nobre casa da Réde^ é o solar 
da fámilia Borges Gerqiíeiras Alpoins. É um 
vasto paiaeeti9, de arehitéctura simples <& se- 
vera, rodeado de uma extensíssima niatta, 
pomares^ vinhedos e terras de lavoura^ tudo 
de grande fertilidade, formando tudo uma 
mágniflca e rendosa quinta. 

Ê hoje representante d*esta íUustre faAi- 
lisL, e dono da casa, o sr. Prandsco Borges 
de Cerqueira Alpoim Cabral, moço fidalgo 
da casa real^ com exercício no paço. É este 
cavalheiro, o herdeiro e senhor dos prazos 
e vínculos' de seu pae. 

É casado com sua prima, a sr.* D. Aman- 
da Borges de Cerqueira Alpoim Cabral e 
Meneses, e tem snccessão. 

JÊ filha de José Maria Borges de Cerquei- 
ra Alpoim CalHral, que foi tenente coronel 
de milicias» fidaljfo da casa* real, senhor do 
vineolo e praeo da Rede, quinta ddr llira- 
douro, €^408 morgados de Mollies^ padreel- 
10 da capella e sachristia do mosteiro de 
S. Frandsco.de Mékãofrió. 

Seu .irmão {úb do ar. Francisco Borges) 
Joio Borges 4e Cerqadrm Alpoim Cabral, 
foi brigadeiro de«avallaria,i chefe de esiado- 
maior do general visconde do Pezo da Ré- 

^ Foi despachado ten«^ite coronal, em 13 
de abril de 1823: coronel^ em 9 de julho de 
I8S7; e brigadeiro, em S(f de outubro de 
1832. I 



gua, no exercito realista^ con^endoiiadoem 
Evora-Monte. Era commenflador à» MaUa. 

Casou, em 1817, com D. Maria Fortunata 
Teixeira da Cunha Pinto, da antiga casa da 
Boa Vista^ em Celorico de Basto, i 

Era avô do sr. Francisco Borges dft Cer- 
queira Alpoim Cabral, Bernardo do Carmo 
Borges de Cerqueira Cabral e Queiroz, fi- 
dalgo da éasa real, senhor dos prazos e vin- 
culas mencionados, eapitão-mór de Mezââ> 
frio e governador ^a praça de Yilla Nova da 
Cerveira. 

Fâi casada com D. Maria Xavier Alpoim 
da Silva Menezes 6 Abreu, da antiga e nobi- 
líssima família dos Alpoins, do Minho. 

REDINHA— viila, Extremadura, comarca, 
cottcdho e 10 kilometros do Pombal, 30 ki- 
lometros ao S. de Coimbra^ 140 ao N. de 
Leiria, 155 ao N. de Lisboa, 390 fogos. 

Em 1757 tinha 420 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado de Coimbra, districto administra- 
tivo de Leiria. 

* O rd (como grão-mestre da ordem de 
Christo) pdo tribunal da mesa daeonsden- 
da, apresentava o vigariOi que tinha lOQMtt) 
réis de rendimento. 

É povoação antiquíssima, com toda a pro- 
babilidade, do tempo dos romanos, se não 
anterior ao seu domínio. Consta que o seu 
primdro nome foi Hhoda^ palavra persa, qae 
significa jarim. Depois, se chamou jRodúio, 
e parece que os árabes lhe não mudaram: o 
noiíke, porque ainda o conservava no prin- 
cípio do. século xíi. 

O conde D. Henrique e os seus capitães, 
tinham conquistado aos mouros varias po- 
voaç5es e vastos territórios entre o Douro e 
o Mondego. Os mouros, temendo a vingan- 
ça dos pòrtngoezei» tlnh&m abandonado to- 
das ai terras enâre Coimbra e Ldria; mas 
os christãos ainda não tinham tomado poa^e 
d*ellas. 

£m 1128, a rainha D. Thereza e seu filho 
D. Affonso Henriques» deram aos tempiarioB, 

.^ Esta €fa»a é hoje represenuda'pelo sr. 
Manuel Osório d'Aragão Magalhães Machu- 
ca (Osorlos Aragões, de Lamego) primo co- 
irmão o cunhado do aotual senhor da casa 
da Rede. 



so 



RED 



todo este território abandonado; e elles eon- 
stmirtm iogo» qp reoonatmiram, os caelellos 
de Ega» Pombal e Redinha. 

D. Gualdim Paes» grão-mestre da ordem 
do Templo e os seus frade$ (cavalleiros tem- 
plários) deram (oral a esta TiUa-»aiada en- 
tão chamada Aodtna — em jnnho de 1159. 
(Hàço 3 de foraes antigos^ n.* i). 

O rei D. Manuel lhe' deu foral novo, em 
Lisboa, a i6 de dezembro de 1513. (Um> 
de foraes novos da ExÈremadmrOf fL 109» 
col. 1«). 

Compre notar ^e os ponti - 
flees Honório m (1916), Celes- 
tino IV (1241), Alexandre IV 
(1254) e Urbano IV (1261), por 
bailas apostólicas^ eximiram 
da sujeição episcopal, as egre- 
jas e castellos da Ega, Pombal 
e Bedinha; confirmando pelas 
mesmas bulias, a doação de 
D. Theresà e de sen filho. 
A primitiva cidade de Rhoda» nao occu- 
pava exactamente o chão da aetnal Tilla. Es- 
tava fundada em uma várzea que fica ao 
NO., alem da ponte, e ha vestígios d*esta 
antiquíssima povoação, a ciijo sitio ainda 
se chama Roda, ^ 

, Parece que, mesmo qnando existia a ci- 
dade, havia do ontro lado do rio uma po- 
voação mais pequena^ á qual, por isso, se 
deu o nome de RodkMj e é a tatuai Redi- 
nha. 

Fica entre o Pombal (ao S.) e Condeixa 
(ao N.) sobre a antiga estrada de Lisboa ao 
Porto. 

Tem duas ribeiras, uma ao S. e (HUra ao 
N., que unidas formam o rio Demços ou 
d^A»ços^ que rega e iértilisa a povoa^ e 
seus arrabaldes. Nascem estas ribeiras a 3 
kilometros da villa, ao sopé de nma serra, e 
Junto á capelia de S« Lourenço. 

^ Segundo alguns historiadores, a cidade 
de Wkoda. foi mudada pelos gregos, no an- 
no 3640 do mundo, ou 364 annos antes de 
Jestts Christo. Destruída pelos alanos Ao se-. 
colo V, foi reedificada pelos godos, no século 
seguinte; Os árabes a arrasaram no secnlo 
vui, e não tomou. a reedificar*ae; mas ínn- 
dou-se então a villa. 



BED 

Ignora-se a etymologia do nome Aiipi. 
Segundo uns, é corrupção de.Ancib-laiii) 
—porém outros querem que. venha de im- 
demça, que no antigo português signifiean 
—dita, ventura, felicidade, fortuna, ete. 

Á entrada da villa está uma boa pomede 
pedra, muiie antiga, e em bello sitio, e d'da 
se goza uma deliciosa vista. 

No alto da serra do Poyo^ está nma capei- 
la de Nossa Senhora da Lapa, ou da Eatrellt, 
construída em uma grande gruta natural, e 
junto d*ella, algum^a casas para os rooiei- 
ros. Perto da capelia ha ainda varias ontm 
grutas. O sitio é de grande elevação e moíio 
alcantilado. 

•Dentro da gruta que serve de. capelia, kt 
orna fonte, por trai do altar; e.ao pé da me9^ 
ma serra do Poyo ha uma lag6a que acmet 
sécca. Todo o mais resto da serra, é comple- 
tamente árido e sécco. A lagoa tem nm D 
metros de cireumferencia. 

A caverna que se transformou em temili^ 
tem 14 metros de comprido^ 9 de altura i 
entrada, e 2 de altura no fim. Tem de lar- 
gura á entrada 4^40, e 3",50 no fim. 

No meio do corpo da egreja se vêem daM 
grandes sepulturas, mas não se sabe qaei 
n'ellas foi sepultado. 

A ermida foi reedificada pelos annos t 
1670, á cttsu do padre João Ribeiro^ natocd 
da Redinha. 

A imagem da padroeira é de mármore, 6 
de nm metro de altura, fora a peanha, qoe 
é da mesma pedra (a imagem é a peanha A 
um monolitho). Na peanha estão eseuipidtf 
as armas dos Souxaa. 

Sobre a cabeça da Senhora se véumaoe" 
rôa, ainda feita da mesma pedra. 

Teve eremitio, com casas de resideneiae 
nma pequena cérea; mas ha muitos sdoos 
que o nlo tem. 

D. Álvaro de S. Boaventura, bispo de Coia- 
bra, pretendeu ftmdar aqui jam hospii»» ^ 
anachoretas, mas não o levoK a effeilo, fff 
que faUeeeu antes de prfaicipiar a obra. 

Também no logar de Jagardo^ d'esta íir^ 
guezia, está a eriniáa de Ifossa Senhora ds 
Guadalupe, qu^ foi de grande devoção dos 
povos doestes sítios. 



RED 

A primitiva ermida era maito acanhada e 
«fltavaem minas, e, segando a tradi^o, em 
um anno de grande sécea, rebentou jnntt^ da 
ermida tnna eopiosa^fonte, de óptima agua 
potável, à qual o povo attribaia a virtude 
de curar varias enfermidades. 

O povo nao deixoa de attriboir a milagre 
o nascimento d'esta fonte n'aqaelle anno, e 
a devoção á Senbora, què tinba diminnido 
muito, tomoa a trazer a ésie sitio grande 
nmero de romeiros, que se vinham curar 
dos seus achaques, com a agua milagrosa da 
fonte da Senhora. 

Pelos annos de 1680 principiaram os de- 
Totos a construir um novo e vasto templo, 
pára a Padroeira, e casas para o eremitSo e 
romeiros, e, em 1690, já todas as obras es- 
tavam condoídas. 

Na villa ha também a egreja da Miseri- 
córdia, com sua irmandade. 

Tem a egreja dos Terceiros, fundada em 
1662. 

Todos sabem que, pela suppressão dá or- 
dem do Templo, em I3il, passaram todos 
os seus bens para a ordem de Cbristo, e a 
Redinha foi feita commenda d'esta nova or- 
dem. 

Até 1634, o colleglo dos cavalleiros de 
Cbristo, de Coimbra (vulgo coHegiò de Tho- 
ibar, vol. %% pag. 334, col. %•) tinha pela 
parte de cima da villa, uma casa, muitas 
a^eDha^ um lagar e muitas fazendas, e, des- 
de aqui até á villa de Soure, eram d'este 
coUegio todos os moinhos e lagares; pois 
que os reis de Portugal lhe tinham couce- 
Ãdo o privilegio exclusivo dos moinhos 
azenhas e lagares doestes sítios. 

Foi na Redinha o solar dos Preta. Prôto 
é um appellido nobre doeste reino, procedi- 
do d*aleunha. O primeiro que usou d'este 
appellido, foi Gonçalo Pires Preto, vassallo 
de I>. João I. 

Uns Plétos usam do brazâo dos Né^$, 
outros porém trazem por armas-- em cam- 
po de ouro, cinco coticas negras em l!»xa : 
elmo de aço aberto; e por timbre, um braço 
lagro, com um bastSo de ouro na mio. 



BED 

Oonãem da Redinha 



81 



Sebastião José de Carvalho e Mello, l.« 
conde de Oeiras e 1.* marquez do Pombal, 
instituiu para seu filho segundo, José Fran- 
cisco de Carvalho Mello e Daun^ um mor* 
gado, do qual é cabeça a quinta de Montal- 
vão, na freguesia dos Olivaes, próximo â 
Lisboa. Esta quinta éhoje dos srs. condes 
da Redinha. (Vol. 5.% pag. 455, col. 1.*). 

Esta quinta havia dado D. José I ao mar* 
quez do Pombal, pòr carta regia de 19 de 
agosto de 1776, para fazer uma casa sepa- 
rada dã do Pombal, no referido filho segun- 
do, dando-lhe ao mesmo tempo o titulo de 
conde (!.*) da Redinha. 

Henrique José de Carvalho e Mello, filho 
primogénito do i.« marquez do Pombal, foi 
o 1* marquez d'este titulo, 2 <" conde do 
Oeiras, gentil-homem da camará de D. Ma- 
rkt I, grão-crur das ordens de Cbristo e Tor* 
re Espada, presidente da meza do desem- 
bargo do paço e da da consciência e ordens, 
no Rio de Janeiro, onde morreu sem deixar 
filhos. 

' Herdou a ca^a e os tituios^ seu irmio José, 
i.^ conde da Redinha, que ficou sendo 3.^ 
conde de Oeiras e 3." marquez do Pombal, 
commendador da ordem de S. Thiago, e cor- 
reio da primeka planoy da corte: nascido no 
1.* de abril de 1753, e fallecido no !.• de ja- 
neiro de 1621. 

Sua mulher, depob de viuva, succedeu a 
sua tia^ D. Lueia de Menezes, da casa deS. 
Thiagj, no moii^o que instituiu o inmKH*- 
Ul Âffònso de Albuquerque; e a sua prima, 
a ultima marqueza de Minas» nos morgados 
d'estacasa. 

D. Francisca de Paula do Populo de Lo- 
rena, viuva do l.« conde da Redinha, tinha 
nascido a 28 de novembro de i754, e fálle- 
ceu a 12 de setembro de 1837. Era primei- 
ra filha legitimada de Nuno Gaspar de Lo- 



^ Este filho do marquez do Pombal, casou 
em 24 de setembro de 1776, com D. Fran- 
cisca de Paula do Populo de Lorena, sobri- 
nha do marquez deTavora; de maneira que 
os aelnaes descendentes do 1.* marquez do 
Pombal> procedem do perseguidor e da vi» 
ctlmai 



82' 



RBD 



RED 



rena, e de saa segunda mulher, D. Maria 
Ignacia da Silveira, filha de D. Bernardo José 

de Lorena e Silveira, 5.« conde de Sana- 
das. 

Foram filhos do i.* conde da Redinha, e 
da referida sna mulher : 
. L^-^ Sebastião Jo$é dê CarvaXko $ MiUo 
Daun e Lorena, 4.' conde de Oeiras^ e i.*" 
marqnez do Pombal.. 

l''^/). Maria Leonor Ernestina, condessa 
de Rio Maior. 

3.*— 1>. Joanna Carolina.* 

4.'' — Nuno Gaspar de Carvalho Danm e 
Lorena, 3.» conde da Redinha, par do reino 
(em 1826) eommendador da ordem de S. 
Thiago. Saccedeu a seu pae, no condado e 
morgado qae lhe anda annezo, no i.« de ja- 
neiro de i821. Tinha nascido a 1$ de janei- 
ro de 1791^. Casoa a 30 de agosto do I8i5, 
com D. Maria Victoria de Sampaio, filha doa 
i.<^ marqaeees de Sampaio, na^dida a 28 de 
março de 1798, e íaliecida a 5 de julho, de 
1837. 

D'este matrimonio houve aeia filhos.. 

l.<* — Manuel Maria da Luz de CartMUho 
Daun e Lorena, que foi 4.<»« conde da Redi- 
nha, e alferes de cavallaria. Nasceu a 20 de 
novembro de 1818, e fallecen a 29 de agosto 
de 1837, sem filhos. ^ 

2.*"— D. Maria Ignez da Luz Carvalho. 
Daun e Lorena, nascida ar 17 de fevereiro 
de 1821.2 



1 Morreu na batalha do Chão da Feira 
(aldeia da Estremadura, pfQximo á vllla da 
Batalha) servindo ás ordens do marechal 
Saldanha, contra o general, conde do Bóm- 
fim, chefe das tropas setembristas, na guerra 
chamada dos marechaes. 

2. Esta senhora, casou, em primeiras nú- 
pcias, com o doutor António de Brito e Cas- 
tigo de Figueiredo Mello e Costa^ de Coim- 
bra. Foi uma das victimas dos ferozes estu- 
dantes que assassinaram e roubaram os len- 
tas e cónegos^ no Gari^jpnho, em. 18 de ma^« 
ço de 1828. 

O doutor Mello e Costa só deixou de ser 
ferido, quando o julgaram morto; mas só es- 
tava fravissimamente ferido, e assim oscih 
posu Esteve mezes em perigo de vida, e sa- 
rou, ficando todavia aleijado de um quadril. 
Preste casamento houve vários filhos, que 
morreram pequenos, e a er.* D. Maria Ma- 
nuela de Brito, nascida a 9 de marto de 



3.«-~0 sr. ilufonto Maria da Luz de Car^ 
vaiho Daun e Lorena, nascido a 11 dejnlho 

de 1812, e casado, a 12demaiotie 1843, com 

a sr.» D. Maria Joanna Curvo Semedo M« 

gado da Silva. ^ 

Este cavalheiro é o 9&úiix 
e repres^tante da easa dos 
condes da Redinha; mas, co- 
mo pertence ao psurtldo legíti- 
mista, não tem querido aceei- 
tar o titulo, nem a oommeoda 
de S. Thiago, dos governos li- 
beraes. É por nascimento, o (H* 
conde da Redinha. 
4.*— O sr. Francisco Maria éa Luz ie 

Carvalho Daun e Lorena, nascido a 14 d» 

setembro de 1823. 
Casou com sua prima co-irman, a.sr.* Dl 

Maria Magdalena de Noronha, nascida a 10 

de junho de 1819, e filha de D. Joeé Mam 

Carlos de Noronha de Castilho Barreto, »- 

nhor de vários vincules, e de sua tia malar- 

na (da sr.* D. Maria Magdalena) a sr. D^Mi- 

ria Ignez de Sampaio láello e Ganro. Bt 

duas filhas d'este matrimonio, a sr.* D. Mi- 

ria do Sacramento de Carvalho Daun e Lo* 

rena, nascida a 11 de janeiro de 1855; e t 

sr.* D. Maria Victoria de Carvalho Daun e 

Lorena, nascida a 8 de março de 1858. 

Tiveram também um menino^ cliamado 
Nuno, que morreu de poucos dias. 

5.'' -^ A sr.* D, Maria Ftandsca da ímX 



1845, e que está casada com seu tio pilo^ 
no, o sr. Luiz Maria, filho mais novo doi 
terceiros condes da Redinha. 

A sr.* D. Maria Ignez, depois de viuva do 
doutor Mello e Costa; casou com o sr. D. Sal- 
vador Manuel de Vilhena, representante di 
nobilíssima casa vincular dos senhores de 
Pancas, e condes d* Alpedrinha, eommenda- 
dor da ordem de Chri&to, nascido a 26 de 
maio de 1830. É formado em direito, palt 
universidade do Coimbra, e, seguindo a ti- 
da da magistratura judicial, é actualmenis 
juiz de direito da comarca de Reguengos, no 
Alemtejo, onde reside. 

^ É filha do desembargador da casa da 
Supplicaçao, o doutor António Delgado da 
Silva, cavalleiro da ordem de Gbrísto, e do 
sua mulher, a sr.* D. Maria Amália Ludoyi- 
ce Curvo Semedo, e nascida a 12 de iQ^io 
de 1826. 

Naa ha filhos d'e8te matrimonio*. 



RED 

Carvalho Daun e Lorena, oaaeida a 20 de 
novembro de i8S4. 

Esta senhora falUceu a 21 de 8e^mto*p 
de Í817. Havia casado a 17 de janbo de 1844,. 
com seu primo co irmão (também já faUe- 
cido) Manuel António de Sampaio Mello e 
Castro Albuquerque Mendonça Fnrtado Mo- 
niz e Torres de Lusignan, feito conde de 
Sampaio^ no l.<» de dezembro de 1834^ e 
marquez do mesmo titulo, em 17 de feve- 
reiro de 1866. 

D'es(e casamento houve dois filhos, o sr. 
António Pedro de Sampaio Mello e Castro 
Albuquerque Mendonça Fartado Moniz e 
Torres de Lusicn:ian, naacido a 29 de janho 
de 1845, e é o actual conde.de Sampaio— e 
Nono de Sampaio, etc^ que falleceu de pou- 
cos dias. . 

6.*— O sr. Luiz Maria da Imz de Carva- 
lho Daun e Lorena, nascido a 9 de maio de 
1828. : 

Este .senhor é o ,que (como já disse) está 
casado com sua sobrinha, a sr.* D« Maria 
Manuela de Brito, filha de sua irman, a sr.> 
D. Maria Ignez, e do doutor Mello e Gosta. 

Esta esclarecida familia, reside parte do 
annq em Lisboa, e o resto, na sua deliciosa 
quinta da Portella, junto á nova ponte do 
mesmo nome, sobre o Mondego, .próximo a 
Clolmbra. (Vide vol. 7.% pag. 2oO, col. l.«, 
no fim, e seguinte^* 
. B'o8te casamento sdnda não ha filhos. 

i 
. Alem dos seis filhos já mencionados, dos 

terceiros condes da Redinha, ainda houve 

mais três — José (que era o primogénito), 

Sebastião e João. O ultimo falleceu.de. 3 an- 

&08> e os outros doi9, apenas viveram pou- 

<^s dias. » 

O titulo de conde da Redinha, é hoje me- 
ramente honorário, pois que os condes joiada 
possuem actualmente na vilia do seu titulo. 
Quem ainda alli tem bastantes propriedades 
« rendas, sâo os srs. marqoâzea do Pom- 
bal. 

O actual sr. conde da Redioha o qnepos- 
sue é o seu vinculo dos OHvaes, que é a 
quinta de Montálmo, a qual fica^ descf ipla 
no 6.» vol., pag. 248, c il. t.\ -y. 



RED 



8^ 



Massena, nâo se atrevendo a atacar as li- 
nhas de Torres Ye4ras^ retira sobre o Pom^ 
bal, mas os alliados o seguem e perjseguem 
no Pombal, na Redinha, na Foz.d'Aroucei e 
no Sabugal, obrigando os francezesa passa* 
rom o Côa, e entrar em Hespapha, a 4 de 
abril de 1811. O combate da Redinha, em 
qqe os nossos ficaram victoriosos, como em 
toda a parte^ teve logar a 12 de março do 
dito anno de 1811. 

Em 6 de janeiro de 1877, choveu tao co- 
piosamente por estes sitios, que transformou 
Qs campos em vastas lagoas. Na villa do Pom- 
bal, arrastou ou desmantelou muitos muros, 
e»na rua da Corredoura, da mesma villa^ a 
agua rebentava por quasi todas as casas» 
copverteodo-as. em tanques. A cheia, arras- 
tava na sua corrente impetuosa, arvores, ca- 
banas, utencilios caseiros e vários animaes. 

Na Redinha causou este temporal algons 
contos de réis de pr^uizo. As aguas inun- 
daram varias casas, entrando também em 
um ceUeiro, d'onde levaram todos os cereaes 
e legumes que continha. A estrada d*esta vil- 
la para a do Louriçal, ficou em muitas par- 
tes intransitável; e em varias localidades 
das visinhanças, calaram muitas casas (que 
na maior parte, sâQ construídas de barro)» 
ficando seus habitantes reduzidos á miséria 
e sem abrigo. 



Sepultura de Herodes 

Ha duvidas spbre a localidade em que foi 
assassinado Herodes. Pretendem alguns que 
foi em YiUa Velha do Rodam; porém segun- 
do a opinião mais geralmente seguida, e a 
antiquíssima e constante tradição, foi na ci- 
dade romana de Rhoda (e não na actual vil- 
la da Redinha, alegrem-se os seus morado- 
res) que o regente da Baixa GalUéa, Herodes 
Antipa, veio ^terminar ^eus dias torpemente. 

A semelhança dos.antigcMB nomes de Ao- 
dium e Rhoda, é que deram cansa à duvida; 
porque nem os da Redinhaí, nem os de Villa 
Velha querem a hmra da tal façanha. 

Frei Bernardo ifi Brito {Jdonarchia fjiksit 



S4: 



REI> 



RED 



Uma, 2.* parte, cap. 3.«) diz que os rhodea- 
fts matafam á pedndá pelos annoe 60 de 
lesas Ghristo, o rei Heltides, em desforra de 
ter mandado degolar S. João Baptista» 

Herodes Antipa II, que os historiadores 
intitalam rei de Jerusalém, mas qae^ da sen- 
tença que adiante se lé, consta que era re* 
§ení$ da Baixa Galíiea, foi fliho de Herodes 
Antipa I, que tinha o mesmo emprego, peio 
imperador Augusto, e que foi o que degolou 
os innocentes. 

Herodes II, foi o que desprezou Jesus 
Christo, quando lhe foi remettido por Poncio 
Pilatos, e o que mandou degolar S. João Ba- 
ptista^ por exigência de sua filha Herodias. 
Era este malvado^ assassino, ladrão, adal*» 
tero e incestuoso, e tio dado aoi prateres 
mundanos, que, por um haiie, prometteu, 
eam juramento, metade do reino de Jeru* 
salem. 

Pouco depois da Paixão de Jesus Christo, 
acchsado por seu irmão Agripa, foi desthro- 
Aado pelo imperador Gayo Calígula, è des- 
terrado para a cidade de Leão (França) eom 
sua mulher e filha, amhas cognominadas He- 
rodias. 
De França, fugiu para Hespanha. 
Dizem uns, que elle morreu mlserayel- 
mente em Lerida (Catalunha) e outros di« 
sem que, vagueando de terra em terra, veio 
ter á Lusitânia, e chegando a uma povoa- 
^ chamada Rhoda (outros dizem Rodium, 
e aqui é que está a duvida) e alli, sendo co- 
nhecido, foi morto ás pedradas, pelo povo, 
arrastando-o depois para uma caverna que 
estava (e ainda está) á beira do rio, onde o 
âTremeçaram, cohrindo-lhe o corpo com pe- 
dras. 

O que é certo, é que, tanto 
em Tilla Velha de Rodam, co* 
mo na Redinha, se mostra uma 
caverna onde se diz que Hero- 
des fora precipitado; 

Em Yilla Velha, esta caver- 
na fica na margem do T^o, e 
a da Redinha, é na margem do 
Anços. 
Também segundo a tradição, Herodias, 
fiha de Herodes, querendo passar a vau o 
rio 8icore$ (hoje chamado Segrti em Iiori- 



da) I fiada em qiue, por ser invons^e^^ 
tar o rio muito gelado, poderia pastaram 
hre eU», se quebrou o gelo sob os senspés^ 
e eila foi ao.fmido, ficando só com a cabe- 
ça de fora, tanto peraeou, para sahir, q» 
morreu degolada pelo gelo. 

De tudo isto, o que é authentico é qU' 
Herodes fugiu com a sua limilia, da cidãdt 
de L^, França, e atravessando os Fyre* 
nens, vieram acabar os seus dias miien- 
vehnente na Península hispânica. 

Tendo Mado de Herodes, Julgo a prop»» 
sito transcrever aqui a sentença pronnacia- 
da contra Jesus Christo. 

Foi extrahida de uma cópia, esoripUMi 
pergaminho, e encontrada na cidade è 
Aquila (reino de Nápoles) em i580. 

É' a seguinte: 

No anno XIX de Tibério César, impera- 
dor romano^ de todo o mundo, moniirehi 
invencível, na Olympiada CXXI, e lUiaà 
XXIV, e na creação do moado, seguada« 
numero e compartimento dos hebreus^ qoa* 
tro vezes mil cento e oitenta e sete, %è 
progénie do romano império, o anno LXXil 
e da libertação da servidão de Babylonia^i 
anno MCCVII, sendo governador da Jnáéii 
<2ninto Sérvio, sob o regnnen e governe à 
cidade de Jerusalém, presidente gratisuaM^ 
Poncio Pilatos, regoite da baixa Galiléa, He- 
rodes Antipa; pontífice do summo sacerAh 
cio, Caifaz, Alis Almael Magni do templo; 
Rohan Ancbabel, Fancbino Centaurio, mb* 
sules romanos, e da cidade Jerusalém Qola» 
to Cornelio Sublime e Sexto Pompillo Ru- 
to; no mez de Março, no dia 25 d'elle. 

Eu Poncio Pikitos, aqui presidente do io* 
perlo romano, dentro do palácio da stdtír 
residência, julgo, condemno e sentenceioá 
morte, a Jesus, chamado da plebe, Cbristt^ 
Nazareno, e de pátria galileo, homem sedi- 
cioso da lei de Moyses, contrario ao graada 
imperador Tibério César. Determino e pio* 
núncio por esta, que a sua morte sejaao 

t Outros dizem que, temendo, com raão, 
ter a mesma affrontosa morte de seu pae, 
conseguiu fugir até perto de Leiria (semore 
os nomes parecidos a causarem duvidas) t 
morreu no rio Jâi» 



UCi 



» 



^rat, 'ftmâo eom erávM á iimiiçã> 4m réot, 
porque aquH empregando e jutiando mnt- 
tes' ^mend ricos e pobres, nio^sson de 
'prt>mov6r tamallo» em toda a ladéa, fiogiQ- 
do-se filho de Deus, rei de Israiri, amea^»- 
^o*os com a rnina de Jerasatoa e do sacro 
templo, negando o tributo a Gesnr, tendo 
^iiid& o atpevimfl&to de entrar- eom ramos e 
'«ni trkimpbo, e com parte dá ^be,- dentro 
da cidade de- Jertoalm, é no sáero templo. 

E mando qne se ^eve pela cidade de Je- 
rasalem a lesns Gbrísto ligado e açoutado, 
ie'4!ie Bfifa veetid« de purpura e coroado de 
•alfijiils eepinbos^ com a própria erue nos 
hombros, para que seja exemplo a todos os 
"BSlfttfdltores; e oom elie quero que se}am le- 
vados dois ladrões homicidas; e sairão pela 
-porta Jayaírda, agora Antoai^Bâ;, e qué se 
leve Jesus ao publico Monte da Justiça, cba- 
rinádo Calvário, onde elle crucificado e mor- 
4o> 'flliiie ò corpo na *cruK^ conro espeeiacur 
Joi a todos os malvados, e que sobre a cruz 
seja posto o titulo em três Ifingw»: hebrai- 
-ca, grega e latina (Jesus Naaareous Rex Ju- 
déorum). 

Mando outro sim que nenhoa de qual- 
■ <|uér estado ou^ qualidade ee aireva temera- 
rramente a impedir a tal jujrtiça por mim 
ordenada, administrada e executada com to* 
-do o rigor; segundo os deeretos e leis ro- 
manas e hebreas, sob pena de rsbeiliâo ao 
império romano. 

Testemunhas da nossa sentença. Pelas do- 
-ze trlbus de Israel: Rábbalm Daniel, Râb- 
baim Joaonim, Bonicar, Barbarsn, Ladi Pe- 
tuculai.— Pelos phariseus: Bulia, Simtôo^Ro* 
nol, Rabbani Mondrani, Boncurfossi— Pelos 
hebreus: ^t3mbera.-^Pelo império e presi- 
dente de Roma: Lúcio Sextilio, Amassio 
GèHib. 

ABDOimtL&O-^fregaezfa, Tras-os-Mon- 
•tes, cottárea e concelhia de Chaves, 70 kflo- 
•dvevros ao N.Ei élt Braga, 410 ao N. de Lis- 
boa, 185 fogos. 

Em 1757, tittba 125 fogos. 

Oragõ, S. Vicente, martyr. 
' Arcebispado de Braga, âi9tricto adminis- 
trativo do Villa Real. 

^ ti A mitra^ apresentava o vigário, coUado, 
que tinha 100^000 réis de rendimento. 

VOLUMB VIII 



o seu dtna é neeâsfcvio, naa saudáveis 

Produz. pen(NM>i»neae8we fruoias, mate 
abuadaiite de gado eeaça. 
* REDONDO— vi]la,Alemtejo,Qabeçadaeo«» 
celho e de comarca (foi sempre oapitat de 
cooeelbo, mas da •Qomar4sa de Ev)oitt,,«.d^ 
pois. da de Moosaras) 33 kitametroa ao N.S. 
de Bvora,i8áo S. da VilU. Viçosa, i50j» 
SJ!« da Lisboa, dSOfeses. . . ? 

Em 1757, tinba 60S logos. 

Orago, Nossa Senhora da Anouneiaçiff. 

Arcebispado e dtatrieio admlaisnatívode 
Évora 

O papa e a^miura, apnesentatam alternai»» 
vãmente o prior, que tinha 200/000 ralada 
rendimento^ além do pé d'allar. 

Tem umaibâa ieiraa 4 deoutvhro dec%* 
da amu)« 

O concelho dò Redondo é. composto iia 
sete fregaeâasy todas no arcebispado d'Bvo* 
ra--são2 

Adavàl (ou A^aval), Freixo, Monte-Tif • 
gem, Montoato, Redonda, Santa Suiana, is 
Zambujal; todas com 1:650 logos. 

A comarca é camposta- de trer couce* 
lhos: 

<Alaadroat«uu 1:400 fogos. 

RedODdOy eom 1:600. fogoa. 

Reguengos, com 1:950 Í9gos« . 

Total, 5:000 fogos^ 

A villa do ReAondo está* situada. em uma 
ptoaieie^ junto á serra d'0a8a,. e diatse qna 
o nome lhe proveicí dioj «ta.j[n'^iide roekedo 
fêdanéo (taltei» algúnai anta), que exitCiaoB* 
de- hd|e Me vá a egre|a da Méaeiícor^a, t\a 
scto'faospital. .\< 

É terra muito íertll em todos oa geoaras 
agrícolas do nosso clima; cria muito ||a« 
do de toda a qualidade e é abtmdante de 
caça. 

É povoação antiquíssima^ cofmo adiante 
veremos. 

D. Affonso ni lhe deu foral, em 1250, mas 
FranUim não traz este foral • 

D. Diniz I Ihp deu eutro feral> em Santa* 
rem, a 27 de abril de 1318 (Ltf ro a.« de doa^ 
ções de D. DMz, (í. 118 v., col. á.«). 

O rei IX Mamiel lhe ideu foral nova, : em 
Lisboa, a 20 de outubro de 1516 (L»aro'lfe 
fofàéemx^ot do Mentefo^ fl. iOd^ aek 9;*) , 

6 



B6 



aED 



TiohavBantiqiaissiiiio easteib, cnjaeon- 
stnicçao 86 attribae aos romanos. 

O rei D. Diniz o mandou reedificar, em 
13IS; mas está em rainas. 

No outeiro de & Gens {serra d'08sa) ter- 
mo d'esta villa, existem os restos da torre 
ie vigia, oa atanenara, onde o Carnoso Viria- 
to, herminiOy e, depois d*elle, Sertório, ti- 
nham as soas eseokas, para darem signal 
da aproximação dos romanos. 

Tem mn soífriTsl theatro. 

A plantação de vinliasy tem tido om ex- 
traordinário desenvolvimento, desde 1S75 
para cá, tendò-se plantado mditos milheiros 
de bacellos. 

Os srs. António Rny Gomes, Francisco Aa- 
gosto Ferreira, e José Geraldo Gomes, são 
os lavradores qae maisalllse tem distingui- 
do n'esta ealtora. 

A villa se tem também enriquecido oom 
muitos melhoramentos, qoasi todos devidos 
aos seus habitantes, porque sâo laboriosos^ 
ai^Ueados, pacíficos e emprehendedores. 

Honra lhes seja. 

JN*este concelho ha minas de cobre. 

Em abril de i877, a sr.* D. Amélia d*Al- 
meida Uatta, espoza do sr. Ignacío Maria do 
Monte, deu á luz quatro meninos, vivos, que 
foram baptísados. 

No termo do Redondo, do lado do O., en- 
tre esta villa e a de Estremo^ e quaai a egoal 
distanciando qualquer d'estas villas,estáum 
cabeço, que antigamente se chamou Jíonl^ 
lio TrigOy e que hoje se chama Monte Vir- 
gem, ou Monte da Virgem, por aqui se adiar 
uma imagem da S.S. Virgem, em uma lami- 
na de pedra, em relevo, contendo a adora- 
do dos reis magos. 

O povo lhe construiu logo alli uma ermi- 
da, e desde então o Monte do Trigo se ficou 
chamando Monte da Virgem. 

Com esmolas e oifertas á Senhora, se am- 
pliou o templo^ que se transformou em uma 
iMM egreja^ que os arcebispos d'£vora ele- 
varam a matriz. 

A primeira visita que n^ella se fez, foi em 
I5G9. no tempo do arcebispo D. João de 
Vello. 

Nao se sabe èm que anno foi construída 



BED 

a primitiva ermida; mas com certeza ki 
antes do reinado de a João II (1481-1494) 
porque no pavimento se vé uma campa qu^ 

diZ—AQUI JAZ mo GODINHO, HOMEM HONRADO 
D'EL-aU DOM JOiO IL 

A principal festa da Senhora, é no dia $ 
de janeiro (Epiphania). 

Os de Estremoz também aqui vinham fa- 
zer uma grande festa á Senhora, na domia- 
ga infira oitava da Natividade. 

Fora da villa do Redondo, mas a pouca 
distancia, está uma formosa egreja, cou- 
struídano fim do século xvu, e dedicada a 
Nossa Senhora da Saúde. 

Segundo a tradição, a origem d'este temr 
pio é a seguinte: 

Havia na villa um clérigo, chamado Ma- 
noel Simõee^ natural do termo d^Evora, e 
parocho do Redondo, que, hiudo a Rom^ 
trouxe de lá uma imagem da S.S. Virgem, 
de grande perfeição, e a tinha em sua casa, 
com o maior respeito. 

Por morte do padre, «o povo levou a ima- 
gem da Senhora para a ermida de S. Se- 
bastião, que também fica fora da villa, ^ 
aqui esteve até ao anne de 1658, em que» 
lhe construiu casa própria, que éuma vasta 
e bella egreja^ para onde a santa imafem 
foi mudada em procissão, com grande ma- 
gnificência, havendo por essa occasião uma 
grande festa. 

Ha aqui algumas boas fabricas de panos. 
Tinha um mosteiro de frades capuchos, da 
província da Piedade. 

Disse que esta povoação era antiquíssi- 
ma, e é. 

Já vimos que existia no tempo dos roma- 
nos, pois que o grande Viriato, o beirâ), 
aqui fez o seu quartel general, provavelmei^ 
te no castello, e que tinha a sua almenira 
no monte de São Gens. 

Depois da sua morte, também aqui habi- 
tou o famoso Sertório; mas isto ainda nao 
é a prova da sua remota antiguidade, porém 
a existência de monumentos megsílitiiieof 
que se teem encontrado nas suas proximi- 
dades. 



RED 



RED 



87 



(Para evitarmos repetições, veja-se o fi- 
nal do artigo Quinta dos Gascos, n*este vo- 
lume.) 

Vése pois qne os povos pre-celtas já ha- 
bitavam estas parageos, muitos séculos an- 
tes do nascimento de Jesus Christo, deixan- 
do bastos vestigios da soa permanência n'e8- 
tés logares. 

Condes do Redondo 

Os condes do Redondo, os marqaezes de 
Minas, e os marquezes de Borba, são da 
mesma familia. 

O i.« conde do Redondo, foi D. Vasco 
Cominho (qne já era conde de Borha) feito 
por D. João II, em 16 de março de i486. 

O i.<* marquez de Minas, foi D. Francisco 
de Sonza, por Pbilippe III, em 2 de janeiro 
de 16Q8. 

Em 15 de janeiro de 1842, foi feito mar- 
tpiez do mesmo timlo, D. Braz da Sil- 
veira. 

Em 4 de janeiro de 1869, teve este titnlo, 
D. Pedro da Silveira e Lorena. E, finalmen- 
te, em novembro de 1876, foi feito marquez 
de Minas, o sr. D. Alexandre da Silveira e 
Lorena. 

Oa condes de Borba e do Redondo, pas- 
saram a ter o titulo de marquezes de Bor- 
ba, em 15 de dezembro de 1811. 

O segundo marquez de Borba, foi Fernan- 
do Maria de Souza Coutinho Castello-Bran- 
e Menezes, 14.<> conde de Redondo, 12.« se- 
nhor de Gouveia de Riba Tâmega (perto da 
villa de Amarante) \ vedor da casa real^ par 
do reino^ em 1826, grão cruz das ordens de 
S. Thíago e da Conceição, commendador da 
de Christo, tenente coronel de cavallaria, um 
dos governadores do reino, e presidente do 
real erário, em 1810. 

Succedeu a seu pae, em 13 de outubro de 
1813. 

Tinha nascido a 25 de outubro de 1776, 
e morreu a 5 de março de 1834. 

Tinha casado a 15 de maio de 1795, com 

* Os condes do Redondo, eram senhores 
de Gouveia de Riba-Tamega, desde 18 de 
agosto de 1473, por mercê de D. Affon- 

BOV. 



D. Eugenia Manuel, dama da rainha D. Ma* 
ria J, e das ordens de Santa Isabel e de S. 
João de Jerusalém, e era 1.' filha dos 3.«* 
marquezes de Tancos. 

D'este casamento nasceram nove filhos: 

l.% José Luiz Gonzaga de Sousa Couti* 
nho CastellO' Branco e Menezes, 15.'> conde 
do Redondo, iZ.'' senhor de Gouveia, vedor 
da casa real, e alferes de cavallaria. 

Succedeu a seu pae, no condado^ a 5 de 
março de 1834. 

Tinha nascido a 14 de outubro de 1797» 
e casado a 30 de maio de 1819, com D. Ma- 
ria Luiza José da Gosta, dama da ordem de 
S. João de Jerusalém, que tinha nascido a 26 
d'agosto de 1800. 

Era filha dos 6.** condes de Soure. 

Doeste casamento nasceram a sr.* D. Ma- 
rianna Luiza, a 18 de maio de 1821, e o sr. 
Fernando Luiz de Souza Coutinho Castello- 
Branco e Menezes, a 10 de julho de 1835, 6 
é o actual representante d*esta nobilíssima 
familia; porque seu pae falleeeu em 1863. 

2.°, António de Souza Coutinho, que foi 
conde- t)arão d'AlVito. 

3.% João Luiz de Souza C(mtinho Castello» 
Branco, cavalleiro da ordem de S. João de 
Jerusalém, nascido em 23 de junho de 1801, 
e fallecido no seu palácio de Santa Martha 
(Lisboa) a 2 de junho de 1867. 

O Diário Popular (de Lisboa) de 4 de ju- 
nho de 1867, publicou o seguinte necroló- 
gio: 

«Na madrugada de domingo 2 do corren- 
te, pelas 3 horas e meia, falleeeu o ex."« sr, 
Joãe Luiz de Souza Coutinho Castello Bran- 
co, terceiro filho dos ex."'^'* marquezes de 
Borba, no palácio d*esta nobre familia, no 
largo de Santa Martha. 

O fallecido havia nascido no dia 23 de ju- 
nho do anno de 1801: foi um perfeito mo- 
delo das virtudes cívicas, e religiosas de 
seus iilustres antepassados, a cuja memoria 
soube prestar o maior respeito. 

Seguiu o partido legitimista, sendo um 
dos honrados membros d'elle, respeitando 
todavia as opiniões adversas. 

Soffreu, como bom christão que era, com 
a maior resignação a prolongada doença a 
que succund>ia, recebendo com grande pie* 



88 



BED 



RED 



dade e devoção os nltimos soccoiros espí- 
rimaes, qae já por mais de uma vez, da- 
raote a sua enfermidade, havia reeebido. 

Viveu etirístãmeote, e assim morreu, re- 
petindo eile mesmo com o venerando sacer- 
dote, que o ajudava a passar a hora extre- 
ma, os respectivos Psalmos, e orações da 
agonia, entregando plácida e tranquiUamen- 
te a sua alma ao Creador. 

Acompanhamos a nobre familia do falleci- 
do na sua dôr e saudade, e rogando a Deus 
.que se compadeça de sua alma, e proatran- 
do-nos todos ante a Cruz da Redempçao, di- 
gamos alli o Reqmem wtemam dona eis Do- 
mine, Et lux perpetua luceat ei,^ 

4.% D. Margarida, condessa da Atalaia, 
nascida a 11 de janeiro de 1804. 

5.% Duarte, cavalleiro da ordem de S. 
João de Jerusalém; nascido a 17 de agosto 
de 1808 e fallecido em Santarém, a 20 de 
abril de 1834. 

6.% Manuel, cavalleiro da ordem de S. 
ioão de Jerusalém; nascido a 25 de agosto 
4el809. 

7.% Z). Francisca, condessa da Lapa, nas- 
cida a 5 de abril de 1814. 

S.% D. Maria Francisca, condessa de Pom- 
beiro (mãe do actual marquez de Bellas) nas- 
cida no 1.» d*abríl de 1815. 

9.% D. Maria de Jesus, nascida a 27 de 
março de 1820. -« 

As armas doestes titulares, são: 

Escudo esquartellado, no l.*" e 4.'», as qui- 
nas de Portugal, e no 2.* e d."» as armas de 
Lyão. Timbre, um leão d'ouro. 

HemhroB mais notáveis d*esta família 

D, Vasco Coutinho, conde de Borba, e 1.*" 
conde do Redondo. 

Foi capitão d'Arzilla (Africa) e um dos 
cavalleiros que mais sé distinguiram, pelo 
seu valor e intelligencia, nas guerras contra 
. CS turcos. 

D. João Coutinho, 2.» conde do Redondo. 
Jilho de D. Vasco Coutmbo e de D. Cathari- 
,na da Silva, foi um cavalleiro de estremado 
valor, de grande ínteUigencia> de uma bella 
figura, e agradável 'tracto. 
. Foi muitos annos capitão d'Arziiia, em 
cujo governo succedéra a seu pae. 



Defendeu aqoella praça de todo e poder 
do rei de Fez, com inexeedivel bravoni, e 
ainda hia provocar os mouros aos seus pró- 
prios acampamentos, ficando sempre victo- 
rioso, e tomando-se o terror dos inioiígos 
das armas portuguezas. 

Referíndo-se a este heroe, disse o lape^ 
rador Carlos V ao infante D. Luiz, duqneè 
Beja, e filho do nosso rei D. Manuel. 

cQuien tuviera aqui aora d conde de Be* 
dondo, eon sus duzientos africanos! i tantos 
eram os portuguezes com que D. Joio Ga- 
tinho havia conseguido tantas e tao assign* 
ladas victorías. 

Sahindo da praça d*Arziila, com 110 iao^ 
ças, em 18 de junho de 1514, encontroam 
serra do Farrobo (serra do Carneiro) uai 
grande partida de mouros, sendo 800 deea* 
vallo, e muitos mais apé, commandadosjM^ 
lo seu famoso alcaide Loroz. 

Não se atterrou o magnânimo D. lolo Gos- 
tinho, com a desproporção do numero, # 
zendo aos portuguezes — tSão Jorge, ea4 
les!» 

Foi profiada e mortífera a peleja, naif 
mouros tiveram de fugir, derrotados, i^ 
xando no campo 200 mortos, em cujot 
mero entraram muitos mouros dos prafr 
pães, com 41 captivos, entre dies o ãicak 
de Aleacer-Quibir, o adail de MoleiNior, 
dois Xeques ^ e outros nobres mouros. 

1 Xeque (Xeche) palavra árabe, é ú^ 
de honra. 

Significa homem de provecta edade, aa* 
cião de probidade, con:}elho, aactoiiãi- 
de, etc% 

Entre os árabes do campo e os monrosib 
índia, os xeques são governadores do t^ 
tório que comprehende uma tribn, cabílilii 
ou familia. 

Entre os persas, dá-se ao imperador o 
nome de Xeque, que elles pronunciam Ji 
(Schah.) 

Entre os godos ou saxonios, chaouiviio 
Alderman, ao mesmo a que os árabes dioo 
nome de xeque. (Os inglezes amda qssb 
este termo com a mesma significação.) 

Xeque, corresponde ao latino *^Mt(i'i'A 
ao portuguez, italiano, francez e faespaniw 
—senhor. 

Ha lambem quem diga que sir (qae osíi- 
glezes pronunciam sar) á corrupção de if- 
que, que Qo árabe moderno se pronosçi^ 
ocaque; e é d'aqul que julgo vir $chah. 



RED 



RED 



89 



Dos portngaezes poneos morreram, reco* 
Ihendo á praça com valiosos despojos, in- 
claiDdo 93 óptimos cavallos>ricameate. ajae- 
zados. 

Ao sea estremado yalor, jantava a gene- 
rosidade e bizarria de um verdadeiro fidal- 
go portaguez; basta para prova o exemplo 
seguinte: 

Tioha captivo em Arziila, como já disse, 
o Dobre e velho alcaide d'Alcacer-Quibir, pae 
de uma formozíssima menina. 

Um joven e rico serraceno, pretendia ca- 
sar com ella, e obteve em resposta que só 
casaria com elle, se conseguisse a liberdade 
do pae. 

O mouro, monta um formoso cavallo, e di- 
rigindo-se a Arzilla, lança-se aos pés do 
conde e, depois de declarar o amor qoe ti- 
nha á donzeila, e a condição que elle pro- 
punha ao seu casamento, lhe disse: 

«Sou tao nobre, como o alcaide que con- 
servaes prisioneiro: elle é velho e pouco pô- 
de combater. Eu sou moço e nao careço de 
robustez nem de coragem, pelo que as ar- 
I mas portuguesas pouco tem a reeeiar de um 
j ancião, o que não acontece a meu respeito: 
pois bem, eu me declaro vosso captivo, e 
dae a Uberdade ao pae d*aquella que amo 
' mais do que a própria vida e a liberdade.» 

D. Joio Coutinho ficou maravilhado de 
uma acção tão briosa, e de um afleeto tão 
. raro; e summamente enternecido respondeu 
. ao mouro: 

«Mancebo, o acto de dedlcaçãa e abnega- 
ção que praticaes, ^^proprio de um bizar- 
ro cavalleiro, e não se dirá que um capitão 
do rei de Portugal vos fica ín/^ior em ge- 
nerosidade. Eu vos mando entregar o ca- 
ptivo, sem condições; levae o e sede feli- 
les.» 

Mandou logo soltar o alcaide, deu* lhe um 
óptimo cavallo, muitos e valiosos presentes, 
e acompanhou os mouros até fora dos mu- 
ros da praça. 

No dia l.« d'abril de i520, se deu um fa- 
cto nos arredores de Arzilla, que deu multo 
^jue rir« e foi divulgado em todas as nossas 
possessões ê^ Africa, e em Portugal, em pro- 
za e verso, pelos litteratos do tempo. 



Adoecera na praça um nobre cavalleiro« 
geralmente estimado por suas boas partes. 

A moléstia degenerara em pulmonar, e os 
médicos lhe receitaram caldo dekágados. 

Resolveram-se 30 cavalleiros portuguezes, 
quasi todos nobres, a hir á pesca dos kàga- 
dos, a uma ribeira que ficava a pouca dis- 
tancia da praça. 

Sahiram pois no dia referido, e, vendo o 
campo livre de mouros, marcharam descuí- 
dosamente para o rio. 

Deixaram os cavallos a pastar em liber- 
dade, e despíodo-se, se deitaram à agua, 
uns a pescar os kágados, outros a bajha- 
rem-se. 

Quando mais entretidos andavam com o 
divertimento, veem-se cercados inopinada- 
mente por um numeroso esquadrão de cà*- 
valleiros motvos, do exercito do rei de Fez. 

Os christãos assim surprehendidos, ape- 
nas tiveram tempo de empunhar as lanças 
e montar a cavallo, nus como estavam, mas, 
com tal bravura se defenderam, que todos 
poderam recolher- se à praça, sem perda de 
um único; deixando apenas por despojos da 
batalha, os seas vestidos, armas e escu- 
dos. 

Quando esta cavalgada entrou em Arzilla, 
no costume de Adão e Eva, muito se riram 
todos, e o bravo capitão não foi o que me^ 
nos graça lhes achou; e os mandou logo ves- 
tir á custa da fazenda, e lhe fez outras mui- 
tas mercês; ficando memorável e muito ce- 
lebrado este successo, entre mouros e chris- 
tãos. 

Depois de ter prestadd relevantíssimos 
serviços á religião e á pátria, e aehando-se 
doente por causa do clima africano, D. João 
Coutinho deu ô governo da praça, a seu fi- 
lho, D. Francisco €k)utinho, que foi 3."* con- 
de do Redondo, e regressou a Lisboa, onde 
foi geralmente estimado e respeitado pelo 
rei e pela corte, sendo nomeado ministro e 
conselheiro doestado. 

Palleceu este benemérito portúguez, no 
dia ii d'abril de 1542, com geral sentimen- 
to da nação, e particularmente de D. João 
Ifl, que multo o estimava. 

D. Francisco Cominho, 3.* conde do Re- 



90 



RED 



dondo, digno filho de tal pae, e tâo bravo 
guerreiro nos campos de batalha, da Euro- 
pa, Afirica e Asía, como pradente e integer- 
rimo magistrado, apexar do sen génio folga- 
sâo e engraçadíssimo. 

Estimava os homens de talento e os cora- 
josos, qualquer que fosse a classe a que per- 
tencessem, e por isso era geralmente bem 
quisto. 

D. João III o fez více-rei da índia, e foi o 
segundo n*aquelle governo, que tomou da 
mão do grande D. Constantino de Bra- 
gança. 

Conseguiu illustrds vtctorlas no Estreito, 
no Malabar e na ilha do Ceylão. 

Celebrou pazes com o Çamorim^ e fez ou- 
tros muitos e valiosos serviços a Portugal e 
á índia portugueza. 

Estando um domingo de quaresma a ou- 
vir missa na Sé de Gôa, pregoa um firade 
franciscano, versando o sermão sobre as 
muitas injustiças que se praticavam na ín- 
dia. 

Na semana seguinte, foram dois frades 
da mesma ordem do pregador, levar-lhe uma 
petição, requerendo uma cousa manifesta- 
mente injusta. 

D. Francisco Coutinho poz por despacho 
— Haja vista o padre pregador de danmgo, 
^ junta ao sermão^ vdte para defferir como 
f&r de jfAStiça. 

Ordenando-lhe a rainha regente, D. Catha- 
rína^ que não desse soldo aos soldados que 
hiam de novo para a índia, senão passados 
seis mezes, respondeu: 
' «Esqueceu a Vossa Alteza declarar o que 
lhes farei se os achar furtando, porque— se 
dizem a Vossa Alteza, que doestes se Cuem 
cà homens, eu accrescento, que doestes ho-< 
-mens, sendo mal pagos, se fazem cá ladrões.» 

Muitíssimos ditos de infinita graça se con- 
tam d*este fidalgo, os quaes não menciono, 
por não enfadar mais o leitor. 

Estando o conde do Redcmdo quasi no fim 
do triénio do seu viee-reinado, falleceu em 
Gôa, a 28 de fevereiro de Í5ê4. 

D. João de Souza, da casa dos senhores 
de Gouveia de Riba-Tamega, filho do l.** con- 
de do Redondo, e sobrinho do grande arce- 



RBD 

bispo d'£vora, D. Diogo de Souza, da m» 
ma família, bispo do Porto, arcebispo de 
Braga» e, por fim, 20.'' e ultimo arcebispo 
de Lisboa. 

Nasceu em Lisboa, no anuo de Í6I7, e 
falleceu na mesma cidade, a 39 de septen* 
bro de 1710. ^ 

Para evitarmos repetições, vide4.*TQL, 
pag. 275, col. 2.« 

No 3.* vol. do ^nfio Histórico, a pag. 102, 
vem uma extensa biographia doeste iDsign 
prelado; mas diz que elle falleceu a 23 4i 
janeiro de i710. 

Não pude saber qual doestas duas datasí 
a verdadeira. 

Ha mais noticias sobre os condes do Be* 
doudo, no Q^ vol., pag. 595^ col. 1.* 

O actual representante d*esta esdareeidi 
família e dos marquezes de Borba, éoar.U 
Fernando Luiz de Souza, filho dos ultio» 
condes do Redondo, e que não tem queridi 
acceitar o titulo, do governo liberal. 

Este cavalheiro tem uma boa propriodiÉ 
no termo de Relias, chamada qukUa do if 
Jardim, onde reside habitualmente apesii 
ter o seu palácio de Santha Martha, ninèi 
mais vastos e mais bem construídos dei* 
boa. 

É tão solida a sua fábrica, que o çvk 
cataclismo do L* de novembro de i7^iât 
lhe causou o mínimo prejuízo. 

Contíguo ao palácio^ tem uma exieoA 
quinta, a maior de Lisboa. 

Todos sab^m que a nossa academia ^ 
belUu artes, está no velho e acanhado edífi- 
cio que foi mosteiro de São Francisco daDi* 
dade. 

Quadros e desenhos de grande mereci- 
mento, estão alli amontoados, em tão at 
disposição, por falta de salas, qoe algtftf 
já estão podres, ou muito damnificados. 

O sr. marquez de Souza Holstein, esclare* 
eido secretario da academia, com outros ef 
valhelros, .a quem dôe ver as nossas coosis 

< Foi sepultado no cemitério dos pobres 
na Sé de Lisboa, sem epitai^io algum, ^ 
mo tinha ordenado. 



A6D 



BBD 



91 



èm tal abandono, depois dd mnitae ínYesti- 
gações, acharam que o palaeio dos oondes 
flo Redondo estava nas melhores condições 
para n*elle se estabelecer a academia, ten^ 
Ho, de mais a mais, a necessária ampllmde 
para allí se cardarem as innnmeras lapi* 
des romanas e outros objectos archeologicos, 
qae se encontram com profaíio por todo o 
paiz (como temos visto n*esta obra) e que 
ali! estariam ao abrigo de profanações, e 
eonstituíriam nm mnsea archeologico de 
grande valor^ para as artes e sciencias. ^ 

Assim o decidiram os illnstres engenhei* 
ros, os srs. marqnes da ^nxa Holstein, An- 
tónio Thomas da Fonseca, José António 
Gaspar, e Ricardo Júlio Ferraz, commissio- 
nados para examinarem o palácio e qninta 
em questão. 

A casa, que, como jà disse, é vasta e de 
solidissima constrneçao, tem qnasi todos os 
madeiramentos de óptimas arvores doBra- 
Zfl, e, com mui pouca despeza, se prestava 
para o fim projectado, por consistir na soa 
máxima parte, em vastos salões. 
' Junto ao palácio ha nm Jardim de 900 e 
tantos metros de comprido, por 200 de lar- 
f o, áo nivel do pavimemo nobre (a casa é 
úe dois andares) onde facilmente se podiam 
ediflcar novas salas, à medida qne fossem 
sendo necessárias. 

A quinta, tem 18 hectares de extensão, 

isto é— CBRTO B OmifTA MIL IRTROS QUADHA- 

TOS. 

governo nlio qaic dar por tudo isto 

1 Já temos um museu archeologico, esta- 
belecido na egreja gotbíca do Carmo, devi- 
do á iniciativa e á dedicação do sr. conse- 
lheiro Joaquim Possidooio Narcizo da Sil- 
va, coadjuvado por alguns membros da real 
associação dos architectos civis e arebéolo- 
ffos portnguezes (a cujo numero me honro 
de pertencer) e Já alli se admiram muitos 
objectos de grande mereeimenio; mas, uma 
^âsoctaçao particular, sem outros rendimen- 
tos alem da iosígníflcaDte mensalidade de 
500 réis que dá cada sócio, tarde e mal pô- 
de attingir o grau de prosperidade de que 
é merecedor tão patriótico emprebendimen- 
to, emquanto o governo de Portugal se con- 
servar—como até agora— em total e repre- 
hensivel indiíferença, para com objecto de 
tanta valia. 



maiis de 80 contos de reis, apezar dos enge* 
nheiros meneionados o avaliarem em moi* 
to mafs. 

Estes examea e avaliações foram feitos ena 
maio de 1876^ e até hoje nada se deddiol 
Pois o governo fazia uma bella acqulal^, 
porque alem de ter um óptimo edíficio pa* 
ra a academia das bellas artes, e mosenar* 
cheologíco, podia abrir novas ruas na quni» 
ta, e fazer quasi o dinheiro da compra, ven- 
dendo terreno a particulares, par^ novas ha« 
bitaçõlss, tao necessárias em Lisboa. 

Na villa do Redondo nasceu* em i8ii, o 
sr. João Anastácio Rosa (vulgarmente, Rosa 
pae) distincto pintor e óptimo actor dramá- 
tico. 

Seus pães o destinavam para o estado 
ecclesiastico; mas como nao tinha vocaçfa 
para padre, qnizeram que elle fosse me» 
dico. 

Em i828, porém, apparecendo no Redoa^ 
do um pintor hespanhol, e vendo a propeii« 
çao que Rosa tinha para o desenho, lhe deu 
algumas lições, admirando-se dos rapldoa 
progressos do discípulo. 

Seus pães o mandaram entia para Lishoa 
cursar a aula regia de deseiAo, que nesse 
tempo era no Thesouro Velho. 

Vendo a aptídio do alamno, o engenhei-» 
ro director (general Rapozo) o mandou pa« 
ra o palado da AJada> para praticar com o 
insigne pintor, João da Gnnha Taborda, di* 
rector dos trabalhos artiatieos d-aqaelle pa« 
laclo, no reinado do sr. IX Viguei I. 

Alli estudon com aproveitamento, até que^ 
em 24 de Jnlho de 1833^ entrando ob libe* 
raes em Lisboa, sa aliaton em nm dos tafg- 
lhÕe$ nuweiiy então oreados peio fiovernodo 
duque de Bragança. 

Finda a guerra de 1834, e parando aa 
obras do palácio da Ajuda, Rosa vivea do 
ofiQcio de pintor, tirando retratoe tf óleo, no 
que fot e ainda e, nioito perito. 

Quando o, vlscaado* de Almeida Garrett 
tentou restaurar o theatro nacional, cfuaair 
zando a companhht do theatro dos Condes^ 
foi nomeado director BmlIioiKmx, o qual 
anuimcfen qne dava lições de dedaoia^» 
n^aqneile lheatP0« 



9e 



BBF 



RBP 



' Rosa foi âo8 príinf iros a araáir ao dia« 
namento, e aipii tenoe um <»ptiflio píiuor 
transformado em um dos melhores artistas 
dramáticos (em todos oa geaaros) dos nos- 
sos dias. 

Seus filhou, ÁBgaste, e- Joio, segaem as 
lilzadas de seu digno pae, h saò também 
dos mais eximios actores da scena porta- 

' Os coDdes do Redondo apreseaiavam as 
justiças do eonee&Oy eosnmradares llie pa- 
gavam 6ÍS300 réis de-jagada, qae eram 33 
alqueires de rada moio que semeassem.' 

• Tinham mais os oitaveis do vinlio e oOf 000 
féis de portagem. 

(Vide Valladeira.) 

BSD01ÍII68— freguezia» Douro, comarca, 
«ODoelho e próximo éa Figueira d» Foz, 40 
kilemetrtís ao O. de Coimbra, i95 ao N. áp 
Lisboa. 

Em 1757, tinha li« fogos. 

• Orago^ a YeraCml 

' Bispado edistrietoaâmimstrativo deCoim* 
iira. 

O mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, 
aj^sèntava o cura, que tinha 404009 réis 

• o pé d'altar. 

O logar 4e Redotidos iiiâia foro de villi^ 
€ era concelho que se âenMaínaYa dn Bmr- 
<o$ e Rgémdast até 13 de março á% 1774, 
'^m que foi ereada a oottarea de Figueira 
^Fóz dblloádego. 

Redondos fica . justo a Btiaroos, e está nas 
mesmas coodi^e& 

yide Bmarcoi e Fiififeira da Fwí. 

RERRUFE^-oasa ^iuculaF de um ranio dos 
Magàttiies <oa Magalhães de Redrulè) em 
Cabeceiras de Baáto, na provinda do Mi- 
nho, arcebispado e diãtriclo adODinistraUvo 
4e Braga. 

t seu aetual n^pfèseiAante o sr. JoséFal- 
ão de Mapllâes. 

REFECE ou AQBBCS ^ portaguei antigo 
«— Tii, Inixo, aote; cotisa ou pesaoa*de mui 
fouea vaiia. 

Também se cliauia reflice á moeda baixa 
lio mecai e no valor. 
. BBFENáS— i)ortngU0z anli^d-^refena. 

REFBREDIÇO, REFBBEMR ou BBFBR- 



*•-•■_ 



TBBUI-^ifertuguez anrtgo o ^quo^se^ «àlTe^ 
peode de ler dado alguma consa> - 

O quo referia^ iançando em roírto a 
que fes. 

RIFERTA-^portuguez aatigo-^iiorfift de 
palavras, eontenda, disputa. 

BSFIRTAR— ponugooK antigo diipak 
tar, impugnar, não querer, pôr denuonda, 
coQtrariar, impedir. .:r 

REFERTBIRA -^ português antigo -^mu* 
Iber* desdenhosa, esquiva, etc 

REFERTBIRO— pertogues anUgo— teioik 
lo, pertinaz, que se nae convence da raaãoi 

BEFERTO^-ponugues amigo— ooibaraço^ 
contenda, opposiçao, eontradicção» et^ 

RBFERTORIO--pmrtugues antigo — ^refei- 
toria 

REFESTÊLLO— portuguez antigo-^(aiBÍa 
usado na Terra da Feira)» fesla» «mimo/s 
de rapazes deseant% eto. 

REFIÃQ — ponuguec anligo-^ufiao.-^ 
curioso o Cod, Alf., no Liv. 3.% tit ia, iil 
o i8.— Diz, em resumo: Refiao é o que ta 
pubricametUé mtmeêb^ na numcMa^ prri' 
tmpérar e jáéfmitr^ jipr o ffWxmhoéUtíi 
qm d^eUa Uva. 

Nào gozava privilegio clerical, taaftn 
pessoa como nas suas cousas^ o iderige» 
sado, que fôr— 1.% OBormceiro, matando, 6r 
folaodo, cortando^ etc.--2«% fo^amatro^^*, 
rtf/ioa— 4.^ joffrol (o que tocava, por dinbú- 
ro, qualquer instmmenlo, sem sor em (es- 
tas de egreja)— 5.<*, tregeitador (truao, bàb% 
farcista» paafoBMneiro^ etc.)-^.% çaUark 
(o que come e bebe na taberna) — 7.% 4ih 
fam (bufarinheiro.) 

R£r01IT0UEA—-freguezia, Douro, eomar- 
ca e concelho de Felgueiras (foi do meanw 
concho, mas da comarca de Lousada) dS 
kilemetros ao N.E. de Braga/ 360 ao K. de 
Lisboa, 190 fogos. 

Bm i7«7, tinha i56 lògos. 

Orago, S. Gypriano. 

Arcebispado de Braga, districto adminís'' 
trativo do Porto. 

A mitra apresemava o abbade, quo tinlia 
900MOO réis de rendimento. 

É terra muito fértil em todos os fraetos 
do nosso clima, cria muito gado e ó abun» 
dante de caça. 



REF 

Sr» Bilwal â'eita fregnAzia, D. Goldora 
Goldaras de Befontoura, padroeira do mos- 
teiro de Boetállo, próximo a Peaafiel. 

D. Goldora teve de 0. Gonçalo Meades de 
Soutt^ a Dl BiTira (outros áMm Marinha) 
que easou com Maslim Kres d' Aguiar^ e Jò- 
ntt pães de Pedro Martins Alcoforado. 

Foi- por íBlo gne os Alcoforados ¥leram a 
ler padroeiros do convento de BastdUo. 

B£FOTOS, REFOIOS ou REFOJOS— fre-^ 
foexia, Minho» comarca de Celorico de Bas- 
to, coneeiho de Cabeceiras de Basto, 40 ki- 
iametros ao N.E. de Bnga, 380 ao N. de 
Lisboa» 700 fogos. 

Èm 1757^ tinha 4i4 lagus. 

OragOy 8. Migneli arebanjo« 

Arcebiapado.e districto administrativo 4e 
Braga. 

'. O IK abbade benedielino domoateiro d'es- 
ta Iregnezis, apresentava o vigário, triennal 
(4Be era nm monge do mesmo convento) e 
tinha SO^OOO réi» de benesses^ 

É povoaçio mnila antiga, e fbi viUa e coa* 
lo, tom 4 denomlnaçSo éèBtfjíffOãâãBtutú. 

Tem nma sentença dio Joral, dadapelorai 
D. Dinii, em 14 de janeiro de 1307. 

(úav. m, maço ^ «.« 14.) 

Strei D. Manoel lhe den foral novo^ em 
lisboa, no i."* de ontnbro de Í6i3. 

{ÍÀ0. dê faroM núvús do Mitika, fL 49 v^ 
DOk !•) 

Pica esta freguesia eitnaâa perle da mar- 
gem direita do Tâmega. 

Vem festa e feira a 19 de setembro, dia do 
iea padroeiro* Dnra três diaa^ 

nefoyos, é também um appsUido ni^M 
em Portugal, cuja família procede de D. 
Heodo Affonso de Relbyos, tomado (o appel- 
lldo) do senhorio da Torre éê Hefauêã, que 
é o seu solar, e teve numerosa descendência. 
-^ Floresceu D. Mendo^ no témpe de D. Af- 
fonso Henriques, e está sepultado na capel- 
la-mór da egreja do mosteire de Relòyos 
éolima. 

Os Rétbyos traaem por arma»-- em cam* 
po de praia, 4 cotieat depiirpura, em palia. 
Timbre, dnas pernas d'agnia^ de mto, em 
aspa, com uma das cotieaa naa-gairas, en* 
tre 4 plumas de púrponu 

(Vide BefQffO$ do Lima.) 



REF 



9« 



É n'esta fregueiia o sumptuoso morteira 
de monges beneidiciioos (cuja egreja serve 
de matriz da freguezia) fundado em 670, no 
reinado de Recesvindo, filho de Chindi^s- 
windo, por o rico-homem Hermigio Fafez. <• 

Me<Úante o tributo imposto, eiistiu esie 
convento, pratieando-se n'elle o culto catho^ 
lico, em todo o tempo da dominação árabâ» 
chegando a ter então 67 religiosos. 

Em Í4G3, sendo rei de Portugal D. Diniz^ 
passou a abbades commendatarios. 

Pelos annos de l&W, Dl Joao.lU o deu a 
seu filho bAgiardo, D. Dnarte, arcebispo de 
Braga e ppíor-mór de Santa Cruz de Coim- 
bra; e depois, a frei Diogo de Murça, ^ que 
obteve do papa Paulo IU,<p^ annos de 
IM9, um breve para se extinguir o conven- 
to, e fazer em Q)imbra os collegioa de S. 
Bento e $• Jeronymô; e do remanescente» 
ontro, para il estudantes ecclesiasticoe po- 
bres. 

Os monges, porém, oppoaeram^sQ ateste 
biTeve, e o convento nao^foi supprimidiv nuis 
íieou com 12 religiosos e um prior, soiei^os 
árelhrma* ^ 

Em A570| entraram os abbades triennaes» 
pela reforma ordenada pelo papa Pio Y. 

O convento snatentava o collegio, alem doa 
dois de Coimbra. 

Em Tras^os-Momes tinha muitas rendas, 
qne dividia com a casa de Bragança* aa 
quaes lhe foram doadas por Yaseo Gonçal- 

< Outros dizem qoe o seu fundador foi 
D. Gomes Soeiro. 

Ê certo que o retrato de D. Gomes Soei- 
ro está em um grande quadro, a óleo, no sa« 
Ião que foi do capitulo, com esta inscrip^ 

— D. GOMES SOEIRO, FUHDJUKIB d'BSTE lf0STEI«- 
RO, EU 670. 

A ser isto verdade, nao pôde haver duvi- 
da que foi este o ílondador. 

^ Este frei Dioffo fez grandes obras no 
mosteiro e aqui faUecei. 

3 Tão boas razões apresentaram os mon- 
ges, que o próprio D. frei Diogo de Murça^ 
requereu ao pontífice a conservação do mos- 
teiro, e foi o papa Paulo IV, que, em i^&i, 
auetorisou a conservação do convento. 

D. Diogo faUeceu n'esie mosteiro, em 1570^ 
e foi sepultado na capélla-mór. 

O seu retrato esteve até 1834 no collegio 
doa Jeronymoa, de Coimbra. 



d4 



BEF 



ves Barroso, casado com D. Leonor d' Alvim, 
é n'este mosteiro foi sepultado. 
' D. Leonor, depois de viava, casou eom o 
^ande eondestatel D. Nano Alvares Perei- 
ra, e d'este casamento nasceu D. Brites <oo 
Éeatriz) Pereira, qae cason com o infante 
D. Afibnso, filho natural de D. João L e de 
Ignez Fernandes Esteves, filha de Mem 4a 
, Oaarda, o Barbadõo, e que foi (D. Affonso) 
o i."" conde de Barcellos, e o iJ* duque de 
Bragança, e tronco da real casa de Bra- 
gança. 

A egreja de S. Miguel de Refojos de Basto^ 
è o seu mosteiro, é um dos mais importan- 
tes e dos mais sumptuosos monumentos da 
província do Ifinho, e mesmo em Lisboa, 
n'este género, só lhe pôde ser comparado o 
mosteiro do Coração de Jesus (Estrella) com 
o qual tem grande semelhança, na fachada 
da egreja e no magnifico zimbório. 
* Esta obra magestosa, foi cooduida em 
1690. 

Em fk*ente do mosteiro ha uma alameda, 
e quasi no fim d'eUa, um elegante emagní- 
fico ernzeiro, construído em 1847. 

Dão entrada para a alameda, trez largas 
ruas, atravessando-a em todo o seu compri- 
mento, o pequeno rio Basto, bem canallsa- 
do; o qual entrava por baixo de uma peque- 
na ponte para as terras que foram do mos- 
teiro, e que hoje está siâ)8tituida por uma 
nova e bôa ponte, que dá passagem á estra- 
da de i.* classe ha pouco construída. 

Ao lado da ponte, está a estatua de um 
miliciano, toscamente cinzelada, tendo no 
ventre a seguinte inscripçào^pONTE de s. mi- 

6CEL DB REFOYOS^ ANNO DE i690. 

Está o mosteiro situado no fundo da bada 
de Cabeceiras de Basto. 
. Apezar das muitas rendas que se tiraram 
ao convento, para os trez collegios, como fi- 
ca dito, ainda elle ficou muito rico, nao só 
pelo grande numero de fóros que recebia, 
como pdas muitas propriedades que pos- 
suía em Barroso, e que lhe tinham sido doa- 
das por Vasco Gonçalves Barroso, d'este 
concelho, primeiro marido de D. Leonor de 
Alvim. 

Vasco Gonçalves Barroso, 
só deu aos monges a sua mm- 



çiOf e é per isso fo» a dêfloa 
mulher veio depoia a ser da 
casa ée Bragança. 

Os monges mandavam para Goiaibraâ;900 
cruzados (1:4004000 réis) fieaoâo para el- 
les, só 300 cruzados, dos fóros e rendai^ 
mas, eom o direito de padroado 4e todas as 
egr^as annezas a este convento, e os seus 
dízimos, o que montava ainda a uma graa^ 
de somma. ' 

Tínhamos monges um grande oooto,coB 
juiz no eivei e orplâos, e mais empregada 
judidaes e munidpaes, da nomeação do B. 
abbade, que lhes deferia o juranaento e aa* 
signava as suas cartas. 

Ao mosteiro partenoiam todos çs dárdios 
reaes do couto, e as pinas (naiútas) por 
transgressões de posturas. 

O prelado do convento, era oavidor^nato 
do seu couto, tanto no eivei, como no erâia 

Este couto tinha sido comprado pelo ab? 
badeD. Bento Mendes, a D. Affonso Heari- 
q«es, por 000 morabitinos» como cooaude 
um quadro que representa o abbade entis* 
gando ao rei a quantia ajustada» e reaebea* 
do d*e]le a carta de meroé^ <|ue é do ttNtf 
seguinte (traduoçâo de latim.) 

E», Egrégio D. AffousOt por amor dsnà^ 
Bento Mendês, que nmio egtimo, fmço osdt 
para o mosteiro de Bêfoyos^ firme o wttíosSj 
por oitocentos morabitinoSf que de vós recdi, 
e tudo fuemto n"elk me pertence, dot» por li- 
vre e absolutOy etc. 

Este convento foi em varias epoea& eoile- 
gio da ordem, è em id34 ainda tinha Bfl 
abbade, um prier, i2 monges, o ^ crea- 
dos. 

Oa fóros e dízimos doeste convento, iw 
diam aonualmente, de 12 a 13 mil ornzado^ 
e o mesmo rendiam os que foram para os 
trez collegios de Coimbra. 

Tinha uma Taliosissima livraria, que fd 
mandada para Braga, em 1838* 

Alem dos livros roubados (e de ceris^ àm 
mdhores) dimote os quatro anifes^ qi» o 
convento esteve abandonado, foi o testo ii> 
mal aoondiecionadOí que muitos ee-psid^ 
ram pde oaminho. 

A fachada do mostdro tem ^ jandlas di 
peito e 8 de sacada^ 



BEP 

No centro tinha as armas da ordem, que 
foram picadas em 18341 

Em continuação ao mosteiro, está a vasta 
6 sumptuosa egreja, com seu grande pórti- 
co, e para a qual se entra por um extenso 
pateo gradeado. 

- Tem duas elegantes torres, eircumdadas 
de pyramides. Uoaa d*ellas tem bons sinos, 
9endo o maior, de uma óptima composição 
metálica, e com excelisnte som. 

A outra niinea tevo sinos, e parte fai' der- 
rubada por um raio, em 1639; mas logo ree- 
dificada, por um mestre pedreiro, por alcu- 
nha o Long%u$iho8 -(por ser o eonstructor da 
estatua equestre de S. Longuinhos, no Bom 
Jesus do Monte, em Braga) que aqui mesmo 
morreu asflxiado, por ter dormido com um 
fogareiro acceso, dentro de uma das casas 
do mosteiro; tendo de concinir a obra da tor- 
re> um seu filbo. 

. Entre as torres, está a elegante cruz de 
pedra, e no tympano, as armas da ordem. 

Também entre as mesmas torres, está o 
aUar do arcfaanjo S. Miguei, tendo na frente 
nma varanda de ii metros de extensão. 

• « 

N*este altar se dizem missas, no dia da 
^ua festa (29 de septembro) assistindo a ellas, 
«da alameda fronteira, mUbares de pessoas; 
p<»*que, alem das da terra, concorrem os 
^ue vem á feira de S. Miguel, que flca pro- 
-xima. 

. Por baixo d'e8t6 altar, e aos lados do pór- 
tico, estão as estatuas de S. Bento e Santa 
Escolástica, admiráveis pela sua primorosa 
esculptura e naturalissima expressão. 

O zimbório, que principia a 19 metros de 
altura, tem, na base, 36 metros de circum- 
ferencia, e é rodeado por uma Varanda in* 
jterior. Tem altura de 33 metros. Na base da 
«lipula, que é clrcumdada fK>r outra varan- 
da, mas exterior, tem as estatuas dos doze 
apóstolos, de tamanho nataral, e no remate 
a de S. Miguel, de 2",64 de alto, e em volta 
jiinda outra varanda. 

. o templo ó de arcbitectura compósita, e 
em forma de cruz, medindo 2:819 metros 
iquadrados. 

Tem um soberbo coro, com exceUente or- 
fPiOf tendo em frente, outro fingido, para sy* 
metria. Um â*elles é encimado. pelas esta- 



RBP 



OS 



tuas da Fá, Esperança e Caridade; o outro 
pelas da Justíça^ Fortaleza e TemperimçeL 
Ambos são sustentados por feias cariatides» 
e medonhos minotauros. No centro da grada 
que o circumda, está uma grande cruz com 
a imagem de Jesus Cbristo crucificado, de 
tamanho natural, que é considerada como 
objecto raríssimo n*este género. 

Além do altar-mór, ha quatro laterae8,se* 
parados do/corpo da egreja por uma magnl* 
fica grade de ébano. Tem também dois Jtel* 
los púlpitos. 

No corpo central, que forma a cruz, tem» 
á direita, uma boa sachristia, e no fundo a 
capella do Santíssimo Sacramento, de forma 
circular. Tanto a capella- mór, como a do 
Santíssimo, estão guardadas por grades da 
ébano. Da mesma preciosa madeira são as 
archibancadas, com suas estantes na frente^ 
onde se sentava o cabido. 

O altar-mór é magestoso, e tem um ma* 
gnlfico throQo, sobre columnas douradas^ 
tendo 16",66 de altura ; e, em dias de festa, 
é illuminado por 90 velas de cera. Tem dos 
lados, em tamanho natural, as imagens de 
S. Bento, e sua irman Santa Escolástica, fan* 
dadores da ordem bçnedictina. 

Tinha esta egreja, uma rica custodia de 
ouro, que pôde escapar á rapacidade firan* 
ceza, mas não escapou á de portuguezes de« 
generados^ que a roubaram em 1834. A qm 
hoje tem, é de prata dourada, e foi offereoí- 
da á egreja, pelo fallecido bemfeitor, Joaquina 
José de Andrade Basto. 

Também em 1S34 roubaram um rico res* 
plandor de Nossa Senh(M'a. 

Ainda em 27 de abril de 
1878, appareceu roubada a Se- 
nhora das Dores, d*esta egre» 
ja, levando-lhe os ladroes, pul- 
seiras, anneis, corddes, e oifr> 
tros objectos de ouro e prata» 
no valor aproximado de réis 
300^000. 

No dia seguinte apparece* 
ram roubadas as almas qoe 
estão collocadas em dma da 
ponte chamada Pofif^P^, d*e8- 
ta fregnezia. 
Todos os altares da egreja são de rica a 



96 



BBP 



RER 



' 



primorosa talha dourada, e as imagens ^e 
os adornam, são de grande magnificência. 

Na vasta sachrisUa qoe está eontigoa á ca- 
pella-mór, ha dez formosos quadros, a óleo, 
representando a genealogia do povo de Deus, 
desde Adão até Jesus Ghrísto. 

Fora doesta sachrístia ha nm qoadriloDgo 
de 11",75 de comprido, do qnal se sobe, por 
oito degrans, para o grande pateo da esca- 
daria. Esta é sostentada por nm arco obli- 
quo, de diíBcilima execn^, o nnico do sen 
género, em Portugal, que cansa admiração 
t qnantos architectos o teem visto. 

Os claustros formam uma vasta qnadra, 
de 42 metros, e são sustentados por elegan- 
tes eolumoas de pedra, tendo no centro do 
pateo que circumdam, uma grande taça de 
granito. É por aqui a entrada para a parte 
do edifieio onde estão estabelecidas as re- 
partições publicas, e também para o còrú e 
as torres. 

Tem o mosteiro dois grandes salões, am- 
pla casa de capitulo, com seu altar, a vasta 
siala que foi livraria dos frades, e muitas ou- 
tras salas e quartos para hospedes; 

No refeitório dos hospedes ha mn quadro 
representando os monges do Vaticano, á 
meza, com o patriareha S. Bento, e n*eila o 
ealix envenenado. 

Este mosteiro e as suas cercas, foram ven- 
didos em 1834, e os eomproo, em praça pu- 
blica, João António Fernandes Basto, que 
CUleceu em 24 de agosto de 1873. O actual 
proprietário^ é o sr. Alexandre José Fernan- 
des Basto, irmão do comprador. 

Ao fundo da alameda, em que já fallei, 
está o edifieio que foi tribunal do couto de 
Refojos de Basto, cora casa de audiência e 
cadeia, tendo na fachada as armas de Por- 
tugal e as da ordem benedictina. Ardeu em 
IW3» mas foi logo reconstruído. Serve 
actualmente de hospedaria. 

Pretendem alguns que Basto é corrupção 
de Bá8tuU)Sf povos antigos, que fundaram 
aqui uma cidade, 500 annos antes de Jesus 
Ghristo. ' 

O doutor João. de Barros, nas suas Anti-. 
§uidade$ d'Entre Douro Minho, diz que Ce- 
hricú éeorrup^o de AMoòr^ cidade fun- 



dada pelos povos ederimUj e diz qoe Pkíb^ 
meu dá a esta cidade o nome de€etio6nd 

O que é certo, é que, no monte de Crttoi, 
perto de Cnrraes» se encontram valias cir- 
culares, que parece terem sido rodeadas de 
muralhas, cujos materiaes lêem sido apro> 
veitados para constmoção de muros eviDa^ 
dos. Também aqui teem apparecido diverui 
pedras semelhando campas de sepulturas; 
tanques, bacias e outros objectos, quedem^ 
tam antiguidade remotíssima. 

Segundo a tradição, o rio de Currau^v^ 
briu uns tanques ou poços, onde os antigu 
tomavam banhos de aguas mineraes^ tpn 
nasciam n'oste sitio. 

Jimto ao tal rio, e próximo ao logar oadi 
se diz que estavam as referidas thensas» 
ainda brotam de uma penha que está solin 
o rio, aguas evidentemente sulphnreas. 

No monte chamado Cividade^ próximo lO 
logar de Ghacim, se vêem restos desmaot^ 
lados, de antiquíssimas fortificações; UjoloSi 
cavidades nos rochedos, e grandes pedregu- 
lhos esphericos (penedoí errantes) coIIocip 
dos sobre outros mais pequenos. São antii 
pre-celtas. 

Entre os diversos montes e outeiros d*» 
te concelho, os mais notáveis são — Nom 
Senhora da Orada^ Torrmheiros, e o ioie- 
cessi vel e medonho Nariz do mundo, na ser 
ra do Batoco, N*elles e entre outros meoO'' 
res, rebentam muitos mananciaes de agoi» 
que formando vários ribeiros e arroios, re- 
gam e fertiiisam differentes valles do wt 
celho. 

Os rios e ribeiros principaes doeste coa* 
celho, são— 'TdiiM^ que aqui divide a pro* 
vinda do Minho da de Traz-os-Montes; mas 
que não serve n'estes sítios para irriga^ 
por correr proAindo e arrebatado, poreDtrt 
penbascos.-*0 Bessa, famoso pela granden 
e^boa qualidade das trutas que se criam nas 
suas aguas. 

Os ribeiros chamados Bio Douro^ Bãiúã, 
Cabeceiras, Curraes e Seixo, todos regam e 
moem, e todos morrem no Tâmega. 

Ha n'este concelho a ponte de Caves sobs 
o Tâmega, a qoal é, meude do Minho e me- 
tade de Traz-08-Montes. Tinha 5 arcos, 9, 
me tros de comprimento, 5*,75 de largura,^ 



HEF 

17%50 de altura. Foi alargada, para dar pas- 
sagem a estrada para Vilta Pouca d'Agaiar, 
GfiaYiBs, Miranda, etc. (Vide vol 2.", pag. 
217, coL 2.«). 

Ha também a ponte do Pé, sobre o ribei* 
ro Caibeceiras; a do Seixo^ sobre o mesmo 
libeiro; a do ^rco, e nma elegante e magni- 
fica, novamente construída, também sobre o 
mesmo ribeiro, que dá passagem à estrada 
de Gavéz. 

No cooeelbo, ba varias nascentes de aguas 
mineraes, férreas e salphurosas, sendo as 
principaes, em CurraeSf Fundão, Lamas e 
Fontão; qnasi todas em completo abandono. 
O território d'este concelho é fértil em 
óptimo viobo verde, que exporta em grande 
quantidade^ principalmente para o Porto, 
onde o vinho de Basto é muito estimado. 
Produz além dMsto, e em abundância, todos 
ds géneros agrícolas do^nosso paiz; mel, cera, 
tortiça, óptima madeira de castanho e outros 
muitos géneros. Cria muito gado, de toda a 
qualidade, tem vastos montados, com gran- 
de numero de arvores silvestres, de toda a 
qualidade; e produz e expprta magnifica 
madeira de castanho. 

Também n'estes últimos tempos se tem 
por aqui semeado vastos pinheiraes. 

É terra muito povoada e bem cultivada, 
apezar da falta que se vae sentindo (aqui e 
íNsx toda a província) de braços paraaagrí- 
cultura, pela progressiva emigração para o 
açougue das Terras de Santa Cruz. 

O clima é ameno e saudável; e abundan- 
tíssimo de agua potável, de óptima quali- 
dade. 

REFOTOS ou REFOJOS (de Ribad'Av^) 
— freguezia, Douro, comarca e concelho de 
Santo Thyrso, 20 kilometros ao NE. do Por- 
Ào, 33a ao N. de Lisboa, 185 fogos. 
' £m 1757 tinha 165 fogos. 

Orago S. Ghrístovâo. 
> Bispado e districto administrativo do 
Porto, 

Os herdeiros de Miguel Brandão da Silva 
apresentavam o abbade, que tinha 1 .000 jOOO 
réis de rendimento. 

Foi villa e cabeça de concelho, com justi- 
ças próprias d'eile, sob o nome de Refoyos 
da Maia. 



REP 



97 



É povoação muito antiga. Tem uma sen- 
tença de foral, dada pelo rei D. Diniz, a 14 
de janeiro de 1307. (Gaveta 15, maço 8^ 
n.« 24). 

D. Ifanuel lhe deu foral novo, em Lisboa, 
no l.*" de outubro de 1513. {Livro de faraes 
novos do Minho, £1. 49, v., col. 2.*). 

Tfata-se n*este foral das terras seguintes: 
Ágrella, Parada da CastafUieira, S. Gião e 
Souto Longo. 

Na freguezia de S. Thomé, que era do jul- 
gado de Refoyos de Riba d^Ave^ se àcbou 
pelas Inquirições do rei D. Diniz (1310) que 
trez casaes eram trazidos per onrra per o 
Esfntal e per Agoas Santas, per Encenssoria 
(censo) que lhe pagarom, isto é, por censo 
que os donos dos trez casaes se obrigaram 
a pagar, a fim de serem onrrados e isentos 
do que deviam pagar à corôa. 

Foram senhores d*e8te concelho os Perei» 
ras Foijazes, condes da Feira. Manuel Perei« 
ra (com licença de D. João III) vendeu este 
senhorio a Manuel Girne da Silva, e por ex* 
tincçao d*estc8 Cirnes, passou à corôa. D. Pe« 
dro II o vendeu a Roque Monteiro Paim. 

Este concelho e o couto de Negréllos^ fo* 
ram supprímidos ba muitos annos^ e unidos 
ao de Santo Thyrso. 

O couto de Negréllos com« 
prehendia duas freguezias-— 
S, Mamede e S. Thomé. 

É terra fértil, e cria muito gado de toda 
a qualidade. 

REl^OYOS ou REFO JOS— freguezia, Tras« 
osMontes, comarca e concelho de Bragan** 
ça^ 60 kilometros de Miranda, 455 ao N. de 
Lisboa. Em 1757 tinha 28 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Expectação. 

Bispado e districto administrativo de Bra-^ 
gança. 

Esta freguezia foi supprimida ba muitos 
annos, e encorporada na de S. Mamede dé 
Alimonde. 

O abbade de Alimonde apresentava o cu- 
ra, que tinha 8^000 réis de côngrua e o pé 
d*altar. 

É da casa de Bragança. 

^' É a actual freguezia de Negréllos, cor 
marca e concelho de Santo Thyrso. 



98 



HEP 



REFOYOS ou REFOJOS DO LIMA — fre- 

gaezia, Minho, comarca, ooncelho e 4 kilo* 
Bietros de Ponte do Lima, 30 kilometros ao 
O. de firaga, 380 ao N. de Lisboa, 520 fogos. 

Orago Santa Maria. 

Arcebispado de Braga, districto adminis* 
trativo de Viatma. 

Não vem no Portugal Sa/ro e Profano, de 
eerto por esqaecimento, pois é fregaezia 
mnito antiga. 

Está esta freguezia sobre a margem di- 
reita do rio Lima, e é aqni o p^ ehama- 
do Fonte da Brévia, de bastante profandi- 
dade. 

Grande mosteiro de cónegos regrantes de 
Santo Agostinho (cnizios). Foi fundado por 
D. Affonso Ancemondes, intrépido capitão 
das hostes do conde D. Henriqaè, e sen ami- 
go e inseparável companheiro. 

Morrendo o conde, em um recontro, quan- 
do sitiava a cidade de Astorga (lil2) veio 
D. Aífonso Ancemondes para a saa quinta e 
morgado de Refoyos do Lima, queó em um 
Talie d*esta freguezia, e aqui viveu no cas- 
telio e torre, chamados dos Malheiros, por 
depois pertencer aos cavalheiros d*este ap- 
pdlido, de Yianna do Lima. 

D. AfTonso Ancemondes, era rico-homem 
e um grande senhor em Portugal. 

Apenas se estabeleceu definitivamente no 
seu solar, deu logo principio á ègreja e mos- 
teiro dos cruzios, dedicando-as á Santíssi- 
ma Virgem, e foi primeiro prior â'este con- 
vento, seu filho, D. Fero Mendes, que era 
arcediago da Só de Tuy. 

Principiou a obra no mesmo anuo de 1112, 
e em 1120 tomaram os cónegos posse d'elle. 

Em 1124, vindo a este mosteiro o cardeal 
Jacintho, legado apostólico do papa Calix- 
to n, nas Hespanhas, confirmou o fundador, 
por escriplora publica, a doação que havia 
leito ao convento, de todos os bens de raiz e 
foros que possuía em varias partes. Esta es- 
criptura foi feita em 10 de novembro da era 
de Gesar 1162, que é o dito anuo 1124 de 
Jesus Ghristo. 

Esta escriptura está feiu e a^ignada por 
D. Affonso Ancemondes, assignando-a tam- 
bém seu filho, D. Mendo Affonso, e suas fi- 
lhas, D. Maria Affonso e D. Gelvira Affonso, 



REP 

e seus netos, D. Mendo Gelvires, D. Díogé 
Gelvires e D. Nuno Gelvires. 

No mesmo anno de 1124, a rainha D; The* 
reza e seu filho> D. Affuúso Henriques, de* 
ram o titulo de conde de Refojos do Lima, 
a D. Mendo Affonso, filho de D. Affonso An* 
cemondes, dando-lhe o condado que D. Af* 
fonso Henriques já aqui possuia. 

O conde D. Mendo casou com D. Gontina 
Paes, e, não tendo filhos d'este casamentoi 
deram todo o seu condado e os paços em 
que viviam e onde morreram, em junho de 
1140, ao mosteiro dos cruzios ; sendo esta 
doação confirmada por D. Affonso I, em 
agosto do mesmo anno. 

paço d'estes fidalgos, estava junto ao 
mosteiro, no logar onde agora se vé a torre 
antiga, em frente (para o O.) do mosteiro, 
e que ainda muitos séculos depois se conU« 
nuou a chamar po^. (É á tal torre, a qae 
hoje se chama dos Malheiros). 

Na carta pela qual D. Affonso Hedriques 
confirmou a doação do mosteiro e o coutou» 
se lé o seguinte (traducção do latim bailia* 
ro d'aquelle tempo) : lO condado e coute 
•de Refojos, demarcado por seus termos» a 
«saber — pela portella de Nogueira, contra 
«Vai de Vez —-pela portella de S. Sámio^ 
«contra Ponte do Lima — e do Penedo até A 
«ínsoeila do meio do rio; com quanto dea- 
«tro d'estes termos tinha O. Mendo Affonao^ 
«etc.» 

Esta confirmação está assignada pelo re^ 
pelos grandes da sua corte, pelo arcebispo 
de Braga, e pelos bispos de Tny^ Portos 
Coimbra, Lamego e Viseu. 

Outras muitas pessoas ricas, doaram boas 
propriedades e valiosas rendas a este mos* 
teiro. 

Foi o mosteiro primeiramente sujeito a« 
bispo de Tuy, em cuja diocese estava; mas 
o -bispo d'esta cidade, D. Payo, o isentou da 
jurisdição episcopal, o que foi confirmado 

1 Por esta occasião, era de Portugal a cf« 
dade gallega de Tuy, a qual D. Affonso I ti* 
nha tomado a seu primo, o rei de Castella. 
Até então, o bispado de Tuy chegava á mar- 
gem direita do rio Lima. (Vide Braga no lo- 
gar competente). Tendo os dois primos feito 
as pazes, restituíram um ao outro o que lhe 
haviam tomado. < 



BEF 

peld cardeal Jacintlio, lagado apostólico, em 
14 de novembro de 1154^ segundo (e ulti- 
mo) do pontificado de Anastácio IV. 

Está isenção M confirmada pelos papas 
Adrianno IV, em ii56; Alexandre lil, em 
il63; Innoceneio lY, em 1250; Jolio II, em 
1006; e^ finalmente, por S. Pio Y, em id65. 

A capeMa de S. João Evangelista, no logar 
das Penas, d'esta fregnezia, foi fondada.por 
D* Gonçalo João, segando prior do convento, 
em liêO, e janto à capella foz ama alberga- 
ria para agazalbar peregrinos e passageiros 
pobres. 

I<'e8ta capella e albergaria, viveu e mor- 
reo, o santo varão Romeo, natural de Itália. 
Bste Romeu já aqui estava quando se prin- 
cipiou a eonstrnir a capella, pelo que é pro- 
vável que fallecesse antes do anuo 1200. Foi 
sepultado na mesma capella; mas, em 1582, 
foram os seus ossos ^ mudados para. a ca- 
pella-mór da egreja do mosteiro, com este 
epitaphio : 

BOMEUS HOC TUMUJLO TEGlTUa 
YlBTUTIBUâ HEBOS INCLYTUS; 
AUSSONII GLOBIA MAGNA SOU. 

é 

(Aqui jaz, n*este tumulo, o famoso heroe 
em virtude», Romeu, grande gloria de Au- 
aonia, sua patríà). 

No mesmo anno de 1582, foram traslada- 
dos os ossos do conde D. Mendo Aflònso 
(que estavam em uma arca embebida em 
uma das paredes da egreja velha) para a ca- 
pella-mór, da egreja, do lado da Epistola, 
eom esta inscripçao : 

HOC COMITÉS MENDI 

HBQIUWOUII T OSSA 6EP0LCHB0, 

OUI TEMPLO HIUC 0BU9BS 

IPSB OIDICAVÍT OPES. 

OBnt 
AKNO DOMira 1142. 

1 Parte dos seus ossos, porque a outra 
parte tinba sido roubada pelo povo^ para 
religuias, com que tinha grande devoçio. 
Os frades, vendo esta pia profanação, e que 
em poucos annos nio restaria um só osso 
do santo, os levaram para a egreja do mos- 
teiro. 



REP 



99 



(N'68ta sepultura descançam os ossos do 
conde D. llendo, que doou a esta egreja to^ 
das 0$ suas ríquesas. Falleceu em 114S). 

Ignora-se o caminho que levaram os osso3 
de D. AfTonso Ancemondes. 

Os priores do mosteiro, foram perpétuos, 
desde a fundação d'este, até 1564, em que 
se annexou ao de Santa Cruz, de Coimbra. 
O ultimo prior-mór perpetuo, de Refojos, f 
fi)i D. Julião d* Alva, que passou a bispo de 
Miranda; e o primeiro prior trienal, nomea- 
do pela congregação, de Santa Cruz de Coim« 
bra, foi D. Theotoolo de Mello, irmão do 
monteiro-mór de Ponte de Lima. 

•José Avellino d* Almeida, no seu Diccuma^ 
rio abreviado de geographia^ diz que D. Meu* 
do e sua mulher, como não tivessem filhos^ 
doaram o condado ao convento, e de todoa 
os seus bens, só reservaram para si a tor» 
re e castellq em que vivia seu paSjjuntamenr 
te com o paço e alguns bens livres em v<^ta 
d*elle^ do que depois se compoz o morgado dos 
FerretraSy de Guimarães^ que lhes vem pelos 
Pereiras^ de Bertíandos: o de AsUomo Penir 
ra Rego e oda Torre, que possuiu Diogo Ma- 
Iheiro, 

Estou persuadido que é engano : é certo 
que a torre dos Malheiros e o seu morgado 
passaram ao domínio de particulares; mas, 
provavelmente, muito depois de 1140, e.pof 
troca; compra, ou outro qualquer contracto 
cuja natureza ignoro. Fondo-me em que na 
inscripçao tumular do conde D. Mendo se 
diz, que elle doara ao mosteiro todas as suas 
riquezas (qui templo huic omnes ipse didi* 
cavit opes.) Se elle lhes não tivesse dado 
tudo, certamente os frades não o diriam. 

A torre dos Iklalheiros, ou do Paço, foio so- 
lar dos Refoyos, descendentes por ^inba co- 
lateral, do conde D. Mendo. 

Teve D. Mendo um filho bastardo, cha* 
mado Martim Garcia de Parada, e uma filha, 
também bastarda, que casou com Salvador 

1 O penúltimo prior-mór, foi S. Carlos 
Borromeu. Passou o priorado a D; Juliãd 
d'Alva, pela renda annual de 000 cnuados 
{ÍOOim réis). 



100 



RBP 



Ctodçahres, filbo de Gonçalo Dias, o Cidy se- 
i^or de Góes. D'estes flihos bastardos des- 
cendem 08 Farinhas, os Mooras^ e outras fa- 
mílias nobres de Portugal e Galliza. 

Quanto ao appellido de Refojos, ji flea 
mencionado no artigo Befayos de Bastos^ 
para onde remeto o leitor. 

O dono actual da quifiUa da Tmrêy e o ar. 
4r. António de Magalhães Barros d' Araújo 
Queiroz, da villa de Ponte do Lima. A tor- 
re, que é muito alta, está perfeitamente con- 
servada^ porque o sr. Queiroz lhe mandou 
arrancar as heras que a cobriam quasi até 
ao cimo, lavar a pedra e tomar-lbe com cal 
todas as juntas, a fim de conservar este 0k>-~ 
numento histórico. Os paços acastelladosque 
cercavam a torre estão completamente des- 
mantelados, e o sr. Queiroz vae mandal-os 
demolir, e no seu âmbito fazer um terraço 
e Jardins, que ficarão superiores i quinta, 
porque a torre está em uma emineneiá no 
centro d'ella. 

Os bens que os Malheiros aqui possuíram 
(os que reservaram da doação ao mostehro) 
pertenciam, na sua maior parte, no meiado 
do século i7.*, a Lopo Malheiro Barriga^ 
'que os herdou de seu tio, Diogo Malheiro 
Marinho, e os constituiu (o Barríga) em 
Vinculo, por escriptura de í!9 de agosto de 
i648. 

Esteve o vinculo sempre n*esta familia até 
que a uHima descendente d'ella, D. Maria 
Antónia Malheiro d* Araújo Barriga, falleceu 
na sua casa e quinta da Ribeira, freguesia 
de Figueiredo, comarca e concelho d*Ama- 
res, no dia 3 de janeiro de 1875, instituindo 
por seu herdeiro universal, seu primo co- 
irmão, o sr. Leonel d*Abreu Lima, soMro, 
da casa do Ameal, freguezia de Meadella, 
concelho e próximo da cidade de Yianna. 
" Foi este cavalheiro, que, por escriptura 
publica de 30 de maio de 1876, doou a quin- 
ta da Torre e suas dependências, ao actual 
possuidor, o sr. Queiroz. 

Quando o convento se annexon ao de Santa 
Cruz, de Coimbra, estava a egreja e mos- 
teiro» que ainda eram os primittlvos, em 
grande mina. Quízeram os frades mudal-o 
para Bonte do Lima; porem o poto d*e8ta 



REF 

villa 86 oppaz tanatmeale, e o mMMafkí 
reedificado onde estava. 

No tempo do marques do P»abai^ vm- 
deu-se o mosteiro, passando oa frades paia 
o convento do Mafra; mas D. Ibriai • 
tornou a pôr 10 sen antigo mostehna. 

Há na egreja um espinlM da coroa éi 
Christo, que os frades eram obrigados a Is* 
var á Ponte do Lima no dia 3 da maio de 
cada anuo. 

Foi conunendatario do couto de Aefoyoi 
do Uma, D. Rodrigo de Mello de Lima, fr 
lho 2.« de D. Leonel de Lima, !.• víaoonè 
de Villa Nova da Cerveira. 

D. Rodrigo era também senhor da casaA 
Anquião, e a deu em dote a sua filha, D. io» 
na de Mello, para casar com Xoão Gomes è 
Abreu, filho, também segundo, dn Leoialdi 
Abreu, senhor de Regalados. D^elles pm» 
dem muitas famílias nobres do Minho. 

«. 
Tem annexa a freguezia de Santa BnUii^ 

que em 1757, tinha 90 fogos, e era apres» 

tada pelo bailio de Leça. O reitor tinha KMf 

réis de rendimento. 

Não sabia o que era feito do mostiin 
d'esla freguezia, nem o seu estado presesli 

Vali-me do sr. dr. Custodio Maria Td^ 
loso, de Villa do Conde, que escreveu ao M 
amigo e condiscípulo, o sr. dr. José Joaqom 
de Castro Feqó, de Ponte do Liou^ e eiaii 
informações que este cavalheiro se dígaw 
dar-nos. 

O corpo do edificio do mosteiro, consom 
aprimittiva architectura. Está ligado áegni* 
pelo que foi sala de visita dos oonegoi. A 
frontaria d*esta parte era irregular, destoaa- 
do a parte que era interiormento oceupiA 
pela dita sala, do resto até i egreja. O pro- 
prietário actual, apeou parte da frontaiii 
d*este lance, que liga o corpo principal de 
edificio, à egreja, e a mandou construir em 
symetria com a parte que constituia ailraa* 
tefra da referida sala de visitas, e fez n'M 
parte um óptimo salão de baile. 

No corpo do edificio, tem conservado to- 
das as suas antigas divisSes e repartimeauí^ 
iimitando-se apenas aos prechsos repartf* ' 



HE6 



RE6 



iOi 



'•'T0#»^o- edifieio esii muito bem coQser- 
vado^ e, em parte, muito melhorado. 

O mosteiro e eérca, assim como alguns 
Oftflipos da sua depeudeoeia, foram vendidos 
pria governo, depois de 1834. Comprou-os 
por 48 contos de réis, José Mendes Ribeiro, 
da eídade de Yianna. Tudo isto ó actual- 
mente propriedade de seu Hlho, o sr. Tbcmaz 
Ifewies Norton, residente em Ponte do Lima. 
A cerca,, que ó bo]e uma bella quinta, lam- 
bem está muito melhorada. 
< A egre}a e saebristía pertencem á junta 
de iMuroohia, de Refojos^ por ser parochial, è 
a Dveltaier do concelho. Está perâsitamente 
conservada, e com esmolas dos fieis, e com 
ajuda do cofre da buUa da Santa Cruzada, 
te construiu ha pouco tempo uma elegante 
lerre parai os sinos. 

o RUinaiMS -^ aldeia, fixtremadura, na 
fipefuezia de CadaCses, comarca e concelho 
d'Alemquer (vol. l», pag. 27» coL i.*) Tem 
32 fogos. 

. A origem.do nome d'esta aldeia^ tem sido 
nittsa ée varias contestaçfies; mas é oi^oi^ 
Datis ^corrente, que é porque para aqui se 
retiraram os mouros, depois de. perdoem e 
castello d'Alemquer. 

i A primeira aooticia que se encontra d*esta 
povoafão, refere-se aos grandes prejuízos 
que soiorreu com as chuvas e o terramoto de 
1430. Já então esta povoarão era muito an-. 
Uga, pois que os historiadores dizem que a 
efaeia levou a azenha dos Refugidos qm se 
mÊima reeUflcaíida. Ainda ha vestígios does- 
ta azenha, próximo á povoaçáo. 
• úe.<Êrancezes saquearam esta aldeia, em 
1808, e assassinaram um lavrador, erivan* 
do-o de feridas, no sitio chamado Pedra da 
flKMNdo, onde foi encontrado por seus fí* 
Bios^ depois da retirada dos invasores." 

floi natural doesta aldeia, frei Manuel dos 
flifagídos^ frade capucho, e pr^ador famo- 
so, Bo reinado de D. João IV« 
> ' BBfir^éio^é pertuguez antigo-^significa re» 
fúffimdOk 

B&xâ.--portuguez antigo — regra, ou in** 
stitute (de qualquer ordem monacaL)-^Af«n- 
êe^ú»M9HMro doBmk^j que #ra4a Rega 
i$ 'Smía^tUnho ia sobrep^izãj ete. (Doeu- 
iiébfo^âaSédeVisett.) 

YOUJMB VDI 



RECrADAS^freguezia, Minho, comarca e. 
concelho de Fafe (foi da comarca de Celo- 
rico de Basto) 36 kilometros ao N. B. de 
Braga, 371^ ao N, de Lisboa, 180 fogos. Em 
1757, tinha 189. 

.Orago Santo Estevam. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

O prior do convento da Graça, em Braga, 
(Populo) apresentava o reitor, que tinha 
80^000 réis de pó d*alUr. 

É terra fértil. Gado e caça. 

RBClAElflM)— Vide Reufuengo. 

RSOALADOS— Vide Pieo de Begalados. 

REGALEIRA (quinta da)— Extremadura, 
na freguesia de Cintra. 

Pertenceu antigamente a um padre, que 
lhe mandou pôr, na rua principal, as cruzes 
da Via-Sacra, as quaes ainda se vêem por 
entre musgosos penedos, e arvores frondo- 
sas. É abundante de aguas crystalinas e fri» 
gidissimas. Tem uma rica e formosa casca- 
ta, e preciosos mármores. Os seus prados 
sempre verdes, e todas as mais formosuras da 
natureza e da arte, tornam esta quinta umi| 
das mais bellaa e agradáveis d'e8tes sitios. 

Para o lado da estrada dos Piíões^ tem 
um gigantesco castanheiro da índia, uma 
das notabilidades de Cintra. 

Em 7 de novembro de 1840, foi feita ba« 
roneza da Regaleira, a sr.« D. Ermelinda 
Monteiro d'Almeida: e, em 15 d'abríl de 
1854^ foi feita viscondessa do mesmo titulo; 
e, no mesmo dia feita baroneza da Regalei- 
ra, a sr.* D. Maria Isabel AUen Palmeira* 

Em 95 d^abril de 1854, foi feito barão do 
mesmo titulo, o sr. Paulo AUen de Moraes 
Palmeira. 
. RBGAI.EMGO--Yide Bér^Ntfii^. 

R£GALINDO~Vide Reguengo. 

KB6ANH0— - portuguez antigo — V^to 
norte. 

RBGARDAR -— portuguez antigo— talvez 
herdado dos gallos-celtas.— É gallicismo an- 
tiquissimo— significa, voltar os olhos; olhar 
para traz. É coirupçào do francez regar- 
der. 

REGATO— ribeiro^ Douro, na freguezia de 
AvO, coinarea da Tábua, concebo d^Oliveire 
do Hospital. 

7 



102 



REG 



Bispado e districto admlDíftratíTO deCohn- 
bnu 

Nasee junto á Aldeia das Dós (íregneeía 
do mesmo eoacelbo) e desagua na ribeira de 
IjOTígSí, adma da Pcnie ias Tre$ Esíradas. 

Já a pag. 284, coL 1* do i.* toJ., tratei da 
villa d'ATô; mas, como desde que escrevi 
aquelle artigo (1841; Um ba?ido alterações 
na divisão territorial, direi aqui. 

O cooeelho d' Avô, foi sapprímido peio de- 
creto de 24 de ootnbro de 1855. 

A villa não fica ao N., mas ao E. de Coim- 
bra. É situada em um profOBdo e aoMoo 
valle, e é tripartida pelos rios Alva e Poma- 
res. Alem da ponte de que tállei no 1.* toL, 
tem subre o Pomares uma de madeira, cha- 
mada de Sanio AnUmio^ que foi antigamente 
de pedra, e ó na confluente dos dois rios.i 

Dista a villa, 9 kílometros de Oliveira do 
Hospital, e fica a egual distancia das villas 
de Penalva d*Alva e de Gòja : 18 da villa da 
Tábtu; o mesmo de BAidões e 2ide Fajào e 
de Loriga. 

Teve capitão-mór, e juiz ordinário, com 
Jurisdicgao tanto no civil como no crime e 
orpbãos. Tinha casa da camará, vereadores, 
etc. 

Pela povoa<;|ao de Gallizes, que dista d ki- 
lometros d' Avô, passaaestradareal de Coim- 
bra e Lisboa para a cidade da Guarda, vil- 
las de Celorico da Beira, Almeida, etc. ; de 
maneira que de Avô se pôde bir por Goim* 
bra para Lisboa ou directamente, separan- 
do-se da estrada de Coimbra na Venda No- 
va, junto a. Santo André de Poyares. 

O (oral que D. Sancho L deu a Avô, é da- 
tado do 1.* de maio de 1187. 

A D. Urraca Affonso, de que fallo no l.« 
voL, filha bastarda de D. Affonso Henriques, 
foi casada com D. PeÂro Affonso, neto do 
grande D. Egas Moniz. Supponfao que não 
tiveram filhos, pois que o senhorio da villa 
passou para os bispos de Coimbra, que eram 
alcaides-móres d*eila. 

i Em setembro de 1878, uma furiosa cheia 
destruiu esta ponte e outras mais d*estes sí- 
tios, o causou grandes prejuízos aos pro- 
prietários de Avô e povoações límitrophes^ 
arraiaodo-lhes algumas casas, muros e cam- 
pos. 



REG 

o seu desaamdladJ castdio, fureedi* 
cado pelo rei D. Dipix. 

Era a egreja, eoUegiada, a qoal con a ' 
exiincráo 4os diaoMM^ em 1834, áeisenée 
existir. Também desde o BKsmo aano éá* 
xoa de haver anla de latíoL 

Houve n'esia' villa um mosteiro de teu* 
plarioe, do qual ainda b» vestígios: sioai 
eobieulos ou eeilas onda viviam os IMe% 
e exl sten próximo á capella, que foi a egr^ 
do mosteiro. 

Braz Garria Mascarenhas, de que Mono 
1.* voL, tratando d*Avô, foi, no tempo ds Oi 
João I Y, governador da praça de Alfaiates, m 
Riba-Côa, entio muito importante, per sei 
próxima da raia de Hespanha. ' 

Os 150 homens eom que se apresentoaea 
defeza da pátria, em 1640, eram de cavaBa^ 
ria, e pela bravura eom qde se poitsnm 
duraste a guerra, foram cognominados « 
Mes da Beira. 

REGAYAO— rio, TrazosMontes, na co- 
marca e concelho de Montalegre. Temam 
origem ao 8. de legar de Codegoso da Gim 
(fk^aguezia de Meixédo) e tomando uma é 
recçio tortuosa, pelas planieies da freguês 
da Chão, recebe pela margem direita, joU 
ao logar de Negrões, o ribeiro da Caatanheín^ 
e da esquerda, o riacho de Morgado. T(^ 
mando depois uma direcção- quasi de S. a 
O., e tendo recebido vários ribeiros qaeat 
lhe juntam por ambas as margens, atravessa 
as freguesias de Villa da Ponte, e Pondns; 
abaixo da celebre e legendaria poMte dali* 
sarella (vide UisareUa^ ponte da) depois èa 
receber o rio da Ponte do Arco, a 6 kilone- 
tros da Misarella. 

O seu curso é de 4S kílometros. 

Rega, móe, e cria muito peixe miudo^ is 
boa qualidade. 

Alguns também d2o ao Regavao o nome 
de rio da Misarella, e outros, rio da ViOah 
Ponte. 

O valle cortado por este rio, principia em 
Codeçoso e finda nos despenhadeiros do^ 
sarella. 

É dominado (o valle) ao N., pela eon|í- 
Iheira que corre ao S. do Cávado» diamii< 
Peliteirosy Penedos de S^a Gafikama,ele.>. 
até á Roca Ponieira. Ao S., peU sem i»^. 



BEG 

Alturas, desde Morgado até , ao ribeiro da 
Ponte do Areo, e depois por U19 ramo da 
serra da Cabreira, que, aproximando se de 
outro ramo da jreferida cordilheira, forma o 
pittoresco sitio da Misarella. 

Ao N. do rio fioam as íreguesias.daCban, 
Viade, Pervidallis, e Reígoso; e ao S, as de 
Morgado^ NegrÕeSi Yilla da Ponte, Pondras, 
e Venda Nova. 

, No angulo forn^ado pelos. rios Cávado e 
Aegavão, ficam as fregoezias de Santa Mar»- 
]|í^ do Ferral, e Covéllo do Geréz. (Vide 
ModUalegre,) . 

REGEDOURA ou NOGUEIRA BA REGE- 
DOURA— Esta íregueziaj^ficadeif ript»eom 
o Íj" nome, a pag. 108, col. 1.* do 6.* vola- 
iiie,'mas aproveito este logar para fazer nma 
rectificação. 

Nao é na freguezia da Regedoura, conce- 
lho da Feira, que se fabrica óptima telha; 
mas na aldeia da Regedoura^ freguezia de 
Vállega, concelho d*Ovar~'a seguinte. 

Támbem depois de publicado o artigo de 
Nogueira da Regedoura, tive noticia do fa- 
cto notável acontecido n'esta freguezia em 
1873; é o seguinte: 

Em i847 nasceu n'e8ta freguezia uma 
creatura da espécie humana. Foi baptisar-se 
A egreja matriz^ e o parocho^ que era velho 
e f^lto.de vista, como alguém lhe dissesse 
^ue a creança era hermafrodita, a examinou, 
decidindo que er^ fôftiea, e a baptisou, im- 
pondo-lfie onome de Rosa. 

Foi t$ía creada como pertencendo ao sexo 
feminino, e nas occupaicões próprias de uma 
joenina; mas, chegando aos 16 annos, de^ 
laes moiíras de pertencer ao sexo barbado, 
4|ue os pa3s a mandaram vestir de homem, 
o. princú)iaram a dar-lhe o nome de Joa- 
quim. , 

Tudo correu bem até 1871; mas n^esse 
anno a ex*Rosa namora-se de certa menina 
e pretende casar com ella^ sob nome de Joa- 
quim com que se.us pães (d'elle) o tinham 
durfsmado, auctoritate qua fungcr. Era^lhe 
pr^isa a certidão de edade, mas era cousa 
que nâo havia no livro dos baptismos. 

£xpoz-se o caso ao doutor provisor, quQ, 
depois 40 9irio exame, mandou que se la- 
vraiise novo assento, dando ao bi-sexual o 



RGG 



Í03 



nome de Joaquim, e ao seu proprietário os 
foros de homem; mas não auctorisou o ca- 
samento sem que o nodente se submetesse 
a um exame» na escola medico-cirurgica do 
Pprto, a qual decidiria sobre o sexo do pre« 
tendente. 

Como tudo isto demandava despezas, e 
sobretudo demoras, a que os futuroè noivos 
se não. queriam sujeilajr; foi elle viver ma- 
ritalmente com a rapariga, para casa d'esta 
(setembro de 1873) e lá esperam a dedsao 
dos homens competentes. 

Regedoura, é portnguez antigo— significa 
regedoria. Os nossos avós diziam sempre 
Qt^ra; por Oria; e isto ainda acontece em 
grande parte do Algarve. 

Outro caso multo semelhante aconteceit 
na aldeia do Reguengo, freguesia de Gui- 
sande, do mesmo concelho da Feira. Vide o 
l.« Reguengo, 

REGEDOURA— aldeLa,.Douro, na freguezia 
de Vállega, comarca e concelho d'Ovar. 

É celebre pela óptima telha que aqui se 
fabrica, a melhor do reino. O barro para ellâ 
vem das proximidades da capella de Nossa 
Senhora d*Entr'aguas, Gondes, Ribeira de 
Mouro e outros sitios próximos. 

Também na Fantella, aldeia da freguezia 
d' Avança (c não de Pardilhó, como por mal 
informado disse no artigo d*esta freguezia) 
e que fica uns 6 kilometros a E. do Oceaoo» 
ha barro da mesma qualidade, com o qual 
se fat»ica telha egual áda Regedoura, que 
fica apenas a 6 kilometros de Fonítella, pelo 
que tanto faz (para a qualidade) dizer^ telha 
da Regedoura, como da Fontella, pois o bar« 
ro é todo extrabido da mesma zona. 

Nos sitios onde se extrahe o barro, tem 
por vezes apparecido restos de navios, en^ 
terrados na. argilla. 

REGEDOURO ou REGIDOURO— freguezil^ 
Alemtejo, comarca, conceituo, districtoadmi- 
nistractivo, arcebispado e 15 kilometros de 
Évora, llõ ao S.Ej. de Lisboa, 50 to f os. 

Em 1757, tinha 78 fpgos. - 

Orago S. Braz! 

A mitra apresentava o cura, que tinlia de 
rendimento 390 alqueires de trigo, e 73 de 
ceyada. 

É terra muito fértil éín cèieaeSi e prodni 



104 



RE6 



dgmD uáte, t omrof fruetof. Gado e 



BEfiERlR, ABSE6EITAK e BEttlTAE 
«-^portogoez antigo, aioda tuadonaseoniar- 
caa d'Aroaea, Sieíães, e ootraa do norte do 
Dooro— tigoifiea, atirar^ arremeçar, empw» 
rair^ impellir, ele. 

Galltcismo aDtiqQfssfmo em Portugal, tal- 
tea herdado do gallo-celta. É eòrmp^o do 
TieitK) franee^ refeter^ que tem a mesma si- 
gDifieaçio. 

De r</^/tfr ainda nós fizemos o verbo re- 
jeitar^ qae também signifiea (como no frao- 
eet)— engeltar, reeosar, lançar fora; ete. 

ÚOILDE^fregaezía, Donro, eomarea e 
eoneelho de Felgofeíras (foi da eomarea de 
Lousada, concelho de Barrosas) 30 kilome- 
iros ao N.E. de Braga, 3S5 ao N. de Lisboa, 
170 fogos. 

Em 1757, tinha 130 fogos. 

Orago Santa Comba. 

Arcebist)ado de Braga, distrlcto adminis- 
trativo do Pokio. 

A mitra apresentava o ábbade, que tinha 
SOO^OâO réis de rendimento. 

É terra fértil. Cria muito gado bovino, que 
exporta, sobre tudo, para Inglaterra. 

RÊOINAL— portuguez antigo— Original. 

MONO— portuguez antigo— reino. Pro- 
nuticia-se renho. 

RfiCkt—Areguezia, Minho^ comarca e con- 
celho de Celorico de Basto, 36 kilometros ao 
If .E. de Braga; 370 ao N. de Lisboa, 800 fo- 
(oa. 

Km 17K7, tinha ÍH Ibgos. 

Orago S. Bartholomeu, apostolo. 

Arcebispado e dlstricto adminiscrativo de 
Bragt. 

O D. abbade benedtctino do convento de 
Pombeiro, apresentava o vigário, que tinha 
MKNW réis e o pé de altar. 

É terra ftsrtitlssiiha em todos os géneros 
agrícolas do pait, e produz óptimo vtoho, 
denominado de 6asto. Cria muito igado de 
Ioda a qualidade, que exporu, e nos seus 
montes ha moita caça. 

Posto que o seu clima seja bastante exces- 
sivo» é mhito saudável. 

Rêgo» é um appellldo nobre em Portugal. 
Ifos rsglstoa Ad D. Fernando ( se ftz utn- 



RE6 

^ de Gonçalo Yasqoes do Bago, ara iraa» 
sallo, ao qoal deu nma qninianaRibeirmde 
Lonres. 

D. leio I anneu eavaOeilo, na batafim de 
Aljubarrota, a Álvaro do Bégo. 

Pareee que este appdlido Ibl tomado da 
aldeia do Rêgo, na comarca de Goitea- 
rics. 

Trazem por armas— em campo verde, 
banda de ondas d*aznl e prata, carregada de 
3 vieiras, de ouro, realçadas de negro: elmo 
de aço^ aberto; e por timbre^ uma das vtei* 
ras do escudo, entre duas plumas de verd^ 
guarnecidas d'ouro. 

REGO DÃ MUATA^-freguezia, Extrema- 
dura, comarca de Figu^ró dos Vinhos, eoiK 
celho d*Alvaiázere, 48 kilometros ao S. de 
Coimbra, 1S5 ao N. de Lisboa, 

Em 1757, tinha 198 fogos: hoje, com a 
freguesia de Cabaços que lhe está annexa» 
conta tSO fogos. 

Orago S. Pedro ad vmcuia. 

Bispado de Coimbra, distrlcto administra* 
tivo de Leiria. 

(Vide Cabaçoêy ou Rêgo da iíurta, no 1« 
voL, pag. 6, col. 1.*— para evitarmos reptíh 
çfifes). 

Pica junto da ribeira' da Murta, onde st 
vê um templo de três naves, deconstruetao 
tao antiga, que se ignora quando foi funda- 
do, e só se sabe que amda existia etn ilS9. 

Segundo a Chraniea dos religioeot donsl- 
tifcos, por o nosso famoso clássico, frei Lola 
de Sousa, esta egreja era de imi mosteiro da 
sua ordem, pois na parte 1.*, livro 4.*, cap. 
6.^ diz:— £fi/re Leyria e o Beco, ha íknma 
Igreja ãe três naves, cercada de edifidas ar- 
ruinadoSf em que ainda hoje se enitergão ai- 
naes de claustros, eoffcinat grandes. Ckor 
mão-lhe Mosteyro, e persevera a tradfçSo 
pu foi nosso. 

Apesar do respeito devido a tao es^are- 
eido escriptor, nao me persuado que este 
mosteiro fosse da ordem dos pregadores^ 
pela simples Taâo de ser instituída muitos 
annos depois de nio existirem senlo as mi» 
nas do mosteiro. É mais provável que fbase 
de templários. Ê verdade que no altar-mór 
se vê a imagem do patriarcha S. Domínios^ 
ftmdador da ordem doa prígadolres, mas po- 



HE6 

ú\9k alli ser cpllocsA^ maitos 9eculo9 depois 
de já nao existir o mosieiro. 

Na doação que D. Aflfonso I fez aos caval- 
l^os do Templo» em âtôS» se ioclae o mos- 
teiro do Rêgo da Morta. Yâ se qae já. exis* 
•tia» e é provi^Yol qae foese fapdação dos 
monges beDedietinos, ^ que estivesse sUbao* 
donado pelos frades, fugidos 4s crueldades 
dos o^ouros. 

R^GUA— viUa, Traz-os-Montes, ete. 

Posto que e^tá villa já fique descripta a 
p^. 698, eol. i.% do 6/ yoL, reliro-me alli 
m^is ao PêsOf que lhe fica sobranceiro^ e a 
cousa de um kilometro ao N., dogue á villai 
da Béguai propriamente dii^ É por isso que 
no artigo Pê$oda Régua, remetti o leitor par2^ 
este logar. 

A ^égua teve principíç em i7()0, na mes- 
quinha choupana de um pobre pescador^ 
p«r isso cognominado o Cabana. 

Em i790> a companhia dos vinhos aqui 
mandou construir os seus armazéns, e taipa- 
nho desenvolvimento teve o còmmevcio,4os 
viQ])iOS do Altp«Douro, que em 1820, o vaior 
das vendas d'este género, somava em perljQ 
de oilo milhões de emzadosl Foi isto que 
fm prosperar, enriquecer, e dilatar-se a po^ 
YO^çao até ao Peso, de. maneira que hcje 
formam as duas», uma só villa, unida e con- 
tínua. 

T^fP um bom cae«v íeito pela companhia 
^tos vinhos, 6 as caiap sáo regulares e d^ boa 
apparencia, distinguindo-se as da compa- 
idiia dos vinhos, a do sr. Osório (próximo á 
«gr<tía) e a dqs viscondes do Real-Agra^o. 
O paiacio da sr.« IX Antónia Adelaide Fer- 
reira, viuva de António Bernardo Ferreira 
(o Ftrreirmha) e hoje casada em segundas 
aupeiao, com o sn. Francisco José da Silva 
Torres^ é um edificío vasto e muito elegante. 

Vf» suas proximidades, ha casas de chimpo 
de bçUa apparencia. 



P 4^nde D. {lenríque e sua mulher^ 0. The- 
reza, deram, a D. Hugo, seu con^pa^iro, e 
hispp do Porto, muitas terras d*ie8tes sitio% 
e swtade do rendimento da barca da passa- 
gem. 

Os bispos do Porto, fizeram doeste senho- 



BfiQ 



m 



rio um couto, do qual tiveram a jnrísdiefio 
civil, até 1789. 

Pela extincção do couto, foi a Régua (o 
Peso da Régua, entende-se) elevada á cathe* 
goria de capitania de ordenanças; e em 183$« 
á de cabeça de julgado e comarca. 

O antiquíssimo teopplo de S. Faustino^ 
único edificio que existia na Régua antead^ 
1700, e que e^a matriz do Péso^ estava já 
muito arruia^do^ e em 1734, uma grande 
cheia do pouj:o, arrazoa-o. Hoje, no logar 
que elle oecupava, está a capella de Nossa 
Senhora do Gruseiro. 

Tem praça (mercado) diário, onde se ven- 
dem legumes, páo, fimctas, e outros géneros; 
e upia feira mensal, munito concorrida. 

Próximo á Régua, é p fermo^ v^aUê 4t 
Gcdim, povoada de If ndas casas e assombra^ 
do de l^óndoso arvoredo. 

Os armazéns da; Régua, podem recoUieir 
14:000 pipas de vinho^ aguardente, g^(H^ 
e vipagrei 

A. Régua é pátria do Jiosso distintíssimo 
popta, o sr. Joãp de Lemos Seixas Cas^)l<^ 
Branco^^ e.de sei^ irmaosf Vide ffeal-AgradíK 

Fqindovi*se aqui um hospital de caridad% 
cujos estatutos. Ibram ^^^prova^os pelQ gq* 
vemo, em 5 d*agosto de 1873. sn VsmA 
Teixeira da Gosta, de Govellinhas, deu.p|tv% 
eUe, 16 leiM§ de ferro, c9Pi os competentes 
enj^ergdíe?^ eplç^as e ^ophas. Bem haja. 

A.in^aguraçâo d'este hospital, foi.po di4 
16 de novembro do dito anno (ei^ um do* 
miMío.) Deram-^he o titulo de kospUal da 
D. Luiz. L 

Foi um dia de grandes festas e geral re» 
gosyo para o. povo da villa e immedjaçSes. 
Todas as de8pezasd'esta esplendida solemni- 
dade foram á custa dos cavalheiros da f&* 
recçao do hon^tal. 

O sr. D. ^uiz I, deu para as obras, ÚOptfíUi 
réis. A casa é elegante e de boasdimensSea 
para o seu movimento. 

Os bemfeitores que n^iores esmolas de? 
ram paca esta obra de claridade, alem do sr, 
D. Luíz»< foram os srs. Joagnim de Almeida 
Soarei», Francisco da Gosta Guilherme^ M^* 
nuel Teixeira da Costa, José Çut^dio Mon« 
teirot e Manuel José d*01iveir^ Lemos. 



« » 



iT)6 



RE& 



Este ultimo é o dono da casa do tosfntãl, 
e a arrendou á commissào por 80 jOOO réis 
annuáes. 

Em 24 de setembro de 1878, teve logar » 
inauguração do camittho de ferro, pelo sys- 
leina americano; da Régua i Yilla Real. Em 
razão dos aecidentes dò terreno,' os carros 
eram tirados nas subidas^ por boi.9. Nao deu 
resultado : foi dinheiro perdido, pela com- 
panhia íraiismontanay que; todavia, merece 
«iogíos pela sua tentativa. 

Em 5 de novembro de 187o, fallereu no 
Véso da Régua, Frandisco Guedes Leite, fi- 
Uio do ultimo capitSo-mór doesta villa, José 
Guedes Leite. Eraíh defs bomensde bêm« e 
porisso geralmente estimados e respeitados. 
Francisco Guedes Leite, deixou irmãos, e 
txBít fllha uuiea, a 8r.« D. Maria Bernarda 
Guedes -Leite, a todos os respeitos dignís- 
sima descendente de tão nobres progenito- 
res. 

'Leite, é um appelHdo nobre em Portugal. 
Foi tomado da alcunha imposta a Álvaro Pí^ 
res, no reixiado de D, AfTonso IV.— As armas 
d*e8tes Leites, sao — em campo verfiié; 3 flo- 
rei de liz, d'ouro, ein roquete~-é1mo d'aço, 
aberto, e por timbre, uma das flores de )iz 
éàl armas. 

Outros Leites, tracem ás íloireè de Hz em 
campo azuT, e por timbre, uma pomba bran- 
ca, com as azas abertas, e com tim raibo de 
ouro no bico. 

Outros usam as armas antecedentes, mas 
por timbre, a cruz dos Pereiras, eiatre duas 
flores de liz, d*ouro. 

Os Leites Pereira, são um ramo éos Lei* 
tes, que se aparentou com os Pereiras, do 
Porto. 

Estes teem por armas-^scúdo esquartel- 
lado, no l."" e S.* as armas priítoeiras dos 
Leites, e no 2.<» e 3.°, de púrpura, uína cruz 
de prata, floreada e vazia do campo : elmo 
d'âço^ aberto, ep^or timbre— a cruz das ar- 
nias, entre duas flores de liz, verdes. 

Ainda outros Leites Pereiras trazem— es- 
cudo esquartellado, no i.« e 4.'' as atmas' 
primeiras dos Leites, e no l"" è 3.*, de ver^* 
de, cruz poterUeia, de púrpura e vazia de 



prata. O mesmo elmo, e por timbre, a emz 
das armas, entre duas flores de liz, d'oaro. 

Em Janieiror de 1876, falleoeo, na ima casa 
do Extremadouro, fregueziá de Fontellâs» 
próximo a esta tffla, com ifMl^nos dô eém* 
de, D. Maria? Deiflna da €Qnbla Leite Pereira 
de Vasconcellod, mãe do antigo deputado e 
governador civil, o sr. António PelIsbertaTda 
Silva e Cunha, e avó do kr.''Eduardo Pinto 
da Silva e Canha, emprepdo superiora 
ministério do reino, e também antigo depa«i 
do. Eram bisnetos d'esta senhora, o sr. 16- 
ronymo Pimentel, que também tem sido de- 
Í)utado, e o st, Henrique da Cunha, secreta- 
rio geral do governador civil d'£vora. 

D. Maria Delfina, descendia, por seu pâ^ 
da flíustre familia dos Cunhas, de Provè^lMi- 
de, que boje é representada pelo sr. lero- 
nymo Pimentel. Por sua mãe, descendia da 
nobilíssima famitia dos-Leites Pereiras de 
Mello, de Catopo-Bello, e dos Homens Carnei- 
ros 4e Vascottcellos, de AtSes. 

Era viuva de Luiz dá Silva Pedreira ée 
Oliveira, soeio da academia real das seiea- 
efáe, corregedor de Miranda do hóéêtc, e 
au^tor da obra inlitUfadá-^atviLBâioe ik 

SÚBtJLtk B FIDALGUIA DB PORTUOAL, ll^TO 

muito api^ciado, e hojé ráro. 

Deixou numerosa descendência — Mliot, 
netos, blènetos, è terceiros netos, espaiftados 
por qnasl toAis aspIroi^Écias de Portvga^» 
e até por paizes estrangeiros: 

'A Hégua principíoci a se^ iUQminada,.eoai 
azeite de purgueira, era fevereiro de 1876. 

tia n'este concelho minas de ferro, chcin»- 
bo, estanho, ^obre e outros metaes. 

Em dezembro de 1876, tetido a eoin^- 
nhia transmontana liquidado» uma compa- 
nhia suissa requereu ao governo portngaez» 
licença para ensaiar na linha americana, onoa 
locomotiva a vapor, apropriada e fábHteda 
para subir fortes rampas e pequenas curvas^ 
descer, adiantar, retrogradar, e parar, com 
toda a facilidade. A experiência deu soíTtí* 
vel resultado; mas nunca mais se fallouena 
semelhante cousa, ^té 29 de julho de 1877. 



RE6 



RE6 



107 



K*«fllê dia, a companhia transmontana fez 
nova experiência com outra locomotiva a 
vapor^ qae andoa 5 kilometros em 28 mi* 
BOtoa, som o minimo aceidente desagradá- 
vel. Ae^stia o director das obras pabllcas 
do districto, e grande concnrso de povo. 

A experiência fezse eotre a Régua, e a 
povoação de S. Gonçalo de Lobrígos. 

Ao sahlr da estação da villa, ha uma su- 
bida, com Curvas de pequeno raio, e ram- 
pas bastante fortes. A locomotiva subiu e 
desceu as rampas, e passou as curvas sem 
djíficoldade, parando, avançando e retrogra- 
dando á vontade dos machinistas. 

Deus dé coragem á companhia transmon- 
tana para levar a effeito um emprehendi- 
mento de incontestável vantagem para os 
povos d*esta provineia. 

Para se fazer uma ideia aproximada do 
valor da casa do famoso Ferreirinha, da Ré- 
gua, Julgo curioso resumir aqui o valor do 
queMmportaram as propriedades de seu fi- 
lho, o sr. António Bernardo Ferreira, na 
avaliação a que se procedeu nfo inventario, 
por fallecimento dé sua esposa^ D. Antónia 
Cândida Ferreira, em setembro de 1877.— 
Eil-o : 

Cinco moradas de casas na 

Régua. » :846«200 

Uma casa térrea, no cães da 

mesma villa. 1:039^600 

Quatix) armazéns na mesma 

"villa 6:608*800 

A quinta das Diáboí (t) nos 

limites da mesma villa — 12:4S2#000 
A quinta o Yallado, em Villa- 

rinho de Freires 4?:604|000 

A quinta de Villa-Maíor, em 

Lobrigos 28:194*000 

A quinta do Rodo, em S. José 

de Godim.. 42!844|KH)0 

A quinta Nova do Rodo, na 

mesma f regnezia de Godim. 4 :780|000 
Umcampo no Rodo, da mes^* 

ma freguezia. 240*000 

A propriedade do Recbão de 

Cima; na ribeira do Rodo, 

da mesma freguezia 270*000 



A vinha dos Lameiros, na 

mesma freguezia 

A vinha das MIrouços, na 

mesma freguezia. ; 

A 4iiiDta dos Veiigonças, na 

freguezia de Lobrigos — 
Monte e pinhaes do Maurinho, 

na freguezia do Loureiro. 

Somma 



500*000 

800*000 

9:632*000 

3:002*900 

180:283*000 



Note-se que aqui não entram moveis nem 
semoventes, nem tudo quanto o sr. António 
Bernado possuo na cidade do Porto. E no- 
te-se, principalmente que a herança do Fer- 
reiriaha foi dividida pela sua viuva^ peta 
sr.* condessa da Azambuja, sua filha e pelo 
referido sr. António Bernardo Ferreira. 

A exportação dos vinhos do Alto Douro, 
pela Régua^ para o Porto e de lá para todo 
o mundo, antes do oidium e do philoxeraj 
valia, termo médio, setb mil contos, annual- 
mente. 

Mas o Douro está ameaçado por estes dois 
flagelos, e se forem no espantoso progresso 
e horrível desenvolvimento em que temhido 
ha alguns annos, ai dos proprietários do 
Alto Douro, que ficarão, na sua maior parte, 
reduzidos a uma espantosa miséria, que re- 
flectirá terrivelmente no connuercio e in- 
dustria do Porto, aos quaes os vinhos do 
Douro davam um poderosíssimo impulso. 

Onstodlo .José Vieira 

N^esta villa nasceu, a 27 de março de 1822, 
filho de pães remediados de bens da fortuna, 
o sr. Custodio José Vieira. 

Depois de fazer exame de preparatórios, 
matrículou-se nó l."" anno jurídico, na uni- 
versidade dé Coimbra, em outubro de 1843. 

Em 1846, tomou parte na guerra deno- 
minada Maria da Fonte ou patuleia, sendo 
um dos bravos defensores da caosa popular. 
O general, Bernardo de Sá Nogueira, então 
visconde de Sá da Bandeira > nomeou-o com- 

1 Tinha sido feito barão de Sá da Bandei- 
ra, em 4 d*abril de 1833: visconde do mes- 
mo titulo, no 1.* de dezembro de 1834. Foi 
feito marquez em 13 de fevereiro de 1864. 



t08 



RE6 



misiorío-cml de uDaa dM três tireumscrí- 
pç9es em que então dividiu o Algarve. 

Terminada a gaerra^ pela intervenção es- 
trangeira qna prodozia a cmoen§ão ée Ora- 
nUdo, continaoa os seos estudos^ tomando o 
inran de bacharel em direito no anno de 
1849. 

Em 1848 estreoa-se como jornalista, no 
jornal repa|[>licano o Ecco popular, de qne 
era proprietário o livreiro já fallecido, José 
Lonrenço de Sonsa. ^ 

Passou depois a ser «m dos prineípaes 
redactores doiVactanaJ, qne segnia a mesma 
politica democrática do Ecc0 popular, e no 
qual também eollaborava o então cónego^ 
sr. António Alves Martins, hoje dignissimo 
bispo de Yisea. 

Em quanto que nos jomaes defendia as 
ideias politicas qne do coração tinha ado- 
ptado, se tornava celebre no foro, como um 
dos mais esclarecidos advogados do Porto, 
sobre tudo, em defesa de jomaes accnsados 
por abuso de liberdade de imprensa, commo* 
vendo o auditório com a vehemencia dos 
seus discursos, e com a energia da sua pa- 
lavra auctorisada; o qne lhe deu a bem me- 
recida fama de um dos melhores juriscon- 
sultos do paiz. 

Como proprietário e redactor principal 
do jornal O Portuense, contmuou sendo um 
infatigável e incorruptível campeão do par- 
tido popular, que o elegeu deputado, em 
1867. 

Em 1871, foi nomeado eommissarió geral 
dos estudos, e reitor dò lyceu do Porto, le- 
gar que pouco tempo exercei^ porque pediu 
a sua exoneração, que lhe foi concedida. 

Fallecendo em Lisboa o conselheiro Gon- 
çalves de Freitas, director-geral das contri- 
buições directas, foi este emprego offerecido 
ao sr. Custodio José Vieira, que o acceitou 
e está exercendo com a integridade própria 
do seu caracter austero e imparcialissimo. 

Pouco depois, foi eleito deputado por Lis- 
boa. 



1 Foi também n^este jornal ^e mais tar- 
de se estreou o sr. José Joaquim Rodrigues 
de Freitas, esclarecido lente da escola poU- 
teehiuca do Porto. 



RE6 

Como sr. douter Custodio Joeé Vieiíatfi- 
cupa um logar tão elevado na doeiedatg^ 
não <piero que este artigo se attribna aM- 
soBja; porisao tern^inarei dizendo -*é nu 
transmontano verdadeiro^ que é o mesa» 
que dizer— um português; d*aat68 fuebcai 
que torcer. 

REGUDEIRO ou REGODEIRO — freguesii^ 
Traz-os-Montes, comarca da Mirandella (fiú 
da mesma comarca, mas do supprinaido eoi- 
celho da Torre de Dona Ghams^ 70 kiloffis- 
tros de Miranda do Douro, 420 ao N. de Lis- 
boa. 

Em 1 757, tinha 10 fogos 1 

Orago Santo Amaro. 

Bispado e districto administralivo de Bia- 
gança. 

O abbade de Gnide apreaentaTa o eon, 
que tinha 8M00 réis de côngrua e o pé áe 
altar (não chegando todo o seu readimciilo 
annual a 12^000 réisl) 

Esta freguezia foi, ha muitos annos, io»* 
tamente supprimida, e encorporada á de & 
Mamede de Guide^ 

REGUEIRA RE POjrr£S-r.fregaena, & 
tremadura, concelho^ comarca, distrí6((| 
bispado, e 6 kilometros de Leiria, 138 $ 
N. de Lisboa, 200 fogos. 

Orago S. Sebastião, martyr. 

Junto ao logar de Regnemi de Ponlep^ 
sobre a estrada de Leiria a Ortigoae, b# 
passando o rio, existia uma eapella moilo 
antiga, dedicada ao martyr S. Sebastião, cem 
seu alpendre e sachrístia. Foi recoastrmda 
em 1713, fazendo*se-lhe uma outra sachiiS' 
tia, sendo n'esse mesmo anno elevada a pi- 
rocfaia, dando-lhe o bispo de Leiria» uma 
pia baptismal, que havia, sido da egreja de 
Nossa Senhora dos Anjos, da mesma ci- 
dade. 

Ainda antes de ser egreja matriz, haria 
na eapella uma confraria das almas, qoeao 
dia da sua festa dava um bodo aop pobrss, 
que constava da carne de quatro bois» 5 ai* 
mudes de vinho, 1J(000 réis de pão eosidfl^ 
e egual quantia em dinheiro. Este bodaees* 
sou quando se reformaram os estatutos, em 
1753. 

O suio maior, foi fundido mesmo n'e9ta 
aldeia, em 1760, e custou 1234460 réis-^ 



BE6 



RE6 



109 



ornais pequeno» em i76l, e costoa 7M3S0 
réis; 

Como o templo fosse pequeno para ma- 
triz de uma ftegoezia, se coostfaia o actual» 
que é ama boa e vasta egreja. As obriis prín- 
clpia^ram om 1758; .# o« chão, para a nova 
egreja foi comprado por 11^480 réis. 

ConclaiQ-se o templo em 1795. 

. Aterra fertU. 

B£6U£N6À— fregaezia, Douro, comarca 
concelho de Santo Tbyrso, 20 kjlometros 
ao N. do Porto, 320 ao N. de Lisboa, 160 fo- 
gos. 

B^ 'i757, tinha 127 fogos. 

Orago^ Santa Maria. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

O real padroado apresentava o. abbade, 
que tinha ilíOAOOO réis de rendimento, alem 
do pé d'altar. 

É terra fértil. Muito gado de toda a qaa- 
lidade. 

Para a sua e^mologia, vide lUguengo, 

REGUENGO, REGAENDO, REGAENGO, JIE- 
6ALEN60, e RSGAUNDO-*-com, todos estes 
nomes se distioguiao», desde o tempo dos 
reis das Asturiu, todas as terras que eram 
património real, e que tinham bido á eorôa 
por ãireUú de amquiêta^ confiscarão, heran- 
ça» escambo, etc, etc. 

Vários soberanos doaram bens reguengos 
a egrejas, mosteiros é vassallos que queriam 
favorecer ou premiar. 

As propriedades ruraes d*esta natureza, se 
data também o nome de têffuenffueiraê. 

Também se denominavam reguengos, os 
fóro8^ direitos, ou regalias que em qualquer 
território^ villa, cidade, concelho, ou couto, 
se pagavam À eorôa; e era ista a que se cha- 
mava d^eitõ real. ' 

4 

REGUENGO— aldeia, Douro, na freguezia 
de.Goizande, comarca^ concelho e Skilome- 
iros ao N.E. da Feira. 

Nasceu aqui um individuo da espécie hu- 
mana, considerado do sexo feminino, e ba- 
plisado com o nome de Anna« Ouando já ti- 
nha 40 annos, quereUou d'elie uma rapari* 
ga, pelo crime de tentativa de rouco. 

Depois do competente exame, veriflcou-se 
que a ri era hermafrodita; mas, em vista 



dos depoimentos das testemunhas da accu-r 
sacão, decidiuse que predominavam no réu 
as tendências masculinas, e foi declarado Ao- 
mem por uma sentença, sendo chrismado 
pelo agente do ministério publico com o nome 
de António. 

Pouco depois d'esta sentença, o tal Anna- 
António, casou com uma rapariga da fregue- 
zia de Louredo, é ambos ainda vivem. 

No mesmo concelho aconteceu outro fa- 
cto egual. Vide a 1.* Regedoura. 

REGUENGO-*-fregueua, Extremadura, co- 
marca de Porto de Mós, concelho da Bata- 
lha (foi da comarca e concelho de Leiria) 12 
kilometros ao N.O. de Leiria, 130 ao N. de 
Lisboa, 060 fogos. 

Em 1757, tinha 477. 

Qrago, Nossa Senhora dos Remédios. 
. Bispado e districto administirativo de Lei- 
ria. 

O povo apresentava o cura, que tinha 
lID^OOOiéis. 

Reguengo é upa povoação antiquíssima» 
e, segunde se collige de -uma inscripçào qpjm 
está na isapeUa da torre d*esta Ureguezia, já 
era povoada no tempo, dos romanos. Eis a 
inscripção : 



ANN . 

LABERU L. FMA 
FILIA PIBRTI.... 



onnortim ••>... Laberia^ Lucíi 

fiHa, flR4 (ter) pienti (ssimae) 

(A soa piedosissima filha, .... qne moT'^ 
ren de « . . • annos . . . ^ mandou fazer esta 
monumento, Laberíca, filba de Lueio.) 

Yé-se que eata inscripção está mutilada» 
e tem, alem d'is80, letras apagadas. Pela 
parte de cima devem faltar duas hnhas^a 
primeira que costuma ser a dedicação aos 
deuses manes (D. M.) e a segunda, que de- 
via conter o nome da fallecida. 

Falta-lhe também a ultima lioha usual nos 
monumentos funerários dos romanos, que 
era S. T. T. L. (sit. tibi terra lipissL terra 
te seja leve.) 

Esta Laberia, filha de Lúcio, era uma no- 



110 



REG 



REG 



bré romana, flaminia ^ de Évora e da pro- 
víncia da Lâsitania. 

Parece que esta sacerdotisa foi celebre no 
seu tempo» porque Diogo Mebdes de Yas- 
coDcellos, diz que na antiga egi*e]á de Santo 
Estevam, de Leiria, estava embebida na pa^ 
rede do rrontes()íclo esta inscripção : 

LABBBIAB Lé P; QALLAB 

FLABONIGAB SBORENSE. 

FLAMINICAB PROV, LVSÍ- 

TANIAB IMPBKSAM FVTÇB- 

ftlS, LOGVII SEPVLTVBAB 

ET 8TATVAN D. D. OOtLl- 

Ff ONBCIVM DATANI L. 

SVLPICIVS CLAVDIANTS. 

Laberiaêy Lucii filiae^ Gallae, flammicãê 
eborensey flaminicae próv.nciae Luêitan^iae 
inpensam fanem locum sejrtUturae H ita- 
tuam. decreto deúurumum coUippanensiwn 
datam Lucius Sulpidus Claudianus. 

(LtLcio Sulpieio Glaudfano, fez à sua custa 
o funeral, deu logar para a sepultura, e le« 
▼antou esta estatua, que lhe foi eoaieedida 
por decreto dos decuriões de Gatfipo <Lei- 
ria, a velha) a Labería Gaila, filha de Lueio, 
flaminia d*É¥ora e da iMTovincia da Lusita« 
nia. * 

A primittivaegrejade Santo 

Estevam^foi demolida em i507, 

e edificada a actual, e a lápide 

que continha a insoripçâo, des- 

appareceu: provavelmente foi 

aproveitada para alvenaria da 

novaegreja.- 

Faliam doesta inscripçdo, alem de Vasoon- 

cellos, já cíudo, frei Bernardo -de Brito, o 

viiíconde de Paiva Manso, Gruter, Maneei de 

Faria e Sousa, Hutmer, e o sr. Victorino da 

Silva Araújo, professor do lyceu de Leiria ; 

raas todos eom mais* ou menos variantes. 

Eu escolhi a que me parbceu mata cor- 
recta. 

Mesmo como parochia catholica, esta fire* 

1 Os sacerdotes dos antigos romanos, cha- 
mavam-se famines, e assacerdotizas, flami-^ 
«úu, flommcM ou flamnicies. Tinham obri- 
gação de sustentar sem interrupção o fogo 
sagrado, e d'aqui lhe provem o nome. (Vide 
a i« Ckellas, vol. 2.», pag. 287, col. 2.*) 



guezia é mais antiga do que o bispado de 
Leiria, pois foi creada por D. Pedro, bispo 
da Guarda e prior-mór do real mosteiro de 
Santa Cruz de Coimbra, a requerimento dos 
povos do Reguengo^ em 1512. 

Esta freguezia e oAtras muitas do tttnú 
bispado dê Leiria, formavakn nm Uento di 
Santa Cruz. 

D. Pedro deixou aos parocbianos o dlRito 
da apresentação do cura, mas, das rendis 
do prior-mór, só tirariam para o parad» 
2#500 réis cada anno; e ficariam com a obri- 
gação da fabrica da egreja. 

Até 1512, esta aldeia pertencia à fireg«6- 
zia de S. Martinho, e o t)óvo da nova tn^ 
zia Ocou obrigado a hír duas vezes no aeno 
(nos dias do Corpo de Deus e de S. João Bi* 
ptista) visitar a sua velha matrfz. 

Com a suppressao da freguezia de S.)lar 
tinho, cessou esta obrigação. 

Quando se institoiu esta freguezia, cdm* 
binaram os freguezes em dar ao paroch» 
(que era o capellão da ermida efectan 
matriz) de ottimorto, 80 alqueires de ^ 
e 25 almudes- de vindo mèstb (depois, « 
logar do vinho, davam-lhe^ 25 alqueires^ 
trigo) e os taes 2#50ardlsdoptior-mór.t 
nha também o pé d'altar e as offertas (sóà 
egreja parochiai.) Tinha mais de arM^ 
25 alqueires de trigo, 17 perpétuos e 9i»- 
luntarioe, e outra amenta < de um alqneiít 
de azeite, k safira. 



1 A palavra omailar é uma das snmitt* 
mente elásticas doportaguez antigo* 

l.<*— É voz pastoril, e significa enfeiti^ 
oa encantar, chamando pir canto, os lobos 
para deátrnirem os rebanhos do Visiobo. 
{Mágica eairminé lúpus convocarei) ' 

2.«— Amenur se dizia quando o fado aa- 
dava alegre, salundo e rotouçando. Julgase 
vir do latino armentum. 

3.«— Trazer à lembrança, recordar, ele., 
fquasi in mentem, seu memoriam roo»' 
re.J—Nãa me ^ffi«i/e— isto .é-^-não f<Ule <• 
mim, ou não se lembre de mim. 

L*—Amentar, ou emmenlar, ó o acto fij 

que 03 parochos, óa sea^ curas, rezam, »* 

tes da mkna convevtoal, peias almas dosdd" 

fnntos cujos herdeiros lhe pagam as ^«^' 

tas. ^ 

Pretendem alguns quecmeB* 

ta é corrupção de memento^) 



RÈG 

Tudo isto é que o P&rtuguez Sacro e Pro- 
fana avalia em ilOiWOO réis^ 

Qoando se ereoa esta parochia, foi eleita 
por sua padroeira a Santíssima Trintfade; 
ma» qoando se constroju a egreja actual, 
madoá*se a lavocação para Nossa Senhora 
dos Remédios; 

Já disse que o capellao da antiga ermida 
foi o primeiro paroeho da fregaezia, e as- 
sim sé continaou a denominar por muito 
letnpo : depois é que se lhe deu o titulo de 
cura. 

' Quando se creou o biépado de Leiria, em 
1845 <4> Tol., pagi 7S,'col. 1.*) os paroebia- 
nos do Reguengo obtiveram um breve após- 
tolico para que dos dizimes se pagasse a 
ordinária ao capellao, obrigando-se elles a 
darem anbnalmeme, úm cirio,*'dê uma li- 
lnra*êe ^é»h, á egreja de-S. Martinho, d*onde 
haviam s!ídtf ^esmembrados.'0 eirio era daído 
no domingo de Pâàchoa. 

■ 

Principiou esta freguezia com 80 fogos, e 
d*ahi a 93 annos (1605) já contava 360. 

No dto, stíbfânèeh^' á egréja parochíal, 
está a ermida' dé Nossa Senhora ão Fetal, 
oti Fe/ta/.'A priáiittivà era antiquíssima; e 

por se dizer no. responso dos 
' defuntos, memento mei Deus, 

Ementar ou emmeniar^ é «íod^t um^k. va- 
riante de amefktar, e tqm as seguintes signi- 
ficações: . 

l.»-^EscíBveí*' em livro ou em rol, o qtíe 
se tgaiti^ 4xn»|ni, v^ade, ou desptodd; eao 
taliivro OR roi^e cliamava ^nNMía- (Orden^y 
livro LMit. 78, 1 5.0) . - . , 

2.*— Ementa se chamava também ao livro 
enr que se^escfrevlam, em resumo; as cartas 
regias, doaiçdeg} graças, mereés, elOL (€od, 
i4/?., livro l.Mjit. 10, §.i--) 

3.* — ^j^m^nfar—dizer em summa, recapi- 
tular, trazer á memoria as acções (boas ou 
más) de qualquer individuo. 

4A — Ementa se chama o rol que õs paro- 
chos teèm Aa mão quando rezam p^as aN 
lilás db^ defuntos, e o vão lendo, para lhe 
não esquecer nenhum. 

De ementa é que vem a pa- 



RE6 



111 



provem-lhe O nome, de ser a imagem da Se- 
nhora aébada por uma pégureira, em uma 
fditeira (monta* de fectos) onde aermida foi 
eohstmida. Era apenas uma edi<bla è quasí 
delmixo do chão, pois se descia paVa el!a, 
por três degraus. Deu-se-lhe a invocação de 
NoJsa Senhora dá Fé; mas o publico sempre 
lhe ficou chamando Nossa Senhora do Fetal. 
(}omo o povo dos arredores principiasse 
: a ter muita devoção com esta Senhora, accu- 
dirãm as esmolas e offertas em grande quan» 
tidade, e 'então se' lhe construiu um bello 
templo, que é o actual, no anno de 1585, se- 
gundo se vé de uma inscripção, embebida na 
parede da egreja, que diz : 

NO ANNO DE 1585 

SB FEZ ESTA EGABJA 

DE NOSSA SENHOaA DO FETAL 

COM AS HSMOLAS DOS FIÈIS GHRISTAOS 

B SB VAX RBNOVANDO 

. 1^ 8JS VÃO FAZUNDO O^RAS 

COM AS DITAS £$MO(AS 

O bispote o cabMo, buscaram um pretexto 
para lançarem mão das esmolas e offertas da 
Senhora, ficando obrigados à fábrica da ca- 
piUa, mas o povo; se a quer reparada, quan- 
do elia precisa de concertos, o' tem feito á 
sua custa. 

Tem uma confraria qiíe no seeiúo 17.<^ 
chegou a ter 900 irmãos> tanto da freguezia 
como de outras, e até de fora do bispado. 

lavra* ementailro (inventario) 
portuguez antigo, ainda muito 
usado do nosso povo das ai- 
df»ias. Significa .emeiOario^ 
^ (rol, índice, elencho^ etc.) de 

todos os objectos que cònsti* 
tuem uma herança. 
As' amentas ou ementas dos paiioehos, sSo 
de da#e ^laj^i^ades— uma ot^rigatoria, outra 
voluntária. A primeira todos os herdeiros 
teèm obrigação de pagar no primeiro anno 
dò fellecimento do parente, e consta de um 
alqueire de trigo ou de milho, segundo o 
costume da parochia. A segunda (a volun- 
tária) ó se o freguez se avem com o paroeho 
por certa offerta aQuual, para lhe ementar 
m perpettmfn (em quanto os herdeiros pa- 
garem, hetii Mieadido) as almas dos seua 
parentes (alleeidos^— No primeiro caso, dii 
o paroeho— P^/a. a/ma de F,, pater noster. — 
No segundo, áiz-^Pelas almas a que e obri- 
gado F. (o oíTerente) pater notter,) 



113 



RE6 



A fdsta da Senbora faz-se no 1.* domingo 
de oatQbro, havendo na vespwa e no jdU' 
não só uma concorridifisima romagem, mas 
também uma boa feira. Havia taml)em anti- 
gamente nm. grande bodo para os que d'eUe 
se quizessem ptiiíEar. 

A ermida tem alpendre, 3 altares, aachna* 
tia, e casas para os romeiros. 

Alem da contraria da Senhora, ha aqui 
outra do Espirito Santo. 

Logo abaixo da ermida, na margem do ca- 
minbo, ha um poço« e sobre elle, em um ni« 
ebo de pedra, está a imagem de Kossa Se* 
nhora da Consolação. É advogada contra as 
verrugas. 



Na serra que principia por cima do logar 
^0 Reguengo, a uns 6 kiloniietros de distan- 
cia da aldeia, está a ermida de 5. Mamede. 
Faz-^e-lhe a festa no domingo anterior ao 
dia de S. João Baptista, havendo também 
«ntao, feira e bodo. Tem uma confrari^^ an- 
ctorisada por uipa preyisao-xégia» 

Teem os povos d'aqui.maita devogâo eon^ 
este santo ; mandam-lbe diser muitas mis* 
sas, na roda do anno, e crêem que elle lhes 
guarda os seus gados, que pascem na s^m, 
dos lobos que alli ha. 



Na aldeia da Torre de Magueixa, doesta 
fi*eguezia, ha uma ermida^ dedicada a Santa 
Iria, a cuja fabrica são obrigados os mora- 
dores úo logar. 

Fica á 9 kilometros de Leiria. 

Segundo a tradição, Santa'Iria é natural 
d*este logar, e a capella foi (construída nas 
«asas em que ella nasceu. 

A capélia tem sachiristia, e alpendri^ 

Ha n*esta capella uma coiifraria de dêfun- 
ctos, muito antiga. Tem bodo no 2.* doipinge 
de outubro. 



Dizse que ao logar da Torre de.Maguei- 
XA, se dava antigamente o imne de Torreda 
Magada, que, no portuguez antigo, significa 
Torre da Magia ou da Feitiçaria por ter per« 
tencido a um magico, ou feiticeiro. (!) 



REO 

Junto ao logar de Aleemada^ existí^ái 
tempos immemoriaes^uma capeilinha, dedi- 
cada a Santo Ilário. 

Em i567, loi demolida, e em si^ logar tt 
construiu a actual, dedicada ao Kvatgelíiii 
S. Matbeus. Tem 30 alqueires de trige da 
rendimento. No dia da festa, ha bodp. m 
pobres ; e, alem da confraria do padroeiro^ 
ha outra de defuntos. 

No logar das Torrinhas, oa,Piq[«eiral, k 
a ermida de Santa Earia Magdaleoa, em^ 
truida em 1600, por visitação, sendo bisp% 
D. Martim Affonso Mesia, para adminislnr 
os saerai^entos aos povos d'esl£s iogani; 
qnç são obrigados á fábrica» assim cone m 
mais das outras aldeias que d*aqiii são » 
cramentados. 

Na aldeia de YaWe-lbgro, h^ uma » 
peUa, de Santa Maria, coostroiia^ laoriM 
por visitação, no tempo do mesmii hUf^m 
anno de 1608. Ê também para adnainistn^ 
dos sacramentos dos visinhos do logar ei» 
meidiatos, que todos são obrigados á suafr 
brica. 

Havia ainda n'jesta firegaesla a entidade 
S. José, no Ipgar de Alq)ieidão4a.Serra.Ei 
1620, o bispo, D. Martim Affonso Msxí^ 
erigiu a capella em egreja matriz, da tit' 
guezia de Alqueidão da Sara, que n'eM 
anno creou, desmembrando-pe, com oatns 
aldeias, da freguezia do Regoengo. 

Foi arUtrado ao parodio (dura) o m- 
dimento de 80 alqueires de trigo, K aím- 
des de yinhq mosto, as ofertas e o pódeal- 
tar. Ospaioehianos lhe deraasMaaparaiv 
sidénoia, como se obrigaram, quando pedi- 
ram ao prelado a creação da sqa parocUt 
Principiou esta freguezia com 70 fogos: es 
1757, ainda só tinha 73, e heje tem SX^ 
Dista 18 kilometros de Leiria. ' 

Parte do logar d*Alqueidã3 da Serra, p6^ 



\ Alcanada, como Alcanede, significa^ 
ar sombrioy ou temperado. Também si^' 
jca homem pensador, prudente, refleipttajtt 
etc— Deriva-se do verbo árabe canatOf ser 
sombrio, temperado. 



I 



RE6 



RE6 



113 



lence á íjregaezia de S. João, da villa de Por- 
to de MÓ8(I) por sentença qne obteve a casa 
de Bragança, èontra t> bispo, D. Diniz de 
Mello. 

Ficou pertencendo a esta (iregneria d*AI- 
queidão, a aldeia da Motta-Longa, onde ha 
orna capella dedieada a Santa Catbarina; 
feita também para admínistraçio dos sacra- 
mentos, e a CDja fabrica são obrigados os 
moradores do logar. 

A pala^rra al^oidSo, derira-se do árabe 
miquêidaim, qne signiica pasàos, ou poêsa- 
dáè, D'aqaí vem onome de Alqneidãò que 
teem 29 aldeias, qnasi todas na- Extremada- 
ra. Propriamente signiflea--<»rra medida a 
passos. 

•De alqHêtdam^ se deriva : 

i.*-^Alquiar (portngiiez antigo, que de- 
IK>l8 se disse al^tlaf) e vem a ser— of^ar^ 
dar de renda qualquer propriedade movei 
ou semovente. D'aqtii, ulq^Hlê, o que aluga 
beatas. 

t^-^Aíquidar^ dar de renda a terra me- 
dida. É por isto que á propriedade que seu 
deno fião cultivava, e costumava sempre 
trazer de rendas, se dava o nome de alqiêei» 
âõê. 

A camará municipal de Lisboa, tinha vas- 
tas pròpriêdisules nò Riba-Te]o, que lhe cons- 
tituíam um dos seus principaes rendimen- 
tos, ebamadas fierraè âo Alqueidão. Fbram 
desariMtisadas^h governo, em i876— quer 
diXer^-haviendo uma banea-tôta, IA se vão os 
rendímelitos das Terras do Alquèidier. 

No l.« de diezembro de 183i, foi feito vis- 
eonde do Reguengo - (mas nSo sei de qual 
Reguengo) o general, Jorge d'Ai91ez JiízartB 
em 4 de Jollio de 1870; foi feito visoon- 
mesmo -titulo; o sr. Jorge FVederioo de 

AVÍlSK. 

Nasceu n'esta freguezia, soror Maria 4o 
Boãorio (antes de ser freira^ Hária Theireza 
Ignada) religiosa do mosteiro do Sacramen- 
to, da ddade de UIsboa. 
' Foi por muitos ahnos considerada, como^ 
uma fifeilra de grandes Virtudes; más^isto 
não fei o stitteiente para esc^iar a graveis 



aceusaçoes que d*eila fizeram à Inquisição. 
Poi enterrada nbs medonhos cárceres do 
Banto Ofício (palácio dos estáos, onde hoje 
é o theatro normal) e taes tormeutos fizeram 
soffrer à desgraçada, ' que a obrigaram a 
confessar tudo quanto os inquisidores qui- 
zeram, apezarde serem os mais ignóbeis 
absurdos, que hoje nos fazem rir, mas que 
n^sse tempo causaram lágrimas de sangue 
e dores atrocíssimas a milhares de victimas. 

A sentença contem tão repugnantes im- 
moralidades, termos âo impróprios de um 
tribunal, que só a posso comparar ao inde- 
centíssimo processo da nullidade do matri* 
monio, da tristemente celebre duqueza de 
Nemours, D. Maria Fr^mcisea Isabel de Sa- 
boya, contra D. Affonso VI. 

Depois de mnitos dias dos mais incompor- 
táveis tormentos e das mais dolorosas tortu- 
ras, obrigaram a confessar a desgraçada 
Maria do Rosário, que : 

Nti edade de sete annos lhe appareceu o . 
demónio, em casa de um tio d'eUa, paroche 
de uma freguezia de Évora, e que estabele- 
cera com o demónio relações amorosais. 

Quando a ré chegara aos i3 annos, de 
novo lhe appareceu o demónio, e com elle 
celebrou pacto expresso, por um escripto 
feito com o próprio sangue, tirado de um 
braço com um alfinete. 

P^los poderes que o demónio seu esposo 
lhe concedera, fez feitiços a seu próprio pae, 
que d*ís80 faUeceu, e a sua mãe, que mor- 
reu doida. 

Concebeu sete filhos do mesmo demónio, 
com a singular circumstancia de que a ges- 
tação do feto nunca durara mais de três me- 
zès. 

I>e fam estudante a quem apparecêra tnot- 
tivelmenUy teve uma filha, que duas feiticei- 
ras mataram sugando-ihe o sangue pelalín- 
jfctia. 

Á sua parte matara cinco crianças, bebeu- 
do-lhes o sangue, e tomáva-se de raiva quan- 
do as suas companheiras matavàin alguma 
sem lhe darem noticia. 

Sendo considerada por todos como mtdhsr 
de virtude^ fora constiltada por outra mulher 
qi&e tinha o marfdb na India^ e desejava sa« 
ber d'eUe. Maria do Rosário, á meia uoite, 



114 



REG 



untou 'Se com unguento^ e foi á índia, pegon 
QO liomem, qoe. estava dormia^o, e n'e9aa 
mesma noite o trouxe a Lisboa* em ama epi- 
bareação, apresentando-o á mulher, que to- 
mou o caso por milagre de Santo António. 
A feiticeira, qae nâo desejava alegrias a nin- 
guém, pegou outra vez no homem e recon- 
duziu-o á índia na mesma noi^. 

Confessou também que, quando celebra, 
ra os desposorios com o dejnonio, este a le- 
vara a uma casa, onde elle se sentara n'um 
throno, rodeado de negros; que também ^lli 
havia frades com os seus capôllos ; que a fi- 
zeram bailar, com todqs; e q\ie.seuesfo$o 
lhe offerecéra uma hehiásL cofnpqstc^ de la- 
gartixas e ottíroê bichos; que ella bebera por 
fineza, mas que ficara com o estômago an* 
ciado : que fizera varias viagens^ em figura' 
de gato e de corvo; que o demónio. toiQava 
muitas vezes a forma d'ella, para a substi- 
tuir nai funcções da cosinha, e no tc^que dos 
sinos do convento, emquanto ella andava 
pelo mundo fazendo das suas; que o demónio 
a tinha. visitado sete vezes, nos cárceres do 
Santo Ofilcio, para a consolar; e disse mais, 
que o num€jro das pessoas que se lembra de 
ter morto com feitiços chegaria a cento e 
trinta e sete. 

O tribunal do Santo Officio, em vista das 
explicitas confissões da ré^ diz. no final da 
sentença que deixa o rigor do direito e sim- 
plesmente lhe impõe a pena de hir a auto de 
féy levando habito e carocha, e a ser recluia 
perpetuamente nos cárceres do Santo Officio,' 
para salvação da sua alma. 

É notável, esta piedade dos inquisidoresl 
Se o menor dos crimes que a infeliz foi 
obrigada a confessar, fosse verosímil, era 
suíficiente para ella ser queimada; mas a 
Inquisição contentou-se com a pena de re- 
clusão perpétua. Ella lá tinha as suas rasões, 
para nós impenetráveis ... 

BEGUENGO—frefníezia, Alemtejo^ couce-' 
lho, comarca, diatricto administrativo, bis*, 
pado, e 3 kilometros de Portalegre, 180 ao 
S.E. de Lisboa, 200 fogos. 

Em 17S7 tinha i24 fogos. 

Orago, S. Gregório Magno. 

A mitra, apresentava o cura, que tinha 90 



alqueires de trigo de renda, e o pé de altar. 
É terra fértil. 

RSCrUENGO-pfregneiia, Alemtejo, oonce» 
lho de Alter do Chão, comarca da Frontei* 
ra, 40 kUometros d'£lvas, 180 ao £. de Lis- 
boa. 

Em 1757, tinha 58 fogos. 

Bispado (l*£lvas> dislricto adminUirativi 
de Portalegre. 

Orago, S. Bartholomeu, apostolo.. 

A mitra apresentava o cura, que tinha 9S 
alquebres de trigo e o pé de altar. 

Esta freguezia está ha muitos anooa má* 
da. á de Alter do Chão, e por isso ee. dis— 
AUer do Chm e Begu^hgo. 

REGUENGO DALfiáU— Vide Mcáçave», 
villa. 

Alcalá, é palavra árabe, significa castello, 
ou fortaleza. Na Hespanjia ha vari^ poTOi- 
çpes com «o nome á'Akalá^.e uma cidade na 
Castella-Nova. > 

Npte-se que alcalá^ como ak^slba (que os 
árabes pronunciavam akáceba) são syaoK- 
mas, e. ambas significam a mesma cousa. 

Por não hir no logar competente, íallan 
aqui dos condes d»s Aleáçov^.^ 

O primeiro conde das Alcáçovas, foi^. 
Francisco de 3alles Henriques Pereira àt 
Faria Saldanha Vasconcellos de LcòiieastR 
(que era o 12.* senhor das Alcáçovas) íeili 
no !.<> de dezembra de 1894. Bra conmea- 
dador df .ordem (le ChristQ,«avaUeíro da de 
Torre Espada, e. tenente do exar^Hto lil^eni 
perden^p um braço no cerco do PjoitUK Foi 
militar distineto. 

Nasceu a 12 de dezembro d» 181 i« e soe- 
c^deu na casa a «eu avô materno^ em 91 de 
fevereiro de 1822. 

Era-filbo de D. Thereia Francisca de Pau* 

la, filha única de D^ Caetano Albecto. Hewi* 

ques Pereira de Faria Saldanha de Lencaa- 
tre, li.*" senhor das Alcáçovas, faliecido a 

21 de fevereiro de 1822, e de, D. Maria Do* 
mingas de Castro. 

D. Thereza Francisca de Paula, . naacea a 
27 de fevereiro de 1788, 6,çasou a 27 de fe- 
vereiro de 1808, com Luiz de Vasconcellos 
a Souza (segundo Çlho dos 2.<» marqueies 
de Castelh) Melhor), ifi coosettio .de sii^ ma- 



RE6 

gesude» veador da infanta D. Isabel Maria 
(filha de D.^J|oão YI), par dp reino, feito em 
áS35, capitão de infanteria, inspector geral 
do Terreiro^ e nascido a. 6 de fevereiro de 
1791. 

D. Thereza morreu a 2 de janeiro de i82i. 

O 1."* coniie das Alcáçovas» teve qiMitro ít- 
11180$: 

. L^^-^D. Mariflnna, nascida a 8 de janeiro 
del8i4..Ca80Q, a 20 d'agosto de i837, com 
Cark>s Leme Vieira Gaedf s» n^sço fidalgo, e 
administrador do morgado de. Valle do Cou- 
to, em Mezào-frio. 

' S.""— D. Leonor, naseJida a. 30 d'agosto de 
1818, e fallecida a 10 de fevereiro dfi 1836, 

d.""— D« Caetano de Lancastre^ nascido a 

â4 d'ag08to.de 1819, e foi .0 2.« conde das 

Alcáçovas,. feito emjn de maio á» 18i0. 

. 4.''^1>* HeUfia^Ã^upiáM a 31 á^ dezepibro 

de 1820, e fallecida a 23 de janeiro de 1^36. 

O senhorio das Alcáçovas, Xoi dado a esta 
fámilia, por D. Duarte I^ em 1439. 

O seu palai}io em Lisboa, é na ru^ da Cruz. 

É 3.*' cott^P das Alcàçovsf , o ^r. D. Luiz 
Henriguei de JParii^ Pereiniv e Lencastre. 

Lencastre, é um «ppellido nobre em Por- 
tugal. O primeiro que com elie se encontra, 
é D. João de Lencastre, feito mar/|Qez de Tor- 
res-I^oVfis, por D. Maquel I, e U' duque de 
Aveiro, por D. João III, em 1547. 

Era fllbo primogénita de D. Jforge, duque 
de Coimbra, filho bastardo 4e D.. João. IL ^ 
. As aimas dos lieocastres. são as mesmas 
de que usavam c^s dqques de Aveiro — as 
arqiaa de Portqgal, com a quebra de bastar- 
dia, e poi* timbre» um pelicano. 

AEGUENGQ DA CARVOEIRA — ou sim 



t D. João n fez toda» as diligencias para 
que seti filho bastardo, D. Jorge, snbiase ao 
threno, visto tez morridQ seu único ^IhoJe* 
^tímo, D. AObnso (da qoéda de um cavallo, 
junto a Santarém, em 1491) ; mas sua mu- 
lher, a virtuosíssima rainha D. Leonor, e a 
maior parte dos fidalgos, oppoteramise te- 
nazmente, á pretenção do moparcha, e sue- 
cedea-lbe na coroa seu primo e cunhado^ 
D. Maauòl, duque de Beja, natural de Alco- 
chete, e fiHib de iDífahte D. Fernando, duque 
de Yizeu, fiiho do rei D. Duarte. D. Manuel 
era irmão da rainha D. Leonor. 



RE6 



il5 



plesmente Caíroeira. Já fica descripto sob 
esta ultima palavra, no 2.<> vol., pag. 139, coL 
1.*; mas já não está annexa a Chileiros, co- 
mo alli se diz. 

RE6UEN60-GRÂN0E — freguezía, Extre- 
madura, concelho da Lourinhaq, comarca de 
Torres Vedras, 60 Icilometros ao N.O. de Lis- 
boa. 

Tem 200 fogos. 

Em 1757, tinha 130 fogos. 

Orago S. Domingos. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

O sacro, collegjo patriarchal e o prior e 
beneficiados da egreja de Santa Maria d*Óbi- 
dos, apresentavam simultaneamente o cura, 
que tinha 100^000 réis de rendimento e o 
pé de altar. 

É terra fertilissíma. 

Perto d'esta firèguezia j^assavam as famo- 
sas linhas de Torres Vedras, que tanto medo 
incutiram ao9 francezes. 
. REGUENGO DO RIBATEJO— aldeia, Ex- 
tremadura, freguezia, concelho e comarca 
do Cartaxo ^era do concelho da Azambuja, 
supprimido em 1876, e da comarca d* Alem- 
quer), 60 kilometros ao N.E. de Lisboa, a 
cujo Patriarchado e dishricto administrativo 
pertence. 

É n*este logar a ponte do Reguengo, onde 
está a 10.* estação do caminho de ferro do 
norte e Jes^. (Vbl. 7.% pag. 184, col 1.*) 

Esta povoação soffreu gravíssimos prejuí- 
zos comas inundações de novembro e dezem- 
bro de 1Q76; assim como as teiras do Alquei' 
dão, da camafji municipal de Lisboa, que são 
n*estes limites. 

A maior inundação, foi nos dias 6 e 7 d*a- 
quelle ultimo mez, cobrindo os vastos campos 
do Reguengo e das terras immediatas. Tor- 
nou-se digno da gratidão geral doestes po- 
vos, em tão terrível conjunctura, o sr. José 
Vie0nte da Costa Júnior, de Salvaterra de 
Magos, que^ oom immineQte risco de vida» 
salvou varias pessoas, animaes e géneros, 
em um barco seu, ^coi^duzíndo tudo para 
Salvaterra, apezar da violência, da tempes- 
tade e do fufor vbrtígínoso das ondas. 

Tide Ri&ix-nTO. 

REGUENGOS ou VILLâ NOTA DE RB- 



Íi6 



REG 



SDEHGOS—Tilla, Alemtejo, cabeça do eon- 
eelho do sea nome, oa comarca do Redondo, 
35 kilometros d*Etora, 135 ao S.E. de Lis- 
boa. Tem 600 fogos. 
Em 1766, tínba 29i fogos. 
Orag o, S^Dto António de Lisboa* 
Arcebispado e districto administrativo de 

EtonL 

A mitra apresentava o cura, qne tinha 
240 alqaeires de trigo e 60 de cevada. 

É terra íertiiissima. Maito gado, de toda 
a qualidade. 

A fregnezia dos Regnengos está sitnada 
entre campinas, pertencentes à casa de Bra- 
gança, da qual era reguengo, e d*abi lhe vem 
b nome. 

' Pelos annos de 1680, 12 kilometros ao E. 
de Monsaraz, existia em om sitio solitário, 
porém ameno e fértil, nma antiga ermida, 
dedicada a Santo António de Lisboa. ^ A bel- 
léza do logar, foi, ponco a poaco attrahindo 
para aqni desde aquelle anno, algumas fa- 
mílias, que construíram as suas casas em 
volta da ermida, e tanto foi crescendo a po- 
voação, que, pelos annos de 1760, o povo re- 
quereu e obteve que a aldeia fosse elevada 
á eathegoría de .parocbia, quando (flogar já 
era composto de uns 280 fogos. A capella 
de Santo António Geou servindo de êgreja 
matriz, para o que, passados poucos annos 
(1710) foi accrescentada, e^como ainda não 
tivesse a capacidade sufficiente, tomou a ae- 
crescentar-se; mas, apezar disso, ainda é 
acanhada para a população, em vista do des- 
envolvimento que esta tem tomado. 

As casas são, pela maior parte, baixas, e 
as ruas summamente tortas, pela falta dé 
cuidado que houve no seu alinhamento des- 
de o principio, pois que cada um construía 
a sua casa onde melhor lhe parecia. 

t É preciso notar que se em 1680 estava 
o sitio deserto, é porque tinha sido abando- 
nado pelos seus habitantes, depois da dea* 
jruíçao das suas casas» com as guerras con- 
tinuas dos séculos vui, ix e X, e ainda hoje 
ha testigíos de cooslrucções antiquíssimas, 
bto Já no principio do século xiii era t^- 
guengo,- e como tal lhe deu feral, D. San- 
cho I, em 1205, como adiante veremos, b ó 
inrovavel que já |)or estes siUos habitassem 
âguns reguengueiros (caseiros da cor6a)i 



RB6 

Este povo é sobremaneira !iMliialri6N^«^ 
além da agriculliin, fabrica vnríos teôÉi 
de lan, como saragoças, estamertus^ b» 
tas^ eobotores, e chaiMOs. 

Foi esta povoado crescendo á cosu li 
villa e praça de guerra de Monsans, pois 
qne, estando esta coosthiida es uma asfe- 
ra eminência, própria para nma fortrin, 
não o era para as «miras eenmodidadesà 
vida; e a aldeia de Regoengo^ em pov» 
tempo excedeu em hoportanda a antiga vil* 
la de Monsaraz, e isto M eaosa dá anifii* 
thia que por muitos annos existiii entnii 
duas povoações; antipalhia qae ainda lài 
está completamente extineta. 

O governo, em attenção ao desenvolriaii' 
to da nota povoação, mndon para aqni a» 
de do concelho de Monsaraz, por eaita U 
lei, de 18 de abril dei838; eporontraesta 
de lei, de 29 de fevereiro de 1840, foi di* 
vada á eathegoría de vIQa, com o noneÉ 
Villa Nova de Reguengos. Notemos, porii^ 
qne já em 1205, o foral lhe dá o neme è 
Reguengo de YiHa Nova, o que prova p 
já então, ou mais próximo ou mais disttii 
da capella de Santo^ António, existia nim^ 
ou qual povoação, ou, pelo menos, algat 
herdade da coroa. 

O concelho de Reguengos é composto à 
cinco íreguezias, todas do arcebispado è 
Évora, e com 1:900 fogos. São— Campo, Ot- 
ridade, Gorval, Monsaraz, e Regaengos. 

Tinha mais trezfreguezias, de mesmo tf- 
cebispado, que passaram a formar o tot» 
lho de Mourão, e eram— 1^ Rraz da Grai- 
]a, T^ossa Senhora da Luz, e Mourão e S. k»* 
nardo, annexas, todas com 920 fogos. 

É povoação antiquíssima. D.^ Sancho I ^ 
deu foral, em Coimbra, no I.* de julho de 
1205, e aeu' filbo, D. Aflònso II, o eao&nm 
também em Coimbra, em novembro delSl?* 
{Maço 12 de foragB dMigoê, n.« 3, /l. 4 1^ 
coL 1.*) 

Não teve foral novo. 
O nome que lhe dá o foral velho, é Bt 
guengo de Villa Nom. 

Diz se que foi uma cidade romana, coo o 
nome de Ourfgia, cu Turègia. (Vide Qm- 
jfa, na Tmréga^ a pag. 311, ooL 2.* àa 6^* 
vol.) 



BEG 

Em 1837 appareéeu no logar do Monte da 
Azinheira, d'esta fregnesis, em um caml 
ée bóis (t> nm tnmnio romano (ao qual mui- 
tos dão o nome de sarcopkago) i de marmo* 
re branco. 

Estava tapado com trea lagena, eoHocadas 
sobre barras de ferro, chumbadas. 

Tinha dentro um esqueleto, e á cabecei- 
ra, nm vaso lacrimatotio, de vldnk 

É raonollthioo (de uma só pedra) e está 
li&vado em forma de banheira, arredondado 
nas cabeceiras. Tem I^O^ de comprido, pela 
pÈTíe superior, e i-SO pela inferior: 0">,65 
de alto, e O^fi^ de largo. 

É ornado, exteriormente, de baixos-rele- 
vos bem esculpidos, com um buAo (também 
em baixo-relevo) de homem, com toga. Tem 
varias figuras d'homens, todas aladas,'euma 
junta de bóis, puchando a um arado, a cuja 
rabiça pega nm mamíebo que os guia. Tem 
as quatro estações, figuradas por outras tan- 
tas mulheres, com os attributos, ou emble- 
mas, próprios. 

Não tem ioscrípção, mas é de suppôr que 
o âgurão que aqui jazia, viveu no primeiro 
ou segundo século do christianísmo. 

Esta preciosidade archeologica foi vendi- 
da pelo seu proprietário, á camará munici- 
pal do Porto, pòr 50i libras, e foi para o seu 
museu (Allen) em 1867, e alli se conserva. 

Nas immedíações do referido logar do 
Monte da Azinheira, áppareceram outras 
muitas sepulturas, a maior parte de mar- 
morebraneo, com ornatos de mármore pre- 
to, cobertas de tijolo e cada uma com seu es- 
queleto, e vaso lacrimatorio, de barro verde, 
vidrado. 

Tudo foi destruido, sendo a pedra empre- 
gada (depois de partida!) em fazer paredes. 

Também áppareceram algumas urnas ci- 

1 Sarcophago, não é, como muitos affir- 
mam, syoonimo de tumulo, ou mausoléu. 
Significa litteralmente, tumulo vazio, Qaan- 
do o individuo que se queria memorar, ti- 
nha sido sepultado nas ondas, ou que, por 
qualquer motivo, náo se sabia do cadáver, se 
lhe engía um sarcophago. Então no epita- 
phio nao se escrevia H. S. E. (hic sepultus 
€«), mas sim A. P. M. {ad perpetuam memo- 
riam). I 

ToujMB vni 



REI 



117 



nerarias, de barro, da capacidade de 40 a tf 
litros; pedaços de chumbo, em barras e em 
tubos; e algumas moedas romanas, de prata. 

Ha por estes sítios vestígios de uma anti- 
quíssima povoação, como pegões de arcos, 
aqueductos, galerias subterrâneas, e aboba* 
das, dentro das quaes estavam penduradas 
pequenas alampadas de barro {terebratu* 
tas); alieerees deèdificios, mós de moinhos» 
tijolos, e outros objectos. 

Pretendem alguns antiquários, que são os 
restos da cidade romana Turégia, ou Taurê^ 
régia; mas, se esta povoação existiu, não se 
sabe ao certo qual foi a sua situação, ape<* 
nas se sabe que era na actual provinda do 
Alemtejo. D'este logar a Évora, são 35 kilo* 
metros, e André de Rezende diz que Turé* 
gia ficava a 8 milhas d'£vora (isto é, 16 ki» 
lometros^ pouoo mais ou menos), na estra* 
da d*esta cidade para Alcácer do Sal. (Vide 
6.» vol, pag. 314, col. 1.') 

Também no Monte da Azinhehra se achon^ 
no principio d'este século, uma lapide com 
uma inscripção latina (que não copio, por 
ser muito extença) do anno 593 de Roma. ^ 

Para fugir a repetições^ remetto o leitor 
que quizer saber tudo quanto de antigo dis 
respeito a Reguengos, aos artigos Monsaraz 
e Ourega. 

REGUFE, ou REGOUFE — freguezia, qoe 
existiu na provinda do Minho, comarca e 
concelho de Barcellos. A egr^a matriz era 
no sitio onde hoje se voem os restos de uma 
capella. O orago d'esta freguezia, era o Sal- 
vador. Foi encorporada, ba mais de duzentos 
annos, á freguezia d* Alheira. Vide esta pa- 
lavra. 

REI— Tanto das actas braccarenses, como 
de quasi todos os documentos escriptos na 
baixa latinidade, consta que n'esses tempos 
se dava o titulo de rei a todos os grandes 
senhores. O mesmo se vé nas historias de 

1 Roma foi fundada no anno do mundo 
3251, ou 753 antes do nascimento de J.-C, 
por consequência, o anno 593 de Roma, cor- 
responde ao anno do mundo 3844, que ô o 
anno 160 antes de J.-G. 

8 



118 



REI 



Aragão e Navarra, pois se dava o titulo de 
rei, ao senhor deqnalqaer território oa co- 
xnarca. 

Durante o domíDio dos monros na Penin- 
SQla hispânica, também elles tomavam, este 
titulo, se possaiam qaalqaer cidade ou re- 
gião. É por isso qad vemos, rei de Lamega» 
rei de Coimbra, rei de Santarém, rei de Ba- 
dajoz, rei de Cintra, etc^ etc. 

D. Fernando Magno, dando a seu filho, 
B. Garcia (1065), os condados de Portugal e 
Galliza, o infante tomou o titulo de rei. 

As filhas dos monarchas de Hespanha e de 
Portugal, até ao século xiii, se denominavam 
rainhas. 

Assim se assignava D. Thereza^ mulher do 
conde D. Henrique, e sua irman (d*ella) D. 
Urraca, senhora de uma pequena parte da 
província de Traz*o8*MoQtes. 

O primeiro rei de Portugal que foi ungi- 
do, foi D. Affonso y. 

REI DARUAS — vide 3.« vol., pag. 372, 
col. !.• 

REI (S. João de Bei)-^ freguezia^ Minho, 
comarca e concelho de Póvoa de Lanhoso. 
Já está sob a palavra João de Rei (S.), no d.*" 
vol.^ pag. 414, col. 2.* 

Está, ha muitos annos, annexa a esta fre- 
guezia a de S. Pedro da Ajuda, ou de Ajude. 



Como o facto que vou referir, teve logar 
innos depois de publicado o 3.« volume, não 
tenho remédio senão relatal-o aqui. 

Nasceu n*esta fregueziá e aqui falleceu, 
em abril de 1877, António Manuel da 
Costa. 

Esteve muitos annos no Brazil, onde jun- 
tou boDs cabedaes. Regressando á sua ter- 
ra natal, ahi viveu e morreu na maior misé- 
ria, como se fosse um dos mais pobres da 
fregueziá. 

Pelo seu testamento, conheceu-se que dei- 
xou uma riqueza superior a oitenta contos 
de réis fortes, instituindo por seu herdeiro 
universal um irmão. 

Deixou 70 contos de réis nominaes, em 
inscripçoes de assentamento, metade ao hos- 
pital de S. Marcos, em Braga, e outra me- 
tade ao sr. Pinto Leite, do Porto. 



REI 

Deixou om conto de réis fortes, puaiQ 
distribuído pelos pobrea da sua (regoem; 
mas esUí deixa foi causa de uma rahíÉ 
questão. 

Os pobres da fregueziá de Ajuda, qoerúii 
ser contemplados, visto que a soa fresoeâ 
está annexa á de S. João de Rei ; pQréoi,oi 
d'esta fregueziá ailegaram que Ajuda, cst 
tinúa^como curato separado, no qnal siolx- 
tos todos os officíos parochiaea, ieioòr^ 
etc, e que só no temporal está annexa,» 
tendo regedor nem junta de parocbiâ,|« 
não haver numero de fogos sufficientespan 
isso. 

Por fim venceram os de S. João de 



Também depois de estar publicado o l' 
volume, recebi os seguintes apontamentos^ 
que teve a bondade de me mandar o rel^ 
rendissimo sr. padre José Lopes d'Arai]t)0( 
Silva, da fregueziá de S. João de Rei, e^ 
eu muito agradeço, porque, na verdade,» 
curiosíssimos. 

Peço desculpa de algumas pequenas íif 
inevitáveis repetições. 



S. João de Rei foi povoado pek) eoÉ 
D. Ozorio de Cabreira, filho de D. Sudn 
Yelloso e de Moninha Forjaz, e descendeott 
dos reis de Leão; D. Ozorio^ veio em 4(K 
eon o conde D. Henrique, para Portopt 
povoou, e assenboreou-se das terras deC^ 
breira e Ribeira, S. João de Rei, Berredii 
Lanhoso,, e fez o seu solar entre Homeiai 
Cávado^ perto dAlmares, na casa e torre dos 
Yasconcellos, da qual ainda ha mnitos t^ 
tigios. Foi casado, segundo uns, com D. S»- 
cha Moniz, e segundo outros, eom D. Sflft 
Moniz, sua prima, e neta de D. Fernando A- 
gno, primeiro rei de Gastella e Leão. 

Sendo, João Affonso de Beça, senhor de 
S. João de Rei, perdeu o senhorio d'esti 
terra e outras, por ser infiel a el-rei D. loão^ 
e passou a Lopo Dias d* Azevedo, filbo.^ 
Diogo Gonçalves d Azevedo e de O.Áldo^ 
Coelho, senhora de Terras de Bouro, e dcU 
de Pedro Coelho, valido de D. AflbDSO'!^^ 
a quem D. Pedro I mandou tirar o cor^|ò^ 



REI 



RET 



119 



pelo peito, em Santarém, estando ainda 
vivo. * 

Lopo dias d^Azevedo, era decimo sétimo 
neto de D. Arnaldo, natoral d'Allemanhá, da 
geração dos imperadores, que veio para Por- 
tagal em 1016, na armada dos normandos, 
e senhor do couto e casa de Azevedo e Gas- 
troy e de terras de Bouro, qae por servir 
cozn muita satisfação e lealdade a el-rei 
D. João I, foi armado cavalleiro, pelas mãos 

' do mesmo rei, na batalha d'Aljubarrota, a 
14 d'agosto de 1385, e investido nos senho- 
rios de S. João de Rei, Aguiar de Pena, e 
Jales em Traz-os-Montes, e nos direitos reaes 
da honra de Frazão, no termo do Porto. 

S. João de Rei foi concelho, composto de 
quatro freguezias, abaixo mencionadas, com 

' foral dado por el-reí D. Manuel a 25 de de- 

' zembro úe 1514, com o nome de Sanhoane 

. de Rei. 

E 

1 Teve logar esta barbara vingança (mais 
do que justo castigo) em 1357, na praça, em 
frente do- paço real, boje chamado largo de 
Cimo de villa. 

D. Pedro I, de Portugal, pactaál'a com 
seu sobrinho, D. Pedro, também l.« (o Cruel) 
de Castella, de este lhe entregar Pedro Coe- 
lho, Diogo Lopes Pacheco e Álvaro Gonçal- 
ves—os três asssassinos de D. Ignez de Cfas- 
tro— e o tio lhe entregar D. Pedro Nunes de 
Gusmão^ adiantado-mór de Leão; D. Mem 
Bodrigues Tenório; D. Fernando Gndiel de 
Toledo e D. Portão Sanches Calderon (que 
foi o mesmo quê entregal-os ao carrasco.) O 
rei castelhano não pôde entregar senão Ál- 
varo Gonçalves e Pedro Coelho, porque Dio- 
go Lopes Pacheco conseguiu fugir para Fran- 
ça, vestido de almocreve. 

D. Pe4ro, apeoas viu os dois assassinos, 
deu com um azurrague, que sempre trazia, 
em Pedro Coelho, gue rompeu em publicas 
injurias contra o rei. Este disse então.— Ó/d/ 
trazei-me $ebola e vinagre para este coelho. 

Os dois assassinos foram condemnados, 
sem forma alguma de processo. A Coelho, 
foi-lhe arr^mcado o coração pelo peito^ e a 
Gonçalves, pelas costas, sendo depois quei- 
mados na mesma praça, na presença do rei, 
que, emqnanto os dois cadáveres eram quei- 
mados, estava eile jantando a uma janella. 

Os fidalgos castelhanos que haviam sido 
entregues a D. Pedro Cruel, morreram tam* 
bem, no meio dos mais atrozes supplicios. 

(Os que desejarem saber mais eírenm- 
stanciadamente este facto, vejam o 3.<> vol.^ 
pag. 250, col. 2.* e seguintes.) 



S. Pedro d'Ajude, ao norte de S. João de^ 
Rei, e banhado pela margem esquerda do 
Cávado, tinha 30 fogos, em 1850; sendo ab- 
bade José Carlos Pereira, annexou-a a S. João 
de Rei, que se achava vaga por fallecimento 
do abbade João José d^Araujo. Santa Mariifc 
de Yerim, ao poente d*Ajude e sul do Cà* 
vado, tem 92 fogos, era commenda de Cbristo 
com a annexa de Friande: a sua egreja é 
muito antiga, foi mosteiro dos Templários» 
e sagrada em 1131, pelo arcebispo D. Paio 
Mendes; o senhor do concelho, recebia o 
sexto dos fructos d*esta freguezia ; tem em 
Pego Negro, margens do Cávado, uma fonte 
sulfúrea, e medicinal. S. Martinho de Mon* 
sal, ao sul de Yerim. e do Cávado, tem 16& 
fogos, o logar de Pousadella foi Couto da 
Marqueza de Niza, a cadeia e o pelourinho 
com a pedra d*armas, estão derribadas; o se* 
nhor da terra recebia o quinto dos fructos. S. 
João de Rei^ ao nascente de Monsul, tem com 
a annexa d*Aiude 140 fogos; o senhof do con- 
celho recebia o quarto dos fructos; a egreja 
d*esta freguezia dista de Braga 16 kilome- 
tros, d*ella se desfructa a ribeira do Cávado 
desde o Salgueiral até quasi à sua foz, que 6 
em Fão. Os senhores d'esta terra perderam to- 
dos os foros e regalias que tinham, e os seus 
descendentes ainda aqui possuem algumas 
propriedades e uma casa em minas. 

Produz em annos temperados, muito pão, 
bom vinho, muito azeite, laranja e mais fru- 
ctas; caça de monte, coelho, lebre eper<H2; 
do rio, vogas, escalos, barbos, algumas tru- 
tas, e em alguns annos lampréas e salmões. 

Em 1836, reuniu* se este concelho ao da 
Povoa de Lanhoso, e por carta de lei, de 4 de 
julho de 1837, tornou a ser reintegrado, ad- 
dieionando-se-lhe as sete freguezias seguiU'' 
tes : Santo André de Friande^ que pertencia 
ao concelho da Ribeira de Soas, tem 126 fo- 
gos, e é banhada pela margem esquerda do 
Cávado. As seguintes pertenciam á Povoa 
de Lanhoso: S. Martinho d'Aguas Santas, 
ao sul do Cávado, de 130 fogos, Santa Maria 
de Moure, ao sul de Aguas Santas, de 81 fo- 
gos ; já não existe n'esta freguezia o celebre 
castanheiro, que dava um moio de castanhas^ 
nem a vide que dava trinta almudes de vi- 
nho, como diz o padre António de Carvalho 



120 



BEI 



. Da sua Corograpbía, mas ainda hoje ha perto 
da egrejd uma carvalha que dá quarenta 
alqueires de bolotas, ou oito centos litros 
pouco mais ou menos ; S. Julião de Covellas 
ao sul de Moure, de 66 fogos ; S. Martinho 
de Ferreiros, ao nascente de Covellas, de 
98 fogos; ainda existe n'esta freguesia a casa 
e torre que foi solar dos Machados; Santo 
Estevão de Geraz e Santa Tecla, annexas, ao 
nascente de Ferreiros, de i5& fogos. Já não 
existe n'esta freguezía a torre de Berrédo^ 
solar dos Berrédos, como diz o padre Car- 
valho. 

REI SALVADOR — freguezía, Alemtejo, 
comarca d^Elvas, concelho de Monforte (em 
S4 de olitubro de i8o5 passou para o con*- 
celho da Fronteira, mas, em 18 de dezembro 
de 1872, tornou para o concelho de Mon- 
forte), 24 kilometros d'Elvas, 270 ao E. de 
Lisboa, 45 fogos. 

Em 1757, tinha 38 fogos. 

Orago, o Salvador. 

Biâpado d'E(vas^ districto administrativo 
de Portalegre. 

A mitra apresentava o prior, collado, que 
tinha de rendimento (a que chamam bôllo) 
180 alqueires de trigo. 

É terra fértil em cereaes. 

REIGADA ou ARREIGADA i — villa, Bei- 
ra Baixa, concelho a 12 kilometros ao N. de 
Almeida, comarca de Pinhel (foi da comarca 
do Sabugal) 12 kilometros a E. de Pinhel, 
335 a E. de Lisboa, 110 fogos. 

Orago, S. Vicente, martyr. 

Districto administrativo da Gnarda, pa- 
triarchado de Lisboa, por ser do grão-prio- 
rado do Crato. 

Não vem no Poiiugal Sacro e Profano, 
por esquecimento, pois é freguezia muito 
antiga. 

É a melhor povoação do concelho, e está 
situada em uma fértil planície. 
O rei D. Manuel lhe deu foral, em Évora 



1 Esta villa já fica descripla, sob o nome 
á^ Arreigada, no l.» vol, pag. 238 PP, col. 
!.■ (a 2* Arreigada) mas aqui rectifico al- 
guns erros, causados pela posterior mudan- 
ça de divisão administrativa, c augmenio o 
mais que d'esta povoação vim a saber. 



REI 

a 15 de novembro de 1519. (Litro d; /brio 
novos da Beira, folha 157, coL 1.'). 

Tem foral novíssimo, dado por D. JoioIY, 
em 1650, dando-lhe então o titulo de vilii 

REI6AD0 ou ARREIGADO— -portDguez» 
tigo ainda muito u^ado. 

que está connaturalísado, firme, fixo, es- 
tabelecido em.alguma terra, tendo casaefr 
milia. 

Mando, que o Alcaide meor da VUlOjf^ 
foesmho, ou se faça vesinho arreigado, casíi 
de costume. 

(Documento da camará secular de Oâat 
bra, de 1331). 

Guardem bem as Cidades e ViUas, cmln- 
mens jurados naturaes, ou moradores e m- 
gados fia terra. 

(Código alf., lív. l.« tit. 30, in prioc). 

Ao pó da letra, significa o que ganbw 
raizes, radicado. 

REIG AMENTO ou ARREIG AHENTO-iXf 
tuguez antigo, fiança ou abono de pes» 
que eslava reigada na terra. 

Mando, que este arreigamento, tftaiàt 
ouver a fazer, que se faça nas nave$ (» 
barcações) que esteverem na agua, qwíf 
gerem o seu termho de villa Nova, ou ^ 
E este arreigamento se não deve fazer i^ 
quelles averes, cujos donos forem arreignk 
por aver outros ffiadores. 

Assim o determinou D. AfTonso IY,itf 
quartas cortes de Santarém, de 1340. ' 

(Documento da camará do Porto). 

REIGOSO— freguezia,. Traz-os-Montes, co- 
marca, concelho e 19 kilometros ao SO.de 
Montalegre (foi da mesma comarca, mas <• 
suppriraido concelho de Ruívaes) 5^kilolB^ 
tros a N. E. de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 
110 fogos. 

Em 1757, tinha 68 fogos. 

Orago, S. Martinho, bispo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Villa Real. 

1 Viterbo diz que estas cortes foram ^ 
vocadas por D. AÍTonso IV, em 1369. E erm 
foram em 1340. Em 1369 já D. Pedro I ra- 
nava havia 12 annos, porque seu ^^^J^ 
cera em Lisboa, a 28 de maio de 1357. ^ 
ultimas cortes a que presidiu D. Afifonson» 
foram as quartas de Lisboa, convocadas eií 
1352. (Volume 2.% pagina 393, col. !.')• 



REI 



REL 



12i 



o abbade de S. Pedro do Covéllo do Ge- 
réz, apresentava o vigário collado, qae tinha 
SOMOO réis e o pé de altar. 

Esta freguezia está sitnada em terreno le* 
vemeDte aceidentado, na margem direita do 
Regavão„que lhe corre ao sul. 

A egreja matriz, foi constraida em 1614. 

A paroehia compõe-se de irez aldeias, Rei- 
goso, sede da paroehia; Ladrugães, e Cor- 
raes. 

Tem daas capellas publicas— uma, dedi 
cada a S. Loarenço. em Ladrogães— oatra 
de S. Migael, em Gurraes. 

Fica a freguezia, abrigada do norte, pela 
serra de Lamas, e é abundante d*aguas, o que 
a iorna muito fértil em milho, centeio, bata* 
tas e feij5es. 

Antigamente produzia algum vinho verde ; 
mas hoje não o ha n*esta terral 

Peio centro da freguezia, passa a antiga 
e&trada de Braga, para Montalegre. 

Pelo E. da íreguezia, corre o ribeiro de 
Vallougo, que nasce na serra da Lomba do 
Rêgo, próximo a Fervidella?, e morre, com 
6 iulometros de curso, no Regavâo. 

Rega, móp, e traz algum peixe mindo. 

REIGOSO — freguezia. Beira Alta« comar- 
ca de Youselia, concelho de Oliveira de Fra- 
des, 30 kilometros ao N. de Vizeu, 270 ao 
N. de Lisboa, 100 fogos. 

Em 1757, tinha 69 fogos. 

Orago, S. Lourenço. 

Bispado e districto administrativo de Vi- 
leu. 

A mitra apresentava o abbade, que tinha 
250/000 réis de rendimento. . 

É terra fértil, em gado e caça. 

RBIMfiRAR — poriuguez antigo, (também 
se dizia rememorar e renenibrair) lembrar. 

D*aqui reímbrança^ recordação, lembrança* 

Vem do verbo saxonio, remember (lem- 
brar). 

Os ioglezes ainda teem o remember, com 
a mesma significação. 

RBDIONBA ou RETHONDA — Já está sob 
a palavra Raimondo^ aqui aeerescento : 

Reimondo^ ou Reymondo, é appellido no- 
bre em Portugal. Veio da Galliza, mas não 
se sabe quem o trouxe a este reino. O i* 
qae se acha ^m este appellido, é João Rel- 



mondo, alcaide mór de Lisboa, que assistiu 
à doação qae o rei D. Diniz fez da villa da 
Lourínhan, a seu filho bastardo, D. AíTonso 
Sanches, conde de Albuquerque. (Vide villa 
do Conde). 

As armas dos Reimondos, são— escudo 
esquartellado — no l."" e 4.^ de azul, uma 
ílor de Hz, de prata — no 2.« e 3.^ do mes- 
mo, uma arvore verde. Timbre, um peixe 
(reimão) de prata, com um ramo da arvore 
do escudo, na bocca. 

REITOR— portagucz antigo, juiz árbitro^ 

Hoje dá-se o nome de reitor ao que rege 
a universidade, ou qualquer egreja. 

Na cathegoria ecclesiastica, reitor é o lo- 
gar Intermediário entre o vigário e o ab- 
bade. 

RELÂMPADO ou RELÂMPADOS— portu- 
guez antigo — aliviado, abolido, relaxado^ 
extincto. 

Seria proveito áá vossa terra taaes degre* 
dos serem relâmpados. 

(Cortes de Leiria e Santarém, convocadas 
por D. Duarte I, em 1434. 

Vide vol. 2.», pag. 394, col. 2.* 

RELAÇOM— portuguez antigo.— Coaa da 
relaçom^ a que hoje chamamos casa da ca- 
mará. 

Fazer relaçom, era o mesmo que dizer— 
dar audiência, fazer justiça ás partes. 

RELEGADO— portuguez antigo— pegado, 
preso, unido» aferrado. 

Vem do latino religatus. 

Nào tem em ellas havenças, que os tenham 
relegados, e de ligeiro se vão, quando lhes 
pi^az, 

(Documento da camará do Porto, de 1439.) 

Relegado era synonimo de relego. 

O vinho relegado^ era o que se vendia no 
relego. 

RELEGAGEM— portuguez antigo** certa 
pensão ou foro que se pagava do vinho ven- 
dido por algum particular, emquanto dura- 
va o relego. 

Era de 10 até 15 soldos por tonel. 

(Documento da camará secular de Coim- 
bra, de 1361). 

Na cidade de< Silves, se pagava de relega^ 
gem, por cada carga cavaUar, um a]mude,e 
por carga asnal, meio almude.* 



122 



REL 



(Docnmeoto da camará de Silves, de 1398). 

RELEGO — portugoez antigo — parece ser 
eentracçio, oa abreviatura, de regalenfio, 
' Era mn direito com que o soberano, on 
sen donatário, podia livremente vender o 
vinbo qae nos seus reguengos, cautos oaju- 
§adas se criava : e isso, em certos mezes, e 
por uns tantos dias, daninte os qnaes mais 
Hingaem podia vender vinho sem se expor 
á pena de relegagem. 

O tempo do relego, vinha marcado nos 
loraes, provisões, ou carta de mercê. 

É por isto qne também se dava o nome 
de relego, ao lagar, tnlha, adega on celieiro^ 
em qne o tal vinho se fazia e guardava. 

RELÊCrO — por tngnez antigo —também se 
dava este nome ao a qne nós hoje chama- 
mos relevo. 

EuuB castiçaes de prata, d&uraâos, e la- 
vrados de sinzel de meio relego. 
' (Documento de Alpendarada^ de 1346)* 

RELHO — portnguez antigo — o fecho, ou 
fívelão com qae se apertavam os cintos pre- 
ciosos das senhoras portngnezas. 

RELI6AS— portngaez antigo — relíquias 
de santos. 

Mando as minhas retígas, a minha filha, 
D, Berengueira, 

(Documento de Almoster, do 1287). 

RELÍQUIAS— fregoezia, Alemtejo, comar- 
ca e concelho de Odemira, (foi do mesmo 
concelho, mas da comarca de Ourique) 105 
kiiometros ao O. d'Evora, 140 ao S. E. de 
Lisboa, 250 fogos. * 
'. Em 1757, tinha 160 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Assumpção. 
' Bispado e districto administrativo de Beja. 

(Foi do arcebispado d'Evora, até á crea- 
ção do de Beja). 

A mitra apresentava o cura, que tinha 198 
alqueires de trigo. 

' É' terra fertHIssima em eereaes. Muito 
gado e caça. 

Em um domingo, 5 de septembro de 1875, 
pelas 9 horas da manhan, principiou um 
pavoroso indendio, na herdade do Valie da 
Casca, freguezia de S. Luiz, e propagou*se 
com tal velocidade, que, pouco depois, ar- 
diam soberbas mattas, penencentes ás fre- 
guezias do Salvador, e das Relíquias. 



REM 

Causou enormes pr^uizss aos seos pro- 
prietários. 

REM— portnguez antigo — cousa— ¥«a da 
latino rem. Até ao século IL"* significa^i m 
amzas qne qualquer possuía, tanto ea 
veís, como em imóveis ou semoventes. 

Em 1061, reinando D. Feraando 
fez o presbytero Fromosinho Romftrigmi^ 
doação a seu filho, o padre Sandila— 4e Bê- 
stíicas, et omnia suo rem, etc. — ^DesheriíB- 
do o mesmo presbytero Fromosinho, a ses 
filho Femandoy por lhe ser desobedleote, éi 
--pra quo exivi meo filio Femanio, às mm 
praeceptOy exhaeredati eum de toía mtea rm. 
(Doe. d'Alpendurada, de 1062.) 

REM— *portuguez antigo — absolotaiiMifc 
nada, cousa nenhuma. Esta era a significa- 
ção d*este vocábulo, nos doeumaltosdQ6S^ 
culos 12.^ 13.* e 14.* Vem do francas ria 
(talvez já viesse dos gallos-celta3.) Os fn- 
cezes modernos, para darem maia férçti 
expressão, dizem rien du tont. 

REMAESCER—portuguez antigo — êea, 
restar. Vem do latino remaneo. (Doe. deSir- 
zedas, do anuo de 1312). 

REMÉDIOS (Nossa Senhora dos)— Bk 
4." voL, pag. 41, coL l.*-— a 3.* LametísL 

Ao que então disse, tenho a aco^seofei 
os successos posteriores. 

Depois de 23 annos dé assíduos traMhn 
do ermitão José Lopes, para a conctnsiodi 
formoso templo de Nossa Senhora dos fir- 
médios da Divina Frwidencia, na aldeia 4b 
Lamellas, freguezia, concelho e comarca éa 
Castro Daire, e por ordem do sr« bispo de 
Lamego, foram, no sabbado de Ramos, 13 
de abril de 1878, em visita ao novo templo^ 
o arcipreste do districto, o reverendo ar. At- 
tonio Bizarro, e o abbade da respaeiíTa fre- 
guezia, o reverendo sr. João de Barres» eon 
anctorisaçao para benzerem a egrejs e sa 
admittida ao culto divino, se a achasisein nas 
circumstancias. 

Ficaram os dois ecclesiasticos marayHha- 
dos do que viram. O templo estava no nsaisr 
aceio ; cr al(ar*mór de bella talha moderm^ 
com o seu throno para a exposição do &ii- 
tissirao, e n'elle uma rica banqueta sova, 
dourada, e mais quatro altares laleraea^eoiB 
formosíssimas imagens, e, alem disso^ todas 



BEM 



REH 



lâ3 



t»9*fnti8'parauBeiit08 e aUaias noGessaria?, 
sendo alguns d'estes objectos de graode 
preço. 

* X) ST. arcipreste, como Tisitador, marcou 
logo o dia 30 d^aquelle mez, para a benção 
do templo, e assim se effectaon. 

Foi esse nm dia do maior rigosijo para 
os fieis â*aqaellé8 sitios, qoe' todos concor- 
reram a estasolemmdade. Todos os bemfei* 
tores dàobra e grande nnmero de senhoras 
B cavalbeiroB, das principaes familias de 
Qastro Daire e ontras povoações, se acharam 
IHresentes a este acto. 

'^" Os meninos' de fialtar, Villa-Ponea^ Santa 
tfai^arida, Fare}íohas e Lamellas, previa- 
mente ensaiados pelodignoeapellàoda nova 
ei^ja, entoaram alegres ícanticos a Nossa 
Senhora do» Remédios. 

Houve missa cantada, em acção de gra- 
fas, estreando-se então os riquíssimos pa- 
ramentos e frontal, houve nm commovente 
sermão, e missas resadas, nos altares late- 



Todas as províncias de Portugal concor- 
rel*am para esta obra, menos a do Algarve, 
oride José Lopes nâo foi, e as^m nm homem 
p<^re e anaíphabeto^ á força de incommo- 
dos, hhmiliaçôes e perseverança, conseguiu 
levar ao' cabo, com feliz êxito, umaempreza 
a que outro qualquer, em, melhores cir- 
eomstancias/se não abalançaria. 

A Santíssima Virgem lhe pagará na glo< 
ria eterna os irabalhos a que elle se snjei* 
ton n*esta vida, para lhe erigir um templo, 
digno da Rainha dos Anjos. 
"REMÉDIOS (Nossa Senhora dos)— Vide 
Peniche. 

•'Depois de eseripto o artigo d'esta villa e 
pfãlça de guerra, teve alli logar o facto se- 
guinte. 

» Em maio de 1877, deu á oosta, no Gabq 
Carvoeiro, próximo ao templo de Nosea Se- 
nhora dos Remédios, um enorme sperma- 
oete, já sem cabeça; e ao qual o povo deu o 
nome de baleia. Foi vendido por 100J>000 
réis, para se lhe extriliír o azeite e a pre* 
cioss^ gordnra, a que se dá ò nome de sper- 
macete, matéria bem conhecida. 

i'M enorme o «onenrso de povo para vér 
e Bonstrooso cetáceo. 



RBICBDIQS (Nossa Senhora dos) ---.Vide 
Lamego. 

REMÉDIOS (Nossa Senhora dos) — San- 
ctuario, na Extremadora, freguezia d'Ai- 
vega, concelho e 12 kilometros ao S. de 
Abrantes. (Vol. 1.% pag. 176, coi. 2.*) 

É nm bom templo, com 9 metros de com- . 
prido, por 4 e meio de largo, todo revestido 
de azulejo, interiormente, no corpo da egre* 
ja, e tem aoÀs a capella-mór, também azu- 
lejada, com 3,'"70 de comprido, por 3 de 
largo. Tem altar-mòr e dois lateraes : sa* 
christia, de abobada, e alpendre. 

Segundo a tradição, esta ermida íoi egre- 
ja matriz de uma freguezia que já não exis- 
te, e á qual pertencia a actoal vilia do Sar- 
doal. Tinha prior, que dizia missa e admi« 
nistrava os sacramentos aos freguezes, me- 
nos o do baptismo, que ^e hia administrar 
à ermida de S. Simão, que fica ao N. do 
Sardoal, e onde ainda existia em 1730, a pia 
baptismal. 

(Para evitar repetições, vide Sardoaí). 

A festa da Senhora dos Remédios, de Al* 
vega, costuma fazer-se a 15 d*agosto» e ó 
coneorridissima; porém a maior de que ha 
noiida, foi feita em agosto de 1877, sendo 
jaiz (reitor) o sr. D. Miguel Pereira Couti- 
nho, que enlão era deputado ás cortes, pelo 
circulo dlAbrantes. 

Alem da devoção que os povos d*ettas re- 
dondezas teem á Senhora dos.Remedios» ae- 
crescia a circumstancia de haver a cumprir 
muitos vdtos qne foram feitos pela oceasião 
das' inundações do inverno de 1S76, inva- 
dindo o Tejo completamente o logar de Al- 
vega, arrazando quatro casas, e causando ou- 
tros grandes prejuízos, não havendo toda- 
via desgraças pessoaes a lamentar. 

Houve na véspera da festa, um esplendi- 
do fogo de artificio, musica e arraial, e no 
dia, missa cantada, sermão, Te^Deum lauda- 
fliiia (em acção de graças, por não morrer 
ninguém na inundação) e grande concurso 
de povo d'este& arredores, qne correu a 
dar graças á Santíssima Virgem pelos bene- 
fidos recebidos. 

REMÉDIOS (Nossa Senhora dos) — San- 
tuário, Reira Raixa, na freguezia d*Alfrivida, 
eu Alfrevida, no concelho de Villa Velha do 



124 



BEM 



mu 



Rodam, comarca, districto administrativo, 
bispado, e i2kilometros deCastello-Branco. 

Fica o templo da Senhora a poaca distaa- 
da da ribeira de Alírivida, moito abundante 
de peixe, qae Ibe entra do rio Tejo, no qaal, 
a poaea distancia, se vae metter. 

Segando a lenda, a imagem da Santíssima 
YirgeAi appareceu no tronco de uma so- 
breira, que estava Junto de uma íonte em 
terreno dos ascendentes de Manuel Brandão 
Castello-Branco, os quaes levaram para sua 
casa a santa imagem, em quanto se lhe nio 
construiu ermida própria, para a obra da 
qual muito roncorreram os mesmos, e to- 
do o povo dologar. 

Como a imagem apparecida é muito pe- 
quenina, pois só tem palmo e meio (Q,"*33) 
d*alto, se mandou fazer outra da mesma in- 
vocação, para estar no aHar-mór; de l,"iO 
tf alto, e de boa esculptura. 

O templo ó grande e bello; tem um espa* 
coso alpendre, com uma íonte, a cuja agua 
attribne o povo muitas virtudes therapeu- 
liças. 

REMÉDIOS (Nossa Senhora dos) — San- 
ciuario, Beira Baixa, na freguezia, concelho, 
comarca, districto administrativo, bispado, 
6 2 kilometros da Guarda. 

Está a egreja da Senhora dos Remédios 
na estrada que vae da cidade para a villa 
do Sabugal. 

Foi fundada por Simão Antunes de Pina, 
prior de trez egrejas (S. Pedro de Jarméllo, 
S. Pedro da Remolla, e S. Pedro da Cidade) 
clérigo de grandes virtudes e muito devoto 
da Santíssima Virgem» e que vivia no meia- 
do do século xvi. 

Segundo a tradição, o motivo que levou o 
padre Simão a edlâcar este templo, e dedi* 
cal*o a Nossa Senhora dos Remédios fo/i o 
seguinte : 

O logar onde hoje vemos a egreja, era 
triste e solitário, e, nem pastores, nem ca- 
minhantes se atreviam a passar por alli de 
noite, porque lhes appareciam medonhos 
phantasmas que os aterravam, pois que as 
bruxas e duendes vinham qui Cizer as suas 
reunides (fabbalhs) por ser uma encrusi- 
Ihada das estradas que vem da Aldeia do 
Bispo, para a Povoa de Milleu, e da referi- 



da^ para o Sabugal. Alem diseo era a iití8 
um emaranhado mattagal, habitado pornip 
mães ferozes de varias espécies. 

Feita a egreja, e destroidos os matloBt 
uma grande distancia em redor, ficou o s- 
tio limpo e alegre, e nunca mais alli fonn 
vistos os taes phantasmas. 

Esta egreja pertence á freguesa da S4 
cujo parocho apresentava o capelláo. 

Instituin*se logo uma irmandade, fs 
mandava aqui, em lodos os primeiros iib- 
bados de cada mez, dizer uma missa pohi 
almas dos irmãos vivos e defuntos. 

Conta a tradição, que no prioMiro sikbi- 
do de agosto de 1696, estando o padr« Pop* 
cisco da Guerra, natnrai da cjdade e eipil* 
Ião da Senhora, para dizer missa, viu-sefM 
não havia agua. Um dos eonfirades da irnui* 
dade, qu» tinha uma enxada na mão, im 
—•Se a Senhora quisesse, bem podia te 
aqui rebentar uma fonte » e cavando no eli^ 
logo á segunda cavadella nasceu om mas» 
ciai de agua perenne, e é a que está naé 
pendre. 

Tanto se propagou a devoção á Senl»^ 
que concorriam a visital*a, não só os W 
tantas da cidade, mas os de maíus i^ 
de distancia, e trazendo^he grande parlei» 
romeiros, toda a qualidade de ex^volosti 
fertas. 

Como o concurso dos romeiros ereflciíA 
anno para anno, se ampliou o tem^<^ 
zendo-se lhe uma nova eapeUa-mór, dscai- 
taria lavrada, e ó hoje um bom templotat' 
da bastante visitado dos fieis. 

IffiMEDIOS (Nossa Senhora dosHEUii- 
madura^ no bairro d'Alfama, hoje deneii- 
nado bairra oriental, na cidade de^Usta 

Está esu egreja do principio da nu asií* 
gameote chamada das Portas da Cruz, tW 
je, rua dos Remédios, na freguesia de SM 
Estevam e perto das célebres obras ie Mi 
Engraçia. 

Eis a origem d'esta egreja^ . 

Pelos anoos de 1470, ainda não havia m 
Listra hospital da Misericórdia (que tó M 
principiado em 149t> e os pescadores doall^ 
com o fim de aceudirem aos seuicollegii^ 
fermos, instituíram uma irmandade, deMW* 
nada do Espirito Santo> e, oonu> não tioM 



REM 



BEM 



i25 



easa própria» esteve a irmaadade na egreja 
parochial de S. MigaeJ, de AUama; mas só 
tinha por ôm os saOragios dosirmâes tdle- 
eidos e o #ea.eQterro-ein taioba própria. . 

Saseitando-se algumas tiavidas e conten* 
daa oom os clérigos, «por caQsa de ioteresses 
insignificantes, decidiram construir egreja 
própria. 

Escolheram o sítio, i^oiogar onde acaba a 
roa á& Regueira e principia adasPortaâda 
Cruz, e alli construíram . um bom taraplo 
(HSSi) de boa arehitactura e grandi^ robus- 
tez, e o.dedicaram.ao Espirito Santo. 
. Bulias pontifícaes approvaram os «itatu^ 
tos d'esta irmandade, e<lhe concederam vá- 
rios previlegios. 

Foram continuando por muitos annos, com 
A soa tomba levantada, e coberta com um 
rieo panno de veUudo preto, com barra e 
truz, de brocado deoaro, franjado do mes» 
mo, e uma riquíssima Graz> oom sna maiiga 
egnal ao panno da tumba, e tudo com .a di- 
visa do Espirito Santo» que era uma pomba 
branca, cercada de um resplandor de ouror 

Eotenravam nlo só os irmios, maa tam- 
bem suas mulheres, âJbos, creados e esera- 
voa, mandando-lhes faaer os stifibratioa dos 
estatutos, e tudo gratuitamente. ' 

Á egreja annexaram um hospital de cari- 
dade, para os irmãos pobres» e ao» que Cal- 
leciam davam mortalha e sepíiltora^^e man* 
davam-lhe dizer certo numero de joieiaa. 

Instituído o hospíul da Míserkosdia ná 
praça do Rocio (hospital de Todos os San* 
tos) oppoz-se a direcção d^estehospital» a qas 
irmandade do Espirito Santo enterrasse os 
aeos delon^ com tuinha levanNidi; ema- 
citen-se^renhida demanda; porem sendo pro* 
vedor do hospital de todos os Santos, Ma- 
thias d'Âlbuquerqne, veio a um aGotedtrcDm 
os pescadores» que, por escriptora publica» 
de 12 de agoeto de 1602, se ohrigariuqi a 
mandar enterrar somente os innioi^jnuis 
mulheres e-filbos (ém quanto estes tstiiíes* 
sem debaixo do paitrio poder) e mais nin- 
guém. 

Até aqui ainda se*Bie falia de Nossa 8e* 
nhora dos Remeílios, pelo-^qoa o seu appa- 
recimento parece ser posterior ao anuo de 
I6(tt. 



Na egreja do Espirito Santo, havia um 
poço^ á eotrada da porta principal, em um 
canto á esquer4a. 

Híndo um servente de pedreiro tirar agua 
do poço» veio no balde uma imagem da Sán- 
tissima Virgem» o que causou grande sur- 
presa e alei-la aos offlciaes aa irmandade. 
Foi tão grande a devoção que o povo prin- 
cipiou «a ter con) esta saota imagem (a que 
deu o titulo de Nossa Seohora dos Reflae- 
dios) que pouco a pouco foi esquecendo a 
denominação do antigo padroeiro, e dando- 
se-lhe. a dos Remédios ; e mais tarde se deu 
o mesmo nomcà rua onde a egreja está si- 
tuada» nome que ainda hoje conserva. 

A rua dos Remédios» prin- 
cipia pelo S.O.-, na Ribeira* Ve- 
lha, no largo do chafariz de 
Dentro (mesmo junto ao obafii- 
riz) e finda na rua do Paralto 
(vide Partaa da Cruz). 

A rua da Regoelra, ó apri- 
meira â esquerda na rua des 
Remédios, indo , do lado do 
chafariz de Dentro, e finda no 
largo do Salvador, que per- 
tence ás freguesias de S. Vi- 
cente de Fora, S. Miguel, e 
Santo Estevam. 
RBMEDies (Nossa Seohora dos)-rMntu&- 
rio, na Extremaducai na fregtteziiu4a JSspi- 
çandeíra. (Vol. 3.^ pag. 6(J^ col. 2.') • 

A egreja de Nossa Senhora dos Remédios 
fica perto da aldeia da Espiçandeira» e, se- 
gundo as memorias escríptas no livro das 
visitai da íreguezia, a sua origem é a se- 
guinte: 

'Bm iiiO, andando Migue], filho de Miguel 
Leitão, do logar da Bqrdalia^ ^ Gosme, filho 
de Thomaz Gomes, do logar da Patacarla 
(ou Pet^caria) ambqs de menor edada» a 
brincar junto a uma fonte que está em um 
souto de arvores silvestres, próximo ao dito 
lefir áa Bordalia, acharam sobre a mesma 
fonte, uma imagem da Santíssima Virgem» 
de iy^iO d^alto, e de uma perfeita . escpl- 
punra. 

Correram as duas creanças a dar parte do 
achado a seus pães e visinhos» osquaes, 
tendo o isaao por milagroso, trataram logo 



iâ6 



BM 



REN 



d6 caDstrair uma ermida á Senhora, á qual 
deram a iaToeação do9 Remêdíosy no mesiào 
logar da Bordalia, e logo appareera um de- 
voto que quiz aer eremitio da Senhora. 
- Toda a gente da fregnez» e eireomvUi- 
nbas, prmcipioa logo a ter grande d«nM^ 
com a Senhora, e lhe fasiam moitas rema* 
gena e óffertas. 

Á agaa da fonte onde a Senhora ajipare- 
oMi, attribuem a virtude de enrar as felires 
intermitentes, moléstia endediica d*este8 si- 
tios. 

. Paziam-se a esta Senhora daas grandes 
festas cada anno, ama ali d'agosto, e ontra 
a 8 de setembro, ás qaaes coneorriam nao 
aó os povos da fregnezia e immediatas, eomo 
das vilias de Alemqner, Azambuja, Pontével, 
e Santarém. 

Parece qne a razio porqne.se lhe fazia> 
primeira festa ali d*agosto, é por qne n'e88e 
dia é que foi achada pelos dois meninos. 
^SEMEDIOB (I^ossa Senhora dos)— san- 
tuário^ Extremadura, na fregoezia de S. Vi- 
cente do Paul (6.« vol.; pag. 507, col. i.% ul- 
tima linha). 

fista egr^a já fica descrípta no mesmo 
a« voU a pag. 688, col. 2.> 

Todofl og mais santuários 
úe Nossa S<mllora dos Re- 
■aeditMi^ Tão nos togares on- 
de estio situados. 

X&MÉLHE-^firegueKia, Minho, «omairca e 
concelho de Barcellos; 18 IdIometHM ao O* 
de Brafia, 360 ao N de^ Lisboa, iSO fogos. 
' £m i757« tinha 85 fogos, compreheoden- 
do a freguezia de Molde, annexa. 

O orago da freguezia de Remelhe, é Santa 
Marinha, e o de Molde, é S. Thiago apos- 
tolo. 

' Arcebispado e distrieto admmistrativo de 
Braga. ^ ^ » 

O real padroado apresentava o curai, de 
ambas as flregnezfias, que thiha de refiAliMtD- 
mente 55i9000 téis e o'pé d'a1tar. 

REMELLA^Vtde Ramlla. 

RBMEMBRAR^portnguez antigo-r^Yíde 
ibimbraf. 

. REMIMAR — portuguez antigo — remir, 
esgatar, perdoar. (Doe. d^A Ipenduradai* de 



de 1M6 e 1336.) Daqui, rmimaUOy mri»- 
Mo, resgate, perdão, etc. 

BBMOÃES^-«frègueaia, Alto-MillilO»eo■la^ 
ca e eoiMelho de Melgaço (fot do mesmo cú- 
eelho, mas da oomarea de Monçio) 70 kilo- 
metros ao N. de Braga, 430 ao N. de Lii' 
boa, 56 fogos. 

Em i757, tinha 50 fogos. 

Orago, S. ioão Ba]itisu. 

Arcebispado da Braga, e dbtriolo adsi- 
nistrativo de Vianna. 

O abbade de S. Payo de Melgaço, apn- 
sentava o vigário, collado, que tinha MM 
léis de congru»« o pé d'alur. 

Clima éxcessito e pouco fertiL 

RElfOÊLLA^portuguez antigo— adiM^ 
pirraça, desfisitaj etc. • > ' 
' RSMOHDBS ou RXIH0NI»ES~firegQ8iia 
Tra&os-Montes, comarca o concellio do Mo- 
gadouro, i80 kilometros ao N.E. de Bnp, 
410 ae N. de Litboa, 70 fogos. 

Em 1757, tinha 60 foges. 

Orago, Santa Gatharina, virgam e ma- 
tyr; 

AhseMspado 4e Braga, distrieto idaiw 
trativo de Baagança. 

O real padroado apresentava e cura, f 
tinha 84000 réis de côngrua e o pé ds al- 
tar. ' 

O nome d*esta fregnezia eignifica^-íM 
ou da ftimllia de ReytnandB <Ra3nniuido)» Di- 
poisdfiia-se Rafmmndsê. 

BSnoilCO^ribeira, Douro, no cone* 
da Tábua. Násee perto da aldeia de Ollar.i 
depois de tomar o nome de RUmra Sktm, 
desagila no* Mondego. 

RBNBAa-^ortutoez antigo^-pagar l^Xfk 
penaõès, OU' rendas. É des' séculos 11*, ^ 
el4.» » ' 

' REllDER--)>ortuguez antigo*«-pagar. H^ 
qtãê rêndamoêttvós, a áUa part$ da$ erit 
tf0MMmdM.(Doc. da universidade, dei3W 

MVM^freguèiia, Beira Baiza^ {mKk- 
Gôa)- comarca e concelho «do Sabogal VÉ 
kilometros ao'S.B. de Lamego, 300 a E. li 
Lisboa, 175 fogos. 

Em 1787v tinha 188' foges. 

Olwgo, S. Sebastião, máityr. 

Bispado de Pinhel, distrieto admiúistrati^ 
da Guarda. 



REN 



REN 



127 



o arcediago do Côa (da Sé de Lamego, a 
eujo bispado perteneea esta frega^ até à 
creação do de Pinhel) apresenuva o cura» 
qae linha 40)^000 réis e o pé d*alKar. 

RCNDUBO^-portagues antigo— reodido. 
. RENDUFE— fregttezia, Minho, comarca e 
2 kiloiiietros a E. de Yiila Verde, concelho 
e 5 kilometros a O. d'Amare8 (até 1855, do 
meemo concelho, mas da comarca do Pico 
áe Regalados), 9 kilometros ao N^O. de Bra- 
ga, 370 ao N. de Lisboa. 

Tem 180 fogos. 

Sm 1757, tinha 186 fogos. 

Orago Santo André, apostolo. Mas da fre<. 
guezia primitiva (capella) era a Santíssima 
trindade. 

Arcebispado e districto administrativa de 
Braga. 

« O templo do extincto mosteiro benedictit 
no serve de egreja paroehial d'esta fitigaet 
zia. 

Foi villa e conto, oom justiças próprias; 
mas nunca teve foral, velho on novoL ^ 

D. abbade do mosteiro de Rendnfe, apre- 
sentava o parocho, qoe «ra nm monge do 
mosteiro, de nomeação triennal, e toiha 
•6.1000 réis, de congma, e o pé •â'altar. 

. '. O nome de Aendofe, procede de D. Ren- 
dnfo, marido de D. Acha, senhor d'este lo* 
far. Tide adiante. 

A antiga egreja matriz era, segando a tra* 
dição geral na fregoezia, a pequena cápelia 
éà S. Braz; com a denominação de Santis8i« 
ma Trindade da Gapella^ segando Carvalho 
e 9 Fort. Sacro e Profano, ou,' segtimdo o do* 
comento seguinte, o Salvador da Capelia. 
: No anno de 1596 passou a ser matriz does- 
ta freguezia a ef^eja do mosteiro, .coma 
coQsta do traslado d'uma escriptura, que se 
conserva no archívo paroehial, celebfada en- 
tre os reverendos padres do mosteiro e os 
fregnezes da Capella, cí^o theor é o seguin- 
te:— tContracto dos muito reverendos pa- 
dres do mosteiro de Rendufe e os fregnezes 
2a Capella. . 

t£ai nome de Deus. Amen. Saibão qnan-* 
tos este instrumento deobrigaçam jtera stoi- 

1 O conto era só no cível,, com jui^ eleito 
pelos monges. O D. abbade serviade onvi- , 

dor. 



pre virem, que no Anno do Nascimento de 
Nosso Senhor Jesus Cbristo de mil quinhen- 
tos noventa e^seis annos, aos treze dias do 
mez de outubro do dito anno, em este mos- 
teire de Santo André de Rendnfe, que está 
sito em seu couto, deste concelho de Entre 
Homem e Cávado^ na casa do capitulo do 
dicto mosteiro, estando em elle fazendo 
capitulo, por som de campa, ungida, se- 
gundo seu uzo e antigo costume, o muito 
reverendo padre frei Engenzo de San-Thia- 
go, abbade do dito mosteiro, e o padre flrei 
Urbano, prior, e frei Francisco das Chagas, 
e frei Anselmo da Conceição, e frei Félix, e 
firel Roberto, e frei Pedro, e frei João, e os 
mais padres .abaixo assigaados, todos mon- 
ges e conventuaes do dicto mosteiro, e por 
elles foi dito perante mim taballiam e tes- 
temunhas, tudo ao diante nomeado, que a 
mayor parte dos fregnezes da freguezia do 
Salvador da Capella, ataexa ao dito seu mos- 
teiro, tinhao dito e^consentido que eram con- 
tentei qoe a diu freguezia da GapeHa, se 
tomasse a encorporar no dito mosteiro^ eo- 
mojá em tempo antigo foi^ por lhes parecer 
ser serviço de -Nosso Senhor « proveito de 
suM almas, o qtíe tmhào assignado em hum 
antho que disso* fez Manoel Pereira; notário 
apostólico, feito no mesmo dia, o;que fizeram 
assignaram com a.*condiçam que elle padre 
abbadee Convento os desobrigasse de toda 
a fabrica da dita Igreja perpetuamente para 
sempre, e porque elles padtes- eram disso 
eoliteotes ne^obrigaram em seus nomes e sen 
nÉosteito e.snoeessores a faserem sempre a 
dita fabrica e tudo o mais necessário para 
se administrar os Sanetiasinios Sacramentos; 
e todas ar obras qoe se «m todo o tempo fi- 
leiaem' e mandarem fazer por vesitaçam e 
vesitaçoena^e de outra qualquer maneira 
que SQja necessário, porque elles padres des- 
obrigam os fJreguezBS disso e os qnerem ás 
enas custas fazerem sempre eJhes farão sea 
akar áesfáo do dito mosteiro em plarte com* 

mqda ^ os cure como sempre foram 

curados e lhes mandarão tanger os sinos 
quando for necessário e aos defuntos de 
graça e os bancos e toda a fabrica para o 

-> Está uma palavra que se não pôde lôr 
por eslar o papel carcomido. 



iâ8 



REN 



REN 



presente e fataro, de hoje para sempre, e 
que darão no dito mosteiro adro commodo 
onãe se sepultem e que querendo qoaiqaer 
dos dictos fregaezes trazer os ossos de seos 
antepassados da dita Igreja ao mosteiro, lhes 
darão sepultura assim dentro no mosteiro 
como fora, assim como os tem na dita Igre- 
ja; finalmente estarão em soa fregaeua no 
dicto mosteiro como sempre estiveram na 
Igreja sem. fazer em os fregaezes cousa algu- 
ma de fabrica, e que os freguezes terio suas 
confrarias livremente como sempre tiveram 
sem elles padres dommarem nellas, nem im- 
pedirem em cousa alguma e ficarem liber- 
tados de tudo ditado, para sempre; e assim 
o outorgaram e mandaram escrever, e obri- 
garam os bens e rendas do dicto seu mos- 
teiro ao assim cumprir como se n'estaeserl- 
ptura contem e eu taballiam como pessoa 
publica estipulante e acceitante o estipulei 
e acceitei em nome das partes» a que tocar 
possa, que presentes nao estivessem, e pe- 
dir 08 instrumentos e os mandarem dar, e 
outorgaram estando a tudo presentes por 
testemunhas os senhores — Manuel Pereira, 
de Agro Longo-— e Belchior Rebello, tabal- 
liam cm Villa Cham — e Salvador Convi- 
ves, da Quintam, de Lago, deste couto; ceu 
António Fernandes, taballiam^ o escrevi.— 
Frei Engenzo de São Thiago— Frei Anselmo 
daConceiçam— Fr. prbano— Fr. Roberto da 
Assençam— Fr. Pedro de Guimaraens-^Frei 
Felice— Frei Adriano-*Frei Marco das Cha- 
gas—Frei Callístro de Paria— Belchior Re- 
bello— Manoel Pereira-^^Da testemunha Sal- 
vador Gonçalves; uma cruz — Frei Joio de 
São Bento— Frei Benta» 

A egreja mencionada no documento su- 
pra e que principiou então a servir de ma« 
triz da fregnezia, foi, segundo diz frei Leão 
de São Thomaz, edificada por Dom Henrique 
de Sousa, ultimo eommendatario 6 um dte 
maiores bemfeitores do mosteiro, assim no 
esph'ituai, como' no temporal; e estava con- 
struída (a egreja) onde esteve* o lagar, que 
foi no meio do andar térreo do dormitório, 
chamado o Callegio. ^ 

1 Encontro a segainte contradíeção:— Fr. 
Leão de São Thomaz diz— Que Dom Henri- 
que de Souza entrou no governo do moslei* 



Ha n*esta freguezia três capellas— S. Bru, 
antiga matriz, e Senhora das Neves, sào da 
freguezia; e S. Sebastião, pertencente á ir- 
mandade do Senhor dos Passos e S. Sebas- 
tião; também pertencem a esta irmandade 
as capellinhas dosPa«sos da Paixão deNoi- 
so Senhor, existentes ao sul da cerca no ea> 
mlnho por onde segue a procissão de Pas- 
sos, que esta mesma irmandade faz no do> 
mingo da Paixão, de dois em dois annos» oo 
antes, um anno sim, outro não. 

Foi couto, e compunhase das fregueiiai 
de— Barreiros, Bico, Rendufe e Lago; e n*el- 
le apresentava o mosteiro um juiz pan ai 
causas eiveis» e no crime do dito couto, co- 
nheciam as justiças do concelho deEoM 
Homem e Cávado (AoMres). 

Esta fregnezia é situada em terreno pia* 
nOr mas agradável e fértil, principalmente 
nos fructos próprios do paiz. É banhada aa 
O. pelo rio Homem, que a separa da fregne* 
zia da Loureira; e cortada ao sul pela estra- 
da districtal de Barcellos a Monfalegre. 

O templo, se não se recommenda por grai- 
dezas architectonicas, é notável pelas sus 
proporções e solides da eonsirucção. A ím 
taria principal está virada ao poente eJ 
capella mór ao oriente, conforme deterá- 
nam a liturgia e constituições apostolieai 

Interiormente é de uma só nave e em fó^ 
ma de cruz. Tem de comprimento» afoitas 
paredes, cuja espessura é 2",25, da poria 
principal até ao» cruzeiro 24"',40; do em* 
zelro á grade da capella-mór 5-, 10; dita ca* 
pella-mór K^^.IS; o espaço que fica por detnt 
d^estaS^S? e tem de largura o corpo daegie- 
ja 10-, 15; o cruseiro SI,-; a capella mór 7-^ 
aUora do pavimento ao tecto,- que é de abo* 

ro no anno de 1550^ e que foi o ultimo oom- 
mendatario; e que a 10 de setembro de i57() 
foi nomeado por primeiro abbade o padrs 
frei Plácido de Viila-lobos: no cruzeiro da 
actuai egreia está uma campa com a ioicn- 

Íição, que diz — Que D. Henrique de Sooa 
álleceu a 3 de fevereiro Se 1551. Se não ba 
contradicção — como pôde D. Henrique A 
* Souza fazer tantos serviços ao mostetro,>deii* 
tro de um anno? Qual a razão porque o íM' 
teiro esteve tanto tempo sem abbade? 

Ou D. Henriaoe de Souza pcestou Mies 
serviços antes de ser eommendatario? Sm 
a 14.« inscripção. 



BEN 



REN 



i29 



b&da de tijolo e volta qnasiinteíra^iimiG'". 
A capella m6r tem menos aliara, e tecto de 
estaque. O corpo da egreja tem uma porta 
6 dois arcos de cada lado; as portas dão 
para os f andos das torres, oade ha doas ca* 
pellas, dedicadas, a da esquerda de quem en- 
tra e direita da egreja, a Nossa Senhora da 
Soledade, e a da esquerda, ao Senhor dos 
Passos; e no& arcos quatro altares; o pri- 
meiro da esquerda, dedicado ao Santo Ama- 
ro ; o segundo a Santa Escholaatica, e tem 
gravada no arco do lado do Evangelho a se- 
guinte inschpção : 

J. P. BREVE DO 
SS. P. PIO VI. PS.<**» 
NO AN. DE i779. 
HE ESTE ALTAR 
DE SM ESCOLÁS- 
TICA PREUILEGI 
ADOINPERPTC- ' 
UM P.* TODOS OS 
SACERDOTES RE- 
GULARES B SECU- 
LARES £ SEM AL- 
GUMA LEMITAÇÂO. 

• 

Os da direita da ègreja sào dedicados, o 
primeiro, hindo da porta principal, a S. Plá- 
cido, e o segundo a S. João. Os supeda* 
neos d'estes altares estão divididos do resto 
do pavimento por uma grade de pau. 

Tem quatro frestas, duas de cada lado, 
porém, as do sul estão inutilisadas, por es- 
tarem tapadas com a abohada da escada do 
coro; tomando por isso o corpo da egreja 
bastante escuro. 

Entre o corpo da egreja e o cruseiro tem 
dois púlpitos de madeira com talha dourada 
para os quaes se entra do cruseiro por es- 
cadas de pedra, abertas no meio das pare- 
des. 

Nos intervallos das sanefas dos altares e 
púlpitos, logo por baixo da cornija da egreja, 
estão em peanhas, que sahem da parede 
quatro imagens, de tamanho natura],'de san- 
tos, pintadas de branco, sendo duas de cada 
lado. 

O cruseiro conta dois altares, que são col- 
laeteraes da capella mór; o da parte da epís- 
tola dedicado ao Crucificado; e o»do evan- 
gelho a Nossa Senhora do Rosário. 



No topo do sul abre-se uma porta, que 
dà para os claustros e serve de porta tra- 
vessa ; e superior a esta porta está uma ja- 
nella^ que dà para o andar superior do claus- 
tro, da parte do nascente, e servia para os 
monges fazerem a visita ao SS. Sacramento. 

No topo norte, abre-se a capella do SS. 
Sacramento. Ha aqui, cruseiro, sete campas; 
a i.* (contando da capella do SS.), e a 7.* não 
teem inscrípção; a 3.* tem, mas não se pôde 
ler, por estar quasi apagada. 

A 2.* tem a seguinte : 

S.* DO COMEN 

DATARIO D. 

HENRIQUE DE 

SOUSA FID "* DA 

CAZa DE S.* MA- 

G.^ GR.^" BEBIEEI- 

TOR DBSTE MOS- 

T.*» MANDOV 

REEDIFICAR 

OP. P. FR. M."* DOS 

ANIOS D. ABB.« 

DESTA CASA. 
FALECEO O DI- 
TO Vl.*^ A 3 DE 
FV.'" DE i554 



3.* ilegível. 



4.» 



S." DO M. R. 
P. P. F. R. 
ANT.» DE 
S. BOAU.« D. 
ABB.° DES- 
TE MOST.*"» 
EiLECEO 
AOS 26 DE 
lUNHO DE 
1745 



5.« 



S." DO R.°" P. 

P. GERAL 

FR. THOHAS 

DO SAGRAM.'** 

FALECEO 

NO P.^® DE lU- 

NHO DE 

1747 



130 



REN 



REW 



6.» 

S, DO R."« P. M. D. 

FR« FBBlVAinM) 

DE JESUS M.* J.* 

2.* YES GERAL 

BENBDI- 

CTINO 

PALLBCBO 

AOS i8 DE JUNHO 

DE 

1773 

Existe Umbem no cruseiro om cofre oa 
arca de madeira, ignorando-se o qae ella 
contem. Dizem conter este cofre as relíquias 
â'Qm santo, ou de pessoa com opinião de 
santo, que os monges d'este mosteiro ítirta- 
ram aos monges d'Adaúfe. 

A capella mór está separada do cruseiro 
por uma grade de pau, de simples, mas bo- 
nito feitio. Tem por cada lado três grandes 
frestas envidraçadas, que lhe dâo muita luz; 
a que está do lado da epistola, junto ao 
arco, serve de entrada para um coreto, onde 
está um pequeno órgão; e por baixo d*esta 
fresta está uma porta, que dá serventia 
para a sacbristia; em frente d'esta porta 
está uma outra que não tém sabida exterior 
6 serve somente para fazer symetria a esta. 

A tribuna, toda de talha muito bem tra- 
balhada e com os pedestaes de pedra e dou- 
rada, é magestosa ; o aliar mór está sepa- 
rado da tribuna e tem um rico frontal de 
madeira ; o sacrário, também dourado e 
muito bem trabalhado, está no fundo da tri- 
buna atraz do altar. No centro da tribuna 
estão trez imagens de corpo inteiro e esta- 
tura natural, sendo a do centro de Santo 
André, apostolo, a do lado do evangelho, de 
S. Bento, e a do lado da epistola de S. Ber- 
nardo. 

Abai^co dos degraus do presbyterio^ estão 
duas ordens de assentos, para o clero; a or- 
dem superior tem estantes. 

A capella do SS. Sacramento, que separa 
do cruseiro uma balaustrada ou grade de 
pedra, ó de abobada de pedra e forma cir- 
cular^ cujo diâmetro é 7",3d. Tem altar^ sa- 
crário e tribuna, tudo de pedra, dentro d*um 
arco^ aberto na parede. Tem duas grandes 
frestas, uma ao nascente e outra ao poente; | 



e sobrepostas a estas outras duas, mais pe- 
quena»; e dentro do arco do altar tamb^n 
duasy as quaes todas dão bastante luz. 

O pavimento é lageado, em íórma de xa- 
drez, de mármore branco e prelo. Tem seis 
serapbins de pedra e de estatura, pouco me* 
nos de natural, collocados, em pedestaes de 
pedra, dois aos lados da grade ; dois aos la- 
dos do altar e os outros dois aos lados do 
arct) do altar. Tem também quatro imagem^ 
egualmente de pedra, e de tamanho naturaL 
collocadas sobre peaiihas^ que resaltam da 
parede ; uma de S. Pedro, ã entrada da ea- 
pella,*do lado do evangelho, com a segoiaie 
inscrípçao. 



7.« 



HUM UfDIGNO 
PBEU*" UBSTB MOS* 
TH.» P.*«« AN; GHRISTO 
1777. MÃDOU FABRI- 
CAR ESTA CAP.« P.* O SS. SA- 
CRAM.to B SENDO SEG.^^f UEZ D. 
ABB.« P.*»* AN. D£ XPÕ. 1783 
A. FBS ADORNAB DB SUMP- 
TUOSAS ALFAIAS E EN- 
RIQUECER DE INDUCG.»» 
DECLARADAS NAS AL- 
MOFADAS CORRES- 
PONDENTES. 

Outra, Jesus Besusdtado, junto ao altar^ 
e a inseripção. 



8.* 



o SS. P.« WO VI 
CONC.**» INDULG.^* PLE.* 
A TODO O FIEL XPÃO 
Q. AERSPN.***» CONFBS."^® B CO- 
MO."" UISITAR ISSA GAP.* 
DESDB AS PR.*' DESP." ATE O 
POR DO SOL NO DIA SEG.^ RO- 
t GANDO A D.» P.'* CONCdía DOS PRIN- 
CP.* XPAÕS EXTíRP.cao DAS HE- 
RESIAS B BXALTA.<^o DA ST.* M.« E- 
GR.* EM CADA UU DOS DIAS E FES- 
TAS Q. UAO NAS AL- 
MOFADAS DO OU- 
TRO LADO 

A 3.* Nossa Senhora da Conceição, joalo^' 
ao altar do lado da epistola, e a inscríp^ 
seguinte: 



REN 



REN 



13i 



9.» 

SAO OS DIAS 

DE INDULGEiNGIAS 

MESTA CAP.* O DE BSIS, 

DOIUNGO DB RAMOS, 
O DA ASCENSÃO DO SNB., 
O CORPO DB D.% O DO 
CORAÇÃO DE lESUS^ 
O UB SM ANDRB APOST.^ 
O DA GOMBMORAÇÂO 
DOS PUUS DEfUNTOS^ « 

PELOS QUAES SE PO- 
DE APLICAR POR MODO 
DB SUFERAGIO.' 

• A 4.* S. Paulo, janto á grade oa à entra* 
âa da eapella do lado do epistola e a ins- 
cripção seguinte : 

10.* 

A MESMA £ PLE- 
NB.* INDULG." FOI CONC^ 
NA FOE."^ JA EXPRESSA NAS . 

DUAS FESTAS DA IMA<:U- 
LADA COÍÍCEIÇXO E ANUCl- 
AÇÂO DA YIRGE MARIA *mX[ 
DB D.*^ SNBÃ NOSSA E NAS 
OUTRAS SINCO FESTAS DA M,* 
SNRA. E EM CADA HUA 
DELAS SINCO aN. E CINCO 
. QUARENTENAS DE PER- 
DÃO. TODAS SA9 IN- 
DULQ.** PERPT.*" 

Estas quatro inscrip^es estào gravadas 
na parede, de traz daa imagens dos Santos; 

O altar é sagrado, assim como toda a 
egre]a. 

Por cima da porta principal, do lado de 
dentro, sa eleva o coro, que tem de compri- 
mento 10",15;e doas ordens de assentos, 
com 49 cadeiras, 4endo a ordem superior 
29 e a inferior 20 ; está ornado em toda a 
volta com quadros de madeira, guarnecidos 
de talha dourada, representando a vida de 
S. Bento ; no centro está uma imagem de Je- 
sus crucificado, de tamanho natural e de boa 
escultura. Tem muita luz, que lhe é forne- 
cida por trez grandes frestas. £m dois ac- 
crescimos, que se seguem ao coro, como en- 
costados ás paredes lateraes do templo, es- 
ié^ no do lado do norte, um grand& e bom 
orgâo, com caixa de talha, e no do lado 



do sul, uma» caixa em tudo semelhante á ou« 
tra, mas sem órgão. 

A sachristia, sem cousa que mereça men* 
çio, eslá ao S. da capeUa mór e N. da esea* 
da de Santa Escholastica e tem de comprido 
3i^05;. e de larga 6^$6. 

Entre a sachristia e capella mór ha um 
corredor lageado, com a mesma largura 
da sachristia e comprimento de S^ySG; tem 
duas portas, que abrem, uma para o claus« 
tro, e outra para a capella mór. A servidão 
para o coreto do órgão pequeno, que está 
na capella mór, é por este corredor. 

Tem uma fonte com sua concha, onde os 
sacerdotes purificam as mãos ant^ e depois 
da celebração da missa ; e ao sahir da porta 
da capella mór uma campa com a seguinte 
inscripção. 

11.* 

S.» DO R."** 
P.« M.« O D." 
PR. PEDRO 
DA ASCEN- 
ÇlO Q. FA- 
LEGEO AOS 
26 DE IV- 
ÍHO DE 

1718. 

A serventia que leva ao coro e torres, é 
por uma escada, ao sul da egreja, de boa 
pedra, com três lanços ; tendo o 1."* lanço 
3 degraus ; o 2.<' 32 e 3.* 3 ; no cimo do se* 
gundo lanço tem uma porta que abre para 
o andar superior do claustro. Esta escada 
tem de largura 2"^87 ; e está coberta de abo- 
bada de ti]olo, e tapada do sul por uma pa- 
rede de altura, quasi da egreja, a qual pa- 
rede faeéa com a torre do sul e com o topo 
do cruseiro da egreja. A entrada para esta 
escada é pelo claustro, e por ella desejam 
os monges^ que já não eram collegiaes, para 
a egreja. 

No frontesplcio da egreja não ha obra.si9- 
guiar ; e assim pela parte de cima se termina 
com um triangulo de pedra, que toma toda 
a sua largura ; e á base d*este triangulo, que 
é um (rizo de pedra, liso, se seguem por 
baixo trez grandes frestas de forma elliptica 
que dão luz para o coro da egreja. Depois 



132 



RBN 



REN 



das ditas frestas^ se vêem trez nidios, fican- 
do DO do centro a imagem de Santo André; 
no do norte a de S. Bento, e no do sul a de 
Santa Escholastiea. Estas imagens slõ de pe- 
dra e tamanho natural. 

Logo pela parte inferior dos nichos, e por 
cima das padidiraà da porta principal, estão 
gravadas em pedra, no centro, as armas da 
Ordem benedictina, e nos lados as daas ins« 
<^ipções seguintes : 



No lado norte. 



11' 



o R."»*» 
P. P. IVBILA 
DO FR. P." DOS 
MÁRTIRES SEN- 
DO D. ABBADE 
G.'* LÃÇOV A I ■ 
PEDRA FVTAL * 
DESTA I6RA. AOS 
8 DE 7*>«> DB 
1716. 



No lado sal. 



13.* 



VM 

INDIGNO 
FILHO DE S- 
BT.*» SBDO d5 
ABB.« DfiST MOS- 
T.~ MÂDOV FA- 
ZER ESTA IG.''* 
A QVAL SE ACABOU 
AOS 30 DE ABRIL DE 

1719 

Nos dois ângulos da fachada daegreja, es- 
tão duas torres quadradas, de bóa cantaria. 
Tem na base ^"■^SO, por lado e as eapulas 
são de ti}oIo. Foram construídas juntamente 
coma egreja. 

A porta principal abre sobre o adro, la- 
geado de boa pedra, o qual tem de compri- 
mento 13.", e de largura, medido de norte a 
sul, 25," ; é fechado por uma balaustrada de 
pedra, que tem I," d'aUnra. Do adro des- 
ce-se, por uma escada de cantaria, com qua- 
ro degraus, para um terreiro que tem a 

1 Fundamental. 



mesma largura do adro, e de comprímeMi 
de nascente a poente uns cento etantogg» 
tros. O templo occúpa o lado do E.; a parti 
do mosteiro, chamada galeria, ocenpa parto 
do lado S.; e os ratastes lados sào oeeopa* 
dos por munis de propriedades, oatr*ora pe^ 
tencentes ao mosteiro. No lado norte esl^ 
em frente da galeria, mettlda na parede à 
cerca, uma linda fonte, com sua condia • 
tanque, e tem esculpidas em pedra as anui 
da Ordem, e gravada a era de 1742. 

Alguns metros ao O. doesta fonte, estia 
antiga casa das audiências e cadeia do cooli; 
hoje serve de sala da aufa regia de iis&i> 
cçâo primaria. Tem escada com patim pan 
o terreiro. Quasí no fim d'eate esitáumeni- 
seiro, ordinário, de pedra. 

D. Egas Paes de Penagate, começou a fin* 
dar este mosteiro alguns annos antes de iltt 
da era vulgar; por que no anno de 1091, • 
abbade de Rendole, foi um dos juizes W 
tros n*nraa questão, havida entre os monsa 
de S. Pedro''d*Atóuca e uma senhora, át 
mada D. Godinha. A contenda versava «o* 
bre a pretenção de os monges lhe concedi- 
rem o dito "mosteiro, para n'elle reeolkr 
suas filhas e parentas, visto ser padroà 
do mesmo. 

Edifieado o mosteiro em termos de serki' 
bitado, foi D. Egas Paes pedir aos mostti* 
ros de Adaúfe e das Montanhas de Noa 
Senhora da Abbadia, monges para que hr 
bitassem o seu n<nro mosteiro. Do mosteiíi 
de Adaúfe Ihef deram cinco monges eà 
Ahbadia três, os quaes eram da mesma or« 
dem de S. Bento. 

D. Egas obrigou-se a dar o mosteiro eof 
cluidoe provido com sustentação necessária 
para os monges; mas oeeupado e enfiiosiai' 
mado com amores illicitos com uma sua pa* 
renta em grau próximo, e por cujo rsspeiH 
estava censurado pelo arcebispo, S. Geralà^ 
descuidou- se de satisfazer seu compromiasa 

■N'esle tempo, convidou o conde D. HêS- 
rique a S. Giraldo para que lhe dissessi 
missa de pontifical em uma festa, que Mi 
em Guimarães, onde se achavam reanids 
as principaes pessoas do seu condado. Es- 
tando já o santo' prelado revestido de todas 
as vestes pontiflcaes, subiu ao altar^ e vfrtf- 



REN 



REN 



133 



doMw pira o povo, víq a D. Egas Paesj'anto 
Jb^ eonde, disse com Hb6rdade cbristan : — 
ÃMmcem fora da egreja a Eça$ Paes, parque i 
peoôodor público e por tal está etUado ^ da 
egnfu^ como membro podre, e se assim o não 
fburemy nem prosegmreicom o sacrificio, nem 
VÒ$ antireis missa. SoíTreo D. Egas tao mal 
- o dito, que condado do valimento do prín* 
dpe, 86 attreven a maltratar o santo, vomi- 
tando mais peçonha pela boca, do que lan- 
çaria de si uma víbora pisada. Finalmente 
foi. tal a cólera e paixão, de que se deixou 
▼«noer, que intentou affrontal o comas mãos, 
«enámente o faria, se Deus Nosso Senhor 
nio castigasse logo esta soberba, permittindo 
entrasse o denionio n'ell6; o que fez o inlojí- 
go universal de nossas almas, atormentan 
do lhe o corpo horrivelmente. Levaram*oeii« 
tio meio morto para fora da egreja, e o san- 
to arcebispo continnou com a missa, que 
tintiÉ principiado, sem alteração alguma. 

'Acabada a missa, o conde D. Henrique, e 
sua mulher, a rainha D. Thereza, e os maia 
fidalgos,- que alli se achavam, pediram hu- 
I Bsiidemente ao santo, se compadecesse da 
i Dtiaerla d'aque]le homem, e que rogasse a 
f j^tif porelie* S. Geraldo, tendo compaixão 
do miseravtfl, fez oração a Deus e logo ò de* 
I monio deixou de o atormentar e cobrando o 
I seu Jqíbo perfeito, veio lançar-se aos pés do , 
I santo, pediodo-lhe perdão das affrontas que 
Ito dissera, e promettendo emenda de sua 
I aaeaadalosa vida, e mereceu, pelas lagrimas 
do arrependimento, ter uma venturosa mor* 
, le, que adquiriu com obras santas e piedo- 
sas, sendo uma d'estas a conclusão e dota- 
çft» d'este mosteiro. Aconteceu isto pelos an- 
Bos de il07 da era vulgar. E n'este mesmo 
mnò começou a pagar sua pensão à Sé pri- 
maz de Braga, como também pagavam ou- 
tra» mosteiros mais antigos, assim consta do 
livro do archivo da Sé, chamado Uber lidei 
no qual se iéem estas palavras: — A Monas- 
lerióBendíife solvitur Bcclesiae Bracharensi^ 
sA anno Mcviir. A Monasterio de Adaufe sol- 
vitmr Ecelesiae Brackarensi, ab anno iOH 
A SofH^a JVdna de Bouro olim Abbatia in 



1 fixcommungado. 
ToLum wi 



mmUanis sohttur Ecelesiae Braeharensi ab 
anno S88,» 

E d*este anno por diante começou o mos* 
teiro a crescer a olhos vistos, assim em ren* 
das, como em monges. 

O commendatario D. Henrique de Sousa^ 
edificou a egreja anterior á actuil, toda de 
cantaria, á sua custa, e comprou muitas ca- 
sas para augmentar as rendas do convento. 

Os nossos amigos reis honraram este mos* 
teiro com mercês reaes, que lhe fizeram, e 
lhe deram a jurisdicção de quatro coutos* 
Eram o do mosteiro, que se compunha das 
firpgueziãs de Barreiros, Bico, Capella, e hoje 
Rendofe, e Lago; o de S. Thiago de Saba* 
riz, o de S. Pedro de Godeceda, e o de Santa 
Maria de Paredes Secas, hoje S. Miguei de 
Paredes Secas. ^ 

O ediflcio do actual mosteiro é de forma 
quadrangular» com três dormitórios, um a 
B , outro ao S., outro a O., fechando o qua* 
dro, ao N., a egreja. Estes dormitórios cons- 
tam de cellas^ com jaoelUs para a cérea e 
corredores que se commuoicam uns com os 
outros e con o andar superior do claustro. 

O dormitório do E., unido á capella-mór 
pelo norte, tem de comprido 45,'*36, e de 
largo 5,"56, sendo de corredor 2,"63. No 
andar térreo está a sachribtia, e no superior» 
pegado á cap^^Ua-mór, a sala que foi a ii« 
vraria. Tem ao S. uma sacada sobre a horta» 
e no ceatro uma escada de cantaria que da- 
va serventia para a cérea e claustro ; e por 
ella desciam os collegiaes, quando iam para 
a egreja. Chama-se escada de Santa Escho- 
lastira. 

É tradição que este dormitório foi o mos- 
teiro que D. Egas Paes mandou edificar; 
mas tem soífrido reformas. 

O dormitório do S.» tem de comprido 



1 Dizem o padre António Carvalho da Cos- 
ta, Corographia Porlugueza, Qa. 209 e 227, 
segunda edição, e fr. Leão de S. Thomaz, 
Benediclina Lusitana, pag. 329, tom. 2.*' «Que 
estes dois contos últimos se perderam com 
o derorrer dos aonns.» Se estes auctores 
fatiaram verdade, então o mosteiro tornou a 
adquirir a regalia dos ditos comos, pois em 
1834 linha ainda o referido mosteiro a ju- 
risdicção dos mesmos. 

9 



134 



REN 



diy^dO, e dõ largo S^-25; sendo de corredor 
3,»60. 

Diz fr. Leào deS» Tiiomaz> qae foi edifi- 
cado pelos aonos de Í6S0 e tiinto9. 

O dormitório do O. tem de comprido^ de 
norte a sul, 141°'; e de largo lOj^^GO^» sendo 
de corredor d,*"?). O andar inferior é de 
abobada de tijolo, e são n*elle o refeitório, bo- 
tica e outras officioas; tem uma porta que 
abre para o adro, e sobre a verga d*ella 
está a era de 1688. No andar superior tem 
sobre e adro duas portas com sacadas: muito 
próximo ao angulo externo S. e 0^ tem uma 
varanda coberta com grandes vistas, virada 
aQ{M)ente; a casa do capitulo é também n'este 
andar. É n*este lanço por umaresicadade 
cantaria a entrada^ para todo o mosteiro. 
A serventia d*esta escada é pelo claustro. 
Este lanço foi reservado, quando ba poucos 
annos se vendeu o mosteiro, para residên- 
cia parochial. 

Segue par» .£. em perfeito alinhamento 
pelo S. com os dormitórios .do nascente e 
meio dia, um outro dormitório chamado — 
Collegio; o qual tem de comprimento de E. 
a O. 44 metros e de largo 9,""^, Gomp5e-se 
d'um corredor pelo centro com a largura de 
dj^SS, e pelos lados de cellas, com janellas 
para a cerca. Logo á entrada estâ^ do lado 
do norte, a sala das aulas^ f» quasi no fim e 
do mesmo lado está o archivo, queó todo de 
pedra. Tem no fim, virada ao nascente, uma 
varanda coberta, medindo a mesma largura 
do dormitório. 

Este dormitório era destinado somente 
para os collegiaes, chamando-se por isso o 
Cúlle§io. 

Prolooga-se para O., faceando pelo norte 
com o dormitório do poente, um outro lan* 
çoy chamado a Galeria^ o qual tem de com- 
primento, de E. a 0. 52,~76; e de largo 9,"^. 
Consta d'um corredor, medindo de largo 
dy^^dS, com dez grandes janellas, para o nor- 
le, sobre o terreiro, e duas, para o poente, 
sobre o caminho; e oito salas com janellas, 
para o sul» sobre o pateo. No andar inferior, i 
que ó de, abobada de tifolo,- estão os cel-i 
leiros. : 

Este lanço era designado para residência 
do. D. Abbade, recebedor e mestres jubilados. 



REN 

A portaria principal do mosteiro é pelo 
terreiro Junto ao adro, por baixo da sala da 
entrada da galeria. 

Ao sul da galeria e ao O. do dormitório 
do poente, está um quinteiro (pateo) circum* 
dado pelo sol e poente de casas para casei- 
ros; é também n'este quinteiro a^cosinha do 
mosteiro, hoje do parocho. 

O mosteiro e. claustro tinliam sido refor- 
mados^ principalmente nos forros, no primei- 
ro quartel do século actual 

No centro do mosteiro está o claustro, que 
é quidcangnlar e mede de largura 3,"'44; e 
de comprimento^ nosianços de E. O. dl^^GS^ 
e nos de N. e S. 31,"30. 

O centro é occupado por.um jardim, no 
meio do qual está um chafariz com taça e 
tanque. 

O claustro tem dois andares. O térreo, 
muito bem. ladrilhado de pedra, servia de 
cemitério para os monges^ que lâo, tinham 
exercido o professorado ou cargo, superior 
na>0rdem, porque estes eram enterrados no 
CFUsetro da egreja, e os írçguezes no corpo 
da mesma. 

ffo lança do norte, debaixo das escadas 
do coro,, está, com. por ta para o claustro, 
uma capella, dedicada a Nossa Senhora da 
Abbadia. i'. 

O andar superior é construído sobre no- 
ve arcos de pedra, em cada lanço, abertos 
para o jardim e formados «m dez columnas 
inteiriças de pedra, sendo duas meio embe- 
bidas nos pés direitos. No lanço E. ha, no 
angulo interior E.S., uma fonte com concha» 
de que se serviam os collegiaes ; no topo 
norte abre para a egreja, em frente da ca~ 
pella do Santíssimo Sacramento, uma Janella 
destinada para os monges visitarem o San- 
tíssimo Sacramenío. No peitoril d*esta ja- 
nella está, para a parte do claustro, a se- 
guinte inscripçao : 



1 âf»ndo esta capella pequena, e tendo dç 
madeira o soalho e altar e n*este uns farra- 
pos de cortina<<, apesar de lhe ter ardido a 
porta no dia 29 de julho de 1877, encapou de 
ser devorado pelo incêndio. Este aconteci- 
mento causou admiração a muita gente, che- 
gando a sur julgado por alguns miraculoso. 



REN 

II. (mosteiro) madov rebdifi< 

GAR ODOARIO DE SOVSA» 
COMBDAT."* DELE, POR QUIR 
TODO POR TRA. J^NO 1851. ^ 



€onimuiiic& este andar com todos os cor- 
redores dos dormitórios. 

O mosteiro tem uma grande cerca conti- 
gua, murada sobre si, de pedra, a qual tem 
dentro campos, hortas, pomares, uma deveza 
de omitas arvores e uma eira muito bem 
ladrilhada de pedra, cujo comprimento, (da 
eúra) de N. a S. é 27",70 e largura de £. a 
O. 23 metros. 

mosieiro, cerca e outras propriedades 
rústicas foram jiâgados bens nacíonaes c 
Tendidos; a cerca e propriedades rústicas 
logo depois da extincção dá? ordens re- 
ligiosas^ e o mosteiro hap(mG08annos..Tado 
isto, menos a egreja que éa naatriz da fre- 
gui^ia, como 'já o era antes; um pequeno 
bocado da cerca, deitado para passal do pa* 
rócfao, que fói vendido no dia 4 d'agosto de 
1877, por 2:9964800 réis; o dormitório do 
O. destinado para 'residência parochial,'e 
algumas outras propriedades, tudo isto digo, 
foi comprado pelo commendador António 
Ignacio Marques, ex-official maior do go- 
verno civil de Braga. 

É hoje o mosteiro e parteda cerca de An- 
tónio dos Santos d* Azevedo Magalhães, chefe 
de secção na direcção das obras publicas do 
mesmo distncto. Tem-o como um dos her- 
deiros do finado commendador^ de quem é 
genro. 

No dia 29 de julho de 1877, pela volta das 
9 para as 10 horas da noite^ rebentou no an- 
dar superior da galeria, ao lado do poente, um 
violento incêndio, que em menos de cinco 
hora» reduziu a cinzas e a tun monião de 
minas todo o mosteiro.^ 

Graças ao vigoroso e reforçado das pare- 
des, flcoa apenas salva das chamroas a egre- 
ja, o celleiro^ morada dos caseiros, cosinha e 

1 A vitima palavra da 3.* linha e as três 
primeiras da quarta, não se entendem. 

■^ O locendio foi casual; não obstante aU 
grms jomaes dizerem o contrario. 



REN 



135 



OS andares, que eram de abobada, deman- 
dando ainda assim concertos e reparos. 

A galeria acabou de ser coberta em ou* 
tubro do me8m3 anão de 1877. 

No dia 28 d*agosto de 1876 linbam-se reu- 
nido n^este mosteiro 32 sacerdotes, e ahi, de* 
baixo da direcção dos reverendos João Ba- 
ptista Melly e Francisco lareira, fizeram por 
dez dias exercícios espiritnaes. que conclui- 
ram com uma solemne festa, feita com toda 
a decência e aparato religioso. 

Quem presenciou, n'estes dez dias o es« 
tado de conservação em que ainda se acha- 
va o mosteiro, a caridade e humildade dos 
directores, a docilidade eobedieocia dos ex- 
ercitandos (uns parochos encanecidos e ou- 
tros jovens levitas)^ o p«almodiar cadenciado 
do O^cio Divino, o enthu*ia9mo e devoção 
dos fieis, ^uem presenciou tudo isto, repito, 
não pôde deixar; ao contemplar um montão 
pavoroso de minas, de sentir uma viva sau- 
dade e verter copiosas lagrimas. 

15.*— Inscripção que está na fonte do ter- 
reiro, em frente da egreja do mosteiro : 

BM LATIGBS PHEBI POTA 

PBRIGRI NB U QUORES 

BXILIVM AVXILII NIL 

SIBI AVA RE TENET 

1742 

NIHIL SIBI. 

Devo este curiosíssimo artigo ao obsequio 
do esclarecido abbade de Caires, no conce- 
lho d*Amares, o reverendo sr. José dos San- 
tos Moura. 

Do precedente artigo vé-se a razão por- 
que eu, no 2.* vol, pag. 99, col 1.*, na pri- 
meira CapeUa, disse que não achava esta 
freguezia nos mappas mod>>rnos. O antigo 
nome d*esta freguezia, era Capella de Ren» 
dufe^ e é a mencionada no logar citado. 

O que se segue é traoscrfpto de um im- 
pr«>sso publicado pelo distincti^simo doutor» 
o sr. José Joaquim da Silva Pereira Caldas, 
lente de mathematica, no lyceu de Braga. 

(Peço aos meus leitores desculpa de algu- 
mas pequenas, mas inevitáveis repetições, 
mas não podla^-nero detia— cortar ou sup- 



136 



REN 



pHmir ama única palavra, escripta por es- 
criplor de tão grande aactoridade.) 

I— A umas duas léguas a norte de Braga, 
nos territórios denominados oatr*ora Entre 
Homem e Cávado, edificou-se em tempos 
amtiquissimos um mosteiro da Ordem de S. 
Bento, — religião entrada em nosso pais nos 
asnos de 537 da era vulgar, e inaugurada 
no mosteiro de Lonrãa a umas duas léguas 
de Coimbra — mosteiro ao depois de religio- 
sas da Ordem de S. Bernardo. 

Foi este mosteito, o de Santo André de 
Rfndufe, no concelho d'Amares na actuali- 
dade— concelho rural dos mais importantes 
do nosso districto de Braga. 

If— Deu começo a este mosteiro D. Bgas 
Paes dePenagatP, fidalgo dos priíteipaos en- 
tão na corte do nosso conde D. Henrique» 
ironco a que devemos os lineamentos da 
aoesa autonomia nacional, e de quem temos 
a ossada veneranda na Sé cathedral braca- 
rense. 

Era D. Egas Paes o sogro do alferes-mór 
do conde D. Henrique^ o aguerrido e deno- 
dado D. Fafes Luz, pae de D. Godinho Fa- 
fes, de quem a nossa villa de Fafe tomara o 
nome. 

Teve logar este começo do mosteiro ai* 
guns annos antes de ilOO da era vulgar, — 
visto que no anno de i09i fora juiz árbi- 
tro um abbade do mosteiro de Rendufe, 
n^uma contenda entrn os monges de S. Pe- 
dro d'Arouca — ao depois de religiosas da 
Ordem de S. Bernardo — e a padroeira en- 
tão do mesmo mosteiro. 

Ill— Chamava-se D. João este abbade; e 
fot companheiro seu na arbitragem, o abba- 
de D. Pedro do mosteiro de S. João de Pen- 
dorada, com o senhor de Paço de Sousa, D. 
Egas Hermiges, fidalgo de nobilíssima ge- 
ração. 

A fidalga padroeira era D. Godinba, avó 
áe D. Egas Odoris:— e a contenda que ella 
suseitára, era a pretenção de lhe cederem 
oe monges o convento, para recolhimento 
da» filhaai e parentas da mesma padroeira, 
dando- Ibes esta em troca o mosteiro deS. 
Martinho de Cucujãea. 

lY— Edifioado o mosteira de Rendule — 



REN 

em termos de ser habitado — foram tomar 
conta d*elle cinco religiosos do mosteiro de 
Santa Maria d'Adaúfe, e trez do mosteiro 
das Montanhas da Senhora da Abbadia. — 
Pediu estes monges a estes mosteiros o mes- 
mo D. Egas Paes. 

Eram da mesma* Ordem de S. Bento am* 
bos estes mosiíeiros, denominando-se ao de» 
pois mosteiro de Santa Maria de Bowo o ul- 
timo dVlleSw 

Y— Descuidou-se D. Egas Paes (embeve-^ 
eido em amores cenauraveiB com uma sua 
parenta em grau próximo) de continuar a 
edificação do mosteiro de Rendufe. 

Aconteceu no entanto — no meio dVste 
decurso de tempo— que o arcebispo braea* 
rense S. Geraldo, n*um dia de solemnidad» 
na corte vimaranense, do conde D. Henfiqne, 
o fizesse pôr fora da egreja como excom* 
mungado, sob pena de não começar sem 
isso o sacrifício da missa. 

Gahiu então em si D. Egas Paes; e reeon* 
ciliado com e piimaz das Hespanhas, a ro-^ 
gos e solicitações da mesma corte, acabou e 
dotou galhardamente o mesmo mosteiro. 

Teve isto logar nos annos de li07 da era 
vulgar. 

yi^^A situação d'este mosteiro, comquan-^ 
to em paragem um pouco baixa, é d'uma po- 
sição agradável e prazenteira, como todas as. 
situações campestres em montanhas do Mi- 
nho. 

templo d*este mosteiro é digno da Gr* 
dem do patriarcha dos monges do Occiden*' 
te, oriundo da antiquíssima familla dos Ani* 
cios, de que fora um dos membros o impe- 
rador romano Justiniano. 

Edificou esta egreja o commendatario D. 
Henrique de Suusa, um dos maiores bem- 
feitores do mosteiro. ^ 

Yll— Honraram (iutr'ora os nossos reis o 
mosteiro de Reudufe^ dando-lhe a regalia 
da Jurisdicção de quatro coutos.— -Eram .o 
do mosteiro; o de S. Thiago de Sabariz, ao 

1 D. Henrique de Souza, varão de muita 
virtude^ e grande caridade, foi assassinada 
à traição, por Frani*ii<ru Machado, que o con- 
vidara p«.ra }(itai*m. A causa d*este crima 
foram clames, mas depois provou*se que D. 
Henrique e^ytava inmictale. 



REN 



REN 



i37 



pé do Pieo de Regalados; o de S. Pedro de 
Codeeôda em terras eotâo de Nóbrega» e de- 
pois de Peote da Barca; a o de Santa Maria 
•de Paredes Seeeas, em terras de Santa Mar- 
cha de BoarOy donde, segando a tradição, era 
«enhor D. Egas Paes. 

Gom a decorrer dos annos, perderam a 
dois d'estes coutos os religiosos, ficando ape- 
nas com o do mosteiro e o. de Sabariz, até 
-w altimos tempos em qae os tiveram. ^ 

Teve isto logar em 1834, com a soppres- 
sao das ordens monastiras, ordenada então 
-em decreto de 2S.de maio, referendado pelo 
affamado estadista, Joaqaím António de 
Agttiar— filbo dá cidade de Coimbra. 

Viil-^Entre os abbades memoráveis d*es- 
te mosteiro^depois do começo da reforma- 
•çãie do cardeal infante D. Henrique, em 1K69, 
como legado da Sé Apostólica — occorrem- 
nes á lembrança quatro doestes abbades 
•irieDnaes. 

Fr. Baltbafiar de Braga, oriundo da capi- 
tal do Miolio a que dà honra. ^Deve-se*fbe 
.a erecção do convento magnifico de Lisboa, 
delineado pelo insigne architecto Balthasar 
Alvares, e de que se lançara á terra a pri- 
meira pedra em I9d8.— Deve>-8e-lhe egual- 
mente a erecção do convento da Victoría» no 
Porto, não inferior ao de Lisboa na mages- 
ttde da constmoção.— Deve se*lhe a impres- 
aio das Constituições dos Monges de S, Ben- 
êo da Cofsgreifação de Portugal^ obra dada á 
lac, em Lisboa, em 1500, em 4.^ na offieioa 
•typograpbica d' António Alvares.— Iteve-se- 
llie emúm a impressão do Breviarium Mo- 
-^nasticum Beformatum secundum eonsuetudi- 
mem àhnachontm Nigranm OrdifUs Símcti 
'Benedicti Bepiorum PonugalUae^ obra dada 
á Inz em Coimbra, em 1607, em 4.% na oíB- 
•dna typographica de Diogo Gomes Loureiro. 

Pr. Gonçalo 4e Moraes, oriundo de Villa- 
Franca de Lampazes, em Traz ot-Montes, 
deito ao depois bispo do Porto pelo rei D. 
FiUppe II, com sagraçâo em iOOS, e aquém 
deve 08 começos o mosteiro do Milagre em 
Saanarcni^ com dadivas de rendas e esmolas 
durante o sen epiBoopado.--r-Foi eleito, em 
Tibães, em 1587. 

1 Além dM^to, tinham seis grandes quin- 
las e innumeros campos. 



Pr. Martinho Golias, eleito em 1599, oriun* 
do de Guimarães.— Foi varão dos mais esti^ 
maveis então da Ordem Benedictina, e um 
dos filhos mais exalçadores do berço da mo- 
narchía, nas virtudes que o adornavam, apa- 
rentado com as fanàilias mais illustres da 
nossa província do Minho. 

Fr. João do Apocalipse, oriundo de Gui- 
marães, como fr. Martinho Golias.— Foi elei- 
to' em 1608:— e fr. Gregório Argaez, na Per* 
la de Catatunay pag. 458, g 134, o elogia so- 
bremodo, qualificando-o n'estas poucas pa- 
lavras: — Talento cultivado ccn las letras y 
las virtvdes. 

IX— Fr. Martinho Golias, nobilíssimo no 
appellído, foi uma das vergont^as mais vi* 
cosas — uma das hastes mais floridas — úsl 
parentella do dr. Rui Gomes Golias, mestre- 
eschola da collegíada da Senhora da Olivei- 
ra, em Guimarães, e instituidor do morgado 
e capella do nome de Jesu^, com tribuna para 
as suas casa$ nobres, na antiga rua dos Por* 
nos, no berço da monarchia. 

Fr. João do Apocalypse, pregador famige- 
rado no seu tempo, deixou-nos em manoseri- 
pto a Chronka da Religião de 8. Benio dê 
Portugal, e dos Reis em cujo tempo fkreseem, 
e das fisndações dos seus Mosteiros. 

Dividida em 10 livros, com 390 folhas ao 
todo, conservava-se respeitosaoiente no mos* 
teiro de S. Salvador de Travanca, onde este 
monge antiquário exhalára a vida, em M de 
abríl de I63S. 

K— Com este mosteiro de Rendafe, con- 
viveu ootr*ora o nosso Francisco de Sá do 
Miranda, filho egrégio de Coimbra, assisteo* 
te então na próxima quinta da Tapada:*- 
casa das mais illustres' da nobHtarchia mi- 
nhota, e onde elle exbálára os ultimes álen* 
tos, em46'de março de 1568^ retirado do 
bulido do mundo desde muitos annos. . 

Com este mesmo mosteiro conviveu egnal* 
mente seu cunhado Manuel Machado d* Ase» 
vedo, senhor d'Eotre Homem e Cávado, da 
quem nos escrevera a vid^ o marqnef 4t 
Montelbello, Félix Machado da Silva Castro 
e Vaseoncello^, n'nm volume raro*-ein qne 
ha versos de eofrespondencia poética eMre 
estes dois engenhos seisrentistas. 

Com este mosteiro, emfim, convivea na 



138 



REN 



sua pTimeifa quadra da ?ida, onesso flaado 
amigo D. loão d' Azevedo Sà Goutinbo, pra-' 
sador.e poeta de renome, uma daa vergo^- 
leas ojais egrégias da casa e quinta da Ta- 
pada, e a quem Braga é devedora do seu pri- 
meiro periódico politico e litterarío, em i836 
— O Cidadão Pkilaníhropo. 

XI— Em 1809, na invasão do nosso paiz 
pelo exercito francez do general SouU, ao 
maudo de Napoleão, arvorou-se o morteiro 
de Rendufa n*um castello fortificado. 

Os monges e os. coiiegiaes armaram*8e em 
defeza da pátria, fazendo causa commum 
com o povo das cercanias, e com as tropas 
a que.se reunirant 

Abandonaram os exercícios religiosos; e 
adornados dos atavios militares, hostiiisa- 
ram os nossos invasores eom garbp e de- 
nodo. 

XII— Depois da retirada do exercito frau- 
cei, acolheram-se de novo ao mosteiro de 
Bendufe, assim os religiosos como òs seu^ 
coiiegiaes. 

Não foi no entanto possivel, nem á auste- 
ridade do prelado, nem á seriedade dos mes- 
Iresr corrigir então os excessos dos colle* 
giae^, e induzilos a reatar o íio dos estudos, 
Interompidos na occasião do seu alistamen- 
to patriótico. 

Acostumados á vida soldadesca, não se 
reaocommodavam aos exercícios claustraes 
— pre.(rriDdo aos aromas do incenso o chei- 
ro da pólvora, e o clangor das cornetas ás 
iiarmonías do orgao. 

XIII— No meio d*e8te estado anarchico, 
surgiam conflictos graves a cada instante 
no mosteiro de Rendqfe-r-appellidado então 
entre o povo o castello 4qs tyrokzes. 

A obtdieocia monástica, desceu n'esses 
dias ao máximo do postergamento: — e o 
mosteiro teve.de ser entrado á força — não 
sem ri^sisteacia— por tropas alli enviadsts de 
Braga^ 

XI V— Sobre»sahia n'esta lucta coUegial, o 
Bosso finado apiigo António do Carmo Ve- 
iho de Barbosa, filhe egrjsgio de Barcelloe, 
ée <|aem soubemos estas, espécies, em nosso 
ij^go das Caldas de VizeMa^ esiandp alli a 
banhos esteiliustrado parecho de Leça do 
MaUio^ 



REK 

' D*8Ue soubemos egualmente, qae.' o ata- 
ram andar de convento em convento c<uft'0s 
companheiros^ em castigo da turbulência 
conirã os superiores:-^ não siâido^eile niúr 
da assim dos mais punidos, graças á iiiei- 
nuação da palavra de que a natufeza o dot- 
tara, aproveitada opportunamente em dafe- 
za própria. . ^: 

Alguns dos coiiegiaes^ sem egual com- 
prometiimento eschelaF^pafaram^uirigo** 
roso cárcere o excesso dainsubordínaçia. 

XV-— CoBvertido<m propriedade fuiâicu- 
lar este mosteiro deRendufe—depoisdatie^ 
generação t)olitica dei83i, roborada entãona 
batalha da Asseiceira, em 16* de maio-t^ara 
hoje senhor d'elle o nosso amigo, Antomodoa 
Santos d*Ajsevedo Magalhães, chefe dé see- 
ção, na direcção das obras publicas do nõ8<^ 
so districto. 

Tinha*o elle de seu; como um dos herdei^ 
ros do finado commendador António igv^ 
cio Marques, ex-offlcial do governo civif de 
Braga, e proprietário- doe inais abastados,, 
mais trabalhadores, e mais economícoa- do 
nosse districto. - .-'' 

Fora elle— sogro do nosso amigo««^e ^iie^ 
o arrematara primitivamente em praça pt* 
blica. 

XYI-^No domingo pretérito, 29 de julho,, 
rebentou n'este mosteiro um incêndio tio- 
lento, com appareneias de nãecasoaL^^dr* 
romi^eu impetuoso na volta das 9 para as 10 
horas daaoite, eom visosrd^abaMoattoaÚià. 

Trabalharam debalde oé povos da ioeaU-^ 
dade, no aOau de «alvar das ehammas*o edl- 
ficio iucendlado.— Foram impotentes os sãos 
braços — e infructuosa a sua dedieaçãor*-^ 
para sustar por. um pouco sequer aintrii- 
flâdade do fogo. i 

O mosteiro abrasado— rúbido com o cla- 
rão das chammas — apparentava a erupçãe 
pavorosa d'um vulcão, no ianeé do seu maior 
afogueameuto. 

XVII— Na volta das 2 para as 3 horas da 
noite, partiram d'aqui, de Braga, para Ren- 
dufs, os bombeiros vohintáTios, com eoino^ 
oollegas seus, dos munieípo<*s. 

Trabalharam com jenergia e coragem, au- 
xiliado» d'um sem numero de povo das eer- 
canias. — Era farde no enUnto. ^-r.Nãe hi^ 



REN 



REN 



139 



via herdismo proficao em similhantes altu- 
ras. 

Até o calor in(6Qsi8siiDo-'Coin o deelam- 
brameoto do darão — oppanba resistência 
aos soeeorros. 

XYUI*-- Das iinmensas casarias do mos* 
teiro âeRendufd~'aagmoQtada8 e melhora* 
das com o volver dos anDos, e reformadas 
de todo no primeiro quartel do século actual 
-^restam agora apenas as minas desolado- 
jras. 

Campus ubi Troja fuU-^íio dizer senten* 
cioso do cantor augusto da Eneida— s6 os 
raios do soliiqueceriio' alli d*ora avante, ^^ 
moê é êolitariosy os vestígios d*nm passado 
memorável. 

Graças ao vigoroso e reforçado das pare- 
des^ -fioou apenas salva das chãmmas a égre* 
ja — com o célleiro e a morada dos caseiros 
— damandando ainda assim concertos e re» 
paros. 

XIX^ Deitando aifoi bosquejada a biito- 
ria te mosteiro de Rendufe, lèmbrar-nos^ 
hemos sempre com saudada, que nas pedras 
d*aquellas ruínas — iisnadoê ernequidãS'^ 
muitas ha, que foram teslemunhaa d*astier- 
rimatf pentteneias» dos que deixavam ou- 
lr*ora o mundo pelo claustro. 

Muitas ha, que presenciaram alli nos mi- 
nisMos do .Christo— i^om ovciver.meeisantê 
dos séculos — * muita vida de fé, apoiada na 
crença-^ muita vida d*esperança, confiada 
no galardão— muita vida de caridade, Ube- 
ralísada na «smola. 

XXf**llo meio do montão pavoroso de rnl- 
aas, muitas nas estão alli dizendo na mndtt 
da contemplação^ o que nos decanta assim 
na «oa AnnABmA o nosso Aleawmdrê Hercu- 
kmo: ' . 



t Aqui vein talvez buscar asjrlo 
«Um podn-oso, outr'ora anjo da terra, 
«Despenhado nas trevas do infortnofo! 
•Aqhi gemeu talvez o amor trahide, • 
•Ou pdliiniQirce. convertido em cancro 
«DUnfismhl desespér» l aqui soaram ' 
«la aivepeMMo os aiiimod.gemiáos, 
< Depois >da vtda leiramada em gdaos, 
«DepoisMtogteo convertido fm tédiot^ 



XXI— Resta-nos agora apenas— em meio 
das ruinas — a amplidão da egreja salva, 
para nos patentear ainda, nas suas campas, 
a morada extrema de muitos justos:^ va- 
rões venerandos, qae viveram n*aqielle mos- 
teiro mnita vida de contrição, especada na 
emenda— muita vida d'Qncção, embevecida 
DO AHIssino.' 
Braga, i d'agosto de 1877. 

' O prc^ssor do Lyceu Bracarense 
Pereira Caldas. 
^^■" 

É tradição que n'este mosteiro falleceu 
D. Rendufo (que deu o nome ao logar), ca- 
sado com D. Adia, dos quaes foram filhos, 
D. Pedro Rendufes; D. Toda Rendufes, que 
casou Dom D. Ifartim AniSo, alcaide-mór de 
Coimbra; D. Mór Rendufes, que casou com 
D. Pemãò da Cunha. Parece que d*eBtes foi 
herdeiro; D. E2gas*Paes de Penagate^ 

Logo abaixo do mosteiro, está a>^tiin/a da 
Begada, qne foi de lácome Coelho. Produzia 
600 .alqueires de pio e Í0 pipas de vinho. 

Dará as Caldas de Rendufe^ vide S. TAúi- 
0^ dê Caldelloê^ e voi. f .^ págj43, col. I.« 

Em Í5 de outubro de 1824, foi feilo pri- 
meiro barão de Rendufe, Simão dá Silva 
Ferraz ú^ Lima e Caairo, comraendador da 
ordem da-Goneeiçao, intendente geral da po- 
licia da corte e reino, èta) 1823; e conseilieL- 
ro do conselho da fazenda e deputado ás 
côrles, em i834, e par do reino em 1835. 
8m i3 de outnboo de i8£S8, foifeito !.• con- 
de de Rendufs, sen filhe, o S.« baiio do mes- 
mo titulo^ Siouo da Silva Ferraz de Lima e 
Castro* 

O i.« barão de Rendufe, nasceu a 13 de 
maiet de 1795. Era filho de Thomaz da Silva 
Ferraz,' moço fidalgo, commendador da or- 
dem de Christo; deputado da companhia do 
Alto^Douro, nascido a 8 d'abni de 1760, e 
fallecido a 13 de janeiro de 1833. 

Tinha casado, no.l.* de setembro de 4787, 
com D. Anna Aurélia de Lima e Gastro, nas- 
«Ida a iaidiiii)&lho.às 1755, aeraAlha de 
Thomaz António de Carvalho Lima e Cas- 
tio,«d& 4SQasettv> àe D. Maria C fidalgo da 
casai :fèa[l^ is^vaUeirDida ordem de Christo, 



140 



RfiN 



e desembargador do paço, e de saa mulher, 
D. Joanna Margarida Barbosa Correia. 

O i."" barão de Rendufe, teve trea irmàosi 
todos mais velhos do qaeelle:— i.% Thomac 
António, commendador da ordem de Cbris- 
to, coronel de milícias, e recebedor-geral da 
fazenda, da província de Traz-os-Montes.— 
1% D. Maria Urbana.— 3.°, D. Ânna Âa« 
gasta. 

O 1.* barão de Rendafe, tomoa-se célebre 
como deputado, nas cortes abertas em 15 de 
agosto de 1834. pelos insultos que dirigiu ao 
ar. D. Miguel I, pintando-o como o ^maior 
monstro produzido desde a creação do mun- 
do, (!!!) mU vezes peior dó que Nero, Cali- 
(fula,* etc, etc. 

Na sessão de 28 do dito mez, mandou para 
a mesa, uma proposta com dois artigos — 
L^ para se appUi*arêm ao sr. D. Miguel, as 
penas do livro 5.^ tit. 6.* das Ordenações 
(morte natural) como traidor á pátria, — 2.*, 
que desde logo fosse privado da prestação 
de 60 contos, estipulada na convenção de 
Evora*MoQte (prestação que/iliás nunca hou- 
ve tenção de se lhe dar, como publicamente 
disse em cortes, o tristemente celebre mi- 
nistro, Agostinho José Freire. 

Também na sessão antecedente, o depu- 
tado Sousa Azevedo, tinha proposto que fos- 
se ratiflcado pelas cortes» o decreto de 18 de 
março doesse anno, ^e exauctorou o sr. D. 
Mígaeh e que sb declarasse que a sua su- 
cessão, Bunca podesse reinar em Portugal. 
(Este deputado foi um granâe miguelista até 
íêÊlè, roas Tirou a casaca por o não fazerem 
desembargador da casa da suppHcação. Ha 
a este respeito aro folheto muito interessan- 
te, publicado em 1842.) O deputado Silva 
Sanches, também pediu a pena de morte 
para o sr. D. Miguel, se voltasse a Portugal 

RENDUFB— freguezia, Minho^ «omarea e 
concelho de Guimarães, 18 kilometros ao 
N.E. de Braga, 360 ao M . de Lisboa, 100 fo- 
gos. 

Em 1786, tinha 80 fogos. 

Orago, S. Romão. 

Arcebispado e districto administl^aUvo de 
Braga. 

O cabido de Guimarães apceseotava o ea- 
fa, qoo tinha 301000 réis a o pé d'allan 



BBN 

Foi couto e villa, ha muitos annos snpprí* 
midos. 

Pouco fértil; mas cria bastante gado de 
toda à qualidade. 

RENDUPE^-freguezia, Minho, eomarea e 
concelho de Ponte do Lima, 40 kiloraelros 
ao O. de Braga, 385 ao N. de Lisboa, 100 fo- 
gos. 

Em 1757, tinha 83 fogos. 

Drago o S^ilvador. 

Arcebispado de Braga, districto admiois» 
tratívo de Vianna. 

O arcediago da Labruja (da Sé d0 Braga) 
apresentava o vigário, que tinha 70M00 réis 
de rendimento. 

É terra fértil. Gado e caça. 

No monte de Travanca, d*esta freguezia, 
se deu a grande batalha, em que D. Fraa- 
cisco de Sdusa, conde do Prado, desbaraiM 
o exercito castelhano, em 9 de agosto de 
1663. 

RENDUFINHO--fregnezia, Minho, comar- 
ca e concelho da Povoa de Lanhoso, 12 kt» 
lometros ao N.E. de Braga, 370 ao N. de 
Lisboa, 170 fogos. 

Bm 1757, tinha 101 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Misericórdia. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

A mitra apresentava o abbade, que tinba 
360if 000 réis de rendimento. 

É terra muita fértil, e cria Muilo gado» 
de toda a qualidade. 

Nasceu n*esta freguezia, e aqui falleeeaao 
dia 23 de agostp de 1876, o doutor Francisco 
Hilário Teixeira de Brito, um dos onume»- 
tos do tôro portuguez, cavalheiro de reco- 
nhecida probidade, e porisso estimado • rss^ 
peitado de quantos o conheciam. Foi depa» 
tado ás cortes pelo partido legitlmista, aque 
sempre pertenceu, em 1858, pela Póvoa de 
Lanhoso; roas não chegou a tomar assento 
na camará, por não querer prestar jura- 
mento. 

Era casado com a sr.* D.^Felizard^i Rosa 
Vieira de Campos, irmã do sr. abbade» José 
Bento Vieira de Campos, a qual ainda vive. 
Teve dois filhos, os srs. doutorei» AMcmio 
Bernardino Ribeiro de Brito, e padre Fran- 
cisco Joaé Bibeiro Vieira de Brito. 



REP 



MP 



l4l 



r o iUBAre fluido deixoa am irmio, o sr. 
padre José Nardto Riòeiro de Soma e Brito. 

REN6A ou BSlifllIE, e, por fim, BENQUI 
— portnimez antigo — flada^ corrente, fileira, 
carreira, ete. — Vem do franeez rang qoe si- 
fDiftra o mesmo. 

RBNflUÇAR ou BENUNÇAR— portBfoez 
antigo — renanciar, largar, demittir de si, ele. 
Relmquifnus e renhuçamos quanto émtío nós 
haviamoB^ ete, (Doe. de Arooia de It99>.-* 
Eu Polinhairo Steves, renunç^ o faro gnem$ 
mom possa a el chamar. (Doe. de Moncorro, 
4t 1337.) * 

RftQ, RÉU, e ARRÊO*~portiigaezaatigo-^ 
a fio, de /So a pavio, a seguir sem iaterra-- 
pção. 

REPEENDIMENTO, eRREPEENODOBlITO 
— portogoez aatigo— satisfação, paga; re- 
compensa, ete.— Dou a Maria Carvalho, a 
mnnha leira d^oUveA, em rrepeendémenia dos 
peccados do meu filho. (Doe. de S Christo- 
▼am de Coimbra, de i348.) Vem do litíno 
srtpendo. \ 

REP£ZES— aldeia. Beira Alta, na antiga 
Iregoezia de S. Martinlio, exti^amnros e um 
dos curatos de Viseu, hoje fregueiia de San- 
U Maria, da mesma ddade, d'onde dista ape- 
naa um kiiometro. 

Ha n'esta aldeia uma bonita capella, de- 
dicada a Santa Bulalia, na qttal se fitt todos 
os atinos uma concorrida festa ao nosso por» 
tofoez Sanio António, de Lisboa. . 

' N'esta povoação naaeen, pelps fins do sécu- 
lo I6.^ um elmrioHUNw^ chamado Aniooio 
INas Ribeiro. 

t Ekn 1488, foram «xpolsoc de Hespanba 
iodos 08 judeus, que se eapalharam por t»- 
rias nações da Europa, vindo muitos d*eUe3 
para Portn((al, onde os acolheu favoravel- 
mente D. João II. 6en filho único, D. Affòn- 
80, morre junta a Sanurerii, em 1491, da 
qoeda de um cavaUo, deixaiido ^vaesem 
filhos, a sua joven esposa, a princesa D. Isa- 
bel, herdeira do throno de Castella. 

Falieeido D» João II (t5 de outubro de 
1495) e íào podendo elevar ao throno^ sen 
fiUio basta|>do, D. Jorge» duque 46 Coimbra, 
como muito pretendera, foi acclamado rei, 
seu primo e cunhado, o duque de Beja, fi- 
lho do infante D. Fernaado, duque de Viseu, 
6 filho do rei D. Duarte. 



Bra muito devoto da Santissima Virgem, 
e, como era bastante ricn, llie mandou cons- 
truir uma formosa capella, com a invocaçio 
de Nossa Senhora dos Prazeres, no legar de 
Abravetes frsguezia da Só de Viseu, e pró- 
ximo da mesma cidade. 
. Par» evitarmos repetições, vide 7.* v»l^ 
pag 660, col. 1* 

REPOSTEIRO M 6R oQ RSPOSITAlHê. 
m6R— é um .dos |)rtttcipaes offcios da casa 
real portugueza. 

Ha duvidas sobre a dala d'este8 graddes 

D. Manuel contratou o casadisBlo com a 
princesa D. Jtôbel (a viuva do .príncipe Dl 
AfTon^o) mas sob a coodiçào de expulsar 
os judea.«, e mouro^ de Portugal, o que elle 
fez em 1497, com a ambição de vir a cerrei 
de Portugal e He^ipanha; deixando sahir d*es- 
tq reino as immeiísas riqueza» dos expulMa^ 
Ficou porem sem elias e sem o throno de 
Hesipanha (apesar de ser jurado rei d'este 
reino, em Toledo, a 28 dHibnl de 1498) por- 
que D. Isabel msrrvu de pario^ em Zsrasn» 
ça, e «eu filho^tD. Miguel da Pas, pouco Uís 
sobreviveu. D. Manuel casou em segundas 
núpcias com sua cunhada, a princesa D. Ma» 
ria, irmã de D. Isabel, recebendo se em Al- 
ter do Sal, em 1901. D'ef te casamimto ievn 
—D. João,, depois rei. 3.* do nome; D. Lnu 
bel, que casou com o impf rador Carlos V; 
D. Brites, qiie casoU com ò duque de Sa- 
bóia; D. Luiz, duque de Beja; D. Fernando, 
duque da fiuarda; D. Afionso, cardeal, D. 
Uenriqosi cvdeal e rei; D. Dnafle, dmins 
de Guimarães, e D. M^ria e D. António, ^uo 
morreram de pouca edade. 

D. Manuel cshon em terceiras núpcias» 
com D. Leonor, filha de Pbilippe I, de Cas* 
islla, da quaji teve, D. Carlos que morreu de 
pouca edade, e D. Maria, que foi senhora de 
Vi^eu e Tpires Vedras. 

NSo consta que este rei iivts»^ filhos bas- 
tardos. 

Mipites naoarps e judeus preferiram ade» 
ptar a religião catholica, a sahirem de Por- 
tugal. Aos que foram expulsos, se lhe tira- 
ram os filhos menores de sete atraos. que fò* 
ssm bsptlsados, e edueados na religião ehris* 
ta. A estes e aos adultos converddos se ficou 
chamando christãos-novos, e foram sempre 
olhados com despreso pelos christãos-velkos, 
e muitos d*elles morreram nos cárceres da 
incRiisiçâo, ou queimados em vida; poreiat 
imdor omiificina dVstes infelizes, foi em 
Lisboa, a i9 dtabril de 1506, em cojò dia fo* 
ram assassinados (e muitos queimados vi* 
vos) 4:600 christaos novos. (4.* vol., nag. 
111, col. 1.% e pag. 171^ col %.% no fim) 



142 



REP 



offieiaft» do paço. Frei Aiftoaio Brandão diz 
qi»e o offieio dexeposteiro-mór (reposUariut 
maior) foi creado por D. AffoBso II, em 1217, 
sendo o primeiro qae o teve^ Pedro fiarda. ^ 
No reinado de D. Sancho llC tinha edta offi- 
eio, um tal Dominicw Scribanuê Maius He* 
puíttíKius, qoe as^ignou eomo teetemiinha, 
o foral de Santa Cruz da ViMariça, em 122S. 
(Doe; de Moncorvo.) '. "•- 

> . » • \> ' •"• ' 

: Em quanto em Portugal não houve camar 
reiros mórea, eram os reposteiro8-móre5 
que tinham este exercício. 
. -QiQmprego da^.reposteiro-mór, é o de des- 
jKOhJrir 'apeadeira do rei, nas fiínc^ões publi*- 
tas, » e»tá junto il*ella, em quanto o monar» 
cha.se nãolevanta^ 

PelaijOrd. éojivro 3.% tit..4w% tinham o» 
reposteiros«móreaos mesmos privilégios qae 
os alferes-móres, etc. I 

No reinado de D. Joio III, entrou o offieíp 
de reposteirtfi^mór, na casa da9}Távora8,4ia 
pêbsoa de Bernardim deTàvorai,-3.«) filho de 
Álvaro Pires de Távora. 

fot morte de Bernardim dd TâvoKa {aeif 
do 1." reposteiro^tanór d**8ta familia^e bgoal 
nome) e nao tendo filho vsriò, herdoii a ca- 
sa» sua filha, D.&uiomar de Távora, .casada, 
em segundas nupeí^f, com Luiz de Souza e 
YasèoDcellos, '3^^ conde de CaSBello-Melhoi; 
que, era tatão d'esta àllian^, foi reposteiro!- 
mérde D. Affonso VI, e assiáo passòi} o offl- 
eicv piMra a çasit de Castello-Helhor. 



Não^eram só os reis que tinham rdjiostel^ 
ros-móres: da rainha D.Philippà, mulhef 
de«D.(João I, loi repo8teiro<»máir> Femaoijh 
pes de Avreu: da rainha D. Leonor, filha de 
D. Fernando I d'Ara(|[ao e ranlher^do nosso 
rei.D Duarte, ft)i reposteiro roór, l^asco da 
Forneça: do intant^ D. Dui^rte, tinha sidf 
nposteiro^^mér, Diogo Fèmandeê d'Alnleiée^ 
^ue continuou ho mesoao emprego, dépoik 

, 1 Mas, no eodidlo de D. 8an«ho I, feito 
ém 1181, e que se acha no^rtorio da S^de 
Viseu, se lé^Tetum ret>osiliim, tem pSmus^ 
qí/kmí ooím argêntea, ei scudeUas^ et cuHemeí 
0t' quid én Reposilo eeh etc— íO que nancfe 
demonstrar ^oe ]á entao httia r«púbt<iro^ 
vislo Q^ehat&a riposltb. « *> ! * .It» 



REQ 

de D. Duarte ser a€clama4o rei; do infinte 
D. Fernando, irmão de D. Duarte, foi repoa- 
lelro mílír, Fernão R<Mrif/ttes: . 



Entre os monges também havia o offieio 
de repoéteiró\ que vinha a^ser o mesmo que 
taestiaruK 

, Segundo o Cod. Alf., livro 2.% tit 43, a 
reposteiro vinha a sef- o meçmo que thès&U' 
reira, 

REPRtZA—freguezia, Aletntejo, comarca 
e concelho de Monte-Mór-Novo (foi da mes* 
ma comarca, mas do concelho d^ArráiÒIos)^ 
30kilometros.d*Evora, 90 ao S.E: de Lisboa. 

Tem 80 fogos. 

Em i757, tinha 90 Ibgbs. 

Orago Nossa Senhora da Purificação (vul- 
go das Candeias). 

Arcebispado e districto adiúinistrati^o d» 
Évora. 

O rei; pelo tribunal da meéa da cohscien* 
cia e ordens, apresentava o prior, que tinlui 
de rendimento, 540 alqueires de ttí^.'ito 
de cevada, e lOííOeO réis em dinheiro, . 

É terra fértil, sob^is tndd'eih cereáes. . 

REPfeEZA (quinta da)-^Aleffit^; nà^^iTre- 
guezia de Oríóla. Vide G.*" volume, pag:2Í% 

col.1* 

ItBPROCHAE— portilgu^ antigo ^-í^pfe- 
hender, censurar; ctítícai", etc^-É galiicis* 
mo, que, apezar de*tao escudado, foi muito 
usado em Portugal, n'outfo tempo. Ainda 
hoje hk eserifitores aíkuncezados que' em* 
Ipregam este verbo inutílissímOv 

REQUCÃO, ou REQUIiO— freguesia, Mi- 
nho, comarca e concelho de Yilla Nova de 
FiMatíeib, ;ia kik>metfOB.'ao O. defirap» 
310 ao N. de Li|R)oa. 

tem 300 fogos. * , 

Bm 1757, Unha «93 fogos. 

Oragd, S. SilveOm, papa^ > > 

Areebi^ado e df siricto administrativo de 

Braga. ' ' : . • . ^ 

A .paiurfi primacial, siprfsieptava. o reilor» 

que linh» SliQ^QOO réisídeireodiítteDte. 
fista fregnezia peilchc^u ao aà(ígo']uTga«> 
'deVermuim, dò quí^l er^i cabeça' Yilla 
ova de F%9^icâo. ,. 

Diz-se que o nomed^eátakifegmBiapro» 



t 



REQ 

yém do sabstantivo lalinq requie^ deseanço: 
será. * 

■ 

A siiua^ desu fr^guezla ó aprazível, e 
o s«a terreao ó maito fértil. Cria mnito gí^ 
ào, de toda & qualidade. 

Tinha am moiteiro, da frades csnulos^lkiii- 
dado 40 secolo xii« peloa templários» e qae» 
em 1319, passou para os eniiioa. ^ , 

Em-frept0 d'e8(a fregoezia fica outro mos- 
teiro« também de cruzios, da fiindaçao mui- 
to antiga (I09ô) na freguezia de bandftm<an- 
tigamento Nanâitn) do mesoio coneeibo. Vi- 
de Lapdfm ^Nam^m. .. . . v 

£m 1418, o arcebispo de Braga« D. Fer- 
iia|Ml(» da Çuerra. eonyeiiea.o.m^teira de 
Reá|uiâo en» egreja aecular^ ppir l^reve. 4o pa- 
pa Martinho Y^. t 
. $ Q'estA freguezia a casa de Ninles, e »*el- 
la nasceu, em I78S, D. JoâQ da Assompfiao 
Carneiro^ ultimo geral -dos ooueges regran- 
tes, da: CQngre^çao de Santo AgoetinbOb # 
Sama Crua de Coimbra. > 

Fialleceu. na si\a ça^ de Ninaes, efi i^.de 
janeiro á^i^W com 90 annoi de edacto* 

Foi em toda:a sua vidat um varão viirtwH 
sissimo. Tomou ordens de presbytero em 
i805y e foi por ix^z tríennio&reçionduzido no 
generalato da sua nobiiiisiiiia ordem. 

Decidido e exemplarissííúo legitimisia, foi 
de grande representação nòs reltiados dos 
srs. D. Joio VI, e D. Miguel I« 

Foi sepultado no log2^ mais disUncto do 
cemitério de Hequiâo^ no ^a 20 dó dito n^ez 

e anno. 

• • • 

1 É tradição que, quando se fundou o mos- 
teiroy^ostava e^te sitio deshafoit^o^ f qn; os 
frades, em vista» da sua amenidade, Ibe d6^- 
ram o noo^e de Requie et folgança^ que de- 
generou em Bequiào. Páde ser. 

* Ibs a fimedicf^na £iiMíta«i diaqúe, em 
1176, o mosteiro era de monges %^Aos. Tal- 
vez dos templários passass^ aòa bentos e de- 
pois aos cruzios. 

' Nâo^e conftmda eftta cata ée Nimieé, 
mm o paço dmNimõetj deqna adiante UIa. 
A pas^t fie l^inaes é4e abastados, e bonra^ 
dissimos lavradores, e nãe deÃialgos. O av{í 
de D. João da A.«sump9ão Carneiro, teve dots 
filhos— Manuel Carneiro, a quem deu aeasa 
4» RlboM; ^M é hoje de áenflèbo, o ali Ma- 
themâinieÉro^-^ Jateaio jGarUei^o ({pae âè 
D. J<»io) ao qual deu a casa de Níaaes» què 
é a mais importante e rica do logUiu « , 



BEJQ 



143 



Os pobr^, de quem era a Providencia, 
muitos annos chorarão a,sa|i morieu 

- • • . ê 

. ' É dá casa de Bragança. 



»i «í» 



«Ha n*«8ta freguezia a emida de Nossa 
Senhora àh^Pêárm UUaí (pedra que causa 
leite!) 

É um bom templo, com alpendre e sa- 
ehristia; a tão aBllgar|'qQe sevão sabe quem 
^1 e-seu fondailor» 

Os povos d'eslM síliof teem grande devo- 
çãoicom esta Senhora, « lhe faaem uma gran- 
de festa' a Ift de agosto (dia de Nossa Senho- 
ra taa^Nflve^, ipie é serapvemuito concor* 
rida. i 

AntigaDente, em todos os domingos e dias 
santificados hia o povo á eapella reiar o ter- 
ço; :e era eátão a Senhora visitada por dmú- 
tas roÉiagens, não s6 doe hahiuntea d'estaa 
sitiosy mas até dos povos distantes.' 

. Junto ájennida ha aigons figaoleacot car- 
valhos, que se joJgaaittiiaianligos covo a 
eapeUa^ r . 

Também janto á eratida (à esquerda de 
quem entra) está um grande penedo, «001 
«mas eortidoras, qne servem de escadas, 
abertas n*el]e; Ao sen .cume sobem as nu* 
Iheres que teem falta de leil«» e, depois de 
reiuevi uma ilvt María^ beijam a pedra, 
crendo inke, fatendo istoi Uns acode o leite. 

Foi este penedo que. deu o tiCiilo â^te- 
nhonu 



]i*esta fregsezia aeasa áoPaçâde 
Ninou (ao (|Qal José Aveilino d' Almeida^ no 
seaiMocMittim ateMedo('por«nganp/«dé o 
nome de i^ de Mnm). 

Esta nobre casa deu assumpto ao sr. Ca- 
milio €aattllò-Brane5, paraoáêuibctHosis- 
ainsoi minanee^ que iatini^ou— o suwon so 

»A^ nn BOI AKS* . * 1 

Sflgnndo b padra Cianvalho. (Gkçrop-ofkUiL 
PorlMpsnui; pag« 397) & oaei do Pa«& de NL- 
Bãis, loÉ fendáda po» oot jUU Aiffoneo Eer- 
naUdee de ]lQ9hes,(easteihano,* senhor. do 
castello de Novaes, em terra de Queir-c^ 
■asliospanha. 

í^^per-eata eircomatancia qpie algans es- 



144 



REQ 



erfptores se teem enganado, chamando ao Pa- 
ço de Ninães, Paço de Nofaes. 

Novaes, é uma antiga fte* 
guezia doeste mesmo concelho, 
de que eram donatárias as frei- 
ras de Santa Clara (francisca- 
nas) de Vilia do Conde, 8 qae 
h€je eatá unida á de Raivàes. 
Talvez que esta freguesia, 
tomasse o nome, do tal Aflòn- 
80 Fernandes, e que este ou 
iens descendeatea fossem se- 
nhores á» ^ue depois foi das 
referidas freiras; mas é mais 
provável que o appeilido per- 
tença a oulpps Novaes, qae o 
tomassem d'esta freguesia. 
Diz o mesmo padre Carvalho, que o Paço 
4e>Ninaes, é d solar dos Pimeuteis, em Por- 
tugal; maá nos manuaoriptas da sasa Pai- 
aiisiia# dà-ae-lbe umft origem muito diversa. 
Vide no !.• voL, pag. 3a&,«ol. 2.» 
.Aluda ha poueo8<amioi se viam renas do 
Aohce paço de Ninàes. Era um ianço.de pa- 
rede que denotava muita antiguidade^ oom 
suas seteiras e jafteUas ogivaes. Hoje já nada 
id*isto «xiste. 

, . Ficada o paço de Nináes perto da actual 
4asa dos srs. Carneiras, de Ninãea. 

d que foi da Camila do paço de Ninaes (ou 
,ptio menos,, o terreno em que lot oi^aço) é 
.hqí# do sr. Fraacised Ignaeio d'Aguiar Pi- 
Jiiema .Carneiro, da casa 4a Verél» (vulgo 
Bréia) na freguezia de Vermuim. 

O antigo paço de Ninàes, pertence, ha 
muitos annos, á familia do sr. Pimenta Gar- 
neijo; mas, nem eUe meoao sahe porque ti- 
tuto, pois que um 4Meiidio lhe dompou 
^asi todos os titoles dft sua easa. 

BB0U£2LO (quintas de) -*e T&rrê âe Vatt 
€mic0lto$f Minho, prwcimo à 7illii>4^AmM«B, 
no districto dá freguesia do Fen«iras«*Ê o 
mais antigo morgado que a nobilisilnia fa- 
milia Yasconeelios possuiu em Portwfal. 

Ho 3.* «ol., paf * IM; eoL i.% no to, e 
laguiKle, falíei na T6rre de Yaseoueallor: 
aqui serei mais exptieitOi 

Também tenho d*aqni rectificar vm erro 
em que teeaa eahido muitos oseriploreai e 



BEQ 

no qual eu também por culpa d*ene8, cahí^ 

é dizerem que Martim Moniz era filho do 
D. Egas Moniz (4.<' vd., pag: 394, Col.S.^)— 

o que nio ó verdade, pois apenas é da mes- 
ma familia, como adlatite veremos. 

Da Torre de Vasconceilos, apenas existem 
algumas paredes desmanteladas, e das ^ufii- 
tas de ReqnêBo, até o nome se perdeu, e sup- 
põe«se que eram próximo ao terreno hoje 
chamado as minas, 

A maior pane do que constitnta o mor- 
gado dos Vasconceilos, n'esta fir^guezià, per- 
tence actualmente aos srs. condes da Figuei- 
ra, por herança dos Machados. 

Muito perto doestas minas, e ao N. E. d'ei- 
las, exi:»te a capella de Santa Lulta, áé cens* 
trucção antiquitôima, e que se StappSe ler 
pertencido A familia Vasconceilos, e fazer 
parle da quinu da Torre. Hoje é publloa. 
• Segundo a tradição, em uma noite, vés- 
pera de Naial, se juntaram na referida quin- 
ta, trez irmãos, da familia Vaseoncellas, e 
todos três bispos, que então sagraram a ca*. 
pella. É c«>no que sobre a porta, em uina 

lapide, se lé esta insferipçao': 

> j 

SSTA GAI>ELLA HB SAO* 
. BâOA B' VOOMOA VBS RB- i. 

BDIF^D^ TEM RBLIOUl* 
AS|^ MO ALTAR» 9 INDULO.* 

Vamos ao Martim Moniz. 

^os Retratos e elogios dos varões e donas^ 
se lé o que aqoi*digo em resumo. (Nâo cito as 
paginas, porque o livro n3o tem numeração.) 

1147 
D. Martim Moniz, cavalleiro fiobiHssitto, 
foi fiího i.\ de D. Mohsinho Ozorio de Ca- 
breira, e Ribeira, conde d^est^s, terras, e do 
A. Marí& Nmms, filha de D. Nuno Soares, 
(úndadoí^ do mosteiro de Gtfjfi, ' 
^ Era neto do conde D Ozorio de Cabreira 
o Ribeira ^ qne^ veiu para Portugal com o 
*eeiiáe*D. Hettriqo6,.o ao qual senriu, nas 
nerras do seu tempo. Teve o ses áornid- 
M na comar^ de Vianna e foi casado com 

^ Bato ooBds D. Osoria ora filho do io* 
tmto O. Vollosc^ qae ora filho iueottCuooo^o 
D. Ramiro 3.* do Loao, odosua innS,D. Er- 
meneziíida. . 



REQ 

D. Rafa Moniz, filha de D. Moosiotio Fer^ 
sandes de Tonro, e neto do rei D. Fernan^ 
do, pae de D. ÁíTonso o ô."" (ao qual cha- 
marana iinperador). 

D. Martim Moniz^ obrou prodígios de va* 
lor na mempravel baialha de Campo dOnri* 
que, em 2i5 de jniho de 4139. 

Algum dof nossos historiadores o confun" 
àem com outro D, Martim Moniz^ filho do 
grafai D. Egas Moniz; mas adtitta-se guf. 
€SÍ0 eommatídava a ala direita do exereUo^ 
com 2:000 infantes e 200 ginetes, na bata- 
tha d^Qurique^ e ^'eUa morreu. Além d'isso^ 
os da sua familia tomaram os appellidos de 
Coelhos e Viegas, que depois mudaram'em 
Athaides;. e o nosso D. Martim Moniz^ veiu 
á tomada de Lisboa, oito antros depois, e os 
uuê descendentes tomaram o appeltido de 
Vasconcellos. 

Foi caaado com D. Theresa Affonso, Qiha 
bastarda do rei D. AíTooso de Leão. O filho 
primogénito de D. Martim Moniz e de D. 
Thereza Afibnso, foi D. . Pedro Martim da 
Torre, rico-hom^m. Cbamon-se da Torre por 
ser senhor da Torre de YasconceUos, solar 
dVsta familia, e das quintas de Bequeão, cAm- 
12 casaes^ ^ne eram honras de sua familia. 

D. Ptdro MartiRs, casoa com D. Thereza 
Soares da Silva, Olha de D. Soeiro Pires Es- 
cacha da Sitva, < e de D. Froila Viegas, dos 
quaes nasceu D. João Pires* o. primeiro que 
se appeilidou de Vasconcellos, por ser ae- 
Bhor da Torre d'este nome, no reinado de 
D. AOonso 3.» 

Todoa sabem que o noíso D. Martim Mo* 

nir» atravessando-se na porta do K do eas- 

tello de Lisboa (a que fica para o lado do 

conyento da Graça) franqueou a entrada aos 

portugnezes, ccmo fica dito no logar citado 
do i.° volume. 

D. AfTonso Henriques, em memoria d'eate 
acto de coragem e abnegação, lhe mandou 
eollocar o busto sobre a dita porta. Por bai- 
xo do busto se gravou, d*alJi a 500 annps, 
a seguiute inscripção : 

1 Sapponho que foi este fidalgo que úén- 
o Bome á freguezia de Souropires^ fieira 
Baixa, cQ^iarca e concelho de Pmhel. 



REQ 



145 



.BL-BKI nÕ ArFOMSO HEMBIQUES 
MAMXjU aqui COLOCAR EbTA 

STATLA E Cabeça de pedba, em 

MEMORIA DA GLORIOSA MORTE 

QUE DÒ MARTI MUMZ,' 

PROGENITOR DA FAMlUA DOS 

VASCO^X£LLOS, RECEBEU JUtSTA PORTA 

QUANDO, ATRAVfcSSANDO-SE N'ELA 

FRANQUEOU AOS SEUS A ENTRADA, 

COM QUE SB GANHOU AOS MOUROS 

SSTA CIDADE, KO ANNO DB li47 



JOÃO BOIZ DB VASCONCELLOS E SOUZA, 

CONDE DB CASlELftlELHOB, SEU 

DECIl^M) QUARTO ^ETO FOR BARONIA, 

FEZ AQUI PÔR ESTA INSCRIPÇÃO, 

MO AKNp DK 1646. 

Tudo quanto os Vasconcellos tinham em 
Amares, passou depois á corôa^ e D. loão 
l.« o vendeu a Pedro Machado, que ficou sen* 
do senhor dAma^s. 

Este Pedro Machado é progenitor do ^r. 
conde da Figueira, e é por isso que elle é o 
actual senhor da desmantelada Torre de Vas^ 
concellos, e de tudo mais que pertence a esta 
familia, em Amares. 

REQUEIXADA— portugpez antigo— aea* 
nhada» .estreita, opprimida. Também signífi* 
cava deserta, despovoada. Dizem, que a ter: 
ra do dito logo (logar) he reqtieixada par 
tal guiza, que non ha hi homee, que aia (le- 
nha) terra que avonde huma junta de hoi» 

a lavrar A minha terra fica por esta 

rrazom mays requeixada para os meos fo* 
ros e direitos, (Dec. da camará secular de 
Lamego, de 1351) 

Ainda boje ha varias propriedades com o* 
nome de Requeixadas, que lhe provem de 
terem sido antigamente em sitio despo- 
voado. 

REQUEIXADA (quinta da)— Extrema du- 
ra, freguesia da Triana, em Alemquer. Esla 
quinta e a do Contador, formavam um vin«» 
culo, que- em 1707 eia administrado por 
D. Thomaz de Nápoles Noronha e Veiga, 
descendente de Es^tefano de Nápoles, filha 
do infante da Hungria e príncipe da Moréa, 
e «neto de Carlos II, rei de Nápoles, Hun* 
gria e Jerusalém. O repr sentante d'esta no- 
bre familia^ ó actualmente o sr. D. Tbomaa 
de Nápoles^ feito I.* visconde d*Aiemquer, 



146 



REQ 



em li de deiíèmbro de 1873. É filho do sr. 
Manoel Joaquim d'Âlm6ida, feflo !.* barlo 
d'Âlemqaeh em 3 de jalho de 1862. O sr. 
D. Thomac herdoa estas qniaUs, por parte 
de saa oVãe. - 

REQOEIXARl A— pòrtaguez antigo— o qae 
pertence aos qa^ijos é lacticínios (porque 
os nossos SiYòsáhhm queixo eDQtez dégu^- 
ja.) — fíomeens* de todólos (^fficiòs, asy como 
da montearia, copa, reposte, requeixaria, 
erquUaria, e de forno, etc. (Livro Vermelho 
do rei D. AÍToilso V, n.* 34.) 

REQUEaO — portuguaz antigo -- ainda 
muito usado nas provincíaB do norte.— Si- 
gnifica, acanhado, còthprimido, oppfesso, 
constrangido, etc— Também significa de- 
serto, despovoado ^Terra de requeixo (ter- 
i^a deserta.) 

REQUEIXO— fregttezia (foi Víllk), Dottro, 
concselho, comarca, distrifto a4nrioi8ti*attvOJ 
bispado, é 15 kifometnos ^ E.S.E, de Avei- 
ro, 45 ao N.O. de Coimbra (a cujo bispado- 
pertenceu), f4S ao N. de Lisboa/ 966 fô- 
goá: 



n 



Em 1757, tinha 624 fogos. 

Orago S. Magio (S. Paio).'* 
^ A cisa de Bragança, a quem esta fregue- 
sia pertí^Bce, apresentava o |)rior, que tinha 
8W|(O0O réis de rehidimento. 

D. Manoel lhe deu foral è a fét vOla, em 
Lfiboa, a 2 de Jiíhho de 1516. {livro de fo- 
raes novos da Extremadura, foi. 220,'col. 

1>) 

Veja-se a infnuta para este Ibral, na gav. 
20, maço 12, n.» i2. • - • 

Esta minuta pertence também ao foral da 
vHfa d*Eixo. 

Para a sua etymologfa, vide Bequeixaãà 
e o Bequeixo antecedente. 

€hamava-8d' antigamente A^^tmiro é!« Bí- 
ba Vouga, e pertencia ao concelho d*Eixo, 
Que foi supprtmido. " ' *' 

Está esta fregliezia situada junto á mar- 
gem esquerda do 'Rip Águeda, e o seu ter- 
reno é muito fértil' efn todos os géneros 
agricohs dd nosso 'et!ma;toí9avia jâibinnifs 
povoada, como vem^ no principio Vfeste 
artigo; provavelmente i^jeMima potica salu- 
bridade. ^^, 

O mamei tíiBmvíáo Pateira de Fermentei^ 



REQ 

tos (que teni i kilbmetros de comprido por 
1 de 'largo) posto estar quasi todo na fre- 
guezia de Fermentéllos, banha também, cm 
parte, as freguezias do Espintiel, Óis da Ri* 
beira, e esta de' Requeixo. 

Estes terrenos são em gratide parte iiiva- 
didos pelas aguas da ribeira Gértima (ou . 
Gértoma) que os atravessa, formando uma 
iofinidade dé ilhotas no Pml do Paáno, sob 
as quaes, e apenas coberta por unia delga- 
da capa do terra, existe uiúa vasta turfeira, ^ 
reduzida a vaza. 

Ainda nos si tios mais enchutòs^ trenie o 
cfiâ6fcomo'attritodospés. ' '^ 

Em difTerentes logares ha poços cavados 
pela natureza, e dô grande profuodidade. 

Diz-se que ha aqui galerias e cavernas 
subterrâneas, occupadas pelas aguas esta- 
gnadas. 

Estes terrenos ' podem comparar-se aos 
bogs, que éstanceiam entre Carudiilla e Bal- 
iinderry, na Irianda. . ' ' 

Uma pàrte do 'pântano, produz arroz^ o 
resto apenas produz umà infinidade de piau- . 
ta)s aquáticas, que o povo aproveita para 
adubo das terras. 

Tem sido poir varias vezes lembrado o en- 
xugamentó doeste mamei, ou'Ípor úim bom ' 
systema de drainagem, oú construindo um 
canal que cokhmtibicàsse à lagbá com a riá 
d*Àveíro, e que teria uns 85 kiloínetros dé 
extensão; mas as despezas doestas obras fo- 
ram calculadas em um milhão de crtisados, 
e o plano ficou no papel. 

Este melhoramento, tomando melhores as 
condições de Salubridade, dariam utn juro 
vantajoso pelo eapitale^pregado.pois trans- 
formariam em béllos e férteis campos^ o 
que hoje sfto terrenos doentios e quasi im- 
productivoft. 



O logar de ' Requeixo, sede dá fl-eguezia, 
tem 116 fogos. 

Foi couto, que, coin o d*G!ixo, foi doado 

' por D. Pedro, conde de Barcellos, (o auctor 

do ÍÀvro das linhagens) flltío bastardo do 

rei D. Diniz, ao mosteiro de Santo Thyrso. 

{Ben. ímsU.^ ediçio de 1644, tom. S.% pag. 

38,8«.*) 
O togar de Requeixo e todas ás mais ter- 



HEQ 

ras do antigotermo d*Eixo, são reguengas^ 
e â'ellas foram donatários os coDdes de 
BaroelIoSy e é por isso que vieram á easa de 
Bragança. 

. Á egreja parochial é boa, porém mat si- 
tnada, porque fica próxima á pateira de 
Fermentellos, e isolada dá povoação, que 
fugiu d*aqnelle logar, pela sua iosalobrída* 
de, vindo, em 1774, a formar a povoação de 
S. Paio. 

Tanto a estatua de S. Paio, que está no 
froDtispicio da egreja, como algumas das 
imagens de santos que eatap no seu inte- 
rior, revelam muita antiguidade, pelo tosco 
da sua escuiptura. 

É a freguezia abundante de peixe, do rio 
Agueds, e do mar. 

Ka pateira também se pesca algum peixe, 
e enguias monstruosas. 

São óptimas as laranjas de Requeixo, 
sobretudo as do Carregal e Mamodeiro. 

Na ultima divisão judicial (Lei de 16 de 
abril de 1875) ficou Requeixo sendo sóde 
do jbizo ordinário, composto das freguesias 
de Êíxo, Eiró], Oliveirinlia, Palhaço^ Nariz 
e Requeixo. 

N'esta divisão attendeu-se mais a influen- 
cias de campanário, do que á commodidade 
dos povos. 

Notemos uma coincidência — o rio Féve* 
TOS, do Minho (vol. 3.% pag. 181, col. 1.*) 
passa pela povoação de Requeixo, que foi 
tilla (casa de campo) e. o Requeixo de que 
aqui trato, está na margem do Cértima^ 
que antigamente se chamava também Fé- 
veros. Aioda ha outro ribeiro com o nome 
de Fé veros, que divide a freguesia de Avio- 
tes da de Oliveira do Douro, no concelho de 
Gaia. (S/" vol., pag. 180, col. 2.> no fim.) 

Parece me que Féverosvem doportuguez 
antigo febre^ que significava fraco. Nas cor- 
tes do Porto, de 1373, convocadas por D. 
Fernando I, se diz— £? par a moeda que era 
fèbre^ Ihis nom acrescentáramos nas tençaSy 
etc. Moeda febre,' queria dizer moeda fraca, 
que tinha liga, ou falta de peso legal 



No logar de Requeixo, ha uma capelfa, 
dedicada a Nossa Senhora da Purificação 



BEQ 



147 



(ou 4^ Candeias) da qual não pude obter 
informações. 

• * > 

Junto ao logar do Rêgo do Esphihelro, a 
3 kilometros deiR^queíxo, eltá' a ef mida d^ 
Nossa Sealiova dos Envendos, deniro dos 
limites áà freguezia dé* Requeixo, mas peir 
tence á egreja de S. Simão, de Oyan^ do 
eoncelho de Oliveira do Bairro, comarca da 
Anadia. (Eita freguezia de Oyan, foi uol, 
curato annexo à freguezia de Espinhei.) 

A ermida da Senhora ó antiquíssima, mas > 
não se sabe quauj^o nem por quem foi fan* 
dada. 

A lenda da Senhora dos Envendos é, 
muito extensa, direi aqui somente o prin- 
cipal. 

Appareceu em um sitio despovoado, en* 
tre uma monta de carvalhos, estando dois 
sinos ao pé da imagem da Virgem. Foi 
achada por uma menina que andava a guar- 
dar cabras. 

Ainda então não existia a freguezia de 
Oyan, que era uma aldeia da do Espi- 
nhei. 

A menioa deu parte do achado, e o pa- 
rotho do Espinhei foi bnscar a imagem pa- 
ra a sua egreja, em quanto Be lhe não con- 
struiu casa própria, no logar do appareci- 
mento, o que se levou logo a eífeito. 

Passados annos^ e como a ermida estava 
em terreno psntanoso, próximo á pateira 
de Fermentellos, lhe construíram uma nova 
eapella, no alto de um monte fronteiro: 

Feita a nova ermida, levaram a Senhora 
e os sinos, em um barco, para ella, mas, ao 
atravessarem a lagoa, foi o barco ao fundo» 
com a imagem e os sinos. 

Gomo a lagoa tem ponca altura, os tripu- 
lantes, tiraram a Senhora da agua, e depois 
de enchugai: esta, e entendendo qUe a Se* 
nhora queria s6 estar na sua antiga ermida, 
a tomaram á conduzir para ella; menos oa 
sinos, que não poderam tirar da lagoa ; os 
quaes ainda por miuitos annos depois, seour 
vitam tocar debaixo da agtia, em dia de S. 
João. 

Ainda há vestígios de alicerces da capella 
do monte. 

Esta capella (a nova) fica perto da quinta 



m 



REQ 



êú Morangal» na line|iiexia do EspifiheL (6.* 
vol.^ pag. 538, col. 1.*, no fim.) 

Qaando se coostruin a capella, era o siiio 
am deaeffto ídcqIio e um denso matag»! ; 
nas em volta 4a ermida se fofam coostmia- 
do casas de habiiaçao, e em poilfioa aonos» 
eauva creado o logar do Rêgo do Espinhei- 
fo» oom mais de 90 fogos. 

A lesta da Senhora, é a 8 de setembro, 
dia da sna Natividade. 

Ha também n*e6ta capella uma antiquis* 
sUna imagem (de pedra) de Nossa Senhora 
da$ Fiares (nome talvt-z tomado de Féveros, 
antigo nome do rio Génima, como fica 
4íio.) 

£m I68{S, cabia um raio mesmo por de- 
trás do retabolo, mas não causou outro pre- 
joko na capella, seaão faier um buraco no 
forro, no sitio por onde entrou. 

Em março de i876, deu-se n*eata fregue- 
sia uma coincidência notável, que refiro por 
a julgar digna de menção. 

Haviam aqni nascido duas creanças no 
mesmo mcz, e sendo baptisadas no met^mo 
dia, a ambae pozeram o nome de Roza. Fo- 
ram creset'ndo as doas moças, e ultima- 
mente no dia em que orna era atacada pela 
moléstia que alli grassa, oahiu a outra de 
cama á mesma hora. 

€omo o mal se lhes aggravasse, foram 
sacramentadas uma apoz outra, com diíTe- 
rença de poucas hora^; afinal morreram as 
infelizes Rosaa no mesmo dia e quabi á 
mesma hora. 

È natural d*esta villa, D. frei José da As 
9amp^)» missionário apostólico, do seminá- 
rio do Varatojo, nomeadoí^ bispo de Lamego 
«m Janeiro de 1833/ e confirmado em con- 
sistório de 23 de jáoho do mesmo anno, não 
chagando a receber as bailas, por causa da 
gwqrra civil d*esie tempo. 

Poucos mezes administrou p bispado, mas, 
durante (-lies, mostrou que era um prelado 
de grande illustração e muitas virtudes. 

Á aproximação das tropas liberaes Me 
Lamego, fugiu, levando todas as pratas dâ ' 
egreja, que depositou nas mãos de D. Maria 
Joeó Esteves, de Celorico da Beira, com exí- 
yiassa recommendaçio de só aa entregar a 



RER 

elle ou ao seu legitimo sucoessorno bif^fla* 
do; e com eífeito,r fallecendo D. frei José da 
Assumpção, e suocedeodo-lhe D. José do 
Moura Coutinho (Vide Telho) aquellasenho^ 
ra lhe entregou tudo, sem a minioui falta, 
em I8IÍ. 

O. frei José da Assumpção, falleceu nos 
arrabaldes de Lisboa, em 18 de outubro do 
i84!« 

Escreveu e publicou (sem nome de au<* 
ctor) as obras seguintes: 

Definsar da Beligiãày em 3 volumes. 

Palestras religiosas^ em 4 volnmea. 

Homilias, 2 volumes. 

Disputas, 6 volumes. 
. Catheeismo, i volume. 

Além de outros muitos escriptos de me* 
nos vulto, tudo sobre assumptos religio* 

SOS. 

REQUESTA — portuguez antigo -^ peleja, 
bQlhat refrega, desafio, contenda, etc— ^Vem 
do verbo r^giies^or, pelejar, etc 

Hoje tem a palavra requestar outra slgni*» 
ficação-r-quer dizer*— pretender, fazer dili- 
gencia por conseguir, namorar, etc. 

REQUEZENDE— aldeia. Douro, na fre* 
gnezla de Ramflde, ooocelho de Bouças, 
comarca do Porto. 

É uma bonita povoação, nos subúrbios do 
Porto. 

Ha n*esta aldeia uma formosa capella, de« 
dieada a Nossa Senhora do Porto, á qual se 
faz uma concorridissima festa, a 15 de 
agosto de cada anno, vindo romeiros, não 
só dos arredores^ mas até, em grande nii«' 
mero, da cidade do Porto. 

Reqneztnde, é corrupção de Requezendo^ 
nome próprio d*homem (godo) ou — e é o 
mais provável— de Requezendes, patronimi* 
CO de R^quezendo. 

REQUISIR-^portuguez antigo— rogar, pe*^ 
dir, suppllear, etc 

RÊRIZ-- villa, Beira Alta, comarca, con- 
celho e 6 kilometros a S.O. de Castro Dairo 
(foi até 1834, cabeça de concelho, e sendo 
então supprímido, passou a formar parte do 
concelho do Sul. Sendo este supprimído em 
1855, passou para o de Castro Daire) 30 
kilometros ao N.O. de Viseu, 310 ao N. de 
Lisboa, 345 fogos. 



RER 



BER 



149 



Em 1757, tínba i50 (bgos. 

Or^go S. liartMio, bispo^ 
' Bi^Mido 6 disirieto administratiTo de Vi- 
ses. 

A mitra apresentava o abbade, que tinba 
400i9000 réis de rendimento. 
. Foram donatários doesta fregaexia oe Cos- 
itú$ das treze arueUas, senhores de Recen- 
de, representados aciaalmente peio sr. eon- 
ée^e Resende. 

É povoação moiro antígs. D. Manoel I 
]be dea forai, em Lisboa, e foro de viila, a 
9 de maio de 1814. {Livro de faraes nwos 
da Beira, foi. 77, col. 2.*) 

A antiga vilia de Rérif, tinba em 1757, 
apenas 60 fogos, e o resto da fregaezia 90. 

-Está sttoada ao fundo de mn monte ás- 
pero, chamado Cabeçadas, ramo da serra do 
Gafanbão, que lhe fica próxima, ao norte. 

A rais d'este monte, passa o rio Paiva, que 
divide, aqui, o bispado de Viseu do de La- 
mego; e também aqui se destaca a serra de 
Monte Muro, na dhreeçâo de E. a O. 

No alto do monte, em um plató, está a an- 
tiquíssima ermida de Nossa Senhora de Rho- 
áes» Ao ítindo lhe flea a povoação de Rériz, 
enja egreja parochial está edificada em um 
leso, chamado serra do Ladavro & que cerre 
para o SL^ por espaço de S4 kUometros^ até 
á cordilheira de ii((:i)/^a— antigamente^A/- 
eiifttf. 

Mo alto pois da serra ou monte das Cabe- 
çadas, Aindou o celebre eremi^, Leovigii- 
do ^ Vlgildo) Pires de Almidra (ou d'At- 
meida) a capelia de Nossa Senhora de Rho- 
dee (a que alguns eseríptores, dão errada- 
mente o ttiulo de Nossa Senhora da Resa.) 

Não pe sabe com certeza o anno em que 
Leovigildo construiu á capelia, mas snppõe- 
•e, com bons fundamentos, que foi em 1140, 
pouco depois da gloriosa batalha de Ouri- 
que, em 25 de jnltio de 1139. 

capitão, Diogo RHDeiro Pinto d*Almei- 

1 YjMMto^ Yiortugnez antigo — significa-^ 
procissão, rogativa^ clamor, ^ladainhas, etc. 
— Deu-£e lhe çsie nome, porque anligameo- 
te vinham aqui os povos em prociasão, no 
mez de maio, fazerem os seus clamores, (ou 
en^amadéfuiroe, cerne então se dlaia^) 

VeLma vni 



da, na dewrfpção que publicou da origem 
d'esla capelia, dá a Leovigildo a seguinte as- 
cendência. 

(Note-se porem que este es-* 
criptor é suspeito, por ser Al« 
meida, e portanto pretender 
nobilitar o seu appeliido^ que 
aliás não precisa tão remota 
ascendência para ser nobilís- 
simo, pelas brilhantes acç5e8 
praticadas pelos que em todos 
os tempos o teem usado.) 
A família dos Almeidas, teve principio em 
Celocariúy capitão romano»|âlhodeLueio Ca- 
tilio Severo, (Lurio Caio Atílio) governador 
de Rraga e ouvidor da Biscaia pelos roma^ 
no9, e de Almidra Assenta. ^ 

Os descendentes de Celoeorio estabelece- 
ram*se em Toledo^ e d*elles procedia Epita- 
cio de Almeida ^ que, com seus irmãos, vie- 
rani para Portugal, em 570, fagidos às eruelr 
dades de Leovigildo, rei gado herege, e de 
Ariamiro seu tio, ' 

1 O que aqui vão de patranhas f — Aeeres- 
centou a Lúcio Caio Atílio, o appellido Se^ 
verOt que eile nunca teve. Era governador 
da Lusitânia e da-. Galiiza. Os romanos nun- 
ca tiveram ilbagistrados com a denominação 
de ouvidores, nem (qne os tivessem) Lúcio 
Caio o púdia ser da Biscaia, que fica na ex- 
tremidade opposta (septentrional) da Penín- 
sula. Soa mulher chamava-se Cakia Bruta, 
e não Almidra Assenta, nem semelhantes 
nomes são romanos (nem de outra nação,'qu6 
eu saiba.) 

Este Lueio Caio Atílio e sua mulher, Cal- 
da, são os pães das nove irmãs, santas de 
Braga. (VoL 1.». pag. 442, col. 2.*) 

O nome de Celoeorio parece* me tão ro- 
mano, como Almidra. 

2 Aqui encaixou o Almeida, que também 
nunca foi appellido romano : é o substapi- 
tivo árabe almeida, que significa mêza, O 
appellido Almeida, foi usado 9 ou 10 sécu- 
los depois, tomado da nossa praça de Almei- 
da, na Beira Baixa. 

3 Outra patranha l—Theodomiro, rei dos 
suevos, abjurou o arianismo em 564, e mais 
nenhum rei suevo ou godo tomou a ser he- 
rege. Ariamiro não era tio de Leovigildo, 
mas filho de Theodomiro e pae de Eburico, 
todos catholicos. Leovigildo, rei dos gèdo& 
só tomou conta do reino dos suevos em SáS 
(e não em 570> e não perseguiu os eatholir 
cos, porque também o era e muito; . 

10 



i50 



REH 



; Epitaeio d' Almeida, fúndofli juBlo ae rio 
Paiva, no bispado de Viseu, a quinta át Rb- 
bello, primeiro solar d*e8ta família, e que fica 
a meia légua de Bóriz, e n'ella viveu com 
seus irmãos. 

Este Epitaeio d* Almeida, casou com Leo- 
Tigilda, sobrinha de Leovigiido^ 15.« rei dos 
godos. 1 

Foi 4.» neto d'este Epitaeio, outro Epita- 
eio d* Almeida, que teve três Olhos, o pri- 
meiro dos qnaes se chamou Leovigildo Pi- 
res de Almeida. Este, tendo 20 para 25 an- 
osos, doou, por carta de testamento, ao se- 
gundo irmão, a quinta de Rebello, da qual 
o doado tomou o appfiiido. * 

Esta quinta é boje (1700) possuída, por 
Ghri^tovam d Almeida, de S. Pedro do Sul.' 

«Movido (Lieovígildo— palavras textuaes) 
de buns grandes desejos da virtude, voltan- 
do as costas ao mundo, desterrando- se de 
.sua pátria, e da companhia de seus irmãos, 
se foy, pelos annos de 179, * a viver solitá- 
rio em os campus de Ourique, junto a Cas- 
tro Verde, onde fazia uma dura e áspera pe- 
nitencia.» 

«Aqui viveu sessenta annos^ louvando a 

1 Então Leovigildo, herege (spgnndo o tal 
capitão) e perseguidor dos catholieos, deu a 
sobrinha em casamento a um dos seus per- 
seguido»? 

^ Também isto não é liquido. Nos manu- 
scriptOi« da livraria Palm**lla— quasi sempre 
exactistsimns — diz se •Rebêllo^ appellido no- 
bre em Portugal, ruja (amilia tem seu solar 
no couto de Rêbêlto {d*onde tomou o appelli- 
do) no concelho de rorjz, na provinda do 
Mif^^ comarca da cidade de Porto, {h a 
actual fregu»'zia de Roriz comarca e conce- 
lho de S»nto Thyrsto.) MaSf frei Manuel de 
Santo António, diz que, na freguezia de S. 
Martinho, no bispado de Viseu. O primeiro 
que usou d^e^^te appellido, foi Mem Rodri- 
gues, senhor do dito cauto, que o herétu de 
seu pae, Ruy Vasques, o qual tivia no rei- 
nado de D. Affonso HL Os R^bt^^ijus trazem 
por armas, em campo azul, três cuticas de 
ouro, em fasa, cada uma carregada de sua 
flor de liz, de púrpura, ficando todas tr^s 
em banda. Elmo de prara, aberto; e por tim- 
bre, uni Iftipardo d'oQro, armado de azul 
eoro uma flor de líz do escudo, na testa. 

* Adiante tratarei d*esta quinta, para não 
tnterrompHf a narrativa do tal capitão. 

* É manifesto erro typographieo. Deve 
lér-ae 1709. 



Ri» 

Deus, em santa contempla^ até ao tempo 
em que El-Rey D. AffMiM Henriques foy 
buscar ao Rey Ismario, e aoe outros quatro 
Reis Mouros, que o acompanhavão contra oe 
christãos.» 

Resumamos agora. 

Foi este santo eremitão que, na véspera 
da batalha, se dirigiu á tenda de D. AffonsD 
Henriques, animando-o e prometteodo-lhet 
victoria. Segundo a MonarcMa púrtuguata 
(parte 3.% Livro iO, eap. 2.«) foi Joio Fer- 
nandes de Sousa (fidalgo da eaaa de D. Af- 
fonso Henriques, descendente de D» Soeiro 
Beífaguer, tronco da illnstre casa de Sousa) 
o introduetor do eremitão, na tenda do prín- 
cipe. 

Vencida a batalha, regressou Leovigildo 
a Réríz, e fundou logo a casa da Senhora de 
Rhodes. 

Outros pretendem qoe Leo- 
vigildo não construiu de no- 
vo, mas reedificou a casa da 
Senhora, qne seu qulnie av6» 
o tal primeiro Epitamio de Al- 
meida, havia fundado eom o 
titulo de Nossa Senhora da Na- 
tividade. 

Querem alguns, que o titulo de Rhodes 
seja corrupção de Wioda, palavra persa, que 
significa jardim ou paraizo : outros porte 
dizem que é por ter a santa imagem vindo 
da ilha *de Rhodes, mandada pelos cavallei- 
ros de Rhodes, depois, chamados de Malta» 
uma das ordens militares creadas na Pales- 
tina, no piiocípio do século 12.% e ci^a sóde 
principal n*e8te reino era a viila do Cratoi 

N*esta ermida viveu Leovigildo trez aa- 
nos, morrendo aos 90, em cheiro de santi- 
dade, no dia 17 de julho de 1143. 

Foi sepultado junto á capella em frente 
do altar-mòr. 

Ainda aqui existe a irmandade de Nossa 
Senhora de Rhodes, por elle fundada. Pos- 
suo ella uma rica bandeira, tendo no centro 
um primoroso retrato de Leovigildo, attri- 
buido ao nosso Orão Vasco^ que alguns pre- 
tendem ser natural da aldeia de MosêêOp 
d'e8te concelho, o qne não é provável 

(Vide líoífiAat do Pintor.) 

Esta bandeira, que aeonpanha A sepiilti- 



R£R 

ra 09 irmãos defontos» tem de um lado a 
iaia0eiQ da Senhora, e do outro, a bataJha 
áe Oariqao, entre dois rios, flgurando o Co- 
Innes^ e o Terges. De orna parte estão os 
chrístlos, e da oatra, os cioco reis mouros. 
Mo centro Jesus Gbristo crucificado, e aos 
pés da cruz, D. Affonso Henriques, de joe- 
lhos. 

Da boca de Jesus Christo sae esta legen- 
j&SLi^Ego enim aeéUficaior, et dissipator Im- 
periorum, et Regnorum sum: Velo etUm in 
|#, etf in êemine tuo Imperium mhi stabili- 
ref ut deferatur nwnen meum in exteras gen- 
Uê: tí ut agnoscant Succe$8ore$ tm Daiorem 
Regni; et insigne tuum expretio guo ego nu- 
manum genusemi, et ex eo^ qmego à Judaeis 
emptui mm, eompones: et erit miM Begum 
^$anctificatum^ fide jmrum^ et pietate dilectum. 

Junto ao rei, vé-se o escudo das cinco 
Quinas, e a um lado o eremitão, fatiando a 
D. Affonso Henriques, da tenda^ entre som- 
bras. 

(Ou a bandeira é muito grande, ou as fi- 
guras e as letras são muito pequenas, para 
caber tudo isto I) 

Lúcio Catílio d* Almeida, 3.* irmão de Leo- 
vigildo^ foi um dos batalhadores de Ourique 
.(fá devia ser bem velbol) e consta que cor- 
tou a cabeça a Ismael, um dos reú mouros 
companheiros de Ismario. «Cortaria. 

Este Lúcio Catilio, teve quatro filhos: 

O I.* chamava-se Leovigildo, (ou Iliovi- 
gildo ou Vigitdo) d'Almeida— o S"" foi mon- 
ge de Cister, no mosteiro d* Alcobaça— o 3.* 
foi Rodrigo Pires d*Almeida, do qual pro- 
cedem nubilissimas familias— o 4.* foi Fer- 
não Alvares d*Ahneida, tronco dos Almei- 
das, maiquezes d*Abrantes. 

Do 3.* filho. Rodrigo Pires d*A]meida, nas- 
ceu Gonçalo Annes d*Almeida, e d'este, Es- 
levam Pires d*Almeida, que casou na fre- 
guesia do Gafanhão, na casa dos condes de 
PeneHa. 

Este Estevam Pires d' Almeida, reedificou 
segunda vez a ermida de Nossa Senhora de 
Rhodes. 

Dava-seuma singularidade n'esta ermida. 
A sua capella-mór estava dentro dos marcos 
da fregoezia do Gafanhão, e o corpo da egre- 
]•, lut de HériZy o que origiftoa divents oon- 



RER 



151 



tendas entre es respectivos abbades. Vieraii 
por fim a um accordo, assentando que aa 
offertas e mais direitos parochiaes fossem dl* 
vididos entre ambos. 

Eram elles que apresentavam o eremitão 
da capella^ e a pruvisão era assignada peloa 
dois. 

O templo é de boa fabrica, e a capella* 
mór tem seu arco cruseiro de pedra bem la- 
vrada. É vasto o corpo da egreja, tendo uma 
boa sachristia, e uma galiléou alpendre^ as- 
sente sobre columnas de cantaria lavrada» 

Em frente da porta travessa (que fica ao 
E.) está um carvalho giganteseo, e próximo, 
para o mesmo lado, uma boa fonte, con- 
struída de pedra de cantaria. 

As casas que eram residência do eremi- 
tão, ficam próximas á ermida. 

A imagem da Seahura, é de marmoro 
branco (pedra d^Ançan) de boa esculptura» 
com um metro de alto. 

É a Senhora de Rhodes objecto de graa* 
de devoção dos povos d*estes sitios, e lhe fa- 
zem varias romaria;! pelo decurso do anno« 

Teve uma rica irmandade, composta de 
200 irmãos, 75 irmãs e quantos clerigot 
n'ella quizessem entrar. • 

Tinham de sufTragios, trez officios, deno« 
ve lições, assistidos por nove clérigos, alem 
de outras rezas parti4'ulares. 

Cada anno se fazia um anoiversario, por 
todos os irmãos defuntos, no primeiro sab- 
bado da quaresma^ ao qual eram obrigados 
a assistir todos os irmãos, com suas ópas 
brancas, e com murças. Havia, para os ir- 
mãos, indulgência plenária, por bulias apos- 
tólicas. 

A festa principal da Senhora é no dia da 
sua Natividade (8 de setembro) havendo en- 
tão jubileu. 

Esta confraria era não só composta de ir- 
mãos das fregoezias dt^ Rériz e Gafanhão, 
mas também d<»s das fr^gOezias do Sal, & 
Martinho das Moutas, Pepim, e Alva, todas 
do bispado de Vis«^a ; »* de Castro Daire, Pi- 
nheiro, e Parada d*Esther, no bispado do 
Lamego. 

A procissão sa^" um anno da egreja de Riá- 
riz (a um kilometro da ermida) e no outro^ 
da egreja da aldeia de Grijó» freguezia da 



|52 



BER 



Gafanhao, a egual distancia tà ermida, para 
a parte do O. 

A egreja parochial de Rériz, foi edificada 
pelos Castros das treze araellas, senhores 
(hoje condes) de Rezende, os qnaes tinham 
a^ai uma antiqaissiáia casa, que hoje é fo- 
ireira á nobre família dos Pintos Ribeiros, 
eujos ascendentes eram da família do famo- 
so dr. João Pinto Ribeiro, o heroe de t640. 
(Vide 4.« vol., pag. 3! 7, col. í.% no fim.) 
Esta família reside na casa do Balcão, d'e8ta 
fregaezia. 

Ainda existe, mas muito desfigurada, a 
casa que foi dos Castros, e que conserva ain- 
da o nome de Paço, 

A capella de S. Sebastião, hoje publica, 
também' foi dos Castros, bem como um poço 
quB ha no rio Paiva, chamado o Pego da 
Dom. 

Pelos annos de i780, sendo abbade de Ré- 
líz o padre Agostinho, reformou a egreja 
matriz, á sua custa, e é o magestoso templo 
que hoje admiramos. 

Fica em uma eminência sobranceira á 
TQla. A capella-mór é oitavada e termina 
em um zimbório, que foi primeiramente de 
Tidro, mas depois foi coberto de chumbo, 
por causa dos temporaes. 

Tinha ainda em 1852 casa da camará^ ca- 
deia e pelourinho, como memoria da antiga 
autonomia do concelho de Rériz, mas os il- 
lustrados camaristas de então, não o enten- 
deram assim, e derribaram tudo f 

É também B'esta freguezia a ca.sa vincu- 
lar, denominada de S. José, da qual é actual 
proprietário, o sr. José Maria Bandeira Mon- 
teiro Subágua, ou Subaga, da Granja. 

O appellido Bandeira d'esta família, pro- 
cede de Gonçalo Pires Bandeira, o qual, na 
l)atalha de Toro, resgatou a bandeira portu- 
gaeza do poder dosjcastelhanos, arrancan- 
do-a das mãos do fidalgo hespanhol Sotto- 
Uaior. 

A distancia de um kllometro da villa de 
Bériz, está a nobilíssima casa do Testamento, 
de cuja família descendia o erèmitão Leo- 
Tigíldo Pires d'AImeida. 



RÉS 

Já á traz fica à sua genealogia. 

Esta casa é hoje de um descendente' de 
Rodrigo Pires d* Almeida, (3.* filho de Lueio 
Catilio, do qual jà fallei) que é o sr. Anto*- 
nio Maria d'Almeida Azevedo da Cunha e 
Yasconcellos, feito visconde de Rériz, em* 18 
de julho de 1866. 

Tem o sr. visconde a honra insigne de ser 
descendente do famoso Doarte d* Almeida— 
o Decepado— ^\feTes-mÒT de D. Affonso V, e 
um dos mais bravos guerreiros do seu tem- 
po, e o qual, na batalha de Toro (Hespanha) 
dada em maio de 1476, tendo-lhe os caste- 
lhanos cortado a mão direita, empunhou a 
bandeira com a esquerda, e sendo -lhe Utít- 
bem cortada esta, segurou a bandeira com 
os dentes; e d'aqui lhe veio a alcunha dò 
Decepado, (Vide Paços de VUharigues, 6.* 
vol., pag. 397, col. 2.s princípio.) 

A freguezia está situada em um valle, iia 
margem esquerda do Paiva, cercada por 
quatro montanhas escarpadas. Junto ft villa 
ha uma extensa veiga, cortada e regada pelo 
rio, que, correndo em quasi toda a parte 
precipitado por entre penedias, aqui corre 
plácido e sereno, fertilisando os campos, 
que produzem muitos cereaes, vinho, legu- 
mes e, sobretudo, grande abundância dé li- 
nho, que se exjíorta transformado em finas 
teias, e constituo um dos rendosos commer- 
cios da freguezia. 

Cria também muito gado, principalmente 
cabras e ovelhas, e os seus montes são abuo- 
dantissimos de caça. 

O rio fornece aos povos da freguezia ópti- 
mo peixe, sobretudo saborosíssimas trutas^ 
que são das melhores e maiores do paiz. 

As suas inguias também são excelientes, 
e tão grandes como lampreias. 

Ha n'esta freguezia vestígios de construe- 
ções árabes, e na serra das Almenáras, e 
em outras muitas partes, ainda se voem res* 
tos dos telegraphos de que usavam os antf* 
gos luzitanos. 

(Vide Almendra ó Facho.) 

Ha também minas de ferro, que se nio 
exploram. 

RESAIU, RECAIO e ABRESSAIO-^portll- 



gnez aotigo— Rocio. Quornodo vadit pelo re- 
saiu. (Doe. de Tarouca, de 1203. 

RESPONSO— portaguez antigo^resposta. 
Também diriam responsom, no mesnio sen- 
tido. 

RBSPONSOMT-porlugaez anUgo^toda a 
qnalidade de tributos, foros, pensões, etc„ 
que se pagavam ao rei ou aos direitos se- 
nhorios. 

RETEAR— portngoez antigo— encurralar, 
durlgar a recolher, fechar, etc. 

R£TO-—portuguez antigo— duello, desafio. 
Hoje dizemos repto. 

RETORTA—freguezia, Douro, concelho e 
comarca e i kilometro ao E.N.E de Yilia do 
Conde, 3 ao E.S.E. da Póvoa de Varzim, 25 
ao N. do Porto, 33o ao N. de Lisboa, 70 fo- 
gos. 

Em 1757, tioha 46 fogos. 

(Em loOO tinha apenas seis fogos 1) 

Orago> Santa Maria, e antigamente, Santa 
Marinha. 

Bispado edistricloadministratívodoPorto. 

O parocho (abbade) obtinha o beneficio 
por concurso synodai, e tioha 300í|lt00€^ réis 
de rendimento. 

Ainda que a freguesia é pequena em po- 
pulação, ó vasta em território. 

Está situada sobre a margem esquerda do 
rio Ave, que a separa da freguezia de Fro- 
mariz ^ que lhe fica ao N.^ separando tam- 
bém o bispado do Porto do arcebispado de 
Braga. 

A egreja matriz fica a poucos metros do 
rio, mettida entre arvoredos, na encosta de 
um monte, de pouca elevação. 

É pequena^ mas muito bonita e escrupu- 
losameote tratada. 

A primittiva egreja foi edificada em tem- 
pos de que não ha memoria, e também se 
não sabe com certeza quem foi o seu funda- 
dor. 

Dizem uns, que foi edificada por um san- 
to anachoréta; outros dizem, que, nos seus 
principies, era uma capella particular, per- 
tencente a D. Soeiro Mendes da Maia, rico- 

^ Fromariz (vulgo Formariz) ó corrupção 
de Frumarlgues, filho ou da família de Fru- 
mario. 



RGT 



1^3 



homem do conde D. Henrique, que tisdtík 

aqui o seu solar. 1 

D. Soeiro Mendes era pae do conde D. 
Mendo Soares, e este, pae de Soeiro Mendes^ 
o Bom; de D. Payo Mendes, arcebispo de 
Braga; e do grande Gronçalo Mendes da Maia, 
o Lidador^ rico^homem, e adiantado (o L* 
que teve este titulo, em Portugal) de D. Aí* 
foosp Henriques 

(Vido vol. 3.% pag. 347, col. l.", e 2.*-^ 
S.^" vol., pag. 36, col. 1.*, no priDClpio). 

O rei tinha feito fronteiro -mór do Alem* 
tejo (adiantado, como então se dizia) ao sea 
velho amigo e fiel companheiro, Gonçalo 
Mendes da Maia, inimigo implacável e vence* 
dor constante das hostes agarenas» que tre* 
miam só ao ouvir pronunciar o seu nomo. 

Em 4 d'abríl de 1170 ^ e próximo acida- 
do de Beja, encontrou-se o Lidador com o 



1 Terá a freguezia da Retorta a honra de 
ser a pátria do ínclito guerreiro, Gonçalo 
Mendes Maia, o Udadorf Ê verdade que isto 
só consta da tradição (que eu saiba) mas^ 
na falta de outros documentos, tem ella gran- 
de valia 

Todos os escriptores dizem que elle era 
natural da Maia ((t*onde tomou o appelfido). 

A Terra da Maia comprehendia antiga- 
mente 44 freguezias, que formavam uma 
extensa comarca, que durou ató 1834, e a 
freguezia da Retorta, e as circumvisinba% 
eram da comarca e Terra da Maia. 

Como os escriptores dizem apenas que o 
lÃdador era da Maia, sem declararem do 
qual das 44 freguezias d'esta antiga círcum- 
scripção, pôde muito bom ser dVsta. Mas o 
solar do Lidador era na freguezia de Gui- 
Ibabreu (que também foi comarca da Mala^ 
è hoje o é da de Villa do Conde.) 

Guilhabreu fica a uns 10 kilometros ao 
S.E. da Retorta. 

Podia muito bem 'ser o Lidador natural 
da Retorta, onde seu avô tinha o paço, o o 
solar d'etle (Lidador) ser em Guilhabreu. 

Dizem uns que Guilhabreu ó corrupção do 
Gil Abreu, outros pretendem que seja do 
Guy de Abreu, 

2 No logar citado, do H.^ vol, disse eii 
(guiado pelo que diz o sr. Pinheiro Chagai, 
nos seus Portuguezes Illustres, pag. 8) quo 
foi em 1169. O sr. J. L. Carreira ae Mello, 
na sua Historia CUronologica, pag. 73, diz 
que foi em 1185. Escolho o meio termo, o 
sigo o Anru histórico— iomo L% pag. 429^ 
que marca o anno 1170. 



154 



RET 



KBT 



rei mouro Al-Boleimar * e, posto que os por- 
IQgueies fossem em numero muito mais in- 
ferior, offereceratn bizarramente bataltia aos 
mouros. Durou esta muitas horas, mas os 
portuguezes sairatti victuriosos, ficando mor- 
to no campo, Al-Boleimar, e grande numero 
fios seus guerreiros. 

Mal o lidador havia embainhado a espada, 
foi aecommettido por Al Boacem, rei de 
Tanger ^ que vinha em soccorro de Ai-Bo- 
leimar. 

Foi casado com D. Leonor Viegas, filha 
do famosíssimo Egas Moniz, e deixou des 
eendencia, da qual procedem nobHissimas 
fkmilias portuguezas e hesfanholas. 

Tudo o mais que diz respeito a D. Soeiro 
Mendes (o velho) e a seus descendentes, 
Tae, em resumo, no logar citado do 6.* vo- 
lume. 

Se a egreja foi capella d'esta família^ é 
provável que o seu paço fosse onde hoje ó 
t residência parochial 

Mo se sabe como depois passou este se- 
nhorio para as religiosas beoedictinas do 
mosteiro da Ave Maria, do Porto. 

Como a egreja antiga era muito pequena, 
«ml742 (segando consta de uma inscripção 



1 Segundo diz o conde D. Pedro, este Al- 
Boleimar, era um d«»s homens de mais for- 
ças do seu tempo, coriaudo facilmente, com 
os seus pesados golpes^ as mais fortes arma- 
duras. 

• Tinha vindo a Portugal, assegurar a vil- 
la de Mértola, de que era senhor, e com a 
qual se havia levantadu um seu emir, ou al- 
caide. 

A batalha foi terrível; os portuguezes, 
apesar de extenuados do primeiro combate, 
ganharam novas forçai, em vista do perigo. 
e à voz do seu intrépido chefe, arreme- 

S ando- se íúriosamentt* contra os mouros, os 
errotaram, escapando poucos, e entre elles 
Al-Boacem, que deveram a salvação á velo- 
cidade dos seus cavallos. 

Mas esta victoria custou cara aos portu- 
guezes! 

Crpnçalo Mendes da Maia, morreu no fim 
d*elia, coberto de feridas, e na edade de 95 
amos. 

(Se frei Francisco de Santa Maria não er- 
rou a data, o que qua.*>i nunca lhe aconte- 
ceu, nascera o Lidador, em 1075). 



que está sobre a porta travessa) fbl reedifi^ 

cada e ampliada. 
Tinha na frente um alpendre, que eotâo 

se demoliu, occupando o eorpo da egreja o 

logar que elie oceupava« 

Sobre a verga (ou padiei#a) da porta da 

saehristia, lé-se a seguinte iascrípção: 

o A BB. ANOBE DÂBÂUIO SILVA 

MANDOU FAZBB AS ACBBISTIA HA ^ 

EBA DE 1672 GOlf HUA MISA GAD- 

A MBS B HUA AMENTAJL TODOS O* 

S DOMINGOS POB SUA ALMA B 

FICA O CAMPO DE TOCGUES ^ 

DIZIMO A DEOS LINRABES. ^ 

Logo abaixo da egreja, estão as azenhas 
da Retorta, que rendem 1:200 alqueires ú$ 
milho por anno. 

Eram antiga^mente pertença da egreja^ e 
foram depois as que deram o titulo aoba* 
rão da Retorta, do qual adiante tratareL . 

Hoje são propriedade da Companhia ín- 
dustriai agrícola portuense, * 

Diz-se que o nome de Retorta,vem a est^ 
freguezia de duas grandes voltas que íaz 
aqui o rio Ave. 

Uns 6 ou 700 metros ao O. da egreja, é ^ 
estação do cammbo de ferro do Porto á Po- 
voa de Varzim e Yilla Nova de Famalicão 



1 Queria dizer a sachristia, na. 

2 Tougues, é uma freguezia próxima, è 
do mesmo concelho. 

' Não entendo. Supponho que queria di- 
zer que o campo em Tougues se chamavfi 
dos Linhares ; mas na escriptura de com- 
pra, diz-se Linhaes, 

O abbade da Retorta, André d' Araújo 6 
Silva, comprou em li de janeiro de 1664, a 
Maria Jorge, a Polia, solteira^ por t^iQOQ 
réis, o campo dos Liobaes, na freguezia de 
Tougues, e o deu á sua egreja, com as coíi- 
dições da inscripção. 

^ Esta companhia anda construindo^ em 
frente doestas azenhas, na marcem opposta 
do rio (direita) em terreno da freguezia de 
Fromariz, uma grande fábrica de flaçlo e 
teeidos d'algodão, e também fabrica de moa- 
gem (de que serão propuNores o vapor e a 
agua do Ave) no local onde havia umasan- 
tigas azenhas, que a companhia comprou, 
assímf como os passaes da Retorta e outrals 
propriedades. ^ 



RET 

(esta Qlilaia iMite tioda por oonclBlr.) Â 
eataçio ó já na fregaezía de YiUa do Conde. 

BarSo da Hetorta 

DomlnfM Mi^el da Ganha Velho Sotto- 
Maior d' Azevedo e Mello Távora d'Alberga- 
ria e Castro, moço fidalgo da casa real, oom 
«zereicio no paço^ eommendador das ordens 
de ChrJslo e da Coneeiçao; condecorado 
com a medalha militar da expedição a Per* 
nambaoo, em 1824, e com as honras.de te- 
■ente-coronel. 

Nasceu no Rio de Janeiro^ em 12 de abril 
de i806. 

Casou em Portugal, com a sr.* D. Aona 
Bmilia de Castro Ahneida Ferraz, que ain- 
da vive, tendo d*este matrimonio 17 filhos, 
dos quaes sáo hoje vivos 13: Domingos, Ml- 
guel, Lourenço, José, António, Fernando, 
Alherfo, D. Maria, D. Júlia Eroilía, D. Anna, 
D. JulIa, D. Felismina, e D. Joaquina, e 36 
netos. 

Qnasi todos os filhos estão casados. 

Foi commandante do batalhão movei de 
Bvroêlios^ em 19(7, e linha sido almotacé 
da mesma villa, e feito barão (l.«) da Re- 
torta, em 3 de novembro de 1853. 

Seguiu sempre o partido liberal. 

Palleeeu em Braga^ em 28 de outubro de 
1877. 

Era o mais rico proprietário de Villa do 
Conde, e nm dos mais ricos proprietários 
de Bareellos, e morreu pobre, $em ter nada 
dâ êeu (I) em oasa de seu filho, o sr. Lou* 
renço da Cuoha Velho Sotto Maior. 

As azenhas da Retorta, que deram o ti* 
tnlo ao barão, pertenciam á egreja d*esta 
firegnezia: metade era um prazo íkteusim 
perpétuo dos antepassados do barão, e do 
qual pagavam 2 alqueires de trigo, 5 de 
milho, 20 de centeio e duas lampreias, fora 
o dízimo. 

A outra metade era prazo de vidas, do 
qual pagavam de renda á mesma egreja, 20 
sdqneires de i^o melado (milho e cen- 
teio). 

Vieram á fámilia dos Velhos, de Villa do 
Conde, por uma renovação de emprazamen- 
to, feito pelo abbade da Retorta, André de 



REV 



155 



Aranjo e Silva, em 18 de oulubro de 1641, 
a João Pires Velho e sua mulher Maria de 
Macedo. 

Este emprazamento foi renovado em 12 
de outubro de 1706, pelo abbadé d*esta fre« 
gnezia, Antooio Ferreira d'Avellar^ em Ma- 
noel Luiz Velho de Macedo e sua mulher, 
D. Josefa Maria Luíza de Mello. 

Era esta propriedade que constituía o ha-* 
ronato. 

No cartório d*e8ta egreja havia muitos li- 
vros e docamentos antigos (provavelmente 
de grande valor histórico) mas foram de- 
vorados por um incêndio. 

Agradeço ao rev.*« sr. José António Fer* 
reira Monteiro, actual abbade d'esta fre- 
guezia, a franqueza com que me mandou a 
minha casa todos os papeis que restam, e 
pelos quaes pude redigir o presente ar- 
tigo. 

RETOUÇAR — • portuguez antigo — saltar, 
dançar, tripudiar, calcar. Ainda se usa nas 
provioeias do norte. 

RETRAER— portugaez antigo — arreme- 
dar, representar. (É d* Azinheiro.) 

RETRAÇAR— portuguez antigo --ag&za- 
Ihar, dispor, preparar, etc 

RETRAHIR— portuguez antigo— tornar a 
tirar o qae se linha dado, ou não dar o que 
se tinha promettido. 

Retrahírse, também queria dizer-— reeo- 
Iher-se, retirar-se, esconder*se, etc. 

RETROITAR— portuguez antigo-^eontra- 
riar, contradizer. Também averiguar a cau- 
sa com maior exactidão. Quero terlado (tra- 
slado) do diio proceiso, e da dita sentença^ 
pêra aver conselho, pêra retroUar e empa- 
nar e poêr meu direito contra todo. (Doe. do 
século Kvi). 

REVEL — aldeia, Traz-os-Montes, na flre- 
guezia de S. Miguel de Trez-Minas, comarca 
« concelho de Villa Pouca d*Agular. 

Em om monte sobranceiro a esta aldeia, 
existem umas concavidades. Foram minas 
de estanho, provavelmente já exploradas 
pelos romanos. 

Ainda ha vestigios de um assado, ou ca- 
no, por onde conduziam a agua do rio H- 



156 



REV 



nhellA, tomada no logar de ThihôUo de Ci- 
ma, a uns iO kilometros de dútancia, at- 
tendendo ás repetidas voltas do cano, atra- 
TessaDdo, por baixo do chão^ am grande 
monte, no legar de Folhagosa. 
. Consta que estas minas tomaram a ser 
lavradas, pelos anoos de 1584, por um hes- 
panhol, natural de Madrid, cfaamado Fer- 
nando Annes^ pae de Cosme Machado, e 
do qual procedem os Machados doestes sí- 
tios. 

REVELAR MULHER — portugaez antigo 
— eonhecel-a carnalmente. 

REVÊLHE — freguezia, Traz-os-Montes, 
comarca e concelho de Yinhaes, bispado e 
districto de Bragança, 80 kilometros ao N. 
de Miranda, 480 ao N. de Lisboa. 

Em 1757, tinha 14 fogos. 

Bispado e districto de Bragança. 

O reitor de Fiozéllo apresentava o cura, 
que tinha 8JíOOO réis de côngrua e o pé 
d'altar. 

Esta pequena freguezia foi supprlmida^ e 
incorporada á de Cabeça da Egreja, da 
mesma comarca, concelho^ bispado e dts* 
tricto. 

REVÊLHE--freguezia, Minho, comarca e 
concelho de Fafe (foi do mesmo concelho, 
mas da comarca de Guimarães) 30 kilome- 
tros ao N.E. de Braga, 370 ao M. de Lisboa, 
170 fogos. 

Em 1757, tinha 105 fogos. 

Orago Santa Entalia. 

Arcebispado e districto de Braga. 

O real padroado apresentava o abbade, 
que tinha 370^000 réis de rendhnento. 

É terra muito fértil em cereaes, e cria 
muiio gado de toda a qualidade. Caça. 

R£V£LLES — freguezia, Douro, comar- 
ca de Monte 'Mór Velho (foi da comarca de 
Soure, concelho extincto da Abrunheira) 30 
kilometros ao O. de Coimbra, 190 ao N. de 
Lisboa, 250 fogos. 

Em 1757, tinha 276 fogos. 

Orago Nossa Senhora do Ó (ou da Expe- 
ctação, do Porto, ou da Esperança, pois 
com todos estes nomes é conhecido). 

Bispado e districto de Coimbra. 

A mitra apresentava o vigário, que tinha 
170IÍ000 réis de rendimento. 



RBY 

É terra fertil, e freguezia mUo aaiigft^ 
Em tempos remotos, pertenceu á fregna* 

zia de Nossa Senhora da Alcáçova, da vilUt 

de Monte Mór Velho. 
A egreja matriz está situada no alto do 

monte, próximo á povoação de BtvéUea. 

A capella dedicada antigamente a Noaea 
Senhora a. Velha, e, depois» a Nossa Senhor» 
da Saúde, ó antiquíssima, e consta que foi 
a primeira matriz da freguezia. Está situa- 
da ao pé de um monte, e junto ao rio Moa* 
dégo, a pouca distancia da quinta da Ga- 
léta, que foi dos jesuítas, de Coimbra. 

Fica a ermida entre a freguezia de Revél- 
les e a extincta de Peras- Altas, e por isso 
também a denominam Senhora de RevèUea» 
ou Senhora de Peras- Alvas. 

Também fica perto da quinta da Alumiei- 
ra, que foi dos cónegos de Santa Criu» de 
Coimbra, e não mui distante da viUa de 
Buarcos. 

A imagem é de pedra, e de boa escol* 
ptura, apezar da sua antiguidade. Tem um 
metro de altura. 

A capella é de boa construção e ampla : 
tem altar*mór, e dous lateraes; saebrisiia e 
grande átrio. Está cercada de alpendres «m 
volta, sustentados por coiumnas de pedra. 

Faz-se a sua festa em dia de SanfAnoa, 
mãe de Nossa Senhora (a 30 de jalho.) O 
rei lhe concedeu uma feira firanca de trez 
dias, por tempo de cinco annos, na oecasiao 
da festa; depois se lhe concedeu que fosse 
perpétua. Principiava no dia 26 dejulho, 
mas já ha muitos annos que se não íaz esta 
feira. 

A nova matriz principiou a edificar-seem 
1638, e cominuaram as obras até 1640. 

Com a restauração, se deu mais desenvol- 
vimento ás obras e foi a egreja acerescen- 
tada. fi um bom templo. 

Do seu adro se vé o Oceano, a barra da 
Figueira, Buarcos, o rio Mondego e varias 
povoações. Vô-se do mar^ a grande distan- 
cia. 

REVERSO— portuguez antigo— a pessoa 
que se entrega a todos os vicios e immora- 
lidados. E sendo ca$o que esta Margarida 



ma 

upi iêmumtkada ê rewr$0, ^pu nam faça 
fêUan dê bcoa molher^ eíc. (Doe. de S. Pedro. 
de Coimbra^ 4e ISW.) 

REVINHADE^fregoesia, Dooro, eosiarca 
• coDcettio de Felgueiras (foi do mesmo con- 
celho, nas da eomarca de Lousada) 30 kilo- 
meuroa ao N.£. da Braga, 355 ao N. de Lis- 
boa, 75 fogos. 

£m 171^7, Unha 70> fogos. 

Orago, Santa Maria. 

Arcebispado de Braga> e distrieto admi- 
Bistrativo do Porto. 

O reitor de & Pedro de Torrados, apre- 
sentava o reitor, que tinha 50^000 réis e o 
pé d*altar. 

£ terra IsrtíL Gado e eaça. 

RfiZENSfi^finegnezia, Minho^ comarca e 
concelho de Coara (era do mesmo concelho, 
BDtts da comarca de Vallença) ISO kilometroa 
a lf.E. de Braga, 4i5 ao N. de Lisboa, 80 fo- 
gos. 

£m i757, tinha 75 fogos. 

Orago^ o Salvador. 

Arcebispado de Braga, distrieto adminis- 
Irativo de Vianna. 

O abbade de Sanu Marinha, da Conha, 
apresentava o vigário, qoe tinha 40M00 réis, 
e o pé d'altar. 

Tenra fértil em oereaes e aigam vinho. 
Motto gado, de toda a qualidade, e grande 
abundância de caça. 

BiZENDE — villa, Beira Alta, cabeça de 
CMceiho e comarca, 18 iLilometros ao O. de 
Lamego, ^ 315 ao N. de Lisboa, 800 fogos. 
- £m 1757, tinha 64(9 fogos. 

Orago, o Salvador. 

Bispado de Lamego, e distrieto adminis- 
trativo de Viseu. ' 

O conde almirante (conde de Rezende) 
apresentava o abbade, que tinha 750M00 
réis de rendimento. 

O concelho de Rezende, é composto de 15 
fireguezias, todas ne bispado de Lamego. São 
— 'Aareade^ Barro, Cârquere (ou Quarquere) 
Feirão, Felgueiras, Fontoura, Freigil, Mio- 

* Palio do centro do concelho, porque, da 
sua extremidade E., que é a freguezia de S. 
Martinho áe Ifooiros, apenast dista de Lame- 
go 6 kilometros. 



»m 



1S7 



miesi Ovadas, Pancbdrra, Pém, Róiende» 

S. Cypriano, S. Martinho de Mouros, e & 

Romao^-todos com 4:£^ fogos. 
A Gomaroa é composta. só do seu julgado. 
Não tinha foral velho. * 

D. Manuel lhe deu foral» em Li$boa, a 16 

de jnlbo de 1514, {Uvro dos faraes núvo$ dm 

Beira, fl. 96 v., col. 8.«) 



O concelho de Rezende estendese por um 
terrrao bastante accidentado, sobre a mar- 
gem esquerda do Douro, subindo sempre 
pax^a o S., até alguns montes e serras de di- 
versas denominações. Tem bastantes valles, 
de pequenas dimensões, mas bastante férteis, 
por serem regados por vários ribeiros que 
descem das alturas. Grande parte dos seus 
montes sao arborisados, e offerecem, a quem 
navega pelo Douro, uma vista pittoresca. 

Ha por estes sitios muitos vestígios de te- 
rem sido povoados desde tempos remotissi- 
mos, e uma anta* que existe nas ruínas do 
castello de S. João^ na freguezia de Miomães, 
prova que ]à aqui habitaram os povos cel* 
tas, ou pre-ceitas. (Vide Miomães.) 

Adiante darei noticia de outras antigui- 
dades. 

É provável que este território se despo* 
voasse com as continuas e destruidoras 
guerras da edade media, e que assim o 
achassem os mouros quando, em 817, se 
apossaram das terras em redor de Lamego 
e até á margem esquerda do Douro. Por uns 
200 annosi estiveram elles senhores d'este 
território, e, ou o deixaram despovoado no 
que depois constituiu o concelho de Rézen** 
de, ou apenas alii tiveram algumas quintas 
ou casas de campo. 

O concelho de Rezende foi, até 24 de ou* 
tttbro de 1855, muito mais limitado do que 
hoje é, tendo apenas de comprido, pela mar* 
gem do Douro (de £. a O.) 8 kilometros; e 
de largo (de N. a S.) 3 kilometros. 

Então foram snpprlmidos no distrieto de 
Viseu seis concelhos—Mões, Leomil, Ferrei- 
ros da Tendaes» TrevÕes, São Fins, e S. Mar- 
tinho de Mouros— ficando este ultimo enoor* 



iS8 



ma 



mi 



l^ado no eonoelho de Rezende; bem eome 
• d'Areg08, também snpprimfâo. 

Mas tiraram*lhe da comarca, o concelho 
^ Siofães, e o, entio sopprimido, de São 
jffns, para com elles e com o, também então 
rapprimido, concelho de Ferreiros de Ten 
iaes, formarem a noYA comarca de Sinfies, 
também sobre a margem esquerda do Doa« 
ro, e que terroioa, pelo O., com o rio Paiva, 
qne divide o concelho de Sinfães do do Gaj- 
teHo de Paiva. 

O concelho de Rezende^ tem agora 18 ki- 
lometros de comprido, de E. a O., sempre 
pela margem esqnerda do Donro, na sua 
maior parte. É separado do concelho de La* 
mego (a EJ pelo desabrido monte das Dor- 
nas e pela frigida serra das Meadas^ desde a 
Cavallar até á Mesqnitella, e d'aqui até á Ri- 
beira e Bernardo, à beira do Doaro. 

É separado do antigo concelho de Sinfôes, 
pelo O., por o ribeiro de Cabrnm, que desce 
da serra da Gralheira e desagua no Doaro, 
em Frieira, ou Rapa. Como o concelho de 
Sinfães foi accrescentado com o de São Fios^ 
sopprimido em 1855, ficou o actual conce- 
lho de Sinfães limitado ao O. pelo rio Pai* 
ira, que o separa, na sua maior parte, do 
concelho do Gastello de Paiva, e o resto com 
o de Arouca (comprehendendo também o ex- 
tincto concelho d'Alvarenga). 

Pelo S., parte com o concelho de Castro 
Daire, desde a Cavallar até aos montes da 
Gralheira. 

Pelo lado do N., todo o concelho é limita- 
do pelo rio Douro. 

O nome d*e8te concelho, procede do !.• se* 
lihor christão que o povoou, D. Rosendo, on 
Ransendo Ermiges, irmão de D. Thedon, e 
de D. Toda Alboazar Ramires, filhos de D. 
Ermigio (ou Hermigio) Godines, e de D. Dor- 
dia Ozores; netos de Alboazar Ramires e de 
D. Helena Godines; e bisnetos de D. Rami- 
ro II, de Leão^ e da formosa moura Zaira, 
da qual tenho fallado em vários logares 
d*e8te Difcionario. (Vide Ancora, rio.) 

D. Rosendo Ermiges, vindo com seu ir* 
mão D. Thedon, para Portugal, pelos annos 
1030, reinando em Leão D. Bermndo III; 
em Castella, D. Sancho I; e na Navarra, D. 
Sancho 111. Aqui os dois irmãos guerrearam 



08 mouros^ sam tréguas, e a sua gleríoea vi" 
ctoria dada naa margens do rio Távora (1037) 
os tomou senhores de todo o terrf lorio que* 
constltue o aetuai coneeHio de Rezende. 

N*es8e mesmo anno de 1037, 
havendo desavenças entre D. 
Bermndo III e sen eunhad* 
D. Fernando, o Grande, da 
Castella, foi D. Bermudo mor- 
to, na batalha de Lantade^ e» 
Bão tendo filhos, D. Fernando 
uniu os dois reinos de Cas» 
tella e Leão, ficando Portugal 
formando parte d*este novo 
reino. 
D. Fernando^ o Grande, terminada a guer- 
ra com os leoneses, entrou em Portugal, to- 
mando aos mouros as praças de Badajoiy 
Évora, Be)a, Merida e Céa. Marchando pan 
o norte, tomou-lbes d'a^alto, Viseu e La* 
mego. (Esta ultima era defendida por Zat 
dão-Il)en^ que ficou tributário do rei chris- 
tão.) 

Consta que o rei de Leão deu a D. Ro- 
sendo todas as terras que elle havia con- 
quistado aos mouros (ou, mais propria- 
mente, resgatado) na margem esquerda de 
Douro. 

D. Rosendo, agradado do sitio de Rezen- 
de, fundou a casa e quinta a que deu é 
seu nome, e que mais tarde se denomlBOK 
quinta do Paçê. 

Em volta d'esta quinta, se foram poiMO 
a pouco construindo diversas habitações e 
quintas, e assim se deu principio à povoa* 
ção d'este território. 

Constituído o reino de Portugal, em 1093» 
tratou o conde D. Henrique de alargar os 
seus limites, arrancando do poder dos mon^ 
ros varias terras ao sul do Douro. 

Em llOi, era rei de Lamego Bcha-Mar- 
tim, que, não só se negou a pagar o tribolo 
a D. Henrique, mas ainda invadiu e saqueou 
algumas povoações ohristans. 

Carregados de despojos, marchavam os 
mouros para Lamego; porém, a 50 kílome- 
tros de distancia, para O., D. Henrique e 
sen companheiro, o rico homem D. Egit 
Moniz^ lhes sahiram ao encontro, junto á 



BEZ 



RBZ 



159 



vilia d^Aronca, e os derrotaram, retoman- 
do-lhes todos os roubos e fazeodo prisiond- 
roEeha-liartim. (Para evitarmos repetições, 
Tide Tol. I.*, pag. 238 B B, e seguintes.) 

Depois d*esta derrota, e ainda mais, por 
Eeha Martim se fazer ehristão. o odiavam e 
desprezaram os seas vassalios, pelo que elle 
eedea dos sens direitos e do sen pequeno 
reino ao eonde D. Henrique, que deu a D. 
Egas Moniz os territórios de Lamego, Leo- 
mil, Saizédas, e S. Martinho de Mouros, tudo 
a pouea distancia a E. de Rezende. 

(Yidè Cárquere Quarquere). 

Já disse que ba em Rezende vestigiosdepo- 
Toaçâo celta, e, segundo a tradição, foi Cár- 
quere uma cidade (isto é, o centro de uma 
circumscripção) no tempo dos romanos, e 
que comprebendia o território que estaneeia 
desde a Devêza ^ até á ponte de Garça vel- 
los, e d'aqui até aos Paços e matta das pa* 
ares. 

É certo que dentro d*este âmbito teem ap- 
parecido, enterrados, caldeirões, ciiiheres, 
vários instrumentos de ferro, pedras lavra- 
das, tijolos, moedas de ouro, prata e cobre; 
e algumas de um metal desconbeeido, de 
vários imperadoro!*, até Constantino Magno. 

Também em 1732, em uma escavação jun- 
lo ao mosteiro de Cárquere, appareceu uma 
lapide com a figura de Diana, em baixo-re- 
levo, de um metro de altura e O," 60 de 
largura, com a inscripção: 

niAIVA SACGBLLO FLAVA 
CARCAVEIXUS F. A. B. XXV. 

Esta lapide foi mandada collocar, pelo 
doutor Alexandre Pinto, no meior da pafe- 
de da sua casa de Beba. 

Em outros sítios d'este concelho tem appa- 
leeido em differentes épocas^ vestígios de 
povoações antiquissimas. 

Passados uns 70 annos, os descendentes 
de D. Rosendo, mudaram o seu domicilio 
para Távora (d'onde lhes vein o appeliido) 
e a quinta do Paço— nao se sabe porque ti- 

1 Já se vé que dou os nomes actuaes. 



tulo, ficou pertencendo a D. Egas Moniz, e é 
hoje propriedade dos Castros, senhores d^ 
Roriz, e condes de Rezende. 

D. Egas Moniz foi senhor da Feira, Arou* 
ea, Gresconha (em S. Thiago dePiães) Ré" 
zende, Lamego, S. Martinho de Mouros, Leo« 
mil, Saizédas, e varias terras ao norte do 
Douro. 

Tudo isto consta de uma eseriptura que 
existe no cartório do mosteiro d'Arduca, 
feita na era de i220 (1182 de Jesus Christo). 



É certo que D. AfTonso Henriques foi cria- 
do em Rezende, mas dizem uns que na quin- 
ta do Paço, outros que em Cárquere, e ou- 
tros que em S. Thiago de Piães, 

Entendo que foi n'esta ultima freguezía, 
e na povoação de Cresconha. 

(Vide vol. 7.% pag. 8, col. l,«noflme2.«). 

Nas Inquirições de D, Affonso 3.°, se diz— 
(traducçáo) — Viemos com os homens bôos 
(louvados) a este logar, e achamos que a quin- 
ta de Rezende (a do Paço) Mirão, Vinhos^ 
SinfãeSf Ossaes, Cimo de Rezende, Massas, 
Crujeiros, Tedões, Morganhos^ Ferroz, Fel- 
queiras, BHnhães, Egreja ie São Salvador^ 
Chãos dos Paços, Veiros, Rendufe, São Se^ 
miliano. Paredes^ Novaes, Tabuadêllo, Villa 
Garcia, Quintan, e Corto, todas etías villas 
são da honra 4e Rezende, que foi de D. Egas 
Moniz. 

Todas estas povoações são no antigo con- 
celho de Rezende, que poucas mais com- 
prehendia. 

Yé-se que a cathegoria de honra é anti- 
quíssima em Rezende, por aqui ser creado 
D. AfTonso I. 

Nas Inquirições reaes, do rei D. Diniz se 
lé^-Item, na freguezia de S. Thiago de Piães, 
a quinta que chamam Cresconha, que foi de 
D, Egas Moniz, e é povoada, que a viram as 
testemunhas sempre honrada desde que sê 
recordam, e que ouviram dizer que o foi dê 
mui longe, e que crearam alH D. Affonso o 
primeiro. 

Rezende não é uma villa propriamente 
dita, mas um aggregado de quintas, granjas 
e casaes. 



160 



RGZ 



A casa da camará e cadeia, que estava na 
povoação de Yiahós, hoje ó em S. Geos. 

A egreja matriz está em ama elevação» 
eotre as aldeias de Minhaes, Ossaes, e Prés- 
timo, e qnasi do centro da fregaezia. A sna 
capella-mór é de abobada, bem lavrada, e 
constraida em 1634, á custa de D. João de 
Castro, ascendente dos condes de Rezende, 
para sepultura de seus pães, sua e de seus 
descendentes. 

Também foi este D. João de Castro que 
mandou fazer um cruzeiro, para sepultura 
dos abbades, o que tudo consta de uma in- 
scripção que está em uma lapide embebida 
na parede interior da capelia^ do lado do 
Evangelho, que diz: 

D. ioâo de castro, padroeiro 

DESTA EGREJA, IN SOLIDUM, 

SENHOR d'eSTB CONCELHO DB 

REZENDE, B DOS DE PENELLA, 

BEM ViVER, SUL, RBRIZ, 

B DAS HONRAS DE BIRÓS, 60ZBNDB, 

RIBADELLAS, OU BIBBLLA8, B 

MONTÃO, BfANDOU FAZER 

ESTA CAPBLLA, PARA SEPULTURA 

DB D. SIMÃO DE CASTRO B DB 

D.* MARGARIDA DB VASGONGBLLOS, 

. SBUS PAE^ E PARA ELLE B SEUS 

DESCENDENTES, 

E O CRUZEIRO, PARA SEPULTURA 

DOS ABBADES SOMENTE, POE 

ESTAREM EXCLUÍDOS DESTA 

GAPELLA. ANNO DE i634. 

A egreja é vasta e bôa, mas esteve em 
péssimo estado de conservação, e cm gran- 
de abandono, hoje está reparada convenien- 
temente. 

Havia n'esta egreja uma cotlegiada com 
quatro beneficiados, um com 801000 réis de 
rendimento— outro com Í33MO0Í réis— ou- 
tro com 40^000 réis— e o ultimo, com réis 
60^000. 

Todos estes beneíicios eram apresentados 
pelo abbade da fregnezía, que também apre- 
sentava o cura de Felgueiras. 

Tudo isto acabou^ ha muitos annos. 

Os dízimos d*esta freguezia, rendiam an- 
nualmunte i:500AK)0 réis, dos quaes tinham 
os condes 1:364|>000 réis, e o abbade réis 
135^500 réis. 



BfiZ 

[ Esta divisão foi feita por bulias apostoti^* 
cas. 

Ao N. de Rezende, e a pouco mais de um 
kílometro da margem esquerda do Dou^ò, 
está o paço dos.condesalmirantes (condes 
de Rezende) padroeiros da egreja. 

£ o paço que foi de D. Egas Moniz, ^ 
portanto antiquíssimo, o que facilmente se 
vé da sua architectura e do miserável esla« 
do de mina em que se acha este venerando 
monumento, que tantas glorias nos recorda^ 
e que era digno de melhor sorte. 

É de vastas dimensões e não tem vestí- 
gios de ter em tempo algum, torre, ou ou- 
tra qualquer obra de defesa. 

Junio ao paço, e ao E., está a capella de 
Santo António, também antiquíssima. 

Na frente do ediQcio ha uma avenida, 
murada dos dois lados, que vae até á es- 
trada publica, e ao fundo da avenida, junto 
ás casas, se vêem os restos de um alto cha* 
fariz, de excellente coostrucçao. 

A casa está no centro da quinta do Paço^ 
e esta é vasta e rendosa, constando de fér- 
teis campinas, tendo annexa a alaQÔa de D 
João^ na serra da Gralbeira, alem de va- 
liosos foros que lhe pagam os povos de Fel- 
gueiras e Veiros; mas perdeu um dos seus 
melhores rendimentos, que eram os dizi- 
mes. 

Ao N.E. do paço, e a pequena distancia, 
fica a magestosa casa de Ossaes de Baixo^ 
da qual é actual proprietária, a família do 
sr. José Joaquim Pereira dos Santos, natu- 
ral d'esta casa, feito (l."*) barão de Fomél- 
los, em i5 de outubro de 1851, e fallecido 
em 1852. 

Seu filho, o sr. Fernando Maria Pereira 
dos Santos, foi feito barão (2.*) do mesmo 
titulo, em 14 de janeiro d» 1864. 

N*esta quinta, também chamada de Saes, 
mandou construir a Sr.* D. Maria José de 
Fornéllos, ajudada por sua irmã,, a b r.* D 
Virgínia, em 1874, uma linda capella, dedi- 
cada a Nossa Senhora de Lourdes, á qual, 
desde 1875, se faz uma sumptuosa festa. 

O papa Pio IX, concedeu a esta capella, 
por breve apostólico, indulgência plenária» 



REZ 

para os que no dia da festa (13 de agosto) 
se confessarem e commuDgarem. 

Os reverendíssimos bispos do Porto e La- 
mego também concederam 40 dias de in? 
dolgencia, aos que visitarem a capellano 
dia da solemnidade da Senhora. 

Dens não deixara sem premio a obra d'es- 
tas duas nobilíssimas damas. 

Ao £. do paço, está a excellente casa de 
VUla Pouca, que é um palacete no gosto mo- 
derno, e pertence ao sr. José Manuel Tei- 
xeira Pinto de Figueiredo, que aqui reside. 

Cm pouco acima da egreja matriz, está a 
Bobre casa de Cottas, do sr. José Maria Car- 
doso Borges Coutinho, que a herdou dos 
seus parentes Borges. 

Nasceu n*esta casa o celebre Jurisconsul- 
to, Manoel Borges Carneiro, escriptor de 
grande mérito, e homem de bem. 

Uniuse aos revoltosos de i6 de inalo de 
1828, e não querendo fugir para a Ingla- 
terra, como fizeram os mais espertos (os que 
tinham promovido a revolução) foi preso e 
morreu, n'esse mesmo anno, na cadeia do 
Limoeiro, em Lisboa. 

Apouca distancia, e ao S. da casa de Cot- 
ias, está a antiga casa do Préstimo, ou Aprés- 
timo, propriedade das sr.*' Albergarias, de 
Lamego. 

Foi d'esta esclarecida fámilia, D. Ffan- 
eisco Gomes Monteiro, lente da universidade 
de Coimbra, e depois bispo de Vizeu. 

Também foi d'esta família, o virtuosíssi- 
mo e caridoso padre Sebastião Pereira Mon- 
teiro, que morreu abbade da freguezía de 
Miumães. 

Ao S.E. do paço, fica a antiga casa de 
Massas (vulgarmente chamada a casa gran- 
i€^ posto ser mais pequena do que as de 
Ossaes e Villa Pouca). Pertence á sr.» D. 
Maria Leonor^ e a seu filho, o sr. Manoel Pe- 
reira. 

Ao S. de Massas, mas em pequena distan- 
da, esUÁ a casaca Granja, propriedade do 
ar. José Maria Bandeira Monteiro Subágna, 



BEZ 



161 



do qual já falleí em Rériz, e para lá remetto 
o leiton 

É também em Rezende, a nobre casa dò 
Enxertado (ou Outeiro do Enxertado) que 
foi da esclarecida família dos Lemos. 

É seu actual possuidor, o sr. Luiz Malhei- 
ro Peixoto Mello e Vasconcellos, feito barão 
de Castro Daire, em 23 de maio de 1840. 

Alem das casas nobres que ficam mencio- 
nadas, ha ainda em Rezende outras muitas 
notáveis, não só pela graúdeza dos edificios, 
como pela antiguidade e nobreza de suas 
famílias; taes são— a da Porlella de S. Gens, 
do sr. doutor Augusto de Sousa Pinto— a de 
Ossaes ds Cima (ou quitUa das Vinhas) a 
qual, segundo a tradição, é das mais antigas 
e nobres de Rezende— a quinta de Safões, 
dos srl Sonsas, da Lagariça — ^a casa de 
Bêba^Sí de Semiliõ&r-Si quinta do Matto, 
dos srs. Cardosos — e a de Paredes, muito an- 
tiga. 

Ainda ha n^este concelho outras casas di- 
gnas de nota, que não menciono, por não 
ter obtido os esclarecimentos que pedi. 

Uma das melhores povoações do conce- 
lho é S. Gens, situada em uma planície e 
constando de uma comprida rua, com alguns 
edlflcios bons. 

É aqui que residem, o juiz de direito, o 
delegado, os trez escrivães de direito, e os 
offleiaes de diligencias ; e n*esta povoação 
se construin^ era 1874, uma boa casa da ca- 
mará, tribunal das audiências e cadeia. Até 
então não havia para isto edifício próprio^ 
era nma casa arrendada. 

Feiras ^U^ em Rezende as seguintes— 
em Yinhés, mercado, a 29 de cada mez, e 
feira annual, a 29 de setembro, e mercado 
a 7 de cada mez, e feira d'anno a 25 de ja« 
lho, em S. Christovão. 

O principal modo de vida d'estes povos, 6 
a agricultura, mas fambem se fabricam mui- 
tos tamancos, pannos de linho, pentes (de 
canna) para teares, pão de trigo, doces de 
varias qualidades (sendo de grande fama, as 



%ê% 



BEZ 



cavacas de Rezende) e outros objectos, que 
exportam em grande quantidade. 

Ha também muitos negociantes de gado 
bovino. 

Os qoe habitam próximo do rio Douro 
(Mirão, Loureiro, Riboura, e outros) empro- 
gam-se na navegação fluvial, conduzindo 
para o Porto os géneros que sobejam do 
consumo; além de grande quantidade d'al- 
qucire? de trigo que se exportam por terra, 
para Lamego, Marco, Ganavezes, Amarante, 
6tc. 

Pelo rio, o que mais exportam para o Por- 
to, são castanhas, batatas, laranjas e outras 
frutas, e vinho. 

Vários ribeiros regam e fertilizam este 
concelho, sendo o principal o Cârvo, que 
desce dos montes Goelhoso e S. Ghristovam 
« passando por entre as aldeias de Felguei- 
ras e Veiroz, e por entre as freguezias de 
Rezende e Gárquere, morra na margem es- 
querda do Douro, na Foz do Mirão. É atra- 
vessado por três pontes de pedra—a de Gar- 
eavellos (muito alta e robusta) a do Corvo e 
a de Fornélios. Suas aguas são também em- 
pregadas em fazerem mover as rodas de um 
lagar de azeite, e oito moinhos de cereaes. 

Rezende ó também um appellido nobre em 
Portugul, cuja familia procede de Martim 
Affonso de Bayão, que deixou o appellido da 
sua varonia (Bayão) por haver herdado o 
senhorio de Rezende, por sua mãe, D. Ur- 
raca Affonso. Suas armas, são — em cam- 
po d'ouro, duas cabras, de negro, gotadas 
d*onro, passantes, em palia. Elmo d*aço aber- 
to, e por timbre, uma das cabras. (Alberga- 
ria diz que as cabras são de vermelho, a 
que chama esfolladas.) Alguns Rézendes, 
continuaram a uzar das armas dos Bayões. 

Consta que a primeira propriedade rural 
que os jesuítas tiveram em Portugal foi na 
freguezia de Gárquere, d'este concelho. 

Em março de 187^, falleoeu na Régua, o 
doutor Alexandre Vieira Pinto, presidente 
da camará municipal da mesma villa, e na- 
lural de Rezende. Escreveu um pequeno U- 



RfiZ 

vro sobre antiguidades de Rezende, que está 
inédito. Tem bastantes cousas aproveítavètíL 
que eu respiguei para este artigo. 

Ha um barão de Rezende, feito em 21 dè 
maio de 1844— é o sr. João Xavier de Ho* 
raes Rezende. Note-se, porém, que este ea« 
valheiro é apenas barão do seu appellido, • 
nada tem com o concelho de Rezende. 

Tivemos também um marquez de Rézeih 
de; mas este, como o barão, nada tem com 
o concelho d*este nome. Menciono-o aqui» 
por ser portuguez; por pertencer a uma das 
mais nobres Yamllias d'este reino, e final- 
mente, por ser um homem de bem, e um 
escriptor distincto. 

Uma rápida biographia do marquez de 
Rezende,, se acha a pag. 588, col. 1.* do &« 
volume, para onde remetto o leitor. Aqui só 
accrescentarei, que nasceu em Lisboa, a tt 
de setembro de 1790, e fallecen na edade de 
84 annos e cinco mezes. 

Condes de Rezende 

Os condes de Rezende, são os Castros le« 
gitimos, denominados os Castros das treze^ 
por trazerem no seu escudo d'armas, em 
campo de prata, 13 aruellas aznes, e por 
timbre, um leão de ouro. 

Descendem de D. Fernando de Castro, 
conde de Castro Xerez e senhor de Lemos 
(Hespanha) e irmão da infeliz D. Ignez de 
Castro, mulher de D. Pedro I, de Portugal. 
Note-se, porém, que D. Fernando, era filho 
legitimo e sua irmã, filha natural. 

Os Castros, de Réiende, tiveram o titulo 
de almirantes de Portugal^ em 23 de feverei- 
ro de 1317— de senhores de Penelta^ em S8 
d*abril de 1378— de senhúres de Bem^tiDer, 
em %% d'abril de 1424^de morgados de Bt* 
zende, em 5 de fevereiro de 1465. ^ 

O 1.* conde, de Rezende, foi D. António 



1 Esta família teve também o senhorio da 
capitania dos Ilhéus, e das villas de Gama* 
roú, Bonpéba, Gaynl, e Itaparifa, e de mais 
00 léguas de lerriiorio, no estado (hoje iOh 
perio] do BraziL 



RBZ 

José de Castro^ por mercê de D. José I, em 
iOdejaoho de 1754. 

Nio deíKoa de si nota digoa de meogao, 
o 2.* conde de Rezende^ qae fAlkeea em Lis- 
iboa, no sea vasio palado de Santa Clara, ^ 
em S3 de março de 1819. 
-, Foi 3.* coode de Rezende^ D. Luiz lono- 
4eBCio Beoedicto de Castro, 13.* senhor de 
Penella, 14.* senbor deBem-VíTor, senhor do 
Biorgado de Rezende, 17.* almirante de Por- 
tngaJ, 7.* capitão da gaarda real dos archei- 
ros» commendador das ordens de Chrislo e 
Torre Espada, governador da praça d' Abran- 
jlts. inspector das milieias do Alemtejo, e 
marechal de campo. 

: Naseea em 5 de setembro de 1777; cason 
^m 2 de março de 1813^ com D.. Maria José 
Aoereociana da Piedade Silveira, filha de 
«Dl Braz Josó Baltbazar da Piedade e Silveira. 
;. Saceedea a seu pae, em 23 de março de 
1819, e fallecen a 7 de janeiro de 1824. 
f,; Foi 4.* oonde de Rezende, D. António Be- 
nedtcto de Castro, filho onieo do anteceden- 
te. Teve todos os senhorios e títulos de sen 
pae, e foi feito par do reino, em 1826, e por- 
teíro-mòr da casa real» no 1.* de dezembro 
ide 1834. 

•s Foi commendador da ordem de ChristOi e 
3.* capitão da guarda real d'archeiros. 
'.. Naseea em 30 de novembro de 1821, e 
falleceu em 1865. 

Tinha casado com a sr.* D. Maria BallMoa 
Pamplooa de Sousa Holsteio, nascida a 20 
4'agosto de 1819. Era filha de Manuel Pam- 
plona Carneiro Rangel Velloso Barreto de 
Figaeirôa, 1.* visconde e 12.* senhor de Bei- 
re, padroeiro de Santo André de Sobrado, 
eommendader das ordens de Christo e Tur- 

.le^Bspada, tenente general do exercito, de- 

• 

* Este palácio, que era am dos maiores 
de Lisboa, fica perto (ao £.) úbb celebres 
obras de Santa Engracia^ e da estação prin- 
cipal dos camiobos de ferro do norte e leste, 
que lhe fica logo abaixo, ao sul. 

Esta ao fundo do largo de Santa Clara» e 
do novo mercado, construído em 1877. 

O p^laciíi ei«iáem grande abandono, e em 
parte destelhado : mas ainda está habitado 
por diversoK ioquilinos, na parte melhor coo- 
aervada, onde também ha um pequeno thea- 
Iro. 



imz 



m 



pntado áe cortes, em 1837^ goveroador das 
armas do Porto, em 1823| e das do Aiemlsr 
jo, em 1826. 

Naseea a 3 de outubro de 1774, e suop 
cedeu na casa de seu pae, em janeiro de 
1815. 

Gasoa em 22 d^abril de 1818, com D. Ma^ 
ria Helena de Sousa Holstein, 4.* filha de 
conde de Palmella, D. Alexandre de Sousa 
Holstein, e de sua 2.* mulher, D. Balbinade 
Sousa. 

Fallecea (o visconde de Beire) em 12 de 
maio 1848. Tinha sido feito visconde, por D. 
João YI, em 3 de julho de 1824. 

Teve quatro filhas. 

1/ A ir.* D. Maria Balbina Pamplona dê 
Souia HoUUint que, como já disse, caso« 
com o 4.* conde de Rezende, e ainda vive» 
no sea palácio do Campo de Santo Ovídio» 
00 Porto. 

2.* A ir.« D. Henriqueta^ que nasceu a 21 
de agosto de 1820^ e morreu a 17 de jolho 
de 1833. 

3.* A sr.* D. EmiUa Maria Anítmia Pam- 
^^(ma de Souea HoUtein, que nasceu em 19 
de outubro de 1821, e falleceu em 31 de ou- 
tubro de 1856. Tinha casado, em março de 
1846, com Sebastião de Castro Lemos Mar 
galbães e Menezes, da casa do Cuvo, junto 
a Oliveira de Azeméis, do qual iovh quatro 
filhos e quatro filhas. Uma dVstas (a 2.*) é 
a actual senhora condessa da Ribeira, Q. 
Maria Helena de Castro Pamplima d» Sousa 
Holstein, e a 1.* a sr.* D. liaria Izabel de 
Castro P. de S. H., está casada com o sr. D. 
Manuel da Gama» filho do fallecido marques 
de Niza. 

4.* A «r.* D. Julianna de CP. de S. B. 
nascida a 23 de outubro de 1822. Casom 
com Geraldo José Braamcamp (irmão do sr. 
Anselmo José Braamcamp) e morn u sem fi- 
lhos. Seu marido umbem já falleceu. 

O primeiro (e ultimo) visconde de Beire» 
era filho de José Pamplona Carneiro Rangel 
áà Tovar, 11.* senhor do Beire, padroeiro és 
Saolo André de Sobrado, fidalgo da casa 
leal, cavatteiro da ordem de S. João de Je* 
rusalem, major governador do caUelio éê 
Que^o (lauto a Mattosinhes.) Tmha sueco- 



164 



REZ 






dido Ba casa, a seu írm3o JoSo Pânq^ona 
Carneiro Rangel. Morreu em janeiro de íBiíL 

Havia casado com D. Antónia Ignacia Bar* 
reto de Miranda, fiiha de Barnabé Velioso 
Barreto de Miranda, morgado de Santa Mar- 
^a (junto a Víanna do Mioho) fidalgo da 
easa real, e de sua mufter, D. Antónia Tbe- 
reza Correia d* Araújo, senhora do morgado 
de Cabéda, ua freguezia de VJLlar de Maça- 
da, em Traz*o8*Montes. 

José Pamploua, teve seis filhos : 

i.«— D. Maria Amália Pamplona^ que foi 
yiscondessa de Ganellas. 

2.<>— Ifantie/, (o visconde de Beire.) 

3.0— -D. Marianna Pamplona^ que cason 
eom o fidalgo da Boa^Vista^ Martinho Pinto 
de Miranda Montenegro. (Vide no artigo 
Porto, Correias, da Rua-Chan,) 

kJ^^^Joõo Pamplona, que foi capitão de 
eavallaria da ordem de S. João de Jerusa- 
lém. 

â.o— D. Ánna, que morreu solteira. 

6.<'— D. Joanna, que casou com João Tbo- 
maz d*Araujo Rangel e Castro, senhor da 
casa de Franzeres (em Gondomar) fidalgo da 
easa real e alferes do regimento de infante- 
rian.« 6 (i.^ do Porto.) Ficando viuva, casou 
com Manuel Velho. 

Tornemos aos condes de Rezende. 

Falieoendo o 4.« conde de Rezende, D. An- 
tónio, foi feito conde (5.*) do mesmo título, 
de juro e herdade, em 19 de julho de 1866, 
seu filho primogénito, t). Lniz Manuel Bene- 
dicto da Natividade de Castro Pamplona de 
Souza HolsteíD, que nasceu a 24 de agosto 
de 1844. 

Frequentou o curso da academia polyte- 
dinica da cidade do Porto, completando os 
seus estudos como um dos mais distinctos 
estudantes do seu tempo; 

Apezar das verduras da mocidade, que o 
fizeram praticar bastantes actos menos refle 
elidos, induzido por más companhias, pre- 
fsriu sempre os estudos aos prazeres, e, em 
qioaffito não soubesse perfellamehlè a sua li- 
•^, não se entregava aôs dlventmenlos. 

Chegado aos 25 annos de edtide» desligon- 
ae completamente dos màue companheiros 
é dedicoa-ee conai fervor a ser um verdadei- 



ro caAoUco^ e um eidadio paeffloo e 
piar. 

Foi par do reino, como lhe perfenda por 
direito hereditário, e foi, pelo sr. D. Lnia % 
nomeiado official-mór da casa real, e aloii* 
rante honorário de Portugal. 

Em 1874^ foi eleito presidente da Associa- 
ção CatboUca, do Porto, defe idendo-a tofK 
Ihantemente na camará dos pares, das injn»* 
tas e calnmniosàs imputaçõe» que lhe diri* 
gira um outro par. 

Falleeeu em 23 de maio de 1875, tente 
um passamento verdadeiramente cbrisâo e 
edifiúante, com todos os sacramentos da 
egreja. 

Por fallecimento do 5.* conde de Réeen* 
de, sueeedeu no titulo, seu irmão, o sr. D 
Manuel Benedicto de Castro Pamplona de 
Sousa Holstein, feito conde de Rezende, de 
jnro e herdade, em abril de 1876, e vem a 
ser o 6.<> conde de Rézeude.^ 

Em 22 de junho de 1876, casou, na cidade 
do Funchal (Ilha da Madeira), com a sr.« 0. 
Mathllde da Camará Carvalhal, filha prhno* 
genita, e herdeira, do sr. D. António da Ga»* 
mara do Carvalhal Esmeraldo Atouguia de 
Sá Machado, %• coode do Carvalhal, feile 
em 3 de agosto de 1852, e filho do 1.* conde 
do mesmo titulo, João do Carvalhal, que ti* 
nha obtido o titulo em 8 de setembro de 
1835. 

sr. conde de Rezende, Já tem descen- 
da. ' 

Não se confunda o eondê ão 
Carvalhal, com i^condè de Car^ 
valhaes, que é d*outra famiKa. 

O 1.* (e ultimo) conde de 
Carvalhaes, foi José Maria de 
Almada Castro de Noronha Lo* 
bo, 13.* senhor de Carvalhaes» 
flhavo, e Verdemilho. (Vide 
VerdâmUho,) 

Paliando n'este artigo, do titiilo (hoje pa- 
ramente honorifico) de almiraiiUe de. Portu* 

1 Este cavalheiro porém, não pôde serpor 
hereditariedade,par do relho, porque esta di- 
gnidade não se transmitte a coltateraes, se- 
gundo a lei interpretativa, de 11 de abril de 
1845. 



BBZ 

ftf, Mrel, em breve resomo, o que respeita 
a este titulo. 

Pode dixer-se que o i^* almirante d*e8te 
veiuo, foi o valorosissimo D. Foas Roupi- 
alio. (Vide 7.* toL> pag. ^71, eol. 1») 

Em tempo do rei D. IMoiz, foi almirante 
Manuel Passanha^ fidalgo geaofez, ao qual 
o rei deu o senliorio da villa de Pereira (no 
«Mieelho de Monte- lfór*YellM>) e o JS.« das 
presas qae fizesse. 

Parece qae este eargo foi concedido here- 
^ftsriamente, porque, a Manuel Passanha 
suceedeu seu filho Carlos Passanha, que 
aioireu sem snooessao, passando o titnlo a 
seu Irmão^ Bartholomeu Passanha. Ainda es- 
ie morreu sem filhos, e o titulo passou a ou- 
tro irmão, chamado Lançarote Passanha. Foi 
<» titulo continuando n'esta familia, até que 
passou para Lopo Vas d*AxeTedo, filho de 
fiençalo Gomes d'AzeTedo e de uma bisneta 
de Lançarote. 

D*esta familia passou para D. Simão de 
Castro, senhor de Rezende e Rériz, per ter 
casado com D. Bernarda de Menezes, da ia* 
oiUía Awvedo. 

D. João de Castro» filho d*esteB, herdou o 
almirantado. 

Succedeu>Ihe D. Francisco de Castro^ e a 
este, seu %,• filho, D. Luis Innocencío de 
Castro, senhor de Rezende, Eiras, Ribadel- 
las, Rériz, Gozende, Snl, Beneviver, metade 
da villa de Penella e seus padroados ; e no 
Brasil, a capitania dos Ilhéus, as villas de 
€amamu, Bonpemba, Cayrú e Itaparica. 

D. Luiz Innotsencio de Castro, casou com 
D. Joanna de Lencastre, e d*ella teve D. An- 
lonio José de Castro^ qae, como fica dito, 
rfoi o primeiro conde de Rezende, e almirante 
^e Portugal. 

Ainda em Portngal ha outro titulo, tam- 
bém honorifico, á!ahlur(mtê dai Indioê. Foi 
conferido a D. Vasco da Gama, e anda nos 
aeus desisendentes, marquezes de Niza e con- 
des da Vidigueira. 

O ultimo que teve este titnlo, foi D. Do- 
mingos Francisco Xavier da Gama Athaide 
Noronha Silveira e Sousa, que era marquez 
^e Nua, desde 20 de jnnho de 1842, e (al- 
lecido ha poucos annos. 

Voumi vni 



fUA^ 



165 



Hoje pertence este titnlo a sen filho, ú sr. 
conde da Vidigueira, quando o requerer; 
assim como o de almirante de Portugal ao 
novo conde de Rezende. 

No quadro actual da marinha portnguen, 
não ha o posto de almirante, e só o de vice* 
almirante, e quatro coalra-almirantes, anli» 
gos chefes de divisão. 

É tal a decadência da nossa marinha de 
gnerra, que se torna escusada a nomeação 
de um offlcial general para almurante, que 
vinha a ser tão inntil como um geneo^ de 
terra, sem ter exercito para commandar. 

A nossa insignificante esquadra (numeri- 
camente fállando) nem ao menos chega para 
as indispensáveis eetaçdes do Ultramar, e 
serviço da costa. 

RIA D'ATEmO'-*Douro.-^A ria d* Aveiro^ 
é um lago immenso separado do oceano por 
uma longa trincheira d'areia na extensão de 
35 kilometros. É na sua exploração qne con» 
siste a industria d*Av^ro: por toda dia es» 
Ião espalhadas as marinhas, cujo numero 
passa de quatrocentas»' divi^das por innu- 
mwos canaes, a que se dá o nome de estei« 
ros. 

Entre ellas também se encontra nio pe* 
queno numero de ilhas, que produzem junco 
e bonho. N'nma doestas ilhas, Sama, houve 
antigamente um lazareto para ende eram 
mandadas as pessoas que soffriam moléstias 
contagiosas. Sobre esta mesma ilha houve 
também uma grande questão entre o du^no 
d' Aveiro e a camará, dizendo aquelle que a 
ilha lhe pertencia: mas afinal o pUito foi de- 
cidido a favor 4a camará, que provou cpia 
desde tempos immemoriaes a ilha titiha 
aquelle destino, e que por Isso era proprie- 
dade publica. 

Não se sabe ao eetto quando foram feitas 
as primeiras marinhas em Aveiro, mas por 
documentos authentieos prova«se que eilas 
fSio anteriores á fundação da monarelda* 
Jnlga*se que o fabrico do sal tivera princi- 
pio entre nós, durante a dominação árabe.. 
No foral que D. Manuel deu a Aveiro, em 4 
d*agosto de 1515, se ordenava que o sal fos- 
se medido» e julga-se que a primeira medi- 
da adoptada fora a que denominavam tuiio. 

11 



166 



BIÀ 



BU 



Por aceordam da camará, de 16 de jolho 
4a i8è4, 8e ordenou qae a medida do sal 
losae o moio de 20 rasas, e não o conto, eomo 
aié ahi. 

O aspecto das marinhas com os seus mon- 
tes de sal, é admirável, e concorre immenso 
- ]Mura qàe Aveiro seja mais risoDho. É exacta 
' 6 elegante a descripçSo que vamos apresen- 
tar, devida à peona d'am illustrado escri- 
plor contemporâneo. 

«Aveiro, visto de longe, dís elle, qnasi a 
perder- se no horisonte, offerece um aspecto 
' mui singular, que é dífflcil de esquecer, obser- 
vado uma vez. As pyramides de sal que lhe 
ornam as lagoas, semelhando alvos moou- 
mentos mortuários, destacam d'um terreno 
baixo e escuro, e apenas avivado com as fi- 
taá de prata do uma abundante ria que fer- 
iBisa o paiz, dio-lhe um tal colorido de me- 
^ lantsbolia e saudade que seus fllhos consa- 
' gram e que já sSo proverbiae3.ti 

A ria é abundantíssima em peixe, que pre- 
sentemente está por um preço bastante ele- 
vado— 4al é á exportação que tem logar com 
destino a Hespanba. 

Ha muitos annos que na ria se estão com- 
mettendo abusos com relação|á pesca,'que se 
toma necessário cohlbir o mais breve pos- 
sível— o cda pesca feita com redes de malha 
«xtremamente miúda, resulta que a maior 
parte do peixe não chega a desenvolver*se, 
6 a outra parte, a que procura as ajguas da 
lia em certas estações, não encontrando sus- 
tento no peixe mk&do, emigra, escasseando 
•asim.a pesca na ria.» 

ex governador civil d*este districto, 
Guerra Quaresma, tentou remediar este mal, 
elaborando um regulamento sobre a pesca. 
Por edital do ex-secretario geral do governo 
civil, servindo de governador. Augusto Cor- 
reia Godinho Ferreira da Gosta, de 26 de 
Viaio de 1808, foi mandado pôr em pratica, 
mas segundo nos consta nimca chegou a ter 
execução. 

Mão é menos prejudicial a apanha do brí- 

bigao, porque sendo esta pesca feita com 

* (adanhos de ferro, estes revolvem as areias, 

1 Sr. J. Horta, Revista contemporânea, pag. 
«8, vol. i.* 



que depois^ levadas pelas correntes, vão for- 
mar junto da barra grandes depósitos deno- 
minados restingas, que continuamente a vão 
obstruindo. 

Está também tendo grande importância a 
apanha do moliço, «planta aquática que con- 
tinuamente se reproduz no taaáo da ria e 
que se emprega no adubo das terras. Esta 
exploração torna a ria menos piscosa do que 
deveria ser, porque, de envolta com o mo- 
liço, é colhido muito peixe em embrião.» 

O rendimento annual da na ó calculado 
em 365:000M00 réis. 

Segundo se deprehende áo Elucidário, de 
Viterbo, no tempo dos romanos ainda náo 
existia o aggregado d'aguas que hoje forma 
a ria d' Aveiro. 

Diz o citado auctor, que com o andar dos 
tempos a costa se entupio e alteou por causa 
das areias, e os rios estagnados, não só este- 
riiisavam os campos, roas também fechavam 
a passagem dos caminhos, como succedeu 
com a Estrada Romana ou Via Militar, qde 
sahindo de Condeixa a Velha atravessava o 
Mondego entre Pereira e Coimbra, e pas- 
sando o Efflinium, rio Agadão, cortava o 
VouRa, não distante de Talabriga, e d'aqai 
por entre Lacobriga, que Vasconcellos^ na 
Discript, Regn. Luzttan., diz ser a VUla da 
Feira, e o «nar, se dirigia a Cale. 

Em 1862, o governo encarregou o distin- 
cto engenheiro hydrographo, António Maria 
dos Reis de tirar a planta da bacia «hydro- 
graphica, que constituo o extenso ancora- 
douro do nosso porto e do immenso reser- 
vatório d'agnas, cujas correntes carecem de 
ser reguladas convenientemente para nio 
prejudicarem o. antes favorecerem as condi- 
ções da barra.» 

Em 1868, achando se bastante adiantados 
os trabalhos hydrographicos, estando já em 
grande parte tirada a planta ãa ria, graças 
ao incançavel zelo e actividade do hábil en- 
genheiro Reis, foram os ditos trabalhos in- 
terrompidos, ficando assim por concluir uma 
obra que podia vir a ser de grande utilida- 
de, para o melhoramento da barra. 

A ria está em oommunicação com a cida- 
de, por um braço canalisado, com um beUo 
cães em ambas as- margens. 



RIB 



BIB 



•167 



Em 16S0^ por provisão de D. Pedro 11/ 
e&tio regente^ a eaoiara foi aactorisada a 
laoçar d impesto> por espaço de ires annos, 
de um real em cadaqaartíltK> de vinho taber- 
' nado, para poder oc<M)rrer âs despezasda 
recoQStmcçao áo eaes qae nesta época se 
achava bastante arruinado. 

D. Maria l mandoa também reedificar o 
taes, encarregando da inspecção da obra 
Qne teve principio em 3t d*ago«to de i780| 
o desembargador da Casa da Supplicaçâo, 
António Gravito Sim5es da Veiga. 

Foi de pouca solidez esta nova construo- 
^, porque era tal o seu estado de mina 
em 1858, que o governo o mandou refor- 
' lAar completamente, principiando as obras 
a )6 d'abril do mesmo anno, e concluindo-se 
a 30 de setembro de 1872, elevando-se a 
despesa a 50:218^085 réis. 

Este curiosíssimo artigo, foi publicado em 
•o n.« 183 do iilustrado jornal DUtrkto de 
Aoeiro^ pelo infatigável investigador, o sr. 
Joio Augusto Marques Gomes, auctor das 
Memorias à^ Aveiro, do Districto d'Âveiro (li* 
. vro) e de outras publicações de muito me- 
fecimento. 

RIBA, RRIBA, e RIBADA (em latim, r tpa) 
^português antigo-*-margem alcantilada ou 
sobranceira a qualquer rio, estrada ou po- 
voação. 

Em 897, Gondezindo fez uma notável doa- 
ção ao mosteiro de S. Salvador de Labra 
(hoje Lavra) que, desde os tempos antigos, 
estava fundado in ripa maeis. 

RIBA-CAVADA— logar, Traz-os-Montes, 
eoneelho e junto á villa da Torre de Mon- 
corvo. Nada tem de notável, senão haver 
^ui uma antiquíssima ermida, dedicada a 
Hossa Senhora da Esperança, cuja festa se 
tu no dia da Assumpção da Santisaima Vir- 
gem. O povo dá a esta Senhora também o 
Utulo de Nossa Senhora de Biba*Caváda. 

RIBA-GOA--Beira Baixa, aotiquissima co- 
marca, ha muitos annos supprímida, da qual 
a maior parte iórma a actual comarca do 
Sabugal 

Esta eircumscripção pertenceu em tem- 
' p08 remotos ao bispado de Caliàbria, pas- 
sando depois de 716 para o de Cmdad Ro- 



drigo^ depois fiara o de Lamego ; e desde 
1774, pertenceu uma parte á diocese de Pi- 
nhel. 

Estende-seeste território pela margem di- 
reita do rio Côa, que o separa da Extrema- 
dura Hespanhola. (Vide Caliàbria, Pinhel e 
Sabugal,) 

Não sei porque rasão, os antigos chama- 
vam ao território de Riba Côa, tiispado novo. 

Foi pelos annos de 1400. sendo rei D. Di- 
ní^ pontiflce Bonifácio IX, e bispo de La- 
mego, D. Gonçalo (jonçalves, que ò districto 
de Riba- Côa se desmembrou de Ciudad Ro- 
drigo, e passou para Lamego. 

Ha pelos seus montes muitos vestígios de 
fortalezas e povoações, destruídas desde o 
principio do século 8.» até ao i2.<^ Ignora-se 
quem as fundou e o nome que tiveram. 

Vide Sabugal, onde direi mais circum- 
stancíadamente o que foi e o que é Riba-Gõa. 

RIBA DE ANGORA— freguezia» Minho, Con- 
celho e 6 kilometros ao S. de Caminha, co- 
marca, districto, e 12 kilometros ao N. de 
Vianna do Lima, 50 ao O. de Braga, a cujo 
arcebispado pertence, 410 ao N. de Lisboa, 
200 fogos. 

Em 1757, tinha 152 fogos. 

GragOy Santa Maria (Nossa Senhora da As- 
sumpção.) 

A casa do infantado, donatária d'esta fre- 
guezia, apresentava o reitor, que tinha 230 j 
réis de rendimento. 

Este senhorio tinha sido dos Noronhas, 
marquezes de Villa Real, e duques de Ca- 
minha, que o perderam, como tudo o mais 
que possuíam, e a vida,na praça do Rocio 
em Lisboa, em 29 de agosto de 1644, sendo 
degolados, por traidores ao rei e à pátria. 

Os dizimos d*e3ta freguezla constituíam 
um prestimonio da ordem de Christo. 

Está a freguAzia situada em terreno muito 
accidentado, «obre a margem direita do rio 
Ancora, íicando-lhe contíguas, a O., as fre- 
guezias d' Ancora e Gontinhães, na costa do 
Oceano. 

Ha n'e8ta fireguezia a capella de Jesus Ma- 
ria José, vulgarmente chamada capella dos 
Pintos^ fhodada em 1776, por António Ro- 
drigues de Oliveira» mas á custa de seu ir- 



168 



BIB 



Dião, o padre Sebastião Rodrigaes de Olivei- 
ra, que depois foi reitor d*estaparochia. Tem 
vários privilégios e indulgenciaSy concedidos 
pelos sammos pontifices e pelos arcebispos 

de Braga. 

Um dos privilégios é poderem as pessoas 
dA família, baptizar-se, casar-s/e e enterrar- 
se D*ella. 

AntODio Martins d*Oliveira, d*esta fregae- 
zia, dea á egreja matrie, algans ricos para- 
mentos e alfaias, e 600^000 réis em apóli- 
ces do banco de Lisboa, para se fazer todos 
08 annos a solemnidade da Semana Santa. 

É terra muito fértil em todos os géneros 
agrícolas, cria muito gado bovino para ex- 
portação, nos seus montes ha maita caça, o 
rio Ancora lhe fornece algum peixe e é 
abundante do de agua salgada, pois que o mar 
lhe fica apenas a 2 kilometros de disiaocia. 

É povoação antiquíssima e já povoada 
desde o tempo das primeiras invasões dos 
celtas, perto de dez séculos antes do nasci- 
mento de Jesus Christo. 

Se não ha monumentos de úo remota an- 
tiguidade (senão o dolmen de Gontinbaes) 
ainda existem alguns nomes de legares que 
nos provam que aqui, em tempos pre histó- 
ricos, existiram povos vindos da Ásia : por 
exemplo, ha a aldeia do Medo. e o logar do 
Sub-MédOy a Veiga de Sapôr (parle d'esta 
• jà é na (reguezia d' Ancora.) 

Para evitarmos repetições, vide Âncora, 
rio; Âncora, freguezia; e Gontinhães. 

Em 25 de i^ovembro de 1876, houve por 
estes sitios tão grande temporal, que causou 
enormes prejuízos aos proprietários. 

Eis a avaliação d'e8tes prejuízos, manda- 
da fazer pela administração do concelho de 
daminha. (Offlcial.) 

FregroeziAs 

Ancora :. i : iSOfOOO 

Arga iOO^OOO 

Argélia 8:200^000 

Azevedo 3 lOOQ^OOO 

CristéUo i09 Ji900 

Gontinhães 8:^401^000 

18:8894900 



BIB 

Transporte. .... 18:889^900 

Gondar 2:856^800 

MoUédo 4:700if000 

Orbacem 2:374if 400 

Biba d'Ancora 1 :400|;000 

Venade 3:024*300 

Villar de Mouros 1:147 JOOO 

Ville 880|K)00 

Estrada municipal 42*000 

Ponte sobre o Coura ^ 1:100*000 

Somma 30:414*400 

. A isto deve jnntar-se a destruição da pon- 
te nova (feita em 1857) sobre o rio Ancora» 
na estrada real de 1.* classe de Lisboa pm 
o norte, e que tinha custado ao estado réis 
9:200*000— veio a sommar todo o prejuízo 
causado por este temporal, e o de 1866 ua 
quantia de 45:614*400 réis. 

Era natural d*esta freguezia, e aqui fálle- 
ceu a 16 de fevereiro de 1877, Gabriel An- 
tónio Franco de Castro, tenente coronel de 
artilhería^ do exercito portuguez convencio- 
nado em Évora Monte. 

Tinha feito parte da expedição do Brasil 
e Montevideu, em 18i7, tendo a condecora- 
ção da campanha de Montevideu. 

Foi deputado ás cortes, em 1849; vpgai 
e presidente da jnnta geral do districto de 
Vianna e administrador do concelho de Ca- 
minha. Era um cavalheiro rico, intelligente, 
enérgico, e de grande probidade. 

Era parente do general realista do mesmo 
nome (por alcunha o Careca) que foi gover- 
nador das armas do Porto, em 1828, e era 
também natural d'esta freguezia. 

É também natural d*esu freguezia, o ar. 
commendador José Bento Ramos Pereira, ri- 
co proprietário e capitalista, e um dos mais 
nobres e philantropicos caracteres doestas 
terras. Tem aqui uma formosa casa, onde 
reside no verão. 

Fundou, quasi à sua custa, em 1867, uma 
boa casa para escola de instrucção prima- 
ria, casa para se leccionarem os alumno8^<e 
para viver o professor, e, no pavimento tér- 
reo, uma sala, para as sessões da Junta de 
paroehla. 



RIB 



RIB 



169 



sr. Ramos Pereira era de familia pobre, 
e adcpiirin a sua bem empregada riqueza, 
no império do Brasil. 

RIBA D'ÁVE— fregnezia, Minho, eomarea 
e eoncelbo de Vília Nova de Famalicão, 18 
kílometros ao O. de Braga, 3(iO ao N. de Lis* 
boa. 240 fogos. 

Em 1757, tinha 48 fogos. 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

Areebispado e districto administrativo de 
Braga. 

A mitra apresentava o abbade, qae tinha 
WO^OOO réis. 

Foi n'esta fregaezia o mais nobre solar de 
Portugal, fundado por I>. Ruy Gonçalves Pe- 
reira (o primeiro d'este appellido), filho de 
D. Gonçalo Rodrigues de Palmira e de sua 
primeira mulher, D. Troyla, filha de D. Af- 
fonso, conde de Cella-Nova. 

D. Ruy Gonçalves Pereira, um dos mais 
intrépidos guerreiros do seu tempo, nasceu 
em 1192, e foi um dos capitães mandados 
por D. AfTonso II com um exerèito, em soe- 
corro de D. Affonso YIII, de Castella, ^ con* 
tra o poderoso Mahomet IV, que tentava con- 
quistar as Hespanhas. 

Taes actos de bravura praticou na famo- 
síssima batalha e gloriosa victoria de Naicat 
de Toloio, em 1212, que causou espanto a 
todo o exercito cbristão, muito mais, por- 
que D. Ruy não tinha então mais de vinte 
annos. 

É progenitor do famoso condestavel, D. 
Nuno Alvares Pereira, do qual procede a 
real familia de Bragança, o imperador do 
Brasil, e todos os reis christãos da Europa. 
(Vide Feira.) 

RIBA D*AVE— Minho, comarca e conce- 
lho de Santo Thyrso (foi da mesma comar- 
ca, mas do extincto concelho de Negréllos). 

Esta freguezia já fica descrlpta sob a pa- 
lavra Estevam de Riba d'Ave (Santo), mas, 
como d*ahi a um anno aconteceu aqui uma 
grande catastrophe, passo a referil-a. 

Na noite de sabbado de Alleluia (27 de 
março de 1875} para dommgo de Paschoa, 
pela uma hora da madrugada, vários ran- 

1 Não foi sò Portuga], todos os príncipes 
christãos da Península se coUígaram então 
contra os mouros. 



chos de rapazes, davam, com musica e dee- 
cantes, as boas festas, ás portas dos seus 
amigos, lançando vários foguetes. Um d'e8« 
tes, foi cahir sobre uma rima de lenha, que 
estava encostada á casa de Francisco Ribei- 
ro, o qual tinha na mesma casa um graade 
deposito de pólvora, em que negociava* 

Ribeiro, presentindo o perigo, fugiu de ca- 
sa com a sua familia, e poucos momentos 
depois^ uma estrondosa detonação aterrou 
toda a gente das immediaçòes. A casa voou 
pelos ares, hindo a pedra e os materiaes da 
armação, cahir a grandes distancias. 

Ficaram partidos e carbonisados» uma 
mulla e um porco. A casa visinha foi tam- 
bém victinui das chammas. As portas de mui- 
tas casas abriram-se de par em par« e foram 
despedaçados os vidros das janellas de quasi 
toda a povoação. Apezar de não haverem 
desgraças pessoaes, este incêndio ainda 6 
recordado com horror em toda a freguezia. 

RIBA~D'ELLAS — aldeia, Beira-Alta, na 
freguezia de Lalim, concelho de Tarouca, 
comarca, bispado e 6 a 8 kílometros de La- 
mego. 

Junto a esta aldeia está a antiquíssima ca- 
pella de Nossa Senhora da Gloria, que se 
festeja a 2 de fevereiro, havendo então um 
grande Jubileu, concedido pelo papa Gregó- 
rio XIIl, pelos annos de 1575. 

RIBA DE MOURO ^freguezia, Minho, co- 
marca e concelho de Monção .(foi da mesma 
comarca, mas do extincto concelho de Vai* 
ladares), 60 kílometros ao N. de Braga, 420 
ao N. de Lisboa, 100 fogos. 

Em 1757, tinha 504 fogos. 1 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

Areebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Vianna. 

A casa do infantado, donatária da fregue- 
zia, apresentava o reitor, que tinha 180^000 
réis. 

Era aqui o solar dos Quintellas (mas não 
dos Quintellas, hoje condes do Farrobo). A 
familia dos Quintellas d*esta freguezia, flo- 
resceu no reinado de D. Diniz. Hoje está ex- 
tincta. 

1 Parece-roe moito fogo. É provável que> 
seja engano do Portugal Sacro e Profano. 



i7(r 



RIB 



ÍOB 



• O senhorio d'esta fregneiia era* dos mai' 
qaezes de Viila Real, e foi um dos que pas* 
sou a formar a casa do mfantada. (Vide Qué^ 
luz.) 

Os diKimos eram um prestimoiiio da or- 
dem de Ghristo. Foi conto. 

Segmido a tradição, era senhor de uma 
grande quinta n'e8ta ribeira, um mouro cha- 
mado Jnzao. Perseguido pelos christàos, che- 
gou ao sitio hoje chamado Ponte do Mouro, 
e alli saltou o rio a esTalio, prometteodo a 
S. Thiago que, se o lifrasse d*este perigo, se 
faria christão; e como escapou, se baptisou 
e fez christão. 

Dís*8e que é d*este facto que a fireguezia 
tOBMu o nome de Riba de Mouro. 

RIBA D*UL — freguezia, Douro, comarca, 
concelho e 3 kiiometros ao N. de Oliyeira 
d'Azemeis, 36 kiiometros ao S. do Porto» 
285 ao N. de Lisboa, 300 fogos. 

Em 1757, Unha 200 fogos. 

Orago, S. Thiago, apostolo. 

Bispado do Porto» districto administrativo 
d*ATeiro. 

A esta freguezia dà-se geralmente o nome 
de S, Thhffo de Riba d' VI, ou simplesmente 
S. Thiago. 

reitor de Oliveira d* Azeméis, apresen- 
tava o cura, que tiàha âOMOO réis de ren- 
dimento e o pé d*altar. 

É parochia muito antiga, e, segundo a tra- 
dição, houve aqui um mosteiro de freiras 
bentas, que foi destruído pelos mouros, em 
7i8. Não ha vestígios d*elle. Díz-se que era 
na margem direita do rio Ul, que atravessa 
esta freguezia, e lhe dá o nome. ^ 

As rendas d*este mosteiro» passaram de- 
pois para o mosteiro de monges da mesma 
ordem, na freguezia de Gucujies, immeâiata 
a esta. 

Vàmbem passa n'esta freguezia» e aqui se 
junta ao Ul» o ribeiro de Gavalleiros, sobre 
o qual ha uma boa ponte, de cantaria» con- 
struída ha poucos annos» em substituição da 
antiga. 

1 O primeiro nome d'este rio» foi Ral, e 
ainda aqui perto ha a ponte do Ral; depois 
se chamou Feirral, e por fim VI. Muda de 
nome em Estarreja^ chamando-se Áuiuan. 
Yide esta palavra. 



, Foi (junto a es(ta poite (á priaieifa> ^|O0 
alguns individues da Arrilaoa mataram dísán 
offlciaes francezes, em 1809, e oujo «ssaoBi»; 
nato deu pretexto ao horroroso mortieinio 
que os jacobinos fizeram na Arrifana. Tide 
Arrifana e Madeira (S. João da). 

Ainda em 1870 appareceram 'n'eateisltk> 
(do ribeiro dos Gavalleiros) alguns ossos» 
que se suppõe serem dos taes offlciaes. 

No logar de YiilaCóva, d'esla freguesia, 
ha vestígios de uma antiquíssima torre, n» 
sitio chamado ainda, por isso, a Torre. 

Esta torre fica a E., e a um kiloontro de 
distancia do Castro Trancai, na freguezia de 
Sãoi jlartinho da Gandara. <Ylde e»ta pala-* 
vra, e Cucv^Ses.) 

Consta que a tal aldeia de Villa-Góva^ te- 
ve foro de villa, o que não é muito prová- 
vel. 

Segundo a tradição, esta freguezia .pria- 
dpteu a sua povoação por uma easa (que 
ainda existe) na aldeia do Aido de Oma^ e 
a qual casa foi construida por um individuo 
que para aqui veio degredado. 

RIBA^FEITA— fk^guezia» Beira- Alia» qob- 
celho, comarca, districto administrativo,' bis- 
pado e 12 kilometroe de Viseu, 290 ao íf. de 
Lisboa, 400 fogos. 

Em 1757, tinha 262 fogos. 

Orago, Nossa Senhora das Neves^ 

O real padroado apresentava o abbade^ 
que tinha 35O]^O0O réis de rendimento. * 

Yide Quelha de Gonta. 

É terra fértil. Gado e eaça. 

RXBAFRIA— aldeia, Extrenudura» f^gue- 
zia e coDcelbo de Gintra» 30 kiiometros ae 
N.O. de Lisboa. (Yide Cintra.) 

Foi esto logar que deu o appellido á oo- 
bre família dos Ribafrias, ^lue procede de 
Gaspar Rodrigues de Ríbafria» natural does- 
ta aldeia. O rei D. Manud o fez porteiro da 
camará» pelos serviços que Uie havia feito. 
D. João III o fez cavalleiro da ordem de 
Ghristo» alcaide-mór de Gintra, lhe deu so- 
lar em Ribafria, e carta de brazao d'arfflas» 
a 16 de setembro de 1541, que são — Em 
campo verde, torre de prata, lavrada de ne- 
gro, aberta de azulejos de azul e ouro» sobre 
um contrachefe de ondas de azul e prata» en- 
tre duas estrellas de ouro» de 8 pontas, aeeft* 



BIB 



BIB 



17i 



tonadas: Hbm de aço, )J>erto; e por timbre, 
nm leopardo ainl, amado d'oaro, com ama 
das estrellas do e8eado;;iia eapádna. 



Sao representaotea d*esta íámilia, os con- 
des de Penamacor. 

O primeiro qae obteve este titolo, foi An- 
tónio de Saldanba Albnqaerqae de Castro 
Ribafria Pereira^ feito em ir de dezembro 
de i844. 

Sen filho, o sr. António Correia de Salda- 
nha Albaqnerque de Castro Ribafria Perei- 
ra,lé o segundo conde de Penamacor, feito 
em 6 de jaoho de 186Í. 

Este sympathieo cavalheiro^ na flor da 
edade, pois apenas eonta 35 annos, aparen- 
tado com as mais distinctas famílias de Por- 
tugal, jaz actoalmente preso na cadeia do 
Limoeiro, em Lisboa, sob a terrível accosa- 
çao de moedeiro falso. 

Deus queira que se justífiqne plenamente, 
provando a calumnia de tal accnsação, para 
honra dos seus nobilíssimos appellidos, e 
para satisfa^ de. sua esposa, filhos e pa« 
rentes. 



Disse, por mal informado, a pag. 422, col. 
%\ de 6.* vol., qae a RibafHa que deu o 
appellido aos condes de Penamacor, era na 
íreguezia de Palha-Cana, concelho de Alem- 
quer. Ha, é verdade, n'esta freguezia o le- 
gar de Ribafria, mas, como Vimos no pre- 
sente artigo, a Ribafria dos condes de Pena* 
macor, é em Cintra. 

RIBALDSIRA — freguezia, Extremadara, 
comarca, concelho e 13 kilometros a E. de 
Torres-Vedras (foi da mesma comarca, mas 
do concelho de Ribaldeíra, supprimido em 
1865), 40 kilometros ao N.O. de Lisboa, 700 
fogos. 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

A esta freguezia está unida a de Dais Per- 
tos, e ó por isso que também se chanut iii- 
baUeira e Dois Partos. 

É sobre esta ultima denominação que vem 



no Parhí/al Soerá e Ptafima. Vide Dot9 
Portos. 1 



Próximo á aldeia chamada A dos JUilhei^ 
rãs, na parte da freguezia, que foi da do 
Dois Portos, está a capella de Nossa Senho* 
ra dos Milagres, ou da Fonte Santa. 

Foi construída em 1578. É baixa, reee* 
bendo a sua capella«mór a luz por uma cia- 
rabeia de ferro e vidro, e o corpo da egreja» 
pela porta e por duas janellas que estão aos 
lados d*ella. Não tem coro, por não ter at« 
tura sufilciente. Tem sachristia, ao £ , e pe» 
gada aella a casa do eremitão, e mais duaa 
moradas de casas, onde habitam duas faml* 
lias. 

Tem um magnifico alpendre, ao S., com 
assentos de pedra, assim como os tem o ma« 
ro do adro, do lado do E., que deita para 
umas pobres terras que dão ao eremitão» 
pelo trabalho de recender a alampada (qae 
está a maior parte do tempo apagada, ape* 
zar de receber muitas esmolas e offertaa da 
azeitei...) 

Ha na ermida uma alampada, uma eruM^ 
galhetas e prato, thuríbulo e naveta, tudo 
de prata lavrada. 

A Senhora tem uma coroa de ouro, qae 
lhe deu, em 1873, o sr. Isidoro Franclseo 
da Cruz,' natural da aldeia de Alfeiria, e re- 
sidente no Brasil. 

O alur*mór ó sustentado por columnas4A 
mármore, feitas em espiral, e a imagem da 
Senhora está dentro de uma bonita maqoi* 
neta envidraçada. O altar é uma uma de 
mármore cora baixo8*relevos de mereei- 
mento. 

A parede da capella-mór, é revestida da 
exeellentes azulejos, de primoroso desenho^ 
representando varias scenas da vida da Se-» 
nhora. 

Consta que esta imagem não ó a primitti* 
va, mas sim uma que está na capella do sn 

^ Por escriptura publica, de 14 de novenw 
bro de 1595, feita entre os moradores d*esta 
freguezia, e os beneflciados de Torres Ye« 
dras, se obrigaram aquelles a ter constante* 
mente aceeza a alampada do Santissimo Sa* 
cramento d'esta freguezia. 



172 



BIB 



CApitSo, do logar dà Ribeira de Maria Âf- 
fonso, d'e9ta fregueria. 

Pela roda do anno se dizem aqai maitas 
missas, em cumprimento de promessas, pois 
a Senhora é objecto dé muita devoção, dos 
povos d'e9tes sitios. 

A ermida tem boas alfaias e rioos para* 
mentos, dados pelos devotos da SS. Vir- 
gem. 

Os moradores dos logares da Maceira, 
d-esta freguezia, e de Alíeiria, fjregaèzia de 
Carmões, festejam a Seabora no ultimo do* 
mingo d*agosto, havendo um grande arraial, 
fogo preso e do ar, dois sermões, procissão, 

e!c. 

No dia 8 de setembro, ha a festa chama- 
da da casa paga pelo cofre da Senhora. 

KSo tem eofraria. 

Antigamente vinham aqui cirios de Lis- 
boa, havendo então grandes festas e cava- 
lhadas. 

Também havia uma grande feira, que hoje 
está em muita decadência^ pois apenas coná- 
ta de junco, tabuado, cebolas, cestos de vi- 
me, e louça ordinária. 

• A capelia fica em uma elevação, a 1:500 
metros ao N. da villa de Sobral do Monte 
Agraço. 

Ao fundo da costeira, do lado do E., ha 
um bom chafariz de cantaria, que é a fonte 
Saiita, que a Senhora fez rebentar de um 
rochedo. 

Do adro da capelia se gosa um vasto e 
formoso panorama, e em dias claros, vé-se 
o Oceano^ ao O. 

Esta ermida é administrada por dois in- 
divíduos (cunhados) do logaf da Maceira, 
que desfructam algumas terras pertencen- 
tes á Senhora. 



A maior parte d'estes esclarecimentos, 
devo-os à generosidade do sr. padre Ve- 
nâncio da Costa e Oliveira, da aldeia da 
Corujeira, freguezia de Carmões, ao qual 
dou os mais sinceros agradecimentos. 



A origem d'esta eapella e da sua invoca* 
são, consta da lenda seguinte: 



BIB 

Que formosa éhDidi é esta 
Que alveja na eumiada? 
N*eUa a lua se reflecte, 
N'ella o sol faz alvorada. 

— É a VIRGEM DOS MILAGBBS 

Dos homens ade vogada: 
A Casu Pomba de Deus, 

líABIA IMIIAGULADA. 

— Quem foi quefeKn'^este monte 
Obra tão bem detalhada, 
Que nos dá prazer á vista^ 
Que nos convida á orada? 

—Foi o amor d'este povo 
 viRGBtt santa adorada, 
Por lhe dar a fmte SamtUy 
A fonte santa ehamadai 

• 

— Diz-me to, oh pegureiro. 
Como esta fonte foi nada:^ 
Como se achou n*este monte 
A fonie santa chamada ? 

—Era uma sesta d*agosto. 
Westa serra, que abrasava. 
Um pastorinho innocente 
Suas ovelhas guardava. 

Morria o triste de sôdé. 
Com sede o triste chorava. 
Por ver que n'aquella serra 
Nenhuma fonte encontrava. 

Viu então formosa virgem 
Que ao pastor se acercava, 
£ com maternal carinho 
Estas palavras soltava 

—Porque choras, meu menino ? 
Diz-me quem te maltratara? 
—Tenho sede, sem ter agua 
Com que me desalterara. 

— Vés aquella penedia 
Tio ressequida e tisnada? * 
Vae lá, verás tuna fonto 
Com agua clara e nevada.-^ . 



RIB 



RB 



173 



rao eria o pastor, mas M, 
Porque a sede o alladoava; 
E logo» Tendo uma fonte, 
N'ella se detalterava. 

Veio dar graças á Virgem 
Qae de tal sede o livrava; 
Mas, chegando ao sen rebanho 
Já BLLÀ alli não estava ! 

Logo o povo d*estas terras 
Este milagre notava, 

E á SANTA TIBGKM MARIA 

Esta ermida fabricava. 

O menino pedia agua 
ELLA nma fonte lhe dava: 
A Fonte Santa da virgem 
Que até os peccados lava. 

CASTA POMBA DO SINHOR, 
MARIA IMMACDLADA, 

N'esta vida e mais na outra 
Sede nossa adevogada. 

RIBA-LONGA^-fregnezía, Traz-os-Montes, 
concelho de Carrazôda d*Anciàes, comarca 
de Moncorvo^ 120 kilometros ao N.E. de Bra- 
ga, 370 ao N. de Lisboa, 90 fogos. 

Em 1757, tinha 51 fogos. 

Orago, Santa Marinha, virgem e martyr. 

Arcebispado de Braga^ districto adminis* 
trativo de Bragança. 

O reitor de S. Mígnel de Linhares, apre* 
sentava o vigário, que tinha 40M00 réis e 
o pé d'altar. 

É terra pouco fértil, em razio do seu cli- 
ma excessivo. Cria mnito gado e é abundan* 
le de caça. 

RIBA-L0N6A— freguezia, Traz-os Montes, 
comarca e concelho d'Aiíjó (foi da comarca 
de Villa-Real, extincto concelho deVillar de 
Maçada), 96 kilometros ao N.E. de Braga, 
370 ao N. de Lisboa, 100 fogos. 

Em 1757, linha 49 fogos. 

Orago, Santa Anna, mãe de Nossa Se* 
iihora. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Villa-Real. 

O reitor de São Miguel de Trez Minas^ 



apresentava o cnra, que tinha 40if000 réis 
e o pé d*altar. 

É terra fértil. Bom v{nho, gado e caça. 

RIBAMÁ-— pequeno rio, Beira-Alta, que 
morre no Vouga, perto de S. Pedro do SuL 

Provém o seu nome de correr por Ín- 
gremes ribanceiras (ribas), entre Quèiran e 
Ventosa. Rega os terrenos onde as suas mar- 
gens são planas, e traz peixe miúdo. 

RIBAMAR (Santa Gatharíoa)— aldeia, Ex- 
tremadura, sobre a direita do Tejo, na fre- 
guezia de Carnaxide, concelho d^Oeiras, 11 
kilometros ao O. de Lisboa. 

Esta bonita povoação é vulgarmente co- 
nhecida sob o nome de Dafundo, ainda que, 
verdadeiramente. Santa Catharioa de Riba- 
mar é o que foi mosteiro e cerca dos frades 
arrabidos, hoje propriedade do sr. Fernando 
Palha, e fica sobre o Dafundo. (Vide vol. 2.% 
pag. 463, col. l.«) 

No sitio onde hoje se vêem as ruínas da 
egreja e pequeno mosteiro dos frades arra- 
bidos, existia uma antiquíssima ormída, de- 
dicada â virgem e martyr Santa Gatharina, 
pertencente aos beneflciados da egreja de 
Santa Cruz do Gastello, em Lisboa. 

Na Historia ecclesiastica de Lisboa, diz o 
arcebispo d*esla cidade^ D. Rodrigo da Cu- 
nha, que, quanto á antiguidade d'esta ermi- 
da; só se sabe que já existia em 1171, sendo 
então egreja parochial, que tinha por fre- 
gnezes, não só os habitantes d'esta margem 
do Tejo, mas também os das actuaes fregue- 
zias de Bemfica, Campo-Grande (então Alva^ 
láde), Lumiar, e todas as aldeias interme- 
diarias; sendo a 3.* fregnezia chrístan crea- 
da depois da tomada de Lisboa aos mouros, 
em 1147. (A primeira foi a Sé, e a segunda 
os Martyres.) 

Com o andar dos tempos, e sendo o tem- 
plo pequeno para matriz de uma vasta fre- 
guezia, ficando de mais a mais na extremi- 
dade d'ella, foi a parochia mudada para a 
actual egreja de S. Romão de Carnaxide^ fi- 
cando a antiga matriz annexa, como ermi- 
da, à collegíada de Santa Cruz do Gastello» 
ficando o prior de Santa Cruz com o direito 
de apresentar o prior de Carnaxide. 

A infanta D. Isabel, filha de D. Jaymè, du- 



174 



BIB 



RIB 



quA de Bragança, e víava do infaote D. Doar* 
te^ duqae de Guimarães, filho do rei D. Ma- 
nuel, emprebenden ítindar junto á ermida 
de Santa Gatharína, om mosteiro de frades 
arrabidos, a ordem mais pobre e de maior 
penitencia e austeridade de vida que então 
havia em Portugal, e fitial do famoso mos- 
teiro da Arrábida, junto ao cabo do Espi- 
chel, proxii&o e ao O. de Setúbal. (Vol. i.% 
pag. 238 K K, col. 2.*) 

Mandou D. Isabel, pelo infante D. Luiz, 
pedir ao prior e beneficiados de Santa Cruz 
do Gastello, licença para a construcção do 
mosteiro, ao que elles anuuiram, mediante 
a renda annual de 2:000 marayidis, do que 
se lavrou escriptura publica, que auctorisa- 
vam o arcebispo de Lisboa (D. Fernando de 
Yasconcellos e Menezes, 2.*» filho de D. Affon- 
so de Yasconcellos, I.* conde de Peneila) e o 
rei D. João IH. 

Sobre umas rochas^ ao E. da Cruz Que- 
brada, e sobranceiras ao logar do Dafundo 
(que entâo^aiuda não existia) fundou a pie- 
dosa infanta o pequenino mosteiro, no ânuo 
de 1551. 

Foi a obra tão mal construída, que, pelos 
annos de 1590, foi preciso reedificar o mos- 
teiro; mas, com tão maus materiaes, que, 
em 1625, se viram os religiosos obrigados a 
abandonai-o, por ameaçar immiaenteruiDa.^ 

Esteve assim deshabitado e desmantelado, 
até que, em 1634, Diogo Lopes de Souza, 2."* 
conde de Miranda, edificou aos religiosos 
um novo mosteiro, próximo ao antigo; con- 
struindo n'elle o mesmo conde o seu jazigo 
e o de 5eos descendentes, que depois foram 
marquezes d* Arronches e, por fim, duques 
de Lafões. < Entre os membros doesta famí- 
lia que foram aqui sepultados^ se acha o in- 
fante D. Miguel, filho legitimado de D Pe- 
dro II, que foi casado (o infante) com D. Lui- 
za Casimira de Souza, herdeira da casa dos 

1 O convento de frades arrabidos da Boa- 
Yíagem, foi construído para dar abrigo aos 
religiosos de Santa Catharina de Ribamar, 
antes que o conde de Miranda construísse o 
novo mosteiro. Para se evitarem repetições^ 
vide Boa-Viagetn, voL L% pag. 403, col. 1.% 
no fim. 

* Yide no artigo Porto, anno de 1647, e 
pag. 508, col. l.« 



marquezes de Arronches, e l.« duqoeza de 
Lafões. 

Depois de IS34, o mosteiro, abandonado 
pelos religiosos^ tornou-se um montão de 
minas, que foram compradas por Estevam 
Palha de Faria Gião, o ó hoje de seu filho, 
o sr. Fernando Palha, que o reuniu á soa 
bella quinta do Dafundo. O que foi cérea 
está muito aformoseado, mas do mosteiro 
não existem senão algumas paredes. (Yide 
Dafundo e Porto^S^Uwo.) 

Ao O. de Santa Catharina de Ribamar, e 
já próximo de Paço d' Arcos, está o forte da 
S. Pedro, bem conservado e com guarnição, 
estando actualmente estabelecido n*elle o de- 
posito de torpedos. 

Sobre a poria principal (e única) do for^ 
te, se vé esta inscripção: 

BEINANDO EL-ItEI NOSSO SENHOR, 

D. JOÃO IV. SE. FEZ ESTA OBRA, 

POR MANDADO DO CONDE DE 

CANTANHEDE, DOS SEI7S CONSELHOS 

DE ESTADO B GUERRA, E VEDOR 

DA FAZENDA — NO ANNO DE 

1649. 

Ylsoondes de Ribamar 

O primeiro visconde de Ribamar, foi João 
da Costa Carvalho, feito em 23 de agosto de 
1864. 

Nasceu em S. João da Foz do Douro, em 
8 de março de 1790, e era filho de um po* 
bre» mas honrado negociante, que morreu 
quando seu filho era ainda creança. 

Foi para a cidade da Bahia, em 1804, e o 
primeiro logar que ahi obteve foi o de pra- 
ticante, a bordo do brigue Paquete da BaMa, 
Em 1810, era piloto da galera Flor de Per^ 
nambuco, e em 1817, era capitão do brigue 
Audaz, que tinha 20 peças de artilheria e 
120 pessoas de tripulação. 

Por serviços importantes que Costa Car* 
valho prestou ao Brasil, como oommaadante 
do brigue Audaz, foi por carta régia de 3 
de abril de 1819, feito capitão tenente, ca- 
valleiro do habito de Christo, e condecorar 
do com a estrella d'onro, da campanha de 
Montevideu. 

Tomado o Brasil independente, veiu Coe* 



RIB 



BIBi 



175 



ta^Curvalbo para Portigal» sabindo de Per* 
namboco em 2 de jalho de i823, e chegando 
a Lisboa no íim d*agosto. 

O brigue Audaz dea baixa por desarma- 
mento (era navio mercante» armado em gner^ 
ra) e em agosto de i82i, foi feito comman- 
daote da charrua de guerra Princéxa^Real, 
que também deu baixa em abril de 1826. 

Finaimeote» nas guerras civis de 1828, 
i882 e 1834, seguiu o partido liberal, e che- 
gou ao posto de contra-almúrante, e ao tiiuo 
Io der visconde. 

Tinha uma quinta em Gibalta^ ao O. da 
GrfizQuebrada, que è hoje dós seus herdei- 
roe^ e ó d'ella que tomou o titulo, porque 
ainda aqui se chamava antigamente Riba* 
mar. Esta quinta tem um bom palácio. 

O'primeiro'visconde de Ribamar, Mum 
militar distincto e um perfeito cavalheiro. 



Em 16 de maio de 1866, foi feita viscon- 
dessa de Ribamar, sua filha, a sr.« D. Hen- 
riqueta da Costa Carvalho Talone: e no mes- 
mo dia obteve egaal titulo, seu marido, o 
sr. Frederico Carlos Agoello Talone, que é 
o actual visconde de Ribamar. 
. RIBAIIAR (S. José)— aldeia, Extremadu- 
ra» na mesma fireguezia de Carnaxide, e egual 
distancia ao O. de Li:«boa, ficando ao B« de 
Santa Catharina de Ribamar, e do Dafundo, 
e a distancia apenas de 250 metros d*e8tas 
duas povoações. 

Foi o 4.* mosteiro da ordem da Arrábida, 
que se construiu em Portogal. 

Foi fundado em 1659, por O. Francisco 
de Gusmão, e sua mulher, D. Joanna de Rias- 
velt— -o 1.*, mordomo-mór da infanta D. Bfa- 
ria, filha do rei D. Manuel, e a 2.% aia da 
mesma princeza. 

Tanto a egreja como o mosteiro eram pe- 
quenos, e tão mal construídos, qne logo em 
1595 foi preciso reedifical-os. Ainda depois 
soffreram varias reconstrucções e bastantes 
melhoramentos. 

Apezar de pequeno e pobre, teve este con- 
vento muitos privilégios e regalias. 

O cardeal-rei, D. Hh^nrique, mandou con- 
siruir. Junto á capella mór da egreja, um 
edifieiOy com trez salas, e n*elle passava al- 



gumas temporadas, em eonviveneia com et 
monges. 

A rainha D. Catharioa, viuva de Carlos ÍI 
de Inglaterra, filha do nosso D. Joâo IV, gos* 
tava muito de frequentar este mosteiro, e 
alli jantou varias vezes, pagando n*esse dia- 
toda a despeza do mosteiro. (Esta senhora 
foi a fundadora do palácio da Bemposta, ou 
das Rainhas^ em Lisboa. (Vide 4.* vol., pag. 
131, col. 2.-) 

Ç. João V, veio por muitas vezes aqui as- 
sistir ás rezas do coro, pela manhan e á noi- 
te, em 1712, quando assistia no palácio dos 
duques de Cadaval, em F^edrouços, qne é a 
uns 300 metros ao E. de S. José de Riba* 
mar. 

Além d'isso, todos os annos, no dia da fes- 
ta de S. Francisco, hia jantar com os mon- 
ges no refeitório, não consentindo qne n*es- 
sas occasiões fosse tratado senão como qual- 
quer simples religioso. 

A egreja possuia ricas alfaias; um quadro 
deS. José, que se dizia ser o verdadeiro re- 
trato doeste santo, pintado por o evangelista 
S. Lucas; e varias jóias de muito valor, da- 
divas da rainha D. Maria Francisca Isabd 
de Saboya, e de outras priocezas e fidalgas» 
que se eocommendavam a S. José, para te- 
rem successão, e que davam ao mosteiro va- 
rias esmolas» depois de obtido o milagre. 

Aqui foram sepultados «os fundadores, e 
além d^elles— e apezar de terem jazigo pró- 
prio em outras egrejas*-D. João de Portu- 
gal, bispo de Lamego; D. liaria de Azevedo^ 
condessa do Vimioso; D. Miguel de Portu^ 
gal e sua mulher, também condes do Vimio- 
so; D. Maria de Lencastre, condessa de Cas- 
tello-Meihor; D. Marianna de Vasconcellos^ 
marqueza do mesmo titulo; D. Diogo da Sil- 
va, 6.* conde de Portalegre, e seu irmão» 
D. João da Silva, capellão>mór de D. Philip- 
pe IV, de Hespanha; Francisco de Távora» 
conde d'Alvôr; D. Julianna de Noronha, con- 
dessa d'Aveiras; e outras muitas pessoas no- 
táveis. 

O mosteiro e a sua cerca, bem arborísa- 
da^^foram vendidos, logo depois da suppres- 
são das ordens religiosas, e é hoje uma bel« 
lissima propriedade do sr. Eduardo Augus- 
to da Silva Cabral, feito 2.* conde de Cabral» . 



176 



Rm 



no !.* d*abril de 1869. É filho do falleeido 
José Bernardo da Silva Cabral, que foi feito 
1.* coDde de Cabral, em 24 de oatabro de 
1867. 

O actual possuidor do mosteiro, tem aqai 
feito grandes melhoramentos, e construído 
varias casas que arrenda na estação dos ba- 
nhos, vindo elle também com a sua familia 
aqui residir no verão. É uma habitação de- 
liciosa, e com formosíssimas vistas, como 
todas as povoações d'esta margem do T^o, 
sobre tudo, desde a torre de Belém, até S. 
Julião da Barra. 

Os srs. condes de Lumiares tinham uma 
propriedade junto e ao nascente da cerca 
do mosteiro. O sr. conde de Cabral a com- 
prou, em fevereiro de 1875, e é hoje uma 
bonita e grande casa, logo à entrada do por- 
tão de ferro, da quinta. E' também para alu- 
gar. 

Ainda á entrada da quinta â'este lado (E.) 
em um terreno exterior, se vé um cruzeiro 
que foi do convento^ e que o sr. conde de 
Cabral para aqui mandou remover do logar 
primíttivd. 

A pequena mas formosa egreja, está opti- 
mamente conservada e com muito aeceio, 
isto devido aos sentimentos religiosos do sr. 
conde: e quando aqui reside, ha sempre mis- 
9A, nos domingos e dias sanctiíicados. 

Em frente d'esta quinta, ao S., em um ter- 
reno entre eila e a estrada real de Oeiras, 
mandou a repartição das obras publicas, 
eonstrair um bonito jardim, que ainda mais 
valor dá à quinta. 

Também próximo e ao S.O. da mesma 
quinta^ existiu o forte de S. José de Riba- 
mar, que foi arrasado depois de 1834, e já 
nem d'elJe ha vestígios. 

Ainda em frente da quinta, do lado do 
B.« existiu o forte de Nossa Senhora da Con- 
ceição, que foi vendido, depois de 1834, e 
sobre as suas muralhas se construiu um 
prédio, hoje do sr. Gaspar Gomes dos An- 
jos. (Vide Pedroiços e o 2.* Porto-Salvo.) 

RIBAMAR (S. José) — Na vilta da Póvoa 
de Varzim, ha também um sitio chamado 
S. Jasê de Bihamar. Fica mesmo na praia 
dos banhos. O povo da villa, com esmolas 
soas, 6 com as soUidladas aos banhistas^ 



RIB 

principiou em 1876 a eonstrair aqui uma 
grande capella, dedicada á sagrada familia 
Jesus Maria José. 

Já n*elia se diz missa (1878) e já tem altar- 
mór e dois lateraes. Ainda anda em obras. 

RIBA-PAIVAt— Douro e Beira-Alta-— da- 
va-se em geral o nome de Riba^Paivct^ ao 
território das duas margens do rio Paiva^ 
que divide a província do Douro da Beira- 
Alta; mas em especial á freguezia de Santa 
Maria de Sardoura, que hoje está dividida 
em duas— Santa Maria, e S. Martinho-^am« 
bas no concelho do Castello de Paiva. 

A freguezia de Sardoura, é uma das mais 
antigas de Portugal, e que já existia em d89, 
pois n*esse anno, fez Vimarédo, abbade do 
mosteiro duplex, de S. Miguel de Riba-Pai- 
va, próximo a Sardoura, escambo (troca) de 
uma propriedade por outra, a certo parti* 
cular, can consensum fratribus et sororibus 
nostris. N*este escambo assignaram, com o 
titulo áeDeo-Vódaa (devotas) Ermilli Elua- 
la, e Mara: e com o titulo de sorores, Aetina, 
Martina, Egila, Tederona, Iquila, e Amedra- 
dia. (Doe. do real mosteiro d* Arouca.) , 

Este mosteiro de S. Miguel era da ordem 
benedictina. 

Também no archivo do mesmo real mos- 
teiro, se acha a doação da ermida de S. João 
da Foz (que depois foi do mosteiro de Santo 
Thyrso), feita por D. Affonso Henriques, em 
1145, ao mosteiro de S. Miguel de Riba-Pai- 
va. Vide Rem. 

Já ha mais de 400 annos que não existe o 
mosteiro de S. Miguel de Riba-Paiva, nem 
d*elie resta o minimo vestígio, nem mesmo 
tradição, nem se sabe o sitio exacto em que 
estava fundado. Perguntei por isto a varias 
pessoas das mais velhas d'estes sítios^ mas 
nada me souberam dizer. Só consta da sua 
existência, pelos documentos do cartório das 
freiras d* Arouca. 

Sabe-se. apenas que era perto de Villa- 
Real (a actual freguezia de Real, do conce- 
lho de Paiva) territorium Enegia, subtus 
mons Serra-Sieca, discorrentem rivulo Sar-^ 
doura. 

As duas freguesias de Sardoura, são com 
effeito nas margens do rio do seu nome, e 



RIB 



BIB 



177 



sobre a margem esquerda do Douro, onde 
desagua— pouco acima de Linhares— o rio 
Sardoura, que apenas merece o nome' de ri- 
beiro. 

BIBA-PENHiO — freguezia de Traz-os- 
Montes, concelho de Sabrosa, comarca e dis- 
tricto administrativo de Villa Real, arcebis- 
pado de Braga, d*onde dista iOOkilometros, 
ao N. E., 365 ao norte de Lisboa, 230 fogos. 

Em 1757 tinha 152. 

Orago S. Lourenço, martyr. 

A mesa archiepiscopal de Braga apresen- 
tova o reitor, que tinha iOOJiOOO réis de 
renda. 

Esta freguesia pertenceu ao extincto con- 
celho de Villar de Maçada. 

RIBAS— freguesia, Minho, comarca e con- 
celho de Celorico de Basto, 50kilometrosao 
N.E. de Braga, 365 ao N. de Lisboa, 250 fo- 
gos. 

Em 1757, tinha i95 fogos. 

Orago, o Salvador. 

Arcebispado e distvicto administrativo de 
Braga. 

A mitra primacial apresentava o reitor, 
que tinha 160ifOOO réis de rendimento. 

É terra fértil: muito gado, caça, e peixe 
do Tâmega e de alguns ribeiros. 

Houve n'e8ta freguezia um mostsiro de 
cónegos regrantes de Santo Agostinho (cru- 
zios), fundado por D. João Peculiar, arce- 
bispo de Braga. 

Principiaram as obras do mosteiro, em 
li53, e, em 1160, tomou posse d'elle, o seu 
primeiro prior, D. Mendo, e seus frades. 

Este D, Mendo foi sepultado na claustra, 
em uma arca de pedra, mettida na parede. 
Tem uma inscripção latina, qoe traduzida, 
diz — ^Aqui jaz D. Mendo, o !• prior qne 
foi doeste mosteiro, o qwU nwnca deu um úni- 
co passo que não fosse em serviço de Deus. 
Falleceu a 2 de ouimbro da era de 1208. 
(1170 de J. C) 

Em 1566 passou o mosteiro a poder de 
commeadatarios, e o cardeal D. Henrique 
(depois rei) o uniu para sempre ás com- 
oaendas de Christo. 

A egreja do mosteiro é a matriz da íire- 
guezía, e parte do mosteiro é a residência 
do parocho, o resto foi demolido. 



RIBAS -^ aldeia. Douro, flreguezia, con- 
celho e próximo á villa de Uhavo, comarca^ 
bÍ!»pado, distrícto e 5 kilometros ao S. O. de 
Aveiro. 

É um logar fértil e bonito, e tem uma ca- 
pella dedicada a Nossa Senhora do Rosacio» 
á qual se faz annualmente uma grande fes- 
ta, havendo arraial muito concorrido. 

Ribas é também appellido nobre em Por- 
tugal, c^ja família veiu de Hespanha^ que o 
tomou da villa de Ribas, junto à cidade de 
Ledesma, no reino de Leão. É antigo, por- 
que já na batalha das Navas de Toloaa 
(1212) se achou com elle Salvador Gracia 
de Ribas, a quem D. Affonso IX armou ca- 
valleiro. Consta que passaram a Portugal 
alguns indivíduos d'esta família, que deram 
o seu appellido a uma aldeia da comarca do 
Guimarães. 

Trazem por armas em campo de ouro, 
cruz azul, floreada; orla azul, carregada de 
sete flores de liz, de ouro. Elmo de aço» 
aberto, e por timbre uma das flores de liz 
das armas. 

RIBA-TUA— freguezia, Traz-os-Montes. 

Vide Mamede de Riba-Tua (S.) 

RIBA-YISBLLA — duas freguezias d*este 
nome, na província do Minho. 

Vide ViseUa. 

RIBEIRA— freguezia, Minho, concelho de 
Terras de Bouro, comardSi de Villa Verde. 

Esta freguezia já está em Matheus da Hi- 
beira (S.) 

RIBEIRA. Vide Iria da Ribeira (Santa). 

Esta freguezia é a da Ribeira de Santa- 
rém. Vide esta palavra. 

RIBEIRA (Nossa Senhora da). Sanctuario 
junto ao logar de Torrozéllo, na freguezia 
de Folhadosa, comarca e concelho de CÁsu 

Está situado em um delicioso campo, pró- 
ximo ao rio Alva, que lhe passa junto i 
egreja. 

A imagem da padroeira appareceu a um 
pastor, surdo-mudo de nascimento^ que des- 
de então adquiriu o uso dos dois sentidos 
que lhe faltavam. 

Este pastor era natural da Villa de Loa- 
rosa, e para lá levou a santa imagem; mas 
esta fugiu para o sitio onde tinha sido acha- 
da, que era o Ôco de um sobreiro. Construiu- 



178 



RTB 



lhe eotao o povo ama peqnena e tosca er* 
' inida: porém, como fosse crescendo a devo- 
ção à Senhora, se lhe construía uma vasta e 
boa capella, tendo contigoas umas casas 
para residência de dois eremities, e com ama 
bea cerca para logradouro dos mesmos. 

Estesanctuario fica perto dasvilias de 
Géa e Bobadella. 

RIBEIRA — appellido nobre d'este reino, 
cuja família veia de Hespanha, e tinha o seu 
solar na Gallisa. Passou a Portugal, no rei* 
nado de D. Manuel, que o trouxe Ruy Dias 
da Ribeira. Este fidalgo foi alcaide-mór da 
villa da Amieira, na comarca da Gertan^ con- 
celho de Oleiros, nó AJemtejo. 

Foi seu filho, Damião Dias da Ribeira, 
escrivão da fazenda de D. João III, que lhe 
deu braião d'armas, na cidade de Évora, no 
I.* de abril de i526, composto do modo se- 
guinte: —Em campo azul, um leopardo de 
prata, passante, armado de ouro r chefe de 
ouro, carregado de trez estreites, de purpu- 
ra, de cinco pontas. Timbre, o leopardo do 
escudo, com uma das estreitas na espádua. 
• Os marquezes de Montemór-o- Velho, des- 
cendiam d'estes Ribeiras. 

RIBBIRA*-freguezia, Minho, comarca e 
concelho de Ponte do Lima, 30 kilometros 
ao O. de Draga, 400 ao r^; de Lisboa, 320 
fogos. 
. Em 1757 tinha* 250. 

Orago S. João Baptista. 

Arcebispado de Braga, distrícto de Vian- 
na. 

o morgado dos Pereiras, de Mazarefes, 
apresentava o abbade, que tinha 900^000 
réis de rendimento annual. 

É terra motto fértil em todos os fiructos 
do paiz, e cria muito gado que exporta. 

Houve aqui am mosteiro de monges ben- 
tos, muito antigo, que passou a abbadia se- 
cular, do couto de Paradella, pertencente à 
^casa dos Azevedos. 

No logar de Fonte-Goberta, d*estafrega6- 
zia, é que existiu o mosteiro. Ainda alli 
existe a bonita e grande capdla de Nossa 
Senhora da Abbadia (assim chamada em 
memoria do mosteiro), á qual se faz ama 
grande festa, no dia 15 de agosto de cada 
«nno, e sempre concorrídissiraa. 



Em 988, reinando em Leão, D. Berma- 
do II, doou a D. Tello e sua mulher, D. Ma- 
nia, os coutos de Mazarefes, Paradella, Grae- 
to, Casaes de Freiriz, e Gimieira. Gomo não 
tiveram filhos, doaram os ditos coutos e o 
padroado d'está egreja, e da de Mazarefes» 
ao mosteiro de S. Paio-Aiite Altares, em 
Gompostella, na Galliza. 

Em 1574, o nosso rei D. Fernando, tirou 
esta doação ao D. abbade, por ter tomado o 
partido de D. H«nriqae If, de Ca8tella,eem- 
prazou tado a Martim Mendes de Berrédo, 
casado com D. Maria Pereira, filha de Roíy 
Pereira, senhor da Feira. D*e8te matrimonio 
nao houve filhos, e ficando viuva D. Maria 
Pereira, e senhora dos coutos, os vendra 
com tttdo qaanto lhes pertencia, ao seu pa- 
rente, Diogo Pereira, para ítmdar o mostei- 
ro de Jesos, em Aveiro. 

Nos coutos, tiohaín a quarta parte de ta- 
do, incluiodo lenha e tojo : ninguém podia 
levantar casa do sobrado, sem licença dos 
senhores do couto. * 

No monte de Santa Gaibarína, d*esta fii^e- 
guezia, ha vestígios de povoação ou fortale- 
za muito. antigas. 

RIBEIRA. —Vide as trez freguerias de S. 
João da Ribeira, que estão na 1.* col. da 
pag. 4i7, do 3.0 vol. 

RIBEIRA-BRANGA— freguesia, Extremá- 
dara, comarca e concelho de Torres Novas, 
120 kilometros ao N. E. de Lisboa, 250 fo- 
gos. 

Em 1757, tinha 150 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Patriarehado de Lisboa. 

Dislricto administrativo de Santarém. 

O prior da freguezia de S. Pedro, de Tor- 
res Novas, apresentava o cura, que tinha 60 
alqueires de trigo e 25 almudes de vinho. 

É terra fértil. 

RIBEIRA DAOODIM — freguezia. Extre- 
madura, comarca, concelho e 6 kilometros 
de Leiria, 155 ao N. E. de Lisboa. 

Tinha em 1757, 313 fogos. 

Orago Nossa Senhora dos Milagres. 

É actual freguezia dos MUa(fr$t, que flca 
descripta a pag. 220, col. 2.*, do 5.« voL 

RIBEIRA DE ALHARIZ— Vide Alharix. 

RIBEIRA DE ALUO — aldeia, Traz^os^ 



Rffi 



RIB 



179 



Montes, comarca, concelho e dútricto de 
Yilla Real, no arcebispado de Braga. 

Pertence á freguezia de Alijó. 

Em 21 de novembro de 1867 foi feito vid* 
conde da Ribeira d'Alijó, o sr. Jeaqaim Pin- 
to de Magalhães. Em 30 de abril de 1874 
fei ftiito visconde do mesmo titulo, o sr. An- 
tónio Júlio de Castro Pinto de Magalhães, 
que fallecen em 5 de dezembro de 1875. 

Em 16 de novembro de 1876, foi fqito vis- 
conde do mesmo titulo, o sr. Roberto Au* 
gnsto Pinto de Magalhães. 

RIBEIRA-DE-BOI— Vide RapaUa do Côa. 

RIBEIRADE-COZELHAS — Sitio forme- 
sissimo, próximo ao Mondego. Vide Cotm« 
br a e Mondego, 

Ha aqui uma opiima fabrica de sabão, da 
qual são proprietários os srs. Jofé Duarte 
Ariosa Júnior, e Joaquim Maria de Almei- 
da. Incendiou^se em maio de 1876^ mas foi 
logo reconstruída a parte que ardeu. 

RIBEIRA-DE-FORNOS— aldeia«Beira-Bai- 
xa, freguezia de Penajoia, comarca, conce- 
lho e bispado de Lamego, districto adminis- 
trativo de Yízeu. 

É uma veiga muito fértil^ e que produr 
€8 fructos muito temporãos. 

Ha aqui varias quintas, sendo a principal 
do sr. D. Joaquim de Azevedo Mello e Faro, 
da nobilíssima casa do Soenga, 

BIBEIRA-DE-FRADES— Vide Nazavêth. 

BIBEIRA-DE-FRAfiUáS— -freguezia, Dou- 
ro, concelho de Albergaria-Velha, comarca 
de Águeda (foi do concelho do Pinheiro da 
Bem-Posta, comarca de Estarreja), 60 kilo- 
metros ao N. de Coimbra, 270 ao N. de Lis- 
boa, 210 fogos. Tinha, em 1757, 180 fogos. 

Orago S. Thiago, apostolo. 

Bispado e districto administrativo de 
Aveiro. 

Esta freguezia esta situada 1:500 nietros 
a E. da margem esquerda do Calma, e 9 a 
11. E. dê Albergaria-Yelha. 

São n*esta freguezia as famosas minas do 
falhai e dé Telhadella. 

As do Palhal foram descobertas por uns 
inglezes, em 1744. 

Ha n*ellas vestígios de industria metallur- 
gica, do tempo dos mouros^ stfgúndo a tra- 
dição. 



Em 1769^ uma grande cheia do rio Cal- 
ma, as inundou^ pelo que foram abandona*- 
das. 

Em 1776, foi construída a ponte de pedra 
da aldeia chamada Ponte do Falhai^ que fi- 
ca junto ás minas, e liga as duas margens 
do Caima. 

José Ferreira Pinto Basto, da Vista AJe* 
gre, obteve os direitos de concessionário 
doestas minas, em 3 de maio de 1859, e as 
passou á Lusitanian Mining Company (Com- 
panhia Lusitana de Mineração). 

Produzem cobre, galena de chumbo, blen- 
da, nickel e cobalto. Também produzem al- 
guma prata, mas em diminuta quantidade. 

O poço mestre, Taylor's àhaft, ó o mais 
fundo de Portugal, e provavelmente de toda 
a península, pois tem 400 metros de pro- 
fundidade. As galerias teem já uma exten- 
são de quasi 13 kilometros. 

'Ha junto ás minas, casas de habitação, 
offleinas para preparação e serragem de 
madeiras, casas para deposito de machinas, 
e outros edificios que transformaram um 
deserto em formosa povoação. 

Consta que os exploradores do secuh) 
passado, sómente«cuidavam em extrahir mi- 
nério de prata. 

As minas de TdhaãèHa, ou Táíhi%della, 
também chamadas das Volta$ e Longas, fo- 
ram concedidas em 2 dê abril de 1861, a 
Hermann Lourenço Fewerheerd. 

Principiou a sua exploração em 1866, 
pela Companhia de mineração de TaíhadeUãy 
á qual a vendeu o concessionário. 

O capital social d*esta companhia é de 100 
contos de réis. 

Produzem cobre e alguma prata. Diz*se 
que também produzem algum ouro. 

Nos sítios da Matía de Santo António e 
do Carvalho Cerquinho, d'esta freguezia, ha 
também minas de ferro, e talvez que em 
tempos remotos, nas margens do Claima, ou 
nas suas proximidades, houvesse algum es- 
tabelecimento de fundição de ferro, e que 
d*ahi provenha á freguezia o nome de Frá* 
guas. 

Em junho de 1877, foi concedida a mioá 
de ferro, do Valle de Sobreira de Cima e do 
Valle da Figueira^ por tempo ilimitado^ aos 



180 



BIB 



sn Franeiseo Rieardo Pereira Nègrio e 
João Fortaoato José de Almeida. 

No logar de Talbadella, ba ama bonita 
«nnida^ dedicada a Santa Ânna, á qual se 
faz nma grande festa no i.* domingo depois 
do dia 25 de julbo. 

A seita protestante^ tem feito algans pro- 
selytos n*esta freguesia^ protegida por os 
inglezes empregados nas minas, e apezar do 
disposto nos estatatos das mesmas. 

Por differentes vezes, e com o maior des- 
aforo, aqui teem pregado as heresias prés- 
byterianas, um padre inglez, e o tristemente 
celebre apóstata, padre Guilherme Dias, de 
Mezao-Frio. 

Os estatutos, pelos quaes se rege o esta- 
belecimento mineiro do Palbal, prohibem 
expressamente, que os seus empregados m* 
sultem a religião do estado, ou preguem 
doutrinas contrarias á mesma religião ; e 
isto está em harmonia com o disposto nos 
artigos idO.*" e seguintes do Código Crimi- 
nal Portuguez. 

O mesmo Código, no artigo 137.*, diz que, 
se o pregador fôr estrangeiro, será expulso 
do reino, e que— <Se algum portuguez, pro- 
fessando a religião do seino, apostatar oq 
renunciar publicamente, será condemnado á 
perda dos direitos políticos : b sk fôr clé- 
rigo DB ordens sacras, SERA EXPULSO PARA 
fiBMPRB DO REINO.» 

Custa a crer, como as auctoridades d*es- 
tes sítios tenham consentido em semelhante 
desprezo das leis vigentes. 

RIBEmA-DE-LITEM —Vide Litem. 

R]BEIRA'DB-NIZA— freguezia, Atemtejo, 
concelho, comarca, districto, bispado e 12 
kilometros de Portalegre, 180 ao S. B. de 
Lisboa, 250 fogos. Em 1757 tinha 167 fogos. 

Orago Nossa Senhorada Esperança. 

A mitra apresentava o cora, que tinha 
180 alqueires de trigo de rendimento. 

É terra fértil. 

Existiu aqui o antiquíssimo mosteiro da 
Provença (Providencia) de Yalle de Flores, 
que foi de monges benedictinos, do qual 
apenas resta a tradição no povo, e a memo- 
ria nas chronicas da ordem. (Thebaida Por- 
Êugueza, por frei Manuel de S. Caetano Da- 
mazio. tom. 2.% pag. 369.) 



Iria Oonçalves do ' ^arvalhal^ mae é(^ 
grande condestavel, D. Nuno Alves Perein» 
deu a quinta chamada de frei Álvaro^ e oa* 
trás propriedades, a este mosteiro. 

RIBEIRA-DOOLIYALr-Yide o 2.« O/ttMi; 
de pag. 251, do 6.» vol. 

RIBEIRA-DO-OLIVAL— aldeia. Extrema- 
dura, oa freguezia e 6 kilometros de Ou- 
rem, concelho de Yilla Nova de Ourem. 

•É uma bonita aldeia, e muito bem si- 
tuada.' 

Tem uma sumptuosa capella, dedicada a 
Nossa Senhora da Conceição^ fundada pot 
Diogo da Praça. 

É um templo espaçoso e de boa archils- 
ctura, tendo as paredes interiores reveall-> 
das de belios azulejos. 

A c^^a-mór ó apainelada, em qnadfH 
tendo em cada um, os passos da vida ès 
Nossa Senhora, pintados a óleo. 

A imagem da padroeira, é de pedra, de 
1 metro de alto, e tanto a Senhora, como o 
HeoJno Jesus, sao de uma esculptnta per- 
feitíssima. 

Disse-se a primeira missa em 1560. 

Vários devotos deram â Senhora bastaiH 
tes foros e algumas fazendas, para oom o 
seu rpndúnento oecorrerem ás despesas da 
fábrica. 

O mesmo Diogo da Praçs, fundou junto á 
cipella, um hospital ou albergaria, para pe- 
regrinos, doando<ihe para a sua sustenta- 
ção, tudo quanto possuia; porám, como de- 
curso do tempo, se foram perdendo (ou rou- 
bando) as propriedades, até se perderem 
totalmente. 

A egreja e suas dependências passaram 
depois para o padroado da casa de Bragan- 
ça, e até 1834 era o rei que apresentava o 
eremitão. 

RIBEIRA-DEPALHEIROS— aldeia, Ex- 
tremadura, freguezia de S. Lourenço dos 
Francos, ou Myragaia, concelho da Loori* 
nhân, comarca de Torres Vedras. 

Ha n*este logar uma capella dedicada a 
Nossa Senhora da Piedade, de fundação 
muito antiga. 

Os moradores da Lourlnhan, quando ba 
falta de chuvas, levam a imagem da Sentie- 
ra, em procissão^ para a egreja matriz 4a 



m 

^llã, lhe faiem ama novena, para qae a 
Senhora os favoreça nas suas calamidades. 

Também no domingo da Paschoella, hia 
antigamente a irmandade da Misericórdia, 
da Lonrinhan, buscar a Senhora á sua er- 
mida e a levavam em procissão para a egre- 
ja paroehial, fazendo-lhe uma grande festa, 
Sí que assistiam todas as auetoridades da 
vUla. 

A festa principal se fez primeiramente a 5 
de agosto (dia de Nossa Senhora das Neves), 
mas depois*^e mudou para o dia 25 de ju- 
lho. Era sempre concorridissima. 

RIBEIRA.DE.PENA — villa, Traz-os-Mon* 
tea, cabeça do concelho do seu nome, naco - 
«larea de Villa-Pouca de Aguiar, 64 kilo- 
metros ao N. £. de Braga, 4i5 ao N. de Lis- 
l>oa, 860 fogos^ em duas freguezias (Santa 
Marinha com 220 e o Salvador com 640). 

Arcebispado de Braga. 

Districto administrativo de Yilla Beal. 

£m 1757, a freguezia de Santa Marinha 
linha 120 fogos, e o reitor da freguezia de 
S. Thiago de Soutéllo de Aguiar, apresen- 
tava o vigário^ que tinha 10^000 réis de 
côngrua e o pé d'altar. 

A freguezia do Salvador, em 1757, tinha 
•336 fogos, e a mitra apresentava o reitor, 
que tinha 28ji000 réis de rendimento. 

O concelho é composto de 6 freguezias, 
qoe sâo— Além-Tâmega, Alvadia, Cerva, Li- 
mões, e as duas de Bibeira de Pena. 

Nunca teve foral velho ou novo. 

Foi aqui o solar da antiquíssima e nobre 
família dos Ribeiras, de Riba-Tâmega, d*on- 
de procedia a célebre e formosíssima D. Ma- 
ria Paes Bibeira (a Ribeirinha) amante de 
D. Sancho I. 

Para este appellido, vide Amieira, villa do 
Alemtejo, Cantanhede e Ribeira, appellido 
nobre em Portugal. 

Na freguezia do Salvador está a quinta 
•da Olaria, que foi vinculada, e era de Bal- 
thazar Pereira da Silva ; o morgado do Bn- 
xeiro, que foi de Francisco Leitão de Al- 
meida ; a quinta do Temporão, que foi de 
Ambrozio Gonçalves Penha; a quinta do Pi- 
canhol, de Francisco Pacheco de Andrade ; 
e a quinta de Preúmes, de João de Yallada- 
res Vieira. 

YoLuiiB vni 



RIB 



181 



N'e8ta freguezia do Salvador se faz todoa 
os annos, a 15 de agosto, uma grande festa 
a Nossa Senhora das Angustias, em despi- 
que á de Nossa Senhora da Guia, que se fai 
na freguezia de Santa Marinha, e que tam« 
bem é sumptuosa. 

Este despique tem por vezes sido causa 
de grandes desordens. 

Em 19 de fevereiro de 1851, foi feito l.*" 
barão de Bibeira-de-Pena, Francisco Xavier 
de Andrade e Almeida, já fallecido ; e, em 
27 de dezembro de 1867, foi feito barão do 
mesmo titulo, seu filho, o sr. Francisco Xa- 
vier de Andrade Vailadares Aguiar. 

Em 8 de julho de 1874, falleceu na sua 
casa de Santa Marinha, D. Maria Angélica 
Vailadares, 1.* baroneza de Bibeira*de-Pena« 
viuva do i.^ barão, e mãe do actual. Tinha 
nascido em 1807, e era Giba de Manuel Thl* 
motheo de Vailadares Sousa Martins, e do 
D. Catharína Pacheco Vailadares^ da antiga 
e nobilíssima casa da Senra de Baixo, d'esto 
concelho. 

RIBEIRA-DE-PERNES— freguezia, Extre* 
madura, concelho, comarca e districto ad* 
ministrativo de Santarém, no patriarchado 
de Lisboa, d*onde dista 100 kilometros, ao 
N.E. 

Em 1757, tinha 68 fogos. O seu orago i 
a Santa Cruz. 

O vigário de Cazével apresentava o cura* 
que tinha 60 alqueires de trigo e 15^000 
réis em dinheiro. 

Esta freguezia está ha muitos annos aa- 
nexa á de Cazével. Vide esta palavra. 

RIBEIRA - DOS - CARINHOS — freguezia, 
Beira-Baixa, comarca, concelho, districto 
administrativo e bispado da Guarda, iOO 
fogos. 

Orago S. Sebastião, martyr. 

Não pude obter mais informações com 
respeito a esta freguezia. 

RIBEIRA-DO-OURO— hoje GURO—povoa* 
ção situada sobre a direífa do rio Douro, na 
freguezia de Lordéllo do Ouro, concelho, 
comarca, districto administrativo, bispado o 
3 kilometros ao O. do Porto, na província 
do Douro. 

Foi antigamente do concelho denominado 
Terra da Maia. 

12 



182 



RIB 



A Terra da Mala, compre- 
hendía antigamente todo o ter- 
ritório qae estanceava entre 
09 rios Douro e Lima, e de- 
pois se circurnscrevea ao que 
ficava entre o Douro e o Ave. 
É a esta ref^ião que os roma- 
nos denominavam cidade de 
Palancia, e depois os cbris- 
taos, Terra de Santa Maria ^. 
N*esta povoação está a capella de Nossa 
Senhora da. Ajuda, construída, segundo al- 
guns escriptores, no principio da nossa mo- 
narchia; mas o templo actual não revela tao 
grande antiguidade, attenta a perfeição da 
soa arcbitectura, e provavelmente érecons- 
tmcção da primiltiva. (Vide adiante). Tem 
eapella-mór, com seu altar, 'e dois lateraes 
Bo corpo da egreja. Tem um bom coro, e 
um magestoso alpendre, ou átrio, sustenta- 
do por columnas de pedra. 

No altar do lado do Evangelho, se vé uma 
perfeitíssima imagem de Jesus Christo Gru- 
cifícado, objecto de grande devoção para os 
povos d'estes sítios. Consta que esta ima- 
gem foi trazida para Portugal pelos catho- 
licos, fugidos à perseguição do hereje Hen- 
rique VIII. 

Segundo a lenda, a imagem da padroeira 
apareceu em sonho?, a uma mulher casa- 
da, por nome Catharina Fernandes, orde- 
uandolhe que fosse a uma fonte, que tica 
junto da ermida, e que alli acharia a ima- 
gem da Senhora. 

Esta mulher sabiu de Myragaia, onde mo- 
rava, e dirigindo-se á indicada fonte, em 
companbia de Pedro, seu marido, viram 
luna pomba esvoaçando sobre um silvado, e 



1 Todo o território dâs immediaçoes da 
cidade do Porto, tanto ao N. como ao S., 
qne os christãos resgataram do poder dos 
mouros, nos séculos x e xi, foi chamado 
Terra de Santa Maria. Depois, só se ficou 
.dando esta denomirjação ás terras quo fica- 
tam ao S. do rio, e ás quaes se chamou de- 
pois Terra da Feira (107 freguezias). Ás do 
K., se deu então o nome de Terra da Maia. 
Ssta circum!«cripção ainda em 1834 com- 
prehendía 44 freguezias, que foram distri- 
buídas pelas varas do Porto, e comarcas de 
Viila do Conde e Santo Thyrso. 



m 

entre elle a imagem da Santíssima Virgem» 
que trouxeram para sua casa. 

Trataram logo de construir um templo â 
Senbora, próximo ao iogar do seu appare- 
cimento; e como não tivessem dtnbeiro, ven- 
deram uma morada de casas que tinbam na 
Porto, para as despesas da obra, dando â 
imagem o titulo de Nossa Senhora do Ó^ 
por ser achada no dia da sua Espectação. 

Continua a lenda dizendo, que a santa 
imagem fugiu varias vezes para o silvada 
onde tinha sido descoberta, o que muito af- 
flígia os devotos consortes. 

N'e8ta conjunctura viram entrar pela bar-^ 
ra, nove embarcações inglesas. 

As oito primeiras passaram o silio da 
Ribeira do Ouro, sem obstáculo, porém a 
nona, alli parou, sem que podesse passar 
adiante. 

, Este navio trazia a imagem referida, de 
Christo crucificado, e os inglezes a foram 
collocar na ermida da Senhora, e assim con- 
seguiram que o navio seguisse a sua via-^ 
gem e que a imagem da Senhora não tor-^ 
nasse a fugir para o silvado i. 

A imagem que os inglezes trouxeram, ti- 
nha invocação de Nosso Senbor da Ajada 
e por isso os devotos mudaram também a 
invocação da padroeira^ em Nossa Senhora 
da Ajuda; mas a sua festa principal foi ain- 
da por muito tempo, no dia de Nossa- Se-^ 
nhora do Ó, a 18 de dezembro. 

Além d*esta festa, os mordomos que ser* 
vem a Senhora lhe fazem outra festa na do- 
minga infra oitava da sua Natividade, em 
setembro. Teve (e não sei se ainda tem) um 
ermitão que cuidava no aceio e limpeza da 
templo. 

Tem uma irmandade, â qual o Papa Jú- 
lio III, por bulia de 1540, concedeu muita» 

1 Aqui a lenda commette um anachronis- 
roo dos seus 500 annos, ou então a capelia 
não tem tão grande antiguidade, e os seus^ 
fundadores viveram no secnlo XVII (que 
foi quando Henrique VIII, de Ingh terra, se 
declarou hereje e fora da obediência do 
Papa) e não nos primeiros séculos da mo- 
narchia. 

É certo, porém, que a imagem de Jesus 
Christo crucificado, é mais moderna, na ca- 
pella, do que a da Senhora. 



BIB 



RIB 



183 



graças e iodolgencias, não só para os ir- 
mãos, mas Umbem a todos os fieis qxse ti- 
aitarem a casa da Senhora, no dia das saas 
íestiTidades ; e esta baila foi confirmada e 
ampliada pelo bispo do Porto, D. Thomaz 
de Almeida. 

RIBEIRA DE SABROSA— logar, Traz*08- 
MoDtes, na freguezia de Sabrosa, eoncelbo, 
comarca, districto administrativo, e 5 kilo- 
metros de Yllta-Real, arcebispado e 105 ki- 
loi.etros ao N.E. de Braga, 370 ao N. de 
Lisboa, próximo das margens do rio Corgo, 
6d'uma quinta dos Pizarros. (Tem uma ca- 
pella redonda, muito antiga. 

Em 30 de outubro de 1541, deu o rei 
D. Joio in esta quinta, cotn o titulo de se* 
nhorio, a um ascendente dos Pizarros. Este 
senhorio foi instituido em morgado, no an« 
no de 1598. 

£m 22 de setembro de 1835^ foi feito !.• (e^ 
nnieo — ^até hoje) barão da Ribeira de Sabro- 
sa), o distinctissimo e honradissimo militar, 
Rodrigo Pinto Pizarro Pimentel de Almeida 
Garvalhaes, 8."* morgado do mesmo titulo, 
9.* senhor de Monte de Calvos e Soutellinho 
do Mezío ; eommendador da ordem da Con- 
ceição, brigadeiro do exercito (general, de 
brigada, como boje se diz), commandante 
interino da 5.* divisão militar, administra- 
dor (o mesmo qne governador civil) do dis- 
tricto de Bragança, e deputado ás cortes, 
em 1836 e 1837. 

Nasceu na freguezia de Yillar de Maçada, 
em 30 de março de 1788, e falleceu a 8 de 
março de 1841, sem deixar descendentes. 

Era filho de Francisco Pinto de Almeida 
Carvalhaes, 8.* senhor de Monte de Calvos 
e Soutellinho do Mezío (no concelho de Vil- 
la Pouca d'Aguiar), 7.* morgado da Ribei- 
ra de Sabrosa; casado com D. Antónia Mau- 
ricía da Nóbrega Pizarro, âlha de Luiz Al- 
vares da Nóbrega Cão e Aboim, morgado 
da Ribeira de Cabril, e de D. Luiza Ignacia 
Xavier Taveira de Magalhães Pizarro. 

Tiveram os pães do l.*" barão da Ribeira 
de Sabrosa, 11 filhos, que são : 

1.% António, que foi tenente coronel do 
regimento de cavallaria n.<> 12 (dragões de 
Chaves), e que morreu em vida de seus 
pães. 



2.*, D. Maria do Lorêto, que casou com 
seu tio materno, Sebastião Maria da Nóbre- 
ga Pizarro, morgado da Ribeira de Cabril, 
fidalgo da casa real e eommendador dá or- 
dem de Christo. 

3.% D, Anna Carlota. 

4.S RodrigOy o l."" barão da Ribeira de 
Sabrosa. 

5.% Goêpar Pizarro, que foi desembarga- 
dor. 

6 «, D. Rita Júlia. 

7.% Francisco Pizarro, cavalleiro da or- 
dem de Christo, tenente do regimento de in- 
fanteria n.* 15, que morreu em 1828. 

8.*>, Fernando Pizarro. 

9,% D. Luiza Carolina. 

10.* José Maria, bacharel em leis. 

ll.<*, D. Marianna Auffusta. 

A residência d'esta familia é em Yillar de 
Maçada. 

Yidè Sabrosa, Villar de Maçada, e no 7.* 
vol, pag. 334, col. 2.*, o ultimo período. 

O barão da Ribeira de Sabrosa, era um 
dos homens mais honrados do seu tempo, 
não só do partido liberal, a que pertencia, 
mas lambem no partido realista não havia 
quem o excedesse em honradez, probidade, 
intrepidez e patriotismo. 

RIBEIRA - DE - SANTARÉM — formosa e 
grande povoação, Extremadura, sobre a 
margem direita de Tejo, na freguezia, con- 
celho, comarca, districto administrativo e 
1:500 metros ao S. E. de Santarém. 

É aqui a 12.« estação dos caminhos de 
ferro de norte e leste. 

Foi antigamente freguezia, da invocação 
de Nossa Senhora da Encarnação do Alfan- 
ge. É também em frente d*esta povoação, e 
no rio Tejo, o famoso Padrão de Santa Iria, 
e perto dVlle está uma ermida, dedicada á 
mesma santa. 

Unida a esta ermida, está a capella de 
Nossa Senhora das Neves. 

A ermida de Santa Iria, é muito antiga, 
mas não se sabe a data da sua fundação. 
Segando a lenda, a imagem da santa, appa- 
receu sobre um grande penedo que alli ha- 
via, e n*esse mesmo sitio se lhe edificou a 
ermida. 
A capella de Nossa Senhora das Neves, é 



184 



BIB 



Bbuito mais moderna, e foi construída no * 
mèiado do xv secnlo. 

Antigamente, era famosa em toda a Ex- 
tretnadura, e em parte do Alemtejo, a festa 
que annualmente se fazia a Nossa Senhora 
das Neves^ pela sua grandexa e sumptuosi- 
dade; havendo, além da festa da egreja e 
procissão, de grande magniíicencia, comé- 
dias, danças, cavalhadas, corridas de touros 
e variadíssimos fogos de artificio. 

Esta devoção, porém, veiu de tal modo a 
esfriar, que por fim, nem uma míssa se can- 
tava 4 Senhora, no sen dia. 

Passados annos, alguns barqueiros, dese- 
jando festejar a Senhora, mas tendo para 
isso pouco dinheiro, resolveram vender, pa- 
ra ajuda das despezas da festa^ nns a/a&a/^^ 
que pertenciam à Senliora. 
* Levaram-os a Lisboa, e os venderam a 
um fundidor de sinos, chamado João Rodri- 
gues Palavra, natural de Santarém, a quem 
declararam qual era a applicação que que- 
riam dar ao producto <)'e8ta venda. 

O fundidor pagou, sem dizer mais nada 
aos barqueiros, e com o maior segredo en- 
cominendon o sermão e grande quantidade 
de fogo, para o dia da Senhora. 

Mandou fazer um riquíssimo vestido e 
manto para Nossa Senhora; um frontal para 
o seu altar, e paramentos para os padres ; 
tudo da maior magnificência. ' 
' Comprou uma alampada de prata, dois 
castiçaes do mesmo metal, e mais quatro de 
bronze; esteiras para o pavimento da capei- 
la, e tudo o mais que julgou indispensável 
para que a festa da Senhora fosse n*ess6 
anno da maior sumptuosidade. 

Uma sua filha também deu à Senhora, e 
lhe poz ao peito, uma jóia de muito valor. 

Na véspera da festa, se apresentou João 
Rodrigues, com toda a sua família no bair- 
ro do Alfange (hoje Ribeira), sem que nin- 
guém o esperasse^ e levando tudo quanto 
havia comprado para offerecer â Senhora. 

Teve esta grande solemnidade logar no 
dia 5 de agosto de 1660. 

João Rodrigues ficou servindo a Senhora, 
emqaanto viveu, e i hora da morte, recom- 
inendou a seu filho, Lucas Rodrigues Pala- 
vra, que continuasse a servir a Senhora, e 



RIB 

fizesse a meama recommenâa^ a«8 i cos 
deseêiidenles, o que elle eompna. 

Este mesmo Lucas Roârigues, nnutidiMi 
ampliar a eapella e dountr o seu altar. 

A SeAhora teve no piineipio bastantes 
rendas próprias, porém já a este tempo w 
tinham perdido, por déMeixo, oa ertmteali- 
dáde, de um prior da freguesia. 

No pavlooento da capeUa, eetá uma sepnl- 
tura com a inscripçio eeguinte : 

AQOI JAZ o MUTTO flOlfBADO 
VASCO PASSANHA p'Al.I^EmA, 
GAVALLEIRO FIDALGO, DA CASA 
DBLRET DOM AFF0N90 V*, 
GONTADUR MÓR QUS FOT, DA 
CASA D8 CEUTA, £ DB UXH^RSa DA* • 
LBM* SSTA GAPBLLA MANDOU FA- 
ZER. FALECEU EM MAYO DB 1511 
ANNOS. 

m 

E na mesma sepultura estão gravadas as 
armas dos Almeidas, compostas dá maneira 
seguinte— escudo esquarteliado; no primcfi* 
ro e quarto, seis bêzantes de prata, em 
campo de púrpura, entre uma doble cruz 
de ouro, e bordadura do me&mo— e Tio' Se- 
gundo e terceiro, em campo de prata, as 
armas dos Braganças. 

É representante principal d*esta nobllis- 
sima família, o sr. marquez daFronteíray 
D. José Trazimúndo Mascarenhas Barreto, 
feito marquez de Alorna, em 22 de outubro 
de 1839. 

Alorna, é uma cidade e pra- 
ça da Índia Oriental, que o 
marquez de Castello-Nòvo to- 
mou ao rajah de Bonsoló. O 
rei, por isso^ lhe mudou o ti- 
tulo do marqUezado para Bon- 
soló: 

O !.• marquez d'Alorna, Ibí 
D. Pedro de Almeida Portu- 
gal, feito por D. João V, em • 
de novembro de 1748. 

O marquez de Castello-Nò- 
vo, era tambeni conde d'Asstt- 
mar. 

O l.<* conde d*As$umar, tíA 
D. Francisco de Mello, feito 
por D. Filippe IV, em 30 d6 
março de 1636. 



RIB 

' lambem aqai havia a eap^lia d6 & Bar- 
iholomea, qi^e, segando a tradição» foi do6 
eafaileiros da ordem de S. Miguei d'Ala, 
iii»tUiHda por D. Affonso Heoriqaes, em me- 
Boria de tomar Santarém em dia de S. Mi- 
gael. 

BIBBIRA DE SBRNADELLA-^ pequeno 
rio, BeiraBaixa.^Na8oe na serra de Santa 
Quitéria, e recebendo alguns regatos, des- 
agua no rio. Aiva, depois de um curso de 
5 kílometros. 

RIBEIRA DE 80AZ — titulo legal dé um 
antigo concelho do Minho, ao pé da serra 
do Gerez, e supprimido ha muitos anãos. 

Era da comarca da Po?oa de Lanhoso. 

O rei D. Maouel, lhe deu foral, em Lis- 
boa^ a 16 de julho de 1515. {Livro dos fo 
roês novos do Minho, fl. 26 v.y coL i.*) 

Este foral serve para as terras seguin- 
tes: 

Aventosa, Berrezal, Caniçada» Góva, For- 
Dâlos, .Fradéllos, Freande, Parada de Bou* 
ro, Portella, Pousadelia, Soengas e Ventosa. 
' . É terra feriil em cereaes, vinho, azeite, 
eastanha, fructas, mel, cera, gado, e grande 
quantidade de perdizes e coelhos. 

Fica perto da raia da Galiiza. 

Vide Canifíada e Soengas, 

RIBEIRA DE VIDE — aldeia, Alemtejo, 
fireguezia, concelho e 6 kilometros ao N. da 
villa de Souzél, comarca da Fronteira, arreei» 
bispado de Évora, dístricto de Portalegre. 
Fica 5 kilometros a E. da villa de Aviz, e 6 
a E. da villa do Carmo, M de Évora, e 120 
ao S. E. de Lisboa. 

È n'esta aldeia, a nascente de aguas mi- 
neraes, chamada FonU da Lagem, no prin- 
cipio de um valle que fica na falda do mon< 
te da Lagem, e Junto a uns rochedos de 
sehisto, e á estrada que vae para o Ervedal. 

Tem um poço, coberto de uma abobada 
de pedra tosca (do tal schísto). 

A sua agua é clara, em tempo secco, e 
bctea quando chova Não tem cheiro, e o 
seu sabor é levemente ácido, parecido com 
o de uma teDuissima dissolução dé vitríolo 
em agua commum. 

Nâo deixa sedimento nos sities por onde 
passa, nem nas gairafas. 1^ tem porção 
alguma de ferro. 



BIB 



t85. 



Diz-se que é remédio. eflScaz contra as 
lombrigas, em razão do gaz carbónico que 
coBlém, combinadq com o carbonato 

RIBEIRADOURA ou RIBEIRAD* OURA— 
valle, Traz-os-Montes, que dá o nome á fr^- 
guezia d'0ura.(6.<> voL, pag. 3ii, col., â.*) e 
que o recebe do rio Oura, que aqui passa e 
desagua na esquerda do rio Tâmega. O rjo 
íica na extremidade d*este vasto e fértil val- 
le, onde também estão as (amosissimas agiuaç 
thermaes de Vidago. 

Vide Qsta palavra. 

O vinho (verde) da Rlbeiradoura, é um 
dos melhqre^ do reino, na sua espécie, e não 
inferior aos mais afamados vinhos verdes 
do Alto e Baixo Douro. 

KIRjUTR \ O— freguezia, Mioho, con^arca <^ 
concelho de Villa Nova de Famalicão, %i 
kilometros ao O. de Braga^ 350 ao N. de 
Lisboa, 230 fqgps. . 

JSm 1757, tiaha 118 fogosa 

Orago S. Mamede. 

Arcebispado e disirieto de Brai;a. 

papa, a miira e os benedictio^sde San- 
to Thprso, apresentavam alternativamente o 
reitor, (|ue tíoha 120j#Q00 réis de reodir 
meato. 

É terra fértil. 

É n'esta froguezia a formosa poDte pe^sjyi 
da estrada do Porto para o norte,, sobre ó 
rio Ave, chamada Ponte da Barca da Tráftfp 

Na Trofa é a 4.* estação do caminho de 
ferro do Minho. 

RIBEIRADtOr-freguezia, Beira-AlU, fiç^ 
celho de Oliveira de Frade^,^ cónica 4/à 
Vouiella, 35 kilometros ito N. deVizeu, 26^ 
ao N. de Lisboa, 325 fogosu 

Em 1757, linha 215 fogos. 

Orago, S. Miguel, archaojo, , 

Bispado e districto administrativo de Vi« 
zeu. 

A mitra apresentava o reitor, que tinhi^ 
40il000 réis de côngrua e o pé d'altar. 

Esta freguezia chamaya*se antigamenie 
Ribeira de Diu, e era do concelho extioeto 
de Lafões. 

É povoação muito antiga, e, segundo a 

1 Tinha mais 78 fogos, que eram meief« 
res com Santa Leocadia de Fradéllos : total 
196. 



186 



BIB 



RIB 



tradiçlo, já existia no tempo dos romaoos, 
com o mesmo nome. 

É terra muito fértil em todos os genefos 
agrícolas do nosso paiz, cria muito gado^ de 
toda a qualidade, que exporta; é abundante 
em madeiras e lenhas. Nos seus montes ba 
bastante caça. 

O reitor d'es'a freguezía» apresentava os 
curas das freguezias do Couto d*£éteves e 
Gedrím, ou Sedrím. 

Próximo ao logar de Sonto*Mator, doesta 
fregnezia, está o antiquíssimo templo de 
Nassa Senhora Dolorosa, à qual o povo cha- 
ma Nossa Senhora de Lourosa. Foi em tem- 
pos antigos^ matriz d*esta freguezia, e das 
de Gedrim, e da villa de Couto d'Esteves. 
Ainda conserva a pia baptismal, para me- 
moria. 

Está a egreja edificada no plató de um 
monte de bastante elevação, ao qual (plató) 
dão o nome áeÂdro da Senhora, e estácer* 
cado de altos rochedos, que a distancia pa- 
recem uma fortaleza. Ao E. e S., ha umas 
altas serras, e ao O. corre o no Vouga, aqui 
bastante largo e profondo, e com uma bar- 
ca de passagem: ao N. fica a serra do Ares- 
tal, vulgarmente chamada do Restai. 

D*este plató se vêem as freguezias de 
Roccas, Junqueira, Ar$es, Manhouse, S. João 
da Serra, e ^rcozéllo ; além das serras jà 
ditas e outras. 

A egreja é toda construída de pedra de 
cantaria lavrada, e denota grande antigui- 
dade» mas nao se sabe quando nem por 
quem foi edificada. 

Gomo estivesse em mau estado, foi reedi- 
ficada, principiando as obras em 1685, e 
concluindo-se todos os reparos, em 1688. 

Tem capella-mór^ com seu altar, e dois 
lateraes. 

No altar-mór se vêem dois quadros a 
óleo, attribuidos ao Grão Vasco. Um, repre- 
senta Nossa Senhora ao pé da Gruz,e o ou- 
tro, S. João, evangelista. 

A imagem da padroeira^ é de pedra de 
Ançan^ de i",10 de alto, cavada pelas cos- 
tas. Apezar de muito antiga, é de boa escnl- 
ptura, e, segundo a tradição, foi feita por 
um dos estatuários do templo de Santa Cruz, 
de Coimbra. 



A sua festa principal, é a 8 de seleoibra 
(Natividade de Nossa Senhora) e sempre 
concòrridissima, não só por gente da fre* 
guezia, mas pela das circumvisinhas. Há 
n'esse dia muitas midsas, além da principal» 
procissão, sermão, fogo preso e do ar, etc 

Antigamente vinha aqui, no dia da fesu 
da Senhora, uma procissão, da freguezia da 
Cedrim, trazendo-lhe valiosas offertas. 

Ainda nos melados do século passada 
aqui vinham n*este dia, povos de Aveiro^ 
Esgueira e outras terras da Belra-mar^d 
até da cidade do Porto. 

Um devoto, da villa de Tentúgal (a lOO 
kilometros do templo) lhe offereeen ama 
rica alampada de prata. 

Em tempos antigos, e além da festa prin- 
cipal, havia aqui muitas pelo decurso da 
anne, e nos trez sabbados, antecedentes ao 
dia 8 de setembro, se faziam alvoradas (vés- 
peras) á noite, com muitas danças» musicas, 
luminárias e outros festejos; mas, ooim 
n'estas occasiões sempre se praticavam al- 
gumas irreverências, as prohibiu, em i686, 
o abbade, Luiz de Sampaio. 

Por occasiio da fome geral que houve 
n*este reino, em 1681, em razão da praga 
de lagartos e gafanhotos que destruíram as 
plantas e arvoredos, o povo d'estaú«guezia 
levou da egrela matriz, em solemne procis* 
são, a imagem de Jesus Ghriâto crucificado, 
â capella da Senhora Dolorosa, invocando a 
seu patrocínio para que o flagello acabasse» 
Foram ouvidos os seus rogos, e a praga 
desappareceu. 

Em memoria d'este beneficio, o povo pro- 
metteu hir todos os annos, no primeiro do- 
miogo de março, á capella da Senhora, le- 
vando a imagem do Crucificado em procis* 
são, ou clamor, como então se dizia. 

O inverno de 1706, antecipando-se, com 
chuvas e tempestades, apanhou os flructos 
por colher, deitando-os por terra, e, em pou- 
co tempo, apodreciam n'clla. 

O povo recorreu de novo á Santlssinia 
Virgem Dolorosa, hindo-a visitar com a mes* 
ma imagem de Jesus Christo. 

No dia seguinte, cessou o vento e a chu- 
va, e os lavradores poderam Csizer as soas 
vindimas e colheitas. 



RIB 



RIB 



187 



Em memoria d*este milagre, o povo fez 
voto de levar o mesmo Senhor Gracificado 
em procissão á capelia da Senhora, em to- 
dos 08 domingos de outubro. 

Hoje todas estas devoções teem decahido 
muito do seu antigo esplendor; porém a de- 
voção à Senhora de Lourosa não se exlin- 
guiu ainda totalmente no coração dos povos 
d*estas terras. 

BIBEIRA- VELHA — logar, Beira- Alta, no 
extiocto couto de S. Pedro das Águias, que 
era doa religiosos da ordem de S. Bernardo, 
no bispado, e a 45 kilometros dé Lamego, 
e hoje pertence à freguezia de Gasaes, co- 
marca e concelho de S. João da Pesqueira, 
no dislricto de Viseu. 

£xíste aqui a egreja de Nossa Senhora da 
Aonuoeiação, vulgarmente denominada Se- 
nhora da Ribeira-Velha. 

Foi em tempos antigos matriz das aldeias 
^e Vallença do Douro, Serzedinho, Gasaes e 
outras, e ainda conàerva a pia baptismal. 

É um templo de boas dimensões, com ca- 
peUa-mór e seu altar, além de dois lateraes^ 
no corpo da egreja. 

A festa principal d'esta Senhora, é a 25 
úè março, e antigamente se fazia aqui n*es- 
se dia uma grande feira, á qual concorriam 
povos não s6 das visinhanças, mas até de 
terras muito distantes. 

Havia então, além de outros divertimen- 
tos do tempo, lucta de gladiadores, nús da 
cintura para cima, e untados de azeite, co- 
mo os athletas romanos, e, como estes, ob- 
tinham premio os vencedores. 

Esta egreja, segundo a tradição, já exis- 
tia no tempo dos godos, e os mouros deixa- 
ram n'ella fazer todos os officioa divinos^ 
mediante certo tributo. 

Fica junto aos alcantilados montes de 
Lueoa, e de S. Pedro das Águias, e a pou- 
ca distancia do rio Torto. 

Vide Casões, na col. i.«, pag 141, do l^* 

vol. 

RIBEIRA-VELHA — Vide Usboa. 

RIBEIRINHA— freguezia, Trazos-Montes, 
comarca e concelho de Vinhaes. Foi suppri- 
suida ha muitos annos, e está annexa à fre- 
guezia da Valle de Janeiro, no mesmo con- 
celho. 



RIBEIRINHA— freguezia, Traz-os-Montes^ 
concelho de Villa-Flor (foi do extincto coa* 
celho da Torre de Dona Ghama), comarca 
de Mirandeila, arcebispado de Braga, distri* 
cto de Bragança. 

Foi supprimida ha muitos annos, e esti 
annexa á freguezia de Villas-Boas, no mes* 
mo concelho. 

RIBEIRO — aldeia. Beira- Alta, na fregue-^ 
zia de Penajoia, comarca, concelho e bispa* 
do de Lamego^ districto administrativo da 
Viseu. 

Viveu n*esta aldeia, no primeiro quartel 
d'este século, António Gorreia de Maga* 
Ihães, professor de latim, que, à força da 
palmatoadas e puchadellas de orelhas, en- 
sinou muitos discípulos, pelo que houve 
n'esta freguezia, por esse tempo^ um nume* 
ro extraordinário de padres e frades. 

RIBEIRO (quinta do)^Douro, na fregno* 
zia de S. Lourenço do Douro, comarca e 
concelho de Marco de Ganavezes, bispado e 
districto do Porto, d*onde dista 40 kilome* 
tros a E. N. E. 

Está esta quinta situada sobre a margem 
direita do rio Douro, e é o solar da antiga 
e nobre familia dos Vieiras Cabraes, pela 
casamento de D. Brites Vieira, com Pedro 
Gonçalves Gabral, filho de D. Nicolau Mar* 
Uns Gabral, commendatario de Villa-Boa- 
do-Bispo, e irmão de Júlio Geraldes, vaa* 
sallo do rei D. Fernando I, ambos (os ir* 
mãos) sepultados em nobres mausoléus, na 
egreja de Villa-Boado-Bispo. 

Ê hoje representante d*esta esclarecida 
familia, o sr. Garlos Leme Guedes, da quin- 
ta do Bairral, na extincta villa de Entre 
,Ambos os Bios, freguezia de Santa Glara do 
Torrão, comarca e concelho de Penafiel, bis* 
pado, districto e 36 kilometros ao E. N. R. 
do Porto, sobre a direita dos rios Tâmega e 
Douro. 

Leme, é um appellido nobre em Portu* 
gal, e veiu de Flandres. Passou primeiro i 
Hespanha um membro d*esta familia, que 
fez seu assento na cidade de Burgos, na 
Gastella- Velha, e d*ahi passou a Portuga^ 
na pessoa de D. Martim Leme, no reinada 
de D. AfTonso V, ao qual fez grandes servi» 
ços nas guerras da Africa. Em premio d*el* 



1818 



BIB 



les, o rei mandou reformar as suas antigas 
armas dos Lemes, que ficaram construídas 
do modo seguinte— em campo d'ouro, cinco 
merlétas negras, em aspa: élmo d*aço aber- 
to, e por timbre, uma a^^pa d*ouro, e no cen- 
tro, uma das merlétas do escudo. 

Os descendentes de Manuel Leme^ varia* 
ram o jseu escudo, do modo seguinte — em 
campo de prata^ três merlétas ^ negras, em 
roquéte : élmo d*aço aberto, e por timbre, 
ama aspa de prata, com uma das merlétas 
das armas, no centro. 

Ainda outros Lemes usam, em vez de 
merlétas, cinco pássaros pardos, sem pés 
(mas com bicos) em aspa. Elmo e timbre, 
como dos primeiros Lemes. 

As armas dos Vieiras, sao— cinco vieiras 
(concbas) d'ouro, realçadas de negro em 
campo de púrpura. (Vide Sabugosa, nos 
aeos marquezes). 

Em S, Lourenço do Douro direi' mais ai- 
ipima coisa sobre a familia hoje represen- 
tada pelo sr. Carlos Leme Gaedes. 

RIBEIRO DE FRADES— logar, Beira-AlU, 
na fregaezia de Lourosa, concelho, comar- 
ca, districto administrativo, bispado, e 3 ki- 
Ipmetros a E. de Viseu, e dentro do seu 
iro. 

Além das capellas já mencionadas na ul- 
tima Louroia (voL 4.*, pag. 466, col. l.%no 
fim), ha mais a seguinte : 

Nossa Senhora do Ribeiro de Trades, edi- 
ficada em uma muito antiga e nobre pro- 
priedade, chamada Quinta dos Frades, e 
próximo do ribeiro que deu o titulo á Se- 
nhora. 

A capella denota grande antiguidade, mas 
não se sabe quando ou por qiíem foi con- 
struida. 

A imagem da padroeira é também muito 
antiga, o que claramente demonstra a sua 
tosca esculptura. 

Segundo a tradição, houve n*esta quinta 
nm antiquíssimo mosteiro de frades bene- 
díctinos, dedicado a Santa Clara, e a ca- 
pella actual pertenceu a esse mosteiro, por 



1 Meriéta, é um movid da armaria» quç 
re{\resenta um pequepo melro, de perfil. 
Bm alguns braz5és se vé sem pés nem bico. 



BIB 

isso ainda muitos lhe ehaúaam eapellá de 
Santa Clara. 

É certo que junto á ermida existem tos- 
tigios de um grande ediflcio, distinguindo* 
se ainda alicerces, pedaços de eoluuiBaB e 
varias pedras lavradas, além de outros ma* 
teriaes que os donos da quinta teem empre- 
gado em obras d*ella. 

Junto á ermida existiu (e nao sei se ain- 
da existe) uma pedra de i",40 de compri* 
do, cavada pela parte superior^ em fórma 
de sepultura. 

Alguns sustentam que o mosteiro não M 
de frades benediciinos, mas de freiras fjran* 
ciscanas, das quaes foi matríareha Santa 
Clara, visto que foi esta santa a padroeira 
do mosteiro; mas contra isto ha a ponderar» 
que a tradição diz que o mosteiro foi des- 
truído pelos mouros, no século viii, e ainda 
então não existia a ordem franciscana; e,^e 
mais a mais, o nome de Quinta dos Frades,^ 
que sempre teve a referida propriedade. 

Já em 1716 se queixava frei Agostinho de 
Santa Maria, do grande descuido que tiftha 
nos reparos da ernrida, o seu padroeiro, que 
era então^ António Coelho de* Campes. 

Antigamente hia todos osannos, na ulti- 
ma oitava do Espirito Santo, uma pròèis* 
sSo^da egreja matriz, visitar a«rmiáa da 
Senhora, levando todos os saeerdotes que 
havia na parochia, e grande concurso de 
povo. 

Não tinha dia certo para a sua ((»tft, era 
marcado pelos devotos. 

RIBEIRO DE POHBEIRO — peqneiio rio. 
Douro. Nasce na serra de Salita Quitéria, 
junto ao logar do Salgueiral ; passa Jonlo a 
Pombeiro, e desagda no rio Ahra, no «Itlo 
chamado Foz da Ribeira: Cria barbos^ hò^ 
gas e algumas trutas. 

Na mesma serra de Santa Quitéria, tiasce 
a ribeira de Sarnadella^ a qtial, depois de 
receber no seu precurso* alguns regatos, 
morre também no Alva, eom 5 kilometroa 
de curso. 

RIBEIROS— freguezia, ' Minho, coroatea e 
concelho de Fafe (fotdb mesmo cooeélho^, 
mas da comarca de Guimarães), 30 kileme- 
tros ao K. E. de Braga, 375 ao If. de Ua- 
boa^ 140 fogoff. , 



BIC 



WC 



m 



Em 1757, tinha 108 fogos. 

Orogo, Santa Maria. 

Arcebispado e districto de Braga. 

As religiosas do mosteiro de Santa Clara 
(DraBciscaDas) de Guimarães, apresentavam 
e vigário, collado, que tinha 30if 000 réis de 
coograa e o pé d*altar. 

É terra fértil. 

RIBOLHOS— -fregnezia. Beira- Alta, comar- 
ca e concelho de Castro Daire, 24 kilome- 
tros de Viseu, 300 ao N. de Lisboa, 45 fo- 
gos. 

Sm 1757, tinha 27 fogos. 

Orago, Santo Ândré^ apostolo. 

Bispado e districto administrativo de Yi- 
xeu. 

. A mitra apresentava o abbade, que tinha 
fiO^OOO réis e o pé d*altar. 

Teve antigamente foro de villa e foi cou- 
to, mas nnnca teve foral, novo ou velho. 
' BIGHOSO ou ROCHOSO— freguezia, Bel- 
rá-Baíxa, comarca, concelho, e 18 kilome- 
tros da Guarda^ 310 ao E. de Lisboa, 160 
fogos. 

Em 1757, tinha 202 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e districto administrativo da 
Guarda. 

O cabido da sé da Guarda apresentava o 
vigário, que linha 8ÒM00 réis e o pé d*al- 
tar. 

Segundo a tradição, o nome da aldeia de 
Richoso proveiu de um senhor d'elia muito 
demandista e turbulento, por isso cogoomi- 
oado o Rixoso. Conservou este nome (a po- 
voação) até ao principio d'este século ; mas 
desde então, o povo preferiu que a sua fre- 
guezia se denominasse Rochoso, e é como 
hoje se vé em documentos officiaes. 

Junto á aldeia de Rochoso, mas já no dis- 
tricto da freguezia de CerdeirJa, existe uma 
eapella antiquíssima, dedicada a Nossa Se* 
mkora do Monte. 

A imagem da padroeira é notável, por éer 
apenas um seixo rolado, de forma oblonga, 
tem obra alguma d'arte, e cavado por um 
lado (onde lhe fingiram as costas) mas tam- 
bém obra da natureza. 

A piedra é duri^ima, e n'ella adaptaram 
ama cabeça, braços e mãoa^ que tudo vesti- 



ram, e assim construíram uma imagem da 
Santíssima Virgem 1 Tem 1",10 de alto. ' 

Âpezar da imperfeição da sua eseulptura, 
é objecto de muita devoção para os povos 
d'estes sítios, e lhe faziam antigamente, trez 
grandes festividades, havendo também em 
cada uma d'ellas uma boa feira, e toâas 
muito concorridas. A 1.*, era no dia de S. 
Bento (21 de março)— a 2.*, a 15 de agosto, 
dia da Assumpção da Senhora— e a 3.", dia 
da sua Natividade, a 8 de setembro. 

Tudo isto acabou. 

Tinha um eremitão, apresentado pelo pa« 
rocho de Cerdeira, para cuidar da conser- 
vação e asseio da ermida. 

RlCliO.-Vide Recião, 

RIGO-HOMCM— fói o titulo mais honori- 
fico na nossa Península, desde o tempo dos 
reis das Astúrias. 

Nas leis Aífonsinas (parte 4.*, tit. 25. leg. 
x), se diz — Ricos ornes, segundo costumbre 
dè Espanha, son llàmados los que èn las 
oiras tierras dizen Condes^ o Barones. 

Eram os ricoâ-homens, mestres de cam- 
po, e geoeraes na guerra; e só elles podiam 
levantar gente d*armas e sustentai a, sem 
reconhecerem outra auctoridade senão a do 
rei, do qual haviam recebido o titulo, e os 
senhorios com que podessem sustentado. 

Eram do conselho do rei, e tinha grande 
peso o Seu voto, tanto em cousas de paz, 
como nas' da guerra. 

Podiam ajudar, com seus' Vâssalios, os 
reis de outra nação, quando a soa podia 
dispensar os seus serViços. 

Só' podiam hir à guerra, quando o mo- 
narcha fosse em pessoa. 

Os seus tassaílos gosávam os mais exor* 
bitantes privilégios. 

As mulheres dos ricos-homens, se cha- 
mavam rtcei^-^onaj, e logravam as pree* 
minencias de condessas, e seus filhos itt'am 
infançSes. 

O pendão e a caldeira, eraiii o dt^ioctivo 
dos ricos-homens, e por isso se denomina- 
vam ricos-homens de pendão e caldeira. Si- 
gnificava o pendão, que podiam levantar 
gente de guerra, e a caldeira, que a podiam 
sustentar e pagar-lhe. 

Algimias vezes, quando o rei orçava um 



RIO 



RIO 



rleo-homem, lhe dava logo o pendão e a 
caldeira, como insígnias da soa auctoridade 
e preemioencia. 

Ko século XV, se madoa o titulo de rico- 
meoi^ DO de conde, visconde, ou barão. 

RIGO— porU anu— rijo, íorle, duro, eiç. 

RIMAR— port. aot.— decente, honesto, etc. 
— Cá (porque) mais fimaria ao Fidalgo 
comprar IO gibaneles pêra quando cumpris* 
Uf que despender quanto háa em louçaynhci. 
(Cortes de Lisboa, de 1459.) 

RIO-CABRÃO.—Yide Cendufe. 

RIO-GALDO— freguezia, Minho, concelho 
de Terras de Bouro, comarca de Villa Ver- 
de (foi do concelho de Santa Martha de Bou- 
ro, comarca da Povoa de Lanhoso), 24 kí- 
lometroe ao N. de Braga, 384 ao N. de Lis- 
boa, 200 fogos. Em 17õ7, tinha i36 fogos. 

Orago S» João Baptista. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

A mitra apresentava o abbade, que tinha 
ISMJiOOO réis de rendimento annual. 

Caldo, é portuguez antigo ^significa ama- 
rello. 

Junto á povoação de Rio-Caldo, existiu, 
segundo alguns, a antiga cidade de Obcbri- 
ffa, (Vide esta palavra). 

Também alguns dão a esta cidade morta, 
o nome da Abobriga ou Abobrica. 

fi certo que esta cidade era na Galliza^ e 
pertenceu á Mancellaria de Braga. (Plinio, 
livro 4.^. cap. 20) mas alguns pretendem 
que fosse no logar da actual Villa do Con 
de (Baudrand, Lexicon geographico,) 

O Agiologio Lusitano, diz que existiu en- 
tre Lindoso e Manim, no sitio chamado Ca- 
lhas de Santa Eufemia, junto á aldeia de 
Rio-Caldo. 

Isaac Vassio. nas Notas ao livro 3.*, cap. 
!•% de Pomponio Mella, diz que Abobrica 
, era na actuai Corunha. 

Segundo o latmorio de Mella, a que Vos- 
sio se atem, era com effeito no paiz dos ar- 
fabros, hoje Corunha. 

Eis a traducção : 

<Nos Artabros está uma enseada, aperta- 
da na bôea» que recebe o mar, em dilatado 
âmbito, e rodeia a cidade de Abobrica e as 
foies de quatro rios.» 



Na inscripção da ponte de Chaves, qa» 
copiei no logar competentei e que desigoa 
os povos que ajudaram á coostruccao d*esU 
obra, e que todos estanceavam a pouca dia* 
tancia de Chaves, se designam os ooòngfn* 
ses, que eram os habitantes de Abobriga. 

D. Jeronymo Contador de Argote (Meai, 
do arceb. de Braga, tom. i.*, pag. 376) pre- 
tende que esta cidade existiu onde boje se 
vô Ribadavia, povoação da GaJlíza,não mui- 
to distante de Chaves. 

Talvez que houvesse duas cidades, nma 
chamada Obobriga, e outra Abobriga, e «pie 
isto seja a causa da divergência de opiniões 
dos escriptores. 

Seja como fôr, o que é ci^rto, ó que nena 
em Rio-Caldo, nem nas suas proximidades^ 
ha vesligíos de semelhante cidade. 

Enure esta freguezia e a da Ventosa, e so- 
bre o rio Cávado, havia uma ponte, ci:^ 
coostruccao primittiva se atiribue aosrooia- 
noSj para seguimento da estrada da Geianu 
Foi reconstruída no reinado de D. João V; 
mas, estando em mau estado, foi reediflca- 
da, desde os fundamentos^ em iS74. Cha« 
ma-se|mesmo a ponte de Rio-Caldo. 

Vide vaiar da Veiga. 

RIO-COBRAL— rio, Beira-Baixa, também 
chamado Levada É uma derivação do rio 
Alva^ junto á ermida de Nossa Senhora do 
Desterro, a par de S. Romão, no concelho 
de Céa. 

Tem 27 kilometros de curso ; passando 
pelos concelhos de Céa, Sandomil (extincto) 
e Oliveira do Hospital 

Desagua no rio Céa^ no ponto dos Pisões^ 
já Bo extincto concelho do Ervedal (hoje de 
Oliveira do Hospital). Rega também as fre- 
guesias de Travanca e Lagares. 

RIO-GOVO — freguezia, Minho, comarca» 
concelho e 6 kilometros de Barcellos, i8 ao 
O. de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 80 fogos. 

Em 1757, tinha 53 fogos. 

Orago, Santa Eugenia. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

O reitor do mosteiro de cónegos secula- 
res, de S. João Evangelista (ioyos) da cida- 
de do Porto, apresentava o vigário, que ti- 
nha 250M00 réis de rendimento. 



RIO 

É terra fértil. Maito gado e caça. 

Foi do antigo julgado de Vermoim. 

Em jQDho de 1874, cahia sobre esta flre* 
gaezia nma tromba d^agua^ qae cansou pre* 
JQitos superiores a 3 coDtos de réis. 

O rio Cávado, que aqui passa, crescendo 
tal modo, que um moleiro morreu afogado, 
apezar de ter subido para cima do telhado 
do moinho ! 

Também morreu bastante gado afogado. 

RIO-GOYO— -freguezia, Minho, comarca e 
concelho de Bareellos, 15 ktlometros ao O. 
de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 120 fogos. 

£m 1757, tinha 280 fogos. 

Orago, Santa Eulaiia (antigamente dizia* 
se Santa Olaia.) 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

A mitra apresentava o reitor, que tinha 
6(M000 réis e o pé d'altar. 

Foi commenda dos templários, e depois 
passou para a ordem de Ghristo. 

Foi do antigo julgado de Vermoim. 

Ha n*esta freguezia a capella de Nossa 
S^nkúra das Aguas Santas, título que lhe 
deram em razão de uma nascente de agua 
mineral que aqui ha, e que foi em tempo 
moíto concorrida de pessoas que n'ella se 
vinham banhar, esperando achar remédio 
para as suas enfermidades. 

Em tempos antigos, foram estas aguas 
ainda muito mais frequentadas» pois que^ 
pelos annos de 1700, em uma excava^ 
que se fez no sitio da nascente, ^e acharam 
•oterrados vários tanques, próprios para 
D^elles se tomarem banhos. 

Houve n'esta ermida uma confraria, toda 
composta de sacerdotes, instituída em tem- 
pos de que não ha memoria. Os seus esta- 
tutos foram reformados em 1641, e appro- 
vados pelo ponti6ce Urbano VIU. 

Os irmãos lhe faziam a festa na 2.* oitava 
da Paschoa, e era sempre muito concor* 
rida. 

Rio DE COUROS ou RIO DOS COUROS— 
freguezia, Extreraadnra, concelho de Villa 
Nova d*Oorem, comarca de Thomar (foi da 
mesma comarca, mas do supprimido conce- 
lho d^Ourem), 30 kilometros de Leiria, 150 
ao N. de Lisboa, 200 fogos. 



RIO 



191 



Em 1757, tinha 180 fogos. 

Bispado de Leiria. 

Distrícto administrativo de Santarém. 

Orago^ Nossa Senhora da Natividade. 

O cabido da collegiada d'Onrem apresen* 
tava o cura, que tinha 20^000 réis de reu* 
dimento e o pé d'altar. 

Deu-se a esta freguezia o nome de Rio da 
Couros, porque antigamente havia aqui mui* 
tos cortumes. 

Foi annexa á freguezia de Preixianda ; 
mas as oífertas e oblaçdes eram do extincto 
cabido (collegiada) d*Ottrem. 

Consta que existiu aqui uma cidade, oit 
grande povoação, cujo nome se ignora. 

É certo que na egreja matriz se vêem ai* 
gumas lapides romanas, cujas inscripçSes 
estão illegiveis, e com cujas pedras se coii* 
struíu a egreja, que, antes de ser paroohial»- 
foi por muitos annos capella, dedicada a 
Nossa Senhora de Rio de Couros (ou Ra^ 
couros, como antigamente se dizia) e qua 
por fim se mudou para Nossa Senhora da- 
Natividade, que é a actual padroeira. 

Fez-se-lhe sempre a festa principal a 8 de 
setembro, e havia então uma boa feira, quft 
ha muito tempo se não faz. 

Em excavaçdes que $e teem feito naa vi« 
sinhanças da egreja, se tem achado ossos de 
homens de grande estatura ; craneos twí 
proporção, ainda com dentes ; eippos ; ali- 
cerces; pedaços de telhas, de 5 centímetros, 
de espessura ; e outros objectos, denotante 
todos grande antiguidade. 

Na egreja existe uma arca de pedra ooil 
sua tampa. Segundo a lenda, era a prisfo 
de um captivo christão d*esta terra, que m 
Senhora trouxe aqui na mesma arca Jivran* 
do*o do captiveiro. 

Para evitarmos/ repetições 
e para se comprehender bom 
este artigo, é preciso ver o ul* 
timo periodo da col. %\ pag; 
324, do 6.» volume. 

RIODiDES ou RIO D'ÁDBNS-Outro8 di- 
zem Rio d^Aces, mas não me conformo^visto 
que aos adens (patos) se chamava antiga- 
mente dd^^ — freguezia, Beira-Alta, cornar^ 
ca, concelho, e 22 kilometros de S. João da 
Pesqueira (foi da comarca de Taboaço^eoii' 



Iâ2 



RIO 



RIO 



telho de Trev5es), 40 kilometros de Lame- 
go, 10 de Moimenta da Beira jB 320 ao N. de 
Lisboa, 215 fogos. Em 1757, Unha 150 fogos. 

Orago, S. Migoel, archanjo. 

Bispado de Lamego, e distrieto adminis- 
trativo de Visea. 

O reitor de Paredes da Beira, apresentava 
o cora, que tinha Si^OOO réia de eongroa e 
o pé d*altar. A côngrua era paga pela Uni- 
versidade. 

Dava-se na apresentação dos curas d'esta 
fregaezia uma singularidade digna de nota. 
Havia annos em que eram apresentados dois 
caras parochos, com eguaes honras, direi- 
tos, interesses e responsabilidade. 

É reitoria desde 23 de janeiro de 1870, 
sendo em 1.*" reitor, collado, o sr. padre Ge- 
miniano José Gomes, hoje abbade (também 
o 1.*) de S. Pedro de Páas. 

É povoação muito antiga, e era solar de 
muitas famílias illnstres. Hoje, porém, só 
aqui reside a dos Azevedos, representada 
pelo sr. Alexandre de Azevedo Menezes Pi- 
mentel Botelho Sarmento. 

A egreja matriz torna-se notável pela sua 
pobreza e abandono. É talvez o templo pa* 
rochial mais ordinário de Portugall £ moi-> 
to antiga, pois do lado esquerdo da porta 
principal, na parte exterior, se vé a data4e 
1110, não se sabendo, se é a da sua funda- 
^, se de alguma reconstrucção. Se fôr a 
era de Gesar, como é provável, é o anno do 
1072 de J. C. 

A povoação principal é compacta, e si- 
taâda em logar ameno e com bonitas vistas, 
wodo o seu território muito fértil, por es- 
tar na margem direita do rio Távora. Véem« 
se aqui arvores de prodigiosa grandeza, 
principalmente castanheiros, pereiras e mar- 
melleiros. 

Havia um freixo que media 5 metros de 
diâmetro no tranco : um rapaz, por brinca- 
deira, o incendiou ha uns 10 ou 12 annos ; 
era a maior arvore doestes sities. 

A quinta do referido sr. Azevedo é notá- 
vel pela sua fertilidade : um só pé de trigo, 
deu em um anno 86 espigas, e outro pé da 
centeio 122 f 

Produz multo e bom vinho, azeite, linho, 
«ereaes, legumes^ Uructas» etc. 



Tem uma boa ponte de pedra, de um só 
arco, sobre o rio Távora, que liga esta lire- 
guezia com a de Sendim : é a mais alta que 
se vé sobre o Távora, nos 54 kilometros do 
seu curso. 

No alto dó um monte bastante elevado» 
está a capella de Nossa Senhora da Alegria» 
de muita antiguidade, e com formosas e di- 
latadas vistas. 

Foi reparada, eom as esmolas dos devotos, 
pedidas pelo reverendo parocho, em f87& 

A sua festa principal, é no dia da Ascen» 
ção de Nosso Senhor lesus Chrlsto, e é con« 
corridissima, por ser a padroeira objecto do 
grande devoção para os povos d*esta fre- 
guezia e circumvisínhas. 

Ha mercado em todos os 2.''* domingos de 
cada mez, muito concorrido. 

Ainda pelos annos de 1700 existiam aqui 
as seguintes famílias de antiguidade e no-^ 
breza conhecida : 

Gti^s^cttja casa ainda existe, e mestra 
mnita grandeza e antiguidade. 

A ultima pessoa d'esta familia, foi a sr." 
D. Antónia, esposa do sr. António Perfeito; 
de Cambres. 

Leitões- Loureiros^hoje representados pe^ 
lo sr. António Yelloso da Costa Aragão, do^ 
Minbocal. 

Rebellos-^ho]^ representados pela sr.* IK 
Maria Peliciana Rebello de Faria, esposa 
(em 2.*" núpcias) do sr. José de Lemos e Na-^ 
polés. 

A familia dos Pimênteii Botêlkot, conali^ 
tue hoje trez casas distinctas e muito ilius*^ 
três. 

i.^ a sr.» D. Maria da Piedade Azevedo 
Menezes, viuva de Ayres de Sá Botelho, 

2.', o sr. Alexandre de Azevedo Menezes 
Pimentel Botelho Sarmento (de quemjáfal«^ 
lei) casado com a sr.* D. Anua Amélia Pinta 
de Mesquita e Vasconeellos. 

3.*, o sr. desembargador, Salvador d» 
Souza Rebello. 

Ainda aqui existe a familia de António 
Ferreira da Silva Santos» representada por 
seu filho único, o sr. José Joaquim Affonsa 
Ferreira da Silva Sentos, casado com a ar.* 
O. Maria da Estrella Pinto Saraiva de Mei-^ 
relles Falcão e Aragão. 



BK) 



BIO 



193 



No Távora ha varias azenhas de moer ce- 
reaes, e nas saas levadas se cria bastante e 
óptimo peixe. 

Antigamente tinha Riodàdes foro de villa, 
isslm como Paredes da Beira, soa limitro- 
phe, havendo em cada uma das freguezias 
egual nnmero de aactoridades, com pode- 
res em tudo eguaes. Pertencia então á co- 
marca de Trancoso. 

Os dízimos d'esta freguezia pertenciam à 
universidade de Coimbra. 

A parochia é formada unicamente pela 
povoação de RiodàdeS|,e ó corrente ser mais 
antiga do que a monarchia portuguesa. 

Foi resgatada do poder dos mouros» bem 
como todas as mais povoações e territórios 
Unmediatos» pelos tantas vezes citados n^es- 
ta obra, D. Thedou e D. Rauzendo» 

A egreja matriz está no centro da povoa- 
ção; mas é tradição que a primittiva foi um 
templo que existiu no sitio chamado hoje o 
Sanío^ a, uns VSO metros da povoação actual, 
e no qual ha uma ermida, dedicada ao Sal- 
vador, que se diz ser a capella-mór da an- 
tiga matriz; revela grande antiguidade. 

Então a freguezia era ftrmada por varias 
quintas e casaes dispersos^ do que ainda 
existem Vestígios nos sítios hoje denomina- 
dos Ferrarias, Parada, Carreias, Maria 
Diz, Maria Vaqueira, Pae Fernandes (tal- 
vez corrupção de Payo Fernandes) e Maria 
Martins. 

Fica nos limites d'esta parochia, parte do 
célebre Valle das MH (vide Paredes da Bei- 
ra) onde se feriu uma batalha, na qual os 
mouros ficaram mortos aos milhares. 

Também no districto doesta freguezia é o 
Valle de Mós, onde se encontram sepulturas 
abertas na rocha^ o que demonstra ter sido 
um almocabar (cemitério) mourisco; e tan- 
to em Carapito, como em Roborêdo, que fi- 
cam ao N.E. e próximo do Yalle de Mós, se 
vêem ruínas de antiquíssimas fortalezas. 

Ha n'esta freguezia uma nascente d*aguas 
férreas, que já foram muito concorridas; 
ilorém o dono da propriedade em que ella < 



brotam, aa ínutllisa, mistarando-as com ou* 
tas, para irrigação. 

Tem a parochia um cemitério decente» 
com um bonito portão de ferro, feito em 
Adorigo, por o sr. Manoel Carlos Valente, 
artista de muito merecimento, e rico pro- 
prietário. É irmão do sr. Francisco Cardoso 
Valente^ um dos mais acreditados nego- 
ciantes da praça do Porto. 

Próximo ao cemitério parochial, ha um 
morro chamado da Âtalaya, que, segundo a 
tradição, foi uma almenára dos lusitanos. 

Esta freguezia, pela fertilidade do seu ter- 
reno, podia ser uma das mais ricas do con- 
celho, mas é pobre por duas razoes : 

i.*, porque os maiores proprietários dos 
terrenos são de fora da terra ; 

2.*, pela falta absoluta de estradas. D'aqui 
á villa da Régua são apenas 30 kilometros» 
e o transporte de um carro de bois, custa 
para lá, 4^500 réis, por que tem de hir a 
Moimenta da Beira e a Lamego, fazendo 
uma derrota de 55 kiiometros 1 

Muitas das famílias que tiveram os seus 
solares em Riodàdes, e que aqui não men- 
ciono, vão nas terras onde hoje residem. 

RIO DE FORNOS — freguezia, Traz-os- 
Montes, comarca e concelho de Yinhaes (foi 
do concelho de Yinhaes, mas da comarca 
de Bragança), 70 kiiometros de Miranda» 
470 ao N. de Lisboa, 30 fogos. 

Em 1757, tinha 35 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Espectação. 

Bispado e districto administrativo de 
Bragança. 

O reitor de Paço apresentava o cura, que 
tinha 6^000 réis de côngrua e o pé d*al- 
tar. 

Esta freguezia foi snpprimida no princi- 
pio d*este século e está unida á de Valle de 
Janeiro, do mesmo concelho. 

RIO DE GALINHAS — freguezia. Douro, 
comarca e concelho de Marco de Canavezes 
(foi da extincta comarca e concelho de Soa- 
Ihães), 35 kiiometros ao N.E. 'do Porto, 335 
ao N. de Lisboa, 75 fogos. ^ 

Em 1757, tinha 65 fogos. 

Orago, S. Miguel, archanjo. 



194 



RIO 



RIO 



Bispado e dIstnetoadmiDistraliYO ão Porto. 

O reitor de Tuhias apresentava o cara, 
,^e tinha 8^000 réis de côngrua e o pé 
â'altar. 

BIO DE LOBà— freguena, BeiraAlta, con- 
-eelho, comarca^ districto administrativo e 
bispado de Viseu, 45 kilometros de Lame- 
go, 75 de Piolie], 90 ao S.B. do Porto, 280 
ao N. de Lisboa, 450 fogos. 

Orago, S. Simão. 

Não vem no Port, Saa^o e Prof.^ nem pu- 
de d*esta freguezia ter outra noticia, senão 
^ue é terra fértil, e que cria muito gado. 
• BIO DE MEL— freguezia, Beira-Baixa, co- 
■larca e concelho de Trancoso, 48 kilome- 
tros de Viseu, 325 ao N. de Lisboa, 125 fo- 
gos. 

Em 1757, tinha i36 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Graça. 

Bispado de Pinhel, districto administra- 
livo da Guarda. 

O abbade da freguezia de Santa Maria, de 
Trancoso, apresentava o cura, que tinha 
6^000 réis de coogroa e o pé d'altar. 

É terra pouco fértil e pobre. 

BIO DE MOINHOS — freguezia, Alemtejo, 
comarca e 12 kilometros de Exuremoz, con- 
celho de Borba, 40 kilometros de Evora^ 
145 a S.E. de Lisboa, 300 fogos. 

Em 1757, tinha 194 fogos. 

Orago, S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Évora. 

A mitra apresentava o cura, que tinha 
830 alqueires de trigo, 50 de cevada e réis 
ISOi^OOO em dinheiro. 

É terra muito fértil em cereaes. 

Em 10 de abril de 1867, foi feito barão 
de Bio de Moinhos (mas não sei de qual) õ 
sr. Manoel Augusto de Almeida Vallejo. 

Na herdade do Seixo, doesta freguezia, ha 
uma mina de ferro, que promette ser abun- 
dante. 

A 3:500 metros da villa de Borba, nos li- 
mites d'esta freguezia e da do. Sobral, é a 
planície de Montes- Claros^ ondo em 17 de 
junho de 1665 se deu a gloriosa batalha 
por isso chamada de Montes-Ciaros. 

Para evitarmos repetições, vide vol. 1.% 
pag.418,col.2.«— e 5.« vol., pag. 534,coL2." | 



' BIO DE MOINHOS— freguezia, Douro, co* 
marca e concelho de PenaQel, 35 kilometros 
ao N.E. do Porto, 335 ao N. de Lisboa, 290 
fogos. 

Em 1757, tinha 266 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

O papa, a mitra e o mosteiro de monges 
benedictinos de Paço de Souza, apresentavam 
o reitor, que tinha 240^000 réis. 

£ terra muito fértil. 

Os dizimes d'esta freguezia, eram para os 
Leites Pereiras, de Campo-Bello, como ad- 
mÍDÍstradores da capella dos Beis, no con- 
vento de S. Francisco do Porto, com obri- 
gação de casarem certo numero de or- 
phanS; 

BIO DE MOINHOS — freguezia. Extrema- 
dura, comarca e concelho de Abrantes, 180 
kilometros da Guarda, 144 ao E. de Lisboa» 
330 fogos. 

Em 1757, tíDha 256 fogos. 

Orago, Santa Eufemia. 

Bispado de Gasiello Branco, districto ad- 
mioistrativo de Santarém. (Foi do bispado 
da Guarda.) 

O vigário da freguezia de S. Vicente^ da 
villa de Abrantes, apresentava o cura, qno 
tinha 120^000 réis. 

É terra fértil. 

BIO DE MOINHOS— freguezia, Minho, co- 
marca e concfiho dos Arcos de Valia de Vez, 
24 kilometros ao O. de Draga, 384 ao N. de 
LiPboa, 175 fogos. 

Em 1757, tinha 160 fogos. 

Orago, Santa Eulália. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Vianna. 

Os viscondes de Villa Nova da Cerveira 
(depois marquezes de PoDte do Lima) apre- 
sentavam, in solidum, o abbade, que tinha 
400/íOOO réis de rendimento. 

Metade d*esta freguezia e da sna annexa» 
S. Thomé d*Aguião, era um beneficio sim- 
ples dos mesmos viscondes. 

£ n*esta freguezia a torre de Bio de Moi- 
nhos, com um casal aonexo, que foi de Gar- 
cia Bodrigues de Caldas, do Paço de Vas- 
cões, e de sua mulher, D. Leonor de Souza. 



BIO 



RIO 



195 



Doaram O a sna filha, D. Isabel Rodrigues 
de Caldas, casada na Galliza, na casa de 
Ura. 

Ficando viuva e sem filhos, casou com 
Meão Rodrigues de Novaes e Ozores, fidalgo 
gallego, senhor dos coutos de Pedra-Fura- 
da, Souto-Nobre, Gorcãos, Tioellas eFiães^ 
em cuja âescendeocia se continuou até á 
guerra dos 28 annos (1640 a 16G8). 

Então, Garcia Ozores Sotto-Maior e Le- 
mos, conde de Amarante, e senhor d*aquel- 
la casa^ o vendeu a Gonçalo de Mèito e Li* 
ma, e é hoje de seus descendentes. 

É terra muito fértil em todos os géneros 
agrícolas do paiz, e cria muito gado de toda 
a qualidade, que exporta. Nos seus montes 
ha bastante caça. 

Foi abbade d'esta freguezia, António Da* 
mazo de Castro e Souza, que falleceu no I.* 
de julho de 1876. 

Nasceu em Lisboa, a 11 de dezembro de 
1804, e era filho de António Caetano de Cas- 
tro, fidalgo da casa real, e de sua mulher, 
D. Úrsula Thereza Rosa de Souza. 

Foi António Damazo de Castro e Souza 
(valgo o Abbade Castro) académico honorá- 
rio da academia das Bellas-Artes ; sócio do 
conservatório real, de Lisboa ; sócio de me- 
Tilo, da Real Associação dos Architectos Ci- 
vis e Archeologos Portnguézes; commenda- 
dor de numero, de Isabel a Catholica; gran- 
de official da ordem do Nicham, de Iftihar 
de Tunes ; condecorado com os hábitos de 
diversas ordens, civis e militares ; adjunto 
do provedor da Santa Casa da Misericórdia, 
de Lisboa, etc. 

Compoz varias obras de grande valor lit- 
terario, e tidas em grande apreço pelos en- 
tendidos. 

A todos estes dotes scientifícos, reunia 
outros, não menos apreciáveis: era de tima 
extrema' bondade de coração, amigo dedi- 
cado, afTavel, modc sto e caritativo, pelo que 
deixou perpétua saudade a quantos o co. 
Bbeciam. 

RIO DE MOINHOS— freguezia, Beira- Alta, 
concelho de Sataro, comarca, districlo admi- 
nistrativo, bispado e 18 kilometros de Vi- 
seu, 295 ao N. de Lisboa, 350 fogos. 

Em 1757, tinha 230 fugos. 



, Orago, o archanjo S. Miguel. 

O real padroado apresentava o vigário, 
que tinha 40^000 réis de côngrua e o pó 
d*alUr. 

É povoação muito antiga^ e foi villa é ca- 
beça de concelho. 

D. Sancho 11 lhe deu foral, na Guarda, 
em 10 de julho de 1240. (Maço 12 dos Fo- 
raes antigos.) 

O rei D. Manoel lhe deu novo foral, em 
Lisboa, a 6 de maio de 1514. {Livro de fo^ 
raes novos da Beira, fí. 68 v., col. 2 •) 

D. Sancho II, que estava na cidade da 
'Guarda quando deu a esta povoação o foral 
velho, arrendou aos concelhos de Zaatãn 
(hoje Satam) e de Bio de Moinhos, todas as 
suas colheitas (aposentadorias) por 2t5 ma- 
ravidis novos. 

É terra fértil em todos os géneros agri* 
colas do paiz, e cria muito gado. Nos seus 
montes ha abundância de caça. 

Em 1876, descarregou uma furiosissima 
trovoada, acompanhada de vento e chuva 
torrencial, sobre as povoações de Luzinde, 
esta de Bio de Moinhos e circumvisinhas, 
que causou grandes estragos. 

Pontões, açudes, moinhos, lagares de 
azeite, batataes, linhares e mais terras la- 
vradias, ficaram destruídos e arrazados t 

Ainda hoje é lembrado com horror este 
terrível temporal, que reduziu muitos la- 
vradores á miséria. 

RIO DE MOURO— fregupzfa, Extremadú- 
ra, comarca e concelho de Cintra, 24 kilo- 
metros ao N. de Lisboa, 325 fogos. 

Orago, Nossa Senhora de Belém. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Não vem no Port, Sacro e Profano, 

A egreja matriz é um formoso templo de 
trez naveíi. Tanto o altar-mór, como os doi» 
lateráes, sâo de primorosa talh.*i dourada. 

Túdas as santas imag^^as d'esta egreja, 
sâo de magnifica esculptara e foram encar- 
nadas ainda ha cinco ou seis annos. 

O retábulo do altar-mór, é uma pintura 
de grande merecimento. 

Tudo aqui respira aceio e alegria. 

Possue jarras lindíssimas ; castiçaes ; al- 
gumas banquetas douradas e outras pratea- 



w 



BIO 



das, e formosas maquinetas para resguar- 
darem as imagens da humidade. 
. Na egreja matriz ha uma custodia de 
prata dourada, que em i877 foi vendida, 
por engano (I) ao sr. visconde de Monserra- 
te; porém, à força de reclamações tornou a 
vir da Inglaterra, para onde tinha hido. 
Esta custodia é um primor da arte de ou- 
rivesaria, e obra de grande merecimento. 

Existiu aqui, por muitos annos, uma es- 
cola de instrucção primaria, protestante^ 
fundada e regida por um padre hespanhol 
que para aqui veíu residir, o qual, para ca- 
sar com uma mulher rica, d*esta freguezia, 
apostatára da religião catholíca. 

Como não havia outra escola, era esta 
concorrida por muitas creanças da localida- 
de, ás quaes ensinavam doutrinas heréticas. 

Uma associação de pessoas piedosas* pro- 
jectou fundar aqui, uma escola catholica, 
para o que promoveu uma subscripção, alu- 
gou casa própria, nomeou professor e pro- 
fessora, pessoas sinceramente religiosas e 
de moral exemplar, para educarem as crean- 
ças de ambos os sexos. 

Esta escola foi inaugurada no dia 19 de 
. março de 1878, e, em pouco tempo, contou 
(prande numero de dtscipulos, que fugiram 
da escola protestante. 

O sr. Filíppe José da Luz, rico proprietá- 
rio e fabricante, doesta freguezia, e fervoro- 
so catholico, concorreu, mais do que outro 
. qualquer, para se levar a effeito a obra does- 
ta benemérita empreza. 

Deus lhe dará o premio dos seus louva 
veis esforços e sacriflcios. 

Muitos caiholicos sinceros, não reconhe- 
cem o grande mal que a seita protestante 
faz n'este remo, pelo facto do pequeno nu- 
mero de pessoas que apostatam. 

É um engano. É verdade que são poucos 
(felizmente !) os renegados até hoje, e esses 
pouca falta fazem ao christianismo, pelos 
s^us péssimos precedentes ; mas os propa- 
gadores da heresia, se não conseguem ade- 
ptos, semeiam nos corações da gente igna- 
ra, a indifferença e a descrença ; e todos 
sabem que ó melhor ter uma religião qual- 
quer, do que não ter nenhuma. 

Yidé Ribeira de Fráguas. 



,wo 

É n*esta fregu^ia a formosíssima aldeia 
de Âlbarraque \ povoação antiquíssima, a 3 
kilometros da de Rio da Mouro. 

Ha em Âlbarraque uma nascente d^agoas 
férreas, á qual se attrlbnemmui(as virtudes 
therapeuticas. 

Não só por esta circumstancia, mas para 
gozarem os ares puros e a amenidade, does- 
te sítio, vem para aqui passar a estação cal* 
mosa muitas famílias ricas de Lisboa. 

N*esta aldeia está a formosíssima capella 
de Nosso Senhor dos AfflictoSy a cujo pa* 
droeiro se faz to4os os annos ama festa som- 
ptuo3Í3sima. 

A sagrada imagem do Crucificado é de 
primorosa esculptura e de um valor artis* 
tico inexcedivel, e os povos d'este8 sítios 
lhe consagram uma grande devoção. 

RIO DE ONOR (ou de HONOR) —fregue- 
zia, Traz-os-Montes, concelho, comarca, dis« 
tricto administrativo e bispado de Bragan- 
ça, 65 kilometros de Miranda, 500 ao N. de 
Lisboa, 65 fogos. 

Em 1757 tinha 26. 

Orago» S. João Baptista. 

O reitor de Rabal, apresentava o cura, 

que tinha 6]Í600 réis de côngrua e o pé 

d'altar. 

É terra fria, pobre e pouco fértil. Fica 
perto da raia. 

RIO DOS ODRES antigamente RIO ÚTIL. 
Serviu no tempo dos suevos de divisão das 
dioceses de Braga e Lugo. 

Trata d*este pequeno ribeiro a Divisão 
dos condados, 

RIO DE VIDE— freguezia. Douro, conce- 
lho de Miranda do Corvo, comarca da Lou- 
zan (foi da mesma comarca, mas do extin- 



1 Âlbarraque é corrupção do substantivo 
árabe albarrada^ que 9igni6ca vaso de flo- 
reSy nome que os mouros deram a este lo- 
gar, pela sua belleza e amenidade. 

Os árabes também escreviam trarrador, 
que se pôde traduzir pt^io substantivo por- 
tuguez rosário, qu<^, propriamente*, significa 
vaso onde se mettem rosas. Deriva-se de 
wardou, rosa. 

Depois, estendea-^e o nome ao vaso qiio 
continha, não só rosas, mas outras quaea- 
quer flores. 



RIO 



mo 



cto concelho de Semíde), 15 kilometros a E. 
ae Coimbra, SOO ao N. de Lisboa, 3i60 fo- 
gos. 

fim 1757, tinha 78 fogos K 

Orago, S. Tbiago, apostolo. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

O vigário da Foz de Aronce, apresentava 
o cnn^ qae tinha 50]f000 réis e o pé d'al- 
tar. 

É terra fértil. • 

BIO DOURO— freguezia^ Minho, concelho 
de Cabeceiras de Basto, comarca de Celori- 
co de Basto, 40 kilometros ao N. de Braga, 
380 ao N. de Lisboa, 490 fogos. 

Em 1757, tinha 82S fogos. 
' Orago, Santo André, apostolo. 

Arcebispado e districtc^ administrativo de 
'Braga. 

O Dt abbade, benedictind, de S. Migael de 
Refojos^ apresentava o vigário, collado, qae 
tinha iOOliOOO réis de rendimento. 

É terra fertilissima. Maito gado e eaça^ e 
algum peixe do Tâmega, e de outros ribei- 
ros. 

Yldè Cabeceiras de Basto. 

RIO FRIO — fregnezia, Traz-os-Montes, 
concelho, comarca, districto administrativo 
e bispado «de Bragança, 35 kilometros de 
Uranda do Douro, 480 ao N. de Lisboa, 160 
fogos. 

Em 1757, tinha 99 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Assumpção. 

cabido (U Sé de Bragança, apresentava 
o cura, que tinha 6M00 réis de côngrua e 

o pé d*altar. 

Está annexa a esta freguezia, a de S. Yi- 
«enie do Paço, que íá fiea deaeripu no le- 
gar competente. 

São terras pobres e pouco férteis, proxi- 
BU da raia hespantaola. 

Esta firegnezia pertenceu ao ektincto con- 
celho do Outeiro. 

Deve o seu nome ao pequeno Rio Frio, 
que a atravessa, e desagua na margem es- 
querda do Sabor. 

Vide o !• #Wo ou Bi0'Frío. 

1 Acho muito pouca gente. É provavel- 
mente engano do Poii; Sacro e Prof. 

Youms vni 



RiO-Fiao— i^gueiia, Minho^ comarca e 
concelho dos Arees de Yalle de Yez, 33 ki- 
lometros áo N. de Braga, 390 ao N. de Lis- 
boa, 365 fogos. Em 1757, tinha 307 fogos. 

Orago, S. Joio Baptista. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Yianna. 

O rei, pelo tribunal da mesa da consciên- 
cia e ordens, apresentava o reitor, que tinha 
lOOf 000 réis de côngrua e o pé d'altar« 

O reitor, até 1834, erá sempre um freire 
da ordem de Ghristo. 

Foi mosteiro e commenda dos temphirios 
até 1311, passando em 1319 para a ordem 
de Christo. 

Foi aqui commendader^ Payo Rodrigues 
d' Araújo, senhor das -casas â'Araujo e Lò- 
bios, na Galliza^ e das de S. Fins e Penojas, 
em Portugal. 

*Foi alcaidemór de Lindoso, e guarda- 
mór de D. João I e de seu filho, o infanie 
D. Henrique (o de Sagres). 

Foi também commendador de Rio-Frio, 
seu filho, Rodrigo Alves d'Araujo, que foi 
sepultado na matriz d'esta freguezia, e tem 
numerosa descendência, que são os Arat^os 
de diversas casas nobres do Minho. 

É povoação muito antiga, e já existia an- 
tes da mooarchia portugueza. 

Na aldeia do Enxerto, d'esta freguezia^ 
houve uma torre, antigo solar de uma fa- 
mília extincta. 

Em 1679, era senhor d'eeta torre, Bahha- 
zar de Araújo, que vendeu a pedra de que 
Idra construída, ao dr.'Pedro Gomes Dan- 
tas, o qual com ella mandou fazer as casas, 
chamadas do Hospital, qiie passou á famí- 
lia dos Caldas, de Yasc5es. 

Ha aqui um penhasco a que chamam o 
castelto. Segundo a tradição, houve n'e8te 
sitio uma fortaleza momrisca. 

Junto ao penedo ainda existe uma gruta, 
a que chamam lapa da moura, por ter per- 
tencido a uma árabe, senhora do tal cas- 
telio. 

RIO-LIYRE— coneeiho eztincto, Trazos- 
Ifontes, que depois se uniu ^^ também hoje 
extincto, de Monforte do Bio lAvre. 

É uma potoação antiquíssima^ pois já 
exisUá no tempo dos romanos. 

13 



m 



mo 



Teve foral valho, âado por D. Aft>D^ ^^h 
èm Guimarães, a 17 de jQuho de i253. (£4- 
vro 2.'' de Doações de D. Affanso UI, fl. 16 
ia fioe, e Livro de foraes antigos de leitura 
nova, fl. 104 v., col. 1.*, do príneipip.) 

Para evitarmos repetições» vide Monforte 
do Rio Livre. 

BIO-MAIOR— villa, Exlrefpadara, cabeça 
de • conoelbo, na comarea e distrícto admi- 
nistrativo de Sanurem^ 85 kilometros ao 
Nfi. de Lisboa, SoO fogos. 

Em 1757, tinha 632 fog^is. 

Drago Nossa geahora da Conceição. 

Patriarebado 4^ Lisboa.' 

O rei, pelo tribunal da mesa da consciên- 
cia, apresentava o prior, que tinha 480 al- 
queires de trigo, 120 de cevada e 20^000 
réis em dinheiro, todo pago pela commen- 
da. 

Está situada junto do rio do mesmo no- 
me, que, com 54 kilometros.- de curso, des- 
agua na margem direita do Tejo, qoasi em 
frente de Salvaterra de Magos* 

O concelho de Rio-Maior, é composto de 
sete freguezias, todas no patriarebado, o com 
uma população de 2:900 fogos. São— -Alço-* 
bertas. Arruda dos Pisões, Azambujeira, 
Fráguas, Outeiro da Cortiçada, Ribeira, e 
Rio-Maior. 

É povoação muito antiga : mas não tem 
foral, novo ou velho; pelo menos, Franklim 
não o traz. 

A noticia mais antiga que encontro d'esta 
povoação, é uma venda feita por Pêro Ba- 
raião e sua mulher, Sancha Soares, em 
1177, aos templários, da quinta *parte que 
tinham noi poço e salinas de Rio-Maiort cujo 
poço partia pelo £.■ com a Albergaria do 
Rei, pelo O. com D. Pardo e com a ordem 
do Hospital, pelo N. com marinhas da mes- 
ma ^rdem {EspitCÊUe, se escrevia então), e 
pelo S. com marinhas do dito D. Pardo, 

Jà então as salinas de Rio-Maior eram 
exploradas, mas coosta de memorias eseri- 
ptas, que antes do século xii o tinham sido 
em muito maior escala. 

Adiante fallarèi sobre o estado actual 
d^esus marinhas. 

Na aldeia da Azinheira, próxima á villa, 
e da sua fregaecia^ ha uma bonita capella, 



mo 

dedicada a Sapito António, e, perto d'eUa» 
grandes pedreiras de óptimo silex (pedre* 
neira) que se extrahe em grande quantida- 
de; e ainda em muito maior se tirava antea 
de haver armas de fulminantes. 

Os povos da Azinheira, empregados na 
factura de pedreneiras, foram até 1834 isen- 
tos do recrutamento. Boje, a oiaior extrac- 
ção d*este producto, é para a Hespanha e 
Ultramar. 

Rio-Maior nunca teve foro de villai mas, 
sendo elevada a sede de concelho, por do- 
erem de 6 de novembro de 1836» foi desde 
então considerada como tal. 

A primittiva egreja matriz estava a nus 
4 metros do ^ntigb leito do rio, e a una 50 
da povoação. 

Consta que havia sido feita pelos ascen- 
dentes do sr. marquez de Penalva, qoe eram 
eommendadores da commenda de Nassa Se- 
Dhora da Conceição, d'esta^freguezia, coma 
obrigação dos reparos da mesma egreja ; 
mas esta nunca se chegou a concluirt 

Em 1810 principiou a arruinar-se, e d'el- 
la apenas hoje restam as paredes e a torre, 
na qual ainda estão os sinos parocbiaas; 
. Mttdou-se a matriz pajra a peque^na egre- 
ja do Espirito Santo, que pertence á irman- 
dade da Misericórdia, e ó insníQeienie para 
coDter o povo d'e3ta grande povoação. É âa 
simples architectura e tem aitar-mór e qua- 
tro iateraes. 

A requerimento do povo^foi, em 1875^ 
ordsnado, pelo ministério das obras publi- 
cas, que se levantasse a planta. para a nova 
egreja matriz. 

Foi orçada a obra em 5 centos de réis, e 
os parochianos offereceram nm conto. 

Está marcado para local da nova ogre- 
ja, o sitio onde exislia o eastello mourlsoo 
de que já íallei; mas, sabe Deoa quando ella 
se fará. 

Oapellas d'a8ta fregneeia 

Santo AnUmio-^ no antigo hospício da 
frades franciscanos. 

Foi isto vendi<]Lo depois de 1834, e a ca- 
pella ficou profadada* 



BIO 



BIO 



199 



O sen altar era de* primorosa talha dou- 
rada» e 08 azalejos que revestiam as paredes 
interiores, eram de notável correcção de de- 
senho. 

S. 'Gregório — ao E. da villa : d^ella só 
restam as minas. 

S. Miguel^ archanjo-^uo ponto mais ele- 
vado d*este sitio, e d*onde se gosa nm ma- 
gnifico 4>aQorama. Pertence à irmandade das 
almas. 

S, Sebastião^^m sitio alegre e espaçoso, 
6 enjo padroeiro é objecto de grande devo* 
ção do povo. 

Foi construída em 1569 e o alpendre fei- 
to em 1688. 

Todas estas capellas sao em Rio-Maior. 

SatUo António — na aldeia da Azinheira. 
fi publica, e festeja- se o padroeiro no seu 
dia! 

Santo iituír^— junto ao logar da Ante- 
posta. A festa do padroeiro é no L** de ja- 
neiro de cada anno. 

Também n*esta ermida se festeja Santo 
António, no domingo anterior ao dia 13 de 
junho de cada anno. 

S. Domingos e Santo Amaro — no logar 
da Asseiceira, a 5 kilometros da villa ; pu- 
blica—e cuja festa é em um dos domingos 
de outubro. 

Desde este logar até á villa, ainda se vêem 
vários lanços de muros de snpporte e ou- 
tros vestígios, da antiga estrada militar, de 
Lisboa para Peniche, e que passava pela 
vílla. 

S. João Baptista — no logar da Fonte da 
Bica : é publica, e se festeja no seu dia. 

Também n*esta capella se festejam todos 
os annos as imagens de Nossa Senhora do 
Konte do Carmo, Nossa Senhora da Ajuda, 
Santo António e S. Sebastião. 

S. Payo— na quint^ do n^esmo nome, ho- 
je propriedade do ar. Vicente Augusto de 
Araújo Camizâo. 

Antigamente, quando alguém tinha se- 
sSes, recorria a este santo, e hiam á sua ca- 
pella em romaria, e aili comiam sopas de 
ovos f 

Este costume acabou ; mas ainda se fáz 
uma festa annual ao padroeiro. 
Nossa Senhora da Luz — em uma proprie- 



dade da sr.* Viuva Caldas, de Santarém. A 

padroeira é objecto de grande devoção doa 
povos d'este8 sítios, que lhe fazem uma es* 
plendida festa, no dia designado pelos de* 
votos. 

Santa Anna — na serra das Bôccas. Está 
em rninas. 

Nossa Senhora de Nazareth — na antiga 
quinta do Jogadouro, 

Tanto a capella como as casas da quinta, 
foram devoradas por um incêndio, em 18 
de janeiro de 1893. 

Segundo a tradição, esta quinta já exis- 
tia no tempo dos mouros, e o seu nome lha 
provém de um jogo que elLes aqni jogavam» 
com bolas e paus de ouro, ou dourados. £ 
certo que ha uns 30 annos, em uma exca« 
vação que se fez n'esta propriedade, appa* 
receram algumas pequenas barras de òuro^ 
em forma de disco. 

Esta quinta é banhada pelo rio, e é cir« 
cumdada de grandes arvçres, que denotam 
muita antiguidade. 

O hospício de frades franciscanos (arra« 
bidos) em que já fallei, foi fundado por uma 
D. Anna de tal, em 1763, segundo se lé eni 
uma inscripção que ainda alli se vé, e dis 
-^ASdificata êst aedicula Sacra Famitia^ 
1163. 

A fundadora doou o hospício aos francis« 
canos^ com a obrigação de estabelecerem 
alli uma fabrica de bnrets, para empregar 
as pessoas necessitadas dVsta povoação. 

O edificio foi cedido à camará inunicipal^ 
por um officio4o governo civil de Santarém^ 
em 1837, tomando a camará posse em 19 te 
fevereiro de 1838. 

Estão n'elie estabelecidas as repartiçSes 
publicas do concelho, camará, administrt» 
ção, repartição de fazenda, tribunal Judida^ 
escola do sexo masculino. 

Junto á capella de S. Miguel, já "meneio- 
nada, existiu um pequeno oaslello, que ao 
diz construído pelos mouros. Foi completa* 
mente demolido, e no chão que occupava 80 
construiu uina escola de instrucção primar 
ria, para ambos oa sexos, com doía paii* 
mentost fundada pelo benemérito sr. loio 
José da Gosta, da quinta das Bastidas, pro* 



200 



RIO 



xuno d'e8ta villa, que a offereceu à camará 
municipal. — 

O rio que atravessa a povoação, e lhe dá 
o nome, nasce na grande serra das Bôccas, 
Ainda em 1870 brotava a agua por entre 
serros; hoje sae por orificios, abertos na mu- 
ralha que cinge a estrada real que alli passa. 
fi um dos sítios mais aprasiveis d*esta Ire- 
gue^Eia. 

As nascentes sâo importantissimas, des- 
lisando-se a alguma distancia por terreno 
fdcaitilado, mas depois entra nas férteis vei- 
gas que círcumdam as suas margens, até ao 
Tejo. 

Segundo a tradição, parte d'esta agua 
era desviada, por meio de canalisação subter- 
rânea, da qual ainda restam vestígios, para 
uso de uma fabrica de fundição de metaes 
110 tempo dos árabes. Esta canalisação prin- 
cipiava (a Julgar pelos vestígios) nas bar- 
reiras chamadas do Tufo, no^sitio da Bura- 
ca da moura, e terminava no sítio das Covas 
4fo Adro, onde estava o tal estabelecimento 
metallurgico. 

Em agosto de i874, andando um lavrador 
9l alqueivar a terra, na quinta das Bastidas i 

, 1 Ha muitos siiios em Portugal eom'o no- 
me de Bastida (em algumas partes correm- 
Sido. em Vestida) e é provável que nem to- 
es saibam a significação d'esta palavra. 

Bastida^ era uma torre de madeira, que 
fgualava on excedia a altura das muralhas 
da i»ttça que se queria atacar, e para da tal 
torre atirarem os besteiros. 

Daya^se também o nome de bastidas, às 
trincheiras ou palíssadas, com que se ãefen- 
d^aal as posições militares, ou mesmo qual- 
quer povoação; e egual nome tinham todas 
e qpesquer obras de defezâ. 

nnatménte, tionam ainda o nome de bas- 
tida, a balsa ou Jangada, de muitos paus, pre- 
ioie ligados entre si. {Vida de D. João /, por 
Lopes, parte l.«, cap. 64.— Dawíâo de Góes, 
fl. 70. 

Julgo que herdamos esta palavra dos nor- 
mandos, q«e diziam bastille, com a mesma 
aifflaipCHão. 

Foi celebre a Bastille (bastilha) de Paris, 
fortaleza construída por Carlos V, rei de 
rraoça, em i369, para Ãefender a cidade das 
InvaBdes dos ingleies, e que depois foi con- 
fvertid» em prisão do estado. Os republica- 
nos francezes a arrazaram. a U de julho de 
1789. ' 



RIO 

a um kiiometro da villa, sentiu que o dente 
do arado se lhe prendera em uma grande * 
pedra de mármore. 

Deu parte d*i6to ao dono da quinta, e, de- 
pois de algumas horas de trabalho, se des- 
cobriu um magnífico subterrâneo, que d*e^- 
ta propriedade se dirigia para o rio^ pas- 
sando pela quinta do Jogo d'Ouro. Julga-se 
que este subterrâneo está em comlnunica- 
ção com outros. 

A tradição attribue esta obra aos mouros,, 
mas, pela sua magnificência e solidez, pa- 
rece mais obra romana. 

Hospital 

Existe n*esta villa um pequeno hospital « 
fundado em 1619, que, segundo consta de 
documentos antigos^ era administrado pelo 
hospiul da Misericórdia, de Santarém. Os 
moradores de Rio-Maior, pediram a D. José I, 
em 17 de janeiro de 1759, a creação de uma 
irmandade da Misericórdia,, para curar do 
edificio e do tratamento dos doentes pobres» 
O rei .lh'o concedeu^ por alvará de 18 de 
abril do mesmo anno, com obrigação de 
prestar contas annuaes ao provedor*da ca* 
mara de Santarém. 

A construcção primittiva d'este estabele» 
cimento de caridade, era acanhada e em más^ 
condições hygienicas; mas, em 1870, por do- 
nativos de bemfeitores, foi reconstruído, è 
actualmente é um edificio próprio para o fim 
a que é destinado; podendo accommodár até , 
30 enfermos que d'elle necessitem, na sua 
passagem para as Caldas da Rainha, que á 
para o que elle desde o principio se cons-^ 
trníu. 

Para custear as despezas do hospital^ dei- 
xou a infanta D. Isabel Maria, filha de D. 
João VI, quando regente, e por alvará' do 
anno de 1826, para a Misericórdia, os ren- 
dimentos das irmandades do Menino Jesus^ 
Nossa Senhora das Dores, e S. Sebastrao. 

Estradas 

Passava por esta villa a estrada real, d» 
Lisboa ao Porto, mandada construir por D. 
Maria I, e n'ella se encontram algumas obras 



RIO 

« 

d'arte de maita importância, como as pon- 
tes da Asseiceira, e Fonte-Branca : havia 
cambem a da Amieira, que foi demolida. As 
onlras ainda esião l)em conservadas. ' 

Ao sul da villa, foi constraida, em 1870, 
por conta do governo, nma óptima ponte de 
«antaria e alvenaria, sobre o rio. É munici- 
pal. 

Actualmente, é atravessada pela estrada 
real em constracção, que hade ligar Santa- 
rém com a praça de Peniche, e com a que 
liga esta villa com a estação do caminho de 
ferro da Ponte de Sant^Anna. 

É n*esta estrada a ponte de Freiria, cujo 
laboieiro foi lançado a 27 d*abril de 1876. 
Esta ponte está entre Rio-Maior e o Cartaxo. 

Offereceu grandes o*bstacnlos a construc- 
^ dos fundamenios para os. encontros. 

A ponte é de ferro, e tem 40 metros de 
vãò, e a viga é em treílli, com 4 metros de 
altura. A sua construcção foi dirigida pelo 
distietissimo engenheiro, o sr. Domingos da 
Apresentação Freire, que foi o auctor do 
projecto. 

Pui construída pela acreditada casa Fives 
UlU. 

' r Ao acto do lançamento do tabqleiro assis- 
tiram os administradores de Rio-Maior e 
Cartaxo, as camarás municipaes doestes doiis 
«oncelbos, o director das obras publicas do 
distrieto, os engenheiros da mesma direcção, 
mr. Labille (representante da empreza cons- 
truetora I^ivet Lille) e mais de 4:000 pessoas 
das visinhanças. 

Durante a operação, tocaram as philar- 
nionicas do Cartaxo « Rio-Maior, e houve 
difiterentes vivas. 

A ponte é no sitio chamado Porto ia Frei- 
ria. 

Andam em construcção, a estrada de Rio- 
Maior a Alcobaça, e a da mesma villa a Tor- 
res Novas. 

* 1 1 

. Ha também uma boa estrada municipal, 
liova, que vae d'aqui á aldeia das Alcober- 
iâs, na extensão de 3 kilometros. 

Já se, v^ que este concelho não é dos mais 
mal dotidos,. quanto a viação publica. 

Esta villa tem tido muito desenvolvimen- 
to; possuo alguns bons prediosi de cons* 



BIO 



30i 



tmcção moderna; tem bons estabetecimen- 
tos commerciaes, cujo movimento é de bas* 
tante importância. 

Ao E. e S., estendem-se por mais de IS 
kilometros, magniQcos pinheiraes, cnja ma- 
deira, pela sua boa qualidade, tem prompt^ 
e vantajosa exportação para differentes lo- 
calidades do districto e para Lisboa. 

Ao O., existem inexgotaves pedreiras de 
cantaria e alvenaria, d'onde se extrahem e 
exportam grande numero de carradã^s de pa»* 
dra, não só para differentes obras do conce- 
lho, como para outras localidades, algumas 
das qnaes estão a mais de 30 kilometros dft 
distancia. 

Nas visinhanças d'esta villa, e dentro doa 
limites do seu concelho, ha minas de diffe- 
rentes metaes e metaloidés. Os afiovamentot 
mais visíveis, são: 

Pyrites de ferro, ao S. da villa, n^ sitio 
chamado Fonte-Rabaça. Ê de poUca impor- 
tância, apezar de conter alguma prata; mas, 
em tão diminuta quantidade^ que não pro- 
mette bom resultado a sua lavra. 

Aniracitêê (carvão mineral) existem miâaa 
em differentes partes do concelho^ que se 
não exploram, por desmàzello, ou por fklta 
de capital. 

Coire^ ao N. da villa, próximo ao logar da 
Fonte da Rica. Não se explora. ]" 

Enxofre, na serra da Senta. Também naé 
se explora. 

Chlorurêto' de iodíutif, metaloide déseo- 
^berto por Sbhéele, em 1771. É a mais im- 
portante de todas, e inexgotavel É esta mt|ia 
que dá origem às famosas marinhas de Rio* 
Maior. 

fim junho de 1875, manifestou o sr. Ber- 
nardino Aréde Soveral, na camará d^eSté 
concelho, uma mina de pedras 1ytogra|[»ld- 
cas, com algum minério de prata. 

AgmBLB mineraes 

Abundam por estes sitios as nascentes do 
óptima água-ferrea, mas, infelizmente^ ne- 
nhuma aproveitada^ pela incúria dos povos 
do município. 



2021 



ÍUO 



WO 



Ha também algamas nascentes de aguas 
sulphorosas ; mas, nem estas, nem aquellas, 
íoram ainda competentemente analysadas. 

Ha também abondancia de boa ágaa po- 
IdYél^ e, em 1864, com nm subsidio do go* 
vemo, construiu a camará mais dois chafa- 
rizes. _ 

■ « 

Ha em Rio-lfaior uma feira annoal, nos 
dias i, S^ « 3 de setembro> na qual se fazem 
importantes I transações» principalmente em 
fados, madeiras, géneros alimenticios e oU" 
tros. Antigamente, fázia-se esta feira nos dias 
15, 16 e i7 do mesmo mez: ô concorridis- 
aima. ^ 

Próximo á aldeia da ^onte da Bica, é o si- 
tio chamado Válle das Laranjas, pelas mui- 
tas e óptimas que produz, e que sâo das 
melhores (senão as melhores) de todo o rei- 
no; pelo que dão em toda a parte muito 
mais dinheiro do que outras quaesquer. Em 
Lisboa são multo apreciadas. 

O clima d'este concelho é um dos mais 
saudáveis da província. 

Eíh 1876 construiu-se um theatro, a ex- 
pensas da associação denominada— Pro^fi- 
90 dramático r to-maiorens^ 

Alem d*esta associação, ha mais as se- 
guintf s : 

úremio de instrucçâo e recreio rio-maio- 
rense, estabelecida em um magnifico prédio, 
no melhor sitio da villa, e formado pelas 
pessoas mais importantes do concelho, e de 
alguits cavalheiros dos immediatos. ' 

Monte-Pio, ou associação protectora rio- 
wuUorense^ que fornece aos sócios doentes^ 
^coltativo e medicamentos. 

Centro promotor rio-maiorense, tem por 
fim, líhir, para todo e qualquer objecto pro- 
veitoso ao concelho, os seus habitantes. 

) Estas duas ultimas associa- 
ções, devem-se á iniciativa do 
sr. commendador, Vicente Au- 
l^usto d* Araújo GamizãOi abas- 
tado proprietário d'este conce- 
lho, e ex-delegado do thesouro 
em Santarém. 



Ha n*esta villa algumas fabricas de cortu* 
mes. 

Exporta madeiras, rezinas, sU, pedra de 
cantaria, pedreheiras, azeite, vinho, fiructae 
outros géneros agrícolas. 

Quintas 

Ha no concelho as seguintes : 

S. Payo, do sr. Gamizão-, e da qual Já fkl* 
lei. 

Quinta Nova e ^^dos figueiredos, dosr. 
commendador Francisco Luiz dos Santos. 

Assentiz e Sanguinhal, da viuva do com- 
mendador Freire. 

Sobreiros, do sr. João da Maia Rosa. 

Carvalhal, do sr. Francisco Ferreira Çam* 
pos, cirurgião-mór militar. 

Seabra, dos srs. viscondes da Bahia. 

Bastidas, do sr. João José da Gosta, d*esta 
villa, mas residente em Lisboa. 

Alem dè outras de menos importância. 

Ha no concelho 80 moinhos, para cereae^ 
alguns com duas, três e quatro mós ; e 73 
lagares de azeite— servindo a todos de ino» 
tor, a agua do rio. 

Condes de Rlo-Xaior 

O primeiro conde de Rio-lfaíor, fel feito 
pelo principe-regente^ depois D." Joio VI, em 
8 de janeiro de 1803. Era 16.« morgado do 
vinculo de Oliveira, instituído èm 1262. 

2.*— iin/omo de Saldanha d*01ivèira /u* 
zarte Figueira e Sousa, 17.* morgado de 
Oliveira, gentil-homem da cama/a do rei D. 
João VI, grão-crnz das ordens de S. Thlago e 
Gonceíçãe, commendador da de Christo, em* 
baixadof "extraordinário ao Brasil, em 1823, 
cpmmissario-feal pára acompanhar o sr. 1>. 
Miguel I (quando ainda iiffaote) em suas via- 
gens, coronel do regimento de milici^ dos 
voluntários reaes áe Lisboa (por elle cust- 
do.) Nasceu a 16 de novembro á% 1776, e 
falleceu, em Vienna d' Áustria, a 3 desmarco 
de 182S. Tinha casado, em 16 de novembro 



RIO 



RIO 



203 



dô 1806, com saa prima, D. Maria Leonor 
Ernestina de Carvalho Dann e Lorena, filha 
dos terceiros marquezes de Pombal. 

Foram seus filhos : 

l.«— -D. Maria FranciscOj nascida a 2i de 
março de 1809. 

^.^---JoãOy que foi o 3.» conde. 

d.""— D. Maria Amélia^ nascida ali de ja- 
neiro de 1815, casou em 25 de fevereiro de 
1835, com Luiz Carlos d' Abreu BacellarCas* 
tello Branco, moço fidalgo, commendador 
da ordem de Christo, deputado da extincta 
janta do tabaco. 

tk-^-^Nuno, nascido a 13 de maio de 1822. 

5.«-«ItitX nascido a 30 de novembro de 
1824 e fallecido a 12 de novembro de 1851 

3^ eonãe^João de Saldanha Oliveira Jn- 
Harte Figueira e Sousa, 18.« morgado de Oli- 
veira, par do reino em 1826, commendador 
da ordem de Christo, alferes do regimento 
de cavallarla de' lanceiros, e ajqdante de 
campo do conde de Yilla Flor. 

Succedeu a seu pae, á 3 de março de 1828. 
Kasceu a 18 de setembro de 1811 ; cásòu à 
22 de setembro de 1835, com D. Isabel de 
Sousa, nascida a 12 de julho de 1813, e era 
1/ filha dos condes de Villa-Real. 
"Teve dois filhos: • 
' i^—Antonio. o conde actual. 

2.*— D. Theresa, nascida a 4 de setembro 
dè 1837. 

4.* conde— i4n/ontò de Saldanha (Miveira 
Juzarte Figueira e Sousa, 19.« morgado de 
Oliveira, nascido em 8 de julho dè 1836^ e 
feito conde em 13 de agosto de 1B53. 

Rèstde no seu palácio do largo da Annun- 
ciada, eiti Lisboa. 

' A sr.* condessa de Rio-Uáíor, é umá das 
damas mais caritativas d'este remo. Sempre 
coadjuvada por seu digno esposo, é o anjo 
da caridade de todos os desvalidos; e se vé 
& (rente de todas as instituições que tenham 
por fim p tnteresse dos pobres. 

Tem fundado escolas catbolfcás, para òs 
dois sexos, em differentes localidades. 

Otteve do governo a concessão do ttioií- 
lelro das carmelitas, da rua Formosa (Lis- 



boa) è alli fundou um asylo para cegas, que 
foi inaugurado em 16 de julho de 1878, com 
oito cegas, mas pôde conter muito maior nu- 
mero. 

Se a sr.* condessa não tivesse praticado 
anferiormente tantas obras piedosas, que 
exaltam o seu illustre nome, bastava esta 
para revelar a immensa bondade do seu co« 
ração, e para sèr tão respeitada no mundo» 
como hade ser premiada na Bemaventu- 
rança. 

A nobreza da sua alma bemfaseja, é multo 
superior â que herdou dos seus esclareci- 
dos ascendentes. 

Harinha de sal 

• 

A dois kilometros ao N. da villa, em um 
extenso valle, proxf no ao logar da Fonte dá 
Bica, está esta importantíssima e juntam)s!ite 
famosa marinha, uniea no seu género nà Pe- 
ninstila Hispânica ; pena é que não seja mais 
bem explorada. 

Np meio do terreno occupado pela mar?' 
nha^ está uma nascente inexgotavel, da qual 
nos meze^ do estio se tira agua, por meio dê 
dois baides (!) de noite' e de dia, é 6 condu- 
zida, jpor ordetn, a cada tkift dos depósitos, 
ou compartiihentos, feitos no solo, com um 
metro de profundidade, e a que chaofiam 
talhos. Pertencem estes a diversos donos» 
e valem (segundo a distatteia á qiie se acbam 
da nascente) termo médio, cada talho 80MOO 
réis. 

O sal aqui produzido, é superior em qua- 
lidade, e mais forte dó qtie o sal marinho, 
ou commum. 

a vimos qtie, em 1177, era explorada esta 
marinha, e que já o havia sido em maior es- 
cala, em tempos muito anteriores. 

Segundo a tradi^o, a marinha não erá 
no sitio actual, mas uns 60 a 70 metros mais 
ao N., e a nascente tão pouco^abundafite que 
apenas dava para 6 talUos, e que fitzer a 3 
ou 4 homens ; não chegando o sal que elfa 
produzia, nem para o consumo das povoa- 
ções circumvísinhas. 

Uma pequena que andava na planície 
(hoje local da marinha) apascentando uns 
jumentos^ sabia que junto a uns jnnéos ha-* 



^4 



HO 



yig ama naseeiíte da agaa, e oomo tivesse 
8éde foi aHi beber, oias notou que era exces- 
«▼amente salgada. 

Regressando a casa, den parte d'esta cir* 
omstaaeia ao pae^ «qciâ. junto eom ootços 
Tiatnhos, se foram ao joaeal-, e alli abtiram 
om poço, e quanto mais o profandavum, 
msiar quantidade de ^loruréto do sodium 
ora expedida: mas a antfga nascente, secou. 

Estes exploradores, trataram logo de fa« 
zer talhos, e a colher óptimo sal, em bôa 
quantidade. 

Foi"Se desenvolvendo esta industria, e 
hoje ha, nada menos de 400 talhos, valendo 
cada um dos mais próximos da nascente 
144^000 réis, e os mais remotos 14&400 
reis. 

O poço actual (d^onde hrota a agua) tem 
a metros d^ profundidade, e 8 de circum- 
íerencia. 

O .-sal, como o extrahido da agua do mar, 
lònna*se por evaporação, e, quando o calor 
é mais intenso^ esti o sal prompto em qua- 
tro dias. 

Dá«se ao producto d*^stas niarinhas, ò no* 
me do m/ êspnma, É mui claro, seeco,^ e bri- 
lhante do tal nuiD^ira, que d*elie se formam 
beliissimas pyramides «e varias outras flgu- 
ras, como do assucar refinado ^ lasca, ou 
de pedra. 

Excede tanto em qualidade ^ sal oommtim 
(marinho) que, para salgar carnes, basta 
notado da porção do extrahido da agua do 
mar. 

É spmmamento saturado de muriato de 
soda, purissinio,.e sem mistura de muriafos 
calcareos e magnesianos, qne se encontram 
nos outros saes commf ns, e que os torjpiam 
amargos e deljgues(VBntes. 

Saindo dó logar d'esta mairinh:), está uma 
vasta planície, cuja parfo mais considerável 
pertenceu aos* mcinges bernardos de Alço* 
ba^, o o rosto a particulares.. Aqui, no si* 
tio chamado Marinha Fp/í^ (onde primei- 
ramento se colheu sal) aliada nos ea^os se 
formam á p(\riferia bellissimos crysi^ de 
muriato de soda. 

N*oste sitio, sobremaneira Jnferffl,ap|^a- 
rece com vigorosa vegietação, a Saí<p/a-Jiíafi, 
do Linneu, o aigumai das ouUraai^lantâs pro* 



BIO^ 

prias das visinbanças do mar,.o das eínias; 
das quaos se faz a soda ou barrilha, t 

Gruta das Alcobertas 

* . • 

Esta maravilha da natureza, talvez sem rifu 
vai na Europa, fica próximo á aldeia da& Al* 
cobertas. 

.Não posso dar d*ella melhor descrlpção» 
do que resumindo o que o sr. Bernardiíio 
Arede Soveral publicou no n.* 127 do Dia^ 
rio Illustradoáe 4 de novembro do 1872. 

Peço desculpa ao sr. Soveral por cortar 
as bellezas da dicção com x|ue adornou o seu 
bello artigo, mas um diccionario» a nao so 
descrever tudo sem fiares de rhetorica, ea# 
fadaria os leitores, e augmentaria inconve- 
nientemente o volume da obra. 

Eis o resumo da descripçao do sr. Sove» 
ral : 

«A dois kilometros da povoação^ ygneça 
a levantar-se o dorso da Berra: óella toda 
cintada com fiadas de pedras, similhantes ^ 
extonsissimos degráós de uma escada degi- 
gante^ o ^e tal modo a prumo, que, apesar 
de galgarmos com ancião Íngreme solvida* 
gastáiQos n'e8ta tarefa quasi mela hora o 
quasi também as forças. 



Accenderam-se portanto, e distribuirm- 
se os brandões de cera que levávamos. Bem 
depressa a luz do dia desappareceu, e esta 
Qlftp^eMf de. procissão caminhava á lui das 
tochas. EjTiainos ao todo 9 pessoas. 

Tiii^inps caminhado uns i5 a 20 metros^ 
e a gruta já iinba uma capacidade de 3 me* 
trgs de alto e 2 de largo : nas par^edes d'oUa 
começavam a apparecer camadj^ dè divec* 
sas crystalisações, que similhavam um forro 
dei musgo ; -fsm tão branco e transparente, 
coiçiÇí/se fima camada de neve, em maiihi 
d'iavemO|^ houvesse cabido por cima d*ella» 
conçervandp-lhe a fóro^e ranhosa. Era lindo 
ver como as nossas luzes faziam refulgir 
uns reflexos cambiantes d*^oUes grumoo 
a|)parentf|.da nm orvalho gdado. 

Tenti^o vJito algumas das grutas que ha 
X(o.;paii. Li na exeellente obr^ de Adolpha 
Joanna (Foycv» Uluttrie áans Us mq par*^ 



BIO 

Uui»' monde) .as deferirdes de diver^ 
grutas» e não encontrei alli, como na gruta 
que descrevo» tantas, tão variadas e tão im- 
ponentes erystalisaçoes,, em tfma distancia 
de mais 300 passos, com abobadas de cinco 
*a nove metros de altura, recamadas de es- 
taUgmites admiráveis pelo volume, pelas cõ- 
res, pela transparência e pelo brilho. É real- 
Qiente surprehendente o ver como das pare- 
des da galeria brotam umas crystalísações 
como se fosse vegetação de mármore e vidro, 
aflorando aquellas superfleies perpendicula- 
res; outras vezes» pousando aquelles ornatos 
sobre uns degraus que vão esconder-se nos 
franjados que pendem dos extremos da abo- 
bada: faz parecer que uma cascata acabava 
de se gelar n*aquelle momento. 

A gruta das AlcobeAas tem de extensão 
SIO metros : a galeria d'ella tem algumas 
curvas, e a não ser necessário subir e des- 
cerrem trez logares^ a 2 e 3 metros de altu- 
ra, podia caminhar-se até ao fim em um 
plano quasi borisontal. Não é necessário des- 
cer a perigosas profundidades, como na fa- 
mosa gruta das fadas, na cordilheira da Se- 
rane, onde.Cimaroza, eHossini, descendo ao 
abysmo do monte lliarene, o escutando os 
sons das harpas eólicas, recebiam, das cor- 
rentes do vento, lições de harmonia. £sqne- 
ceu-me levar uma bússola para conhecer a 
direcção da galeria» mas pareceu-me que se« 
gfiiao dorso dá montanha, para o lado do 
SuL 

A gruta contém quatro grandes salões, o 
Idtimo dos quaes, é colossal: em toda a ga- 
iola não ha o menor espaço de pedra nua ; 
a abobada e lados d'ella, a não terem algu- 
niâs agjjlomeraçoes de crysúi de rocha, po- 
^ dizer-se que. eram completamente forra- 
das dê orystifea, decarbonalô de caí, colori- 
dos, brancos, 9pacos i>a transpar^tes^epor 
isso^ despertando sempre a eúrjpsidade, pela 
variedade dos quadros que fpreaeut^ 

Em alguns ào^ interva,llos dos quatro sá- 
l^ff^ ha umas curvas com uns pórticos i^ 
nim llh j^ n do diversas entradas para outras 
galerias. Ai^ecem allí, em um d^eiips^úns. 
eortinados, pendentes de uma espécie dè ar^ 
ebátr^ve, e assiauJihando as pregas e apanha- 
ím de- tecidos» encorpados» .dando reflexos 



Bia 



aOfir 



como se (o^eem bordados de lant^ou^ Eflt 
outros, nota-se a similhança de bambinellas». 
quQ ora se escondem para o centro de la^r-. 
gas fendas cavadas nos flanoos da rocha, 
cheias de sombras que resistem à força dai^, 
nossas luzes; oradeixai^do apparecer na altu» 
ra de 5 a 18 decimetros um agrupamento do 
columnas alvíssimas, de diâmetro entre un^. 
e três decimetros. Aquellas tapècerias cour 
sistem de uma lindíssima aggregação de 
crystalisa^ões calcareas, tão unidas e liza^^ 
' que o lápis mais experiente, não assombra 
com tanta suavidade, as voltas do encanu- 
dado de um formoso paviltião. Ninguém dirÁ 
que teem 2^ dureza da pedra, aquelles apa*. 
nhados dê pregas, de dois e trez metros de 
altura, coloridos diversamente por via 4a^ 
infiltrações de almagre, que alli ha em abun- 
dância, e, mais ou menos saturados pela cOr 
vermelha d'elle, formando um contras^ ad-* 
miravel sobre a brancura das columnas. 

O primeiro salão que eu denominei— <ioi 
órgãos-^ um dos qoe mais me encantou^ 
"l^m quasi cinco metros de alto, e quatro de 
largura : nos lados e frente levantam-se uns 
portiQos em ogiva» de aberturas e ornatos di- 
versos^ 

Notam-se alll desde a cúpula até á bass^ 
ao lado esquerdo de quem vae, umas lami- 
nas separadas parall^lamente por intervala 
bs desde dois decimetros até dez centíme- 
tros, que se asaimilham a uns bastidore^i 
colossaas» de uma superflcie aparentemente 
lapidada, e de uma espessura de 5 a 8 cen- 
tifpetros : pôde introduzir-se por entre ellas 
um braço^ e por isso collocàmos algumas da^ 
nossas luzes na lombada, deixeme assiq^ di- 
zer, d*aquelle enorme livro meio aberto; a 
que lindo effeito isto produzia! AI|^ns de 
aquelles diaphragoaas, apesar de bemí espi^- 
aos^ teem muita transparência, e deixam coar» 
entre as luzes, uns reflexos açafroados, lin- 
díssimos. 

Outros de maior espessura, e com 2d)er- 
turas etpiaes, parecem os tubos perpendicu- 
lares de uín magestoso orgam, e com a notá- 
vel circ^mstancia de que, batendo-lhe leve- 
mente, davam uns sons prolongados» e muito 
similhantes aos que são vibrados por um re« 
logí^ em qve a mola substituiu a campainha. 



206 



RIO 



EnM este 1.* e o 2.<» salão qae eu deno- 
minei—das estatuas— é mister passar, su- 
bindo e depois descendo, por cima de um ro« 
ehedo admirarei, e que mede apenas metro 
e melo de elevação. 

Sarprehendeu-me a quantidade de fulgor 
dos lampejos que se despediam da superfície 
d*este penhasco, quando se (azia oscillar 
diante d'elle uma luz. A^uella pedra tem 
uma superfície escura e aveludada; parece 
forrada de feltro, e sendo este comprimido 
pela mão, abate-se, e os lampejos desappare* 
cem. Todavia crdio^ue reapparecem; porque 
aquella pedra tem soffrido muitos attrictos, 
na passagem dos que visitam a gruta^ e nós 
encontramol-a radiante dos seus crystaes, 
e tão brilhantes que pareciam milhdes de 
pyrSlampos a esvoaçar pelo meio das som- 
bras. 

A poucos passos do indicado penedo, en- 
contrase o 2.» salão— o das estatuai: elle 
tem um não sei que de triste. É um âmbito 
eurvo, de extensão aproximada a li metros^ 
conservando uma largura de 5 metros, e 6 
de altura. Ao approximar-nos d'este recinto, 
parece que do centro das sombras se levan- 
tam aqui e alem, umas estatuas, á altura de 
i metro e metro e meio. 

Aquelies vuHos são de umaapparencia tal, 
que é necessário vel-^s de perto para crer 
que o ciDzel do estatuário não andou por 
alli esboçando figuras ^humanas. 

Aquellas estatuas, d*eixem-tne assim cha- 
mar-lhes, estão em seml-circulo, e no eixo 
da curva, ba uds penhascos também cober- 
tos de crystalisações; porém, com quanto 
muifo resplandecentes, assentam n'uma su- 
perfície escura^ e entre elles há umas aber- 
turas êíipticas^ que dão a apparencia de ar- 
cadas, além das quaes tudo são sombras. 
' Pareceu-nos este logar a parte central dair 
abobadas subterrâneas,' proiiiúas á Séringa- 
patan, onde existem os mausoleos das dy- 
nastias mosulmanas de outras eras! ' 

O 3.* salão designei-K)— A cathedral;— por- 
que jse assimilha às minas de um templo 
grandioso, conservando-se ainda de pé uns 
restos surprehendentes que attestam a sua 
primeira magnitude. 

O espaço é oblongo; tem 6 metros desde 



MO 

a base até á abobada, e na sua maior lar- 
gura 5 metros. 

De um lado vé-se uma rocha elevada, 
do volume e líefção de um púlpito. As pa- 
redes, recamadas com innumèraveis crysta- 
lisações de uma belleza que não pôde des- 
crever-se, estão fendidas a prUmo, assimi- 
Ihando gradamentos meios destruídos. 

A um dos lados vé-se uma saliência na 
rocha, com uns cortes tão em esquadria que 
fazem parecer um altar, sobre o qual se 
alonga uma espécie de docel, do qual pen- 
dem, á altura de 4 metros, umas curvas orla- 
das de franjas, compostas de pequenos tubos» 
com a transparência cambiante de madrepé- 
rola, e te/minadas por umas gotas d'agua, 
que de espaço a espaço descem a luzir até 
ao ' solo, Goastituindo uma perspectiva Im- 
possível de pintar. 

Dos outros lados doeste salão, pendem, 
junto à abobada, uns ornatos, como capiteis 
corintbios, com as suas folhas de acantho, e 
pousando sobre umas columnas, brancas 
como jaspe, parte das quaes parecem que- 
bradas pelo meio, e parte veem-se estendi- 
das entre pequenos montes de crystal de ro- 
cha. . ' 

Fai^m lembrar aquellas esplendidas crys- 
talisações, os delineamentos da architectura. 
phoceana, similhante á que os Bgypcios em- 
pregaraia no templo de i^sirnac. 

' O 4.* e ultimo salão é enorme, e fechado 
por uma grande cupuTa de 6 metros de ^a- 
metro, na altura de 9 metros I 

Alll, o sr. Germano do Souto, nosso intré- 
pido companheiro, subiu a um roche;do de 
4 metros' de altura; que está a um lado, e 
levantou i luz do seu brandão. A oscillaçao 
d*ella'com as de todas as nossas tochas^ for- 
mava um ' conjunto de reflexos tão bellos^ 
que a mente itaais opulenta de ficções gran- 
diosas, por incdto prevenida que estiVesse» 
havia de extasiar-se allij e conhecer que i 
descripção mais cheia de pompa, nio ia além 
dos traços de u!ma miniatura imperfeita. 
Lembi^ei me n^aquelle enorme subterrâneo 
do infelií í^rancisco I. Caldas, morto ha Bolí- 
via pelas eommoções politicas, porque mé 
veio â mente a descripção que elle faz da fk- 
mosa cavemii Gmya Suma, próximo ao gt- 



RIO 



WO 



107 



gantesco Chimboraso» na cordilheira dos 
Andes. 

N'6ste 4.* salão, ha^ na saa maior altura, 
daas grandes abertaras ellipiticas^ que in- 
àicam o seguimento de outras galerias. 

Nao fomos lá; porque não só faltava es^ 
cada própria para hir àquella altura; mas 
também porque oinguem se afoitara ainda 
a hir além do ponto aonde nós fomos. Con- 
ta-se 4tíe um. explorador ousado, quiz ten- 
tar a investigação do resto da gruta, mas fi- 
cou transido de terror, pelos precipícios que 
tira, e'desistira do intento. 

É possível que seja isto verdade, e effe- 
ctivamente quem intentar a exploração do 
resto da gruta, deve munir-se de cordas é 
bons companheiros, sondando com toda a 
cautella a solidez do fundo das galerias, e 
verificando de'espaço a espaço se o ar é no* 
eivo á respiração. 

RIO-MÁU— freguesia, Minho, comarcão 
concelho de VílIaT" Verde (foi do concelho de 
Penella, comarca de Pico de Regalados, 
extinctos) 25 kilometros ao N. de Braga, 385 
áo N. de Lisboa Í60 fogos. 

Em Í757, tinha 102 fogos. . 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Orago, S. Martinho, bispo. 

A mitra apresentava o abbade, que thiha 
680|{00Q réis de rendimento annual. 

£ terra muito fértil. Cria muito gado; é 
abundante da madeiras» e nos seus pontes 
lia muita caça. 

Esta firegueiia é dividida da de Goães e 
Duas Egfejas pelo rio Neiva, que nasce na 
íreguezú de Gondínhaços, tendo a sua ori- 
gem nas Vertentes do monte Oural.^ . 

RIO-MÁU—ribeiro, Douro, nasce* naí* fre- 
guezía de Síiva-Escura, .concelho de Sever 
do Vouga. Passa junto das grandes mi- 
nas do. jBra^a/, e entra na direita do Vou- 
ga. 

R][Ò-]IÁU— ribeiro do Minho.— Nasci^ no 
Monte-flegro, e regava uma vUla (casa de 
campo) também chamada Rio Mán, e pas- 
sando junto á egreja do mosteiro de Santo 
Sstevam, deognava na rio SaagaiDliéâo* 

Este ribeiro mudou de nome, e ígiíora-se 
qoal tem hoje. 



Vem mencionado no livro Fidei, do car- 
tório do arcebispado de Braga. 

Ha em Portugal vários ribeiros com o 
nome de Rio-Mán, mas não merecem men- 
ção n'esta obra, por serem de pouca impor* 
tancia. 

RIO -MÁU— bonita aldeia, DourOj,' na fre- 
guezia de Sebollido, concelho de Gondomar, 
comarca, districto, bispado e 32 kilometros 
a E. do Porto, sobre a direita do rio Douro. 

Dà-lhe o nome um pequeno ribeiro que 
lhe passa ao O., e alli mesmo desagua no 
Douro. 

Tinha uma pequena capella, dedicada a 
Santo António, muito antiga. O sr. Amorim, 
natural d*esta aldeia, e que enriqueceu no 
Brasil, a reconstruiu á sua custa, em ISfiO, 
dando-lhe maiores proporções, e tomando-a 
uma magnifica ermida. 

Faz-se uma grande festa ao seu padroeiro, 
no dia i3 de junho. 

Esta aldeia fica em frente da povoação e 
Cregnezla de Pédorido, no concelho do C!as- 
tello de Paiva (margem esquerda do Douro) 
e é no areal (avinho) de Pédorido que os de 
Rio-Mau vem fazer as suas grandes pesca*»' 
rias de deliciosos sáveis e saborosíssimas 
lampreias, no tempo próprio. 

O rio Douro lhe produz ainda outras mui- 
tas variedades de peíxe^ de óptimo sabor, 
principalmente trutas, que são das melhores 
do reino. Em 1846, vi uma que tinha trez 
palmos de comprimento ! ^0">66.) 

RIO-MÁU^^reguezia, Douro, comarca, 
concelho e 7 kilometros a N.E. de Villa do 
Conde (foi da mesma comarca, mas dô con- 
celho da Póvoa de Varzim) 20 kilometros 
ao O. de Braga, 340 ao N. de Lisboa, 300 
fogos. 

Em4757, tinha i52 fogos: 

Orago, S. Ghristovam. 

Arcebispado de Braga^ districto admtnis- 
tractivo do Porto. 

Ojí)rior de cónegos regrantes (ehiztos)de 
S.^JÔão da Junqueira, apresentava o vigá- 
rio,, que tinha 604000 réis de côngrua e o 
pé d'altar.; 

& n'esta fregaafa.'a qohiude Virseá; 
que anda unida à Í3e Cwálleiros, e das qnaee 
é aetual proprietário o sr.^D. Rodrigo José 



â08 



RIO 



da Heoezes, feito eonde âe CavaUeíros» em 
17 de novembro da 1865. 

A quiou flça perto da aldeia do Casal- 
NoYO, na estrada de Braga à Póvoa de Var* 
xún. 

Esta fregaetia fiea perto da de Rates, e 
foi, em tempos antigos, da comarca de Bar- 
çelios. 

■ 

Houve aqui um mosteiro de cónegos ro; 
grantes de Santo Agostinho (cruzios) muito 
antigo. Ignora-se a data da sua fundação, 
mas sabe-se que ja existia em 1122, pois 
n'es8a anno lhe doou D. Ouzenda Soares» fi- 
lha de Soeiro Mendes ^ uma herdade que ti- 
nha junto ao rio Ave. 

(Vide Ri(k Tinto, o l.«) 

Em 1488, uniu o arcebispo de Braga, D. 
Fernando da Guerra^ este mosteiro ao da 
Jangueira (que é a 3 kilometros de distan- 
cia) por breve do papa Martinho Y. 

PiQUcos annos depois, passqu a abbadia 
secular, apresentada pelos crozios de S. Si- 
mão da Junqueira. 

É terra muito fértil. Gado, caça e peixe 
do rio Ave^ que fica perto, e do mar. 

Está a freguesia situada na margem direita 
do rio Este (ou Deste) em um pequeno talie 
ao O. da serra de Rales '(onde ha minas de 
Iterro) a maior parte da qual, é dentro dos 
Umites d'es)a flreguezia. Do alto d'esta serra 
se gosa um vasto e belio horisonte, vendo-se 
também uma grande extensão do Oceano 
Cântico. 

Parece que o nome d*e8ta freguezia pro- 
cede do rio Este, por ser n'^estessitio8 muito 
tortuoso; mas segundo a tradição, deu-se- 
lhe o nome de Río-Màu, por que por baixo 
d*elle ha profundas caven^as e galeríjis, de- 
fendidas por dragões, serpentes e outros bi- 
xarocos medonhos, que guardam thesouros 
encantados, de grande valia. 
. A egreja matrú está situada quasi na ex* 
tremiàade S.O. da freguezia, em logar Im- 

1 Esta doação me confirma mais'nk opi- 
nião de que o famoso Gonçalo Mendes da 
Hti&<«r liifador):era natitntl'dà fkregueziada 
BBtofPtaf que fica perto d*esu, e sobra o Ave. 
(Vide GuUhabreu ç Retorta.) 



RH) 

■ *■ 

mido a acanhado : a sua archlteetfira deaot» 
grade antiguidade. É toda de cantaria, a a 
abobada e pavimento da câpella-mór, são 
de granito. 

Ao lado do altar-mór, está uma Inserta 
pção que diz : 

?0I FEITA BSTA BGREJA, BM 1135 

mas esta inscrípção é muito mais moderna 
do que o templo : foi copiada de umas in* 
scripções que se acharam por detraz da fri- 
buna, das quaes já pouco se podia ler. A 
mais bem conservada, ainda existe; mas não 
a psoso dar cbmb é, por ter letras iobradat» 
e não haver'hòje typos similhantes. 

Depois de muito estudar esta inscripção 
pude conseguir lér o seguinte : 

INBRA 

D CXXX V 

PKRD9 DB. . . 

... DBQAJUJS 

... IIOST.* P...1 

O abbade do mosteiro da Junqueira, maar 

dou reedificar esta egreja, no reinado de D* 

Pedro I. (13S7 a 1362) e foi então que sa 

achou a lápide com a inscripção anteceden* 

te, a que se gravou em uma pedra da ca- 

pella-mór a data da fundação da egreja» 

como atraz fiea dito. 
O povo acredita que esta egreja fo! con* 

struida pelos mouros,para sua mesquita; mas 

ha uma circumstancia que destrbe esta cren* 

ça— qual é— os mouros não consentiam nos 

seus templos, ou mesquitas, figuras de hor 

mens ou animaes, a nos capiteis das cotúm* 

nas veem-se grupos de,carrancas^ bustos a 

cariatides, o que faz shppor que mais foèil* 

mente se i|ó^e attribuir esta construcção aos 

romanos do que aos mouros. 

Açciresce que, é fácil de ver que o eôro» 

púlpito e sachristia são mais modernos do 

que o resto do templo, a que no Jogar dâ 

áctaal tribuna houve uma ára^ toda da pa« 

dra, que ainda existe nai rectagnàrda do ai* 

tar-mór. Esta circumstancia e a solídiéz a 



í/imil ?-^Já se vè qpa esta ioserí» 
pção diz 635« a não 113S. Vida^ iiotada:co- 
lumna seguinte. 



wo 

sumptuosidade (para aqnelles tempos) do 
templ(f DOS levou a acrddiíar que é obra ro- 
mana. 

É verdade que nas paredes se vêem algu- 
mas cruzes, em relevo, e estatuas de bispos 
eatholicos, mas isto não prova que o templo 
fosse originariamente romano., A minha opi- 
nião (que nao obriga ninguém a seguir) é 
que este templo foi originariamente romano. 
Em 635~que é a verdadeira data da ins- 
cripção, e não 1135, como entendeu quem 
poz a inscripção, no século U.^*— e nos rei- 
nadoà de Swintila e Sézinando^ desappare- 
ceram da Peninsula os últimos romanos. É 
pois muito provável que este templo romano 
fosse purificado, ^ e convertido em egréja 
christan, em 635, e se considerasse esta data» 
como a da sua fundação. As cruzes e as es- 
tatuas dos bispos, podiam muito bem alli 
serem collocadas quando se reconstruiu a 
egreja, no reinado de D. Pedro L 

Os religiosos da Junqueira— freguezia vi< 
sinha— mesmo depois do mosteiro de Rio- 
Kau ser reduzido a abbadia secular, sempre 
ficaram padroeiros d*elle^ e aqui vinham al- 
gumas vezes cantar os officios divinos^ e to- 
dos os annos receber os dizimes da fregue- 
zia, que eram d'elles. 

A egreja tem a suíSciente capacidade para 
conter o povo da flreguezia. A porta prinei- 

1 Swiotila (Flávio Swintila) filho de Flá- 
vio Rícaredo I, rei dos gôdus, foi acclamado 
em 621. Era um intrépido guerreiro, e ópti- 
mo general. Foi eiie que ea^^au completa- 
mente os romanos da PeninstUa (note-se isto) 
e foi um dos melhores reis do seu tempo ; 
porem as suas victorías, e prosperidades, o 
encheram de orgulho, e o transformaram 
em um abominável vicioso; pelo que os go- 
dos o expulsaram do throno (com ajuda de 
iDagoberto, rei de França) em 636 (note se 
ainda esta data) e acclamaram Sizinando, 
4U6 convocou o 4.* concilio de Toledo, onde 
se achafam 72 bispos eatholicos. Succedeu- 
Ihe seu irmão, Chiniila, que convocou o 5.<* 
e 6.* concilio de Toledo. . 

J Swintila (o rei deposto) se retirou para á 
liza, onde ainda viveu 10 annos, comple- 
tamente abandonado. 

^ B é provavelmente o que significa a ul- 
tima letra da inscripção^ como já fica dito. 



BIO 



209 



pai 6 para o lado do mar (0.) e está res- 
guardada por um alpendre, ao lado do qual 
está um pequeno e tosco campanário, com 
um único sino. 

Tanto a porta principal da egreja, coma 
as duas lateraes, são- ornadas de columnas e 
arcos concentriiBos, de bôa esculptura. 

Desde a sua primíttiva censtrucção, tem 
soffrido varias reformas : a parte superior 
da fachada, foi reconstruída em 1742, se- 
gundo se vô de uma data alii gravada. Foi 
então que se demoliu o antigo campanário 
que alli havia, e se fez o actual. 

Em 1854, qdando se reforúiou a tribuna, 
appareceu, em pedaços, uma imagem do pa- 
droeiroy feita de pedra» e, provavelmente, a 
primeira que teve esta egreja. Foi coUocada 
em um nicho, atraz da egreja. 

Por esse mesmo tempo appareceu, enter- 
rada no adro, uma sepultura de pedra, de 
1",87 de comprido (oito e meio palmos) e 
já antes d'ísso se tinham achado outras. Al- 
gudtas foram destruídas, outras estão ser- 
vindo de pias para lavar roupa, junto aos 
poços dos quintaes de alguns particulares. 

Junto á egreja está a residência parochia]^ 
e a tolha onde os frades da Junqueira reco- 
lhiam os dizimes d*esta freguezia e da dos 
Arcos, que é visinha. 

A freguezia é cortada, por uma nova es- 
trada a mac-adam, perfeitamente conserva* 
da, que liga a povoação com Villa do Conde» 
Povoa de Varzim, e Villa-Nova de Famali- 
cão. É muito concorrida, sobre tudo na 
época dos banhos do mar. 

' Desde agosto de 1875, tem caixa do cor* 
reio, no logar da Estrada, para o transporte 
das cartas d'esta freguezia e circumvisinhas. 

Dou os mais sinceros agradecimentos ao 
reverendo sr. padre António Deiningues Fer- 
reira, d'esta freguezia, pelos curiosos apon- 
tamentos que se dignou mandar- me, os quaes 
me habilitaram a fazer este artigo mais com- 
pleto. 

RIO-MEiO^freguezia, Douro, comarca e 
concelho da Feira, 23 kiiometros ao S. do 
Porto, 298 ao N. de Usboa, 280 fogos. 



^10 



mo 



Em Í7S7, tinha i09 fogos. 

Orago, S. Thíago, apostolo. 

Bispado do Porto^ districto administrativo 
d'Aveiro. 

O commendador. (da ordem de Malta) de 
Jlio-Meao, apresentava o reitor, qae tinha 
Í15if000réis. 

Situada em terreno poneo accidentado e 
íertil, regado em parte pelo ribeiro do sen 
nome. Ha n*esta fregnezia muitos pinheiraes, 
dos qnaes se extrae muita madeira e lenha, 
que vae para o Porto e outras localidades. 

Ha aqui um monstruoso pinheiro manso 
secular, que é uma maravilha do reino ve- 
getal. O pinheiro de Rio-Meão é por isso fa- 
moso muitas léguas em redor. 

Os povos d'esta freguezia tinham os gran- 
des privilegiQS e isenções de caseiros de 
Malta, e entro as suas regalias avultavam as 
de não darem solda dos^ senão quando o rei 
em pessoa fosse â guerra; e de não poderem 
aer cita()os fora do seu domicílio. 

RIO MOURINHO— Vide o artigo— F«a(í«« 
paulistas— no 6.<* vol., pag. 495, col. l.« 

RIO-REAL— pequeno rio (ribeiro) Extre- 
madura.— Passa junto e a E. da villa d'Obi- 
dos ; na sua margem do N.^ e a uns 4()^ me- 
lros da ponte que o a|^avessa, ha uma nas- 
cente d'agua tbermal hydrogenio-sulphurada, 
que rebenta em quantidade de duas ou trez 
telhas. 

Antigamente nascia esta agua na base de 
um rochedo de mármore, que fica a £.^ en- 
tre este sitio e a famosa egreja do Senhor da 
Pedra; mas, seccando alli, foi rebentar um 
pouco mais acima, no -sitio actual. 

Esta agua, em tudo similhante à das Cal- 
dal da Rainha, é apenas menos pura. O seu 
grau de temperatura— ao sahir da nascente 
— é de 74« F., ou 18 Va R.— Pode ser appli- 
cada em banhos, ou internamente. 

RIO -SECGO— freguezia, Beira Baixa, con- 
celho d^Almçida, comarca de Pinhel (foi do 
mesmo concelho, mas da coooarca do Sabu- 
gal) 96 kilometros dê Lamego, 350 ao E. de 
Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757, tinha 147 fogos. 

Orago^ S. Pedix), apostolo. 

Bispado de Pinhel (foi do bispado de La- 
mego) districto administrativo oa Guarda. 



mo 

O papa e a mitra apresentavam altenaU- 
vamente o abbade, que tinha 200|»00Q réis da 
rendimento. 

O nome d*esta fk*eguezia provem do pe- 
queno rio que n*ella nasce. 

(Vide Rio-Sêcco, rio.) 

É povoação muito antiga. A primeira no- 
ticia que encontrei d'esta terra« foi uma 
carta de povoação dà herdade do RioSêccíh 
passada no anno de 1222, por D. Affonso IL 

N'esta carta se estipula que^ausentan- 
do se algum dos povoadores, entregue o sea 
casal ao visinho mais próximo, que pagará o ^ 
devido foro; e que o colono volte—od sut»m 
casale adtres annos. Et si aliquis reliquerii 
suum casale, et non Sáboraverit illud duoM 
annoSf in tertio perdat suam facturam. 

Esta freguezia está no termo da vilia de 
Castello-Rodrigo. Em tempos antigos, foi da 
comarca de Pinhel ; depois, passou parada de 
Trancoso, depois, para a do Sabugal, e por 
fim tornou para a de Pinhel. 

Viscondes de Hio-Sôcco 

O seu 1.* titulo foi o de harUo de Rio* 
Sêcco, dado por D. João VI (no Brasil) em ' 
12 de outubro de 1812. 

O titulo de visconde, foi lhe dado paio 
mesmo monarcha, ainda residente no Rio 
de Janeiro, em 6 de fevereiro de 1818. 

O primeiro imperador do Brasil, lhe deu 
as honras de grandeza, em 9 de janeiro de 
1827. — 

O 1.* barao e 1.* visconde do Rio*SéGCO, 
foi Joaquim José d* Azevedo, senhor da villa 
de M^cahé (Brasil) aleaide-mór de Santos 
(Brasil) commendador das ordens de Ghria* 
to, Conceição i Torre-Espada; escrivão doa 
fllhamentos, [thesoureiro da casa real e da 
real capella, almoxarije dos paços reaes» 
comprador das guardas-roupas do paço, da 
coroa e das cavallariças reaes, fiel do bolai* 
nho, tudo durante a estada de D. Jdio VIuo 
Brasil; e depois-— grande do império^ pri- 
meiro marques de Jundialiy, porteiro*in6r 
do primeiro imperador do Brasil, e por eslo 
feito commendador das ordens da Rosa e do 
Cruzeiro. 



m 

Nasoea a il de aetembro de 1761, e fal- 
leeeu no Rio de Jaoeiro, a 7 d*abríl de 1835. 
(Já se vé qae não quíz regressar à pátria 
com ô sea rei, e.qae se fez brasileiro.) 

Casou a 1/ vez, em 17 de abril de 1787, 
com D. Maria Carlota Millard, que havia nas- 
cido em 1773, e morreu no Rio de Janeiro 
em 15 de abril de 1831~e a 2.* vez, casou 
com D. Maríanna da Cunha Pereira, filha 
dos primeiros marqnezes de Inhambape, no 
Brasil. D*este segundo matrimonio não teve 
fllbos. Do primeiro teve cinco, que foram: 

L^^^Iffnacio Bento, qne morreu no Rio de 
Janeiro. 

2.**— O. Uaria Carlotay que casou duais 
vezes e teve geração. 

3.*— Joôo Carhs^ que foi o segundo vis- 
conde. 

. i."*— D. Maria Zeferino, viscondessa, do 
Geraz de Lima, nascida a 26 de agosto de 
1801. 

5.<>— D. Maria Magdalena, condessa da 
]Êga, que nasceu a 25 d^ maio de 1805. 



2"" visconde—João Carlos d' Azevedo, tam- 
bém i,^ barão do mesmo titulo, alcaide-mór 
.d*£vora,^commendador da ordem de Chris- 
to, nascido, a 4 de novembro de 1790. 

Casou a 20 de dezembro de «1818, com D. 
Maria Gertrudes Rosa Pereira Caldas Ma- 
chado, nascida a 23 de fevereiro de 1799. 
.Era filha de António Francisco Machado^ 
fidalgo da casa-real, do conselho de sua ma- 
gestade, commendador da ordem de Christo, 
coronel de milícias— « de D. Anna Maria 
Cleofa Pereira Caldas. 

Tiveram quatro .filhos : 

iJ^—D, Anna Carlota, nascida a 16 de ou- 
tubro de 1819. 
. 2.«— /oo^ttím, 3.« visconde. 

Z,"^ — António Francisco d' Azevedo, que 
nasceu a 17 de março de 1823. 

4.«— D. Maria Lmza, nascida a 25 de 
agosto de 1825. ^ 

5.«7-j0ão Carlos d'Azevedo, aaseidp a 19 
d9 f^yer^iro de 1828. 

S."" visconde e S.^" barão de Río-Sécco-^ 
com honras de grandÃsa-*>2paqnim José de 



£10 



31i 



Azevedo, nasoído a 30 de setembro de 1829» 
e feito visconde em 14 de maio de 1861* 

Morreu repentinamente, estando no club 
Li^onense, em 3 de agosto de 1876, de uma 
congestão cerebral. 

Tinha casado, em 7 de junho de 1852, com 
a sr.* D. Maria Gertrudes Machado, filha dos 
primeiros viscondes de Benagazil, que ainda 
vive. Deixou descendência. 

O visconde do Rio-Sécco (o 3.'') era um 
cavalheiro.de muita illustração, e um per* 
feito homem de bem; digno descendente dos 
seus esclarecidos antepassados, ainda era 
mais nobre pelas suas acções. Deixou íade^ 
levei saudade em quantos tiveram a hourm 
de p conhecer e tratar. 

RIO- SÊCGO— ribeiro. Beira Baixa.— Nas- 
ce na freguezia antecedente, e lhe dà o no« 
me. Até ao sitio das Juntas, limite da Ver- 
miosa> conserva o nome de Rio Sécco e d*ahi 
em diante toma o de Ribeira d^ Aguiar^ até 
desaguar na margem esquerda do Douro» 
no sitio chamado Calabre, com 35 kilome* 
tros de curso. 

Rega, móe e traz peixe miúdo. 

BIO-SÊGGO— Vide Pmúido. 

RIO-TINTO— ff eguezla (teve foro de villa) 
Douro, concelho de Gondomar, comarca» 
districto administrativo, bispado e 6 kilo- 
metros ao E.N.E. do Porto, 315 ao N. de 
Lisboa, 1:200 fogos. 

Em 1757, tinha 6i0 fogos. 

Orago, S. Chrjstovam. 

(Em 1700 pertencia 4 comarca de Pinhel!) 

Os monges benedictinos, do Porto, apre» 
sentavam, %n solidun^ o vigário, que tinha 
400^000 réis de rendimento annual. 

Houve aqui um mosteiro de freiras agoif- 
tinhas (eremitas dé Santo Agostinho, ou gra- 
ciaiios) fundado em 1062, por D. Diogo Tru- 
ctezendes, e seus filhos, Tructezendo Dias, 
Gonçalo Dias, e Unisco Dias, que o dotaram 
com grandes rendas, e com o padroado de 
12 egrefas. 

Sendo abbadessa D. Hermezinda Guterres 
(1141) D. Affonso Henriques eoutuu o mos- 
teiro e suas dependências, pela quantia de 
tMt maravMis de ooro, que lhe dtu a abba- 
dessa. 

Na freguezia de Mpreira (da Mala) h^yía 



212 



BIO 



mn mosteiro de crnzios, que no sen princi- 
pio era de frades e freiras *, mas como esta 
drcomstancia trazia comsigo muitos incon- 
venientes, foram a^ freiras mudadas para o 
mosteiro de Rio -Tinto, levando grande parte 
das rendas do de Moreira. (Para evitarmos 
repetições, vide Moreira^ da Maia, no 5.* vol^ 
pag, 544, col. 2.«) 

Em 1535 foram as freiras de Rio-Tinto» 
onidas ás de S. Bento da Ave-Maria, do 
Porto, levando todas as suas propriedades e 
rendas, e mudando a regra agostiniana para 
a benedictina. ^ 

O mosteiro de freiras bentas, do Porto, foi 
ftmdado pelo rei D. Manuel, em 1518. Sen fi-. 
lho, D. João III, conclniu a obra, .em 1528. 
(Yide no 5.« vol,, pag. 43, col. l.«, a palavra 
Jía/Aos— e nó 7."" vol., a col. 2.* de pag. 295. 

O nome doesta freguezia, provem-lhe de 
um ribeiro que alll passa, denominado Rio- 
Tinto. (Para evitarmos repetições, os que de- 
sejarem saber a razão porque assim se chama 
o tal ribeiro, vejam o que digo no 2.* perío- 
do da col. 1.* de pag. 60, do 2.* vol.) 

Vindo do real mosteiro d'Arouca, em ro- 
maria a Nossa Senhora da Silva, a rainha 
SanU Mafalda, filha de D. Sancho I, aqui fal- 
leceu, no l.« de maio de 1290. ^ Foi depois 
transferida para o seu mosteiro. 



. 1 A pag. 154, col. 1." d*este volume, tra- 
tando da freguezia da Retorta, disse eu que 
86 não sabia como esta freguezia veio a per- 
tencer as freiras benedictinas, do Porto. No 
texto dfixo explicada a razão. 

A freguezia da Retorta era em 1122, uma 
qmnta da freguezia de Azuréra, pertencente 
% D. Ouzenda Soares, que a deu n'esse anho 
aos cruzios de Moreira, quando deu outra 
herdade aos cruzios, da Junqueira. Ambas 
estas propriedades eram na margem esquer- 
da do Ave. (Vide o ultimo Rio Uáu.) 

A propriedade da Retorta foi uma' das qoe 
em 1535 passou para o mosteiro do Porto. 

' Alguns escriptores dizem que ella oior- 
reu em 2 de maio.de 1250,' o que è erro, 
porque a Chronica de Cister (que merece 
mais credito) designa positivaméme a dala 
do texto. Todos sabem que a g^nta Reiaàa, 
foi para o seu mosteiro|de Arouca, em 1220^ 
e vivendo alii 70 ânuos, já se vé que Meceu 
amlttO. 



BTÒ 

(Vide o 1.» vol, pag. lOê P. F., éol. l.»,no 
ultimo período e seguintes.) 

Ha n*esta freguezia tima grande romaria, 
que se faz todos os annos a S. Bento no dia 
11 de julho, e dura trêz dias. Denomina-se 
S. Bento das Pêras. 

Ha então comboios a preços reduzidos, 
porque em Rio-Tinto é a primeira estação 
dos caminhos de ferro do Minho e Douro. 

É uma festividade esplendida e concorri- 
dissíma, vindo não só grande numero de ha- 
bitantes do Porto, como de muitas léguas em 
redor. 

Vide vol. 3.^ pag. 220 col. 1.*, na palavra 
Fosso. 

RIO-TINTO— freguezia, Minho, concelho 
de Espózende, comarca de Barcellos, 27 ki- 
lometros ao O. de Braga^ 360 ao N. de Us- 
boa, 100 fogos. 

Em 1757, tinha 65 fogos. 

Orago, Santa Marinha. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

A mitra apresentava o abbade, que tinha 
390j;000 réis de rendimento. 

Foi abbade d'esta freguezia, João Ignacio 
Magalhães Malheiro, que falleceu em Bar- 
celihihos, no fim de setembro de 1876, com 
103 annos de edade. Conservou o seu juíza 
até ao ultimo momento. Ainda no dia 7 do 
dito mez, tinha assignado, sem ocutos (!) uma 
escriptura ; e, até novembro de 1875, desem- 
penhou perfeitamente todas as obrigações 
parochiaes do seu cargo. 
* É terra muito fértil em todos os géneros 
agrícolas do nosso paiz, e cria muito gado 
de toda a qualidade. Ha uma grande abnn* 
dancia de sebolas^ que exporta para diffe- 
rentes localidades. 

Tomou o leu nome de ám ribeiro, afhien- 
te do Cávado, que passa por esta firegoazia 
e que tem o seu nome. 

Para se evitarem repetições» 
veja-se Fonte-Bóa 

RIO-TORTO^freguezla, Beira Baixa, co- 
marca e concelho de Gouveia, 90kiIonietroB 
de Coimbra, 280 ao N.E. de Lisboa, 205 fo- 
gos. 

Em 1787, thUa' 101 fogos. 



RIP 

vOrago, S. DomiQgos. 

Bispado e districto admíaistratívo dã 
Guarda. 

. O prior de S. Jaliâo, de Goaveia, apre- 
sentava o cara, qae tiaha 8^000 réis de 
eoograa e o pé d'aitar. 

O seu primeiro orago foi SaDta Maria. 

É parocbía maito antiga, mas o docu- 
mento de data mais remota qae encontro 
d'ella, é de 1269. N*este anno, o mosteiro de 
S. Pedro das Águias, deu foral á viMa de 
Tailença do Douro, dividindo a terra em 21 
easaes. Os monges ficaram obrigados a dar- 
Ibes clérigos que lhes dissessem missa de 15 
em 15 dias, em Santa Maria de Rio-Tôrto^ 
e n'esta mesma egreja Ibes administrassem 
08 sacramentos, trez vezes por anno. 

É terra fértil. 

RIO-TORTO— freguezia, Estremadura, co- 
marca e concelho d' Abrantes. 

Vide Miguel de Rio-Torto (S.) 

RIO-TORTO — frejiuezia, Traz-os-Hontes. 
eomarca e concelho de Yalie de Paços (foi 
do mesmo concelho, mas da comarca de 
Chaves) 95 kilometros ao N.E. de Braga, 
365 ao N. de Lisboa, 150 fogos. 

£m 1757, tinha 80 fogos. 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga, e districto admi- 
nistrativo de Yiila Real. 

A mitra apresentava o reitor, que tinha 
804000 réis e o pé d'altar. 

É terra fértil. 

Está situada a freguezia perto do rio do 
seu nome, que morre na direita do Túa 
perto de Seixes. 

RIOS— freguezia, Minho, comarca de Mon- 
aio, 60 kilometros ao N. de Braga, 455 ao N 
de Lisboa, 375 fogos. 

Em 1757, tinha 390 fogos. 
• Orago, S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado de Braga, e districto admi- 
nistrativo de Yianna. 

. A casa da Barbeita apresentava o reitor, 
que tinha 15011000 réis de rendimento. 

lUiàiO encontro •esta freguezia nos mappas 
modernos. 

WXPàHÇA— ponto, no rio Douro, próximo 
do logar de Porto>de-Bei. Vide Pontos no 
Douro. 

VoLimi vDi 



ROB 



2!3 



ROÃES-Yide Ruães. 

ROALDE— grande fonte, Traz-os-Montes, 
na freguezia de S. Martinho d* Anta. Dá ori^ 
gem ao rio Geira^ que entra peia margem 
direita do Douro^ próximo de Galafilra. 

ROBALLO ou CELLA-NOYA ou NOSSA 
SENHORA DA ROSA— logar, Ex'remaãura 
(mas ao S. do Tejo) na freguezia de Caparica, 
comarca, concelho 6 6 kilometros ao O. de 
Almada. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Houve aqui um eremitério, fundado por 
um santo varão, chamado Mendo Gomes, no 
reinado de D. João I, dando-lhe este rei o 
terreno para a edificação, em um sitio cha- 
mado o Roballo, ao qual o fundador mudou 
o nome para o de Cella-Nota, Foi isto em 
1410. 

Yiveu Mendo Gomes, n'este hospício, com 
mais alguns companheiros, por espaço de 
muitos annos, até que o entregou aos con<* 
gregados da Serra d*Ossa (paulistas) para o 
virem habitar. 

O fundador faileceu, com fama de santo, 
no mosteiro da Serra d^Ossa, em 1481. 

Era este mosteiro situado entre dois mon- 
tes, onde as aguas que se juntavam no in- 
verno, corriam para o mar, por um esteiro, 
onde então chegava a maré. 

Consta que no século. 17.'' deu á costa 
n*esta praia, e próximo à cerca do mosteiro, 
uma náu genoveza, que se despedaçou. En- 
tre os seus despojos, que o mar arrojou à praia^ 
veio ter ao referido esteiro, um primoroso 
quadro a óleo, com a imagem de Nossa Se- 
nhora, sentada, te^ndo o Menino Jesus no bra- 
ço esquerdo, e na mão direita uma rosa, que 
lhe offerece, e^ de cada lado um anjo com 
um açafate de flores^ que offerece á Senhora. 

Sendo este quadro achado pelos frades, o 
levaram para a egreja do mosteiro, e, cemo 
não sabiam a invocação da Senhora, lhe cha- 
maram da Rosa. D'esta maneira perdeu o 
mosteiro o seu segundo nome, como tinha 
perdido o primeiro, e se ficou chamando 
convento da Rosa. 

No sitio onde o quadro foi achado, havia 
uma fonte, até então chamada do Esteiro, : 
que desde então se ficou denominando Fonte 

14 



2i4 



ROG 



ROG 



Santa, e cré o povo qae a sua agua sara 
iDuitas enfermidades, principalmente cutâ- 
neas. 

Faziam os frades a esta Senhora uma gran- 
de festa, no dia da sua natividade (S de se- 
tembro.) 

Fica o mosteiro perto da costa do Oceano. 

(Vide %• vol., pag. 98, coL !.■) 

Roballoi é também um appellido nobre 
em Portugal, que tinha o seu solar na villa 
de Penamacor, na Beira Baixa.— Trazem por 
armas-— em campo azul, um robailo de pra- 
ta, em band^, entre duas estrellas d*ouro. 

Ê brazão incompleto. 

ROBUKÊDA— Vide Rebarêda. 

ROBORÊDO— Vide Reborêdo. 

ROCA— Vide Cabo da Roca e Cintra. 
' ROGA-AMADOR ou ROQUE-AMADOR, ou 
REGLAMADOR— A religião ou instituto de 
Roca Amador, de irmãos hospitaleiros, foi 
antigamente celebre e muito caritativa eiQ 
Portugal, em quanto as Misericórdias se não 
instituíram; e muitos* hospitaes de Roca- 
Amador, foram o principio ou origem das 
Misericórdias. 

Oi escriptores não são concordes na ety- 
mologia doesta palavra (e porisso se escrevia 
e pronunciava de diversos modos) a mais 
verdadeira parece ser a que lhe dá Viterbo 
(tom. 2.% pag., 193, c<^l. 2.* da 2.* edição.) 

Segundo este e^criptor— Sanfo Amador, é 
natural de Narbona (França) e passou os úl- 
timos annus da sua vida, em um altíssimo 
rochedo, separado o commercio dos ho- 
mens; dando-se depois ao tal rochedo o nome 
de Roca-Amador. A sua sepultura e despojos 
mortaes, foram achados em ii66, junto à ro- 
cha. 

£rigiu-se logo alli uma egreja, com o ti- 
tulo de Santa Maria de Roca Amador^ e 
junto d'ella um famoso hospital, para enfer- 
mos pobres^ o qual era s-rvido por varões 
cheios de abnegação e piedade. 

Os povos das visiuhanças deram muitas 
offertas, esmolas e valiosas doações de pro- 
priedades e rendas, a este estabelecimento ; 
mas os abbades em cujo districto ficava, se 
apropriaram de tudo, e o ho^^pital nunca 
passou do que foi na sua fundação. 



Todavia, o caritativo Amador prestou nm 
grande serviço á humanidade, porque o In»* 
tltuto de RocaAmadar se estendeu em bre- 
ve por toda a Península, e por outros reinos 
da Europa, sobre o titulo de eremUas de No$^ 
sa Senhora de Roca de Amador. 

Entrou este instituto em Portugal, no anuo 
de i 189, trazido pelos cruzados que ajuda* 
ram D. Sancho I a resgatar a cidade de Sii« 
ves do poder dos mouros.^. 

Em 1193, fez D. Sancho I doação a esta 
ordem, da villa de Sósa, junto ao mar (a ve* 
lha, e que já não existe, por estar coberta 
com as areias do mar) próximo de Vagos» 
hoje na comarca, districto administrativo e 
bispado d'Aveiro. 

Na SÓ5a (ou Sóza) estabeleceu a ordem a 
sua capital, e d'alli se difundiram pelos hos- 
pitaes de Lisboa, Porto, Coimbra, Santarenb 
Leiria, Torres-Vedras, Guimarães, Braga, 
Chaves, Lamego, e outras povoações. 

Estes religiosos guardavam a regra de 
Santo Agostinho, e foram muito respeitados 
dos povos, emquanto não decahiram da an- 
tiga observância; porém, com o tempo, co- 
rando mais dos seus interesses, do que da 
fiel admioistração dos hospitaes a seu car- 
go, D. Affonso V, por auctoridade do papa 
Pio II, em 1459, fez a egreja de Sóza (que 
então se chamava Santa Maria da Roca de 
Amador)^ commenda da ordem de S. Thia- 
go; e assim.se extinguiu este, já então inútil 
instituto. 

Foi substitaido pelos cónegos seculares 
de S. João Evangelista (loyos) que, ató à 
sua suppressão, em 183i, exerceram com o 
maior desinteresse, e com verdadeira carí- 



t Mas tornou a perder-se, logo em 1191, 
porque o Miramolim de Marrocos, invadiu 
n^es-íe anno o reino de Portugal com um po- 
d»^ro-o exercito, e achando-se o nino oppri- 
mido por uma grande fome. e uma terrível 
peste, lhe fr)i fá«Ml tornar a apoderar-se de 
todas a?« povoações do Algarve que estavam 
em no!*$o poder. 

Foi só em 9 janeiro de 1242, no reinado de 
D. S?ín<-ho II, que o farr«oso fronteiro- mórdo 
AIwarve, D. Payo PerfS Correia, remn^ítits- 
tou Silves, quê, d^sde enião, não tornou a 
sahir do domínio portuguez. 



\ 



ROÇ 

iade evangélica, o emprego de hospitalei- 
ros*. 

Emqaanto a ordem de Roca«Amador cum- 
pria, com integridade, a saa regra, foi ge- 
ralmente respeitada, e os nossos reis, parti- 
cularmente D. AffoDSo II, em 1221; a rai- 
nha Santa Isabel, em 1327, lhe doaram mai- 
las e valiosas rendas e propriedades ; e o 
mesmo fasiam muitos particulares, de modo 
qnecbegoa a possuir grandes riquezas, que, 
na soa suppressão, algumas passaram para 
eommendãdores, e a maior parte para as 
differentes Misericórdias do reino. 

Eis a razão porque vemos em tantas ter* 
ras de Portugal, logares com o nome, mais 
<)u menos adulterado, de Roca-Amador. 

ROGA DA PONTEIRA.— Vide Ponteira. 

ROCAMONDO — freguezfa, Beira-Baixa, 
concelho, comarca, distrieto administraítivo, 
bispado e 42 kilometros da Guarda, 300 ao 
S. de Lisboa, 175 fogos. 

Em 1757, tin\ia 125 fogos. 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

O prior d'AlveDdre, apresentava o cura, 
que tioha 4jí000 réi^ de côngrua e o pé 
â*altar. 

Clima excessivo ; terra pouco fértil e po- 
bre. Bastante gado mjudo, e nos seus mon- 
tes abundância de caça grossa e miada. 

Dà-se também a esta freguezia o nome de 
Rocamundo; e parece que isto procede dos 
rochedos em que abundam estes sítios, e 
sobretudo, de um monstruoso penedo que 
existe em um monte da freguezia. 

ROÇAS ou ROSSAS — freguezia. Douro, 
comarca, roncflbo e 8 kilometros ao O.S.O. 
â*Arouca, bispado e 54 kilometros ao O. de 
Lamego, disiricto administrativo e GO kilo- 
metros ao N.E. de Aveiro, 55 ao S. do Por- 
to, 300 ao N. de Lisboa, 230 fogos. . 

Em 1757, tinha 220 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Os comm«>n(1adores de Roças, da ordem 
de Malta (Viihenas), apresentavam o vigá- 
rio, que tinha 20^000 réis e o pé d*altar. 



1 O povo, por isto, lhí»s dava a alcunha 
de seringas; o «lu»* o^ não deshonrava, an- 
tes emiobrfcia, pois significava a caridade 
com que cumpriam a regra do se^. instituto. 



ROÇ 



215 



É povoação muito antiga, pois a povooa 
Odorio Espinel, ou Espinhei, na era 1100 
(1062 de Jesus Chridto.) Depois, fez doação* (o 
mesmo Odorio) das terras de Roças, a Sal* 
vador Peres. (Brito, I. 7.«, c. 25.) A darmos 
credito á data que se lé sobre a verga da 
porta principal da pequena egreja matri^ 
foi esta fundada na era de 1111, que é o 
anuo 1073 de Jesus Christo; o que é muito 
verosímil, porque, em 1280, mandou a san- 
ta ralDha Mafalda, construir na serr^ da 
Freita, freguezia de Roças, uma albergaria 
para peregrinos que d'ena se quizessem 
aproveitar. (Perto d*esta albergaria, esti 
actualmente um marco geodésico, ou trigo- 
nométrico; e na própria casa da albergaria» 
existiu um teíegrapho do systema antigo.) 

Vide 3.» vol , pag. 230, col. 1.-, pr. 

É terra muito fértil, e produz óptimo vi- 
nho verde. 

Fica sobre a margem esquerda do rio 
Arda; e é atravessada pela nova estrada, de 
Arouca a Oliveira de Azeméis. 

Ainda existe a casa vincular dos cominen- 
dadores de Roças, da qual é hoje proprie- 
tário, um descendente dos Viihenas, que t 
o sr. Virgolino de Quadros (se acaso ainda 
vive, porque foi ha mais de 25 annos para 
Moçambique, empregado, e não se tomou a 
saber d'elle.) 

Para as armas dos Quadros, vide Coufo 
d^Esteves. 

ROÇAS ou ROSSAS — freguezia, Minho^ 
no concelho de Vieira, comarca da Povoa 
de Lanhoso, 30 kilometro^i ao N.E. de Bra- 
ga, 360 ao N. de Lisboa, 600 fogos. 

Em 1757 tinha 418. 

Orago, o Salvador. 

Arcebispado e distrieto administrativo de 
Braga. 

A casa dos Abreus, de Regalados, e os 
duques de Souto-Maior (Hespanha), apre- 
sentavam alternativamente o abbade, que 
tinha um conto de réis de rendimeoto. £ra^ 
um dos melhores beneficios do arcebis* 
pado. 

Foi couto. O rei D. Manoel lhe deu foral» 
em Lisboa, a 23 de outubro de 1514. {Uvro 
dos foraes novos do Minho, fl. 124, col. 2.*) 

Este foral serve para Aldeia de Ladrões^ 



2il 



BOÇ 



BOÇ 



Bairral, Bairro, Celleiro^ Covéllo, e La- 
Biéâo. 

É terra muito fértil. Grande abundância 
de gado de toda a qualidade, e nos seus 
montes ha caça grossa e miúda. 

Foi senhor d*esta freguezia, Fernão de 
Souza Botelho, casado com D. Ignez deSot- 
lo-Maior, que era riuva de Lopo Gomes de 
Abfeo, senhor de Regalados e Valtadares, 
fitho do i.<> visconde de Yilla Nova da Ger- 
TOira, D. Leonel de Lima. 

Depois, passou 'este senhorio para a co- 
Ida. 

Houve aqui um antíquissimo mosteiro de 
monges bcoedií^tinos, que, em 1195, foi doa- 
da por frei João Paes, ao arcebispo de Bra- 
ga, D. Martinho, e depois foi para os Abreus 
de Regalados. 

Ainda aqui existe a torre do Bairro, com 
seu cárcere, edifício muito antigo, e que foi 
solar do dito Fernão de Souza Botelho. 

No lògar da Lama, d*esta freguezia, ha 
outra torre, que foi de António Machado 
Coelho, e pertence hoje aos seus descend^- 

168. 

*BflÇAS ou ROUCAS — freguezia, Minho, 
cosiarea e concelho de Melgaço (foi do m^- 
mo concelho, mas da comarca de Monsão), 
W kílometros ao N. de Braga, 450 ao N. de 
Lisboa, 225 fogos. 

Em 1757, tinha 88 fogos. 

Orago, Santa Marinha (o Portugal Sacro 
€ Profano, diz que é Nossa Senhora dos An- 
jos.) 

Arcebispado de Braga, districto admi- 
nistrativo e 75 kiiometros ao N. £. de 
Vianna. 

A mitra apresentava o abbade, que tinha 
VSOi^OOO réis de rendimento. 

A padroeira d*esta freguezia, é uma das 
Wfve irmans bracharenses, filhas de Lúcio 
Caio Atilio. 

Vldè Braga, 

Esta paroehia foi primeiramente padroa- 
do da antiga e nobre familia dos senhores 
do paço de Roças, que era n*esta freguezia, 
mas que ha alguns séculos pertence á de 
S. Payo, contigua a esta. 

Ainda se vêem as ruinas de uma anti- 
quíssima casa^ chamada o Paço, solidamente 



construída, e, em parte, ainda habitada. O 
logar em que está, chama-se mesmo Paço, 
nome tomado da dita casa. 

O padroado passou depois para Manod 
Pereira (o Mil-Homens) da villa de Monsão, 
e o solar para os Castros, de Melgaço. Por 
fim, passou o padroado para os arcebispos 
de Braga. 

O território d'esta freguezia, tem 7 kiio- 
metros de comprido, por 5 de largo, esten- 
dendo-se desde a encosta O. da serra de 
Pemidêllo, até junto ás muralhas da villa 
de Melgaço, pertencendo ainda à freguezia 
de Kôças, as primeiras casas da villa. 

Ainda que em terreno muito accidentado, 
os seus valles são fertilissimos, e o vinho que 
produz é de óptima qualidade, principal- 
mente o dos sítios das Barreiras e Valle de 
Cavalléiros, em nada inferior ao excellente 
vinho de Mònsão. 

É n'esta freguezia a grande quinta que 
foi do mosteiro de Fiàes, d'este concelho, e 
que, ficando sobranceira á villa, é uoia bel* 
lissima vivenda. É hoje propriedade partl- 
cnlar do sr. dr. José Joaquim Gomes. 

A egreja matriz é das maiores, não só da 
comarca, mas do districto administrativo. Q 
zôlo do reverendo abbade actual, e a devo* 
çao e- religiosidade dos parochianos, tem 
convergido para que este templo esteja or- 
nado com a maior magnificência. 

Estes melhoramentos principiaram em 
1864. 

Tem altar-mór e quatro lateraes, todos 
ricamente adornados, e as santas imagens 
que os decoram, são de excellente esculptu- 
ra, sendo notável a de Nossa ^nhora da 
Soledade, de tamanho quasi natural, e oflfe- 
recida à freguezia pela benemérita fiunilla 
Salgado, aqui residente. 

A sua torre dos sinos, é bastante alta, e 
tem dois bons sinos. O coro é bom, e tem 
um pequeno órgão. 

Tem óptimas alfaias e paramentos, para 
o culto divino, tudo feito ha poucos amios. 
No tecto* da egreja ha boas pinturas, repre* 
sentando os apóstolos e os evangelistas; e a 
Fé, Esperança e Caridade. 

Na parede exterior da eapella-mór, está 
embutida uma lapide, com esta inserlpçio : 



ROÇ 

BLAZiUS d'ANDRADA DA 
GAMA, ABBAS, IN L^TRO- 
QUE JURii LAURKA- . 

TUS, A FUNDAMENTIS 

EBEXIT. HDCLXXXX. 

Collige-se d'esta iascripção que o templo 
foi ÍQDdado em 1690, á custa do benl&merito 
abbade da freguesia» Braz d*ÂDdrada da 
Gama. 

Está eoDstrnida em um formoso sitio^ pela 
sna posição elevada, e com dilatados bori- 
sofites. 

A lesta da padroeira, faz-se a 18 de julho 
(que é o seu dia.) É uma romaria coucor- 
ridissima, viodo gente até da Galliza, em 
grande numero, com oíTertas, para que San- 
ta Marinha os cure, ou preserve de sesões. 

O logar presta-se maravilhosamente para 
a romaria, porque é um vasto terreiro, o 
inaior que se vé na província, em frente das 
egrejas^ depois do de Fiães. 

Fica ao S. da egreja^ e é assombrado por 
gigantescos e vetustos castanheiros, con- 
temporâneos do primittívo templo. 

A residência parochíai foi reconstruída 
em 1870, desde os alicerces. 

É um edifício no gosto moderno, commo- 
do e decente ; e feito à custa dos parochia* 
•nos, que da melhor vontade, e por amor ao 
.sen digno parocho, se prestaram a esta nao 
pequena despeza. 

Ha n'6sta freguezia seis capellas, que sao: 

i % Santa Rita^ na aldeia de Yiliela, com 
missa em todos os domingos e dias sanocifi- 
cados. É publica. 

2.% Nossa Senhora da Conceição, no Côtto 
do Preto. Tem uma bem esculpida pedra de 
úrma§, da ordem da Conceição, sohre a por- 
ta i»1n€ipal. É particular. 

2.% Santo António, no logar da Córga. É 
.particular. 

4.*, Nossa Senhora das Dores, no logar 
de Cavalleiros, com missa em todos os do- 
mii^Qs e dias santos. Ê publica. 

5.% S. João Baptista, no logar do Féxo. É 
particular. 

6.*, Nossa Senhora da Graça, a poucos 
metros de distancia da antecedente^ e que é 
.^, melhor de todas, tanto pela sua posição 
eminente á villa, como pela magnifica p^dya 



ROÇ 



gi7 



da cantaria de qee é coQslruida. (Do me«ie 
onde está a capella, é que sabe o fini^simo 
granito para as construcções de todos os 
edíQcios d*estes arredores.) 

O Sancttiario Marianno,yol 4.%pag.264» 
diz o seguinte : 

«Em um eminente monte, sobranceiro á 
praça de Melgaço, no distrieto da fregueiia 
da Santa Marinha, do logar de Roucas, si* 
tio, ainda que alto, muito agradável e deli* 
cioso, não s6 pela variedade do horíaonie 
(porque d'elle se descobre muita parle do 
rehio de Galliza, pela corrente do rio Minho 
acima, e todas as terras do termo d^ Mel- 
gaço, Valladares, Monsão^ e das roais qud 
correm em frente do mesmo caudaloso Mi* 
nho) mas, pela frescura dos arvoredos e pch 
mares que d*aquelle alto sitio s^ estão aviíi* 
tando, se vé o Santuário de Nossa Seiíhom 
da Graça.» 

Foi este Santuário construído em 1591^ 
por o abbade d*esta freguezia, Tristão da 
Castro, em cumprimento de um voto 90» 
havia feito a Nossa Senhora, pelo motiva 
seguinte : 

Vindo o t»\ abbade, da villa da Melgag^ 
sendo já alta noite, para sua casa, ao pas- 
sar no sitio onde hoje es|á a capella da Se* 
nhora, e&tão coberta de mattos e arvorfidoe^ 
lhe appareceu um monstruoso phantasmi^ 
que não só o assi^stou a elle, mas até m 
cavallo em que vinha montado, qne mUm 
desaliniâamente por aquelles escuros epro* 
fundos. barrancos* 

Foi então que o abbade promeltea á S^ 
nhora, se o livrasse de tio grande perigo^ 
construir-lhe aili mesmo uma ermida, o qod 
cumpriu, sem demora. 

Também antdgamenfie chamavam á pa« 
droeira da ermida, Noua Senhoi^a 4a Cãit^ 
valheira^ porque assim era denominado o 
sitio onde está a eapella. 
, Par4 cttsieanento do enllo e conservaoiê 
do templo, deu o abbade á Senhora alga* 
mas fazendas, e instituiu uma eapella, pftri • 
quQ .0 capeiião d-elia losse obrigado a dteer 
misaft «no altar^uór, em.J|edos os diaedaf 
differenlts festividades da Senhora. 

JMl^um^y ttn MoB os demíngai e 



r- 



218 



ROÇ 



dias santos do anno, vinham visitar a Se- 
nhora, numerosos romeiros de muitas lé- 
guas em redor, tanto portugueses como gal- 
legOJ>, mas a sua festa principal é ení um 
domingo de julho. É esplendida e concorri- 
dissima. 
A eapelia é particular. 

 padroeira d*esta ermida se attribuem 
muitos milagres; mencionarei apenas um 
teputado como tal, por prender com a nos- 
sa historia. 

Pelos annos de 1660, durante a guerra da 
Restauração, hindo Gregório Yaz^ natural 
doesta freguezia, e. soldado do exercito por- 
tagueZy com mais dois camaradas, reconhe- 
tet os movimentos do exercito castelhano, 
que se achava acampado nos Arcos (Galli- 
tí^^ cahiram todos trez em poder do iní 
migo. 

Gregório Vaz, invocou o patrocínio de 
Nossa Senhora .da Graça, e prometteu-ihe, 
86 o livrasse da morte, de ser eremitão da 
Bua eapelia, e de a servir toda a vida. 

Fiiippe IV, mandava enforcar todos os 
prisioneiros que cahíam nas garras dos seus 
toldados, e os nossos trez portuguezes tive- 
ram a mesma sorte. 

Gregório foi o ultimo a ser enforcado, 
aias a corda partiu se e o desgraçado cahiu 
no ehão-, sem sentidos, e com a garganta 
horrivelmente ferida. 

Kpi julgado morto, e, como os seus cama- 

. radas, foi abandonado aos pés da ÍSorca; mas, 

quando nt> dia seguinte vieram os frades 

franciscanos para lhes darem sepultura, 

acharam Gregório sentado, encostado a uma 

« mao, e tendo na outra umas contas. 

Os frades também eram castelhanos, e 
portanto, tão inimigos dos poi;tugnezes como 
•8 tropas do neto do Diabo do Meio Dia, e, 
em vez de terem caridade com tao grande 
tolèliz, o entregaram ao carrasco, que lhe 
ddQ duas lançadas, que o atravessaram do 
- peito ás costas. 

Os frades o levaram a enterrar, mas^ pelo 
«Màinlio, viram que elle dava ainda sigoaes 
de vida. D*esta vèz, enfim, attribuiram o 
Câflo a milagre, e o curaram. 

Fe df pois reoiettldo para Coronha (eátào 



ROÇ 

capital da Galliza), e mettido em um car* 
cere. 

FilIppe IV teve noticia doeste facto, e at* 
tribuiodo-o também a milagre, fez o mila* 
gre (ainda maior) de o mandar soltar, e dei- 
xar vir em paz para Portugal. 

Gregório cumpriu o voto e foi viver pan 
junto da ermida da Senhora, como seu ere- 
mitão, mudando o nome para Gregário âa 
Graça, e alli falleceu de avançada edade» 
pois ainda vivia em 1712, quando frei Agos« 
tlnho de Santa Maria publicou o 4.* volum» 
do seu Santuário Mariano, Ainda então con- 
servava as cicatrizes das feridas. 

Isto consta de documentos que existem 
na secretaria das If^rcê^, e de um alvará» 
assignado por D. Pedro II, e pelo qual o rei 
mandou dar a Gregório da Graça um tos« 
tão por dia, para seu sustento. 

Nasceu n^esta freguezia, o padre Manoel 
Alves Salgado, que^ emquanto estudante, foi 
o mais perito caçador do Minho. 

Foi fâmulo do infante D. Gaspar, arcebis- 
po de Braga 1, filho natural reconhecido de 
D. João V, e depois secretario da camará 
ecclesiastica do arcebispado, no tempo do 
mesmo príncipe. 

Era* o padre Manoel Alves Salgado, um 
eccle^iastico exemplar, e muito intelligente, 
sabendo reunir ao rigoroso cumprimento 
dos deveres do sen então importantíssimo 
cargo, a maior modéstia e affabilidade. 

Era summamente caridoso, pelo que a 
sua morte foi sinceramente chorada pelos 
desvalidos a quem a sua beneficência ja- 
mais deixara de soccorrer. 

Por sua morte^ nomeou sua herdeira, soa 
sobrinha, a sr.* D. Thereza Alves Salgado» 
da cidade de Braga, hoje representada por 
suas duas filhas, as sr.** morgadas do Car- 
valhal, da mesma cidade. 

Ao reverendíssimo sr. José Manoel Alves 
Salgado de Castro, que, por varias vezes, ao 
tem dignado mandar- me valiosos ecuriosi^ 

1 Um dos trez meninoê de Palha-Vã, (Vide 
%.• vol., pag. 4S4, col. i.«, no fim, e segaiB* 
tes.) 



ROG 



ROC 



219 



Bimos apontamentos^ para varias povoações 
do Minho; e qae teve a bondade de me 
mandar bastantes sobre esta fregaezia, agra- « 
dèço tanta generosidade. 

Se todos 08 homens illustrados dás pro- 
vincías fizessem como o sr. padre Salgado, 
sahiria esta obra mais completa e perfeita. 

ROÇAS on SANTA COMBA — freguesia, 
Traz*os* Montes^ concelho, comarca, districto 
administrativo e bispado de Bragança, 54 
kilometros ao N. de Miranda, 480 ao N. de 
Lisboa, to fogos. 

Em 1757, tinha 41 fogos. 

Orago, Santa Gombs. 

O reitor de S. Nicolau, de Sslsas, apre- 
sentava o cura, qae tinha 8M00 réis de 
côngrua e o pé d*altar. 

É terra pobre e pouco fértil. 

ROCAS ou RÓCCAS — freguezia, Douro, 
concelho e 5 Iciiometros ao N.E. de Sever 
do YoUga, comarca d'Agueda, 55 kilome* 
tros ao O. de Viseu, 270 ao N. de Lisboa, 
S90 fogos. 

Em 1757, tinha 259 fogos. 

Orago, S. João Baptista. 

Bispado de Viseu, districto administrati- 
vo de Aveiro. 

O abbade de Santa Maria de Sever do 
Vouga, apresentava o cura, que tinha 64^000 
réis de rendimento e o pé d'allar. 

É* povoação mnito antiga, e, até 1S34, 
pertenceu ao extincto concelho de Couto de 
Esteves (d'onde era natural o 18.* bispo do 
Porto, como adiante direi ) 
- Em terra de Sever, havia em dezembro 
de 1180^ uma herdade, chamada da Roca, 
ou da Rocha, á qual D. Affonsa Henriques 
deu ftVsse anno, o nome de villa (casa de 
campo?) em uma sentença sobre um pleito 
que havia, entre a Sé de Viseu e o mosteiro 
de Sevén mandando que seis casaes da villa 
da Rocha, ficassem para a cathedral de Vi- 
seu, e dutres seis para o dito mosteiro e 
pira oxttras pessoas. 

A I^guezia do Gooto de Esteves; formou 
antigamente com esta, uma só parocMa, «, 
còtto n^aqueila não fáHei no f 8.« bispo do 
Porto, o meircionò n'este logar. 

' É a era 1218 de César, qaé vem a ser 
liso de Jesus Christo. 



Na freguezia pois do Couto de Esteves' 
nasceu o famoso D. Pedro Rabaldes (l.'' do 
nome) IS.** bispo do Porto^ successor e so- 
brinho do não meoos famoso, D. João Pe- 
culiar i. D. Pedro já era arcediago da Sé do 

Porto, feito por seu tio. 

Em 12 de outubro de 1138, o infante D. 
Affanso (D. AíTonso Henriques) neto do im^ 
peradúr de Hespanha e filho do cônsul, D. 
Henrique e da RayiUia D, Tareja, princepe 
da provinda de Portugal, confirmou o couto 
de Crestuma, ao Biêpo D. Pedro Rabaldie e 
seus successores, que a Rainha D, Tareja 
tinha dado ao Bispo D. Hugo. {Catalogo dos 
bispos do Poiio, parte 2.*, pag. 28.) 

D. Aífonso Henriques era particular ami- 
go de D. Pedro Rabaldes, e no tempo d*e8te 
prelado fez varias doações à Sé do' Porto; 
entre ellas^a herdade e casai de Loriz, que 
depois coutou, sendo bispo do Porto, D. Mar- 
tinho—o conto e mosteiro de S. João de Va- 
lério (hoje S. João de Vér) na Terra da Fei- 
ra, com todos os seus passaes, foros e ren- 
das — no mesmo anno (1144) — metade da 
dizima dê todas as barcas que viessem das 
partes de França, á cidade do Porto (mas o 
bispo e cabido, deram ao rei, por esta doa- 
ção, 100 maravidís de ouro.) 

Em 1144, deu D. Pedro Rabaldes, licença 
a Hero Calvo, Soeyro Pelayo, Payo Pires e 
seus successores, para viverem e morrerem 
BO cauto da Régua, que a rainha D. Thereza 
dera ao bispo D. Hugo; com a condição de 
que elles e herdeiros lhe pagariam o sexto 



1 D. João Peculiar (o Ovelheiro), que foL 
um dos primeiros conexos regrantes de San- 
ta Cruz, de Coimbra. Era francez de nâção 
e veiu para Portugal, para mestre escola da 
Sé de Coimbra. Elle e O. T<silo, arcediago 
da mesma Só, e outros varões, iJlustres por 
nobreza de sangue, por sciencia e virtudes, 
furam os fundadores do mosteiro de Santa 
Cruz, dH Coimbra, do sitio onde hoje esiá. 

D. João Peculiar, Ibi depois para o mos- 
tf-iro de Grijó, da mesma ordem (crazio) e 
d'alli foi para bi:«po do Porto, e passados 
dois annos e meio, foi feito arcebispo de 
Braga, e soceeisor do arcebispo D. Pelagio, 
ou Payo. 

Foi D. João 37 annos e meio arcebi^ipo de 
Braga, fallecendo no !.<> de dezembro de 
1177 (era de 1215.) 



no 



ROG 



do paOy o quinto do vinho, e outras mia- 
ças. 

D. Pedro Rabaldes, falleceu no Porto, em 
29 de junho de 1145. 

ROCHA *- serra, Douro, no extiocto con- 
celho de Fajão, hoje concelho da Pampilho- 
sa^ comarca de Arganil, bispado e distrltto 
admtnisiraiivo de Coimbra. 
' Esie concelho é o matis montanhoso do 
districto administrativo, e pôde dizer-se qna 
consta de uma serie nao interrompida, de 
altos montes e pròtandos valles. 

Uma das princjpaes e alcantiladissima« 
serras d*csta região, é a da Rocha. Princi- 
pia no sitio denominado -iljfuaf de Cêira 
(também chamado Serra da Cebola e Serra 
Amarella,) 

Segue, quasi sempre na direcção de S.O., 
pelos concelhos da Pampilhos^, Góes, Álva^ 
res (este ultimo supprimidQ) e outras ter- 
ras, até Figueiró dos Vinhos, no compri- 
mento de 60 kil imetros. 

O sea ponto culminante chama -se PUôto: 
fiea próximo a Fígopiró. 

Divide-se a serra da Rocha, &n vários 
ramos (que todos tomam nomes dififerentes) 
para os lados da Covilhan, Fundão e outros; 
dos quaes devo espeeialisar o Ladeira (vide 
^fA palavra) ao £., que, correndo coroado 
de broncas penedias, abate de repenie no 
sitio do Amieira!, para dar passagem ao rio 
Zêzere^ apparecendo na mesma altura, da 
outro lado do rio. 

É também muito notável o monte chama- 
do Penedos de FaJão — ^ramo da Rocha— ao 
O., pelas grandes massas de rochedos, de 
mármore, nús e escarpados, que vão preci- 
pitar-se repentinamente sobre o rio Ceira. 

(Vide Penedos de Fajão e Sarzêdas.) 

Rocha é tambeni um appellido nobre em 
jPòriugal. Vide Guimarães. 

ROCHA DO CONDE D*OBIDOS --Vide i.^ 
ToL, pag, 136, eoL L* 

ROCHA WS SODDOS-^érro, Algarve, na 
fregnezia e a 1 kilometro ao N. da povoa- 
ção d*Alte, comarca e cônce)ho de Loulé. 

Do alto d'este serro se fosa om vasto pa^* 
Borama, vendo-se a cidade de Lagos, que 
fica a 50 kilometros de distancia. Serve ide 
jl^uia aos navegantes d'eâtes mares. TMÀkèn 



ROCHOSO.— Vida Richúso. 

ROCINAL— portoguez antigo^a carga de 
um rocim ou cavallo pequeno. 

Nos foraes antigos se distinguem as car* 
gas dos machos e cavallos, das dos rocine e 
asnos, sendo a portagem dos primeires^ o 
dobro da dos segundos. 

A carga rocinal e asnar (de burro) paga- 
va a mesma portagem. 

ROCIO DE LISBOA— (Praça do Rociq, ba* 
je denominada Praça de D. Pedro). 

Além do que fica dito com respeito a esU 
praça, no 4.<> vol., pag. 125, 164, 179 e dird» 
accrescento aqui mais o seguinte. 

Por baixo do Hospit^ Real de^ Todos os 
Santos, que existiu n'esta praça, havia uma 
ermida, dedicada a Nossa Senhora do Ao* 
paro (que dea o nome á rua do Ai^paro e 
rua Nova do Amparo). 

Era a padroeira objecto de grande devo- 
ção do povo de Lisboa, e todas as noites, ás 
Ave-Marias, se lhe rezava o terço, ao qual 
assistia o capellão, que dava no fim a bM- 
jar ao povo, a coroa da Senhora. 

A imagem era de roca, de O",?? (trez ppd- 
mos e meio) de altura. 

Estava em um camarim, envidraçado, no 
meio de um retábulo, construído de már- 
more az«i e epcarnado, de boa esculptura» 
e coliocada sobre um globo, tombem da 
n»armore, cercada de anjos e seraphins. . 

Esta capella era frequentemente visitadas 
pe)as principaes damas da corte, que, além 
das ofifertas que davam á Senhora, tinham 
por devoção, fazer as camas dos enfermos, 
dar-lhes esmolas e doces. 

O famoso cardeal da Cunha^ hia visilar a 
ermida em todos os sabbados do anuo» 

Tinha ^ Senhora um capelião, qne dizia 
missa na ermida, todps es dias. 

Esta capella (das missas) institairauv 
Domingos de Basto Figueirôa, e auamuHi^* 
D. Barbara Antunes Brandoa, em li$29, qae 
(em cumprimento de suas disposi(id^ tea* 
tameatirias) foram sepultados n'est^ erjpi- 
da. Doaram á Senhora duas moraibs de ca- 
sas, que então rendiam S3#U8 réis, o quo 
prova serem boas prapriedades. 

D'esta renda se dariam ao capellão /^n^ 
havia de ser fUUural da viUa ds Ank^ranta 



\ 



63^000 réis, e o resto para os. entravado 9 
do hospital anDexo. 

Domingos de Basto Figueirôa falleceu em 
S de maio de 1653. 

A origem d*esta ermida, foi uma alber- 
garia, para acçlheiía .doa peregrinos, aos 
quaes re dava casa, cama, agaa e luz. Tioha 
40 leitos, 20 para cada sexo, separados uns 
dos outroe. Tioha dois hospitaleiros, um ho- 
mem para os do seu sexo*, e uma mulher» 
para o femiaiao. 

D. João II, mandou con&truir o sumptuoso 
Hospital Real dó Todos os Santos, spbr^ 35 
magestosos arcos de cantaria, e occupando 
toda a frente E. do Rocio, e sob esta vasta 
galeria havia umas 200 lojas de capellista, 
onde se vendiam varias quinquilherias. 

% 

Um devoto, havia instiiuido por herdeira 
de toda a sua fazenda, a Misericórdia de Lis- 
boa, e entre varias alfaias e peças preciosas 
lhe deixou a imagem de Nossa Senhora do 
Amparo, para a qual os irmãos da Miseri- 
córdia mandaram construir a ermida, anne- 
xando-lhe uma enfermaria para entrevados, 
que primeiro estava no claustro do hospi- 
tal, e ficava por baixo da egreja, onde de- 
pois foi o celleiro e despensa, e d'aqui é que 
fof mudado para sob os arcos do rocio. 
Ainda antes do incêndio que destruiu o hos- 
pital, e ao lado da porta do referido cellei- 
ro, se via uma lapide com esta inscrípçâo : 

ESTA BNFBRMAItU bOS mcmtAVBTS 
CONSERTARÃO OS IRMÃOS A SUA COSTA, 

B NA •flSSalGORDU OS i»p.dvBaIo 
00 NBCBSSAKIO, ^H AafUL DB iòM 

Segundo uma pulra ioscrípçií» qpe estava 
oos fizulejos da ermida, os entrevados foram 
mudados pajra a antiga albergaria (que en* 
)3a ae extinguiu) em 1583. . 

ROCIO DO SUL DO TEJO ou ROQIQ DE 
JISRiJITES — freguezia, Extremadura, co- 
marca e ooDccilho d'AbranleSy Í70 kilometros 
4|« E. de tiaboa, 300 ((f gos. 

Orago, Nossa Senhora dA Conceição. 

Bispado de Gastello- Branco^ diairieto ad- 
WQistrativo de Santarém. 

1)^0 \(m no P^tif^o/jSacro e^Pr^Jani^ 



BOD 



ãdi 



por que ainda nao existia quando se publi- 
cou esta obra. 

£sta freguezia era na província da Beira 
Baixa, ma«, pela nova divisão, fleou perten- 
cendo á Exiremadura, apezar de fli^^ar ao & 
do Tejo, e sobre a sua margem esquerda. 

Fica em frente da villa de Abrantes. 

No dia 6 de dezembro de 1876, subiu o 
Tejo a tal altura, que causou espanto ás 
pessoas maia antigas do Rocio e da villa da 
Abrantes. Do lado do sul, chegou ao Fôjo^ e 
do norte, à ponta do rio Pombal, attíngindQ 
mais i,"75 do que a grande cheia de 18 de 
fevereiro de 1855. Não houve prédio no Ro* 
cio, por mais elevado que estivesse, que não 
tivesse, pelo menos, sete pahnos d*agua ; o 
que fez cahir muitas casas. 

Auitas famílias fugiram para Abrantes, e 
outras para o TramagaL 

No quartel de S. Domingos (Abrantes) 
foram recolhidas 60 e tantas pessoas, ás 
quaes os camaristas mandaram dar dois raa* 
chos por dia. 

O Tf jo chegou quasi ao leito da ponte, e 
abateu uma grande parte do seu aterro, do 
lado do Norte. Algumas casas do Rocio, fi- 
caram tompleumente debaixo d*agua. 

Pelo rio abaixo, via(n-se boiando, carfos^ 
bois, madeiras, etc. 

A estação do caminho de ferro e os vastos 
campos do sul e norte foram totalmente 
inundados. 

Os prejuízos foram incalculáveis, ficapdo 
muitas famílias reduzidas á mais lamentava! 
miséria. 

Esta povoação é muito moderna, o sea 
estado era prospero, e linha- se desenvolvido 
espantosamente. 

RODA ou RHODA-Hsubslantivò persa, que 
06 árabes adoptaram e o transmittiram aos ja* 
zitanos— significayardis»^ e também parotisô. 

Em Portugal ha vários jogares com esU 
denominação. Vide Bfiiinha e VUla Velha 
do Rodam, 

RODA— rio. Douro, no extincto concelho 
d*^bare8, hoje eonoelho de itíóes, cofuarca 
d^AFganil. . 

Nsse^ ea^ Pedrês áo ÍJumat, e d^sa^gúà 
na ribeira de Unhàes, 3 kilometros abaixr 
da mesma viHa de Únháes. 



ã22 



ROD 



ROG 



Dão-se Umbem a este rio os nomes de 
Ribeira da Velha e Rio Sinhel. 

Todo o território qae formava o antigo 
eoneelho d^Áivares, é montaoso, e porisso, 
Unto a elle,- coimo aos concelhos de Fajâo 
(extincto) e Pampilhosa, se dá vnlgarmenle 
o nome de concelhos da Serra. (Vide a i.* 
Bocha.) 

Alem do rio á9í Roda, ^o estes concelhos 
«travessados por mais os segníntes : 

Ribeira da Foz— Nasce na serra de Entre- 
Capéilos t e desagua na ribeira de Uohaes, 
Junto ao povo porisso chamado Foz. 

Ribeira de Amioso Ftnuf^ro— Nasce nas 
faldas da serra de Trevim, e desagua tam- 
bém na ribeira de Uuháes, na foz do Amio- 
so^ 4 kilometros abaixo do iogar onde des- 
agua ^0 antecedente. 

Ribeira do Mega (ou d^Oméga) — Nasce 
nas faldas da mesma serra, e desagua na 
mesma ribeira, uns 5 kilometros abaixo da 
antecedente. 

Rios Unhões, e Zêzere de que fallarei no 
Iogar competente. 

Todas estas ribeiras criam barbos^ liogas, 
trutas, enguias, e outro peixe miúdo; e to- 
dos estes peixps são muito saborosos^ por se- 
rem de corrente precipitada as aguas em 
que se criam. 

KÓDA—quinta, Minho, na freguezia de La- 
nhelias, concelho, comarca e 4 kilometros 
ao N.E. de Caminha. 

Arcebispado de Braga, distrlcto adminis- 
trativo de Vianna. 

Esta propriedade fica próxima á egreja 
matriz, e pouco distante da margem esquer- 
da do rio Minho. Foi do desembargador José 
Manuel d* Amorim Guerreiro, filho do minis- 
tro de estado José António Guerreiro r hoje 
é dos seus herdeiros. Vide a i.* Rada. 

RÔDA^-casa antiga e nobre, Minho, na 
freguezia e concelho da Ponte da Barca, co- 
marca de Valle de Vez. 



1 A serra de Enire-Capillos, flca ao E. da 
viUa d* Alvares. É bastante alu e de diacii 
transito, está ao N. de outra serra, chamada 
Pedras do Lumiar^ de clima frigidissimo e 
na qual tem morrido muita gente afogada 
em neve. 



Arcebispado de Braga, distrlcto adminis- 
trativo de Vianna. 

Doesta casa foram modernamente senho- 
res— Rodrigo António da Gosta Pereira' de 
Gouveia, mestre de campo dos auxiliares 
(inillcias) governador da praça de Melgaço^ 
e fidalgo da casa real ; e Gaspar José án 
Gosta Pereira de Gouveia, alcaide-mór de 
Ervédo, cavalleiro da ordem de Ghristo, e 
fidalgo da casa real. 

É actual representante d*esta esclarecida 
família, a sr.* D. Guiomar da Gosta Pereira 
de Vilhena Goutinho. 

Vide a !.• Roda. 

RODAGEM — grande e excellente quinta. 
Douro, na freguezia de Pombeiro de RShí 
Visella, concelho e comarca de Felgueiras. 

Arcebispado de Braga^ districto adminis- 
trativo do Porto. 

Era a cerca do mosteiro dos monges be- 
nedictinos de Pombeiro. (Vide Pombeiro de 
Riba Visella.) 

Fica próximo à estrada da Rodagem, que 
vae da villa de Felgueiras para Guimarães. 

Depois de i834, foi vendida a António Pe- 
reira Leite Guimarães. 

É toda cercada de alto muro, e compõe* 
se de muitos campos de terra lavradia, mat- 
tos, e a tapada de Santa Gruz, casas de vi- 
venda, grande parte do edifício do mosteiro 
e outros para caseiros. Grande encanamento 
d*aguas, das quaes é muito abundante, com 
um grande e magnifico chafariz. 

É uma das melhores propriedades d'estea 
contornos. 

RODAM^Vide VUla Velha do Rodam. 

RODAS DO MARiO— Vide Portella da 
* Gaiva. 

RODttiLA'--rl beiro, Douro. Masce na fre- 
guezia da Gadtma, comarca e concelho de 
Cantanhede, bispado e districto admhiistfao 
tivo de Goimbra; e morre na celebre ribeira 
da f^rvança. ^ 

Ainda n*esta freguezia nascem os ribeiros 
da Lagóa-Sêcôa, Moita, Olho, e Aljuriça. 

ROGE— freguezia, Dotiro, concelho e 1:508 
metros ao E. de Maéieira de Cambra, comar- 
ca e 8 kilometros ao N.E. de Oliveira d* Aze- 
méis (era do mespao concelho, roas até ISIfl^ 
da coiiôaita d'Arouca) 70 kilometros aa M. 



R06 



ROL 



223 



ét Coimbra» 275 ao N. de Lisboa> 415 fogos. 

Em 1757, tíDba ii9 fogos. 

Orago, o Salvador. 

Bispado e distrícto administrativo de 
Aveiro. 

 casa do iofantado apresentava o prior, 
que tinha 600|í000 réis de rendimento. 

O terreno d'esui fregaezia, como o da 
maior parte do concellio de Cambra, é fer- 
tiiissimo em todos os géneros agrícolas; cria 
ninito gado, de toda a qualidade, qae exporta, 
e nos montes visinbos ba abundância de 
eaça. 

É regada por vários ribeiros, confluentes 
do Cambra, e este do Caima^ qae desagua 
aa esquerda do Vouga, pouco acima de Se- 
rem. Criam peixe miúdo. 

O Cambra atravessa o formoso e feracis- 
aimo valle de Cambra, e muitos jà aqui Ibe 
dâo o nome de Coima. (Eu julgo que Caima 
é corrupção de Cambra, como Cambra é 
corrupção de Coimbra. (Vide Cambra e ifa- 
deira de Cambra.) 

A egreja parochial, ainda que antiquissi 
ma, ó um beilo e magestoso templo, de ex- 
ceilente e sólida construcçao, e está luxuo* 
samenle decorado ; o que é devido á religio- 
sidade d'este povo, e á sollicitude do seu 
actual prior, o reverendo sr. Manuel Tava- 
res d'Âm6rim, cavalheiro de muita illustra- 
çao, zeloso no cumprimento dos seus deve- 
res» e um dos melhores oradores sagrados 
d'estes sítios. 

Faz-se n'esta egreja, em todos os annos» 
uma esplendida festa à nossa tão popular 
rainha Santa Isabel. 

No alto d*um monte d*esta freguesia, al- 
Teja a formosa capeila de Nossa Senhora do 
Destino, á qual se fsz todos os annos uma 
brilhante fesia» e concorridissima romaria. 

O panorama que se gosa do terreiro doesta 
ermida, é vasto e encantador. 



Bata fr^aezia é uma das mais ricas do 
concelho, e tem prosperado muito em nos* 
80S dias, f orno se pôde ver do angmento da 
aoa população, pois que, sendo em 1757 
^ipenas de ii9 fogos^ está l^|e elevada qaaai 
ao tresdobro. 



Nio sei se Râgê é corrupção de Rqjat, o 
que sei é que^ em 1525, veio a Portugal, 
como dama da rainha O. Catharina (âlha de 
D. Philippe I, de Hespanha, e mulher do 
nosso D. João lU) uma senhora castelhana^ 
por nome, D. Calharina de Rojas. Esta se- 
nhora, casou n'este reino, com Diogo Soares 
d'Albergaria, do qual houve suecessão. 

N*esta freguezia ainda existe a casa dos 
Soares d' Albergaria (descendentes de Diogo 
Soares d* Albergaria) da qual é actual re- 
presentante, o sr. dr. Alexandre Celestino 
Soares d' Albergaria (vide Buraco) — e na pró- 
xima JTreguezia de Casteliões, d'este conce- 
lho, a casa de Areias, da qual é hoje pro- 
prietário, por herança de seus pães, o sr- 
dr. António Soares Leite Ferraz de Alber- 
garia. (Vide Casteliões— 3L 2.* de pag. i2^> 
col. 1\ do 2.* volume.) 

Ainda n'este concelho ha outras famílias 
d*appellído Soares d'Albergaria, e muitas 
mais do appellido Soares sem Albergaria 
que 6 provável descenderem (por linha le- 
gitima ou bastarda) do referido Diogo Soa- 
res de Albergaria. 

ROIOS ou ARROIOS— freguezia, Trazoa- 
Montes, concelho de Villa Flor, comarca de 
Mirandella. Vide— 2.* Arroios, do 1.* voL, 
pag. 238 verso, col. l.« 

D. AffoDso UI deu foral, com o titulo de 
de villa, a esta povoação, em Guimarães, a 
2 d'abril de 1258. {Livro de foraes antigos* 
de leitura nova, fl. 126 verso, col. 1.") 

RÓL— grande quinta. Douro, na margem 
da ribeira d'Ançan, e no centro da Várzea 
d^Ançan» É dos srs. Ferreiras Pintos Bastos, 
da Vista- Alegre. 

Para evitarmos repetições, vide Fortu* 
nhoe. 

RÔL— Vide Ponte do Rói. 

ROLIÇA— freguezia, Extremadura, conco* 
lho d^Obidos» comarca e 18 kiiomeiros ao 
O. das Caldas da Rainha, 54 kilometros ao 
N.O. de Lisbo^ 450 fogos. 

Em 1757, tinha 338 fogos. 

Orago» Nossa Sentera da Purificação. 

Patrlarchado de Lisboa, districto admi- 
nistrativo de Leiria. 

Os beneficiados do S. Pedroy dObidos, 



^SA 



ROL 



ROM 



apresentavam o cora, que tinha 60 alquei- 
res de trigo, 30 de oeveda, um tonel de vi- 
nho, e 4^000 réis de congraa. 

É terra muite fértil, em todos os géneros • 
agricolái do paiz. 

É glorioso para esta fregneoa, em parti- 
cular, e para a nação em gerat o dia 17 de 
agosto de i808, no qual, o exercito laso-bri- 
tanico obteve a primeira vietoria contra as 
hordas de salteadores jacobinos, do infame 
Junot. 

O» francezes eram inferiores em numero 
aos alliados, mas as suas quasi inaccessiveis 
posições suppriam-lhes muito a inferiorida- 
de do numero. 

Era cabecilha do inimigo, ò malvado La- 
borde, e chefe dos alliados, o immortal sir 
árthur Willesley (depois lord Wilhngton, 
conde do Vimeiro, marquez de Torres-Ve- 
4ras, e duque de Wellington.) 

Os jacobinos tiveram mais de 500 mortos 
6 feridos. 

J<{ote-se que o exercito portuguez era com- 
posto, na sua quasi totalidade» de soldados 
bisonhos,' feitos à pressa, e que entravam 
em fogo pela primeira vez, e de mHíciaç e 
paisanos, mal armados, e que também nún- 
cio tinham assistido a qualquer combate. 

Os soldados inglezes, tambeni quasi todos, 
era a primeira vez que tomavam parte em 
uma batalha. 

Apezar d'6stas círcnmstancias desfavorá- 
veis, era um quadro arrebatador» ver a bra- 
vura, sangue^frio e disoipliaay com que os 
intrépidos alliados, e es^s destemidos galn- 
.ehos atacaram á bayoneta callaM, e toma- 
ram as alcantiladas posições do inimigo. 

Esta batalha foi o preludio da do Vimei- 
ro, dada logo a 21 d*agoslo, e que ambas 
foram a causa da expulsão do rapinaste Ju- 
not e dos seu» camaradas. 

Esta gloriosa acção foi dada aos limites 
4a M^liçay da Columbeira, t da Azambi^ra 
dos Carros. ^ 

(Vide Óbidos, TanoÊÍie e YimeurQ.) 

O general Loison» fue eaiava em Abran- 
lesj marchou sobre Olta e Alcoentre» jkara 
se unir a Laborde, e, perdendo a batalhada 
,R0liça« retjrj^u para Torres*Vedra8^ paca se 



unir ás tropas de Junot, que vinham da 
Lisboa. 

Em quanto Juaot occupava Torres-Ve- 
dras» sir Arihur Willesley marchava pelo 
caminho da Lourinhan, com o fim de apro- 
ximar-seda costa, para estar protegido pela 
esquadra ingleza, que andava nas aguas de 
Peniche e Ericeira, tendo a sua maior parte 
fundeada em frente da Atalaya. 

Nasceu na Roliça, a esposa do sr. Carloe 
José Caldeira (irmão do sr. conde de Casal 
Ribeiro) que falleceu, na sua casa de Chel* 
las, freguezia do Beato, a 29 de abril de 1877. 
Foi uma dama virtuosíssima, e de exemplar^ 
caridade. 

Deixou iOO^OOO réis para os pobres da 
freguezia do Beato, e 50^000 para os da Ro- 
liça : 450^000 réis ao asylo dos cegos^ da 
Castello de Vide; e alguns legados de 50^000 
réis a estabelecimentos de benficencia, tudo 
na importância deS.OOOJíOOOréis, incluindo 
os legados a parentes pobres. 

Deixou dois filhos. 

ROMANS—freguezia, Beira Alta, concellie 
de Satam, comarca e 24 kilometros ao E.de 
Viseu» 3iO ao N. de Lisboa, 255 fogos. 

Em 1757, tinha ilO fogos. 

Orago, Nossa Senhora do Valle. 

Bispado e disti:icto a()[ministrativo de Vi- 
seu. 

O real padroado apresentava o reitor, qoe 
tinha 80^000 réis de côngrua e o pé d^al» 
tar. 



O Portíigal Sacro e Profano (não sei 
que fundamento) dá a esta freguezia o nome 

de BOMARIZ. 

Pertence ao antigo concelho de (sulfauc^ 
(Vide Pwhevro d* Aguiar.) Fica sobre a mar^ 
gem esquerda do rio Vouga, em frente de 
Ferreira d*Ave8. 

Ha n'e8ta freguezia um alcantilado mame, 
chamado o Barrocal. Entre uns altos e es- 
cabrosos rochedos, está a capella de No9sa 
ãmtora das Bomans m doBafroeml^umáo 



1 A verdadeira invocação da padroeira, è 
Nossa Senhora da Purfílcação, ou ias Gan- 
daias, mas o povo dà^llie valgarmante o ti- 
tulo referido no texto. 



KOM 

ao lado do norte, rnn pequeno vaHe, regado 
por uma fonte de crystalinas e frescas aguas. 

Tarios caminhos, todos pedregosos, ^o 
dar á capella^ e um dVlles é o do povo do 
Carvalha], para a matriz; qoe passa mesmo 
junto da ermida. Ao E. d*esta, se vêem umas 
easas térreas, residência do eremitão^ com 
uma horta e pomar contíguo, murados, e 
sobre um despenhadeiro. 

O templosinho é bonito, e todo construído 
de pedra de cantaria. 

Ignora-se quando foi constraido o prlmit* 
Uto : o actual, é uma reconstrucçio desde 
08 ftlicerees^ feita por ordem do bispo de Yi- 
wa, D. J^ãe de Mello. 

Tem em volta uma sapata ou banqueta 
para commodidade dos romeiros. Também 
solliciíott para esta capcila um grande le- 
gado que deixara Maouel de Figueiredo, 
&Uecido na povoa<gâo de Mariquita (Gastei- 
la) e natural do logar de Decermillo, ou 
Sermiilo, entlo concelho de Gulfar, fregne- 
zia annexa a esta de Romans. Este homem 
era mnit» rico, e não tloha herdeiros força- 
dos; pelo qu^, por testamento, deixou a 
maior parte dos seus haveres, para que com 
elles se fundasse um mosteiro de monges 
benedictlnos. 

Às riquezas do testador estavam porem 
nas garras dos castelhanos, e nao era fácil 
arrancar d'ellas a herança. Apenas, depois 
de muitas diligencias do bi^po, e contesta- 
ções dos castelhanos,^ se poude cobrar o suf- 
ficiente para reconstruir a ermida, e com- 
prar alguma fazenda, que rendia annual- 
mente ^ SO^OOO réis, com o que D. João de 
Mello instituiu umacapella de missas, a pe- 
quena côngrua do eremitão, a sofficiente 
renda, para custeio dos reparos e conserva- 
^ da ermida, e os paramentos necessários 
para o culto divino. 

São administradores da ermida, os provi- 
sores do bispo de Viseu. O eremitão era até 
1831 apresentado pelo parocho da fregue- 
zla, e confirmado pelo binpo. 

As esmolas são para o eremitão. 

A imagem da Senhora é de pedra d*An- 
çan 6 tem 0",77 de alto : é de boa esculptu- 
ra, 6 a festa se lhe faz no seu dia próprio, 
que é a 2 de fevereiro. 



ROM 



225 



ROKiO— portnguez antigo^romano (de 
Roma.) 

ROMÃO (S) — monte. Douro, nos limites 
das freguezias de Eiriz, e S. Pedro Fins de 
Ferreira, no concelho de Paços de Ferreira, 
comarca de Lousada. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo do Porto. 

Fica este monte 3 kilometros ao S. dos 
rios Áve e Yisella. Tem bastante altura, e 
deve o seu nome a uma ermida de S. Ro- 
mão, que alll existiu, e da qual ainda ha 
vestígios. Corre o monte de N. a S., e pela 
sua posição elevada, se descobre d*eUe um 
vasto horísonte. 

No seu cume ha um plató, onde existiu 
uma antiquíssima cidade, ou povoação, e a 
cujo sitio dá o povo o nome de Cidade Ve- 
lha, Era esta cercada de um bom muro» 
com uns 1:S00 metros de eircumferéneia, e 
de i,"54 de espessura, e ainda no princípio 
d'este século conservava a altura de 0,"»66. 

No seu âmbito ha ruinas de pequenas ca- 
sas, e vestígios de ruas, estreitas e ladrilha- 
das. No centro ha uma elevação, cercada de 
outro muro da mesma grossura do antece- 
dente, e dentro do seu âmbito, se vêem ruí- 
nas de algumas casas maiores, e de um eas- 
tello, ou fortaleza, de forma circular, e de 
boa cantaria. (É outra Citania,) 

Fora do cinto de muros exteriores, a uns 
400 metros de distancia, ao N. e ao S., se 
vêem. vístigios de trincheiras. 

Em um valle próximo, se descobriu, DO 
principio do século passado, uma grande 
cova, tapada com uma pedra redonda, com 
um orifleio quadrado. A cova é fechada de 
abobada, de óptima cantaria, e tem grande 
profundidade. 

Perto d'esta cova, está um penedo gigan- 
tesco, tendo no centro um grande buraco, 
redondo, também muito fundo. 

A uns 1:200 metros ao E. da Cidade Ve- 
lha, ha um penedo redondo, que tem gra- 
vada a seguinte inscripção : 

COS. NB. AB. 
P. S. 

Esta fica ao lado do E., e no lado op« 



â^ 



ROM 



posto, ha OEtra, da qual apenas pôde lér- 
86 : 

FIDV PIC. 

No centro das ruinas da tal cidade, se 
achou também no principio do século pas- 
sado, a estatua de uma mulher, com uma 
roca na cinta. O povo a quebrou, por enten- 
der qne era um ídolo pagão! 

Pela solidez e perfeição dos muros, casas 
e castelio, supp5e-se ser isto tudo constrnc- 
ção romana. 

ROMÃO (S.)— aldeia, Minho, comarca e 
concelho de Yilla Nova de Famalicão. É a 
3.* estação do caminho de ferro do Minho, 
e fica entre as estações da Trofa, e Erme- 
sinde. 

ROMiO (S.)— Vide Nogiieira, do conce- 
lho da Barca, e a 2.* Quintella. 

ROMÃO (S.)— aldeia. Douro, no concelhQ 
de Vagos, comarca, dístricto administrativo, 
bispado e 12 kilometros ao S O. d* Aveiro, 
40 ao N. de Coimbra, 250 ao N. de Lisboa. 

fi povoação muito antiga, e já existia no 
tempo do conde D. Henrique, pae de D. Af- 
íonso I. 

Era uma parochia cujo eragofoi S. Ro- 
mão, e os croiios de Grijó apresentavam 
o cura, que tinha 60/000 réis de rendi- 
mento. 

Pertencia então (como todo o bispado de 
Aveiro) à dioc^^se de Coimbra. 

D. Sancho I deu o senhorio doesta fregue- 
zia) a D. João Fernandes; e D. Fernando Juão 
filho dVste, doou o senhorio ao santuário de 
Nossa Senhora de Vagos, em 1202. Depois, 
passou o santuário e o senhorio de S. Ro- 
mão, para o mosteiro de cónegos regranies 
de Santo Agostinho (cruzios) de Grijó. 

A povoação de S. Romão, foi villa.e cou- 
to, ao qual o rei D. Sancho I deu foral, em 
1190, quando a deu a D. João Fernandes. 

ROMÃO (S.) (de Dadim)— Vide Nogueira 
e Dadim. * 

ROMÃO .(S.) (de Côa) — freguezia, Beira 
Baixa, comarca, concelho e 5 kilometros ao 
S,de Céa (foi do mesmo concelho, mas da co- 
marca de Gouveia) 70 kilometros ao E. de 
Coimbra, 265 ao E.N.E. dô Lisboa, 430 fo- 
gos. 



ROM 

Em 1757, tinha 880 fogos. 

Orago, Nossa Senhora do Socoorro. < 

Bispado de Coimbra, dístricto administra- 
tivo da Guarda. 

O real padroado apresentava o prior, que 
que tinha 460^000 réis da rendimento. 

Foi villa e couto, ao qual o rei D. Manuel 
deu foral, em Lisboa, a 24 de Janeiro de 
1514. (Livro dos foraei novos da Beira^ 11. 
137, col. 2.*) 

Está esta freguezia situada nas faldas da 
serra da Estreita, e passa-lhe pelo meio, o 
rio Alva, aqui atravessado por uma boa 
ponte de pedra, chamada ponte do Peramal* 
Mais abaixo ha outra ponte, também de pe* 
dra, chamada Ponte d'Alem'd*Alca. 

É terra fértil, 

Grande abundância de gado, principal* 
mente miúdo, mnita caça, grossa e miuda^ 
e peixe do rio. 

Ha aqui duas boas fabricas de t?cído8 de 
lan, produzindo pannos de varias qualida- 
des, e cujo propulsor é a agna do rio. 

O primeiro nome d'e8ta freguezia, foi Ca^ 
beça de Romão. 

rei D. Manuel, deu o senhorio d'esta 
villa ao l.** conde de Portalegre, D. Diogo 
da Silva; mas depois tomou para a coroa. 

A jextiocta villa de S. Romão de Céa, fica 
entre as, também extinctas, villas de Mello 
e Santa Marinha. 

Ao N.E. da povoação, está a serra do 
mesmo nome da freguezia, e n*ella, a uns 
500 metros do logar, está um nicho aberto 
na rocha, no qual, segundo a lenda, appa- 
receu uma Imagem de Nossa Senhora. Mais 
adiante, cerca de 15 metros, está outro ni* 
cho, em outra penha, onde se diz appare* 
cora uma imagem do Menino Jesus. Ainda 
mais adiante uns 100 metros (no sitio onde 
hoje está a capella) é fama ter appareeido 
uma imagem de S. Jo.<(é. 

Esta ermida fica a uns 20 metros da mar** 
gem do Alva, e a 3 kilometros para N.E. do 
povo de S. Romão. Foi construída logo de- 
pois da apparição das santas imagens, e pe« 
los annos de 1650, e posto que seja dedicada 

1 O seu primeiro orago foi S. Romão. 



ROM 

â Sagrada Familia, se deu à padroeira o ti- 
tulo de Nossa Senhora áo Desterro, alladia- 
do à saa fugida para o Egypto. 

Em poueos aDDos se tomon a capella«de 
Nossa Senhora do Desterro, um dos mais 
famosos saoctuarios da Beira Baixa, e, com 
1^8 oíTtírtas, esmolas e doações dos fieis, não 
8Ó se aformoseou o templo» como também 
se construíram casas e cerca para residência 
do eremitào, e para abrigo e hospedagem 
dos romeiros. 

Está a cgreja em logar solitário, mas ale- 
gre e ameno no verão. O parocbo da fregne- 
zia, é que apresentava o eremitSo. 

Alem do templo da Senhora,- se teem eons 
truido varias capellinhas, um bom chafariz 
e uma boa ponte de pedra, sobre o Alva. 

A romaria de Nossa Senhora do Dester- 
ro» é uma das mais concorridas da provín- 
cia. 

Vide Cêa, principalmente a 
3.* col. de pag. 222, do 2.° vo- 
lume. 

ROBIÃO (S.) — freguezia, Alerotejo, co- 
marca e concelho de Monte-Môr-Novo (foi 
do mesmo concelho, mas da comarca de 
Arraiolos)^ 35 kilometros de Évora, 90 ao 
S.E. de Lisboa, 75 fogos. 

Em 1757, tinha 66 fogos. 

Orago, S. Romão. 

Arcebií>pado e districto administrativo de 
Évora. 

A mitra apresentava o cura, que tinha 
180 alqueires de trigo e 62 de cevada. 

No districto d*esta freguezia, é a il.* es- 
tação do caminho de ferro do sul e sueste, 
officialmente denominada de Monte-Mór- 
Novo. 

É terra muito fértil em cereaes. 

ROMÃO (S.)— freguezia, Alemtejo, comar- 
ca de Exireraoz, concelho dé Vi lia Viçosa, 
54 kíiom('tros de Évora, i55 ao S.E. de Lis- 
boa, i50 fogos. ^ 

Em 1757, linha 79. 

Orago, S. Romão. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Évora, . 

A mitra apresentava o cura, que tinha* 
180 ;ilqueires de trigo e 90 de cevada. 

É terra muito feriíl em cereaes. 



fíOM 



227 



ROMÃO (S.) — freguezia, Beira- Alta^ co** 
marca e concelho de Rezende— foi do mes* 
mo concelho, mas da comarca de Lamego, 
d'onde dista 12 kilometros* ao O.N.O., 360 
ao N. de Lisboa, 180 fogos. 

Em 1757, tinha 85 fogos. 

Orago, S. Romão. 

Bispado de Lamego, districto administra* 
tivo de Viseu. 

O reitor de Anriade, apresentava o cura, 
que tinha 40if 000 réis de côngrua, e o pó 
d*altar. 

ROMÃO (S.) —freguezia, Minho, comarca e 
concelho de Barcellos, 24 kilometros ao O. 
de Braga, 375 ao N. de Lisboa. 

Em 1757, tinha 16 fogos. 

Orago, S. Lourenço. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

O real padroado apresentava o cura, que 
tinha 30|i000 réis e o pé d'aliar. 

Esta freguezia foi supprimida, por pe- 
quena, no principio d*este século, e unida â 
conGoante. 

ROMÃO D£ NEIVA (S )— Vide Neiva. 

ROMÃO.— Vide Poço Romão. 

ROMÃO (S.)—- pequeno rio, Rxtr^madura, 
que dá origem ao Sado. Vide esta palavra* 

ROMÃO (S.)— Vídè Sádam (S. Romão do.) 

ROMÃO (S.)— Vide Coronado (S. Romão 
de.) 

ROMÃO (S.)— pequeno rio. Douro, na fre* 
guezia de S^ Romão de Coronado (a antece- 
dente) da qual toma o nome, e morre no 
Ave, depois de um pequeno curso. 

ROtoÃO (S.)— logar, Alemtejo, na fregne« 
zia e concelho de Alvito, comarca de Cuba. 

Vide o 3.» Alvito. 

Fica junto e ao S. de Alvito, 4 kilometros 
de Villa Nova da Baronia, 5 de Vianna do 
Alemtejo, 4 de Villa-Ruiva, e 5 de Villalva. 

Foi n*este logar o primittivo assento da 
actual villa de Alvito, da qual o l."" nmne 
foi Villa Nova de Alvito, e é como vem de* 
signado nos foraes. 

Ainda existe a antiga egreja matriz, de- 
dicada a S. Romão (cujo padroeiro deu a 
primeiro nome á freguezia) e está hoje re- 
duzida a capella, da invocação de Nossa Se- 
nhora da Graça. 



SâB 



ROM 



O parocho da fregnezía de S. Romão, e 
depois o de Alvito, foi, até 1834, um frade 
do mosteiro da Santíssima Trindade, de 
Santarém, apresentado pdo ministro do 
mesmo mosteiro, que era commendador 
d*esta egreja. 

O paroçho tinha dOOiSOOO réis de rendi- 
mento annual. 

A Tilla, quando era em S. Romão, pro- 
longava se até à horta das Adegas^ onde 
existia o palácio de Estevam Annes, 6 no 
quintal d'elle havia uma tão grande parrei- 
ra, que chegava á egreja matriz (S. Ro- 
mão). 

A abobada d^^este palácio abateu em 1872, 
e o resto do ediíicio foi demolido. 

A primeira fonte dá villa de S. Romão,^ 
Ibi na horta das Adegas. 

Gom o correr dos tempos, foi- se a povoa- 
^ estendendo para o lado de Santo Antó- 
nio, ao norte. 

AiDda aqui não parou a povoação, e se 
foi povoando o terreno, sempre na direcção 
do norte, até ao sitio da villa actual. 

Ainda ao sul da capella de Santo Anto» 
nio, se v^em muitos alicerces de casas, no 
sítio onde hoje são os ferragiaes. 

Tem, por varias vezes, n*estes contornos 
appatècido esqueletos humanos, completos 
e bem conservados; e quando se abriram as 
eovas, para plantar amoreiras, no rocio de 
S. Sebastião (onde está a capella d'este san- 
to) acharam alli grande quantidade de os- 
sos, que se julga serem dos habitantes da 
Tília (então florescente cidade romana, cujo 
nome se ignora) assassinados pelos bárba- 
ros do norte, no principio do século v, e que 
arrazaram a povoação. 

De quasi todos os pontos de Alvito, se 
Téem as ruinas do castello de Villa-Ruiva. 

O outeiro do S. Miguel, junto à villa, é de 
de bastante elevação^ e do seu topo se vé 
Beja, Cuba, Farinho, Villa Ruiva, Villalva, 
Portei, Agua de Peixes, Ferreira, Alfundão, 
Beringel, Vilia Nova da Baronia e Odiyel- 
las. 

Houve n'e8te monte a ermida de S. Mi- 
(uei, archanjo (que lhe deu o nome) a qual 



ROAÍ 

foi vendida e profanada. É hoje um moinho 
de vento t 

Principia n*este monte, a serra de Muxa- 
gata, e n*eila e no monte, ha vários moinhos 
de vento. 

A parte da serra de Muxágata, que per- 
tencia à freguezia de Alvito, foi aforada^ em 
eourellas, aos seus moradores, em 1863, e 
acba-se hoje cultivada, produzindo trigo, 
batatas, cevada, vinho, azeite e outros Uru- 
ctos. 

A outra parte da serra, pertencente á fre* 
guezia de Villa da Baronia, também foi afo- 
rada, em 1874. 

Tanto o logar de S. Romão, como a villa 
de Alvito, são muito saudáveis; e tanto que, 
havendo nas freguezias circumferentes uma 
epidemia de varíola (bexigas) que duroa 
muito tempo, e fez bastantes victimas, aqai> 
raríssimas pessoas foram atacadas, enenhu- * 
ma falleceu. 

A planície em que está fundada a villa, é 
em sitio elevado, e é essa a cansa da sua 
salubridade. 

Efttá cercada de olivaes, principalmente 
ao N., onde o olival chega aié Vianna. 

O rio Odivellas, que rega esta freguezia, 
nasce nas immediaçoes de Portel, sendo até 
Oriolla um pequeno ribeiro. Principia aqui 
a engrossar, e passa por Villalva, Villa-Rai« 
va, Alvito o Odivellas, e desagua no Sado. 

As suas aguas fazem mover as rodas de 
muitos moinhos e lagares de iizeite. Traa 
peixe. 

Em 1873, fechou-se a opulenta fonte da 
praça de Alvito, conduzindo-se a sua agua» 
por um aquedacto subterrâneo, para as no* 
vas fontes e tanques públicos; hindo os seus 
remanescentes desaguar no rio Odivellas, 
depois de servirem de motores a nove a£6« 
nhãs e regarem varias hortas. 

Além d'este aqueducto, mandou a cama- 
rá construir um amplo canal, para dar va- 
zão á agua no inverno, porque então, é em 
tão grande quantidade, que, antes d'esta 
obra, eram frequentes as inundações na vil- 
la. Este cano conduz a agua ao ribeiro das 
Graves, que morre no Odivellas. É todo de 
robusta cantaria. 



ItOM 

« 

- O largo da Trindade, foi todo plantado de 
amoreiras, em 1863. 

A estação do caminho de ferro, fica a i 
kilometro da tilla, e ha para elia uma t>oa 
estrada moderna, à mac-adam. É um bonito 
passeio. 

O cemitério foi feito á casta da camará, 
em 1855, e dentro d'elle está a capella do 
Senhorias Almas, que é a antiga ermida de 
Nossa Senhora dos Martyres. É fechado por 
um portão de ferro. 

Janto à egreja da Misericórdia, está a ca- 
pella de Nossa Senhora da Purificação (ou 
das Candeias.) 

No largo de Santo António, está* a egreja 
do mesmo santo^ que foi de um] mosteiro 
de frades capuchos antonínhos, snpprlmido 
muitos annos antes de 1834. 

Junto á egreja existe um ferragial, que 
ainda conserva o nome de Cerca de Santo 
António, e era a do mosteiro. Próximo está 
um lagar de aceite. 

O edificio do mostenro, estando em ruínas^ 
foi demolido pelos annos de 1790. 

Ha na villa dez lagares de azeite. 

No centro da villa, é o largo do Relógio, 
onde está a casa da camará, com todas as 
accommodações para as sessões municipaes, 
administração do concelho^ repartição de 
&zrada e cadeia. 

N'este mesmo edificio está a biblíotheca 
publica municipal, que já cont^ uoQa boa 
porção de Mvros, e a camará emprega em 
eada anno uma verba de lOOMOO réis, para 
hir augmentando a livraria. 
^ No andar térreo, se vende a carne e o peixe. 

N'e8ta casa da camará existe, bem con- 
aervado, o brazão de armas da villa, que é 
um touro louro em campo de púrpura, com 
imia aranha no focinho. Segundo a tradição 
popular, o toaro qae deu cansa a estas ar- 
mas, fugiu para um vasto silvado, e de lá 
aahiti, com uma grande aranha no focinho. 
Quando se deu este caso, ainda a villa era 
êm S. Romão. 

. Note-se porém qúis as armas of/iciaes da 
Tilla, se vêem em todos os livros desenha- 
las de outra maneira. 
. Yidè no vol. 1.% pag. 182» col. 1% a ulti- 
iaàbiluu 

Youna ^nn 



ftOM 



22d 



Para se evitarem repetições» 
é preciso ver o 2.» Alvito, na 
2.* col. de pag. 180, do l.« vo- 
lume. 

ROMÃO (S.) (de Briteíros)— monte, do 
Mihhp, nas freguezias de Santo Estevam e 
Nossa Senhora da Piedade, de Briteiros^ co- 
marca e concelho de Guimarães. 

Já nas duas mencionadas freguezias, e na 
palavra Citania (vol. 2.S pag. 308^ col. 2.») 
fallei da hoje famosa cidade a que se dá o 
nome (<iuanto a mim genérico) de Citania; 
mas depois da publicação do 2.<' volume^ o 
sr. dr. Francisco Martins Sarmento, de Gui- 
marães (dono da quinta de Briteiros, a 3 
kilometros das Taipas, e da maior parte do 
monte de S. Romão), levado pelo simples 
amor da sciencia, tem, á sua custa, feito 
grandes excavações e descobertas no refe- 
rido monte, com o que tem prestado um 
relevantissimo serviço á archeología^. 

É por isso que eu aqui tomo a fallar na 
cidade morta do monte de S. Romão. 

Em primeiro logar, vejamos, em resumo^ 
o que diz D. Jeronymo Contador d'Argote, 
nas suas Memorias para a historia ecclesias-' 
tica de Braga, tomo l!!% pag. 457 : 

(Este livro foi publicado em 1734.) 

A légua e meia (9 kilometros) ao O. de 
Guimarães, e a mesma distancia ao N.E. de 
Braga, no alto de um monte, junto ao rio 
Ave^ 3 kilometros a E. da estrada que con^* 
duz de uma a outra d'estas cidades, estão 
umas minas a que o povo dá o nome de 
Citania. 

Segundo alguns historiadores, são os res- 
tos da cidade romana de CinaniaK 

O monte de S. Romão, é bastante alto e 
muito despenhado do lado do E., S. e O. 
Pelo N., communica com outros de inferior 
altura. 



1 O mesmo esclarecido cavalheiro, tem 
feito, também á sua custa, grandes excava- 
ções e valiosíssimas descobertas no monte 
de ISabroso, qoe fica próximo ao de S. Ro^ 
mão. Vide Sabroso de Briteiros. 

2 Ptolomeu diz que o Avus (Ave) corre i 
vista da cidade de Cinania, Oa houve uma 
cidade chamada Citania e outra Cinania, 
oa Ptdemea lhe adalterou o nome. 



15 



aao 



hm 



Do E. (4o lado do Ave) se subia por uma 
calçada, muito larga e aipda hoje pouco 
^amniGcada» e coberta de matto, que hia 
até ao alto do monte, e abi o rodeava. 

iPelú Qorte se vêem vestígios de dois ba- 
luartes de forma circular. Junto d*um d'elles, 
§e vêem vestígios de outra calçada» que su- 
bia da parte do 0., e dá indicio de ter sido 
estrada coberta. 

A povoação era no alto do monte, onde ha 
yesligios de casas, pela maior parte, redon- 
das, e construídas de pedras miúdas. 

As ruas eram estreitas, não cabendo mais 
de duas pessoas a par (1); só uma, que corre 
de £. a 0., e atravessa toda a povoação, tem 
^rgura para quatro pessoas em linJ^a. 

Ao S., está uma casa, que é a maior, e se 
acha ainda com paredes de dois ou três pal- 
mos. Parece ter sido templo, e affirmou um 
individuo^ que, pelos annos de 1700, ee lhe 
viam arcos subterrâneos, os quaes, um chan- 
tre de Braga, desfez, para levar as pedras 
melhores para uma sua quinta; entre as 
quaes foi uma de mármore, da qual adiante 
se trata. 

l As ruinas da povoação estão cingidas por 
uma muralha de 2,»20 de largo, e n'ella um 
portal da mesma largura. D*esta muralha, 
lilé outra que fica mais abaixo, ha a distan- 
cia de 30 metros. Ainda a iil metros de 
distancia ha outra muralha, todas da espes- 
sura da primeira. 

Segundo as informações de um arcbeolo- 
go que visitou estas ruínas, do lado do S. e 
O., por ser o monte despenhado, só tinha 
mna muralha ; mas do N-, por onde se com- 
muhica com outros montes mais baixos» ti- 
i^ha, na parte mais fraca, cinco, e no resto 
guatro, com bastidas, entre uma e outra mu- 
ralha. 

Eram obra muito bem acabada, e até^ em 
partes, romperam os rochedos a picão, com 
incrível trabalho. 

' Snlre divéfàas pedras aqui encontradas, 
^^^c}iou.uma, lio sítio onde existiu {im teip- 
lilo, pagão, òu ermida caiholica com esta in- 
scripção: 

XHVCVO 

Foi por essa occasião qUe se achou a ce- 
lebrada Pedra formosa,. O chantre di Si de 



ROM 

Braga, Ignacio de Carvalho, abbade de San- 
to Estevam de Briteiros, a mandou remover, 
para o sitio chamado o Poço da Olla, ondd 
esteve até ao anno de 1718, sendo então le- 
vada por li juntas de bois, para o adro da 
dita egreja de Santo Estevam. 

Tem esta pedra l^Gi de largura, 2,>42 da 
alto, e 0,'"44 de espessura. Do lado da frente 
tem diversos desenhos, de formas extrava- 
gantes. (Vide Briteiros, Santo Estevam.) 

Esta pedra está outra vez no seu primitr 
tivo logar, por diligencias do sr. dir. Sar- 
mento. 

Achou-se outra pedra, quadrada, com o 
lavor de um laço muito usado entre os ro- 
manos. Outra, também quadrada, tendo gra- 
vadas varias figuras, entre ellas, a de um sa« 
tyro, nú, com uma tocha na mão, e por trai 
dVlle outro, também nú, com os braços es- 
tendidos. 

O doutor Barros, nas suas Antiguidades 
de Entre Douro e Mnho, diz que houve eon 
Gitania, um moimento muito velho, que 
constava ser a sepultura do rei Wamba. ^ 

Concluo Argote que houve aqui povoação 
romana, que ainda existia no tempo dos sue- 
vos, dos godos e dos mouros. 

Ainda no livro S.^" (2.* edição) de Anlí-. 
quitatibus conventus bracarangustaniy a pag, 
166, diz o padre Argote, em summa, o que 
segue : 

Quasi todos os nossos geographos e histo- 
riadores asseveram que, em un» monte que 
fica entre Braga e Guimarães, existiu a anti-, 
quissima cidade de Cinania, que já era illus- 
tre pela intrepidez de seus habitantes, antes 
da expedição do cônsul Deoio lunio Bruto* 



t Nao foi sppuUura do rei Wamba, mas 
de um santo abbade, do mesmo nomes que 
talvez fosse parocho de utna freguesia dQ 
arcebispado de Braga, chamada Citania oa 
Gitania, da qual falia o concilio lucepse, 
convocado por Theodnmiro, rei dos suevos,' 
em 568, e portanto 114 annos depois que o 
rei WaoDha a]ȉicou a coroa, em Ervigo, 
(682) que havia adoptado. 
' Este abbade Waajba era o de um antigo 
mosteiro benedietino, cuja egreja é a actual 
mátris de Santa Leocadia de Briteiros: (Vi- 
de l.*" voL pag. 491, col. 2.*, no piánoipio.)L 



\^*~ 



fíOM 

«outra os lusitanos, no «mno 135 antes de 
Jesus Gbristo. (Vide 4.« vol^ pag. 93, col. 2.') . 
. Pondo Brnto um apertado cérco à cidade 
ie Cinania, e vendo qne a nâo podia tomar, 
mandoa dizer aos oereados, que por certa 
qnantia, levantava o sitio e os deixava em 
Uberdade. Os lusitanos responderam, qne os 
$eus antepassados lhes não deixaram ouro 
fora comprar a liberdade^ mas ferro para a 
defender. 

. Até aqni Argote. Vejamos agora o que o 
lienemeríto sr. dr Francisco Martins Sar- 
mento tem descoberto até à actualidade 
(1879.) 

Até dezembro de 1876, se tinham desco- 
l)erto muitas casas circulares, talvez obra 
dos antigos lusitanos. Teem uma só porta, 
alta, por onde se trepava por degraus mo- 

vForam achadas algumas escuipturas, com 
inscripçoes que fazem recordar o typo das 
antigas escuipturas cehicas-iriandezas. 

- Fragmentos de aiampadas; ampboras de 
barro saburtino; uma grande pedra, de 3 
metros de comprido por trez de largo^ co- 
berta de lavores similhaotes aos da eáade de 
ferroy as ultimas dos tempos pre-historicos. 

; Tem-se descoberto muralhas de 3 e4 me- 
tros de espessura. 

As casas que teem apparecido, sâo umas 
cireukfes, e outras quadrangulares, jà en- 
costadas a outras, jà separadas por um in- 
tervallQ de 0,'"45. Estão todas em um certo 
aUnhamento, e separadas por esti^eítas ruas,^ 
calçadas com lages de granito. 

> No alto 'da povoação houve uma pequena 
praça. 

' Todas as figuras e' ornatos qtie teem ap- 
PjBrècido, sãopre-roma&as, segundo demons- 
tra o estalo e a execução, e-tudo indtea tfaieh' 
aonteda esca){itura ainda èstatva' na í^^- 
ciiç*e o ttLKooMo das^ pedras' nloètraevi- 
deitomente b ^a» mota^antfguiâade^ • « 

App^receram também muitas pedras com 
crú^es^ gravadas de varias formas^ mas^ só^ 
umâ d'ella3 se parece com -o symbolo.do 
dttf stisuiisitao : eat^ poretdt parece ser dtf 
4poca mais moderna do tjue 7S'oifcr2i^. ""^ 



ROfíl 



tn 



Apparecem duas ordens de inscripçoes. 

sobre alguns fragmentos de barro^e^nc^ 
que parece ser padieira de uma porta, vé-se 
o nome Carnal, que parece celta, mas es* 
cripto em caracteres romanos. * 

Tem apparecído varias inscripçoes^ com 
caracteres desconhecidos (por emquanto). 
mas 03 alphabetos n'eilas empregados, é pro« 
vavel que sejam manifestamente os greco« 
italiotas. 

Acharam-se fragmentos de diversos va- 
sos que parecem romanos^ e até em muitos 
se lé o nome do oleiro que os fabricou; mas 
outros são tão toscos, que parecem mais an- 
tigos. Uns são fabricados do celebre barra 
saguntino, outros de uma argílla grossa ô 
mal preparada. 

Tem-se também encontrado as costuma- 
das fuzaiolaSy cujo destino é por ora tão 
disputado, mas que parece haverem sido da 
uso muito geral em todas as épocas antigas 
pois não ha excavação em que não appareçam 

Pela diminuta quantidade de telhas (fra- 
gmentos) que se tem encontrado, supp5e-so 
que as casas eram cobertas de colmo, e só os 
beiraes de telha. * 



1 É. provável que, se esta palavra não d-, 
de origem lusitana, a herdássemos do3 ceK- 
tas. O que é certo é que, no portuguez an-' 
tigo, aamal, cúmalho, e bacinete, era o mor- 
rião ou chapéu de ferro, de aço, ou de co*: 
bre, com que os antigo» guerreiros defen- 
diam a cabeça, doa golpes do inimigo. Aia- . 
da no- principio do IS."" século se dava o 
nome' de carnal (camaal) a esta parte da ar-' 
madura. .* ^ 

• Propriamente queria dizer babeira. D. 
João I, maodi)U dizer aos povos de Fre]|o 
de Espada á Cinta, em 1410, que escolhes- 
sem—ott ter às Cotas, ou peças com bacine^ 
tesideCaUiíciaest^ ou4êtabeifa;e com atam** 
JbrúQO^ (ké$ta.de gar rocha) pu ter as-sôlhoê [ 
(espécie aeipóta^.gaaroecidasde laminasdo 
aço, do feitio de solhas, peixe) e gorgelm ^ 
(depois dissesse gorjat ou gorgueira—evíi a 
peça da armadura que defttndia •'pesodço)*» 
qual antfis ,quiz,$ts^m, .tal tenkãOr (D(M%4ik 
Câmara de Freixo de £spada á Gjinta, da.* 

2 Talvez -^feèsán, na máxima paile; feita»-" 
d»^al|o^da, em i|i8ta da grande quantldada 
de^pcdra.Cac^aAs^ que .appj^rece'; ^ ^ísa^rar : 



S3â 



ROM 



Achain-se maitas mós e andaâeiraSy o que 
prova qae este povo fazia uso diário do pão. 

Os objectos de metal encontrados, são em 
pequena quantidade, e tão oxidados, que 
não ó fácil determinar-lhes as formas. Pela 
mesma razão se não pôde verificar eviden- 
temente, a matéria de qae foram construí- 
dos, mas parecem de cobre e ferro. 

As moedas apparecidas, também são pou- 
cas e todas celtibericas; duas, porem, teem 
a palavra Augusto. 

Em agosto ou setembro de 1876, desco- 
feriram-se 17 sepultaras, formadas de pedras 
pequenas^ e contendo vestígios d*ossos, mis- 
turados com terra, cacos e carvão, e fra- 
gmentos de diversos metaes. Todas foram 
acbadas no sitio da primittiva capella de S. 
Bomão, da qual ainda ha vestígios. Duas es- 
tão mesmo dentro do âmbito da capella, o 
que faz suppor que são de uma época mais 
moderna^ e jazigo de christãos : talvez do 
tempo dos suevos. Trez ou quatro sepultu- 
ras, são de grandes dimensões: as outras 
são pequenas, sendo as maiores de um me- 
tro de comprido. 

' Em vista da robustez e espessura das mu- 
ralhas do N., é de snppor que esta cidade ti- 
yesse muitos seenlos de duração; porque não 
flè fitiam tão solidas eonstrueçSes para uma 
i^ideneia ephemera. O mesmo attesta a boa 
cpnstrucçâo das casas» e o calcetamento das 
praças e raas. 

Tem-se achado fragmentos de vidro^ e es- 
corias de forja, e alguns, poucos, objectos 
de prata; cobre e prata, com esmalte; e 
ouro, eom liga de cobre. 

Iguora-se quem foram os ftmdadores^ e 
quem 08 destruidores d'esta povoação; o que 
86 conhece é que não foi o correr dos seca 
los, mas a mão do homem, que a destruiu. 

£ provável porem que os seus fundadores 
fossem os gallos-celtas (ongaUici) que deram 
o nome á (ialliza. 

Bsu GiUnia estava no dlstricto da tríbu 
Umacana (vide Canavezes) uma das que 
a^ou a construir a ponte de Chaves. 

Segiudo alguns areheologoe^ o nome pró- 
prio â*e8ta cidade (eireumscríp^o) era Bri* 
Ulna t diiia-S6 i citumía ã9 Btikirot. ott 



ROM 

cUania dos Briteiroi, dando-se aos povot 
d'63tes sítios o nome de hriieiros^ nome qam 
ainda conservam as freguezias de Santo Bi« 
tevam, Santa Leocadia, e S. Salvador, todat 
n*esta localidade e contíguas umas ás outrâs. 
Será assim, mas briteiros parece-me pala» 
vra muito moderna. 

Já em 1873 disse, a pag. 309, eol. 2.% d» 
2.* velame, que, em vista do numero de ci- 
dades da Península chamadas Citania^ me 
parecia que este nome não era próprio outf 
genérico. Tive a satisfação de ver qoa, em 
1877, o fallecido académico, marquez áè 
Souza Bolsteín, e o sr. Simão Rodrigues Fer** 
reira ^ foram da minha opinião. 

Desde o Estreito de Gibraltar, até á noiía 
actual Extremadura, bouve no litoral variaa 
cidades com o nome de Carteia^ o que dm 
faz suppor que esta palavra era termo ge- 
nérico, e significava cidade marUima. (Vide 
Carteia, Peniehe—íí pag. 619, ool. 1.* do 6.* 
volume— e Meridiano, 

No interior do reino, houve também va- 
rias Ct^anías— lembram-me as seguintes-^ 
1.% esta de que estamos tratando— 2.% a da 
Róriz-^Z.^ a do monte da Satã— 4.% a da 
Bayão. 

Estou pois convencido, que, assim coma 
carteia significa cidade maritima, dkMtn 
queria dizer cidadã de interior. 

Também ha duvidas quanto á etymologiJi 
da palavra ofanto. 

Do que fica dito se collige que esta povoa- 
ção foi fundada nos tempos pre-historieos^ 
que continuou par toda a época dos antigoa 
Insitanos e gallos-celtas, e que floresceu no 
tempo dos romanos, depois de pacíficos se» 
nhores da Lusitânia. Mas quem a deatmiuT 
—Talvez os suevos, vândalos e wisigodoi^ 
no século quinto. 

Entre os gallos-celtas, cUom, signifleavft. 
cidade ou povoação, como tem era synoniaM^ 
de paiz, ou i^io. Nas ilhas britânicas, og^ 

^ Recommendo aos meus leitores o folhetim 
publicado por este esclarecido cavalheiro^ 
em junho de 1877, na typographia do Com- 
meroio do Porto t nm^todo muilo iitferea» 
santa a Gorioaissifflo. 



tUm tinha a mesma significação (e talret 
iMsem 08 bretões ingleies que introdoEíram 
o termo nas Gallías^ quando, atravessando o 
UDaaú da Mancha^ se foram estabelecer na 
Armoriea, cujo nome mudaram em Bretã* 
Idia. (Vide Druidas.) 

* Da palavra tan, se fèz tania e é d*estes 
dois termos provavelmente que se deriva— 
Indostan, Turkestan, etc, e, Lusitaniaj Pen- 
^ikania, Marcomania, Sarmania, ele. 



ROM 



n% 



Porei aqui termo a este artigo, apezar de 
ktver sobre o que fica dito matéria para um 
grosso volume; mas se as pessoas dadas aos 
istndos archeologícos se deleitavam com 
«lies, as mais— e sao a maior parte — 
aeham-os sobremaneira enfadonhos e sopo- 
rilleos. 

ROMÃO (S.) DE ARMÂMAR-freguezia, 
Beira Alta, comarca e concelho d*Armamar 
(foi do mesmo concelho, mas da comarca de 
fjamego— 12 kiiometros de Lamego, 335 ao 
K de Lisboa, 120 fogos. 

Bispado de Lamego, dístricto administra- 
tivo de Viseu. 

Bm 1757, tinha 80 fogos. 

Orago, S. Romlo. ^ 
' O povo apresentava o cura, que tinha 
S4M00 réis de côngrua e o pé d'aliar. 
' Bstá esta freguezía situada entre as de S. 
Thiago^ que ihe fica a E., e a de Toes, que 
fica a O. 

É composta de quatro aldeias : 
" Travaiso^ em uma eminência, e onde 
68tá a eapella do Espirito Santo, e no dia da 
ima festividade, vem alli os parochos de al- 
gumas freguesias, em clamor, com as cru- 
zes levantadas, e se reúne então um grandò 
arraial. 

ÁkmKe^ ^ e aqui está a eapella de S. Gon- 
^0. 

^ O padroeiro é advogado contra a hydro- 
l^kobla, e a sua festa é a 9 d'agosto. 
. . O povo também recorre á sua intercessão^ 
para a cura das sesões, e para afastar as tro* 
voadas : e quando as ha, collocam o santo 
entre doas vetlas, à porta da egreja, crendo 
fPEe» asam* a trovoada desapparece. 

a Q verdadeiro nome d*esta aldeia» é ^- 
Cfmço, que no portuguez antigo significa $ul, 
OCt que está do lado do suL 



Pa$$ô$y existe aqui a eapella de Nossa Se-^ 
nhora da Boa-Morte, na qual ha— entre oa* 
trás — três admiráveis imagens — a da pa« 
droeira— a do Senhor da Agonia— e a de Sw 
João Baptista. 

5. RomãOy onde está a eapella de Nossa 
Senhora do Direito, vulgarmente denomina- 
da Senhora da Cosiam por estar em um serro. 

Junto d*esta eapella, e em sitio arejado a 
salubre, é que foi construído o cemiteria 
parochial, bastante espaçoso, e com extea* 
sas vistas para o E., O., e N. 

Ha n*esta freguezía, uma pia usança, simt* 
Ihante á da Lourinhan (4.<* vol., pag. 463^ e 6 
—quando se precisa de sol, é o padroein^ 
da freguezía conduzido em procissão á ca-^ 
pella da Gosta, e alli fica até cessar a cha- 
va; e quando esta é continuada, tornatn a 
levar o santo para a eapella até vir tempo 
de soL 

É opinião de muitos dos meus leitores^ 
que sou um segundo frei Bernardo de Brito^ 
semeando milagres n*esta obra, com a maiot 
prodigalidade. Ê engano. Creio firmemente 
que a Deus nada é impossível; mas, nem os 
milagres que refiro, os dou como taes, nem 
obrigo pessoa alguma a crer n^elles ; mesma 
porque não são pontos de fé. Relato esses 
factos^ e nada mais. 

Aqui vão pois dois factos acontecidos n'es» 
ta eapella de Nossa Senhora da Costa. 

A sécca esterilisadora do anno do 1874^ 
aterrou a maior parte do povo portuguei^ 
principalmente os lavradores. 

Os parochianos de S. Romão de Armamar» 
recorreram— na forma do costume— á sua 
antiga devoção. No dia l."* de setembro doesse 
anno, levaram o seu padroeiro, em procis- 
são, i eapella da Senhora da Costa, e logo 
no dia 3 choveu abundantemente. No dia 4» 
conthiuou a estiagem. 

Na terça feira, 15 de agosto de 1S76 fo 
ultimo anno de sécca geral n*este reino, na 
período de três annos) também o povq da 
freguezía levou o padroeiro á eapella da Se- 

« 

Afcouev, é corrupçlo de Alcouço. 

Portanio o nome da povoado não ê sy^ 
nonimo de prostibuio^^ mas de cousa aia 
está do la^ do melo-dia. (Documentos aos 
séculos Xív 6 XV.) 



m 



m/^ 



nhora, no ufíeio de um calor iote{ts|^iiSíf^ e 
sem haver b menor iDdício.4e cl^aya. 
' No. dia seguinte, apparêceracp algumas 
nuvens, e 90 diai7 choveu .torrencialqienilie 
][ior estes sítios, e o calor diminuiu. 

A egreja matriz está na aldeia de & Eo- 
inaò. 

Sstava muito arruinada, m^s o reverendo 
parocho actual^ o sr. Manuel Alves dpa^.Reis, 
PH^esídente. da junta de parochia, e 0^, mem* 
bros, os srs. doutor Joào Mar j.a Mergulhão 
Meves Cabral^ e padre António Áu^to ^into 
de Carvalho, com o maior zello q soUicitu* 
de, mandaram reparar a templo copvenien- 
Wmente, e está hoje no máximo aceio, (k 
mesmos cavalheiros lhe compraram ficos 
paramentos e alfaias, 

A sachristia á magQiâca, tanto pela sua 
amplidão e altura, como pela abundância de 
luz,; % sobretud9, pela^ primorosas, moldu- 
)ras .e relevos das madeiras qne a revestem 
)[xas paredes interiores do lado do norte, 
onde ha um nicho em que está coUoçado um 
ÇruciQxo^ de excellente esculp^ura.. 
. . j^ndaháo em yisiia, o bispo de jLamego^ 
V, ^Qão Anto^ió Binet Pinto, aífirmou que 
em todo o bispado, nào achara em nenhuma 
treguezia! rural uma sachristia que egualasse 

As pinturas do tecto da egreja, sâo tam<- 
bem primorosas, e as sybillas qujo adprfiam 
V capella-mór, são. geralmente ádnjúrad^^ 
lião só pela sua perfeição, como.pela anti- 
Ijuidade quç revelam. 

Coin efTeito-restá frèguezia é n^ uito ai^itiga. 
I)e uma renhida jdemanda que houva no sé- 
culo Í7.% sobre a quinta do BibeiíQ dó So- 
brado, lioje propriedade dá sr.* D. Mathilde 
Aurora de Souza^ d*esta Ireguezia, se qccu- 
pa Pegas Forense, no tomo 2.% ça^ 759.^yi- 
Yeo ent^o n'esta ({uinta, um famoso licen- 
ciado^ por nome Duarte Rodrigúe9. 

A ireguezia está situada na encost^^ E. e 
N. de uma doce elevação^ aonde se desco- 
bre um vasto horiaonte< qne abrange j^rte 
4a Beira- Alta, até ao* rio Douro, «((STat-ios- 
Vonte», até muito a}ém de Yl]la-*Aeâl. 

O seu território éíertilem |pif^ centeio. 



um 

çeyaâa, batatas, feijdes» vinho, hórtalífMí 
flQuita 6 saborosíssima íructa, e algomaeafl* 
tanlia. 

Tem seis fontes publicas^sSo-<-fonte õú 
Santo, Enxertado, Fontainha, da Gatharína, 
dos Pas-os, e do Travasse. Cinco reservato» 
rios públicos^ cujas aguas são distribni&as 
no verão, para rega de muitos prédios ms» 
t^ços, por um repartidor nomeado para cada 
um dos reservatórios, pela respectiva ca* 
mara. 

Estes reservatórios se denominam — En- 
xertado, Tapar, Extremadouro, Ameal 4é 
Cima, e Ameal de Baixo. 

Houve também um bom nunaneiai d'agnas 
férreas, excellentes para os padecimentos do 
estômago, porem o dono do terreno ondeei- 
las brotavam, fazendo n'elle algumas ohtãa, 
as deixou subterradas. 
. Ha nos hmites d'esta frèguezia algumis 
minas de metal, e uma de phosphoreto, que 
foi lavrada pelo súbdito hespanhal, Diogo 
Peres Paulino, mas acha-se abandonada dea- 
de 1871$. 

É também aqui a fértil e importante quinta 
do Malheiro ou Pontinha, da qual foi pro- 
prietário, o sr. padre Manuel Caetano Soekt), 
um dos mais instruídos ecdesiastícos d'es- 
tes sítios, e hoje a possue seu 4obnob% • 
sr. padre Manuel António Soeiro d* Albu- 
querque. 

Nasceu n'esta fregnezia o padre Domtiitraa 
das Neves (lio de Luiz das Neves Pinto Go- 
mes, de quem adiante fallo) celebre pela^wa 
vasta intelligencía, e pelas suaa numefops 
poesias. Foi um dos melhores poetas repen- 
tistas do seu tempo. 

Eíncetou brilhantemente a carreira nn^ver* 
sitari2^ em Coimbra, chegando a matricnlar- 
se no 3.* anno de direito; mas, abusando do 
seu muito saber^ cahiu na tentação de fazer 
exames. preparatórios em nome e por conta 
de outros estudantes. Descoberta a Irandie» 
teve de fugir de Coimbra, sem concluir a soa 
formatura, e foi residir para Lisboa», pndo 
frequentava a sociedade mais eseoUúda, nn 
qual era apreciado pelo seu ameno trald^ 
variada instrucção e estro poético. ^ 

Na capital o cognbmin^am o potící^aUt^, 



i 



ROM 

•^ por ser do norte do reino. Regressahdo 
a ests fregaezia, aqui fallecen, no i."" de mar- 
^ de 1785. A vasta ooUeeção das snas poe- 
tias deseneaorinhou-se. 

Ck>nta-8e que, dando-se^-lhe, em uma so- 
ciedade aristocrática da capital, o mote — 
Amais formosa que Deus (de propósito para 
o atrapalhar), elle o glosoa^de repente do 
modo seguinte: 

De ama certa romaria^ 
Entre daas damas vim; 
Uma feia me par'cia 
E a outra um serapliim. 
Vendo*as eu taes assim. 
Sós, e sem amantes seus, 
Lhes perguntei:— Anjos meus, 
Quem Yjs pôz em tal estado? 
Disse a feia, que o peecado; - 
A mais formosa, que Deus. 

Em 6 de fevereiro de 1803, falleceu n'esta 
freguezia, o morgado, José de Carvalho, na 
eéflde de 117 annos, conservando até ao ul- 
timo momento todas as suas faculdades in- 
telleetuaes. 

José Pinto d'Azevedo, era um morgado 
d*esta freguezia^ e pessoa de muita nobreza. 
O parocho d'então, era homem de génio iras- 
«ivel, e tendo certas desaveoças com o ibór- 
-gado, receando a sua vindicta, abandonou a 
fi*eguezia e fagia para a sua terra. 

O povo estimava o parocho, e reunindo- 
Mé, no dia Si de abril de 1793, marchou para 
A terra do parocho, na intenção de o tra- 
ler para a fi^eguezia; mas, no caminho» lhe 
«ahitt >o morgado, ao encontro, armado^ de 
uma espiBgarda, e perguntando onde hia to- 
lda aquetla gente, um da turba lhe falKm in- 
isouvementemente, e o morgado o matou com 
um tiro. O povo então, exasperado, matou 
o assassino, à paulada. 

Ambos 08 mortos foram enterrados tio dia 
•egninte; ficando i8 pessoas culpadas. Ain- 
da hojè é aqui este facto recordado com hor- 

* 

. Esta freguesia em i81i toi saqueada pe- 
las hostes francezas^ soffrendo gfaves dun- 



ROM 



23^ 



nos. Foi até isso consignado nos livros da 
Irmandade das Almas, como consta das duas 
actas seguintes: 

«Anno do Nascimento de Nosso Senhor 
Jesus-Ghrtsto de 1812^ aos nove dias do méz 
de fevereiro, n*esta egreja parochial de São 
Romão, aonde se achavam juntos a meza e 
irmãos da Irmandade das Almas d*esta fre- 
guezia, e por elles e com parecer de todos 
assentaram uniformemente, que visto terem 
osfrancezes no saque, que deram a esta 
egreja, rasgado e destruído ^ moveis e al- 
faias pertencentes á mesma Irmandade, e 
achando*se esta seih fuúdo algum, com que 
poàsa reparar esta perda e comprar outros 

etc o que visto por todos, e corÃo não 

resta meio algum de poder subsistir por mais 
tempo esta Irmandade^ se^desse por extin- 
tincta, íazendo-se para isso requerimento ao 
dr. provedor d'esta Comarca, e entregando 
os livros pertencentes à mesma Irmandade 
a quem por elle fot mandado, e de quem es- 
peravam assim o haver por bem, etc 

e fiz este termo que todos assígnaram.t 

«Anno do Nascimento de Nosso Senhor 
Jesus-Chrísto de i8í7, aos 13 dias do mez 
de junho, n'esta egreja parochial de S.' Ro- 
mão, aonde haviam sido convocados e se 
acham juntos o juiz, mordomos, e mais ÓSL- 
ciaes da Irmandade das Almas d'esta fregue- 
zia, afim de darem cumprimento ao qtie de- 
termina o dr. provedor d*está comarca, e 
examinindo os moveis^ alfaias e omameín- 
tos que possuía esta Irmandade, se^chob, 
que todos haviam sido ricmbados, ràsgailos 
e estragados pelos soldados fraticeíeé, quan- 
do invadiram e saquearam a egreja* e toda 
a fret^nía, e 4ue por isso e desde então h- 
cou privada dos íhoveis, alfaias e ornamen- 
tos' qtze possuia, sem que haja cousa alguma 
que possa descrever-se.» 

A Irmandade acima allndida, achando-sé 
já erecta na egreja matriz d'esta freguezia, 
foi approvada pelo Santo Padre Paulo V,^por 
brevH de 1616^ no qual concedieu graiotdiss 
privilégios e vantagens à mesma^ taes como 
indulgência pienarla aos irmãos 'no dia da 
sua entrada, confessando-se e commungan- 
do; e outro tanto no dia de S. RoDoâo^ bém 
como omiras graças e indUlgeoeias^ uos dia 



IK36 



fiOM 



de S. Pedro e 6. Paulo, de Santo Aotonio» 
de S. Francisco, e de Nossa Senhora dos Pra- 
zeres. 

Apesar das deliberações supra, a Irman- 
dade subsiste ainda hoje em estado, se não 
florescente, muito soffriveL 

O período decorrido de 1834 a 1838, foi 
de devastação e de terror para a Beira Al- 
ta: quadrilhas arregimentadas assaltavam á 
viva força^ de noite, as casas, ao principio 
dos míguelistií^, e mais tarde de quaesquer 
cidadãos opulentos, fosse qual fosse a siia 
politica; tendo quasi sempre passado os dias 
em orgias e bachanaes, ora aqui, ora alU, 
com a maior publicidade; e felizes os que 
não eram assassinados, como o toram bar- 
baramente o dezembargador Bodrigo Sar- 
mento de Yasconcellos e Castro, o ex-ma- 
gistrado António Vaz Borges de Medeiro?^ 
a bondade personalisada, e o misero frei Pe- 
dro, a quem no convento de Salzedas criva- 
ram de facadas, até que expirou, pedindo- 
lhe de cada uma d'ella8 o seu dinheiro, que 
elle não tinha 1 

Foi então que n*esta fireguezia se deu 
ama sanguinolenta scena, no dia 8 de maio 
de i838, que hoje faz ainda estremecer de 
horror os poucos vivos d'es8a geração que 
a presencearain. Fixou aqui a sua residên- 
cia um dos chefes da quadrilha, ave de ar- 
ribação vinda da provinda de Traz-os-Mon- 
tes, e vivia em Santo Adrião outro chefe, co- 
nhecido pelo nome de José Teixeira, o Ca^ 
vaUarta, de execranda memoria, cjue a ou- 
tros crimes incriveiS) juntara o de matar e 
aterrar elle próprio, apenas nascidos» os 
filhos havidos de coito incestuoso com aua 
própria irman, e que mais tarde pagou com 
a vida, assassinado com um tiro por um sol- 
dado da guarda nacional, quando, na quali- 
dade de capitão, lhe passava revista. ^ 

1 O bandido não morreu logo, apezar da 
bala lhe entrar por um homoro e chegar 
quasi ao outro. Gomo não houvesse maca, 
o levaram em um esquife^ para o hospital de 
Lamego. No meio do caminho, escorregando 
08 conductores, cahiu o malvado por uns bar- 
rancos a baixo; mas ahida assim, não mor- 
reu t Chegou ao hospital, e, quando se julga- 
va quasieorado» flUleeeu do repente. Suspei- 



ROM 

£ntre or dois chefes oeeonreram diverw 
geneias na partilha de um rico e avultaMlo 
roubo, e o Cavallaría protestou vingar-sei 
Mandou pois vir de noite a sitio despovoa* 
do e medonho, entre S. Cosmado e Contim, 
o seu collega^ a pretexto de effectuar-se # 
roubo de um grande proprietário ainda ho- 
je existente, e quando este ia chegando com 
a sua gente, foi recebido por uma descarga 
de fuzilaria, que lhe matou trez homens, e eiie 
mesmo flcou mal ferido; e fugindo atravez de 
uma serra, foi parar a S. Romão, tendo re- 
cebido no caminho seis novos tiros. Pedis 
conflssão, e quando próximo a receber o Sa- 
grado Yiatico, foi assaltado por o tal Cavai- 
laria e outras pessoas, que lhe vinham no 
encalço, e lhe dispararam {harresco referem) 
vários tiros, alguns já depois de morto^ com 
uma crueldade injustificável. 

Este acontecimento foi o principio da dis- 
solução da quadrilha d'aquelles canibaes, 
porque as auctoridades, ad(|airiDdo alguma 
força moral, prenderam uns e processaram 
outros, e os povos fizeram em muitos justi- 
ça por suas mãos. O certo é que algum tei»- 
po depois a quadrilha pertencia à historii^ 
e encher-se*hiam volumes das suas atroci- 
dades, se alguém se desse ao trabalho de 
escrevel-08. 

Para o monte de Misarella, d'esta íiregBO» 
zía, vide vol. 5.% pag. 338, col. i.* (a 1* Mi<- 

sarella). 

Na aldeia de S. Romão, d'esu freguezia, 
nasceu, em 28 de fevereiro de i81lí, o sr. 
doutor,, João Maria Mergulhão Neves CabraL 
Foram seus paes^ Luiz das Neves Pinto Go- 
mes» cavalheiro geralmente estimado, e de 
grande talento einstrucção; exercendo eom 
honra e probidade vários empregos pnbii* 
cos, judiciaes e administrativos, e D. Amu 
Amália Pinto Cabral Mergulhão, da familia 
dos Mergulhões, de Moimenta da Beira. 

Casou em i8 de outubro de 1838, com a 
sr.* D. Maria Maximina das Neves Pereiía 

tou-se que foi envenenado, com o receio-^ 
aliás bem fundado— de que, se aquella fera 
se apaobàSM oútrá vez em liberdade, assas- 
sinasse varias gessoas. 



ROM 

4i Gama, nascida em 1800, e fellecida «m 
1867. Bra filha de Alexandre das Neves Car- 
valho, e neta de António Pereira Pinto de 
SDoza YellosQ, fidalgo cavalleiro da casa real, 
eogo íôro foi renovado por D. Maria I, em 
aea filho, Luiz Pereira Pinto de Souza Aze- 
vedo e Gama. (Torre do Tomho, L.* 26 das 
jnercés, a folhas 309 v.) 
, Ifatileulou-se na faculdade de direito, da 
imiversidade de Coimbra, em outubro de 
.de 1839, e formou-se em 1844. 

Foi laureado em todos os annos, eom prs* 
jBio pecuniário e obteve informações distin- 
«tas. 

O sr. dr. Mergulhão, é um dos advogados 
jnais distinetos da Beira, mas só advoga no 
«ena escríptorio, tendo numerosíssima dien« 
4ella. 

É também um escríptor distineUssimo, e 
primoroso poeta. Tem escripto muito, sobre 
Tirios pontos de direito, na Retnsta de Lê- 
fUlaçãOy na Gazela dos TrUnmaes, no Jor- 
mal de Jurisprudência, e em outros periodí- 
•oos de direito publico; e semanários de llt- 
leratnra e recreio. 

Para não enfadar o leitor, só aqui Iran- 
«srevereí três das suas composições poéti- 
cas, enriosissimas, pela dtfficuldade da sua 
metrificação, pois se lêem em português e 
em latim, dando sempre o mesmo sentido 
em ambas as línguas. 

A Portugal 

SOIOITO 

•Predaríssima és tu, pátria formosa, 
Conservando valores eminentes, 
Submissas contemplando externas gentes, 
Venerando-te, Lysia tam famosa. 

«Tu fulges tam, qoam stiva rosa t 
Aecerdando heróes dignos, valentes» 
•Erige, constituo aras decentes. 
Sacros cultus tu praesta gloriosa. 

Ingentes glorias lusas tu diffunde, 
Assídua sparge, narra^ fama clara, 
Triumpbos memorando tam constantes. 

Bestes suas terríficas cònfande^ 
Demonstrando, quem és^ vietoria rar& 
Contra lusos belUgeros, ovantes { 



ROM 

Á Santíssima Ytrgsm 



339 



OITAVA 



Humanas tuas gentes protegendo, 
Puríssima te exaltas, oh Maria; 
Satânicas insidias removendo. 
Demonstras, quam tu és benigna, e pií 
Nós, míseros, presiste defendendo 
Ah! de lucifertna turba ímpia; 
Supplíees, oh Maria, te rogamus, 
Ante aras sacrosantas te adoramus» 



A D. Vasoo da (Htma 

oitava 

Tu, africanas terras clrcumdando, 
Asiáticas plagas manifestas; 
Neptuninos furores superando, 
Domas hostes indómitas, infestas. 
Catholíeas doctrinas propagando. 
Depuras gentes rudes, inhonestas. 
Ahl ínclitos heróes excedes, Gama; 
Tam eminentes glorias canta, oh Fama. 

O sr. dr. Mergulhão, vive na sua formo» 
sissima casa, da aldeia de S. Romão, coníi 
sua filha solteira, a sr.* D. Maria dos Pra- 
zeres Mergulhão Cabral Macedo e Gama; e 
com suas irmans, também solteiras, as sr.** 
D. Maria, D. Fortunata e D. Quitéria: qua» 
tro senhoras das mais virtuosas da provín- 
cia, e que passam o seu tempo em obras de 
caridade e devoção. 

Do sr. dr. Mergulhão e de sua fallecidà 
esposa foi filho: 

O dr., Aeacio Mergulhão Cabral Maoedo e 
Gama, que nasceu em 7 de maio de 1843. 

Formon*8e em direito, pela universidade 
de Coimbra, em 1871. 

Foi também premiado em todos os annos 
do seu curso, e obteve também informaçõSB 
distinctas. 

Como sen pae, publicou vários artigos de 
incontestável merecimento, nos diversos pe- 
riódicos de direito publico, e em vários se^ 
manarios de instruetao e recreio. 

Aos seus vastos conhecimentos em vitioa 



836 



ROlf 



ROM 



ramos de Iklcratan, alliaya o comporta- 
mento mai3 exemplar, não parecendo ho« 
mem â'esta época. 

Na florescente edad^ de 33 annos (4 de 
jmiho de i876) foi arrebatado pela morte 
este esperançoso mancebo, meu verdadeiro 
amigo^ ao qual e a sea esclarecido pae mui- 
to deve esta obra, pelos muitos e preciosos 
esclarecimentos com que a teem dotado. 

Todos quantos conheceram este, tâo iUus- 
trado como sympathico mancebo, o ama- 
vam, e sentirão por elle uma perpetua sau- 
dade. 

Tanto o pae como o filho, pertenceram 
sempre ao partido legitimista, que sobremo- 
do se honrava de contar no seu grémio, dois 
varões de tão raras e tão apreciáveis quali- 
dades. 

Não podendo dar ao sr. dr. João Maria 
Mergulhão Neves Cabral, oi^tro testemunho 
da minha indelével gratidão, transcrevo aqui 
o que, sobre o faliecimento do seu sempre 
chorado filho, disseram dois jornaes aucto- 
lisados. 

Vários outros jornaes das differentes frac- 
ções politicas em que hoje está dividida a fa- 
Inilia portugneza, noticiaram o faliecimento 
do dr. Acácio Mergulhão^ mostrando todos o 
tnaior peiar por esta morte l^remaiura, e fli- 
xendo a devida justiça ao illustre fallecido. 

Eis a cópia do que com respeito a este 
lamentável acontecimento dizem os dois jor- 
lnaes a que acima me refiro. 

Correio da Tarde 

N.« iSK», de 18 de Junho de i876u 

•Associamo-nos ao nosso amigo Ayres de 
Mendonça B. Faro e Lencastre, nos senti- 
mentos que manifesta pela morte do seu pa- 
rente, e nosso commum amigo, o ex.**" sr. 
Acaeio Mergulhão Cabral Macedo e Gama, e 
nos pêsames que dá ao pae do finado, o ex.*<* 
sr. João Maria Mergulhão. 
' iDeus, Senhor Nosso, piamente o cremos, 
lerá dado logar entre os escolhidos á ahna 
4o amigo, cuja falta sentimos; esta crença 
deve ser gramle consolação para parentes e 
«nígos. 



iBÍ8 o que sobre este triste snceessó es* 
creve o nosso amigo Ayres de Mendonçat 

Á memoria de ex."* Acado Mergulhão Cá* 
bral Macedo e Gama. 

O dia 4 de junho, foi de profunda dôr e 
consternação para meu primo João Maria 
Mergoihio, é para toda a sua eu^ familia, 
parentes e amigos. 

N'este dia, pela uma hora da madrugada^ 
preparado com os Sacramentos, deixava este 
momdo para receber o premio dos justos^ 
seu filho o ex.** Acácio Mergulhão Caiiral 
Macedo e Gama. 

Dotado de bellissimas qualidades moraei^ 
era exemplo vivo de sólida religião, plêia- 
de, doçura, e pureza inalterável de eostn- 
mes: frnetos estes, provenientes da frequên- 
cia dos Saeram«it08, com que se fortalecia 
aquella cândida alma, ardcõido sempre em 
vivíssimas chammas de divino amor. 

Quem se chega á Fonte da vida encontra* 
rá a verdadeira vida; e que o illustre fina- 
do a encontrou, piamente o cremos pelas 
suas obras. 

Aqui o apresentamos como modelo do 
bom chrfstão, do bom filho, e bom irmão: 
como servo fiel de Jesus^Cfaristo que pia 
desperdiçou os talentos que de seu Crâador 
recebera. 

Era bacharel formado em Direito, pela 
Universidade de Coimbra^ cursando aquel- 
la faculdade com grafide distincção, na qual 
foi considerado com os .{primeiros premlee. 

Escreveu sobre jurisprudência na I^avis* 
ta de Legislação de Coimbra^ mostrando ca- 
balmente que aquella sciencia lhe eraiami- 
liar. 

Publicou vários artigos nos jornaes e Bem 
Fublico e o Direito, manifestando tanto o sen 
grande talento, como a sna applicaçao e amor 
.daslettras. 

No seu trato familiar era agradável, ^na- 
ve, e cheio dç modéstia. 

Contava apenas 33 annos de edade. Maa 
a sua hora tinha chegado, porque o Eterno 
queria premiar suas virtudes, podendo afh 
plicar-s0»lhe ^m$ expeckaU pieti émiee ei 
ibuas wUhií: * 






lima- 






•»»"' í » •««» .segredos, » ^^^ 

1 «P»»f ° • »» lorto^to boa.»» t^dí^ 












114a 



BOU 



•deneia jarídiea e a servir com lisura ehris* 
ian iquelles qoe recorriam ao seu valioso 
jmxilio. Primeiro como mestre e depois co- 
«10 coiiega, o pae discotia com o filho, os 
f ODtos e qaestões mais delicadas e apura- 
vam o qae havia de favorável e adverso, aas 
diiferentes hypotheses, que lhes eram sub* 
loelUdas. 

Nem um nem o outro pleiteavam cargos 
da magistratura judiciai ou administrativa, 
-Bio solicitavam o mandato popular legisla- 
tivo ou a investidura real do pariato, não 
furetendiam commendas, cartas de. conselho, 
ou títulos. 

E comtudo, quanto eram merecedores de 
todas as honras e distinc^s^ com que os 
-cidadãos e o soberano costumam ou deviam 
eostumar recompensar as virtudes cívicas e 
a scíencía verdadeira! 

O sr. dr. Mergulhão, pae, não quiz nunca 
4wr mais do que advogado, na plenitude de 
Independência, qae lhe assegura o saber, a 
consciência e a fortuna. O sr. dr. Mergulhão, 
flOiho» nunca teve outro modelo senão o pae, 
e não queria mais do que continuar as suas 
honrosas tradições. E bastava. Ainda na flor 
.dos annos, aprouve á Divina Providencia 
ehamar à mansão dos justos, a alma do sr. 
Accacio Mergulhão. Adoremos os seus de- 
eietos, mas não nos impeça a resignação 
ehristan, que choremos a perda, que soffre 
o pae desconsolado, a família extremosa, os 
«eus amigos e admiradores, a sciencia e o 
fdro portnguez. 

• O extincto jarísconsulto, desdenhando a 
Jactância balofa da falsa sdenda, saturado 
ao contrario da verdadeira, foi sempre visi- 
tado das sanctas inspirações da religião ca- 
Iholica, que confessou sempre em todas as 
épocas da sua vida, já nos' estudos prepara- 
tórios, nas aulas de Lamego, Já nos bancos 
da Universidade, já no offido de advogado. 
Já nos seus actos públicos e particulares, se- 
^indo escrupulosamente os preceitos d'es- 
tá religião divina. 

A Associação Catholica doesta cidade ti- 
idia a honra de contal-o no numero dos seus 
associados, como se i^oría de contar muitos 
dos melhores e mais ilíustrados filhos d*esta 
lerra, abençoada pela Virgem Mie de Deus. 



ROlí 

A mais uma perda, que a Associação aof» 
fre n*este anuo de 1876, em que do seu seio 
teem desapparecido tantos membros illus^ 
três, a quem esperamos que a Misericórdia 
Divina haverá destinado o único galardiô 
inestimável, que o homem pôde desejar co- 
mo termo do seu afanoso lidar. 

Rogamos aos nossos leitores que não dei* 
rem de sufTragar a alma do finado, e d'aqai 
mandamos sentidos pezames ao desditoso 
paCj, nosso velho amigo, que ttvenios a for* 
tuna de conhecer pela primeira vez, quando 
elle, quintanista laureado^ dava a protecção 
ao novato inexperiente que se acercava do 
liminar do templo das sciencias, e que hoje 
se assigna 

Conde dê Samodães. 

Paroohos d*esta freguezia 

Esta freguezia ha tido desde 1784, a qoé 
abrangem os livros parochíaes, os seguin- 
tes parocbos : 

i."— Padre Domingos das Neves Pmio, o 
celebre poeta e litterato, de que já se foUom 
n*este artigo, era parocho n*esta freguezia 
no S. lòão de 1784, e falleceu na mesma em 
o l."" de março de 1785. 

%• — Padre Luiz Amado Feio de Âgfsiaf\ 
succedeu áquelle no dito anno de 1784^ o 
fúnccionon até ao fim do anno ecclesiaaticó 
(24 de junho seguinte). 

d.""— Padre ChristovamJosê da CtcnAa^ ser- 
viu de parocho desde 1785 a 1787. 

4.''— Padre Joaquim Pereira, de 1787 a 
1788. 

5.0— Padre Manuel Teixeira de Queirós, 
de 1788 a 1790. 

6.*— Padre Manuel Caetano Pinto Cardo^ 
so, de 1790 a 1791. 

7.*— Padre Joaquim Pereira da Stíoa^ 
natural da freguezia de Mondim, de 1791 á 
1793. 

8.*— Padre Nuno Pinto da Siha, natural 
d*esta freguezia de S. Romão, de 1793 a 
1794. 

9.**—- Padre José Homem de Sousa MeHá^ 
natural da fireguezia de S. Pedro do Sul, da 
i794 a 1796. 

iO.»— Padre António Pinto Cardoso da 



ROM 



24i 



fitmsêca, natarai da fregneiía âe TQes, de 
i796 até 24 de fevereiro de i807, em qne 
tollecea n'e8ta freguezia de S. RomSo; 

!!.<' — Padre Nuno Pinto da Silva (pela 
segunda vez), desde fevereiro de 1807 até 
ao S. João de 1810. Era bastante instruído, 
<»ador sagrado, e homem muito valente, fal* 
lecendo mais tarde na mesma freguesia de 
8. Romão. 

Í2.« «— Padre Manuel Gomeê de Carvalho^ 
natural da freguezia de Poiares, de Traz-os- 
Montes, desde 1810 até 1813. Mais tarde eol- 
lou-se com o titulo de abbade, na freguezia 
da Queimada, onde falleceu. 

13.*— Padre João Hyppolito do Amaral, 
de 1813 até 1814. 

14.»— Padre António Rodrigues Pinto, na- 
tural da freguezia de Sande, concelho de La- 
mego, de 1814 a 1817. Foi depois abbade 
eollado na freguezia das Chãs de Tavares, 
em que se finou: era um sacerdote de vasta 
instrucção, e a sua conversação sempre ame- 
na e eloquente. 

15.*— Padre Manuel Cardoso dos Santos, 
natural da freguezia de Qaeimadelia e ahi 
fallecido, desde 1817 até 1820. 

16.»— Padre Luiz António de Carvalho, 
natural d'esta freguezia de S. Romão, desde 
1820 até 1823. Morreu na freguezia da Quei- 
mada, onde era encommendado: tinha per- 
feito conhecimento da lingna latina, que pro- 
fessou com grandes créditos. 

17.*— Padre José António de Figueiredo, 
natural da freguezia da Coriscada, desde 
1823 até 1827, e fallecido em Armamar. 

18.*— Padre António Rodrigues Pereira, 
natural da freguezia da Figueira, concelho 
de Lamego, e ahi depois fallecido» desde 

1827 até 1828. 

19.*-^Padre António Ferreira de Gouveia, 
natural da freguezia da Queimada, desde 

1828 até 1833, e falleceu em Armamar. 
20.*— Padre José d" Oliveira Pinto, natu- 
ral d'Armamar, e hoje alli residenie^ desde 
ffi33 até 1856. 

21.«— Padre Paulino Mendes, desde 18W 
até 19 de outubro de 1857, em que morreu 
n*esta mesma freguezia. Foi exposto na ro- 
da da viUa de Armamar, e começou por 
de sapateiro, mas.nSo tendo voca- 



ção para offlcios meehanieoi^, largou a tri- 
peça, e obtendo ser sacristão da egreja da 
mesma villa, passava o tempo a orar, aju- 
dar ás missas, velar pela limpeza da egreji, 
e em todas as obras de piedade para que se 
lhe offerecla ensejo. Conhecidas as suas vír« 
tudes^ o padre José Dias de Carvalho Couti- 
nho, exceliente professor particular de latim, 
fallecido ha poucos annos, encarregou-se da 
ensinal-o gramilamente, e quando habilita* 
do para fazer o exame, vários cavalheiros dá 
concelho de Armamar, se qnotisaram para 
o sustentar em Lamego durante a frequên- 
cia dos estudos maiores, e para lhe fazerem 
património ecciesiastico. Ordenando-se, não 
enganou a espectativa publica, tomando-se 
um presby tero de bastante instrucção, exem* 
plarissimo, verdadeiro apóstolo, que nunca 
a mais ligeira nódoa manchou. Morreu alfim 
a morte do Justo, passando por santo, e até 
se lhe attríbnem milagres, sendo um muito 
evidente, e cujas testemunhas estão vivai^ 
a cura repentina de uma hydropisia que se 
desenvolveu e progredia rapidamente enl 
uma senhora, a despeito dos esforços da me- 
dicina. 

Vi^^-PSíúTeAntonio Augusto, natural does- 
ta freguezia de S. Romão, e hoje residente 
em Armamar, succedeu áquelle e serviu até 
1860. 

23.*— Padre José António da Veiga Seixoê 
Cabral, natural de Armamar e alli falleddOy 
serviu desde 1860 a 1861. 

24.*— Padre António da Costa Tetks dê 
Macedo, natural de Santo Aleixo, freguezia 
de Yarzea de Abrunhaes, e hoje alli resi« 
dente, serviu desde 1861 até 1864. 

25.*— Padre Joaquim Leite Laranja, da 
freguezia daUcanha, hoje arcipreste d'aquel* 
le districto e residente na sua quinta de Ab« 
badia Velha, serviu desde 1864 a 1865. 

26.*— Succedeu-lhe o actual parocho, o 
rev."* sr. Manuei Alves dos Reis, de que aci- 
ma se faliou, qu^ principiou a frmccionar 
em 1865. 

ROMARIGilB-^íireguezIa, Minho, eomar* 
ca e concelho de Coura (foi do mesmo con- 
celho, mas da comarca de Vallença), 40 ki- 
lometros ao N.O. de Braga, 395 ao N. de Ua* 
boa, lao {ogof. 



%2: 



ROUff 



> Em i757rtintaa 109 fo|fo». 
Orago, S. Thiago, apostolo. 

' Arcebispado de Braga, dtslricto admiois* 
trativo de Viaoca. 

O abbade de S. Payo d*AgQa-LoDga, apre- 
sentava o vigário, que tinha iOOi^OOOréis de 
Fendimento. 

, O nome d*esta freguezia signiflca — terra 
dos Romariguez, appeUido de família. 

. (Vide Agua-Longa^ vol. !.•, j)ag. 31, col. 
!.•, no principio.) 

> É povoação antiquíssima, provavelmente 
do tempo dos romanos, e, eom toda a eerte* 
sa» do tempo dos godos, e foi uma cidade, 
oom o nome de Labruja, 

. No arcbivo da Sé de Braga, existe nm có- 
dioe, contendo a divisão que D. Fernando, ò 
Jlfa^o, rei de Leão e Gastella, fez dos con- 
dados de Entre o Douro e Minho, em 1026, ^ 
Q tratando do primeiro condado, diz:— (tra- 
4iicçao) 

«O primeiro condado principia no logar 
de Cabeça do Minho, onde o rio d'este nome 
eotra no mar^ e o rio Froilano* entra no 
rio Minho. D'allí, pela costa do mar, vae cor- 
rendo até á foi e Cabeça do Rio Lima\ e 
d'aUi, peio rio acima até Bfitmia, onde an* 
tea foi Britonia. ^ Depois, até P€na Maior, 
sobre a antiga cidade de Labruja^ que agora 
$0 chama Romariganesi Desde alli, pelo ter- 
mo do rio Froilano, atò ao CasUllo Pequeno 

r 1 Aqui ha aoachronisma por força. Desde 

o.anno iOOO até 1027, foi rei de Leão e Cas- 
têlU, D. AfTonso IV, iilho de D. Bermudo II 
(^ Gotoso) e succedí^u lhe seu filho, D. Ber- 
mudo III.— Fâzeudo-Ihw guerra, seu cunha- 
D, Fernando o Magoo, aquelle morreu 

[a batalha de Lantade, e, não deixando fi- 
lhos, herdou a coroa de L^^ão o rei de Gas- 
tella, D. Affonso Magiío (1037) unindo então 
os reinos de 6a9telta e Lt^ão. 

( 2 Hoje a villa de Caminha. 

. * Oaciual rio Coura. (Vid^ S.* voi., pag. 
413, col. 1.% no principio.) 

''♦-flojtí a cidade de Víanna. 

* Vide Bertiande, vol. l.«, pag. 39!, col. 
L^-^Btrtianàos, pjig. 3Ut <»o£ L4— ITriíb- 
f\ia, pag, 493, col. jl.*~ e ^rHimia do Limo» 
na mesma pagina e columna. JSsta ultim^ 
Bfitonia ji existia no anuo tô dé J.-C, im- 
perahdo Nero. Vide aiàda no O toI., pag. 
495, col. !• 



ROM 

dè Tuff, que se chama Vallença;^ e desde alli» 
peia corrente do Minho, onde começamos. O 
qual termo pertencia antigamente à cidade 
de Britonia,' que jaz destruída, e agora per- 
tence, parte á cabeça do Moinho, parte ão 
Csstello de Cerveira, * e parte ao logar de 
Limia, ^ excepto o grande couto que os reis 
deram antigamente ao mosteiro Máximo, si- 
tuado no monte altíssimo, chamado Arga, ^ 
etc. 

Ha n'esta freguezia um monte, ainda hoje 
chamado da Cidade, ou Penedo do Curral 
das Éguas, que mostra vestígios de uma 
grande fortaleza com trez linhas de mura- 
lhas e outros tantos fossos; estradas cober- 
tas, e no centro um castello. Segundo a tra- 
dição, foram os mouros que destruíram esta 
cidade ou fortaleza, em 716. 

Seria aqui a tal cidade de Labruja? 

Na' Portella da Labníja, lambem ha ves- 
tígios de uma grande praça ou fortaleza, a 
que o povo dá o nome de Cidade Murada. 

Posto que de clima excessivo, esta fregue- 
zia. Como a de Agua Longa, sua visinha, é; 
muito saudável, havendo aqui bastantes pes- 
soas de edade muito avançada, e de perfeita 
saúde e grande robustez. 

É terra muito fértil, como todas as d'este3 
sítios; cria muito gado, de toda a qualidade» 
e nos seus vastos montes, ha abundância de 
caça, grossa e miúda. 

Para a etymologia, vide a freguezia se- 
guinte. 

ROMARIZ — freguezia. Douro, comarca, 
concelho e 11 kilometros ao N.E. da Feira 
(foi até 24 de outubro de 1855 do concelho 
e 3 kilometros ao O. de Fermedo, comarca 
d* Arouca), 25 kilometros ao S. do Porto, 12' 
ao 9.0. do rio Douro, 10 ao N.O. de Oliveira 
d' Azeméis, 42 ao N. de Aveiro, 285 ao N. de * 
Lisboa, 400 fogos (incluindo a suá aúnexa).^ 



1 A nossa actual praça de Taltença do^ ' 
Minbío. 

^-Britonia do Lima. t 

^ Úuje Villa Nova da Cerveira. 

< Pohte do Lima. 

> «Vide o nltioio período da eol'1.% afpag; 
^aa i^ di».l;« voL - i*^ 



Em 1757, tinha ãOD fogos, e Doas Egre- 
]as, 32. 
. Orago« SftDto Isidoro. 

Bispado do Porto, diatricto adminiatrativo 
4'ATeiro. 

O papa, a mitra, e o eollegio da Graça de 
Qoimbra, apreaentaTam alternativameiíte o 
ábbada, que tinha 800^000 réis de rendi* 
mento annoal. 

- Os dízimos d'esta fregnezia, eram do mos- 
leiro de frades gracianos (eremitas calça- 
dos, de Santo Agostinho) da cidade do Porto. 

Em 1835, foi annexada a esta fregnezia, 
a de S. Silvestre de Dnas-Egrejas, curato 
apresentado pelo abbade de S. Jorge de Cal- 
dellos, tendo o cura 20^000 réis e o pé de 
^tar. (Vide vol. 2.% pag. 487, col. i.«) 

É povoação maito antiga, e com toda a 
oerteza ja era povoada nos tempos pre-his- 
toricos. (Vide Castro ou Crastroy monte, 
Douro, no 2.« vol., pag. 200, col. 2.*) 

Segundo nns, o nome d'esta fregnezia é 
romano ^ e, segilndo^ outros, é corrupção de 
çam ; pois que o primeiro nome doesta fre- 
guezia foi Crasto, 2 Na- minha opinião, Ro- 
mariz é nome muito mais moderno, prece- 
ito de algum nobre godo, que foi senhor 
4'esta fregnezia. 

• Vemos nas nossas chronicas antigas, ai* 
guns appellídos de Rimariz e Romarigues, 
talrez' patronímico de Romão. Bm'1037, vé- 
Mique o conde D. Rodrigo Romariz, ajudado 
pelos antigos dtnamarquezes (normandos) 
TMiceu no castello da Pena, os vascões, da 
Galliza. (Vide lAmdomanes.) 
i Quando tratei do monte do Castro, ou 
€rasto, disse que existem alli vários cams, 
«ma mâmoa, e outros muitos vestígios de 
uma não pequena povoação ; o que prova 
ptenamânte que eate território é habitado ha 
■Bis da 9000 asnos. 

Ao fundo do monte do Castro, Janto ao 
*■ . 

^ } Ê certo que o nome Castro, dado ao 
Éionte d'esta fregnezia, que flcã sobranceiro 
#ao NjOsida egr^< se não vem de^om (vi- 
este .palavra), ó. romano. Aecreçce que a. 
regueziá que . ll^Q fica contigua, ao S.^, se 
ti^aia César. 

* Aiildâ^còhsèrvi o' nome de Crásto a a^- 
dw^oodQettÀaeifejapacioehiaL . 



ROtt 



nt 



logar do meemo nome, fòf construído o ee^ 
miterio paroehial, ha dois ou trez aunos. 

Ao S.E. da egreja matriz, estão monte da 
Pinheiro, já na fregnezia de Gesár, oné» 
também ha vestígios de construcções celtas 
ou pnvceltas. 

Ao S^O. da fregnezia, e contigua a etia, está 
a de Milheiroz de Poyares, do mesmo oonee* 
lho, 6 ao logar doesta freguezia mais próxi- 
mo de Romariz, está uma aldeia chamada 
Mâmoa, por alli ter existido uma,' da qual 
ainda ha vestígios. 

Próximo ao logar do Castro, d'esta fre- 
guezia de Romariz, está a aldeia de Fafião^ 
e, como todos sabem, Fafião é nome próprio 
de homem, godo. 

Ha também n'esu parochia^ a aldeia do 
Goim, corrupção do baixo -latim gruguum 
substantívoonomatopaico.quesignificatronh 
ha ou focinho de porco. Mesmo que seja 
corrupção de Guinde, substantivo que si- 
gnificava, vaso de bocca larga, feito d^ 
couro, páu ou metal, em todo o caso é nome 
muito antigo. 



Pela extremidade O. d*esta fregnezlp, passa 
uma zona ou veia, de doi^ ou trez metrôs 
de largo, de boas pedras de amolar. 

A.sua direc^ é de N. a S.— Vem da fre- 
guezia de Nogueira, concelho d^Oliveíra de^ 
Azeméis, e vae (segundo me ihformam) ter- 
minar ao Cabedélio, na foz do rio Douro. 

Esta freguezia, é separada da sua anneta» 
que lhe 6ca ao N. e N.E., pela pequena serra 
denominada Monte de Mó, da qual se extra-- 
hem bdas mós de moinhos, de granito pro- 
pboroide. Só servem para moer milho. 

Esta freguezia é, na sua maior parte, sf-' 
tuada em um valle fertíiíssímo, regado por 
vários ribeiros anouymos, e cercado por to*> 
dos oa lado^ de mooies^ que a abrigam da 
maior fúria dos ventos. 

Cria muito gado bovino, do qual expoHa 
para Inglaterra uma grande parte. 

A egreja matriz é de uma architectura siqa- 
ples e desengraçàda, mas denota muita au-- 
tig)iidade. Interiormepte, está bem adorna- 
da,ijpçaças ao zelio e sollicitade do sen aetual; 
e digno abbade^ o sr. loão Soaree d^Azefed^^^ 



t*4 



ROM 



qoe é ttmbem vigário da vara do i.*" distri- 
cto da eomarca ecclesiastica da Feira. 

Em volta 4a egreja, lia om espaçoso adro, 
qae é cercado por uma grande alameda, po- 
voada de corpolentos car^allios e castanhei- 
ros. 

I«'e8ta egreja se tki, no 4.« domingo de 
]nnho, uma grande festa a Nossa Sentiora 
dos Remédios, concorrida por grande nu- 
mero de romeiros, de algumas léguas em re- 
dor* 

Oapellas d*e8ta fregmozíA 

l.^^S. Thiagot na aldeia de Yilla-Nova. 

A fesu do padroeiro faz-selhe no seu dia 
(25 de julho.) 

%*^Sanio AntoniOf na aldeia de Fafião. 

Z.*— 'Nossa Senhwa da Portella^ no logar 
da Portella. 

4.*— SanTo António^ no iogar dé Goim* 

5.*— /Vo«a Senkora dos Remédios, no lo- 
gar de Romariz. 

Todas são publicas; e, á excepção da se- 
gunda, que foi construída pelos annos de 
1855^ 1 todas as outras são muito antigas. 

A de Nossa Senhora dos Remédios, é gran- 
de e de bôa arekiitectura. 

Segundo a tradição, foi a matriz primit- 
tiva da freguezia. 

6.* — Samto AnUmiOy no logar do Çarva- 
Ibal, construida em i837. 

É particular. 

É natural d*esta íireguezia, /oõo d^Ahneida 
Momarix, falleeido em Vilia Nova de Gaia, 
no anno de 1835. 

Pôde, e deve, considerar-se esie caridoso 
bemfeitor, como fundador áoÂsylo da meu- 
dkidade portuense, pois, no seu testamento, 
ordenava que o remanescente da sua he- 
rança (que foram 6:50OM0O réis) fosse ap- 
lacado á creaçio de um asylo para mendi- 
gos. 

Por decreto de 18 de maio de i838, foi 



^ Foi seu ftmdador o Mecido abbade, 
Domingos José de Pinho e Sousa do Ama- 
ral, da Murtosa, da Arrífana, irmão do sr. 
Francisco Maria de Sousa Brandão, oorond 
do estado-maior de CBgeBharia. 



ROM 

areado este asylo, e Ifaê fòi dado o seu 
lamento, em 31 de julho de 1846. 

Foi grandioso o pensamento do tesUder, 
e, sendo então presidente da camará mniii» 
cipal do Porto, o famoso tribuno popoluv 
José da Silva Passos, empregou este bene- 
mérito cidadão, a maior sollicitude paras^ 
levar a efieito o cumprimento da ultima vou* 
tade de João d'Almeida Romariz. 

O l."* provedor, foi o barão de Nova Cin- 
tra, e o 2.*, o visconde de Lascasas, ambos 
grandes bemfeitores do estabelecimento. 

Vide 7.« voU pag. 399. 

ROMARIZ— Vide Ramans, 

ROMARIZ— Formoso palacete, e grande 
qumta. Douro, na freguezia de Meinédo^ 
concelho de Lousada. (5.* vol., pag: í€0^ 
col. i.*) 

António de Mendonça, senhor da quinta 
da Gapella, em Agílde, e de outras muitas 
quintas e propriedades, morreu sem des* 
cendencia, deiíando tudo quanto posauia, a 
seu irmão, frei José de Mendonça, monge ds 
ordem de S. Rernardo. Este, por sua morte^ 
e não tendo senão parentes remotos, deaoo 
todos os seus haveres ao dr. António Pinte 
Coelho Soares de Moura, da casa da Looss» 
na freguezia de Santa Marinha de Lodarea^ 
e irmão do bravo general realista, Remar- 
dino Coelho Soares de Moura. 

O dr. Soares de Moura, ficou com uma 
casa que lhe rendia aunualmoite 300 car* 
ros de pão (12:000 alqueires !) 

Tendo uma filha então já casada, na casa 
de Cabanellas^ deu a sua casa de Segado, a 
seu filho mais novo, o sr. dr. Francisco Pinte 
Coelho Soares de Moura ; e a de Lama, ae 
filho mais velho, o sr. dr. António Manoel 
Pinto Coelho Soares de Moura. 

É pois actual proprietário, por henage 
paterna, da quinta de Romariz» o relériie 
sr. dr. Francisco Pmto. 

É uma propriedade das melhores e mais 
rendosas d'este8 sities, e seu dono a tem 
angmentado com valiosisaimas obrai^ sande 
a principal, a abertura de uma mina qae 
produz grande abundância d'agaa, a qual 
fez conduzir para a quinta, por cannos de 
granito, na extensão de 1:200 metros. 

Passa iunto á quinta» om ribeiro» no qpsi 



ROM 



ROM 



âlS 



O proprietário d'elU^ al^nt moinhos.. 
Bste ribeiro^ atraTossa as propriedados an* 
nexas á quinta, e toda a soa agna, de verão 

• de ioTerno, pertence exclusivamente á 
mesma quinta de Romaríz. 

flOMEIRA— firegaeua, Extnemadara, eon- 
oelho, comarca, districto admioistralivo e 6 
Idlometros ao N. de Santarém, 90 ao N.£. 
de Lisboa, 160 fog09. 

Em 1757, tmha 70 fogos» 
-^ Orago S. Braz. 

Patriarebado de Lisboa. 
. O povo apresentava o cura, que tinha 
60^000 réis e o pó d'alur. 

• É terra íertiL 

Ha n'eeta freguezia, um vinculo, que D. 
AfToDso y den, em 12 de maio de 144t, a 
Fernão Rodrigues Mendo, descendente de 
B. Payo Mogndo de Sandim, casado com D. 
Sarba, âiha de Ray Garcia de Yilia-Maior, 
descendente de D. Ordoúho^o C^^o— ílitio 
de D. Ramiro 11, rei de L<íão^ e da ralnba 
.D. Thereza. 

São estes os progenitores dos Barbas Cor- 
reias Alardes, famitias nobiliâsimas d'e8te 
leino. 

Ruy Barba Correia Âlardo^ íilbo de Pedro 
Barba Alardo e de D. Ignez de Me^tqnita, ca- 
,8011 em Santarém, eom D. Mecia Dias Girão, 
« foi seu filho (entre outros) Ray Barba 
Correia, um dos poucos fidalgos portugne- 
les gue tomou o partido de D. António, prior 
d» Grato, em 1S80, pelo que D. Pbilippe IJ 
lhe tirou todas as honras, privilégios e mer- 
^ da corda : mas não lhe pôde tirar a honra 
•ée ser um verdadeiro portugucz, e corajoso 
patriota. 

ROMEIRA— quinta e magnifica fábrica de 
íanífliids, na freguezia, comarca, concelho e 
pToiimo da vilta alAlemquer. 

Foi esta fabrica construída no local onde 
havia uma antiga azenha, já chamada da 
Bmríra. 

• Bsta azenha foi mandada fazer por Lou 
reoço Martins, institnidor do morgado de 
Santa Gatharina, por licença especial do rei 
D. Diniz, passada em 1303. 

Pertenceu ao antigo vinculo, atá 17£i8, 
fendo então desan^esada d'etie* 

V0LUM8 VIU 



Era em 1868 do sr. José da Costa, que 
então a vendeu ao sr. Francisco José Lopes^ 
fundador da fabrica. 

Principiaram as obrasr no fim do anno de 
1S70, e foi inaugurada a fabrica, em 29 de 
setembro de 1872, havendo grande regosijo 
na villa, festa na próxima egreja de Santa 
Catharína, e um lauto jantar, de 135 talhe- 
res, no edificio da fabrica. 

O plano da casa foi traçado pelo enge- 
nheiro firancez^ Phíiippe Lioder. 

O edificio custou uns 60 contos de réis. 

O motor da fabrica é a agua do rio. 

Não se confunda esta fabrica, com a ou- 
tra d*esta freguezia, mencionada a pag. 108, 
co). 2.*, do 1.0 volume. 

ROMEIRA DE BALKO— aldeia. Extrema- 
dura, no caminho que vae de Villa-Longa 
(hoje Yía-Longa) para Bucellas, ambas es- 
tas freguezias no concelho dos Olivaes, pró- 
ximo a Lisboa. 

Ha aqui uma grande quinta, que foi dos 
marquezes de Arronches, e depois duques 
de Lafões. 

Tem uma antiga eapella, dedicada a Nossa 
Senhora da Encarnação. Vide Vallada, 

Esta quinta é na freguezia de Via-Longa. 

ROMEIRA DE GIMA-aldela, Extremadu- 
ra, na 'mesma freguezia de Vía-Longa, con- 
celho dos Olivaos. 

Próximo a aldeia da Verdôlha, e a 6 kí- 
lemetros de Bucellas, esjtà a grande quinta 
(ia Romeira de Cima, que é dos herdeiros do 
fallecido marquez de Castello- Melhor. 

Dentro d'esta quinta, está a bonita eapella 
de Nossa Senhora das Virtudes, que é bas- 
tante antiga. 

Era senhorio directo d*esta quinta, o mos- 
teiro de S. Vicente de Fora, de Lisboa, que 
a trazia dividida em casaes. 

Em 1505, emprazou esta propriedade a 
António Carneiro e sua mulher, D. Britet 
d*Aicàçova. 

Fui 2.* vida n^este prazo, António Car- 
neiro. Em 1^61, sua filha, D. Elvira d'Aicá- 
çova, casou com D. Bernardim de Távora, o 
por sua morte, ficou e^te prazo a sua neta« 
D. Maria de Távora, filha d'Alvaro Pires de 
Távora e de D. Isabel de Meiiow 

António Carneiro, a queM 

16 



246 



ROM 



foi emprazada esta quinta, era 
pae de D. Pedro d*Alcàçoya 
Carneiro, eoode de Idanha, e 
fandador do mosteiro de Caaa- 
Nova, e da quinta da Yerdé- 
Iba, em 1546. 
ROMEU — freguezia, Traz-os-Montes, co- 
marca e concelho de Macedo de Gavalleiros 
(foi até 1855 4a comarca de Ghacim^ conce- 
lho e próximo dos Cortiços— extinctos) 60 
kilometros de Miranda do Douro, 40 da Tor- 
re de Moncorvo, 10 de Mirandella, 4S0 ao N. 
de Lisboa, liO fogos. 
Em 1757, tinha 44 fogos. 
Orago Nossa Senhora da Annunciaçâo. ^ 
Bispado e dístriclo administrativo de Bra- 
gança. 

reitor de Mascarenhas, apresentava o 
cara, conflrmado, que tinha 60^000 réis e o 
pé d'aitar. 

Romeu foi até ao meiado do século 18.« 
ama aldeia da freguezia de Mascarenhas, 
sendo então desmembrada, para formar am 
curato independente. Tanto a fregaezía de 
Mascarenhas como esta, eram dos eavallei- 
ros de S. João de Jerusalém (Malta) pelo que 
tinham grandes privilégios e isenções. 

No alio de um monte, que é parte doesta 
freguezia e parte da de Mirandella, está a 
capella de Nossa Senhora de Jerusalém (á 
qual o povo também chama Nossa Senhora 
de S. Marcos) fundada pelos cavalldiros de 
Malta, pelos annos de 1500. 

A capella-mór^ da prlmittíva ermida, fi- 
cava em terreno do termo de Mirandella, e 
o corpo da egreja, no termo de Mascarenhas 
(na parte que hoje é de Romeu) pelo que os 
dois parochos — de Mirandella e Mascarenhas 
— ambos queriam as offertas e esmolas que 
os fieis davam á Senhora. 

Os de Mascarenhas, para evitarem uma re- 
nhida demanda entre os dois parochos, de- 

1 O Portugal Sacro e Profano, diz que o 
orago é Nus:*a Senhora da Assumpção, o que 
é erro. Nossa Senhora da Assumpção ó o 
orago da freguezia de Mascarenhas, e quan- 
do Romeu sé desmembrou d*aqudl4 fregue- 
zia, tomou para sua padroeira, No^isa Se- 
nhora áa Annunciaçâo. Ambos os parochos 
d'estas fregoesiasy eram antigamente freires 
de Malta. 



ROQ 

moliram a eapella em construoção, e a.edi* 
ficaram toda em terreno da sua freguesia» 
que era da jorisdieção do isento da ordem de 
Malta, quando o resto do monte era dentro 
dos limites do arcebispado de Braga. 

A imagem da padroeira, é de roca, e tem 
1,-32 d'alto. 

A sua festa, é a 8 de setembro, dia da Na* 
tividade de Nossa Senhora. 

Na encosta N. doeste monte, e a SOO me- 
tros abaixo da capella, está uma eérea, qa» 
pertencia ao eremiião, que n'ella linha a soa 
horta e pomar, e no centro ha uma foata 
perenne, de óptima agua potável. 

RONGiO— ribeiro, Traz-os-Montes, nasce 
em Favaios, e entra na direita do Douro, na 
Foz do Roncão. O vinho do Baixo Roncao,á 
classificado como dos melhores do Paiz do 
VinhOf do Alto Dooro. 

RONFE— freguezia (villa extincU) Minho^ 
comarca e con<*elho de Guimarães, d'onde . 
dista 10 kilometros a O.— egnal dlstanda a 
B. de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 180 fo- 
gos. 

Bm 1757, tinha 194 fogos. 

Orago, S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

A mitra apresentava o reitor, qae tinha 
100^000 réis e o pé d'alcar. 

A terra fértil. 

ROQUE- AMADOR, ROGA* AMADOR, e RS- 
CLAMADOR — Já na palavra Roca-Amaáor 
tratei do instituto que tinha esta denomlDa* 
çio; aqui direi mais. 

A capella de Nossa Senhora da Silva, na 
rua dos Caldeireiros (antiga roa da Ferra- 
ria de Cima) do Perto, foi a de uma alber* 
garia de^Roque-Amador, ftindada pela rai- 
nha D. Mafalda, mulher de D. Affonso Hen- 
riques, e avó da rainha Santa Mafalda. Tida 
7."* vol., pag. 465, col 1.% no fim e seguin- 
tes. 

Ainda no meu tempo de rapaz, os velhos 
davam a esta albergaria de Nossa Senhora 
da Silva, o nome de hospital de Ao^tM-Aflia- 
dor. 

Vide Torres Vedras. 

ROQUE AMNES — qaínu, Extreníadora, 
' aa freguezia da Alhandra. 



ROR 



ROR 



ur 



Oê cardeaes-patriârehas de Lisboa, eram ^ 
senhores donatário» da viUa da Alhandra. 

D. Tbomaz d' Almeida, primeiro patriar- 
çha de Lisboa» filho do eonde d'ATíntes, e ir 
mão do primeiro marques do Lavradio (vide 
L"" vol., pag. 276, col. i.*) vendo que o hos- 
pital da Misericórdia da Alhandra, estava no 
maior estado de pobreza e abandono t eom- 
proQ, pelos annos de 1720, a quinta de Ro- 
que Aones, e a deu aos pobres da Alhan- 
dra. Esta qaínta rdnde anonalmente 80|»000 
réis, e é o único rendimento que tem o hos- 
pital, que teria acabado de todo, se a nobre 
6 caridoza senhora marqaeza da Bemposta 
Sob-Serra, não tivesse dado muitas esmolas 
a este hospital, abonando-lhe, além d'i9S0, 
uma prestação men.4al de 6^000 réis. 

A mesma senhora pediu ao sr. António 
da Gosta Paiva, (feito barão do Castello de 
Paiva, em 5 d*abril de i854) uma esmola 
para este estabelecimento, e elle lhe legou 
para depois da sua morte—uma inseripção 
de 600i&000 róis. 

Mais nenhama alma caridosa se lembroa 
ainda de dotar o estabelecimento com qual 
quer legado. 

Antigamente promoveram-se grandes tou- 
rada», brilhantes bazares, e vários espectá- 
culos theatraes, em beneficio do bospftal, hoje 
apenas, là de longe a longe, se dá alguma re- 
cita no tbeatro, cujo producto liquido é ap- 
plicado â conservação doeste estabelecimen- 
to« que, apezar de tudo, se acha nas mais 
deploráveis condições. 

ROQUEL— cidade romana, que se diz ter 
existido na Extremadura portugueza. 

Vide Ourem e Vilia Nova de Ourem. 

RÕRIZ—freguezia, Douro, comarca e con- 
celho de Santo Tbyrso (foi da mesma co- 
marca, mas do extincto concelho de Negrel 
los) 24 kilometros ao N. do Porto, a mesma 



1 Maria Annes, uma santa mulher da 
Alhandra, fandàra, em tempos antigos, um 
lM>spital para pubras. Com o andar do tempo, 
foram se de:«encaminhando (roubando) as 
rendai' dVste piedoso i^stabelecimento, que 
em 1591, fitava rf^duzido aúma simples al- 
bergaria. Pflos annos de 1720, é que D. Tbo- 
maz d'Almeiâa restaurou este hospital^ como 
«e diz no texto. Yide Aihandra. 



distancia ao-S. de Braga^ 340 ao N. de Lis- 
boa, 265 fogos. 

Effl 1757, tinha 214 fogos. 

Orago, S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo do Porto. 

O real padroado apresentava o vigário^ 
que tinha lOOMOO réis e o pé d*altar. 

É povoação muito antiga, e foi villa e ca- 
beça de concelho, supprimido ha muitos 
anãos. Nunca porém teve foral régio, antigo 
nem moderno. 

Foi o solar dos Rebellos. 

RebeUo, é um appelltdo nobre em Portn- 
gal, cuja. família tinha o seu solar no couto 
de Rebello^ concelho de Roriz,>entab cornar* 
ca do Porto K 

O pri(neiro que usou este appellido toi 
Mem Rodrigues Rebello (e não Marti m Ro- 
drigues de Rebelio, como querem algum^ 
tomado d'este logar, de Rebello, e senhor de 
couto d'este nome, o qual conto herdou ds 
seu pae, Rny Yasques, Ho reinado de D. Af^ 
fonso III. 

Nuno de Rebello, foi alcaide-mór de San- 
tarém. 

As armas dos Rebellos, são — em campo 
2^ulj trez cotias de ouro, em faxa, cada uma 
carregada de sua flor de liz, de púrpura, fi^ 
eando todas trez em banda. Elmo de prata» 
aberto, e por timbre, um leopardo, de ouro, 
armado d*azu1^ com uma das flores de liz do 
escudo na testa. 

Mosteiro de Roriz 

Houve n'esta f^eguezia um mosteiro da 
monges benedictinos, antiquíssimo. Não se 
sabe quando nem por quem foi fiuidado, mas 
sabe se que já existia em 887, reinando em 
Leão, Portugal e Galliza, D. Affonso, o lía- 
gno, que n*esse anuo o deu à condessa Muma 
Dona. (Vide Guimarães.) 

Parece que este mosteiro passou a com« 

t Frei Manuel de Santo António diz que 
o solar dos Rebellos é na fr^gnezia dd S. 
Martinho do bispado de Vis^^u, o qne é erro. 
Bile confunde Bériz (S. Martinho de) na 
Beira Alta. com este Bóriz^ antiga provín- 
cia do Minho, hoje do Douro. 



248 



ROR 



meodatario», e por ftm» tomou á corte, por 
qae D. Affonso Heoriqaes, em 20 d'abril de 
1173, o dea aos cónegos regrantes de Santo 
Agostinho (erutlos.) 

Em i49S, D. João II, por aactoMdade do 
pontífice lonocencio VIII, e do arcebispo de 
Braga, fez dVste mosteiro nma commenda. 

Em 1660, fallecen, sem snceessio, o ultimo 
tommendatario, tornando o mosteiro á eo- 
rAa; e, n'esse mesmo anno, o cardeal D. Hen • 
riqne (depois rei) pedia á rainha D. Catha- 
rina, viuva de D. João III, e regente do reino, 
Da menoridade de seu neto, o rei D. Sebas- 
liio^ que este mosteiro e suas dependências 
e rendas, fossem dados aos Jesnitas, do col- 
legio de S. Panlo, de Braga; ao que a rai- 
nha annuiu. 

Pela suppressão da Companhia de Jesns 
(1769) passou o mosteiro de Roriz para a 
«niversídadd de Coimbra, que o vendeu. É 
•eu actual pr>prietario, o sr. Manuel Mari- 
nho Falcão de Castro, filho do fallecido pri* 
neiro visconde de Rdriz. 

A egreja, porém, continuou a ser a matriz 
4a (i^eguezia, que nunca teve outra, que 
eonste. 

Entre as varias propriedades d'e8te mos* 
teiro, havia uma em Ganavezes, de Biba-Tâ- 
mega, que o prior, cruzio, «mprazou em 
ttU. 

Em úm cabpço d*esta freguezia, chamado 
Mente do Facho, ou Eira Miura, ha umas 
vastas ruinas, que, segundo a tradição po- 
pular, são os restos da antiga cidade de Sa- 
moatM, Pretendem uns, que esta palavra é 
eorrupção de Citania, e outros que ô de Sa- 
mhoane. Parere mais provável esta ultima 
Tersão. Vide Sanhoane. 

Estas minas tão muito semelhantes ás da 
Citania de Briteiros, e demonstram ser da 
me^ma época. 

As easMS eram aqui circulares, ovaes^ se- 
micirculares e quadrangulares^ como em 
Citania : trez ou quatro muralhas de cir- 
cumvalação, completas, circuitavam, com 
diversos intervallos, a povoação. As calça- 
das, principies pelo lado do sul, davam in* 
reâso para esta povoação. 



ROR 

Bm diversos penedos existem pias qua- 
drangulares, abertas pur mão de homem, e 
em algumas, buracos como que destinados ao 
eixo de mós, e por este polidos; ha um penedo 
levantado e a prumo que os vizinhos chamam 
da Pata do cavallo, jnuto do qual se tem 
feito grandes excavações em busca de the- 
souros que o povo alli cré existentes; pró- 
xima fica a eira dos Mouros, largo espaço, 
cujo pavimento era todo forrado de pedra 
de esquadria, em grande porção já levada 
d'alli para diversas (tbras pelos moradores 
das freguezias em volta. 

No cimo e pcnto mais elevado da povoa* 
ção^ existem grandes penedos, e uma como 
anta informe, cujo appoío de um lado )á está 
tombado. Ao lado norte d'6s$es penedoa^ em 
plano um pouco inferior, ha outros peaedos 
em que se vêem abertas p^ quenas pias cir- 
culares, e por cima dVflas i^e acha a pedra 
rasgada em dois silios, como que á feição 
do corpo de ovelha uu carneiro, e de novi- 
lho, ou rezes de egual cor potencia; as pe- 
dras empregadas na ronstrucção, são pe- 
quenas, e em gerai quadrangulares ou tri- 
angulares^ em fiadas alternadas de umas a 
outras ; descoberta uma das casas circula- 
res, mediu de diâmetro no vasio ij^^SS, d'al- 
tura de parede, de^^de o lastro soalhado, ex« 
teriormente, de pedr» (talvez rua) até á su- 
perficie do solo O^^SS, e de espessura da 
mesma parede 0,^33: as maiores pedras em- 
pregadas n'essa ca^^a não hiam a mais de 
0,30 por 0,25; appart c^ram nas excavaçSes 
d'aquella casa e em outras na chamada Ei^ 
ra dos Mouros, muitO;< fragmentos de tijolo 
e objetos de barro, sendo o tijolo todo cosi* 
do ao sol, e de diversas qu^tlidades de bar- 
ro, mais ou menos grosseiro, e formando 
como em bicas ou cálles, mas chatas, e um 
d'elles tinha uma roseta, como que marca 
d*olaria; também spparereu uma pedra de 
amolar, fragmentos e eífcorias de ferro, pe- 
quenos pedaços de Ioush. Na parte inferiov 
da chamada Eira dos .Hnuru*, informam ot 
visinhos do monte, qu» havia, outr'ora, uma 
pia de pedra, aonde vinhim ter umas calles 
também de pedra, o qu^^ faz suppor, visto 
apparecerem no sitio fragmentos de car^io 
e como que pregos de ferro, te; sido ata ai* 



ROR 

goma olaria, sendo aqaeUa eira destinada i 
aecca e oosimento^ ao soU dos seus prodd- 
otos. 

Appareceram, ha annos, na base do monte, 
doas pequenas hachas de bronzOi de que ó 
actual possuidor o sr. Domingos Joeó dos 
Santos Ferreira, negociante em Barcellos. 

É terra abundante de boas aguas e muito 
íertil em cerpaes, legumes, fruetas e vinho 
(.verde, mas de boa qualidade.) 

Tem fama a laranja de Roriz, principal* 
mente a dos pomares do mosteiro e do Mon- 
te-Sô. 

Os pomares d'esta ultima casa, continham 
ainda em i853, umas 500 laranjeiras, plan- 
tadas em 1735. Teem seccado, em grande 
parte, mas o seu possuidor tem tido o cui- 
dado de fazer novas plantações. 

Ha também no distrieto d*esta freguezia 
grande variedade de plantas medicinaes. 

No outOQO, apparecem aos montes e on- 
tros logares inculto?, grande quantidade de 
açafrão (crosus autumnalis^ de Linn. e Bro- 
tero) que quasi ninguém aproveita. 

Tinha esta freguezia trez irmandades — 
Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora do 
Bosario, e S. Pedro— mas, ha poucos annos, 
foram as duas ultimas incorporadas na pri* 
meira. 

Teve ainda a irmandade das Almas, qoe 
acabou, pouco depois de 1820. 

A caritativa sr.* D. Michelina Julla de Je- 
tas Gouveia de Azevedo, rege gratuitamente 
uma escola particular do sexo feminino. 

Passa por esta freguezia um ribeiro que 
lem vários nomes, segundo os siiios por 
i^nde passa. Chamam-lhe ribeiro de Fójo^ dê 
& Miffuelf da Audiência e das Àânos. Rega, 
snóe, e traz algamas enguias e trutas. 

Nasce no logar do BustôUo (de S. Fins de 
Ferreira) e morre na margem esquerda do 
Visella,. abaixo da aldeia do Monte, na fto- 
goezia de S. Martinho do Campo. 

Passa por aqui a nova estrada, a mae* 
adam, que liga o concelho de Santo Tbyrso 
com o de Paços de Ferreira. 



ROR 



349 



A egreja matriz, de architeetara gothica, 
ó um bom templo, de uma só nave e bas» 
tante espaçoso, e muito aho. 

Era o do mosteiro dos cruzios. A porta 
principal ó ampla e magestosa; as hombrei- 
ras sãOk formadas por dnco columnas, das 
quaçs, a primeira, terceira e quinta, sao 
mais grossas, e a segunda e qoarta mais 
delgadas. A primeira, terceira e quinta, too 
ornadas de flores e conchas, em relevo, e com 
ornatos nos capiteis, e terminam todas com 
uma cabeça de tonro.-— A segunda e quarta, 
sao lizas. 

Sobre estas dez columnas se apoia o areo> 
em ogiva, com ornatos em relevo. Tudo uto 
foi ha poucos annos bezuniado *com uma 
grossa mão de cal t Esta porta e a clarabóia 
sao soberbas. A cimalha lateral, é assente 
em varias figuras de phantasia. 

O arco cruzeiro, é de architectura mo* 
dema, e assenta sobre dois bellos pilares de 
cantaria, muito bem lavrados. Está ladeado 
por dois bustos muito antigos, r^resentaa* 
do um mouro e uma moura. 

A capella-mór ó de abobada de pedra, 
muito bem conservada. 

Fora da egreja, e debaixo de um pórtico^ 
está nin antigo tumulo, com q brazao d'ar« 
mas dos Mascarenhas e dos Silveiras Lo- 
bos ; mas não se sabe quem alli está sepui* 
tado. 

Na parede exterior da egreja estão dnaa 
inscripções, ambas illegiveis, uma por quea 
lapide foi partida, e o que reata não faz sen* 
tido ; outra, pòr estar quasi toda apagada 
pelo tMupo. A primeira ó em antigo nor- 
mando— a segunda em latim. 

Na capella-mór, e junto aos degraus do 
altar, estava a sepultura de João Pemandea 
Farto, commendador dos mosteiros de Yil- 
larinho e do d'esta freguezia. Era de pedra 
preta, e tinha uma cercadura de latão, de 
um de,cimetro de largo^ e com uma inseri- 
pção. O actual reitor, o sr. António Mio 
Gonçalves, de Murça, mandou demolir este 
monumento, vendeu o latão da cereadara, e 
fez coliocar a lousa debaixo da pia da agua 
benta I No logar da antiga sepultura, man- 
dou pór mna lagem tosca, na qual fex gra* 



250 



ROR 



ROS 



var o seu nome (!) em earacteres ainda mais 
I08C09, ad aetemam memoriam. 

« 

OapeUas 

i.^-^ Santa Maria de NegréUos, qae foi 
egreja matriz da fregueziaaMim denominada 
e qae Be annexoa a esta, do tempo dos jesui* 
ti^ (Yidó 6.« Yol., pag. 30, col i.*) É pu- 
blica. 

2.*, 3.* e 4.*--B0 logar do Calvário. 

5.*— Na casa da Singevêrga ; particular. 

6.*— Na casa de Cabreira', particular. 

7." e 8.*— Nas casas de S. Miguel, e de S. 
Joio (no logar d'este nome) ha as eapellas 
doestes santos, ambas em ruinas. 

Na alAeia de Yiraes, d*e8ta íiregueziai 
houve antigamente uma egreja paroehial, 
^e era a matriz de uma freguezia ba mui- 
tos annos exiineta, denominada S. Payo de 
Yirães. Gompunba-se só de duas aldeias, 
Soutéllo, que passou para a flreguezia de S. 
Thofflé de Negreilos ; e Yirães» que passou 
para esta de Roriz. 

Em 17 de fevereiro de 1853, fd feito pri 
meiro visconde de Roriz, António Marinho 
Falcão de Castro Moraes, |a failecido. 

Era filho de Manuel Marinho Falcão de 
Castro Moraes, fidalgo cavaileiro da casa 
real^ eommendador da Conceição, conselheiro 
de estado, e do rei. Tinha sido juiz de fora 
em Guimarães, desembargador da relação 
do Porto, e ministro da justiça, em 1823. 

Yeio casar na casa do Mosteiro, e aqui 
lálleceu, em 7 de fevereiro de 1831. 

Está sepultado na capella-mór da egreja 
matriz, e na mesma estão sepultados seus 
filhos— Sebastião Marinho Falcão de Castro 
Moraes, desembargador da relação do Porto; 
e o primeiro (e ultimo) visconde de Roriz. 

Ck>uto de Rórlz 

tDeclaração do couto de Roriz — perten- 
«oenCe antigamente aos padres cruzíos, de- 
«pois aos da Companhia, e boje se acha in* 
«oorporado na coroa. Consta do Tombo, feito 
«em 1548, pelo D. Prior do mesmo mosteiro. 

t//mi— Tem este mosteiro, eoitto e jurisK 



diçio, no civil somente— e o prior do mos* 
teirOy com homens bons, do couto, p5em 
cada um anno, juiz, porteiro, jurados, « 
outros officios, como se contem no privile- 
gio e doação do mosteiro. 
cO qual couto está por marcos e divísSes, 
e começa uma divisão, sob a PorleUa, so- 
bre a egreja de S. Mamede, (de NegréUos) 
por um padrão que está direito, qual é a 
pedra em cima cavada, com a figura de 
certan— e d*ahi corre direito ao rio YiseUa, 
sob o logar a que chamam Agrêllo, no qual 
logar está um padrão alçado, que tem signal 
de cruz, em cima— e para a parte do couto, 
signal de chave — e d'ahi, corre pelo monte 
de VirãeSy e d'abi á Portella de Covêjh, 
onde está uma pedra, a qual tem signal de 
letra— e d'abi corre ao Fâjo onde está ou- 
tro padrão alevantado, que tem em dma 
outro signal de chave— e d'ahi ao monte de 
PenouçoSy e d'alli direito á ermida S. Ci- 
arão, assim como verte a agua contra o rio 
Yisella, e d'alii a S. Mamede, onde começa 
a divisão. 

tE o juiz do couto, ouve todos os feitoè 
eiveis, e d*elle appellam para o prior, e do 
prior para el-rei. E os aggravds d'anle o 
juiz, ao corregedor da comarca, etc.» 
RÚRIZ— freguezia, Traz-os-Montes, na co- 
marca e concelho de Chaves (era da miasma 
comarca, mas do eztincto concelho de Mon- 
forte do Rio Livre.) Yide Castanheira e Bá- 
m, a pag. 165, col. 1.* do 2.» volume. 

RORIZ— freguezia, Mioho, comarca e con- 
celho e 7 kilometros de Barcellos, 12 kilo- 
metros ao O. de Braga, 360 ao N. de Lisboa» 
180 fogos. 
Em 1757, tinha 134 fogos. 
. Orago, o archanjo S. Miguel. 
Arcecispado e districto administrativo de 
Braga. 

O reitor do convento de Yiliar de Frades 
(os bons homens de Villar) apresentava o 
cura, que tinha 3OM0O réis e o pé d'altar. 
A esta freguezia está annexa á de Qaei- 
roz (Yide n'este vol., pag. 17, col. 2.*, o 1.* 
Queiroz) e por isso se lhe dá o nome de Ad- 
riz e QueiroZf ou de Queiroz e Bárús. 
É terra fertiL 
ROSA— Yidó Boballo. 



ROS 

. AMA (mosteiro da)— ExtrenuUlara, Lis- 
boa.— Alem do qae dibse a pag. 299, eol. 
i.% do 4.* Yol^ accrescento aqai mais o 
segaiale: 

Luiz de Brito, fandador do mosteiro, era 
easado em segondas núpcias, com D. Joanoa 
de Aihaide, fliha do senhor de Pena-Gova, 
e esta senhora também concorren multo 
para esta fundação, pois, como não tinha fi- 
Ibod, deu toda a sua fazenda, que era muita 
e de grande valor. 

t próximo e ao O. do eastello de S. Jorge, 
em sitio muito elevado, d*onde se goza a 
vista da maior parte de Lisboa e do Tejo. 

Principiou a fundação, em 29 de novem- 
bro de 1519, com auetoridade do rei D. Ma- 
nuel-— que também contribuiu muito para 
esta obra — sendo juiz apostólico, o doutor 
Braz Neto, que depois foi bispo de Cabo- 
Yerde, e que assistiu ao lançamento da pri- 
meira pedra, por ordem de papa Leão X. 

Principiou o convento com treze religio- 
sas, e era da invocação de Nossa Senhora 
da Conceição. 

Foi incendiado em 1670, o -que causou 
grandes prejuízos, pois só o da sachristia foi 
avaUado em 40:000 crusados (16 contos de 
leis.) Foi logo reedificado. 

ROSÁRIO (Nossa Senhora do)— freguezia, 
Alemtejo. Comarca e cpoceiho d*Almodóvar 
(foi do mesmo concelho, mas da comarca de 
Mértola) 105 kílometros ao O. d'£vora, 135 
ao S. de Lisboa, 170 fogos. 

Em 1757, tinha 96 fogos. 

Orago^ Nossa Senhora do Rosário. 

Bispado e districto administrativo de Beja. 

O tribunal da mesa da consciência e or- 
dens, apresentava o capellão, curado, que 
tinha 120 alqueires de trigo, 20 de cevada 
e 10^000 réis em dinheiro. 

É terra fértil. 

ROSÁRIO (Nossa Senhora do)— freguezia, 
Alemteio, comarca do Redondo, concelho do 
Alsmdroal ((bi do mesmo concelho, mas da 
comarca d*£stremoz) 30 kílometros d'£lva8, 
150 ao B. de Lisboa, ISO fogos. 

Orago, Nossa Senhora do Rosário. 

Bispado d'£lvas, districto administrativo 
d'£vera. 



ROS 



351 



O tribunal da mesa da consciência e or- 
dens, apresentava o capellão, curado, que 
tinha 180 alqueires de trigo, e 120 de ce- 
vada. 

É tenra muito fértil em cereaes, e nos 
mais géneros agrícolas. 

ROSÁRIO (Nossa Senhora do)— fregueaia, 
Alemtejo, concelho d*Arronehes, comarca de 
Portalegre, d'onde dista 24 kílometros, 180 
ao S.E. de Lisboa, 60 fogos. 

Em 1757, tinha 31 fogos. 

Orago, Nossa Senhora do Rosário. • 

Bispado e districto administrativo de Por- 
talegre. 

A mitra apresentava o cura, que tinha 180 
alqueires de trigo. 

É lerra fértil em cereaes. 

ROSAS— antigo nome da actual freguezia 
de Roças, na comarca e concelho d* Arouca. 
Douro. 

Foi commenda da ordem de Malta. 

Esta povoação foi fundada em lloO, por 
Odorio Espinêl, ou Eípinhst, que a doou 
depois, a Salvador Peres. Yidé Roças de 
Arouca. 

ROSMANINHAL— freguezia. Beira Baixa, 
comarca e concelho de Idanha Nova (foi da 
mesma comarca, mas do concelho de Salva- 
terra do Extremo) 240 kílometros ao E. de 
Lisboa, e 35 da Guarda, 4C0 fogos. 

Em 1757, tinha 214 fogos. 

Orago, Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado e districto administrativo de Gas- 
tello- Branco. • 

O real padroado apresentava o vigário, 
que tinha 404000 réis e o pé d'altar. 

Foi villa> cabeça de concelho, ao qual o 
rei D. Manuel deu foral, em Santarém, ao 
1.* de junho de 1510. {Uvro dos foraes no- 
vos da Beira, fl. 26 verso, col. 1.*) 

Tem minas d*ouro, que se não exploram. 

Era commenda da ordem de Christo, e 
eram seus commendadores e alcaidesmó* 
ros, os marquezes da Fronteira, condes da 
Torre, e de Assumar, e marquezes d* Alorna, 
cnja casa está actualmente representada pelo 
sr. D. José Transimundo Mascarenhas Bar- 
reto, marquez da Fronteira, mas que se as- 
signa marquez de Alorna, titulo que lhe foi 
, úado, em 22 de outubro de 1839. 



35ã 



ROS 



Este cavalheiro, é ?.<" marqnez da Fron- 
teira, S.*" marqaez d^Aloraa, 8.« conde da 
Torre» e l,"" conde d^Assumar. (Aloroa é ama 
cidade da índia OrieDtal, que foi do rajata 
de Bonsoló, e ao qual a tomou D. Fedro de 
Almeida Portugal, marquez de Gastello Novo 
e Qonde d'ÂssQmar ; pelo que, D. João Y Ibe 
deu o titulo de marquez d'Alorna, em 9 de 
novembro de 1748,) 

Alem da commenda do Rosmaninhal, ti- 
nham os senhores d*esta casa, mais cinco 
commendas, todas da ordem de Ghristo : 
. O i.* conde d*Assamar, fcíi D. Francisco 
de Mello, feito por D. Philippe IV, em 30 de 
março de 1636. 

O i.* marquez da Fronteira, foi D. João 
Mascarenhas, 2.« conde da Torre. (Para evi- 
tarmos repetições, vide 3."* vol., pag. 240, 
col. í.-) 

A esta familia, uma das mais 
nobres de Portugal, perten- 
ciam também os marquezes de 
Gouveia (depois duques de 
Aveiro) os condes d' Alva, os 
condes de Goculim (villa in- 
diana, na comarca de Salsete) 
os condes de Sandomil, e os 
de Portalegre ; além de outras 
esclarecidas famílias, do ap- 
pellido Mascarenhas. Também 
eram d*esta família os mar- 
quezes de Castello-Novo. 
D. João Mascarenhas, i.® marqaez e se- 
nhor da Fronteira, ^tJ" conde da Torre, foi 
mestre de c-ampogeneral do exercito poriu- 
guez da província do Minho, durante a guer- 
ra da Restauração , mestre de campo-gene- 
ral da cavallaria, da província do Ãlemtejo; 
moãtre de campo- general, junto á pessoa do 
rei, na corte e província da Extremadura; 
governador das armas de Gascaes e Setúbal; 
geniil-homem da camará de D. Pedro II 
(quando príncipe regente) do seu conselho 
de estado e guerra, vedor da fazenda» e grão- 
príor do Grato. Foi dos mais bravps e leaes 
militares do seu tempo e grande valido do 
rei. Falleceu em 16 de setembro de 1681, 
na florescente edade de 48 anno?, pois ha- 
via nascido em 18 de julho de 1633. 
Foi este fidalgo o fundador da sumptao- 



ROS 

sissima quinta e magestoso palaeio 4o8 srs. 
marquezes d'Abraiit6s, em Bemfica. (Vol. L.\ 
pag. 378, col. 1.*) 

E^te palácio e o seu jardim e quinta, slo 
uma das mais bellas vivendas de Portugal, 
e fioa a 6 kilometros de Lisboa, na encosta 
da serra de Monsanto, do lado de Bcmfi«a. 

Gbamava-se a e»te sitio, Morgado-wmo^ a 
eram terras dos Mascarenhas. 

A casa está guarnecida de azulejos, onda 
estão pintadas todas as batalhas em que to- 
maram parte os membros d*esta família, do- 
tando-se a batalha do Ameixial, onde se'vé 
o fundador do palácio e quinta, hatendo-t* 
corpo a corpo com D. João d'Aa8tria. 

Entre os retratos dos antepassados do 
actaal marquez de Fronteira, exí3tentesn'e9(a 
palácio, se vêem os da marqueza de Távora» 
D. Leonor de Távora, degolada e queimada 
no cães de Belém, em 13 de janeiro de 1759; 
o de D. Magdalena de Vilhena; o de D. 
Francisco d' Almeida, primeiro viee-rei da 
índia ; e dois do marqnez d*Aloraa, um ti- 
rado antes de entrar para os cárceres da 
Junqueira, e outro tirado quando saiu de 
lá, no fim de 18 annos (em 1777, pelo faUe* 
cimento de D. José I.) 

Este palácio /òi construído pelos annos 
1680, porem a sua capella é muito antiga» 
e foi reedificada em 1580. 

Na sala chamada das batalhas, e que agora 
serve de sala de jantar, se vêem os bustos 
de vários fidalgos d'edta familia, entre elles: 

D. Fernão Martins Mascarmhas^ chefe da 
casa dos Mascarenhas, senhor da casa de 
Lavre, commendador de Mértola e de Aimo- 
dóvar,alcaide-mór de MonteMór Novo e de 
Alcácer do Sal, e capitão de ginetes de D. 
João II, e de D. Manuel. 

D. Manusl Mascarenhas (o Espada Carta' 
dora) um dos principaes que tomaram Aea- 
môr, em 1515, e que morreu governador de 
Arzilla (Africa.) 

D. Fernando Mascarenhas, morto na ba- 
talha d*Alcacer-Kibir, em 4 de agosto do 
1578. 

D. Manuel Mascarenhas, gravemente £»• 
rido e captivo, na mesma batalha. 

D. Fernando Mcucarenhas, l.^" conde da 
Torre, governador de Geuta e Tanger. 



ROU 



RUA 



253 



D. Franrisco Mascarenhas. 1.* ooade de 
Coealfm (viila oa comarca de Salsete, na In* 
dia) feito por D. Pedro ÍL em 3 de jaoho de 
1676. 

Tatnbem aqui estão os bastos do 2.<', 3.% 
4.* e 5.'' marqaeies de Fronteira. 

E(D um dos lados d'esia .«ala, vô-se em 
aJto relevo, e do tamanho natural, o I.* mar- 
quez da Fronteira, a eavallo, e com o uni- 
lorme de marechal 

Tem por baixo uma extensa inscripçao, 
designando todos os postos e dignidades do 
marquez. 

£m um dos maiores tanques do jardim, 
eslá uma varanda» e n*elia, em bonitos ni- 
chos» ^estao 03 bastos— em mármore de Gar- 
rara— de todos os reis de Portugal, desde 
D. Affanso Henriquei^, até D. João Yi. 

Rosmaninhal, foi praça d*armas, com seu 
eastello e muralhas com seus competentes 
ravelins, e barbacans. 

Já disse quà eram alcaides mores d*este 
eastello os marquezes da Fronteira. 

Está situada sobre a margem do Tejo, na 
«onfluente do rio Elga, com aquelle, porisso 
chamada Foz do Elga, 

Das suas antigas CortiQcações apenas res- 
tam alguns muros desmantelados. 

ROSSAS— Vido Baças. 

ROTELLA -- portuguez antigo — rompi- 
mento, força, rotura, violência, ete.— No fo- 
ral da villa de Linhares (B^ira Baixa) dado 
por D. Âffonso I, em 1169, se ié^De roUla 
4e sua casa cum lanzas (lanças) et soutos^ 
(escudos) da sua porta a denlro, pectet (peite, 
ou pague de peiía) ccc (300) soldos. 

ROTORlA ou ROTURA— portuguez antigo 
— rompimento de terra (arroteia) quetraos- 
íòrma em campos os terrenos bravios. Em 
Arouca, amda a arroteia se dá o nome de 
rompida. 

' RÓTULO— portuguez antigo— rolo de per- 
gaminho, ott de outra qualquer matéria, em 
que se escreviam os livros, e o qual se en- 
rolava em um cyliadro, para se não enge- 
lhar. A este modo de escrever, se chamava 
^crever em bandeira, 

ROUBA ou ROUBADIA-^portuguez antigo 
—roubo oa furto. (Doe. de Yairão, de i304.) 



ROUBADO (Senhor)— Yídó Carriche. 

ROUCAS— Yidé Roças. 

ROUSADA, ROUXADA e ROUZADA— por- 
tuguez antigo-^mulher violada. Vide Rau» 
sador. Andando D. Pedro I á caça em Bem* 
fica (termo de Lisboa) onde tinha um pala<^ 
cio e quinu, ouvia chamar uma mulher i 
o«tra, Maria Rouçada. Perguntando a razão 
de tal alcunba, soube que a mulher havia 
sido violada por o homem que depois foi 
seu marido. (Para evitarmos repetições, vidft 
n'este volume, pag. 58, col. 2.*) 

ROUSADOR, ROUSAR, ROUSO, ROUXA- 
DA. ROUXO, ROUZ ADA e ROXO— portugnei 
antigo— era o mesmo que— ratuar^ rauso, 
raussOy ranxada, etc, 

ROVINA— Vido Ruvina. 

ROZEM — freguezia, Douro, comarca 6 
concelho do Maroo Canavezes (foi da co* 
marca e concelho de Soalhãeâ) 48 kilome* 
-tros ao N.E. do Porto, 335 ao N. de Lisboa» 
70 fogos. 

Em 1757, tinha 47 fogos. 

Orago, Nossa Senhora das Neves. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

O papa e a mitra, apresentavam alterna» 
tivamente o abbade, que tinha 400^(000 réis 
de rendimento. 

É terra fértil em todos os géneros agrí- 
colas. 

Gado, e peixe do Tâmega, é de alguns ri* 
beiros anonymos. 

RUA (pedras da)— Yidé Pedras da Rua e 
Pontos do Douro. 

RUA— vilia. Beira Alta, concelho de Ser- 
nancelhe, comarca e 6 kilometros do Moi- 
menta da BeU*a, 30 kilometros de Lamego^ 
345 ao N. de Lisboa, 210 fogos. 

Em 1757, tinha 140 fogos. 

Orago, S. Pelagio. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Viseu. 

O padroado real, apresentava o reitori 
que tinha 40^000 réis e o pó d*altar. 

Esta villa, como a de (laria (vol. 2.^, pag. 
108, col. l.« e seguintes), é povoação anti- 
quíssima, e foi a capital do concelho de Ca- 
ria e jRua, supprimido em 1854, e encorpo- 
rado no de Sernancelhe. 



254 



RUA 



RUA 



Está situada em uma fértil e vasta baeia, 
cercada de vários outeirqs de pouca eleva- 
^, UDS plantados de vinha e outros povoa- 
dos de differeDtes arvores, formando um ri* 
soDko e aprazível quadro durante a prima- 
vera e estio. Ao longe se avistam altas ser- 
ranias, que a neve cobre no inverno. 

É este valle feraclssimo em todos os fni- 
ttos, especialmente em vinho, milho e trigo. 

A villa é cortada pela estrada que de Tran- 
coso éonduz a Lamego. 

Ha aqui uma óptima fábrica de fiação de 
seda, pertencente aos industriaes, os srs. 
Francisco Cabral Paes e Filhos. 

Os prodttctosil'esta fabrica se teem expor- 
tado para diversos palzes, onde são muito 
apreciado.", e os seus proprietários teem ob- 
tido vários premio?, nas exposições a que 
teem concorrido. Adiante falto mais detida* 
.mente d*esta fábrica. 

Segundo a tradição, a 500 metros da vil- 
la, no sitio chamado São João, houve uma 
grande povoação, ou cidade, chamada ArrO' 
díella ou Rochella, ^ da qual ainda existem 
vestígios (alicerces de muros, tijolos grossís- 
simos, e outros objectos), todos denotando 
grande antiguidade. 

Em i872, um proprietário d*estes terre- 
nos, achou em uma vinha, grande quantida- 
de de moedas de cobre, pesando todas lins 
-dkilogrammas. Muitas d*estas medalhas, são 
do tempo dos romanos, outras ainda ante- 
riores ao seu domínio na Península. Umas 
que se encontraram entre seis grossos tijo- 
los, foram ofTerecidas à camará municipal do 
Porto, que as teve em grande apreço, e as 
mandou collocar no seu museu. Algumas 
estavam tão oxidadas, que eram completa- 
mente ilegíveis. Os seis tijolos onde haviam 
sido guardadas, estavam dispostos em forma 
He caixa (fbndo, tampa, e os quatro lados). 
Uma boa parte d*ellas (medalhas) ainda es- 
tavam bem conservadas. 

No mesmo sítio teem appareeido varias 
sepulturas de pedra, muito bem trabalhadas. 

No*fim de janeiro de i877, um jornaleiro 

1 Rochilla, signifiea pequena rocha. 



que andava plantando videiras, achou a um 
metro de profundidade, um vaso de barro, 
coberto coín uma pedra, e dentro d'elle, «1- 
gnns bocados de prata, em bruto, e do peso 
de '2 Vs kilogrammas, e entre a prata, algu- 
mas moedas romanas, do mesmo metal. 



Entre o grande numero de medalhas qvo 
aqui se teem encontrado, appareeem em 
maior numero as romanas e árabes; mas 
também se encontram duas que julgo serem 
do século XI (entre 1037 e 1067) e de D. Aí- 
fonso o Magno. 

O senhor Francisco Cabral Paes, teve a ge* 
nerosidade de me mandar 36 d'estas meda* 
lhas, sendo uma d*ellas de prata, que en of' 
fereci ao museu archeologico do Carmo, em 
Liâboa, onde agora existem. 

Examinei estas medalhas, e eis o que pu- 
de averiguar — as de cobre: 

Go/Afca<f— duas-* em uma, de um lado, 
um homem com uma espécie de turbante na 
cabeça, e virada para elte, uma mulher, am- 
bos de pé, e entre elles um M.^A outra tem 
de um lado uma mulher, com um ramo ou 
palma, na mão, e da legenda só se lé vicro; 
e no reverso, o busto de um guerreiro, e s6 
se pôde lôr gratia. 

Leonezasf^-áxiaLS, tendo de um lado dois 
guerreiros, de pé, virados um para o outro, 
e entre elles uma estante, ou pyra. Em uma, 
a legenda desappareceu, na outra apenas se 
pôde lér ONS tbrtius. Será D. Affonso III (o 
Grande?) 

Romanas — áe vários imperadores» 18. 

Árabes — 13. 

E uma árabe, de prata. 

A antiga villa de| Caria, hoje aldeia, andou 
até 185& unida a está da Riia, para todos os 
effeitos judiciaes; administrativos e muníel- 
paes. Caria, fica 2 kílometros ao S.O. da Rua^ 
5 ao S. de Moimenta da Beira e 5 ao Ns do 
famoso Sanctuario de Nossa Senhora da La- 
pa (vide Qmntella da Lapa.) 

Em todos os documentos antigos, quando 

se trata d'estas terras, se diz sempre— Caria 

eRua—e ambas contam egual antiguidade, 

I e o que se diz de uma, pôde apphcar se á 



RUÂ 



RUA 



255 



mtlra: é por isso qae ea trato aqui de íáetos 
respeilaotes a ambas. ^ 

Em 18 de maio de 1878, em nm monte^ 
entre Roa e Caria, andando aos operários a 
demoiir os restos de nm antigo mnro» acha- 
ram nos alicerces uma grande quantidade 
de moedas de prata (umas 400) de 20 diver- 
sos typos, mas todas romanas, e do valor 
(com referencia ao seu peso) de i50 a SSO 
léis cada nma. 

As mais notáveis d'e8tas moedas,- sao — 
uma, que tem de um lado, o busto de uma 
mulher, coroada por nm diadema, e por bai- 
xo—xxxviii. No reverso, tem um cavalieiro^ 
eorrendo a toda a brida, e por baixo a le- 
genda L. pisuFRUGi. Doeste typo, acharam-se 
quatro moedas, mas tendo cada uma diversa 
inicial, e só uma tem a era de uxix. 

Uma, também com busto de mulher, ten- 
do na frente uma espiga de trigo, e a legen- 
da D. MBTELL, O por baíxo um arado. No re- 
verso, tem um gladiador, e por baixo l. f. 
o. F. o. 

Grande^ numero, tendo de um lado, um 
elepbanie e por baixo a legenda cassar; e 
no outro, uma espada, um facho e um ma- 
chado. 

Ontras teemnm busto de homem, e no re- 
verso, um homem, de corpo inteiro, com ca- 

^ Note-se que havia trez Carias-^ Caria- 
VelhOy da qual adiante trato — Caria Suzan 
(Caria de Cima) que é a actual Caria, onde 
primeiramente esteve a casa da camará, e 
era a capital do concelho — e Caria Juzan 
(Caria de Baíxo) que é a actual villa da Rua, 
para onde depois se transferiu a capital do 
concelho, até 1854, as.«im como a casa da ca- 
ma, pelourinho, justiças, etc. 

Um kilometro ao N. de Caria, existem as 
minas da Caria-Velha, vendo-se no centro 
d*ella os restos do çeu vetusto castello, ao 
qual hoje o povo dá o nome de C<ua do Poe- 
tar, Piea isto na orla de um bosque, na en- 
costa do monte que pertence ao sr. Jo^é de 
Lemos de Nápoles, e faz parte da sua quin- 
ta, chamada Boa-Vista; porque o» antepas- 
sados d'este cavalheiro, compraram aqueilas 
minas e parle do bosque, aos Jesuítas. 

Dentro do recinto d*estas ruinaSj se des- 
cobrirarp, em i867 ou 1868, varias sepultu- 
ras, abertas a pício, na rocha granítica, e 
dentro dVllas, ossadas humanas, menos mal 
eooservadas. 



paeéte de plumas, e empunhando uma espar 
da. Está sentado sobre um globe, e tem por 

baixo ROMA N. FABI. 

Para não fatigar o leitor, nlo menciono 
expressamente mais d'edtas medalhas. 

Em 1868^ no monte dos Cabaços^ um ca* 
çador, ao tirar musgo de um rochedo, achou 
uma moeda de ouro, qoe vendeu a peso, ao 
sr. visconde de Moimenta da Beira. 

Tem de um lado, uma cruz, suspensa por 
nm collar, e por baixo a legenda, bastante 
apagada, que parece ser Coifo, Goifo, ou Coi* 
kOy VIU. -^ Do outro lado, tem um homem 
cem a cabeça cingida por uma fita, com bor- 
las nas extremidades. Soppõe-se que* seja 
uma moeda do baixo^imperio, das manda- 
das cunhar por Constantino Magno, o 1.* im- 
perador chrístao de Roma. Outros preten- 
dem que seja gothica. 

Ha na villa da Rua, um mosteiro que foi 
de frades franciscano», fundado em 1443. — 
Só uma pequena parte do ediflcio se acha 
em bom estado de conservação, o resto está 
desmantelado. A egreja, porém, está muito 
bem conservada, devido ao zelo dos irmãos 
da ordem 3.* de S. Francisco, que se estabe- 
leceu n'este templo. 

Havia outro, de frades bernardos, que nas 
suas próprias casas, no logar de Tabosa, fun- 
dou D. Maria Pereira, viuva de Paulo Ho- 
mem Telles, tenente-general e governador 
da Beira. 

Fahrloa de fiação de seda 

DOS SRS. FRAKCrSGO CABRAL PAES E FILHOS 

Portugal foi por muitos annos quasi com- 
pletamente desconhecido no estrangeiro, em 
relação á matéria prima da industria da se- 
da. A magnifica raça de castUlo amarelh 
portnguez, em maior ou menor quantidade, 
era empregada (ou melhor diria, perdida) 
toda no fabrico de retroz. Nenhuns, ou mul- 
to poucos tecidos se fabricavam, pela falta 
de fiações nacionaes, que se assemelhassem 
ás estrangeiras, em perfeição nos productos 



256 



RUA, 



BUÃ 



6^ ainda hoje, não teríamos dado um passo, 
86 um acaso não viesse a isso impeiir-nos: 
foi o seguinte: — Desde 1863 ató 1872, deu 
no sirgo estrangeiro uma doeoça que o ma- 
tava quasi todo, causando ímmensos estra- 
gos na sericultura. 

Então os estrangeiros, sem terem semen- 
tes isentas da moléstia, tiveram de hír pro- 
cural-as a outros paizes, onde ella não 
existia. Hespanhoes, italianos e francezes, 
vieram em grande numero comprar-nos a 
semente do sirgo, em vista dos óptimos re- 
sultados colhidos d*ella. O casuUo triplicou 
então de valor e as sementes eram vendidas 
por alto preço. 

£m vista d'esta vantagem, tomou grande 
desenvolvimento na Beira-Alta, a criação do 
bixo da soda. Só os srs. Cabral Paes e Fi- 
lhos, exportavam annnalmente250 a300ki- 
logrammas de semente. 

As prosperidades duraram apenas nove 
annos, porque, em 1872, umbem o sirgo 
portuguez fui atacado da moléstia, o que 
afugentou a concorrência estrangeir;*. 

Os illustrados indusiriaes de quem estou 
tratando, entenderam que os seus casuUos 
deviam ser empregados>mais preficuamente 
do que outr*ora; e, relacionados com muitos 
sericultores estrangeiros que visitaram a sua 
fabrica durante a epidemia do sirgo, princi 
piaram a exportar em grande escala os pro- 
duetos da sua fabrica de fiação de seda, quo, 
não só foram elogiados e muito apreciados 
lá fora, mas obtiveram menção honrosa nas 
exposições de Londres e Paris, e foram re- 
compt^n^ados com a medalha d'honra, e com 
ai.* medalha de prata, nas ultimas exposi- 
ções agrícolas e nacionaes de Lisboa: e nas 
duas de sericultura do Porto, em concurso 
ao l.*" premio pecuniário. 

Em 1869, os srs. Cabral Paes e Filhos, 
augmentaram o seu estabelecimento, e a sua 
fábrica de fiação de seda, tendo de instruir 
n'esta industria, os vinte e tantos operários 
que empregaram nVlla. 

O motor é a braço, e o systema. de fiação, 
o italiano. Produz 600 kilogrammas de seda 
em rama, annualmente. 

As pessoas que desejarem mais amplas 



noliei as d*esta povoação, vejam Caria, a pag;. 
108, col. 1.* do 2.» volume. 

RUA, é um áppellido nobre* doeste reino, 
e eoja família é oriunda das Astúrias. Um 
membro dVsta família easou com uma se* 
nhora da casa de Aihouguia. Depois^ D. Ignes 
Martins da Rua, filha d* Álvaro Annes da Roai 
(escudeiro do infante D. Fernando, pae do 
rei D. Manoel), casou com Luiz d*AthoagQia» 
seu parente. As primeiras armas d'esta fa^ 
milia, eram, em campo azul, trez flores, de 
ouro, com tulipas raiadas de púrpura: elmo 
de aço aberto, e por timbre, um leão d*oaro. 
A Francisco Martins Rua, da cidade do Porto» 
sendo feitor de Portugal em Flandres» Um 
deu o imperador Carlos V, novo bniio 
d'armas, o que foi confirmado pelo nosM 
D. João IIL— São agora— em campo d^ouro^ 
6 rosas de púrpura, em duas palias^ folha- 
gem verde, e no meio do chefe, uma flor da 
liz azul. Elmo e timbre como os antigos. 

Martin^ Ruas, da villa de Caminha, ta^* 
vez descendente d'estes Ruas, foi auctor de 
um livro que elle denominou A Pedreida^ e 
disse ser um poema épico, (!) É uma das 
obras mais celebres do século XIX, e rival 
do famoso Diccionario da lingua portuçfueza, 
do padre Rernardo de Lima Baceliar, e pa* 
blicado em 1783. 

RUA— Vide 3* vol., pag. 212, col. l.«, pe- 
ríodo 2."» 

RUAES — aldeia, Minho, na fregnezia de 
S. Payo de Merelím, no antigo couto de Ti- 
bães, supprimido (Vide Tibões), concelho, 
comarca, di^tricto administrativo, bispado e 
6 kilometros de Braga, 360 ao N. de Lisboa. 

Em 25 de setembro de 1872, foi feito vis- 
conde de Ruães, o negociante da praça do 
Porto (hoje fallido) Bedto Luiz Ferreira Car- 
mo, casado, em i6 de fevereiro de 1876, com 
a sr.* O. Anna Carolina Jacome de Souza 
Pereira de yast*oncello9, na nobre casa dos 
Avellares, em Braga. 

Passa aqui o rio Cávado, e aquelle neg«^ 
eiante fundou n*este logar, e em uma quinta 
sua, próximo da Ponte do Prado, cm 1870^ 
uma grande fabrica de papel. Depois, pas- 
sou esta fabrica a ser propriedade de offlâ 



RUÃ 



RUÃ 



257 



companhia, sendo o fandador e sea sobri- 
nho^ Edoardo Laiz Ferreira Carmo, os prin* 
dpaes accionistas. 

O propulsor mechanico é o vapor, e a agua 
io rio. 

A fabrica foi muito augmentada e melho- 
rada, sob a direcção do distincto' engenheiro 
Thomaz Smith. Fizeram-se os ensaios em 30 
de Janeiro de 1876. 

Foi inaugurada, em 25 d'abril de 1877, 
depois da benção religiosa do ríCual, feita 
pelo rey."^ abbade de Tibàes (Mí-relim). 

A machioa a vapor, é da força de 100 ca- 
valtos, e a turbina, movida pela agua do Cá- 
vado, é da força de 50. 

Os seus prodnctos são dos melhores do 
paiz, na sua espécie, e rivailsam com o me- 
lhor papel que vem do edtrangeiro. 

A fábrica está exeeilentemente montada, 
e as marhinas foram construídas no acredi- 
tado estabelecimento dos srs. Easton & An- 
dreson, de Londres. 

O mestre da fabrica, é o sr. Benjamim 
Pêáke, inglez. 

O p^^ssoai da fabrica, na sua inaugoração, 
era de 40 homens e 60 mulheres. 

O sítio é alegre, bonito e sadio, ficando- 
Ibe perto povoações que lhe podem consu- 
mir grande quantidade de papel, principal- 
mente Porto e Braga. Tem excellentes estra- 
das para diversos centros, para onde pôde 
fazer exportação em grande escala, ficando, 
de mais a mais, a pequena distancia do ca- 
minho de ferro do Minho. 

Pois com todas estas condições de prospe- 
ridade, teve a sorte de quasi todas as nossas 
grandes emprezas industriaes, fatliul — De- 
via ao sr. José Peresira Loureiro (víácoúde de 
Fragozella, desde 25 de maio de 1870), 70 
contos de réis, que lhe não poude pagar. 
O sr. vibconde demandou a* companhia, e 
lez-lhe penhora na fabrica, e todas as suas 
dependências, sendo tudo avaliado em réis 
60:655 ji080 (t). 

Foi posta em praça, no dia 27 de outubro 
é» 1878, e arrematada pela quantia de cin« 
coenla contos *o trezentos mil réis, pelo sr. 



Alberto de Oliveira, como representante de 
uma sociedade de parceria. 

Consta que esta sociedade é constituída 
por cavalheiros emprehendedores e grandes 
capitalistas. Deus queira que este patriótico 
estabelecimento caia em poder de indus- 
triaes mais felizes do que os antecedentes, 
e attínja o grau de prosperidade de que é 
merecedor. 

RUÃO — portuguez antigo— o que vive na 
cidade ou villa, onde as casas estão orrua' 
das. Vinha a ser o meio termo, entre os fi« 
dalgos e os peões. Hoje diz-se burguez. 

RUBIiES — freguezia, Minho, comarca e* 
concelho de Coura (foi do mesmo concelho, 
mas da comarca de Valença}, 40 kilometrbs 
ao N. de Braga, 400 ao N. de Lisboa, 225 
fogos. 
Em 1757, tinha 150 fogos. 
Orago, 8. Pedro, apostolo. 
Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Vianoa. 

Os viscondes de Villa Nova da Cerveira 
(depois marquezes de Ponte de Lima) apre- 
sentavam o abbade, collado, que tinha tre- 
zentos mil réis. 

É n'esta freguezia a nobre e antiga casa 
vinculada, das Antòs, da qual é actual pro- 
prietário, o sr. Francisco Jusé Dantas Mon- 
tenegro. (Vide vol. 3.« pag. 212, col. 1.% pe- 
ríodo 2.») 

A aldeia das Antas, foi villa, e solar dos 
Antas, descendentes de Francisco Soares de 
Novaes. 

Antas ou Dantas, é um appellido nobre 
em Portugal, que já existia no principio do 
século XIII. 

Pelos annos de 1230, os creados da rainha 
.Santa Mafalda, filha de D. Sancho I (a de 
Arouca), causavam grandes damnos na al- 
bergaria do Monte Fu^^te, ou Monforte, que 
então era de Estevam Vasques d*Anlas, ven- 
do se este obrigado a reunir os seus creados 
e familiares, a correr aquelles. 

Queixouse Estevam Vasques, a D. San- 
cho II (o Ccpêllo) e foram feitas as pazes 
com a rainha, Santa Mafalda, os Antas, e os 
creados de ambas as partes, assistindo D. Ro- 
drigo Gil, prior da ordem de Malta, no dia. 
29 de junho de 1243. 



258 



RUI 



Rur 



Segundo antigos docamentos qae existem 
na casa das Antas, tinham os senhores do 
vinculo, um paço acastellado, com suas tor- 
res, o que tudo foi arrazado pelos leonezes, 
em 1129.1 

Lopo Dantas (o romano) construiu a ca- 
pella de S. Banholomeu, em 1592, gastan- 
do muita da sua fazenda com esta funda- 
ção, e com a creação. de trez capellanias, 
para cadâ*capelião dizer uma missa em to- 
dos os dias do anno. Também dava muitas 
esmolas aos peregrinos que hiam em ro- 
maria a S. Thiago de Gompostella. 
• No alpendre em frente da porta principal 
da capella, estão servindo de coiumnas, seis 
marcos miiliares romanos, com inscripções, 
mas tão apagadas, que se não podem lér. São 
todas monolithicas, e vieram de Cossourado^ 
por onde passava uma das cinco vias mili- 
tares romanas, mandadas construir pelo im- 
perador Yespasiano, e que de Braga hiam a 
Astorga. 

Ho mesmo alpendre estão trez sepultu- 
ras—são do dito Lopo Dantas, de seu pae]e 
de seus irmãos. 

Frei Belchior Dantas, dominicano, era 
d'esta família, e morreu na ilha de Solôr 
(Oceania) com fama de Santo. 

RUIDADES —Vide Rio d^Ãdes. 

RUlLHE— freguezia, Minho, concelho, co- 
marca, districto administrativo, bispado e 6 
kilometros de Braga (foi da comarca e con- 
celho de Barcellos), 360 kilometros ao N. de 
Lisboa, 110 fogos. 

Em 1757, tinha 75 fogos. 

Orago, S. Payo. 

Os condes de Redondo (depois marquezes 
de Borba) apresentavam o abbade, que tinha 
300^000 réis. 

Esta freguezia e a de Cunha, eram obri- 

t Algun» fidalgos gallegos, haviam ofTere- 
cido a D. AffoDSu Henriques, o reioo de Gal- 
Hza, offerta que o príncipe portuguez accei- 
tou, o aue deu causa á guerra com D. Af 
fonso Vil, rei de L^ão, e primo de D. Af- 
íonso Heiríqoes. 0< le>ioezes furam derro- 
tados nas batalhas dn Cemeja^ e dns Arcos 
de Vatle de Vez. O arcebispo de Braga, in- 
terveio na contenda, e conseguiu que os dois 
primos fiz'*s.«'em sls pazes, terminando a guer- 
ra, pelo tratado de Tuy, em 1129. 



gadas a varrerem as praças e talhos de QaU 
marães, nove vezes em cada anno. (Vide Bcêt^ 
cellos, a 1.* CunhOf e Guimarães.) 

É terra fértil. 

RUIYÃES ~- freguezia, Minho, comarca e 
concelho de Yiila Nova de Famalicão, 18 ki- 
lometros ao 0« de Braga^ 350 ao N. de Lis- 
boa, 225 fogos. 

Em 1757^ tinha 108 fogos. 

Orago^ o Salvador. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Os condes de Yilla Nova apresentavam o 
abbade, m soliduíSÈf que tinha 430^000 réis 
de rendimento. 

A esta freguezia está annexa a de Novaes, 
e por isso se diz Ruivães e Novaes. 

É terra fértil. Muito gado e caça. 

Ha n*esta freguezia trez casas que foram 
vinculadas, e todas procedem da família que 
foi senhora do paço, torre e honra de No- 
vaes. Ha ainda outra casa antiga e nobre, 
com uma torre, que foi de Matheus Mendes 
de Carvalho; e na aldeia de Rebordéllo, está 
a casa de Manoel Correia de Lacerda, se- 
nhor de Frolães. 

RUIViES — villa, Minho, no concelho de 
Vieira, comarca da Póvoa de Lanhoso (foi 
villa e cabeça de concelho, da comarca de 
Montalegre, em Traz-os-Montes), 60 kilome- 
tros ao N. de Braga, 405 ao N. de Lisboa, 
320 fogos. 

Em 1757, tinha 305 fogos. 

Orago, S. Martinho, bispo. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

O reitor de Santa Maria de Veade, apre* 
senuva o reitor, que tinha 2004000 réis. 

Esta freguezia compõe se das nove povoa* 
ções seguintes:— jRtttvãef (sede da paroohia), 
Espindo, Frades, Zehral, Quin^afi, VaUê^ 
Santa Leocadia, Botica, e SosUêUo. As cinco 
ultimas aldeias, formavam uma das sete hom* 
ras de Barroso. 

Era da casa de Bragança, cujo ouvidor en- 
trava n'ella em correição, assim como o pro* 
vedor da comarca de Guimarães. 

Até 1834, foi concelho, pertencente a Traz- 
os-Montes, o qual se compunha d*e8ta ftn- 
guezia e da de Campos, e da3%ldeiaa de Fa* 



RUI 

llão, Pincõ€s (qoe d6 espiritnal pertencUm 
á freguezia de Cabril), Carniça e lÀnharêlhos 
(qoe, DO espiritaal> perleneíam i freguezia 
ie Salto). 

Tioba um capitão-mór, com duas eompa> 
ubiad de ordenanças, cada uma com seu ca* 
pitao^ dois alferes, dois sargentos, e quatro 
cabos. 

Este concelho dava recrutas para os re- 
gimentos— 12 de infanteria, 6 e 9 de cavai- 
laria, e. milícias de Chaves» 

£m 1836, era da comarca de Chaves. 

£m 1842, compuoha-se o concelho de Rui- 
vães (que era também julgado) das dez fre- 
guezias seguintes:— jRttívãM, Cabril, CovêUo 
io Gfrez, heigoso, Pondras, Yilla da Ponie, 
Yenia Nova„ SaUo, Campos, e Ferral, todas 
com 1:103 fogos. 

Foi este concelho snpprimldo em 1853, e 
as freguezias que o constituíam passaram a 
formar parte do concelho de Montalegre, me- 
nos as de Rnivães, e Campos, que se uniram 
ao concelho e julgado de Vieira, da comarca 
da Póvoa de Lanhoso, no Minhd. 

A freguezia de Ruivães» é situada em ter- 
reno muito accidentado, e limitada ao N. 
pelos rios Cávado, e Regavao; ao S., pela ser 
ra da Cabreira; e ao O. pelo rio Saliadouro. 

Ao O., e próximo a esta vílla, ha uma boa 
ponte de cantaria, de um só arco, lançada 
sobre o Saitadouro, e por ella passa a anti- 
ga estrada de Braga para Chaves. D*esta 
ponte à villa, ha uma extensa e íngreme 
calçada. 

Pelo centro da freguezia, passava uma das 
cinco vias militares romanas. Esta hia de 
Braga a Chaves e Astorga. 

Junto á aldeia da Botica, de Ruivae?, fo- 
ram achados no século passado, dois marcos 
milliares romanos, pertencentes á referida 
estrada. Em um, a inscrípção estava com- 
pletamente ilegível, e no outro, apenas se 
podia ler : 

TRAUNUS 

* XUII. M. P. 

- Rniinies era a ultima villa da provinda 
4e Traz-os-Monfés, para o lado do O., e dis- 



RTJI 



259 



tante 60 kilometros de Chaves, e 36 de Mou- 
te-Alegre— tudo para o O. 

O rio Regavao, divide por este lado, a 
província de Traz-os-Montes, da do Minho. 

Fica próxima a famosa ponte da JMi»a- 
relia, da qual tratei no logar competente. 
Yidè Regavao. 



Em 9 de setembro de 1836, a guarda na- 
cional, de Lisboa, revolta se, e deita por 
terra a carta, substituindo-a pela constitui- 
ção de 1822. 

A 4 de novembro, ha uma reacção para 
restabelecer a carta, porem os revoltosos 
triumpham logo no dia seguinte, e o minis- 
tro da sr.* D. Maria II, (Agostinho José 
Freire) é assassinado pelos populares, na 
Pampulba. 

Em julho de 1837, os marechaes Terceira 
e Saldanha, do partido da corte, à frente de 
alguns corpos de linha, emprehendem res- 
tabelecer a carta, mas, em 27 de agosto; o 
conde do Bomflm, general dos populares, 
bate os dois marechais no Chão da Feira, 
junto á villa dfi Batalha, na Extremadura, 
obrigando os cartistas a retirarem para as 
provindas do norte. 

O barão de Leiria, cartista» consegue re- 
voltar o batalhão de caçadores n.** 4, na 
Ponte da Barca. A estes seTeuniram alguns 
voluntários da rainha, que estavam em Braga 
e uma pequena parte de infanteria n.* 9; 
mas, o barão d*Almargem os persegue até 
os encurralar na praça de Yallença, do Mi- 
nho. 

Emquanto estas desordens occorriam em 
Portugal, na Hespanha o general carlista Za- 
riategui, obriga a abandonar precipitada- 
mente as posições do Ebro, a divisão auxi^ 
liar portugueza, commandada pelo então 
visconde das Anfas, que teve de fugir a^ 
Portugal, entrando por Traz-os-Montes. 

Parte das tropas (uns 1:000 homens) do 
Antas, toma o partido da corte, e se reúnem 
ás forças do barão de Leiria, e o resto— uns 
2:000 homens, ficam ao serviço dos setem- 
bristas, com o general que os trouxe da Hes* 
panha. 

Em 18 de setembro (ainda de 1837) dá- se 



260 



RUI 



RUI 



a bataUia dê Ruivões (nVsta fregnezía) e ob 
cartistas são derrotados. 

No dia segoiote, termíDa a guerra civil, 
pela convenção de Chaves, feita entre os ge- 
neraes, Aatas, Terceira e Saldanha. Os dois 
últimos» e outros cartistas mais compromet- 
tidos, fogem para o estrangeiro. 

RUIVOS ou RUIVOZ — freguezía. Beira 
Baixa, na comarca e concelbo do Sabugal 
(foi da mesma comarca, mas do extineto 
eopcelho de Yillar-Maior) 120 kilometros ao 
S.B. de Lamego, 305 ao E. de Lisboa, 75 fo- 
gos. 

£m 1757, tinha 50 fogos. 

Orago, Nossa Senhora das Neves, e S. loâo 
Baptisu. 

Bispado de Pinhe (foi do bispado de La- 
aiego) e districto administrativo da Guarda. 

O reitor da Nave do Sabugal, apresentava 
o cura, que tinha 84^000 réis e o pó d'ai- 
tar. 

É no Ríba-Côa, e foi das povoações do 
bispado da Giudad Rodrigo, que a rainha 
Santa Isabel trouxe para Portugal em dote, 
no anuo de 1282. 

É povoação antiquíssima, já povoada pe- 
los povos pró-celtas, o que evidentemente 
provam cinco dolmens qud existiam nas pro- 
ximidades da capelta de S. Paulo, doesta fre 
piezia, e que ainda em 1756 estavam em 
aoffrivei estado d^ conservação. (Yidé Sabu- 
gal) 

A esta freguezia esteve anmxaade Valle 
â*£gaas, no mesmo concelho. 

Barão de Ruivoz 

Em 28 de setembro de 1835, foi feito pri- 
meiro (e aié hoje único) barão de Ruivoz, 
Francisco Saraiva da Costa Refoyos, do con- 
selho de sua magestade; commendador das 
ordens de S. Bento; d'Avi7.^ e da Nossa Se- 
nhora da (k^nceição, de Villa* Viçosa; cavai - 
leíro da da Torre Estpada; marechal de cam- 
po. Fui governador militar de Santarém, e 
das armas do partido do Porto : general 
coinmandaota do exercito liberal, em 1828; 
perfeito da provinda dos Açores (arcbipO'» 
lago dos Açores) e encarregado da auctori- 
adgdeeral militar da mesma proviocia; per- 



feito da província do Minho, e deputado á 
cortes de 1834 e 1835. 

Nasceu a 4 de outubro de 1779. 

Era o sexto e ultimo filho d&Pedro 
da Costa Pereira Refoyos, 10.<^ senhor do 
do padroado da egreja de S. Thiago Maioi^ 
de Yilla G^eia (no concelho da Guarda) se-t 
nhor do morgado annexo de vários outros^ 
em Ruivoz, Sabugal, Cima-Cóa; dos de Vella» 
e dos Pinheiros, em Castello-Braneo. 

E de sua mulher, D. Maria Antónia d'AI« 
meída Amado e Menezes, fitha de Isidoro de 
Almeida Amado Sá e Menezes, senhor do 
morgado do Terrenho, e do couto da Quinta 
de Matta-Mà, capitão-mór de Moreira, na 
comarca de Trancoso ; e de sua mulher, D. 
Rosa Umbelina de Loureiro e Yasconceííofli 

« 

Irmãos do bar&o de RuiT02 

i.^^^MendOy do qual trato adiante. 

2.<*— /aagtcfm, que foi desembargador da 
casa da supplicação. Nasceu a 23 de oota» 
bto de 1770, e morreu a 6 de agosto de 
1833. 

3»"^— José, tenente do regimento de cavaJ- 
ima d'Almeida, que falleceu em 1804. 

4.*'— Z>. RUOf moça do coro, du real mos« 
teiro da Encarnação (de Lisboa) da ordem 
de S. Bento d'Aviz. (As commendadeiras d» 
Encarnação.) Morreu a 19 de fevereiro de 
1837. 

5.*>-~P^(í/*o, cavalieiro da ordem de Christo» 
desembargador da casa da snpplicação ; o 
que nasceu a 23 de agosto de 1777, e casou, 
em 8 de setembro de 1832, com D. Gertru* 
des Magna Garcez Freire, viuva, filha de Ma- 
nuel Figueira Freire, e de D. E^tcolostica 
Rosa Garcez, sobrinha e herdeira de Mantt^ 
Ferreira Garcez. 

Esta Senhora, ficando viuva d'este segundo 
marido (que morreu em 28 de novembro dt 
1846) tornou a casar, em terceiras nnpeía% 
e falleceu a 29 de abril de 1855. 

ò."*— Francisco, o barão de Ruivoz. 

Mendo, irmão primogénito do barão, foi 
ll.<> senhor do padrordo de Villa Garcia» • 
dos morgados aonexop, e outros que pos- 
suíra seu pae. Era fidalgo da <»8a reiJ; ea« 



RCI 



RUN 



261 



Tálleiro da ordem deChrislo; superinten- 
dente das caudelarias da comarca da Guarda. 
I^ascea em 1769, e morrea a 29 de agosto 
de 1820. Casou com D. Luiza Alexandrina 
de Mello MascarenbaSy açafata de D. Maria I. 
Era filba de António Mascarenhas de Mello 
Figueiredo, senhor de um morgado em San- 
tarém; fidalgo da casa real ; estribeiro me- 
nor do infante D. Manuel; e tenente coronel 
do regimento da primeira Armada — e de 
sua segunda mulher e sobrinha, D. Gdno- 
veva Francisca Maria Mascarenhas e Mello, 
dona da camará da rainha D. Marlanna Yi- 
ctoria, mulher de D. José I. 

Deixou seis filhos: 

L^-^João, 12.<> senhor do padroado da 
egreja de Villa Garcia, etc— cavalleiro da 
ordem de Cbristo, coronel do regimento de 
milícias da Guarda^ Casou com D. Josepha 
Ludovina Saraiva de Souza Coutinho, pri- 
meira filha e herdeira de Bento de Souza 
Coutinho, senhor do morgado de Ortigal, 
no termo da Covilhan, fidalgo da casa real, 
cavaUeiro da ordem de Cbristo — e de sua 
mulher, D. Caetana Benedicta Saraiva Sam- 
paio. D*este casamento houve só uma filha, 
D. Maria Antónia, nascida a 8 de abril de 
1811. 

2.<'— Aníonto, bacharel em leis, nascido a 
24 de agosto de 1795. 

3.«— Ptfdro, bacharel em leis, nascido a 
23 de maio de 1798. 

4.<'— D. Maria Augustay nascida a 4 de 
julho de 1801. Casou a 5 de maio de 1824, 
com António Camello Fortes de Pina» senhor 
do morgado de S. Domingos, da villa de Al- 
godres, fidalgo da casa real; do conselho de 
sua magestade; eommendador da ordem de 
Cbristo ; lente cathedratieo, jubilado, da uni- 
versidade de Coimbra; membro do supremo 
tribunal de justiça. Nasceu a 14 de março 
de 1770. Era filho de António Camello For- 
tes, capítão-mór da villa d' Algodres, e de D. 
Josepha Maria de Pina Osório. 

5.<»— D. Marianna do CarmOy nascida a 2 
de janeiro de 1803. 

6.0— D. Genoveva^ nascida a 25 de julho 
de 1805. 

RUIVOS ou RUIVOZ —- freguezia, Minho, 
no concelho da Ponte da Barca» comarca dos 

Tounn TH 



Arcos de Yalle de Vez, 24 kilometros ao O. 
de Braga, 380 ao N. de Lisboa, 90 fogos« 

Em 1757, tinha 73 fogos. 

Oragb, Santa Eulália. 

Arcebispado de Braga, e dístricto admf* 
nistrativo de Vianna. 

A mitra apresentava o abbade, que tinha 
240^000 réis. 

É povoação muito antiga, pois já na era 
de 1086 (1048 de Jesus Chtisto) o bispo de 
Braga, D. Pedro, tinha aqui uma fazenda^ 
que n*esse anno emprazou a Anagildo Fro* 
marígues. 

Chamava-se então Ruviólos ou Ruivólo$ K 

É n*esta freguezia, a antiga e nobre casa 
de Real, onde viveram Gil de Cerqueira e 
sua mulher. Margarida Martins Velho, pro- 
genitores de Leonel d' Abreu Figueira, qm 
deixaram muitos descendentes, ligados com 
familias muito nobres do Mioho. 

Ê terra fértil. Multo gado e caça. 

BUNA—freguezia, comarca, concelho e 7 
kilometros ao S.E. de Torres- Vedras, 42 ki- 
lometros ao N.E. de Lisboa, 200 fogos. 

Eu 1757, tinha 116 fogos. 

Orago, S. João Baptista. 

Patriarchado e dístricto administrativo d6 
Lisboa. 

O prior de S. Pedro, de Torres Vedras» 
apresentava o cura, que tinha 150^000 réia« 

Feira a 29 de setembro. 

No l.*" de novembro de 1810, houve aqui 
um pequeno combate, entre os alliados e o 
exercito francez, commandado por Massena^ 
e logo a 14, este retira para Santarém, não 
se atrevendo a atacar as famosas linhas de 
Lisboa. 

Em 1877, no alto do monte que está entre 
a povoação de Runa e a villa da Alhandra, 
se collocou, sob a direcção do distincto ge- 
neral de brigada, o sr. Joaquim da Costa 
Cascaes (o que fez também o monumento do 
Bussaco, que um raio destruiu) um elegante 
padrão, memorando a retirada dos franee* 
zes. 



1 Julgo que já então tinha o actual nome, 
que, na baixa latínidade, se escrevia Ruivô^ 
los. 

17 



262 



RUN 



RDN 



Houve Da Lusitânia uma antiquíssima ei- 
dade cbamafla Runa. 

Segundo uos^ era n'esta freguezia» outros 
porém, pretendem que era no sitio da actual 
vilia da Aljubarrôu. Vide Ourem. 

Asylo e hospital dos inválidos 
militares, de Runa 

A príQceza D. Maria Francisca Benedicta, 
liiba de D. José I, e irman de D. Maria I, 
casou com seu sobrinho, o príncipe do Bra- 
sil, D. José, filho d'aquella raínba, failecido 
na flor da edade, em 1788, deixando uma 
saudade indelével, não só a sua esf^osa, e a 
seus pães, mas até a toda a nação portngue- 
za, que fundava grandes esperanças no jo- 
ven príncipe. 

Sua esposa dedicou-se a obras de carida- 
de, em favor dos pobres e desvalidos. 

Vendo que em Portugal não havia um 
único estabelecimento para abrigo dos mili- 
tares, que mutilados nas batalhas, ou enve- 
lhecidos no serviço da pátria, podessem ter- 
minar seus dias, sem esmolarem ou morre- 
rem na miséria, resolveu fundar um hospi- 
tal e asylo para os inválidos do exercito. 

A rainha sua irman, lhe offereceu para o 
novo estabelecimento, a quinta real da Luz, 
onde actualmente está o coUegio militar; 
forem a prioceza julgou o sitio acanhado, 
6 sabendo que junto a Runa tinham os fra- 
des bernardos, de Alcobaça, uma proprie- 
dade denominada quinta d* Alcobaça^ ^ que 
era muito vasta, obteve que elles lh'a ven- 
dessem, em 11 de agosto de 1790, compran- 
do também, pauco depois, varias proprieda- 
des próximas, e a quinta de S. Miguel, na 
freguezia de Enxára do Bi^po, comarca e 
concelho de Mafra, o que tudo custou uns 
40 contos de réis. 

Principiaram as obras do asylo, no dia 18 
de junho de 1792, ^ com mais de 300 ope- 
rário?, entre pedreiros e' serventes. 

1 Por esta razão, ainda o povo doestes sí- 
tios dá ao asyio o nome de Alcobaça. 

* A nobilissima resolução da caridosa prin- 
za, foi ronílrmada por derreto de 25 de ju- 
lho de 1802, e alvará de 97 do mesmo mez 
e anuo. 



Quando a família real fURÍu para o Bra- 
sil (29 de novembro de 1807) já estava cons- 
truída a maior parle do edificio, e, mesmo 
do Brasil, mandou a santa fundadora, por 
muitas vezes, grandes quantias para conti- 
nuação das obra!>, além dos rendimentos 
da sua casa, que todos eram n'ellas empre- 
gados. 

Quando a família real regressou a esle 
reino, em 1821, estavam as obras qnasi con- 
cluídas, e tanta sollicitude empregou a prin- 
ceza, que no dia do seu anniversarío natalí- 
cio, 25 de julho de 1827 ^ se inaugurou o 
asylo, com 16 militares invalidos~um prí- 
meiro tenente de artílhena, trez sargentos 
e 12 cabos, anspeçadas, e soldados. 

A fundadora presidiu a todas as ceremo- 
nias da inauguração, com o maior prazer, e 
com grande benevolência e caridade, serviu 
ella mesma os primeiros pratos aos asyla- 
dos. O resto foi servido pelo seu mordomo- 
mór, o marquez do Lavradio e pelos crea- 
dos da casa real. 

Gastou na construcção do edificío e ma- 
gestosa capella, seus ornamentos e alfaias^ 
mais de 600 contos de réis. 

Reservou parte do edificio para a sua ha- 
bitação e o resto, para os inválidos, e para 
03 necessários empregados, e quartel para 
tropa. 

Os rendimentos applicados pela fundado- 
ra para o costeamento das despezas com os 
inválidos e indispensáveis empregados, e 
com os reparos do magestoso edificio, po- 
diam dar asylo a mais de 120 militares ve- 
lhos ou estropiados; porem o decreto qud 
extinguiu as commendas, cerceou notavel- 
mente as rendas do asylo, que consistiam 
no seguinte : 

A coromenda de S. Thiago de Beduído, 
(Estarreja) que a obteve em troca de 8 con- 
tos de réis de tença, que a fundadora rece- 
bia, pela folha da alfandega grande, de Lis- 
boa, contrato confirmado pelo alvará de i9 
de janeiro de 1826. 

Uma apólice, com o vencimento de 5 por 
cento, do capital de 26 contos de réis. 

1 A fundadora havia nascido em 25 de 
julho de 1746, e fazia H'esse dia, 81 annos 
de edade. 



RUN 

Um titulo de dívida publica, do capital de 
11:999^960 réis. 

Duas acções da companhia geral de agri- 
cultara dos vinhos do Alto-Douro, no valor 
de 800^000 réis. 

As quintas de Alcobaça (Runa) Amora 
(no concelho do Seixal) Enxàra do Bispo, 
e propriedades annexas, que então produ- 
ziam um rendimento annual de 900^000 
réis. 

£ varias dividas activas; das quaes, uma 
grande parte se perdeu. 

Actualmente o seu rendimento, anda por 
9:000 j;000 réis, e a despeza por 8:000j;000 
réis, porque apenas dá abrigo, sustento e 
vestuário, a uns 50 asylados. * 

A fundadora, falleceu em 18 de agosto de 
1829, com 83 annos de edade, declarando 
seu universal herdeiro, o asylo de Runa. 

O testamento foi confirmado pelo sr. D. 
Miguel I, que fez passar a administração das 
rendas, para um conselho administrativo, o 
qual, e todo o estabelecimento, é superen- 
tendido pelo ministério da guerra, em cum- 
primento da ultima vontade da doadora. 

Dà entrada ao edificio, uma comprida rua, 
no topo da qual se vé um largo ajardinado, 
onde se levanta, com um kilometro de fren- 
te, sobre 61 de fundo, a magestosa fabrica, 
que tem, ao todo, 400 casas recebendo luz 
por 365 janellas. 

A egreja, é de architectura romana, em 
forma de cruz, com o throno ao centro do 
«ruzeiro, e é construída de bello mármore 
de varias cores, avultando o prelo, extrahi- 
dò das pedreiras de Pêro Negro, que ficam 
))roximas á Sapataria, no concelho da Ar- 
)rada, comarca de Vilia Franca de Xira. 

As quatro estatuas que defrontam com os 
quatro ângulos do throno, são de bellissimo 
mármore de Carrára,'assim como as do ves- 
tíbulo, aos lados da porta principal. A sua 
execução artística é de grande primor; e 
bem assim o grupo da Gloria, também de 
Qiarmore, que coroa a címalha da capella, 
ao fundo. 

Encerra ainda esta egreja outros objectos 
•ârtisticòs ^âe' gratídé merecimentoi como o ^ 



RUN 



263 



busto do pontífice Leão XII, de mármore de 
Garrara; um quadro, a óleo, de S. Jeronyr 
mo ; ricas alfaias e magnificou paramentos. 
A custodia, de prata dourada, cravejada de 
uma infinidade de pedras preciosas, e de 
mais de um metro de altura, é um objecto, 
de grande valor e gosto artístico-. 

Todos os annos se celebra n*este asylo, 
com grande esplendor, o anniversario da 
sua inauguração, ao qual chamam festa da 
princeza; assim como o anniversario do fal- 
lecimento da santa fundadora. 

A festa da inauguração principiou em 
vida da princeza, e então, pelo meio dia, og 
religiosos da commuoidade de S. Pedro de 
Alcântara, de Lisboa, e os músicos da ca- 
pella-real, celebraram uma missa solemne, 
na capella do asylo, á qual assistiu a funda- 
dora, a sua corte, os asylados, e centenares 
de fieis, da freguezía e arredores. 

Na ultima solemnídade a que assistiu a 
piedosa princeza, dirigindo-se aos asylados^ 
proferiu ella as celestiaes palavras, cujé 
écco parece escutar-se ainda nas vastas abo- 
badas do grandioso edifieip : ' 

Estimo ter podido concluir o asylo que 
mandei construir para descançardes dos vos* 
SOS honrosos trabalhos : em recompensa, s6 
vos peçOy a paz e o temor de Deus. ^ 

Ainda hoje é lembrada, e o será sempreí, 
esta virtuosíssima princeza, que fallava com 
a maior franqueza e benevolência aos seuf 
asylados, tratando-os sempre por filhos. ^ 

Quando passeiava pelos arredores do asy; 
ló, toda a gente ajoelhava com respeito è 
aifecto, serena e humilde, como diante de 
uma santa missionaria do Omnipotente. ÈIU 
levantava-03 sorrindo carinhosamente, bei- 

« 

java as creanças, e dirigia a todos meigas 
palavras, que os enchiam de consolação. 

. Na dia 24 de julho de 1877, inaugurou-se 
em ^una um bonito theatro. 

O sr. João Gualberto de Barros e Gunha^ 
actual deputado e que já foi ministro das 



264 



SA 



obras publicas, tem aqai uma bella casa e 
bonita quinta. 

Bana também soffreu muito com as inun- 
dações de 1876-1877. No dia 6 de janeiro 
doeste ultimo anno, o rio Sizandro, sabindo 
do seu leito, alagou os campos das suas 
margens, e a fcbeia tornou-se assustadora 
ii'esta freguezia^ assim como nos logares do 
Furadouro (ou Aforadouro) Ribaldeira, Ma- 
xial, e outros. 

RUPÍA ou ROPtA-— moeda do Grão-Mo- 
gól, que tem curso forçado na índia portu- 
gueza. Antigamente, valia 400 réis, boje^ 
vale mil réis. 



SÁ 

RUVlNA ou ROVlNA— freguezia, Beira 
Baixa^ comarca e concelho do Sabugal, i20 
kilometros ao S.E. de Lamego, 300 ao E. de 
Lisboa, 50 fogos. 

Em 1757, tinba 41 fogos. 

Orago, Nossa Senhora do Rosário (foi pri- 
meiramente o Espirito Santo.) 

Bispado 6 districto administrativo da 
Guarda. 

O reitor de Nossa Senhora da Conceição 
do Sabugal, apresentava o cura, que tinha 
50^000 réis e o pé d*altar. 

É terra pouco fértil e pobre. Clima exces- 
sivo. Cria bastante gado. 



s 



S.-— Antigamente vatia-— 1.«, 7, e depois 
70— com um til, valia 70:000. 

SA— portuguez antigo— suo— também se 
escrevia ssa, e saa. 

SA— rio. Douro, na Terra da Feira. Nasce 
de vários arroyos, no concelho da Feira, e 
depois de atravessar diversas freguezias, to- 
mando os nomes das povoações por onde 
passa, desagua na esquerda do Douro, em 
Crestuma, depois de um curso de 20 kilo- 
metros. 

SA— freguezia^ Minho, comarca e conce- 
lho dos Arcos de Valle de Vez, 35 kilome- 
tros ao O. de Braga, 390 ao N. de Lisboa, 
80 fogos. 

Em 1757, tinha 65 fogos. 

Orago, S. Peilro, apostolo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Yianna. 

O abbade de Santa Maria d' Alvora, apre- 
sentava o vigário, que tinha 60^000 réis^ e 
o pé d'altar. 

SA — freguezia, Minho, comarca e conce- 
lho deMonção (foi da mesma comarca mas 
do extincto concelho de Yalladares) 65 kilo- 
metros ao N^. de Braga, 420 ao N. de Lis- 
boa, 100 fogos. 



Em 1757, tinha 94 fogos. 

Orago, S. João Baptista. . 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Yianna. 

O arcipreste da coUegiada de Yianna, 
apresentava o vigário, que tinha 17ifOOO róis 
de côngrua e o pé d*altar. 

Foi n'esta freguezia o solar dos Caos, a 
cuja familia pertencia Diogo Cão da Nóbre- 
gajdescobridor de Angola e Congo, em 1485, 
e um dos creados do conde D. Henrique (o 
de Sagres.) Diogo Cão, levantou um padrão 
na foz do rio Zaire e olitro no Cabo do Pa- 
drão, alem do reino do Congo. 

Fói seu filho, Pedro Cão da Nóbrega, que 
foi alferes (porta-bandeira) de D. Francisco 
d*Almeida, primeiro vice-rei da índia» em 
1505. 

Supp9e-se que esta familia se unia i dos 
Noronhas, marquezes de Yilla-Beal. 

(Yide no artigo Sabrosa^ a biographia do 
13.* homem notável, Afíònso Botelho dê Sam- 
paio e Souza.) 

As propriedades que a familia CSiO terá 
n*esta freguezia, foram divididas por diver- 
sos lavradores. 

SA— aldeia, Minho, termo de GoimarâM; 



SÁ 



SÁ 



265 



e appellido nobre em Portagal, cnja família 
procede de Fayo Rodrigaes de Sá, qae yi« 
via pelos annos de 1300 (remando D. Dina) 
no concelho de Lafões, hoje comarca de Yi- 
sella, na Beira Alta. 

Foi sen filho, D. João Âffonso de Sá, vas- 
sallo de D. Affonsa IV e de D. Pedro I. 

O verdadeiro solar dos Sàs, era n'esta al- 
deia, à qnal deram o nome, ou d'ella toma- 
ram o appellido. 

Muitas famílias nobres, da província do 
Minho, e da cidade de Coimbra, qae teem o 
appellido Sá, descendem de D. João Affonso 
de Sá. . 

Os Sás, trazem por armas— escado xadre- 
zado de azai e prata, de 6 peças em faxa e 
7 em palia ; escudo de prata, aberto, e por 
timbre, um búfalo negro, xadreado de prata 
e azul, armado do mesmo, com uma argola 
de ouro nas ventas. 

SÁ— freguezia, Miaho, comarca e conce- 
lho de Ponte de Lima, 30 ktlometros ao O. 
de Braga^ 380 ao N. de Lisboa, 95 fogos. 

Em i757, tinha 126 fogos. 

Orago, Santa Maria (Nossa Senhora da 
Annanciação.) 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Vianna. 

A mitra apresentava o abbade, que tinha 
250^000 réis— isto é^tinha metade dos dí- 
zimos da freguezía, e a outra metade con* 
atituia um beneficio simples, dado também 
pela mitra. 

Esta egreja, com metade da de Afife, foi 
dada por D. Aífonso III, á Sé de Tuy, pelos 
annos de 1260, em troca da da Ariosa, junto 
a Yianna. 

£ terra fértil. 

Gado, caça, e peixe do rio Lima e do 
mar. 

SÁ— aldeia, Minho, freguezia de Govide, 
que foi da extincta coniarca de Pico de Re- 
galados. É hoje no concelho de Terras de 
Bouro, comarca de YillaYerde. (Vide 3.* 
voL, pag. 431, col l.«) 

Quando tratei da freguezia de Govide, 
4i88e que no logar da Egreja estava um eru- 
seiro, assente sobre um padrão romauo, cuja 
inscripçao não podia lér-se, por estar en- 
terrada. 



D. Jeronymo Contador d'Argote {MemO'- 
rias do arcebispado de Braga) diz que este pa- 
drão (marco milliar) se achou enterrado em 
uma horta, d'esta aldeia de Sá, e que a sua 
inscripçao é a seguinte : 

IMP. GAE... 

G. MBS. QUINTO 

TRAIANO DEGIO 

I5VICT0 PIO FEL. AVG. 

PONT. UÀX. T. P. 

PROGOS III! 

CÕS. II. P. P. 

A BRAG. MIL. 

P. XXV. 

. (Ao imperador, Gesar Gayo Messio, quinto 
Trajano, Decio, Invicto, Pio, Feliz, Augusto, 
Pontífice Máximo, Tribuno do povo. Pro- 
cônsul a 4.* vez. Cônsul 2.", Pae da Pátria. 
D'aqui a Braga 25 mil passos.) 

No (empo dos romanos, existia aqui uma 
grande povoação, que alguns pretendem ser 
a cidade de Calcedonia (vide Govide) e da 
qual tem apparecido muitos vestígios. 

Passava por estes sítios a famosa via mi- 
litar dos romanos, chamada da Geira (vide 
esta palavra) e por varias vezes se teem 
aqui achado marcos míUiares romanos. 

Em uma pequena volta que faz a via. mi- 
litar romana, no sitio onde se dividem oa 
termos do logar de Govide e do Gampo, ha- 
via um outro marco milliar, hoje também 
transformado em pedestal de um cruseíro. 
Tinha esta inscripçao : 

IMP. GAES. 
G. MISSO. TRA. 

DAOO. mJTO. 

PIO. FEL. AVG. 

PONT. MAX. TR. P. 

PC. IlIL G II. 

P. P. A BRAG. 

M. P. 

XXVII 

(Esta columna foi dedicafia ao imperador 
Gesar Gayo Messio Trajano Decio, Invicto, 
Pio, Feliz, Augusto, Pontífice Máximo, Tri- 
buno do Povo, Procônsul a 4.* vez, cônsul a 
2.*, Pae da Pátria. D'aqui a Braga, sa« 
27:000 passos.) 

Do sitio onde havia grande numero de 
marcos miiliares, ao qual, porisso, se fic«a 



â66 



Sa 



chamando Leira dos Padrões, foiram arran- 
cados dois, que foram para a egreja de S. 
João, e na reedificaçâo d*elia, os quadraram, 
tírando-Ihe a stía forma primittiya (redon- 
da) desapparecendo as inscrípçoes* 

Em 1736, andando uns trabalhadores ro- 
çando matto, junto â referida via militar da 
Geira^ acharam o resto de um marco mil- 
ar, com o final da respectiva inscripção. 

A BRAGARA AYG. 
XXVIII. 

Próximo a esta pedra, se achou também 
pntao, outro marco milliar de 3",25 de com- 
prido, e 2,"65 de circumferencia com esta 
ioscripçao : 

D. N. 

• ••• C«** ]•••• A.nl« 

BIM AT. ^ 

SEMPER AVG. 
MÁXIMO 

MAGNENTI 

TERRA. MAR. 

VICTORI. P. HO. y. 

DEDIGAYIT 

Q. MORI. 

(Quinto Mário (?) dedicou esta memoria, 
a nosso senhor... sempre Augusto Máximo 
Magnencio, vencedor por mar e terra, do 
povo romano.) 

• Ha ainda por estes sitios outras muitas 
columnas que foram marcos milliares, com 
as inscrlpções mais ou menos legíveis. Não 
as menciono, para não enfadar o leitor^ e 
também porque bastantes já ficaram men- 
cionadas nas freguezias onde existem, ou fo- 
ram achadas. 

SÁ— aldeia, Douro, freguezia de Esgueira, 
concelho, comarca, districto administrativo, 
bispado e próximo (ao N.) d* Aveiro. 

Fica esta povoação entre a villa d'Es- 
'gueira, que lhe fica ao N., e a cidade de 
Aveiro, que lhe fica ao S. 

Ha aqui o convento de Sá, de freiras ran- 
ciscanas, fundado em 1644. (Yidé Aveiro.) 
- Suppõe-se que o primeiro nome d'esta 
povoação, foi Sala, e que houve aqui um 
antiquissimo mosteiro duplex^ da ordem de 
'S. Bento; porque, em um inventario que exis- 



Sa 

tiu no mosteiro de Pedroso (de Yilla Nova 
de Gaia) feito em 1050, se diz (tradueçao)^ 
Bens que adquiriu D. Gonçalo e sua muih^, 
D. Flamula.—0 mosteiro Sala, e o de S. lo- 
lião (junto á foz do Mondego) e metade do 
Cedarim (Gedrim) e metade da egreja de 
Recardáes, etc. 

Ha também no logar de Sá, a antiquíssima 
capella de Nossa Senhora da Alegria, cuja 
data da fundação e o nome do fundador se 
ignora. É um templo bonito, e amplo, com 
altar-mór e dois lateraes. Tem na ílreot6^ 
um bom alpendre. 

A sua festa, é a 15 de agosto^ e muito con- 
corrida. 

Também se faz, n'esta capella, todos os 
annos, uma boa festa, ao martyr S. Sebas- 
tião, â qual concorrem muitas famílias de 
Aveiro e de outras localidades. Julga-se qne 
esta ermida, ó o templo mais antigo, não só 
da cidade, como de outras terras em redor. 

No largo, em frente da capella, está um 
Cf useiro, construído pelos irmãos da confe- 
ria da Senhora, em 1556. 

A cruz sustenta-se sobre quatro colomnos 
de mármore, e é coberta por uma cúpula, 
de forma pyramídal. 

Gomo o sitio onde está fundada a eapeUa 
é alguma cousa elevado, d'alii se vé o Oceano, 
e os navios que sulcam estes mares. 

Os pescadores d'estes sitios, teem muita 
devoção com Nossa Senhora da Alegria, 6 
no século 16.<* se obrigaram por voto, a se- 
rem seus feudatarios perpétuos, dando-lhe a 
quarta parte das suas pescarias, que era ap- 
plicada para a festa, e para obras e alfaiai 
da capella. 

• Os pescadores d'Aveíro e Esgueira, sus- 
tentavam, alem das despezas da ermida, um 
hospital para os seus doentes, na rua de Yil- 
la-Nova ; mas este já não existe. 

Segundo o Santuário Marianno (4.* vol., 
pag. 424) esta povoação constituía ainda em 
1712, uma freguezia independente, tendo por 
padroeira Santa Maria de Sá, eestaegrejii 
com o seu padroado, deram os seus proprie- 
tários, ao rei D. Diniz. Era egreja muito an- 
tiga. 



SÁ 

SA (Santa Maria de)^antiga fregaezia, 
Beira Baixa, no então jalgado — hoje comarca 
6 concelho de Géa. Esta íreguezia amãa 
existia em 1700, e não sei quando foi sup- 
primida. 

Sá, foi villa e conto. D. AiTonso III lhe 
dea foral, em Lamego, a 6 de agosto de 
125i. (L.» i.« de Doações de D. Áffanso lU, 
fl. 5, col. 2.-) 

Não teve foral novo. 

D. Soeiro Baymundo, nco*homem, e^alfe- 
res-mór de D. Affonso II, foi o fundador da 
actual villa de Mello, nas faldas da Serra da 
Estrella (Beira Baixa) em 1204 (vide 4.o 
tDl., pag. 173, col. 1.*) e foi também o fun- 
dador da ermida de Nossa Senhora do Couto, 
que, em 1639, D. Mem Soares d'Alvim, seu 
descendente, demolia, fazendo em seu logar 
a egreja do mosteiro de freiras agostinhas, 
junto á villa de Mello. 

De D. Soeiro Raymundo, foi neto, D. Mem 
Soares de Mello (o primeiro que tomou o 
appellido de Mello) e que casou com D. The- 
reza Áffanso Gata^ filha do rico homem, D. 
Affonso Pires Gato. 

. D. Gonçalo de Sá, senhor e primeiro po- 
voador da villa do seu appellido, failecendo 
solteiro e sem filhos, deixou a casa e solar 
de Sá, a sua sobrinha^ a referida D. Thereza 
Affonso Gata. 

Foi neto da Gata e de D. Mem Soares de 
Mello, D. Martim Affonso de Mello, rico-ho- 
mem de Portugal, e senhor de Géa, Gouveia, 
Linhares, e Celorico, tud^na Beira Baixa, e 
nas proximidades da Serra da £strella. 

Foi este fidalgo também senhor da villa 
de Mello, que seU avô havia fundado,, junto 
á mesma serra da Estrella, e foi no seu tempo 
que Mello se elevou a cathegoria de villa, e 
teve brazão d^armas, tudo par ordem de D. 
Affonso III. 

De D. Mem Soares e da Gata, procediam 
os condes de Olivença, de Assumar, e de S. 
Lourenço (estes últimos, depois, marquezes 
de Sabugosa) e procedem os condes de Ten- 
túgal e marquezes de Ferreira, que são hoje 
os duques do Cadaval (vido Tentúgal) e ou- 
tras muitas famílias nobilíssimas d'este rei- 
no; porém, o ramo primogénito é hoje re- 



• SÁ 



26Í 



presentadó pelos condes de Mello, senhores 
d'esta vUla, desde 12 d'abril de 13731. 

O 1.° conde ^de M^ilo foi Luiz Francisco 
Soares de Mello da Silva Breyner Souza Ta- 
vares de Moura, par do reioo, em 1833, of- 
ficial da ordem da Torre e Empada, cavai* 
leiro das de Christo e Conceição, e general 
de brigada. Foi feito conde, em 24 de ja^ 
neiro de 1835. Falleceu cm 12 de novembro 
de 1865. Tinha nascido a 23 de setembro de 
1801. 

Em 20 d'abríl de 1866, foi feita condessa 
de Mello (segunda) a sr.* D. Thereza Fran- 
cisca de Mello da Silva Breyner de Souza 
Tavares de Moura, neta do primeiro conde. 

O primeiro conde de Mello, succedeu na 
casa a sua mãe, em 20 de março de 1821. 
Casou, em 18 de fevereiro de 1835, com D. 
Frederica Xavier Botelho (nascida a 28 de 
julho de 1812) íilba de Sebastião Xavier Bo- 
telho e de D. Thereza Maria Antónia Alva- 
res Fernandes de Carvalho. 

Foi filho único d'este matrimonio, Pedro 
Francisco Soares de Mello, etc, nascido a 
25 de agosto de 1836, e que morreu em vida 
de seu pae. É sua filha, a actual condessa. 

O primeiro conde de Mello, pertenceu 
sempre ao partido liberal, e distioguiu-se 
na defeza das linhas do Porto, em 1832 e 
1833. 

Durante a guerra de 1846 e 1847. tomou 
o partido da causa popular, à qual fez bas- 
tantes serviços. 

Era filho de D.-Anna Rufiaa Soares de 
Mello Souza Tavares e Moura, 18.* senhora 
de Mello, filha uoíca de Estevam Soares de 
Mello, e de D. Thomazia Rita de Souza Le- 
mos Alvim e Menezes, e que casou (D, Anna 
Rufina) em 4 de outubro de 1793, com Pe|- 

^ O senhorio de Mello, data de 1204 (^nno 
da fundação e povoação da villa) porem o 
alvará mais antigo que se encontra na Torre 
do Tombo, com respeito a este senhorio, foi 
passado por D. Fernando I. em 12 de abril 
de 1373, a íavor de D. Mem Soares de Mello, 
que, como os seus ascendentes, desde 1204, 
se intitulavam senhores de Mello. 

O' palácio que os condes de Mello teem em 
Lishoa, é á Cova da Moura. 



268 



SÁ 



SAB 



éto de Mello Breyner, senhor da Trofa, con- 
selheiro de estado, commendador da ordem 
de Christo, enviado extraordinário e minis- 
tro plenipotenciário a Roma e Pariz. 

QaandoJunot se lembrou de crear em Lis- 
boa uma rf^^cta em nomedeBnonaparte(l.* 
de fevereiro de 1808) escolheu para ella quatro 
portuguezes (III)— conde da Ega— D. Fran- 
casoo Raphael db Castro— conde lb Sam- 
paio— e Pedro de Mello Bretner. (Ponho 
os nomes d'e8tes homens em versaletes, ad 
perpetuam rei memoriam.) Junot fez-se pre- 
sidente d*esta regência, que logo no mesmo 
dia, i.*^ de fev^Teiro, gostosamente tomaram 
posse dos se